Não muitos anos atrás, comparei a crise que se avizinhava nos EUA à da Argentina do início da década. Tinham as mesmas características, povos vivendo acima de suas posses com base em uma moeda erroneamente avaliada. Os argentinos ainda não se recuperaram totalmente de sua crise, os norte-americanos também demorarão para sair da sua, não adianta ficar com falsas esperanças. Urge, porém, que tentemos salvar o mundo de uma crise muita mais séria, como alertou José Goldemberg no Estadão de segunda-feira.
Como os portenhos,e um pouco antes os japoneses, provaram, crises econômicas passam, ainda que dolorosamente. As ecológicas, entretanto, matam, como Colapso, livro de Jared Diamond, aqui há uma boa resenha, prova.
Então não devemos nos esquecer do essencial. Menosprezar os efeitos da interação humana com a natureza para permitir maior crescimento econômico, como era a política ambientalista de Geroge W. Bush, que o diabo o carregue, é o caminho mais seguro para não termos nem um e nem outro. A situação atual o prova.
Apenas alguns pensamentos sobre as coisas que acho que sei ou sobre as quais não tenho a mínima idéia
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quarta-feira, 18 de março de 2009
segunda-feira, 1 de dezembro de 2008
Admissão
E finalmente saiu a admissão de que há uma recessão ocorrendo há ano nos Estados Unidos. A tal comissão que decide, dizem, é independente. Então estaria descartada, em tese, a manipulação política, no caso esconder o jogo, mas não há dúvida que inexiste hora melhor para o anúncio. A eleição já passou e o novo presidente não precisará assumir o ônus da notícia.
A única coisa incompreensível foi a reação histérica das bolsas. Foi como se uma mudança do estado geral das coisas tivesse ocorrido. Uma das maiores quedas do Dow Jones na história, o que também, convenhamos, virou rotina nos últimos tempos.
Qualquer dia destes o sol nascerá e a surpresa será tremenda. Quem sabe até passem na tv.
A única coisa incompreensível foi a reação histérica das bolsas. Foi como se uma mudança do estado geral das coisas tivesse ocorrido. Uma das maiores quedas do Dow Jones na história, o que também, convenhamos, virou rotina nos últimos tempos.
Qualquer dia destes o sol nascerá e a surpresa será tremenda. Quem sabe até passem na tv.
sexta-feira, 18 de janeiro de 2008
Economics
Não deixa de ser ridículo o debate sobre os Estados Unidos estarem em recessão ou não. Meu velho dicionário de economia diz que recessão é: "declínio da atividade econômica, caracterizada por queda da produção, aumento do desemprego, diminuição da taxa de lucros e crescimento do índice de falências e concordatas". Pois bem, o que falta então?
O índice da construção civil de lá despencou 14% em dezembro, a venda do comércio varejista, 6, na comparação com o ano passado (e, se levarmos em conta a inflação do período, a queda é de quase 10%), a geração de empregos está praticamente nula - o que nos mostra que os milhares que querem entrar no mercado de trabalho ficarão chupando dedo - e a confiança na moeda fez a celebre Gisele exigir pagamento em euros. E vêm uns fanfarrões (incrível como esta palavra foi reincorporada ao vernáculo) e dizem que tudo vai bem na economia "real", que apenas o sistema financeiro está sofrendo.
Os 100 bilhões de dólares que Ben Bernanke presume serem os prejuízos do sistema bancário certamente não custarão apenas as cabeças dos muito bem pagos "chairmen" das instituições de crédito. Resultarão em enxugamento da liquidez, encolhimento do consumo e falta de incentivos ao investimento produtivo. Em resumo, o pesadelo de governantes em ano eleitoral. E nós já vimos o que o governante GWB é capaz de fazer quando tem um desafio pela frente: besteira, muita besteira.
Porém há algo de novo no ar, o Brasil está realmente pouco exposto à crise que pode vir por contaminação. Atuar pouco no comércio mundial por vezes nos traz vantagens.
O índice da construção civil de lá despencou 14% em dezembro, a venda do comércio varejista, 6, na comparação com o ano passado (e, se levarmos em conta a inflação do período, a queda é de quase 10%), a geração de empregos está praticamente nula - o que nos mostra que os milhares que querem entrar no mercado de trabalho ficarão chupando dedo - e a confiança na moeda fez a celebre Gisele exigir pagamento em euros. E vêm uns fanfarrões (incrível como esta palavra foi reincorporada ao vernáculo) e dizem que tudo vai bem na economia "real", que apenas o sistema financeiro está sofrendo.
Os 100 bilhões de dólares que Ben Bernanke presume serem os prejuízos do sistema bancário certamente não custarão apenas as cabeças dos muito bem pagos "chairmen" das instituições de crédito. Resultarão em enxugamento da liquidez, encolhimento do consumo e falta de incentivos ao investimento produtivo. Em resumo, o pesadelo de governantes em ano eleitoral. E nós já vimos o que o governante GWB é capaz de fazer quando tem um desafio pela frente: besteira, muita besteira.
Porém há algo de novo no ar, o Brasil está realmente pouco exposto à crise que pode vir por contaminação. Atuar pouco no comércio mundial por vezes nos traz vantagens.
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