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quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Gostaria de entender

Quais são os critérios usados pelo TSE para dizer como será a sucessão dos governadores cassados.
Houve mais um, desta feita Marcelo Miranda, do Tocantins, cuja Assembléia irá escolher o próximo governador.
Do jeito que está, parece que os critérios são apenas um, o modo que beneficiará mais ao grupo político que apóia o governo federal.
Quero quer que não seja esse. Se for, estamos pior do que imaginava no campo político.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Seus problemas acabaram?

Antônio Palocci, o médico que virou ministro da área econômica, não foi considerado réu no julgamento de ontem, mas seus problemas com a lei estão longe de acabar. Para começo de conversa, o ex-ministro está na depend~encia de que seu então subordinado, Jorge Matoso, não seja inocentado. Qualquer condenação desse constituirá em uma prova de crime de improbidade de Palocci.
Parece não haver dúvidas de que o ex-ministro foi informado de quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo. As dúvidas razoáveis são se ele pediu a ação e se passou a informação à imprensa. Condenando-se o subalterno, caracteriza-se a prevaricação, pois ao tomar conhecimento do ato criminoso, Palocci calou-se.
E não apenas deixou de comunicar a falha funcional, foi participante da pantomima que mobilizou recursos públicos para descobrir o autor da façanha, sobre o qual ele tinha completo conhecimento.
É no campo político, entretanto, que está mais encrencado. Tudo bem, ele é um profissional, destes que o presidente diz não ser um homem comum, com mais direitos do que a maioria, porém mesmo para esse há limites para o aceitável. Que pessoa em sã consciência votaria em tal figura? Talvez os mesmos que votam em Lula e Sarney, é verdade, mas Antônio Palocci sempre se apresentou como um político de outra estirpe. Posava de bom administrador e modernizante, justo o tipo que é votado por pessoas pouco propensas a dar seu voto àqueles que usam as prerrogativas do cargo para esmagar humildes empregados domésticos.
Eu não apostaria muitas fichas na volta de Antônio à ribalta política, acho que desse já nos livramos, ao menos dos cargos eletivos mais importantes.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

O melhor que Mercadante pode fazer ...

É pegar o boné e seguir o "companheiro" Flávio Arns, conforme, aliás, recomendação de um grão-petista.
Mas duvido que o faça.
Qualquer um que espere o melhor de Mercadante terminará frustrado.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

E ela saiu

A saída anunciada concretizou-se, Marina deixou o PT. A despeito das ameaças e do chororô do antigo partido, a candidatura da ex-ministra está agora praticamente assegurada.
Ela é mais uma senadora e a Casa é o foco atual das batalhas políticas, então cabe uma breve reflexão sobre aquele recinto, e seus ocupantes, e seu papel para o país.
A Constituição Federal diz uma série de coisas, mas, para resumir, a função primordial é representar os Estados, garantindo o funcionamento do pacto federativo. Sua função é, deste modo, puxar a brasa para a sardinha do Estado para o qual foi eleito, sendo uma espécie de vereador federal, mesmo que a comparação seja um tanto quanto injusta e muitos a utilizem de modo pejorativo (um exemplo está aqui). Não necessariamente buscando verbas para obras, mas certamente evitando que proposições deletérias aos interesses estaduais prosperem na legislação e, vez por outra, colocando nela algo que favoreça seu Estado.
Dito isso, faz-se necessária a pergunta: que andam fazendo os senadores pelos Estados? Respondendo em relação aos que acompanho, os do estado de São Paulo, posso afirmar um categórico nada. Não há uma única lei de interesse paulista que pode ser imputada aos excelentíssimos senhores Suplicy, Mercadante e Tuma. Há mais de uma década na Casa, o primeira destacou-se como um, mal, cantor de folk music setentista. O segundo foi seguidamente humilhado (sendo essa a mais recente) e declarou seguir o que o presidente Lula deseja, mesmo que não sendo o que a sua consciência manda. E o terceiro submergiu entre os pares, aparecendo por vezes para comentar alguma suspeita de crime, é Corregedor do Senado, relembrando sua velha vida de delegado. Para São Paulo, abusoluta inefetividade.
Marina é da mesma escola. Não fez nada para o Acre. Deve achar algo menor dedicar-se ao ofício para o qual foi eleita. Prefere salvar o mundo, ou como dizem Lula e Reinaldo Azevedo, candidatar-se a santa. Lembremos que sua primeira ação no atual mandato foi deixar o cargo, por mais da metade do mandato, e lá empossar o sem-votos Sibá Machado.
Como vemos, os detentores da função não a estão exercendo. São muito bons de falatório e muito ruins de serviço. Resta saber se merecem nosso voto de confiança para continuarem a não fazer o que deviam.
Em postagens anteriores, já declarei que não votarei em Marina Silva e em Aloizio Mercadante. Alargo meus não votos à Eduardo Suplicy e Romeu Tuma.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Palavra contra palavra

Os governistas deram como barato que houve o encontro, mas não um pedido claro de encerramento dos processos contra Fernando Sarney.
Lina, convenhamos, estava lá não porque fosse da oposição, e não acredito que seja agora. Então não se poderia esperar que tivesse feito um dossiê contra a candidata do Planalto à presidência da República, mas o que fez já está de bom tamanho.
Ficará a palavra dela conta a do governo inteiro, e com o último tendo meios para provar que ela está mentindo. Como não o fez, está mais do que claro que ela esteve no Palácio do Planalto, tanto é assim que, durante o depoimento, próceres do lulismo tentaram descaracterizar os registros como prova.
Ao forçar a mão no confronto de biografias, tendo a ministra uma que não lhe favorece, fica claro que as coisas estão mal lá pelas bandas da defesa.
Sérgio Guerra tem razão, Dilma está a cada dia mais inviável. A teimosia de Lula está saindo caro e a conta só aumentará. Sorte do PMDB, que vive desse tipo de crise institucional.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Nota do Cláudio Humberto

Diz o seguinte:
"Peru terá 20% da energia brasileira

O Peru vai consumir apenas 20% da energia que será gerada pelas cinco hidrelétricas que o governo brasileiro vai construir naquele país. Segundo o ministro Edson Lobão (Minas e Energia), para evitar problemas como os que enfrenta com o Paraguai em Itaipu, representantes do Brasil têm se reunido com seus equivalentes peruanos para “amarrar os acordos”. O financiamento das obras, estimadas entre US$ 12 bilhões e R$ 15 bilhões, ficará por conta das construtoras, Eletrobrás e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Na estimativa do ministro Lobão, as usinas devem ficar prontas em 2015."

Pelo visto, considera o governo que havia um problema no Tratado de Itaipu. Concordo, havia.
Não considerava o assinado que quase quatro décadas depois de assinado um bando de presidentes "bolivarianos" iria assumir os governos da América Latina e mandar às favas tudo o feito anteriormente.
Não acredito, porém, que há chance de piorar-se tratado assinado pelo governo Lula. Quem destruiu o acerto de Itaipu não corre o risco de construir um acordo favorável à nação. E com o ministro Lobão à frente, é tudo potencializado.

Candidata Marina

Confesso que não me passou pela cabeça, em nenhum momento, a probabilidade de Marina da Silva concorrer à Presidência da República. Talvez, porque ela é tudo o que Lula não quer em um candidato: carismática, para quem gosta do tipo self-made woman coitadinha, e animal político, ao contrário da insossa, para media proposals, e técnica Dilma. Fosse Lula outro, ela seria a candidata ideal do governo.
Seria muito difícil, para a oposição, atacá-la. Mulher, de família pobre, defensora da causa ecológica, voz mansa, histórico de enfrentamento dos poderosos, amigos assassinados por uma causa. Todo o marketeiro político sonha com tão estupendo material. Porém é lógico que ao menos um voto ela não teria, o meu.
Já sofreremos os males de Lula até onde a vista alcança, não precisamos de uma Lula também. Como ele, é anti-mercado. Como ele, acredita nas benesses de um Estado grande consertando a iniciativa privada. Como ele, destruiria nosso futuro com atitudes populistas. Como ele, é do PT, o que resume todos os problemas anteriores.
Isso faz com que não queira sua candidatura? Não.
Não houvesse razão concreta para isso, restaria-me o prazer de ver o barata voa na base governista com a simples posibilidade. Mas há uma vantagemn prática da entrada de Marina da Silva na disputa.
Como sabemos, alguém pode se candidatar por duas causas, a vitória em si e colocar um assunto em pauta. Na última eleição presidencial essa última foi a que levou às candidaturas Buarque e Heloísa Helena. E seria a boa razão para saldar uma candidatura Marina da Silva. Ela é, definitivamente, uma rebelde com causa, a ecológica.
Marina vai. com toda certeza, introduzir um projeto ecológico nas discussões de todos os candidatos à presidência caso seja um deles. Muito necessária, por sinal, em um país que anda jogando suas vantagens ambientais pela janela.
Esperemos sentados para ver o resultado. A lógica é que ela não se candidate. O PT mostrou, nestes últimos anos, que sempre escolhe a opção mais deletéria para o país quando tem chance. Ela é do PT e segue, portanto, a tendência do partido. O lógico é que de lá continue saindo apenas decepção.

sábado, 8 de agosto de 2009

Faço minhas as palavras dele



Com um agravante, votei no Mercadante, como já revelei aqui, coisa que nunca mais farei.
Já cometi esse crime hediondo, estou purgando todos os dias, no pior local, minha consciência.

terça-feira, 23 de junho de 2009

Responsáveis pela Crise


Chega a ser disparatada a campanha para responsabilizar o capitalismo pela crise que hora enfrentamos no mundo.
Capitalismo, aliás, é classificado em meu velho dicionário de economia como o sistema em que há "separação entre os trabalhadores juridicamente livres, que dispõem apenas da força de trabalho e a vendem em troca de salários, e capitalistas, que são proprietários dos meios de produção, e contratam os trabalhadores para produzir mercadorias (bem dirigidos para o mercado) visando a obtenção de lucros".
A crise não é, assim, de responsabilidade do capitalismo - mesmo porque não é possível que um sistema seja culpado por nada, as decisões são tomadas por pessoas em cargos chaves, cujos resultados influenciam-se mutuamente - embora muitos considerem que ele seja inerentemente propenso a episódios do tipo, mas foi amplificada por suas qualidades, tanto as negativas quanto as positivas.
Existindo indivíduos por trás das decisões, somos levados a conclusão que as consequências, portanto, têm seus culpados, sim. Mas, certamente, eles não são "o sistema"; são figuras de carne e osso instaladas em posições chaves.
Há múltiplas personalidades, entidades ou grupos com parcelas menores ou maiores de responsabilidade, mas, é claro, estes querem se livrar da peja. Transferem-na a outros ou, quando isso não é possível, coletivizam-na. Como escrevi recentemente, não há melhor estratagema para eximir-se das responsabilidades do que as diluir em um grande contingente de pessoas.
A comunidade especializada já repercutiu uma série de idéias sobre as razões que formaram as bolhas sucessivas que estouraram nas duas últimas décadas, chamadas respectivamente de crises da Ásia, das ponto.coms, das commodities (incluindo aumento muito grande dos preços da energia, que alguns disseram ter uma dinâmica própria e apelidaram de 3ª crise do petróleo), do subprime e, finalmente, grande financeira, a atual. O que todas tiveram em comum foi um incremento no nível de liquidez dos mercados de capital e a facilidade de transferência de recursos de uma aplicação para outra.
A procura pelos culpados deveria se concentrar, então, nestes dois fatores. O segundo, facilidade de mobilização dos recursos, é, na verdade, apontado com grande vilão mundial por uma grande quantidade de economistas, principalmente os ligados a governos despóticos. O controle de fluxos financeiros dá, a quem os possui, um poder discricionário bastante acentuado. Não por outra razão que os neoditadores, como Hugo Chávez, controlam o câmbio assim que assumem as rédeas de um governo. Esse controle, entretanto, não impede que as consequências das crises cheguem a esses países, o que o inocenta automaticamente.
O excesso de liquidez é o culpado então. Mas de onde surge esse facínora? Qual recurso excedente no mundo que está liberando dinheiro antes utilizado? A resposta é trabalho barato chinês. Expropriado pelos governantes e transformado em títulos do Tesouro dos Estados Unidos da América e daí redistribuído para as diversas modalidades financeiros através dos gastos dos cidadãos e governos desse país.
A raiz da crise não está, então, nem no capitalismo e nem nos capitalistas; está na manipulação de uma massa de trabalhadores por um governo despótico autodenominado comunista. É preciso desenhar para que os defensores do Estado forte percebam a barca furada na qual estão embarcando?

quinta-feira, 16 de abril de 2009

O monstro


Quando o contratualista Hobbes resolveu usar uma figura bíblica monstruosa para descrever o Estado, o Leviatã, deveria saber do que estava falando. Para ele o estado de natureza era de eterno conflito, guerra de todos contra todos, que apenas seria apaziguado caso um contrato entre eles fosse celebrado. Só que haveria um detalhe, teriam que ceder parte de sua liberdade para a soberania do monstro, o Estado, que a ninguém era obrigado a ceder nada.
Segundo Renato Janine Ribeiro, as idéias do pensador inglês implicam que: "se ele [o príncipe] sofrer alguma limitação, se o governo tiver que respeitar tal ou qual obrigação (por exemplo, tiver que ser justo) - então quem irá julgar se ele está sendo ou não justo? Quem julgar terá também o poder de julgar se o príncipe continua príncipe ou não - e portanto será, ele que julga, a autoridade suprema. Não há alternativa: ou o poder é absoluto, ou continuamos na condição de guerra, entre poderes que se enfrentam."
Com o passar dos tempos, percebemos que Hobbes estava errado ao pregar o absolutismo. Os regimes em que o poder do Estado é podado são os que, normalmente, melhor atendem ao povo. Neste canto do mundo, entretanto, neo-hobbesianos estão a todo momento querendo aumentar sua fatia de poder. Alguns fazem até chantagem para isso. E o Príncipe vai conseguindo o que quer.
O pacto "republicano" que os quatro representantes dos três poderes (fui só eu que achei isso muito estranho) assinaram pode parecer uma coisa boa à primeira vista, mas interromper as disputas, ao contrário do que escreveu Hobbes, beneficia apenas os que estão aboletados no poder. Nenhum acordo precisaria ser feito, o simples cumprimento da lei existente resolveria qualquer problema.
Do jeito que as coisas andam, precisamos começar a pensar em um jeito de suprimir o poder do Leviatã, que anda querendo colocar suas manguinhas de fora. Nossa sorte é que quem o nomeou, também decretou que o monstro é passível de destruição.
Evelyne Pisier relata que, segundo Hobbes, o Leviatã é mortal. O caso mais comum de seu desaparecimento é sua destruição por um outro poder soberano, mas também morre se, a despeito dos comandos que impõe e da coerção que exerce, for incapaz de cumprir a missão para qual ele foi instituído, que é garantir a segurança de seus dependentes, seu direito à vida, que é inalienável e suas liberdades individuais como foram definidas pelos direitos civis.
A ignorância venceu o medo nas duas últimas eleições à presidência; a esperança, dizem, nunca morre. As coisas ainda podem mudar.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Entrevista de Milton Friedman

Nestes tempos em que, principalmente no Brasil, o caminho da servidão está tão iluminado, é sempre bom dar tomar uma vacina contra os males do estatismo.
Uma das mais poderosas é o pensamento de Friedman, um liberal de carteirinha. Segue aí, vindo do Youtube:

Parte 1



Parte 2


Parte 3


Se algo me deixa tranquilo, são suas últimas palavras. Não existe povo mais habilidoso do que o nosso para quebrar as regras e leis, e poucos governos são menos eficientes. O Brasil tem jeito, embora não pareça.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Se os titulares são assim...


...imaginem os suplentes.
Continua sendo praxe das redações não dar muito destaque aos ocorridos no Poder Legislativo, a não ser que seja escândalo, mas a prática deveria mudar.
Este feriadão, por exemplo, morreram dois deputados, o que significa, necessariamente, um rearranjo de forças na Câmara. Ambos eram da base governista, não sabemos, porém, o que vêm por aí.
O falecido de São Paulo, João Herrmann Neto, era, já, suplente. O que, provavelmente, assumirá em seu lugar é polêmico, como mostra o Estadão Online.
O que me chamou mais a atenção na reportagem foi o seguinte trecho: "...em 2008, saiu do PDT e ingressou no PTB para tentar concorrer à eleição a prefeito em Ribeirão Preto. Porém, o PTB não o escolheu como candidato e Chiarelli voltou rapidamente ao PDT."
Como se vê, o homem tem a flexibilidade partidária bastante pronunciada, troca de legenda como de camisa, dependendo de projetos pessoais. E não parece demonstrar achar-se equivocado.
O de Pernambuco, Carlos Wilson, deixar-nos-á de herança, talvez, um político inelegível. E assim caminha a humanidade.
Declarei-me parlamentarista dezenas de vezes, mas é difícil sustentar as convicções no Brasil desse sistema político, no qual nem o próprio partido quer a posse do quase-eleito.
Muitas vezes não sabemos quem nossos votos, realmente beneficiaram. Sei que a última pessoa em quem votei para deputado já não está exercendo o mandato. E confesso que não tenho a menor idéia de quem assumiu em seu lugar. Se o sistema já é meio hermético imediatamente após a eleição, imaginem dois anos após.
É necessário que ocorra a reforma política. Se os vencedores não são lá estas coisas, os suplentes tendem a ser ainda piores. É duro dizer isso; o Congresso é tal o vinho já estragado, cada dia que passa o vinagre está mais azedo.

segunda-feira, 30 de março de 2009

Obama: pede pra sair


Ontem, surgiu a notícia de que Rick Wagoner estaria de saída da General Motors, confirmada hoje. Nada mais natural, não fosse um pedido pessoal de Barack Obama, presidente dos Estados Unidos, pais que costumava ser o bastião do livre-mercado.
Wagoner, na minha opinião, mereceu ser defenestrado. Espera-se de um presidente de companhia como esta, que foi, durante meio século, a maior do mundo, a clarividência, que veja além do balanço trimestral.
Os anos Wagoner foram, com exceção do último, excepcionais para a indústria automobilística americana. O mesmo crédito farto, e, consequentemente, barato, que impulsionou os recordes imobiliários azeitou as engrenagens de Detroit. O crescimento mundial inflou o lucro das subsidiárias.
Houve uma consolidação da indústria, e o ambiente propício às vendas carreou bilhões às três gigantes (Chrysler, Ford e Genral Motors). Elas, entretanto, não conseguram aproveitar o momento. Mantiveram, e até aprofundaram, estruturas inchadas e deficitárias, que estão cobrando agora a fatura.
A "terceira" crise do petróleo, seguida da do "subprime", acabou com a festa. Como resposta a ela, a General Motors acelerou o desenvolvimento do Chevrolet Volt, nada mais do que um híbrido com uma bateria maior, capaz de rodar, aproximadamente, 64 quilômetros, após uma carga completa, sem usar o motor de combustão interna.
Poderia ser um grande avanço, se a tecnologia híbrida não fosse da década passada e não houvesse carros esportivos, totalmente, elétricos com autonomia maior rodando atualmente.
Resumindo, Wagoner não cumpriu sua missão de liderar a companhia para um fortalecimento constante; a General Motors saiu enfraquecida, na verdade, durante sua presidência.
Sua saída, no entanto, não será um alívio para a crise americana, embora possa ser para a empresa. Converter-se-á em um marco do dirigismo estatal da economia. Uma prova de que Obama também começa a apontar seus loiros de olhos azuis.
Bulir com a discricionaridade da livre-iniciativa pode ser uma alternativa tentadora em situações de crise, mas sempre acaba sendo a pior. Os Estados Unidos combateram, por décadas, regimes que utilizavam essas práticas. A tragicomédia, e não a ironia, daria o tom caso passassem a emulá-los justo agora, que havia vencido a guerra.

domingo, 29 de março de 2009

Elite?, os políticos dizem não, não, não

Pesquisa demonstra que de elite, ao menos intelectual, os políticos estão longe.
A maioria apóia medidas populistas que se mostraram fracassadas onde quer que tenham sido implantadas. Colocar exército nas ruas? Será que nada mais criativo pode ser pensado por eles?
Se em São Paulo, teoricamente com cidades bem administradas, imagine como será nos grotões por aí.

sábado, 28 de março de 2009

Lula lá, depois de Bagdá

A julgar pela explicação posta no Noblat, Lula perdeu mais um bom momento para ficar calado.
Como disse antes, é guano fresco, melhor não mexer.
Embriagado pelos 84%, e caindo, achou por bem ligar o modo retórica racista. Não fez sucesso, enfia a viola no saco, amigo. Consertar o que nasceu torto, sabemos que não dá.

domingo, 22 de março de 2009

Quem à defender?

Já devo ter falado disto aqui, mas a tão aclamada democracia ateniense não era bem vista por Aristóteles. Em seu "A Política", ele põe como um mal menor, a ser utilizado apenas caso não seja encontrado um monarca virtuoso, preocupado com o bem comum.
Também Platão não apontava a democracia como um sistema ideal de governo. Uma república utópica seria comandada por uma ditadura dos intelectuais, coisa muito parecida ao que queriam os uspianos que ajudaram a fundar o PT.
Rousseau e a sua "vontade geral" era um lobo em pele de cordeiro. Louco de pedra, não apenas por isso, previa um sistema de governo ideal muito parecido com o que viria a ser o comunismo, ganhando assim seu lugar no céu marxista dos professores de ciências sociais de hoje.
Podemos dizer, então, que o advento da democracia como sistema a ser defendido é uma novidade tão recente quanto a consolidação dos Estados Unidos da América como potência mundial.
Tendo nascido do ventre de um Estado tão vilipendiado nestes tempos pós-Bush, fica a questão: devemos lutar pela vida de um rebento de progenitor tão feio? Nossos vizinhos parecem ter decidido que não; estão concentrando os poderes nas mãos de pais do povo, que dizem conhecer a nação melhor do que ninguém.
Tampouco nosso políticos parecem se preocupar muito com a democracia. Após conseguirem as vagas de representantes no voto, esquecem-se de que devem prestar contas de suas atividades. Alguns falam disparates como "Assim é melhor fechar o Senado" (leiam aqui, é uma sucessão de escândalos de dar medo), proferido por Heráclito Fortes, sem ruborizar.
Eu acho que vale a pena lutar por essa novidade política, em escala histórica, afinal, nas palavras de Churchill, "a democracia é o pior sistema político com exceção de todos os outros". Só gostaria de uma mão amiga daqueles que mais estão se beneficiando delas.
O povo pode ser tapado, mas um dia cansa. Não convém esticar a corda por demais.

sexta-feira, 20 de março de 2009

Sarney e as diretorias, e outros causos

Realmente a cada enxadada uma minhoca.
O moralizador José Sarney foi o responsável, segundo reportagem do Estadão, pela criação de 70% das diretorias do Senado. Agora diz que irá acabar 50% delas. Sou uma negação em aritmética, mas me parece que ainda ficará devendo ao país, se as diretorias são tão improdutivas como a lógica diz. Em países civilizados e éticos, erros administrativos como estes inviabilizariam a recondução de quem os cometeu ao cargo de presidente da Casa, algum dia ainda chegamos lá.
O moralizador derrotado, Tião Viana, passou um telefone privativo do Senado para sua filhinha não lhe causar preocupação em uma viagem ao México. Não conheço a filhinha, mas a reputação daquele país sim, então é claro que o artifício não deve ter funcionado, ficaram a preocupação e o uso incorreto de bens públicos. Não adianta depois devolver e dizer que errou. Em países civilizados e éticos, falhinhas como esta levam à perda do cargo, algum dia ainda chegamos lá.
Adriano Ceolin, o repórter que ajudou a desencavar estes "causos" do Senado, estudou comigo. Confesso que sinto uma antipatia gratuita contra ele, mas em países civilizados e éticos, parabenizamos mesmo aqueles contra os quais temos antipatia. Neste caso já chegamos lá, parabéns Ceolin e trupe, continuem metendo a enxada na terra vermelha de Brasília, é um jeito de, como diria o, então, candidato a presidência da República Guilherme Afif Domingos, juntos chegarmos lá.

segunda-feira, 16 de março de 2009

A titularidade do patrimônio

Dizer que os países comunistas têm um funcionamento da economia estruturalmente diferente dos capitalistas não corresponde à verdade. Ambas funcionam da mesma forma, só quem manda é diferente. E o fato de ser desconcentrado é que garante um sistema de tomada de decisões melhor ao segundo.
A diferença é que a titularidade do Estado entre os comunistas torna mais fácil aos pequenos grupos apropriarem-se das benesses. Os ditos socialistas concentram muito mais a renda do que os países de capitalismo avançado.
O que o Reinaldo Azevedo chama de burguesia do capital alheio é apenas uma das formas de concentração de renda no comunismo. Há também a expropriação tão em voga nos países andinos bolivarianos. Há a nacionalização, que ocorreu nos sistemas bancários chocalhados pela crise/marola.
Aumentar o patrimônio de um país leva, em geral, a melhores padrões de vida. O problema é que só fazer o bolo crescer não. Temos que ir dividindo aos poucos. Os comunistas já provaram que são muito ruins de dividir, quando se trata de dinheiro. Em outros campos, como na política, suas operações matemáticas ocorrem com bem mais naturalidade.

quarta-feira, 11 de março de 2009

Águas de março

Sempre me perguntei o porquê do governo federal não criticar o governo do município de São Paulo pela incapacidade de conter os alagamentos. Acho que esbarrei com a resposta na constituição.
Diz o artigo 21, inciso XVIII: Compete à União planejar e promover a defesa permanente contra as calamidades públicas, especialmente as secas e inundações (grifo meu).
Como inundação e alagamento só diferem em grau, e subjetivamente, fica impossível aos marketeiros do Palácio imputar à incompetência da administração rival a solução de problemas que são de sua alçada.
Isso, inclusive, já ocorreu quando, em uma das muitas crises de segurança pública do estado do Rio de Janeiro, os governos federal e estadual bateram boca publicamente sobre de quem era a culpa de os bandidos portarem armamento pesado.
Os representantes da União diziam que a culpa era da falta de policiamento; os do estado retrucaram dizendo que o Rio de Janeiro não produziam armas e, se estas lá chegavam, era a Polícia federal que falhava no controle das fronteiras. No fim, tudo ficou como dantes no quartel de abrantes, como dizia minha mãe. E todos saíram com a imagem chamuscada.
Na administração pública brasileira, nada é lá muito eficiente, mas tudo que depende de mais de uma pessoa é certeza de fracasso.
Usando outro velho dito popular: cachorro com muitos donos morre de fome.

sábado, 7 de março de 2009

Na aba

Lucia Hippolito botou o dedo na ferida ontem, Lula está tentando fazer caridade com a carteira alheia, novamente.



O homem nunca se preocupou em dar factibilidade ao que diz, pois nunca administrou nada. Isso mesmo, nada. O Brasil teve a sorte, até o momento, de não precisar de governo. E a, assim chamada, Administração Federal está operando no automático.
Pois não é que Lula resolveu inovar neste final de temporada no Planalto. Disse que iria trabalhar, anunciou metas e colocou a mão no cofre, alheio.
Os donos dos Orçamentos aliviados reclamaram, é claro. Essas residências anunciadas não sairão. A propaganda, porém, já foi feita.
Em meados de 2010, no palanque, haverá um barbudo vociferando o quanto as elites locais atrapalharam os seus nobres planos. Espero que as elites retruquem, mas está difícil de acreditar, imaginando daqui.