Coloque aí no cálculo de custos das usinas nucleares, um raio de 50 quilômetros de terrenos inservíveis para viver ou produzir.
É apenas um risco, mas tem que entrar no planejamento. Será que é devemos seguir buscando isso quando não necessitamos desesperadamente?
Apenas alguns pensamentos sobre as coisas que acho que sei ou sobre as quais não tenho a mínima idéia
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domingo, 3 de abril de 2011
sábado, 12 de março de 2011
Tecnologia? Melhor as contemporâneas às ultrapassadas
Como vemos, os meios de produção de energia mais baratos não são tão em conta assim. Imaginemos quanto custará a contenção de danos e as medidas paliativas para contenção de riscos à vida de pessoas e ao do meio ambiente.
Por isso, repito. Melhor seria se o Brasil seguisse utilizando as formas alternativas de energia que só utilizam as forças provenientes da radiação solar, mediada ou não, e esquecer esses sonhos nucleares no lugar de onde não deveriam ter saído, a gaveta dos projetistas de novas usinas.
Por que voltar ao uso de tecnologias que começaram a ser abandonadas pelos países ricos no terceiro quartil do século passado? Queremos, a todo custo, provar a alguém que somos mesmo atrasados?
Por isso, repito. Melhor seria se o Brasil seguisse utilizando as formas alternativas de energia que só utilizam as forças provenientes da radiação solar, mediada ou não, e esquecer esses sonhos nucleares no lugar de onde não deveriam ter saído, a gaveta dos projetistas de novas usinas.
Por que voltar ao uso de tecnologias que começaram a ser abandonadas pelos países ricos no terceiro quartil do século passado? Queremos, a todo custo, provar a alguém que somos mesmo atrasados?
(erro ortográfico corrigido em 22/07/2011)
terça-feira, 8 de setembro de 2009
Alí logo em frente...
...o futuro está.
As novidades estão chegando, mas continuamos a olhar para o passado.
Acho que conseguiremos passar de uma das matrizes energéticas mais limpas para uma das mais sujas.
É só dar mais alguns anos aos nossos "progressistas".
As novidades estão chegando, mas continuamos a olhar para o passado.
Acho que conseguiremos passar de uma das matrizes energéticas mais limpas para uma das mais sujas.
É só dar mais alguns anos aos nossos "progressistas".
segunda-feira, 10 de agosto de 2009
Nota do Cláudio Humberto
Diz o seguinte:
"Peru terá 20% da energia brasileira
O Peru vai consumir apenas 20% da energia que será gerada pelas cinco hidrelétricas que o governo brasileiro vai construir naquele país. Segundo o ministro Edson Lobão (Minas e Energia), para evitar problemas como os que enfrenta com o Paraguai em Itaipu, representantes do Brasil têm se reunido com seus equivalentes peruanos para “amarrar os acordos”. O financiamento das obras, estimadas entre US$ 12 bilhões e R$ 15 bilhões, ficará por conta das construtoras, Eletrobrás e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Na estimativa do ministro Lobão, as usinas devem ficar prontas em 2015."
Pelo visto, considera o governo que havia um problema no Tratado de Itaipu. Concordo, havia.
Não considerava o assinado que quase quatro décadas depois de assinado um bando de presidentes "bolivarianos" iria assumir os governos da América Latina e mandar às favas tudo o feito anteriormente.
Não acredito, porém, que há chance de piorar-se tratado assinado pelo governo Lula. Quem destruiu o acerto de Itaipu não corre o risco de construir um acordo favorável à nação. E com o ministro Lobão à frente, é tudo potencializado.
"Peru terá 20% da energia brasileira
O Peru vai consumir apenas 20% da energia que será gerada pelas cinco hidrelétricas que o governo brasileiro vai construir naquele país. Segundo o ministro Edson Lobão (Minas e Energia), para evitar problemas como os que enfrenta com o Paraguai em Itaipu, representantes do Brasil têm se reunido com seus equivalentes peruanos para “amarrar os acordos”. O financiamento das obras, estimadas entre US$ 12 bilhões e R$ 15 bilhões, ficará por conta das construtoras, Eletrobrás e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Na estimativa do ministro Lobão, as usinas devem ficar prontas em 2015."
Pelo visto, considera o governo que havia um problema no Tratado de Itaipu. Concordo, havia.
Não considerava o assinado que quase quatro décadas depois de assinado um bando de presidentes "bolivarianos" iria assumir os governos da América Latina e mandar às favas tudo o feito anteriormente.
Não acredito, porém, que há chance de piorar-se tratado assinado pelo governo Lula. Quem destruiu o acerto de Itaipu não corre o risco de construir um acordo favorável à nação. E com o ministro Lobão à frente, é tudo potencializado.
segunda-feira, 3 de agosto de 2009
O milagrede Lula
Algum dos colunistas do Estadão, creio que o Daniel Piza, tem uma seção intitulada "Por que me ufano". Eu tenho uma razão para ufanar-me, um santo na presidência, eis as provas:
Há uma anedota que diz que para obter-se quatro opiniões distintas sobre economia, basta colocar três economistas trancados em uma sala. O mesmo ocorre com os especialistas em relações internacionais, nunca conseguem concordar. Aliás não conseguiam, até o milagre de São Lula. Agora todos concordam, a estratégia brasileira é errada.
Nunca na história deste país conseguimos ser tão incompetentes, entregando tudo e não conseguindo nada em troca.
O padroeiro da Concórdia desfez, em oito anos, o trabalho de um de mais de século do Itamaty pela inserção internacional brasileira pragmática e gradual. Chafurdamos agora na ideologia cega e burra.
E a conta, como sempre, será paga pelo povo. O gás aumentou, a gasolina é das mais caras do mundo e a energia elétrica aumentará. Fico imaginando que tipos de concessões os gênios que comandam o nosso infortúnio estão imaginando fazer para Argentina e Uruguai.
Ainda não consegui formular o cenário que nos prejudicará mais, porém tenho certeza que eles já o fizeram, basta esperar.
Há uma anedota que diz que para obter-se quatro opiniões distintas sobre economia, basta colocar três economistas trancados em uma sala. O mesmo ocorre com os especialistas em relações internacionais, nunca conseguem concordar. Aliás não conseguiam, até o milagre de São Lula. Agora todos concordam, a estratégia brasileira é errada.
Nunca na história deste país conseguimos ser tão incompetentes, entregando tudo e não conseguindo nada em troca.
O padroeiro da Concórdia desfez, em oito anos, o trabalho de um de mais de século do Itamaty pela inserção internacional brasileira pragmática e gradual. Chafurdamos agora na ideologia cega e burra.
E a conta, como sempre, será paga pelo povo. O gás aumentou, a gasolina é das mais caras do mundo e a energia elétrica aumentará. Fico imaginando que tipos de concessões os gênios que comandam o nosso infortúnio estão imaginando fazer para Argentina e Uruguai.
Ainda não consegui formular o cenário que nos prejudicará mais, porém tenho certeza que eles já o fizeram, basta esperar.
quarta-feira, 24 de junho de 2009
Bons ventos nos levem
Acho que já falei isto por aqui, mas, caso não, convém dizer.
O Brasil deveria estar se dedicando menos ao sonho do pré-sal e procurando desenvolver a indústria de energia eólica no país.
Devido ao processo histórico da construção de usinas hidrelétricas por aqui, estamos muito bem posicionados para tornarmo-nos uma das regiões livres de termoelétricas fósseis no mundo. Podemos aproveitar o amplo potencial eólico de nossas costas e plataforma continental para ser a principal fonte e utilizar as hidrelétricas para prover os momentos de pico e de falta de vento. Energia para tanto os ventos possuem (e aqui).
Sujar a nossa matriz, como o planejamento atual está tentando fazer é um risco que não deveríamos correr. Fatores ecológicos, estratégicos e de prestígio do país assim o indicam. Como de hábito, entretanto, os lobbies errados estão prosperando, e a nação irá sair perdendo.
O Brasil deveria estar se dedicando menos ao sonho do pré-sal e procurando desenvolver a indústria de energia eólica no país.
Devido ao processo histórico da construção de usinas hidrelétricas por aqui, estamos muito bem posicionados para tornarmo-nos uma das regiões livres de termoelétricas fósseis no mundo. Podemos aproveitar o amplo potencial eólico de nossas costas e plataforma continental para ser a principal fonte e utilizar as hidrelétricas para prover os momentos de pico e de falta de vento. Energia para tanto os ventos possuem (e aqui).
Sujar a nossa matriz, como o planejamento atual está tentando fazer é um risco que não deveríamos correr. Fatores ecológicos, estratégicos e de prestígio do país assim o indicam. Como de hábito, entretanto, os lobbies errados estão prosperando, e a nação irá sair perdendo.
sexta-feira, 29 de maio de 2009
E não fecharam a porta
É um disparate alguém da área de segurança nuclear dizer que os procedimentos poderão ser revistos após o acidente em Angra 2.
Se quatro pessoas foram contaminadas porque o faxineiro, ou qualquer outro cujo cargo inclui limpar a tal sala, não fechou a porta, é evidente que mudanças precisam ser feitas. Até o Big Brother Brasil tem um sistema de segurança que impede que uma porta seja aberta sem que a outra seja fechada, por que não Angra.
Não sou, em tese, contrário a construção de usinas nucleares. O país possui imensas reservas de urânio e, relativa, experiência no manuseio de material radiativo. Depois de Goiânia, não havia registro de outros problemas graves neste campo.
Há, entretanto, outras soluções para o Brasil. Contaminante por contaminante, podemos utilizar carvão e petróleo como todas as nações desenvolvidas do mundo, ao invés de nuclear, como poucas. e ainda temos todas as alternativas ditas verdes.
E existe, também, a desconfiança quanto a competência da Eletronuclear. Não é porque ela diz que lida com uma energia segura e barata que devemos acreditar. Só aqui as usinas nucleares funcionariam assim eficientemente. Posso estar enganado pela minha péssima memória, mas estatal era um feudo de Roberto Jefferson antes dos eventos conhecidos como "Escândalo do Mensalão". O que é de assustar, políticos lidando com material perigoso.
Resumo da ópera, talvez seja a hora de fechar as portas de vez, não só da sala de resíduos, mas de todas as usinas por aqui. Pelo menos até que tenhamos políticos, e, consequentemente, técnicos nomeados por eles, acima de qualquer suspeita.
Se quatro pessoas foram contaminadas porque o faxineiro, ou qualquer outro cujo cargo inclui limpar a tal sala, não fechou a porta, é evidente que mudanças precisam ser feitas. Até o Big Brother Brasil tem um sistema de segurança que impede que uma porta seja aberta sem que a outra seja fechada, por que não Angra.
Não sou, em tese, contrário a construção de usinas nucleares. O país possui imensas reservas de urânio e, relativa, experiência no manuseio de material radiativo. Depois de Goiânia, não havia registro de outros problemas graves neste campo.
Há, entretanto, outras soluções para o Brasil. Contaminante por contaminante, podemos utilizar carvão e petróleo como todas as nações desenvolvidas do mundo, ao invés de nuclear, como poucas. e ainda temos todas as alternativas ditas verdes.
E existe, também, a desconfiança quanto a competência da Eletronuclear. Não é porque ela diz que lida com uma energia segura e barata que devemos acreditar. Só aqui as usinas nucleares funcionariam assim eficientemente. Posso estar enganado pela minha péssima memória, mas estatal era um feudo de Roberto Jefferson antes dos eventos conhecidos como "Escândalo do Mensalão". O que é de assustar, políticos lidando com material perigoso.
Resumo da ópera, talvez seja a hora de fechar as portas de vez, não só da sala de resíduos, mas de todas as usinas por aqui. Pelo menos até que tenhamos políticos, e, consequentemente, técnicos nomeados por eles, acima de qualquer suspeita.
sexta-feira, 17 de abril de 2009
Um dilema na energia
Um dos maiores desafios para combater o aquecimento global é mudar a matriz energética sem diminuir o bem-estar da civilização, ou, de preferência, aumentando-o. Isso requererá manter o atual padrão de uso de energia, entendido não só como a quantidade quilowatts por habitantes, mas também agregando os quesitos de constância e qualidade de fornecimento.
Quase toda a tecnologia de utilização de energia, principalmente a elétrica, é pautada por uma certo grau de previsibilidade que as chamadas fontes alternativas, de modo geral, não alcançaram. De que adianta o potencial de geração eólica do nordeste brasileiro ultrapassar o consumo de todo o país se pode ficar um dia inteiro sem ventar e o leite estragar na geladeira. O mesmo vale para os Estados Unidos, onde, segundo o World Watch Institute(original aqui), apenas os ventos de três estados poderiam suprir toda a nação.
O fato de serem facilmente estocáveis, aliado à facilidade do transporte, fez a diferença para que nossa era virasse a dos combustíveis fósseis. O mundo é, hoje, petrodependente, mas, ao contrário do que aparenta a ubiquidade das fontes de fumaça, este vício não ocorre graças à falta de poder das demais fontes.
As pirâmides egípcias foram construídas milênios antes da invenção do motor a combustão; a Holanda conquistada ao mar séculos, assim como as grandes travessias marítimas que gestaram a sociedade atual. Deste modo, há provas de que os combustíveis fósseis nem são essenciais para grandes feitos. O dispêndio de grande quantidade de energia, entretanto, é.
O Brasil é um exemplo de boa utilização de fontes renováveis, transformando a instabilidade do sol e da chuva na presibilidade dos reservatórios das hidrelétricas e tanques de álcool e biodiesel, mas a capacidade de fazê-lo está prestes a esgotar-se.
Para ampliar o uso de renováveis no matriz energética, existem dois caminhos a seguir:
- Construir capacidade maior do que a necessária, ampliando a redundância a um ponto em que é estatisticamente improvável que todas as fontes parem de gerar ao mesmo tempo, desabastecendo o sistema.
- Aproveita-se as fontes não-renováveis tradicionais para os momentos de pico de consumo.
Uma via híbrida, entretanto, pode estar surgindo com o avanço tecnológico. Aliando os picos de energia características das tecnologias renováveis com a capacidade ociosa das geradoras térmicas de suporte.
O caminho é apontado pela The Economist (artigo original aqui). Poderíamos deslocar o excesso de energia das renováveis (eles citam especificamente "fazendas de vento", mas o raciocínio é válido para as demais) para sistemas de captura de carbono do ar. O dióxido de carbono poderia ser transformado em combustíveis líquidos, como o metanol (exemplo aqui), e utilizado nas termoelétricas tradicionais. Melhoraríamos nossa segurança energética a custo climático próximo de zero.
O custo econômico ainda precisa ser calculado, acredito, contudo, que sociedades que constroem usinas para serem usadas eventualmente podem arcar com ele.
quarta-feira, 15 de abril de 2009
Queimando tudo parte 2
Desenvolver não é só isso, mas passa necessariamente pela utilização eficiente de todos os recursos que nos são apresentados. O Brasil diminuiu muito sua dependência de combustíveis fósseis baseando sua matriz anergética na hidreletricidade, conforme este texto, completamente antiprivatista, demonstra. Também houve esforço para substituir os combustíveis líquidos, através dos programas irmãos Pró-álcool e Pré-biodiesel, dos quais só o primeiro vingou.
Há, entretanto, potencialidades inexploradas no uso da agroenergia da cana que causam até embaraço às exportações do país. A queimada da palha, com a planta em pé, para facilitar o trabalho dos cortadores, é uma delas. Muitos países apontam a prática como nociva ao meio, com toda a razão, e a esgrimem como motivação de políticas protecionistas.
A colheita, no entanto, não precisa ser feita desta forma ancestral. Colheitadeiras mecânicas são capazes de executar o serviço de modo bastante eficiente, sem transformar em fumaça um insumo precioso. Atentemo-nos para o parágrafo a seguir, extraído de uma reportagem de Mônica Scaramuzzo, para o Valor Econômico de 26 de março:
"O Brasil possui cerca de 400 usinas de açúcar e álcool em operação, quase 100% delas autossuficientes em energia a partir do bagaço. Há cerca de 200 projetos de cogeração em implantação no país, que somados podem colocar no sistema 10,2 mil MW até 2013, segundo o consultor de energia a partir da biomassa Onório Kitayama, que atua hoje na Coomex. Se for utilizada a queima da palha da cana o potencial sobe para 19,284 mil MW. No entanto, ainda há poucos projetos que queimam a palha.".
Comparemos agora com a capacidade de geração de Itaipu Binacional, conforme o site da empresa: "Com 20 unidades geradoras e 14.000 MW de potência instalada, fornece 19,3% da energia consumida no Brasil e abastece 87,3% do consumo paraguaio."
Estamos, portanto, transformando em fumaça fuliginosa algo que poderia abastecer mais de 10% das necessidades elétricas do país, e sendo punidos, comercialmente, por isso. Também pagamos o preço do aumento de incidência de doenças asmáticas nas cidades próximas às áreas produtoras, sem contar na deterioração da saúde dos trabalhadores rurais hoje responsáveis pelo corte.
Queremos perfurar o pré-sal enquanto temos à mão essa riqueza queimando na terra. Não me parece inteligente.
E para vocês?
quarta-feira, 1 de abril de 2009
Há eletricidade para todos os usos?
Dúvida apontada pelo leitor Xinxa Gaspar. Será que teremos eletricidade suficiente para mover os carros elétricos como fazemos com os movidos a combustíveis líquidos?
A resposta é sim, certamente. E digo isso porque independe da vontade e competência de qualquer dirigente governamental.
Se há uma coisa certa no mundo é a ineficiência dos motores de combustão interna utilizados nos veículos (conversão energética máxima teórica de 24%, em condições controladas e rotação constante - físicos, se houver um que leia este blog, socorram-me se o número estiver errado -, em condições de uso, é bem menor, menos do que 20%), mas nós os utilizamos devido aos fatores já relatados no texto de ontem.
Os motores elétricos conseguem eficiência superior a 80%. As usinas termoelétricas conseguem extrair, com suas turbinas, perto de 50% da energia contida no combustível que empregam.
Fazendo aquela regra de três simples, veremos que, caso todos os carros, por um passe se mágica, virassem elétricos e os combustíveis utilizados hoje por eles desviados para as usinas, seria possível alimentar ao menos o dobro dos veículos circulantes.
É verdade não seria simples assim, requereria a construção das usinas, redimensionamento das redes de distribuição e treinamento da mão-de-obra envolvida (parte mais difícil da questão), mas nenhum destes desafios é insolúvel, com as tecnologias que dispomos hoje e a mesma lógica empregada atualmente.
Mas o emprego dos carros elétricos poderia ser, além de tudo, uma evolução na geração descentralizada de eletricidade, através painéis fotovoltáicos ou outras tecnologias menos glamorosas, ao menos hoje.
Escrevi, no passado, alguns artigos sobre o tema, para encontrá-los, basta clicar no marcador energia, logo aí abaixo.
A resposta é sim, certamente. E digo isso porque independe da vontade e competência de qualquer dirigente governamental.
Se há uma coisa certa no mundo é a ineficiência dos motores de combustão interna utilizados nos veículos (conversão energética máxima teórica de 24%, em condições controladas e rotação constante - físicos, se houver um que leia este blog, socorram-me se o número estiver errado -, em condições de uso, é bem menor, menos do que 20%), mas nós os utilizamos devido aos fatores já relatados no texto de ontem.
Os motores elétricos conseguem eficiência superior a 80%. As usinas termoelétricas conseguem extrair, com suas turbinas, perto de 50% da energia contida no combustível que empregam.
Fazendo aquela regra de três simples, veremos que, caso todos os carros, por um passe se mágica, virassem elétricos e os combustíveis utilizados hoje por eles desviados para as usinas, seria possível alimentar ao menos o dobro dos veículos circulantes.
É verdade não seria simples assim, requereria a construção das usinas, redimensionamento das redes de distribuição e treinamento da mão-de-obra envolvida (parte mais difícil da questão), mas nenhum destes desafios é insolúvel, com as tecnologias que dispomos hoje e a mesma lógica empregada atualmente.
Mas o emprego dos carros elétricos poderia ser, além de tudo, uma evolução na geração descentralizada de eletricidade, através painéis fotovoltáicos ou outras tecnologias menos glamorosas, ao menos hoje.
Escrevi, no passado, alguns artigos sobre o tema, para encontrá-los, basta clicar no marcador energia, logo aí abaixo.
quinta-feira, 26 de março de 2009
Lagos assassinos ou mortais
Informação é tudo, como diriam os assessores. Nunca me importei muito com a quantidade de leitores deste blog, já que sempre o encarei como um exercício de opinião e não como um site de referência. Instalei, porém, o Google Analytics há dois dias e descobri que 60% do meu tráfego provém de apenas uma postagem, esta. O problema é que este público anormal está sendo vítima de um engano, causado pela posição inesperadamente alta da página na pesquisa do Google. Ele está procurando informação científica onde há apenas análise política amadora. Para sanar este desserviço aos que não são meus leitores, abrirei uma exceção e tentarei fazer nesta postagem uma página de referência, com toda a informação que eu puder encontrar a respeito destes lagos africanos.
Vamos lá, então: os lagos Nyos, Monoun e Kivu são caracterizados por uma alta concentração de gases dissolvidos.
Os três lagos são vulcânicos, ou seja, são espelhos d'água sobre chaminés de algum vulcão ativo. Para que haja a formação do lago, é necessário um balanço correto entre fluxo de calor proveniente do vulcão e o resfriamento pela atmosfera, mantendo o gradiente de evaporação equilibrado com o suprimento de água proveniente das chuvas ou rios, e , portanto, o lago.
Emanações vulcânicas concentram-se nos segmentos profundos destes lagos, com variadas composições, dependendo dos componentes das rochas e magma abaixo deles. A solubilidade do dióxido de carbono, principal gás causador dos desastres, permite que um lago possa dissolver um volume deste mais de 5 vezes superior ao seu volume de água (para quem entender química, aqui há os cálculos, para mim é grego).
Os gases são mantidos submersos devido à pressão exercida pela coluna d'água das camadas superiores sobre as inferiores, onde os gases acumulam-se, em um processo similar ao que mantém a concentração de carbonato nos refrigerantes. A solubilidade do gás carbônico e dependente da temperatura, levando a diferenças desta entre as profundidades do lago. Quanto mais saturada estiver a água, mas densa ela fica, levando à extratificação da coluna d'água. O fato das camadas inferiores e superiores dos lagos não se misturarem permite que ocorra um tamponamento.
As causa da erupção, que é chamada, também, pelo termo inglês "lake overturn", podem ser mudança do gradiente de temperatura das camadas (aquecimento da camada profunda ou resfriamento das camadas superiores) do lago, injeção de fluídos mais aquecidos (como lava ou torrentes quentes), chuva (tornando as camadas superiores mais densas), ventos violentos, deslizamentos de terra e terremotos. Elas, como vemos, são bastante comuns em regiões vulcânicas, daí a preocupação quando a possibilidade de ocorrerem desastres repetidos. Iniciativas de desgaseificação estão ocorrendo, como a do Nyos, mostrado no esquema da figura ao lado.
Apesar de não ter apresentado uma liberação gasosa comprovada cientificamente e ser, aparentemente, bastante estável, o Lago Kivu tem o maior potencial catastrófico, pois, ao contrário dos outros dois, suas margens são densamente povoada (mais de 2 milhões de habitantes vivem nelas) e seu volume é muito grande, podendo diluir, calcula-se, até 200 quilômetros cúbicos de gás carbônico. Como há metano associado, experimentos estão sendo feitos para utilizar o lago como provedor da energia necessária para o desenvolvimento das áreas circulantes, formadas por dois países com sérios problemas econômicos e conflitos sociais, Congo e Ruanda. Juntaria-se, assim, a prevenção de acidentes à geração de renda.
domingo, 8 de março de 2009
Tecnologia pré-colombiana
Edward McBride, correspondente para Energia e Ambiente da revista The Economist, fez uma extensa reportagem sobre a destinação e manejo do lixo. Ela foi lançada na penúltima edição, e pode ser lida na íntegra aqui. Se preferir, ouça um resumo.
Nela, descobriu que muitos estão conseguindo transformar lixo em um recurso. Em uma tradução livre, diz algo mais ou menos assim, que colocarei pretensiosamente entre aspas. "Muito dele [lixo] já é queimado para gerar energia. Tecnologias mais inteligentes que transformam-no em fertilizantes ou químicos ou combustível estão sendo desenvolvidos o tempo todo. Visionários vêem um futuro no qual coisas como rejeitos domésticos e fezes de porcos irão prover o combustível para carros e casas, afastando a necessidade dos sujos combustíveis fósseis. Outros imaginam um mundo sem lixo, com rejeitos sendo rotineiramente reciclados".
A resposta, talvez, não esteja no futuro, mas no passado amazônico. Atende pelo nome de Terra Preta de Índio, uma tecnologia pré-colombiana que ninguém sabe exatamente como reproduzir, mas cujos efeitos estão à vista dos caboclos amazônicos há séculos.
Fiona Harvey, do Financial Times, reproduzido pelo Valor Econômico de quinta-feira, (assinante, leia aqui), relatou mais sobre esta esperança dos ecologistas. Ela seria:" Densa, rica e argilosa, representa um contraste gritante com os solos pobres da região[amazônica]. Parece paradoxal, mas os solos da floresta tropical têm baixa fertilidade."
Ela continua, dizendo que a terra preta "agora é objeto de intensas investigações de cientistas que estudam as mudanças climáticas. A tenacidade do carvão da terra preta, retendo suas propriedades fertilizantes ao longo dos séculos" fez os cientistas buscar reproduzi-la utilizando os modernos avanços científicos.,
O biocarvão, componente já identificado do composto tem características que encaixam-se perfeitamente com as necessidades apontadas por McBride na The Economist para o uso correto dos rejeitos. Fiona aponta que, o mateiral:"Quando é produzido, cerca de 30% de sua biomassa é transformada em carvão, outro terço em gás de síntese que pode ser queimado para gerar eletricidade; e o restante em um substituto do petróleo bruto, que pode ser muito útil na produção de plásticos, embora de difícil uso como combustível para transporte. Tim Flannery, um eminente naturalista e explorador australiano, argumenta que essas propriedades do biocarvão permitem "resolver três ou quatro crises cruciais de uma só vez: a crise da mudança climática, a crise energética e as crises dos alimentos e da água", porque colocar o biocarvão no solo não apenas o fertiliza, mas também ajuda a reter água"
"A quantidade de biocarvão a ser produzida depende da aceleração ou desaceleração no processo de pirólise: métodos rápidos produzem 20% de biocarvão, 20% de gás de síntese e 60% de bio-óleo, ao passo que métodos lentos produzem cerca de 50% de biogás e quantidades bem menores de óleo. "É também muito mais fácil tornar mais lenta a pirólise", diz Adrian Higson, do Conselho Nacional Britânico de Colheitas Não-alimentícias. "E mais barato". Como as modernas usinas, a pirólise pode ser alimentada exclusivamente com gás de síntese, a produção fica entre três e nove vezes o insumo energético necessário, segundo o Instituto de Governança e Desenvolvimento Sustentável"
Temos, então, um produto que os índios já sabiam ser o ideal para nós. Basta utilizá-lo. Honraremos os ancestrais, beneficiaremos o meio-ambiente e, vejam só, ganharemos dinheiro,
Nela, descobriu que muitos estão conseguindo transformar lixo em um recurso. Em uma tradução livre, diz algo mais ou menos assim, que colocarei pretensiosamente entre aspas. "Muito dele [lixo] já é queimado para gerar energia. Tecnologias mais inteligentes que transformam-no em fertilizantes ou químicos ou combustível estão sendo desenvolvidos o tempo todo. Visionários vêem um futuro no qual coisas como rejeitos domésticos e fezes de porcos irão prover o combustível para carros e casas, afastando a necessidade dos sujos combustíveis fósseis. Outros imaginam um mundo sem lixo, com rejeitos sendo rotineiramente reciclados".
A resposta, talvez, não esteja no futuro, mas no passado amazônico. Atende pelo nome de Terra Preta de Índio, uma tecnologia pré-colombiana que ninguém sabe exatamente como reproduzir, mas cujos efeitos estão à vista dos caboclos amazônicos há séculos.
Fiona Harvey, do Financial Times, reproduzido pelo Valor Econômico de quinta-feira, (assinante, leia aqui), relatou mais sobre esta esperança dos ecologistas. Ela seria:" Densa, rica e argilosa, representa um contraste gritante com os solos pobres da região[amazônica]. Parece paradoxal, mas os solos da floresta tropical têm baixa fertilidade."
Ela continua, dizendo que a terra preta "agora é objeto de intensas investigações de cientistas que estudam as mudanças climáticas. A tenacidade do carvão da terra preta, retendo suas propriedades fertilizantes ao longo dos séculos" fez os cientistas buscar reproduzi-la utilizando os modernos avanços científicos.,
O biocarvão, componente já identificado do composto tem características que encaixam-se perfeitamente com as necessidades apontadas por McBride na The Economist para o uso correto dos rejeitos. Fiona aponta que, o mateiral:"Quando é produzido, cerca de 30% de sua biomassa é transformada em carvão, outro terço em gás de síntese que pode ser queimado para gerar eletricidade; e o restante em um substituto do petróleo bruto, que pode ser muito útil na produção de plásticos, embora de difícil uso como combustível para transporte. Tim Flannery, um eminente naturalista e explorador australiano, argumenta que essas propriedades do biocarvão permitem "resolver três ou quatro crises cruciais de uma só vez: a crise da mudança climática, a crise energética e as crises dos alimentos e da água", porque colocar o biocarvão no solo não apenas o fertiliza, mas também ajuda a reter água"
"A quantidade de biocarvão a ser produzida depende da aceleração ou desaceleração no processo de pirólise: métodos rápidos produzem 20% de biocarvão, 20% de gás de síntese e 60% de bio-óleo, ao passo que métodos lentos produzem cerca de 50% de biogás e quantidades bem menores de óleo. "É também muito mais fácil tornar mais lenta a pirólise", diz Adrian Higson, do Conselho Nacional Britânico de Colheitas Não-alimentícias. "E mais barato". Como as modernas usinas, a pirólise pode ser alimentada exclusivamente com gás de síntese, a produção fica entre três e nove vezes o insumo energético necessário, segundo o Instituto de Governança e Desenvolvimento Sustentável"
Temos, então, um produto que os índios já sabiam ser o ideal para nós. Basta utilizá-lo. Honraremos os ancestrais, beneficiaremos o meio-ambiente e, vejam só, ganharemos dinheiro,
domingo, 1 de fevereiro de 2009
Aguapé: a mão na roda
Voltando ao velho Anuário Agrícola. Quando do lançamento da publicação, o que mais me impressionou ao ler sobre as diversas culturas brasileiras foram as diversas qualidades do aguapé. Segundo ela, essa planta era a de maior capacidade de fotossíntese entre as conhecidas. Tem, ou tinha - não sei se encontraram outra ainda mais eficiente -, portanto, a maior capacidade de usar energia solar para produzir matéria orgânica, através da fixação do gás carbônico.
Nem imaginava-se a possibilidade do etanol celulósico, porém a cultura já era vista como promissora em agroenergia. Cálculos da companhia energética Cesp, à época, diziam que 10% das represas de Americana, Billings, Barra Bonita e Bariri, caso utilizadas para cultivo de aguapés, forneceriam colheitas diárias de 14211 toneladas da planta, que poderiam produzir energia equivalente a 293000 litros de petróleo (aproximadamente 1800 barris), em uma proporção de 32 metros cúbicos por tonelada, com 65% de metano em sua composição. Pouquíssimo para uma área tão grande, poderia qualquer um dizer, mas vindo de uma área impossibilitada de uso por contaminação por material orgânico, onde os aguapés florescem, parece um presente dos deuses.
Notem que aqueles eram tempos pré-ecochatimos e Rio-92, nos quais as intenções das pesquisas eram apenas prover o Brasil com recursos naturais então escassos, água limpa e combustíveis, mas hoje já se imaginam muitos outros usos para a planta, como este e este, com ênfase nas reduções de custo do tratamento de efluentes, um dos programas sanitários em que o Brasil está mais atrasado.
Resta, contudo, ainda a alternativa da exploração energética. Demanda pelo gás há. O Brasil importa da Bolívia 24 milhões de metros cúbicos diários, ou, caso mantidos os mesmos parâmetros de eficiência de 20 anos atrás, mais de 16 milhões de toneladas de aguapé. Número aparentemente impossível de ser alcançado, pois representa o uso de algo como 28 milhões de hectares para a cultura, considerada a produtividade de 200 toneladas por hectare por ano, algo como 4 vezes a área utilizada pela cana. O que equivale a dizer que, caso fosse incentivada, a produção teria mercado cativo.
Os serviços ambientais potenciais são, porém, a melhor atração atual da planta. Retirando o carbono atmosférico eficientemente, filtrando a matéria orgânica dos cursos d´água e sendo utilizada como adubo orgânico e cobertura vegetal de solos utilizados para outras culturas, ela pode servir para diminuir a insustentabilidade da relação rural-urbana, que apenas retira nutrientes do primeiro e não os devolve, fazendo da suplementação de adubação química imprescindível. Consorciado com a piscicultura, suprir parte da proteína consumida pela humanidade. A energia é, neste contexto, um bônus.
Nossas fauna e flora nativas oferecem-nos potencial imenso para que lidemos com os problemas, atuais e futuros. Cabe-nos saber aproveitar as oportunidades e criar as tecnologias necessárias. Esperar que outros façam isso por nós apenas fará a dependência externa agudizar-se. É o que queremos?
Nem imaginava-se a possibilidade do etanol celulósico, porém a cultura já era vista como promissora em agroenergia. Cálculos da companhia energética Cesp, à época, diziam que 10% das represas de Americana, Billings, Barra Bonita e Bariri, caso utilizadas para cultivo de aguapés, forneceriam colheitas diárias de 14211 toneladas da planta, que poderiam produzir energia equivalente a 293000 litros de petróleo (aproximadamente 1800 barris), em uma proporção de 32 metros cúbicos por tonelada, com 65% de metano em sua composição. Pouquíssimo para uma área tão grande, poderia qualquer um dizer, mas vindo de uma área impossibilitada de uso por contaminação por material orgânico, onde os aguapés florescem, parece um presente dos deuses.
Notem que aqueles eram tempos pré-ecochatimos e Rio-92, nos quais as intenções das pesquisas eram apenas prover o Brasil com recursos naturais então escassos, água limpa e combustíveis, mas hoje já se imaginam muitos outros usos para a planta, como este e este, com ênfase nas reduções de custo do tratamento de efluentes, um dos programas sanitários em que o Brasil está mais atrasado.
Resta, contudo, ainda a alternativa da exploração energética. Demanda pelo gás há. O Brasil importa da Bolívia 24 milhões de metros cúbicos diários, ou, caso mantidos os mesmos parâmetros de eficiência de 20 anos atrás, mais de 16 milhões de toneladas de aguapé. Número aparentemente impossível de ser alcançado, pois representa o uso de algo como 28 milhões de hectares para a cultura, considerada a produtividade de 200 toneladas por hectare por ano, algo como 4 vezes a área utilizada pela cana. O que equivale a dizer que, caso fosse incentivada, a produção teria mercado cativo.
Os serviços ambientais potenciais são, porém, a melhor atração atual da planta. Retirando o carbono atmosférico eficientemente, filtrando a matéria orgânica dos cursos d´água e sendo utilizada como adubo orgânico e cobertura vegetal de solos utilizados para outras culturas, ela pode servir para diminuir a insustentabilidade da relação rural-urbana, que apenas retira nutrientes do primeiro e não os devolve, fazendo da suplementação de adubação química imprescindível. Consorciado com a piscicultura, suprir parte da proteína consumida pela humanidade. A energia é, neste contexto, um bônus.
Nossas fauna e flora nativas oferecem-nos potencial imenso para que lidemos com os problemas, atuais e futuros. Cabe-nos saber aproveitar as oportunidades e criar as tecnologias necessárias. Esperar que outros façam isso por nós apenas fará a dependência externa agudizar-se. É o que queremos?
segunda-feira, 26 de janeiro de 2009
Energia solar no Brasil
O Estadão de ontem trouxe uma reportagem sobre o potencial energético solar do Brasil. Comenta que o que impede a ampla utilização dela é o alto custo de captação da mesma. Que há um custo maior de captação é inegável, mas que isso seja um empecilho para a utilização desta forma de energia, abundante no Brasil, é discutível.
Quando entramos na seara de matriz energética, devemos analisar vários aspectos, não apenas a geração. E o custo não é apenas financeiro, mas de várias matizes. Se o custo de captação solar é alto, outros são minimizados, como a distribuição e transmissão.
Os gigawatts provenientes do rio Madeira precisarão atravessar milhares de quilômetros enquanto células fotovoltáicas podem ser instaladas nos telhados das residências que utilizarão a carga. Essa lógica já é utilizada no programa "Luz para todos" do governo federal, que é refratário a utilização dessa forma de energia em larga escala, como pode ser observado no vídeo abaixo.
Essa peculiaridade torna o argumento de falta de economicidade do processo fotovoltáico bastante fraco. Computados os preços realmente pagos pelo consumidor final residencial, a solar já é mais barata do que a fornecida pelas distribuidoras de energia elétrica da grande maioria das regiões metropolitanas. O custo de implantação, porém, é um fator importante, pois, devido aos altos juros praticados no país, a amortização do investimento inicial é bastante demorada. O mesmo vale para a substituição de aquecedores elétricos por solares. A falta de poupança das famílias brasileiras responde, então, pela pouca aderência às tecnologias.
Políticas públicas podem ser eficientes em reverter a tendência de preferência por grandes obras que, a primeira vista, parecem melhores para a economia do país. Descentralização da geração elétrica é uma forma eficaz e inteligente de proteger estrategicamente o país. Um simples míssil pode destruir 20% da capacidade hidrelétrica brasileira, personificada em Itaipú, mas seriam necessárias milhares, na forma de ataques a toda uma população civil, se cada telhado brasileiro tivesse sua célula fotovoltáica instalada.
Além da evidente melhoria da segurança, a qualidade ecológica da geração também seria melhorada. Os gases estufa das termoelétricas seriam evitadas, restando essas usinas como última instância, ao contrário do que ocorre hoje. Os períodos de estiagem não comprometeriam tanto os reservatórios do sistema, por aumento da insolação e, conseqüente, geração solar.
Custos financeiros, como vemos, não é a única forma de avaliar-se um empreendimento. Muitas vezes não é nem mesmo o melhor. Parece-me que este é o caso aqui. O Brasil têm uma obrigação quase religiosa de aproveitar a potencialidade que a natureza nos oferece. Se dizem que Deus é brasileiro, o Sol deve nos aparecer todos os dias por uma razão maior do que bronzear as garotas de Ipanema.
Quando entramos na seara de matriz energética, devemos analisar vários aspectos, não apenas a geração. E o custo não é apenas financeiro, mas de várias matizes. Se o custo de captação solar é alto, outros são minimizados, como a distribuição e transmissão.
Os gigawatts provenientes do rio Madeira precisarão atravessar milhares de quilômetros enquanto células fotovoltáicas podem ser instaladas nos telhados das residências que utilizarão a carga. Essa lógica já é utilizada no programa "Luz para todos" do governo federal, que é refratário a utilização dessa forma de energia em larga escala, como pode ser observado no vídeo abaixo.
Essa peculiaridade torna o argumento de falta de economicidade do processo fotovoltáico bastante fraco. Computados os preços realmente pagos pelo consumidor final residencial, a solar já é mais barata do que a fornecida pelas distribuidoras de energia elétrica da grande maioria das regiões metropolitanas. O custo de implantação, porém, é um fator importante, pois, devido aos altos juros praticados no país, a amortização do investimento inicial é bastante demorada. O mesmo vale para a substituição de aquecedores elétricos por solares. A falta de poupança das famílias brasileiras responde, então, pela pouca aderência às tecnologias.
Políticas públicas podem ser eficientes em reverter a tendência de preferência por grandes obras que, a primeira vista, parecem melhores para a economia do país. Descentralização da geração elétrica é uma forma eficaz e inteligente de proteger estrategicamente o país. Um simples míssil pode destruir 20% da capacidade hidrelétrica brasileira, personificada em Itaipú, mas seriam necessárias milhares, na forma de ataques a toda uma população civil, se cada telhado brasileiro tivesse sua célula fotovoltáica instalada.
Além da evidente melhoria da segurança, a qualidade ecológica da geração também seria melhorada. Os gases estufa das termoelétricas seriam evitadas, restando essas usinas como última instância, ao contrário do que ocorre hoje. Os períodos de estiagem não comprometeriam tanto os reservatórios do sistema, por aumento da insolação e, conseqüente, geração solar.
Custos financeiros, como vemos, não é a única forma de avaliar-se um empreendimento. Muitas vezes não é nem mesmo o melhor. Parece-me que este é o caso aqui. O Brasil têm uma obrigação quase religiosa de aproveitar a potencialidade que a natureza nos oferece. Se dizem que Deus é brasileiro, o Sol deve nos aparecer todos os dias por uma razão maior do que bronzear as garotas de Ipanema.
quarta-feira, 7 de janeiro de 2009
Que os vizinhos apressem-se
Vai faltar ativo para que os vizinhos tunguem, então é melhor que sejam rápidos. Se até quem não faz fronteira conosco já está colocando suas manguinhas de fora, como o Equador, imaginem os que estão aí do lado.
O Paraguai já escolheu seu quinhão. Quer levar Itaipu de presente. Ou melhor, quer levar o resto de Itaipu de presente.
Itaipu Binacional é, como o próprio nome diz, uma empresa partilhada entre os acionistas, Brasil e Paraguai, em partes iguais. Mais do que para a segurança energética do Brasil, foi concebida, por brasileiros, para cessar com quaisquer problemas de fronteira e selar uma parceria estratégica. O capital para iniciar a empresa foi 100% brasileiro (emprestamos o capital inicial que eles não tinham) e o resto foi financiado, com a parte de maior credibilidade creditícia sendo o Brasil. O Paraguai entrou com sua parte em água e apoio moral.
Por ser estratégica, a empresa não visa o lucro e toda a energia produzida deve ser comprada e dividida em partes iguais entre, e deve ser consumida pelos, países acionistas, mas o excedente não-consumido pode ser comprado pelo outro. As tarifas da energia são para cobrir os custos, de produção e de amortização da dívida.
Devido a falta de demanda paraguaia, o Brasil acaba utilizando 95% da energia produzida pela usina. A parte efetivamente consumida pelo Brasil é responsável por aproximadamente 20% da nossa matriz elétrica, enquanto os 5% que o Paraguai utiliza respondem por 95% da matriz deles. Como a segurança energética é desprezada por essas bandas como tema de debate, a desproporção reflete a importância que é dada à usina na política interna de cada país. Irrisória no Brasil, imensa no Paraguai.
A revisão do acordo de criação de da empresa binacional ou, no mínimo, das tarifas pagas pelo Brasil, e conseqüente ganhos nos royalties recebidos pelo Paraguai, foi uma das mais poderosas plataformas da campanha que levou Fernado Lugo ao poder. A proposta apresentada ao Brasil para uma renegociação oscila entre a sandice e a desrespeito ao direito internacional.
A falta de respeito seria entre o acordo firmado para que toda a energia seja utilizada pelos sócios. Ela é baseada em uma situação conjuntural. A Argentina, que foi historicamente um exportador líquido, tornou-se importador de energia e o Paraguai vê aí uma oportunidade de fazer caixa. A insanidade na proposta de que, baseado em seu histórico de utilização da produção, o Brasil assuma 95% da dívida da empresa. Equivalente a espetar na conta do cliente a dívida da loja.
As lideranças esquerdistas que chegaram ao poder na América Latina têm tentado fazer revisões contratuais alegando que os acordos assinados pelos governos anteriores são incorretos: a)politicamente; b)economicamente; c)juricamente, e d)todos os anteriores. Itaipu Binacional foi uma benção para o Paraguai economicamente falando; juridicamente foi assinado por partes soberanas e aptas a tal, sem o uso de força. Politicamente tudo é contestável, pois mutáveis são, por definição, os governos em que há confrontação política e os "interesses nacionais" que defendem. Mas mesmo aí fica difícil defender a revisão, já que o acordo serviu de veículo para dirimir conflitos históricos entre as partes.
Pelas resoluções anteriores dos contenciosos Brasil-resto da América do Sul, fica difícil acreditar que passaremos ilesos da reivindicação paraguaia. Espero que a ferida não seja muito funda, afinal há Peru, Chile, Guiana, Suriname e França na fila.
O Paraguai já escolheu seu quinhão. Quer levar Itaipu de presente. Ou melhor, quer levar o resto de Itaipu de presente.
Itaipu Binacional é, como o próprio nome diz, uma empresa partilhada entre os acionistas, Brasil e Paraguai, em partes iguais. Mais do que para a segurança energética do Brasil, foi concebida, por brasileiros, para cessar com quaisquer problemas de fronteira e selar uma parceria estratégica. O capital para iniciar a empresa foi 100% brasileiro (emprestamos o capital inicial que eles não tinham) e o resto foi financiado, com a parte de maior credibilidade creditícia sendo o Brasil. O Paraguai entrou com sua parte em água e apoio moral.
Por ser estratégica, a empresa não visa o lucro e toda a energia produzida deve ser comprada e dividida em partes iguais entre, e deve ser consumida pelos, países acionistas, mas o excedente não-consumido pode ser comprado pelo outro. As tarifas da energia são para cobrir os custos, de produção e de amortização da dívida.
Devido a falta de demanda paraguaia, o Brasil acaba utilizando 95% da energia produzida pela usina. A parte efetivamente consumida pelo Brasil é responsável por aproximadamente 20% da nossa matriz elétrica, enquanto os 5% que o Paraguai utiliza respondem por 95% da matriz deles. Como a segurança energética é desprezada por essas bandas como tema de debate, a desproporção reflete a importância que é dada à usina na política interna de cada país. Irrisória no Brasil, imensa no Paraguai.
A revisão do acordo de criação de da empresa binacional ou, no mínimo, das tarifas pagas pelo Brasil, e conseqüente ganhos nos royalties recebidos pelo Paraguai, foi uma das mais poderosas plataformas da campanha que levou Fernado Lugo ao poder. A proposta apresentada ao Brasil para uma renegociação oscila entre a sandice e a desrespeito ao direito internacional.
A falta de respeito seria entre o acordo firmado para que toda a energia seja utilizada pelos sócios. Ela é baseada em uma situação conjuntural. A Argentina, que foi historicamente um exportador líquido, tornou-se importador de energia e o Paraguai vê aí uma oportunidade de fazer caixa. A insanidade na proposta de que, baseado em seu histórico de utilização da produção, o Brasil assuma 95% da dívida da empresa. Equivalente a espetar na conta do cliente a dívida da loja.
As lideranças esquerdistas que chegaram ao poder na América Latina têm tentado fazer revisões contratuais alegando que os acordos assinados pelos governos anteriores são incorretos: a)politicamente; b)economicamente; c)juricamente, e d)todos os anteriores. Itaipu Binacional foi uma benção para o Paraguai economicamente falando; juridicamente foi assinado por partes soberanas e aptas a tal, sem o uso de força. Politicamente tudo é contestável, pois mutáveis são, por definição, os governos em que há confrontação política e os "interesses nacionais" que defendem. Mas mesmo aí fica difícil defender a revisão, já que o acordo serviu de veículo para dirimir conflitos históricos entre as partes.
Pelas resoluções anteriores dos contenciosos Brasil-resto da América do Sul, fica difícil acreditar que passaremos ilesos da reivindicação paraguaia. Espero que a ferida não seja muito funda, afinal há Peru, Chile, Guiana, Suriname e França na fila.
quarta-feira, 10 de dezembro de 2008
Electranet
Acho que a era das grandes obras, como as hidrelétricas do rio Madeira, estão com os dias contados. São o pesadelo dos ecologistas, contam com a desconfiança da população e benefícios sociais discutíveis.
Com o fim dessa era de obras vistosas, teremos que fazer cada quilowatt render mais, e cada fonte de energia disponível deverá ser coletado e distribuído de forma mais eficiente. Neste ponto, a electranet defendida por Al Gore é uma imposição, não apenas um projeto.
Por todas as questões envolvidas, implementar uma política que garanta a um melhor uso da energia é muito superior a construir barragens no meio do nada populacional.
E gerará mais empregos e distribuição de renda.
Com o fim dessa era de obras vistosas, teremos que fazer cada quilowatt render mais, e cada fonte de energia disponível deverá ser coletado e distribuído de forma mais eficiente. Neste ponto, a electranet defendida por Al Gore é uma imposição, não apenas um projeto.
Por todas as questões envolvidas, implementar uma política que garanta a um melhor uso da energia é muito superior a construir barragens no meio do nada populacional.
E gerará mais empregos e distribuição de renda.
sábado, 12 de janeiro de 2008
Pelo menos a fartura não temos mais
Alguns meses atrás escrevi um artigo no qual culpava a fartura brasileira pelo nosso atraso, basta procurarem nos números atrasados aí ao lado se quiserem relembrar. Também escrevi algo duvidando que a escassez de energia pudesse retornar ao Brasil, devido à infinidade de fontes baratas de energia das quais dispomos.
Parece que os fatos desmentem-me, dia após outro. Um novo apagão desenha-se no horizonte e, graças a competência - ou falta de - dos que gerem o sistema, podemos em breve tomar banho frio e jantar à luz de velas todas as noites. Será ou não romântico?
Mas para tudo há compensações, passar um apertinho pode fazer os dirigentes entenderem que pesquisa em tecnologias poupadoras de recursos finitos compensa.
Vai que daí sai algo que pode nos trazer prosperidade, tipo um acidente como o que levou-nos ao álcool combustível, digo, etanol.
Parece que os fatos desmentem-me, dia após outro. Um novo apagão desenha-se no horizonte e, graças a competência - ou falta de - dos que gerem o sistema, podemos em breve tomar banho frio e jantar à luz de velas todas as noites. Será ou não romântico?
Mas para tudo há compensações, passar um apertinho pode fazer os dirigentes entenderem que pesquisa em tecnologias poupadoras de recursos finitos compensa.
Vai que daí sai algo que pode nos trazer prosperidade, tipo um acidente como o que levou-nos ao álcool combustível, digo, etanol.
quarta-feira, 22 de novembro de 2006
Apagão nascente
Se vocês tiverem a chance de ler a Exame que está nas bancas esta quinzena, verão que o apagão - nos moldes do que se convencionou chamar a escassez de energia elétrica - já está acontecendo.
Os grandes consumidores industriais já não estão conseguindo fechar contratos de longa duração e tudo leva a crer que as tarifas terão aumentos explosivos nos próximos anos.
E o governo se finge de morto, e quando toca no assunto é para dizer que todos os problemas legados pela gestão FHC (que eles chamam de herança maldita) foram equacionados e não há risco de apagão.
Só falta combinar com o inimigo, que no caso é o setor industrial. Se ele resolvesse crescer o tanto que Lula quer que o Brasil cresça, os problemas de escassez já estariam presentes, e estaríamos vivenciando dois apagões simultâneos. É claro que o governo não teria nada a ver com isso, seria tudo culpa da herança maldita de 500 anos de administração das “odiosas elites que sentem asco do povo e que por isso não desejam que o país se desenvolva”.
E vai contrariar.
Os grandes consumidores industriais já não estão conseguindo fechar contratos de longa duração e tudo leva a crer que as tarifas terão aumentos explosivos nos próximos anos.
E o governo se finge de morto, e quando toca no assunto é para dizer que todos os problemas legados pela gestão FHC (que eles chamam de herança maldita) foram equacionados e não há risco de apagão.
Só falta combinar com o inimigo, que no caso é o setor industrial. Se ele resolvesse crescer o tanto que Lula quer que o Brasil cresça, os problemas de escassez já estariam presentes, e estaríamos vivenciando dois apagões simultâneos. É claro que o governo não teria nada a ver com isso, seria tudo culpa da herança maldita de 500 anos de administração das “odiosas elites que sentem asco do povo e que por isso não desejam que o país se desenvolva”.
E vai contrariar.
terça-feira, 21 de novembro de 2006
Alternativas
No domingo os cadernos de economia dos grandes jornais paulistanos foram marcados por análises a respeito do biodiesel devido à inauguração por parte do presidente da República de uma nova planta industrial de produção do combustível.
Quem acompanha meus textos a mais tempo sabe que sou um entusiasta da biomassa e dos demais meios “alternativos”, e que toda a publicidade para estes meios me satisfaz, mas há um pequeno detalhe.
O problema é que se está formando um falso dilema entre a utilização ou não de soja como fonte de óleo.
Já se falou de tudo a respeito disso: que o rendimento energético da soja é muito baixo, que ela amplia a concentração agrária, que o programa de biodiesel perde sua função social.
Tudo isso é besteira na medida que não leva em conta que estamos em um país com livre mercado e que não é função de um programa de segurança energética fazer inclusão. Caso o faça, será um ganho colateral e bem vindo.
O grande ponto central do sistema energético nacional deve ser a interligação física das redes de distribuição de energia e a diversificação de fontes energéticas; de modo que as regiões consumidoras e produtoras, assim como as maneiras de se obter a energia a ser distribuída sejam complementares e dessazonalizadas.
Por exemplo, poderemos ter um sistema que se construa para que nos meses de estiagem se tenha mais participação da coleta de energia solar enquanto nos meses de cheia dos rios se utilize mais a hidroeletricidade.
Quanto a utilização de soja ou de outra matriz para a obtenção de óleo, o que precisa ser analisado primeiramente é a disponibilidade imediata do produto. Mesmo que tenha um rendimento energético maior, não faz sentido que se transporte óleo de uma região para a outra, se o intuito for basicamente o de transformá-lo depois em biodiesel. No caso específico da soja, produto basicamente para a exportação, é importante salientar que o óleo é um subproduto e que muitas vezes o peso deste é um empecilho para o transporte.
Neste contexto utilizar o óleo de soja como combustível é muito mais econômica do que qualquer alternativa que se possa apresentar, pois evita o transporte do diesel fóssil até as regiões produtoras, diminui a massa e o volume do produto efetivamente exportável e movimenta a economia local na prensagem e manipulação química do biodiesel.
Caso este princípio seja utilizado em todas as regiões, se economizará um grande volume de combustível que é gasto apenas para deslocar combustível das zonas produtoras para as zonas consumidoras, algo que ecologicamente é totalmente ilógica e insustentável.
O país não deve ter uma matriz rígida e nacional para a energia, deve aproveitar as potencialidades regionais e ser uma colcha de retalhos de matrizes e matizes energéticas diferentes.
Quem acompanha meus textos a mais tempo sabe que sou um entusiasta da biomassa e dos demais meios “alternativos”, e que toda a publicidade para estes meios me satisfaz, mas há um pequeno detalhe.
O problema é que se está formando um falso dilema entre a utilização ou não de soja como fonte de óleo.
Já se falou de tudo a respeito disso: que o rendimento energético da soja é muito baixo, que ela amplia a concentração agrária, que o programa de biodiesel perde sua função social.
Tudo isso é besteira na medida que não leva em conta que estamos em um país com livre mercado e que não é função de um programa de segurança energética fazer inclusão. Caso o faça, será um ganho colateral e bem vindo.
O grande ponto central do sistema energético nacional deve ser a interligação física das redes de distribuição de energia e a diversificação de fontes energéticas; de modo que as regiões consumidoras e produtoras, assim como as maneiras de se obter a energia a ser distribuída sejam complementares e dessazonalizadas.
Por exemplo, poderemos ter um sistema que se construa para que nos meses de estiagem se tenha mais participação da coleta de energia solar enquanto nos meses de cheia dos rios se utilize mais a hidroeletricidade.
Quanto a utilização de soja ou de outra matriz para a obtenção de óleo, o que precisa ser analisado primeiramente é a disponibilidade imediata do produto. Mesmo que tenha um rendimento energético maior, não faz sentido que se transporte óleo de uma região para a outra, se o intuito for basicamente o de transformá-lo depois em biodiesel. No caso específico da soja, produto basicamente para a exportação, é importante salientar que o óleo é um subproduto e que muitas vezes o peso deste é um empecilho para o transporte.
Neste contexto utilizar o óleo de soja como combustível é muito mais econômica do que qualquer alternativa que se possa apresentar, pois evita o transporte do diesel fóssil até as regiões produtoras, diminui a massa e o volume do produto efetivamente exportável e movimenta a economia local na prensagem e manipulação química do biodiesel.
Caso este princípio seja utilizado em todas as regiões, se economizará um grande volume de combustível que é gasto apenas para deslocar combustível das zonas produtoras para as zonas consumidoras, algo que ecologicamente é totalmente ilógica e insustentável.
O país não deve ter uma matriz rígida e nacional para a energia, deve aproveitar as potencialidades regionais e ser uma colcha de retalhos de matrizes e matizes energéticas diferentes.
terça-feira, 2 de maio de 2006
Negócios em família
Em vista dos acontecimentos de ontem meus textos sobre energia perdem muito de sua validade, pois alguns consumidores podem sim sofrer crise de oferta.
Mas de qualquer modo fica a lição. Negócios em família sempre criam atritos, entre hermanos é desastre certo.
Mas de qualquer modo fica a lição. Negócios em família sempre criam atritos, entre hermanos é desastre certo.
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