Coloque aí no cálculo de custos das usinas nucleares, um raio de 50 quilômetros de terrenos inservíveis para viver ou produzir.
É apenas um risco, mas tem que entrar no planejamento. Será que é devemos seguir buscando isso quando não necessitamos desesperadamente?
Apenas alguns pensamentos sobre as coisas que acho que sei ou sobre as quais não tenho a mínima idéia
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domingo, 3 de abril de 2011
quinta-feira, 14 de outubro de 2010
Deu na Nature
Quanto ao papel do Estado, segue o maior problema, na minha opinião, tomando um trecho do texto mandado pelo colega Dr. Quispe Marquez (Viva los Mineros):
Enquanto os juros permanecerem nesses patamares, não há investimento que vá para a frente, e os juros não recuarão enquanto o governo ficar fazendo dívida para ficar "forte" e enriquecendo os rentistas.
Tostines revisitado.
domingo, 25 de abril de 2010
Caminho certo II
Parece que alguém teve idéia similar à minha para o uso do papel sintético.
Desejo sinceramente que prospere a iniciativa da Fundação Paula Souza. Tanto para poder dizer mais um eu já sabia quanto para ver meus impostos sendo bem empregados.
Desejo sinceramente que prospere a iniciativa da Fundação Paula Souza. Tanto para poder dizer mais um eu já sabia quanto para ver meus impostos sendo bem empregados.
sexta-feira, 18 de dezembro de 2009
Raiva injustificada
A respeito de todo o alvoroço causado pela COP-15, parece-me que, mais do que tudo, trata-se de perda de tempo.
Se considerarmos os combustíveis fósseis como os vilões planetários, podemos respirar aliviados. A era deles, embora não pareça na nossa sociedade cheia de carros, já passou. São uma tecnologia ultrapassada cujas maiores vantagens, quase ubiquidade e preços módicos, estão desaparecendo. Como a própria Agência Internacional de Energia previu, nesse ritmo o pico de produção de petróleo será por volta de 2020. A história já mostrou seguidas vezes, matéria-prima com estoques declinantes e, consequentemente, preços crescentes levam à substituição tecnológica ou ao colapso (by Jared Diamond), como as alternativas já existem, creio que a primeira se imporá.
Se somos céticos quanto à origem antropogênica do aquecimento global ou nem acreditamos nele, podemos apenas esperar o futuro. Nada precisa, e provavelmente nada poderá, ser feito. A natureza seguirá seu curso e nós a acompanharemos, como sempre fizemos.
Deste modo, o que se apresenta em Copenhagem é uma disputa quase tão velha quanto os países. Um jogo de empurra entre os ricos e os pobres sobre as "culpas" de eles serem o que são. Um debate, portanto, ocorrendo fora de lugar. A OMC ou a Unctad seriam os foros adequados.
Embaralhar as questões demonstra, algumas vezes, a complexidade do problema, mas na maioria dos casos é apenas um estratagema para tentar conquistar o que não se consegue por outros meios. É certamente o que ocorre no reino da Dinamarca, onde há, novamente, algo de podre.
Se considerarmos os combustíveis fósseis como os vilões planetários, podemos respirar aliviados. A era deles, embora não pareça na nossa sociedade cheia de carros, já passou. São uma tecnologia ultrapassada cujas maiores vantagens, quase ubiquidade e preços módicos, estão desaparecendo. Como a própria Agência Internacional de Energia previu, nesse ritmo o pico de produção de petróleo será por volta de 2020. A história já mostrou seguidas vezes, matéria-prima com estoques declinantes e, consequentemente, preços crescentes levam à substituição tecnológica ou ao colapso (by Jared Diamond), como as alternativas já existem, creio que a primeira se imporá.
Se somos céticos quanto à origem antropogênica do aquecimento global ou nem acreditamos nele, podemos apenas esperar o futuro. Nada precisa, e provavelmente nada poderá, ser feito. A natureza seguirá seu curso e nós a acompanharemos, como sempre fizemos.
Deste modo, o que se apresenta em Copenhagem é uma disputa quase tão velha quanto os países. Um jogo de empurra entre os ricos e os pobres sobre as "culpas" de eles serem o que são. Um debate, portanto, ocorrendo fora de lugar. A OMC ou a Unctad seriam os foros adequados.
Embaralhar as questões demonstra, algumas vezes, a complexidade do problema, mas na maioria dos casos é apenas um estratagema para tentar conquistar o que não se consegue por outros meios. É certamente o que ocorre no reino da Dinamarca, onde há, novamente, algo de podre.
sexta-feira, 28 de agosto de 2009
Agora também pós-colombiana
Já falei aqui sobre a tecnologia que ajudava aos índios e ameaçava ajudar aos contemporâneos, encontrada na Amazônia brasileira. Agora vocês podem ver um update by The Economist.
E nós continuamos marcando toca, fazendo carvão vegetal com técnicas predatórias e sem nenhuma geração de valor.
Brasil, o país do futuro, sombrio.
E nós continuamos marcando toca, fazendo carvão vegetal com técnicas predatórias e sem nenhuma geração de valor.
Brasil, o país do futuro, sombrio.
sexta-feira, 17 de julho de 2009
Gosto muito da The Economist
Mas dizer que esse índice Big Mac indica a sobrevalorização cambial brasileira é desconhecer o significado da marca de lanchonetes por aqui.
Enquanto nos países "centrais" os sanduíches da empresa são a opção mais barata e lojas espalham-se pelos bairros carentes, aqui eles ainda são símbolo de status, com lojas nas melhores localizações possíveis.
Ou seja, muito disso aí é mark up, não valorização cambial.
Enquanto nos países "centrais" os sanduíches da empresa são a opção mais barata e lojas espalham-se pelos bairros carentes, aqui eles ainda são símbolo de status, com lojas nas melhores localizações possíveis.
Ou seja, muito disso aí é mark up, não valorização cambial.
sexta-feira, 10 de julho de 2009
Não é por falta de merecimento
Mostrei recentemente que a crise atual tem suas raízes no governo chinês.
Agora o economista John H. Makin demonstra que o governo dos Estados Unidos, e não os mercados, é corresponsável pela bolha do mercado imobiliário.
Mas não tenho dúvida, a grande parte dos brasileiros continuará pedindo por mais intervenção governamental, a tal de vontade política.
Merecem isso tudo que está aí.
Mas não tenho dúvida, a grande parte dos brasileiros continuará pedindo por mais intervenção governamental, a tal de vontade política.
Merecem isso tudo que está aí.
quinta-feira, 9 de julho de 2009
Uso compartilhado
Os japoneses voltaram a fazer, mas os velhos economistas devem ficar de cabelo em pé quando ouvem falar de coisas como essas.
Na era da procura do aumento do PIB e da obsolescência programada, dividir é quase um pecado. Mas mais e mais pessoas estão pecando. Há campanhas de carona solidária, o famoso Velib de Paris (vídeo abaixo) e muitas outros exemplos pipocando aqui e ali.
Entre um aumento do produto e do bem estar, e eles não são sinônimos, apesar alguns insistirem que sim, a população sempre preferirá o segundo.
Muito pouco de racional há na compra de certos produtos. O carro é um exemplo. Por um paga-se, normalmente, de um a dois anos de salário e utiliza-se por uma ou duas horas diárias. Ou seja, se você mantiver o carro por oito anos, para cada hora de uso, sem contar a manutenção e o combustível - e o stress -, você paga no mínimo um dia de trabalho.
Desta forma é muito mais negócio, se for fazer o cálculo racional, fazer o compartilhamento, de modo a um produto tomar menos do patrimônio individual. Por esse motivo países desenvolvidos têm muito melhores sistemas compartilhados, como lavanderias coletivas e transporte público do que os não-desenvolvidos.
Mas nosso governo quer massificar os produtos de consumo, símbolos de status, como carros e lavadoras, reduzindo o IPI, enquanto sufoca as empresas com tributação escorchante de investimentos e salários. Calcula que terá maior retorno eleitoral dessa maneira.
E, se tiver razão, merecemos o subdesenvolvimento. Quem gosta de jogar dinheiro fora deve ver qualidades naquele que o toma e desperdiça.
Na era da procura do aumento do PIB e da obsolescência programada, dividir é quase um pecado. Mas mais e mais pessoas estão pecando. Há campanhas de carona solidária, o famoso Velib de Paris (vídeo abaixo) e muitas outros exemplos pipocando aqui e ali.
Entre um aumento do produto e do bem estar, e eles não são sinônimos, apesar alguns insistirem que sim, a população sempre preferirá o segundo.
Muito pouco de racional há na compra de certos produtos. O carro é um exemplo. Por um paga-se, normalmente, de um a dois anos de salário e utiliza-se por uma ou duas horas diárias. Ou seja, se você mantiver o carro por oito anos, para cada hora de uso, sem contar a manutenção e o combustível - e o stress -, você paga no mínimo um dia de trabalho.
Desta forma é muito mais negócio, se for fazer o cálculo racional, fazer o compartilhamento, de modo a um produto tomar menos do patrimônio individual. Por esse motivo países desenvolvidos têm muito melhores sistemas compartilhados, como lavanderias coletivas e transporte público do que os não-desenvolvidos.
Mas nosso governo quer massificar os produtos de consumo, símbolos de status, como carros e lavadoras, reduzindo o IPI, enquanto sufoca as empresas com tributação escorchante de investimentos e salários. Calcula que terá maior retorno eleitoral dessa maneira.
E, se tiver razão, merecemos o subdesenvolvimento. Quem gosta de jogar dinheiro fora deve ver qualidades naquele que o toma e desperdiça.
terça-feira, 23 de junho de 2009
Responsáveis pela Crise

Chega a ser disparatada a campanha para responsabilizar o capitalismo pela crise que hora enfrentamos no mundo.
Capitalismo, aliás, é classificado em meu velho dicionário de economia como o sistema em que há "separação entre os trabalhadores juridicamente livres, que dispõem apenas da força de trabalho e a vendem em troca de salários, e capitalistas, que são proprietários dos meios de produção, e contratam os trabalhadores para produzir mercadorias (bem dirigidos para o mercado) visando a obtenção de lucros".
A crise não é, assim, de responsabilidade do capitalismo - mesmo porque não é possível que um sistema seja culpado por nada, as decisões são tomadas por pessoas em cargos chaves, cujos resultados influenciam-se mutuamente - embora muitos considerem que ele seja inerentemente propenso a episódios do tipo, mas foi amplificada por suas qualidades, tanto as negativas quanto as positivas.
Existindo indivíduos por trás das decisões, somos levados a conclusão que as consequências, portanto, têm seus culpados, sim. Mas, certamente, eles não são "o sistema"; são figuras de carne e osso instaladas em posições chaves.
Há múltiplas personalidades, entidades ou grupos com parcelas menores ou maiores de responsabilidade, mas, é claro, estes querem se livrar da peja. Transferem-na a outros ou, quando isso não é possível, coletivizam-na. Como escrevi recentemente, não há melhor estratagema para eximir-se das responsabilidades do que as diluir em um grande contingente de pessoas.
A comunidade especializada já repercutiu uma série de idéias sobre as razões que formaram as bolhas sucessivas que estouraram nas duas últimas décadas, chamadas respectivamente de crises da Ásia, das ponto.coms, das commodities (incluindo aumento muito grande dos preços da energia, que alguns disseram ter uma dinâmica própria e apelidaram de 3ª crise do petróleo), do subprime e, finalmente, grande financeira, a atual. O que todas tiveram em comum foi um incremento no nível de liquidez dos mercados de capital e a facilidade de transferência de recursos de uma aplicação para outra.
A procura pelos culpados deveria se concentrar, então, nestes dois fatores. O segundo, facilidade de mobilização dos recursos, é, na verdade, apontado com grande vilão mundial por uma grande quantidade de economistas, principalmente os ligados a governos despóticos. O controle de fluxos financeiros dá, a quem os possui, um poder discricionário bastante acentuado. Não por outra razão que os neoditadores, como Hugo Chávez, controlam o câmbio assim que assumem as rédeas de um governo. Esse controle, entretanto, não impede que as consequências das crises cheguem a esses países, o que o inocenta automaticamente.
O excesso de liquidez é o culpado então. Mas de onde surge esse facínora? Qual recurso excedente no mundo que está liberando dinheiro antes utilizado? A resposta é trabalho barato chinês. Expropriado pelos governantes e transformado em títulos do Tesouro dos Estados Unidos da América e daí redistribuído para as diversas modalidades financeiros através dos gastos dos cidadãos e governos desse país.
A raiz da crise não está, então, nem no capitalismo e nem nos capitalistas; está na manipulação de uma massa de trabalhadores por um governo despótico autodenominado comunista. É preciso desenhar para que os defensores do Estado forte percebam a barca furada na qual estão embarcando?
quarta-feira, 6 de maio de 2009
Ética ou educação
Existe, ao meu ver, entretanto, uma falha nesta visão. Muitos dos países luteranos foram extremamente pobres durante muitos anos após a massificação dos ensinamentos éticos do monge. Os tão celebrados países nórdicos são o melhor exemplo. A Suécia foi um emissor de imigrantes para o continente americano importante durante décadas, como provam os sobrenomes mais comuns do meio-oeste norte-americano.
De modo análogo, a Itália, ou o território que viria a sé-la, abrigou as potências econômicas comerciais do Iluminismo e a península ibérica dominou o mundo durante o período denominado das "Grandes Navegações", mesmo sobre o peso moral da Igreja Católica tradicional, ou, talvez, se formos ser deterministas com relação à tradição religiosa, por causa dele.
Na minha opinião o grande diferencial está, sim, em uma inovação de Lutero, mas no campo das políticas públicas associadas às necessidades de uma ligação direta com Deus, como ele pregava, sem a intermediação necessária dos pregadores, como a relatada neste exerto, retirado de um artigo sobre o monge:
Entre as renovações que propôs, Lutero advogou pela alfabetização maciça e indistinta: cabia aos pais levar os filhos – e as filhas, novidade radical – para as escolas, além de tratar também da alfabetização dos empregados. “Lutero propõe mudanças tanto na organização do sistema escolar, tratando de questões sobre currículo, métodos, formação de professores e financiamento, como defende novos princípios e fundamentos para essa educação”, diz Luciane Muniz Ribeiro Barbosa.
O fato de ter grande parte de sua população alfabetizada em um momento histórico em que educação passou a ser um diferencial deu o impulso inicial para aqueles países de religião dominante protestante. Foi a eles permitido um treinamento fabril mais rápido e eficaz e o desenvolvimento da indústria de serviços elaborados, como o setor de seguros e financeiros, que só agora, junto com a disseminação da educação formal, começam a espraiar-se mundialmente.
Creio que a prosperidade econômica foi uma externalidade positiva da educação propagandeada por Lutero, não de uma ética especial dos países que o ouviram. Um bom laboratório para testar minha tese é o nosso país. Continuamos tendo a "malévola" ética católica, mas os índices de analfabetismo estão caindo. Veremos se haverá, ou não, um aumento da riqueza geral.
sexta-feira, 17 de abril de 2009
Um dilema na energia
Um dos maiores desafios para combater o aquecimento global é mudar a matriz energética sem diminuir o bem-estar da civilização, ou, de preferência, aumentando-o. Isso requererá manter o atual padrão de uso de energia, entendido não só como a quantidade quilowatts por habitantes, mas também agregando os quesitos de constância e qualidade de fornecimento.
Quase toda a tecnologia de utilização de energia, principalmente a elétrica, é pautada por uma certo grau de previsibilidade que as chamadas fontes alternativas, de modo geral, não alcançaram. De que adianta o potencial de geração eólica do nordeste brasileiro ultrapassar o consumo de todo o país se pode ficar um dia inteiro sem ventar e o leite estragar na geladeira. O mesmo vale para os Estados Unidos, onde, segundo o World Watch Institute(original aqui), apenas os ventos de três estados poderiam suprir toda a nação.
O fato de serem facilmente estocáveis, aliado à facilidade do transporte, fez a diferença para que nossa era virasse a dos combustíveis fósseis. O mundo é, hoje, petrodependente, mas, ao contrário do que aparenta a ubiquidade das fontes de fumaça, este vício não ocorre graças à falta de poder das demais fontes.
As pirâmides egípcias foram construídas milênios antes da invenção do motor a combustão; a Holanda conquistada ao mar séculos, assim como as grandes travessias marítimas que gestaram a sociedade atual. Deste modo, há provas de que os combustíveis fósseis nem são essenciais para grandes feitos. O dispêndio de grande quantidade de energia, entretanto, é.
O Brasil é um exemplo de boa utilização de fontes renováveis, transformando a instabilidade do sol e da chuva na presibilidade dos reservatórios das hidrelétricas e tanques de álcool e biodiesel, mas a capacidade de fazê-lo está prestes a esgotar-se.
Para ampliar o uso de renováveis no matriz energética, existem dois caminhos a seguir:
- Construir capacidade maior do que a necessária, ampliando a redundância a um ponto em que é estatisticamente improvável que todas as fontes parem de gerar ao mesmo tempo, desabastecendo o sistema.
- Aproveita-se as fontes não-renováveis tradicionais para os momentos de pico de consumo.
Uma via híbrida, entretanto, pode estar surgindo com o avanço tecnológico. Aliando os picos de energia características das tecnologias renováveis com a capacidade ociosa das geradoras térmicas de suporte.
O caminho é apontado pela The Economist (artigo original aqui). Poderíamos deslocar o excesso de energia das renováveis (eles citam especificamente "fazendas de vento", mas o raciocínio é válido para as demais) para sistemas de captura de carbono do ar. O dióxido de carbono poderia ser transformado em combustíveis líquidos, como o metanol (exemplo aqui), e utilizado nas termoelétricas tradicionais. Melhoraríamos nossa segurança energética a custo climático próximo de zero.
O custo econômico ainda precisa ser calculado, acredito, contudo, que sociedades que constroem usinas para serem usadas eventualmente podem arcar com ele.
quarta-feira, 15 de abril de 2009
Queimando tudo parte 2
Desenvolver não é só isso, mas passa necessariamente pela utilização eficiente de todos os recursos que nos são apresentados. O Brasil diminuiu muito sua dependência de combustíveis fósseis baseando sua matriz anergética na hidreletricidade, conforme este texto, completamente antiprivatista, demonstra. Também houve esforço para substituir os combustíveis líquidos, através dos programas irmãos Pró-álcool e Pré-biodiesel, dos quais só o primeiro vingou.
Há, entretanto, potencialidades inexploradas no uso da agroenergia da cana que causam até embaraço às exportações do país. A queimada da palha, com a planta em pé, para facilitar o trabalho dos cortadores, é uma delas. Muitos países apontam a prática como nociva ao meio, com toda a razão, e a esgrimem como motivação de políticas protecionistas.
A colheita, no entanto, não precisa ser feita desta forma ancestral. Colheitadeiras mecânicas são capazes de executar o serviço de modo bastante eficiente, sem transformar em fumaça um insumo precioso. Atentemo-nos para o parágrafo a seguir, extraído de uma reportagem de Mônica Scaramuzzo, para o Valor Econômico de 26 de março:
"O Brasil possui cerca de 400 usinas de açúcar e álcool em operação, quase 100% delas autossuficientes em energia a partir do bagaço. Há cerca de 200 projetos de cogeração em implantação no país, que somados podem colocar no sistema 10,2 mil MW até 2013, segundo o consultor de energia a partir da biomassa Onório Kitayama, que atua hoje na Coomex. Se for utilizada a queima da palha da cana o potencial sobe para 19,284 mil MW. No entanto, ainda há poucos projetos que queimam a palha.".
Comparemos agora com a capacidade de geração de Itaipu Binacional, conforme o site da empresa: "Com 20 unidades geradoras e 14.000 MW de potência instalada, fornece 19,3% da energia consumida no Brasil e abastece 87,3% do consumo paraguaio."
Estamos, portanto, transformando em fumaça fuliginosa algo que poderia abastecer mais de 10% das necessidades elétricas do país, e sendo punidos, comercialmente, por isso. Também pagamos o preço do aumento de incidência de doenças asmáticas nas cidades próximas às áreas produtoras, sem contar na deterioração da saúde dos trabalhadores rurais hoje responsáveis pelo corte.
Queremos perfurar o pré-sal enquanto temos à mão essa riqueza queimando na terra. Não me parece inteligente.
E para vocês?
terça-feira, 14 de abril de 2009
Queimando tudo

Existem muitas medidas para tentar estimar o grau de riqueza de uma sociedade. As preferidas de cada grupo dependerão dos recursos mais abundantes, se forem do lado dos governos, ou escassos, se do lado da oposição, em cada região.
As ditaduras comunistas gostavam de apresentar valores geopolíticos como referência. Era perfeitamente natural; não conseguindo competir economicamente, apontavam sua capacidade de influenciar outras nações como sua maior riqueza.
As nações ocidentais capitalistas "avançadas" apegaram-se aos números dos Produtos Internos e Produtos Nacionais, tanto Líquidos quanto Brutos, pois estes avaliam a pujança econômica, ponto forte delas.
Os países "emergentes" costumam louvar a variação positiva daqueles números das ocidentais "avançadas". Estando atrasados em relação ao Produto per capita, costumam ter variações muito maiores, daí serem estes números os mais queridos quando da divulgação das estatísticas econômicas.
As correntes mais voltadas à ecologia tentaram fazer um paralelo entre riqueza e emissões de gás carbônico. Estudos preliminares indicavam que havia forte correlação entre os dois, mas a ascensão da China e sua incrível ineficiência na relação emissão de gases-estufa x unidade de produto demonstraram que não há relação clara.
As medidas alternativas apresentadas vão desde o Índice de Desenvolvimento Humano da ONU até um Índice de Felicidade Humana, proposto pelo diminuto Butão. Eu, particularmente, acredito que a riqueza de um país deve ser medida da mesma forma que a de um indivíduo, pelo seu patrimônio acumulado, e que de alguma forma o fluxo de energia necessário para gerar essa riqueza deve ser medido também.
Como patrimônio não quero me ater apenas no construído pelo Homem. Nossas florestas e cursos d'água são importantes riquezas, e preservá-las seria demonstração de inteligência. Sua preservação consistirá de um esforço em que fique claro o balanço energético e patrimonial de cada atividade.
O Brasil é um bom exemplo do que não deve ser feito, as atividades responsáveis por mais de 80% de nossas emissões, desmatamento ilegal e queimadas, contribuem com uma parcela ínfima da economia e nada deixam para a posteridade. Na verdade, se descontadas as externalidades com elas relacionadas, devem ser anti-econômicas, trazendo mais prejuízos à sociedade do que benefícios.
Vender a preço de banana pode parecer um grande negócio no curto prazo, mas a expressão queima de estoque deve ter alguma razão de ser. Exportar tem a função de capacitar-nos à importação, não de permitir superávits comerciais a qualquer custo. Vendemos o almoço para pagar a janta, e ainda damos troco, queimando o nosso futuro no processo.
Algo deve ser feito para deter essa loucura.
quinta-feira, 9 de abril de 2009
Explicações imediatas
Ligando pontos.
Da Folha Online de ontem: ações do BB desabam 8,15%.
Do Valor Econômico de hoje: BB passa ao controle de Mantega e PT.
Conclusão: qualquer que saiba que 2+2=4, acredita que um a administração Manteguiana do Banco do Brasil vai ser desastrosa e pulverizar o valor acionário da instituição, prejudicando os brasileiros, que são donos, através do governo, do controle e de grande parte das ações. Quem acredita em duendes, Marx ou Keynes, não vê desta forma; quem se destruam as empresas, dizem eles, a nação sairá ganhando.
E assim caminha a Humanidade.
Da Folha Online de ontem: ações do BB desabam 8,15%.
Do Valor Econômico de hoje: BB passa ao controle de Mantega e PT.
Conclusão: qualquer que saiba que 2+2=4, acredita que um a administração Manteguiana do Banco do Brasil vai ser desastrosa e pulverizar o valor acionário da instituição, prejudicando os brasileiros, que são donos, através do governo, do controle e de grande parte das ações. Quem acredita em duendes, Marx ou Keynes, não vê desta forma; quem se destruam as empresas, dizem eles, a nação sairá ganhando.
E assim caminha a Humanidade.
domingo, 5 de abril de 2009
Conheçam os BRICs
Link para reportagens da BBC Brasil sobre os BRICs.
Assistam, se tiverem tempo e paciência para ver vídeos na internet.
A grande dúvida é se tais países conseguiram manter a previsão da Goldman & Sachs, eu não acredito muito.
A história mostra que a atuação governamental tem barreiras muito precisas para turbinar o crescimento econômico. Todos estes países estão aumento a participação do governo na economia, logo criando barreiras ao seu desenvolvimento.
Não custa nada, contudo, procurar conhecer mais sobre eles. Sejam os países mais importantes do mundo em 2050 ou não, continuarão tendo imensa população e território, sendo ao menos relevantes.
E somos um deles, e, como falam por aí, diga-me com quem andas e te direis quem é.
Assistam, se tiverem tempo e paciência para ver vídeos na internet.
A grande dúvida é se tais países conseguiram manter a previsão da Goldman & Sachs, eu não acredito muito.
A história mostra que a atuação governamental tem barreiras muito precisas para turbinar o crescimento econômico. Todos estes países estão aumento a participação do governo na economia, logo criando barreiras ao seu desenvolvimento.
Não custa nada, contudo, procurar conhecer mais sobre eles. Sejam os países mais importantes do mundo em 2050 ou não, continuarão tendo imensa população e território, sendo ao menos relevantes.
E somos um deles, e, como falam por aí, diga-me com quem andas e te direis quem é.
segunda-feira, 30 de março de 2009
Obama: pede pra sair
Ontem, surgiu a notícia de que Rick Wagoner estaria de saída da General Motors, confirmada hoje. Nada mais natural, não fosse um pedido pessoal de Barack Obama, presidente dos Estados Unidos, pais que costumava ser o bastião do livre-mercado.
Wagoner, na minha opinião, mereceu ser defenestrado. Espera-se de um presidente de companhia como esta, que foi, durante meio século, a maior do mundo, a clarividência, que veja além do balanço trimestral.
Os anos Wagoner foram, com exceção do último, excepcionais para a indústria automobilística americana. O mesmo crédito farto, e, consequentemente, barato, que impulsionou os recordes imobiliários azeitou as engrenagens de Detroit. O crescimento mundial inflou o lucro das subsidiárias.
Houve uma consolidação da indústria, e o ambiente propício às vendas carreou bilhões às três gigantes (Chrysler, Ford e Genral Motors). Elas, entretanto, não conseguram aproveitar o momento. Mantiveram, e até aprofundaram, estruturas inchadas e deficitárias, que estão cobrando agora a fatura.
A "terceira" crise do petróleo, seguida da do "subprime", acabou com a festa. Como resposta a ela, a General Motors acelerou o desenvolvimento do Chevrolet Volt, nada mais do que um híbrido com uma bateria maior, capaz de rodar, aproximadamente, 64 quilômetros, após uma carga completa, sem usar o motor de combustão interna.
Poderia ser um grande avanço, se a tecnologia híbrida não fosse da década passada e não houvesse carros esportivos, totalmente, elétricos com autonomia maior rodando atualmente.
Resumindo, Wagoner não cumpriu sua missão de liderar a companhia para um fortalecimento constante; a General Motors saiu enfraquecida, na verdade, durante sua presidência.
Sua saída, no entanto, não será um alívio para a crise americana, embora possa ser para a empresa. Converter-se-á em um marco do dirigismo estatal da economia. Uma prova de que Obama também começa a apontar seus loiros de olhos azuis.
Bulir com a discricionaridade da livre-iniciativa pode ser uma alternativa tentadora em situações de crise, mas sempre acaba sendo a pior. Os Estados Unidos combateram, por décadas, regimes que utilizavam essas práticas. A tragicomédia, e não a ironia, daria o tom caso passassem a emulá-los justo agora, que havia vencido a guerra.
sexta-feira, 27 de março de 2009
Retorno às fibras naturais
Houve um tempo em que o beneficiamento das fibras naturais representavam a quase totalidade das manufaturas do mundo. A sofisticação da indústria mudou esse quadro, na atualidade há um sem número de artigos sendo fabricados no mundo, com a manipulação de matérias primas de várias fontes, como a mineração e a química fina. O quadro, entretanto, foi um tanto distorcido pela pela fé da Humanidade, ou boa parte dela, na superioridade dos materiais produzidos pelo Homem sobre os fornecidos pela natureza.
Como costuma acontecer com as tendências, estamos vendo agora a reversão. O natural está sendo cada vez mais valorizado e as qualidades provenientes das plantas estão sendo redescobertas. Certas empresas, como a Pematec, já estão surfando está nova onda, e mais virão. Como país, o Brasil só tem a ganhar com isso.
Com seu imenso potencial agrícola, cada inovação no campo do uso de material proveniente das plantas gera um potencial aumento significativo da renda nacional. Já tratei deste tema, citando soluções que estavam sendo adotadas à época. Muitos mais exemplos podem ser mostrados.
Popularizada no setor automotivo, como substituto à fibra de vidro, o curauá, hoje, é uma alternativa consolidada como insumo industrial, tornando a fibra excassa.
Mesmo trajeto tomou a utilização da fibra de coco. Há pesquisas (para conhecer algumas, clique aqui e aqui) para várias aplicações do material, hoje um transtorno para os sistemas de saneamento das grandes cidades, embora seu primeiro sucesso de uso industrial em larga escala tenha sido como integrante de bancos automotivos.
Outros países também estão investindo neste filão, contando até com expertise nacional. O pesquisador brasileiro Leonardo Simon é um dos que vem atuando no exterior. Ele, segundo André Borges, no Valor Econômico de 24/03/2009, coordena, desde o ano passado, uma equipe de 19 pesquisadores dentro do projeto BioCar, do centro de pesquisas canadense CTT.
A linha de pesquisa promissora utiliza a palha do trigo para substituir partes de plástico usadas nos carros, de maneira semelhante ao feito no Brasil com o curauá e o coco. Borges escreve que a " proposta é usar uma parte da planta que, durante a colheita do trigo, é desprezada pelos agricultores. "Essa palha normalmente fica na própria lavoura, é um resíduo da agricultura", diz Simon. "Na China, o hábito das pessoas é queimar a palha do trigo."
A ideia é que, após ser moída e transformada em uma espécie de farinha, a palha do trigo seja misturada ao polipropileno. Com a fibra da planta, é possível reduzir o uso de outras substâncias usadas na composição do plástico, como o talco e o carbonato de cálcio, que são mais pesados. Além de resultar em peças mais leves, diz Simon, a palha de trigo pode reduzir o preço dos componentes e oferecer peças mais resistentes que as tradicionais."
A palha poderia significar até 40% do peso das peças plásticas do veículo, que é de 200 quilos, normalmente. Muitas empresas, entre elas a Ford, financiam o projeto, junto com a província de Ontário. Acredita-se que em 3 anos a inovação chegará ao mercado.
Como vemos, é possível extrair mais valor da atividade agrícola através de sua sinergia com os demais setores econômicos. O que não podemos é ficarmos deitados em berço esplêndido, esperando que as commodities valorizem em Chicago. Valorizemo-as nós, em Paranavaí, em Apucarana, em Belém e em Bonito, para usufruirmos de um bom padrão de vida.
Como costuma acontecer com as tendências, estamos vendo agora a reversão. O natural está sendo cada vez mais valorizado e as qualidades provenientes das plantas estão sendo redescobertas. Certas empresas, como a Pematec, já estão surfando está nova onda, e mais virão. Como país, o Brasil só tem a ganhar com isso.
Com seu imenso potencial agrícola, cada inovação no campo do uso de material proveniente das plantas gera um potencial aumento significativo da renda nacional. Já tratei deste tema, citando soluções que estavam sendo adotadas à época. Muitos mais exemplos podem ser mostrados.
Popularizada no setor automotivo, como substituto à fibra de vidro, o curauá, hoje, é uma alternativa consolidada como insumo industrial, tornando a fibra excassa.
Mesmo trajeto tomou a utilização da fibra de coco. Há pesquisas (para conhecer algumas, clique aqui e aqui) para várias aplicações do material, hoje um transtorno para os sistemas de saneamento das grandes cidades, embora seu primeiro sucesso de uso industrial em larga escala tenha sido como integrante de bancos automotivos.
Outros países também estão investindo neste filão, contando até com expertise nacional. O pesquisador brasileiro Leonardo Simon é um dos que vem atuando no exterior. Ele, segundo André Borges, no Valor Econômico de 24/03/2009, coordena, desde o ano passado, uma equipe de 19 pesquisadores dentro do projeto BioCar, do centro de pesquisas canadense CTT.
A linha de pesquisa promissora utiliza a palha do trigo para substituir partes de plástico usadas nos carros, de maneira semelhante ao feito no Brasil com o curauá e o coco. Borges escreve que a " proposta é usar uma parte da planta que, durante a colheita do trigo, é desprezada pelos agricultores. "Essa palha normalmente fica na própria lavoura, é um resíduo da agricultura", diz Simon. "Na China, o hábito das pessoas é queimar a palha do trigo."
A ideia é que, após ser moída e transformada em uma espécie de farinha, a palha do trigo seja misturada ao polipropileno. Com a fibra da planta, é possível reduzir o uso de outras substâncias usadas na composição do plástico, como o talco e o carbonato de cálcio, que são mais pesados. Além de resultar em peças mais leves, diz Simon, a palha de trigo pode reduzir o preço dos componentes e oferecer peças mais resistentes que as tradicionais."
A palha poderia significar até 40% do peso das peças plásticas do veículo, que é de 200 quilos, normalmente. Muitas empresas, entre elas a Ford, financiam o projeto, junto com a província de Ontário. Acredita-se que em 3 anos a inovação chegará ao mercado.
Como vemos, é possível extrair mais valor da atividade agrícola através de sua sinergia com os demais setores econômicos. O que não podemos é ficarmos deitados em berço esplêndido, esperando que as commodities valorizem em Chicago. Valorizemo-as nós, em Paranavaí, em Apucarana, em Belém e em Bonito, para usufruirmos de um bom padrão de vida.
sexta-feira, 20 de março de 2009
Quanto aos comentários da postagem passada
Bem, Silencioso Bob, confesso que não entendo muito de mídia social, então deixei este negócio de moderação dos comentário por dois motivos. Primeiro, quase não recebo comentários, o que torna a tarefa de moderá-los muito fácil e, depois, os que recebia anteriormente eram, de modo geral, propaganda feita por robôs. Como não sou pago por eles para isso - só aceito as propagandas que vêm debaixo das postagens, pois nelas há a expectativa de remuneração, que nunca se concretizou, aliás - não lhes facilitarei a vida.
Já com relação à barbeiragem, não estamos falando de algo que era inesperado. Ocorreu o overshooting cambial. A reação é que não ocorreu, ficando o Tesouro sentado nos dólares que poderiam ter sido usados para diminuir a volatilidade da moeda. Como um leitor de longa data, sabe que não defendo uma meta para o valor do dólar, tanto para cima quanto para baixo, mas as reservas foram construídas sob a alegação de que serviriam para a proteção quando os dólares fossem necessários em uma futura crise. A crise veio e nada foi feito em tempo adequado.
O futuro a Deus, ou ao acaso, pertence, mas com o presente nós mesmos temos que lidar.
Já com relação à barbeiragem, não estamos falando de algo que era inesperado. Ocorreu o overshooting cambial. A reação é que não ocorreu, ficando o Tesouro sentado nos dólares que poderiam ter sido usados para diminuir a volatilidade da moeda. Como um leitor de longa data, sabe que não defendo uma meta para o valor do dólar, tanto para cima quanto para baixo, mas as reservas foram construídas sob a alegação de que serviriam para a proteção quando os dólares fossem necessários em uma futura crise. A crise veio e nada foi feito em tempo adequado.
O futuro a Deus, ou ao acaso, pertence, mas com o presente nós mesmos temos que lidar.
quinta-feira, 19 de março de 2009
A César o que é de César
É um tanto disparatada a intenção de retirar-se do governo a responsabilidade pelo declínio da atividade econômica percebida nitidamente no terceiro trimestre do ano passado, e que permanece neste.
O que ocorreu foi decorrência de uma crise de confiança, congeladora do sistema de créditos e, conseqüentemente, do comércio movido por ele, e deveria ter sido tratado como tal. Mas observamos como resposta total inatividade estatal, mais preocupado estava o governo em proteger-se por meio da retórica. Tentou esconder a realidade com lentes róseas, na estratégia “marolinha” e, depois, no “toma que o filho é seu, Bush”, e passou a apontar o culpado de sempre, o autônomo-de-fato Banco Central.
Já cansei de defender aqui uma política de juros distinta da adotada pelo Banco Central. Na minha visão, a taxa Selic faz muito pouco pela manutenção das intenções de compras do consumidor. Primeiro, devido ao fato deste não fazer seus cálculos com base nas taxas anuais de remuneração do dinheiro que toma emprestado, mas da mensalidade que terá que arcar, e, depois, porque este não tem acesso a ela como poupador pela simples verdade de o brasileiro médio não poupar, pois sua renda não é compatível com este luxo.
A Selic, neste cenário, torna-se apenas um ônus fiscal do governo, masoquisticamente auto-imposto. Premissa falsa, o controle da inflação de demanda, gerando aumento de preços estrutural pelo mecanismo de retirada de produção potencial, a que poderia ser efetivada pelos investimentos caso o governo não sugasse os recursos via títulos,e de aumento dos impostos, usados no pagamento dos juros improdutivos. Cria-se, assim, um círculo vicioso retro-alimentado. Dito isso, cabe afirmar, O BC nada tem a ver com a retração econômica atual, apenas impediu um aceleração maior no passado.
Se o crédito externo foi a mola pela qual a crise chegou ao país, deveria ter passado por ela, também, qualquer tentativa de evitar o contágio. Se os exportadores estavam expostos a ameaça de secagem de suas linhas, caberia ao provedor de dólares nacional, aquele que sentava em reservas de 200 bilhões, fornecer o material escasso, as verdinhas. A simples atitude de permitir a queda das reservas faria que as apostas contra o Real ficassem mais arriscadas, impedindo que as empresas envolvidas no, assim chamado pelos economistas, overshooting cambial vissem seus lucros de anos evaporarem.
De símbolo de solidez da nação, as reservas internacionais do Tesouro transfiguraram-se de um oásis para uma miragem, algo que o governo mostrava às empresas, mas estas não podiam utilizar. Servindo, portanto, para nada, pois não impediram a queda do dólar quando a onda chegou, nem seu aumento, quando ela refluiu.
Houve, portanto, culpa objetiva do Estado na situação em que estamos. Caberá ao futuro saber o quão caro sairá a barbeiragem, mas não há dúvida que esta ocorreu.
O que ocorreu foi decorrência de uma crise de confiança, congeladora do sistema de créditos e, conseqüentemente, do comércio movido por ele, e deveria ter sido tratado como tal. Mas observamos como resposta total inatividade estatal, mais preocupado estava o governo em proteger-se por meio da retórica. Tentou esconder a realidade com lentes róseas, na estratégia “marolinha” e, depois, no “toma que o filho é seu, Bush”, e passou a apontar o culpado de sempre, o autônomo-de-fato Banco Central.
Já cansei de defender aqui uma política de juros distinta da adotada pelo Banco Central. Na minha visão, a taxa Selic faz muito pouco pela manutenção das intenções de compras do consumidor. Primeiro, devido ao fato deste não fazer seus cálculos com base nas taxas anuais de remuneração do dinheiro que toma emprestado, mas da mensalidade que terá que arcar, e, depois, porque este não tem acesso a ela como poupador pela simples verdade de o brasileiro médio não poupar, pois sua renda não é compatível com este luxo.
A Selic, neste cenário, torna-se apenas um ônus fiscal do governo, masoquisticamente auto-imposto. Premissa falsa, o controle da inflação de demanda, gerando aumento de preços estrutural pelo mecanismo de retirada de produção potencial, a que poderia ser efetivada pelos investimentos caso o governo não sugasse os recursos via títulos,e de aumento dos impostos, usados no pagamento dos juros improdutivos. Cria-se, assim, um círculo vicioso retro-alimentado. Dito isso, cabe afirmar, O BC nada tem a ver com a retração econômica atual, apenas impediu um aceleração maior no passado.
Se o crédito externo foi a mola pela qual a crise chegou ao país, deveria ter passado por ela, também, qualquer tentativa de evitar o contágio. Se os exportadores estavam expostos a ameaça de secagem de suas linhas, caberia ao provedor de dólares nacional, aquele que sentava em reservas de 200 bilhões, fornecer o material escasso, as verdinhas. A simples atitude de permitir a queda das reservas faria que as apostas contra o Real ficassem mais arriscadas, impedindo que as empresas envolvidas no, assim chamado pelos economistas, overshooting cambial vissem seus lucros de anos evaporarem.
De símbolo de solidez da nação, as reservas internacionais do Tesouro transfiguraram-se de um oásis para uma miragem, algo que o governo mostrava às empresas, mas estas não podiam utilizar. Servindo, portanto, para nada, pois não impediram a queda do dólar quando a onda chegou, nem seu aumento, quando ela refluiu.
Houve, portanto, culpa objetiva do Estado na situação em que estamos. Caberá ao futuro saber o quão caro sairá a barbeiragem, mas não há dúvida que esta ocorreu.
quarta-feira, 18 de março de 2009
Tá ruim, mas pode piorar muito
Não muitos anos atrás, comparei a crise que se avizinhava nos EUA à da Argentina do início da década. Tinham as mesmas características, povos vivendo acima de suas posses com base em uma moeda erroneamente avaliada. Os argentinos ainda não se recuperaram totalmente de sua crise, os norte-americanos também demorarão para sair da sua, não adianta ficar com falsas esperanças. Urge, porém, que tentemos salvar o mundo de uma crise muita mais séria, como alertou José Goldemberg no Estadão de segunda-feira.
Como os portenhos,e um pouco antes os japoneses, provaram, crises econômicas passam, ainda que dolorosamente. As ecológicas, entretanto, matam, como Colapso, livro de Jared Diamond, aqui há uma boa resenha, prova.
Então não devemos nos esquecer do essencial. Menosprezar os efeitos da interação humana com a natureza para permitir maior crescimento econômico, como era a política ambientalista de Geroge W. Bush, que o diabo o carregue, é o caminho mais seguro para não termos nem um e nem outro. A situação atual o prova.
Como os portenhos,e um pouco antes os japoneses, provaram, crises econômicas passam, ainda que dolorosamente. As ecológicas, entretanto, matam, como Colapso, livro de Jared Diamond, aqui há uma boa resenha, prova.
Então não devemos nos esquecer do essencial. Menosprezar os efeitos da interação humana com a natureza para permitir maior crescimento econômico, como era a política ambientalista de Geroge W. Bush, que o diabo o carregue, é o caminho mais seguro para não termos nem um e nem outro. A situação atual o prova.
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