Vejam este vídeo:
E depois esse:
Meu velho Anuário Agrícola indica que, em 1988, os técnicos da Epagri, em Maria da Fé, já pesquisavam, há anos, seu cultivo. Temos, então, mais de duas décadas de pesquisa apenas dedicada à oliveira mineira.
De que adianta, porém, conseguir melhorar as tecnologias de produção se os terrenos que poderia ser utilizados para plantar estão agora fora da lei?
Vai restar a este povo todo a opção do vídeo abaixo, ficar remoendo os velhos tempos da roça. Em um grande centro urbano.
Isso tudo para preservar algo que não existe mais a séculos.
O resultado será o que todos conhecemos, em toda a terra devoluta ou pública brasileira, deixada à margem da integração econômica, há ou conflitos fundiários ou desmatamento criminoso.
Impedimos os atuais agricultores de trabalhar para dar serviço aos policiais e cangaceiros do futuro. Bela troca , verdadeira prova de desenvolvimento sustentável.
Apenas alguns pensamentos sobre as coisas que acho que sei ou sobre as quais não tenho a mínima idéia
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sexta-feira, 6 de março de 2009
domingo, 1 de fevereiro de 2009
Aguapé: a mão na roda
Voltando ao velho Anuário Agrícola. Quando do lançamento da publicação, o que mais me impressionou ao ler sobre as diversas culturas brasileiras foram as diversas qualidades do aguapé. Segundo ela, essa planta era a de maior capacidade de fotossíntese entre as conhecidas. Tem, ou tinha - não sei se encontraram outra ainda mais eficiente -, portanto, a maior capacidade de usar energia solar para produzir matéria orgânica, através da fixação do gás carbônico.
Nem imaginava-se a possibilidade do etanol celulósico, porém a cultura já era vista como promissora em agroenergia. Cálculos da companhia energética Cesp, à época, diziam que 10% das represas de Americana, Billings, Barra Bonita e Bariri, caso utilizadas para cultivo de aguapés, forneceriam colheitas diárias de 14211 toneladas da planta, que poderiam produzir energia equivalente a 293000 litros de petróleo (aproximadamente 1800 barris), em uma proporção de 32 metros cúbicos por tonelada, com 65% de metano em sua composição. Pouquíssimo para uma área tão grande, poderia qualquer um dizer, mas vindo de uma área impossibilitada de uso por contaminação por material orgânico, onde os aguapés florescem, parece um presente dos deuses.
Notem que aqueles eram tempos pré-ecochatimos e Rio-92, nos quais as intenções das pesquisas eram apenas prover o Brasil com recursos naturais então escassos, água limpa e combustíveis, mas hoje já se imaginam muitos outros usos para a planta, como este e este, com ênfase nas reduções de custo do tratamento de efluentes, um dos programas sanitários em que o Brasil está mais atrasado.
Resta, contudo, ainda a alternativa da exploração energética. Demanda pelo gás há. O Brasil importa da Bolívia 24 milhões de metros cúbicos diários, ou, caso mantidos os mesmos parâmetros de eficiência de 20 anos atrás, mais de 16 milhões de toneladas de aguapé. Número aparentemente impossível de ser alcançado, pois representa o uso de algo como 28 milhões de hectares para a cultura, considerada a produtividade de 200 toneladas por hectare por ano, algo como 4 vezes a área utilizada pela cana. O que equivale a dizer que, caso fosse incentivada, a produção teria mercado cativo.
Os serviços ambientais potenciais são, porém, a melhor atração atual da planta. Retirando o carbono atmosférico eficientemente, filtrando a matéria orgânica dos cursos d´água e sendo utilizada como adubo orgânico e cobertura vegetal de solos utilizados para outras culturas, ela pode servir para diminuir a insustentabilidade da relação rural-urbana, que apenas retira nutrientes do primeiro e não os devolve, fazendo da suplementação de adubação química imprescindível. Consorciado com a piscicultura, suprir parte da proteína consumida pela humanidade. A energia é, neste contexto, um bônus.
Nossas fauna e flora nativas oferecem-nos potencial imenso para que lidemos com os problemas, atuais e futuros. Cabe-nos saber aproveitar as oportunidades e criar as tecnologias necessárias. Esperar que outros façam isso por nós apenas fará a dependência externa agudizar-se. É o que queremos?
Nem imaginava-se a possibilidade do etanol celulósico, porém a cultura já era vista como promissora em agroenergia. Cálculos da companhia energética Cesp, à época, diziam que 10% das represas de Americana, Billings, Barra Bonita e Bariri, caso utilizadas para cultivo de aguapés, forneceriam colheitas diárias de 14211 toneladas da planta, que poderiam produzir energia equivalente a 293000 litros de petróleo (aproximadamente 1800 barris), em uma proporção de 32 metros cúbicos por tonelada, com 65% de metano em sua composição. Pouquíssimo para uma área tão grande, poderia qualquer um dizer, mas vindo de uma área impossibilitada de uso por contaminação por material orgânico, onde os aguapés florescem, parece um presente dos deuses.
Notem que aqueles eram tempos pré-ecochatimos e Rio-92, nos quais as intenções das pesquisas eram apenas prover o Brasil com recursos naturais então escassos, água limpa e combustíveis, mas hoje já se imaginam muitos outros usos para a planta, como este e este, com ênfase nas reduções de custo do tratamento de efluentes, um dos programas sanitários em que o Brasil está mais atrasado.
Resta, contudo, ainda a alternativa da exploração energética. Demanda pelo gás há. O Brasil importa da Bolívia 24 milhões de metros cúbicos diários, ou, caso mantidos os mesmos parâmetros de eficiência de 20 anos atrás, mais de 16 milhões de toneladas de aguapé. Número aparentemente impossível de ser alcançado, pois representa o uso de algo como 28 milhões de hectares para a cultura, considerada a produtividade de 200 toneladas por hectare por ano, algo como 4 vezes a área utilizada pela cana. O que equivale a dizer que, caso fosse incentivada, a produção teria mercado cativo.
Os serviços ambientais potenciais são, porém, a melhor atração atual da planta. Retirando o carbono atmosférico eficientemente, filtrando a matéria orgânica dos cursos d´água e sendo utilizada como adubo orgânico e cobertura vegetal de solos utilizados para outras culturas, ela pode servir para diminuir a insustentabilidade da relação rural-urbana, que apenas retira nutrientes do primeiro e não os devolve, fazendo da suplementação de adubação química imprescindível. Consorciado com a piscicultura, suprir parte da proteína consumida pela humanidade. A energia é, neste contexto, um bônus.
Nossas fauna e flora nativas oferecem-nos potencial imenso para que lidemos com os problemas, atuais e futuros. Cabe-nos saber aproveitar as oportunidades e criar as tecnologias necessárias. Esperar que outros façam isso por nós apenas fará a dependência externa agudizar-se. É o que queremos?
quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
Bruxa solta
Achei ontem um anuário agrícola, de 1988, editado pela Abril, que gostava de ler quando criança. Nele havia o seguinte trecho."Mas em princípio, recomenda-se nunca levar para a Bahia os ramos, as folhas, os frutos ou sementes de cacau e cupuaçu (da família do cacau) da Amazônia, pois com o material poderão ir também germes de doenças, como a vassoura-de-bruxa, o que resultaria em graves prejuízos para o país."
Em 1989 foram identificadas os primeiros focos do fungo no sudeste baiano e, em 2006, a revista Veja lançou a denúncia de que a doença foi espalhada voluntariamente, e, o pior, por pessoas pagas para evitar que isso ocorresse, incluindo um testemunho, reproduzido aqui*, de um dos criminosos.
Para todos os critérios, excetuando-se o criminal, não importa muito se verdadeira ou não a denúncia trazida pela Veja. Milhares foram arruinados, e o padrão de vida da região diminuiu bastante, pela ocorrência de uma praga totalmente evitável. Para premiar a incompetência, ou coisa pior, em impedir a disseminação, os funcionários do Ceplac foram alçados a cargos de confiança nas administrações petistas posteriores.
Com critérios assim para promover, não me admira que os erros relatados ontem ocorram. Decisões na calada da noite, descaso pelas conseqüências e ascensão política resultante das duas anteriores parecem um padrão antigo de administrações do partido.
Até quando teremos que conviver com isso?
*Retirado da internet e digno de suspeita da autenticidade
Em 1989 foram identificadas os primeiros focos do fungo no sudeste baiano e, em 2006, a revista Veja lançou a denúncia de que a doença foi espalhada voluntariamente, e, o pior, por pessoas pagas para evitar que isso ocorresse, incluindo um testemunho, reproduzido aqui*, de um dos criminosos.
Para todos os critérios, excetuando-se o criminal, não importa muito se verdadeira ou não a denúncia trazida pela Veja. Milhares foram arruinados, e o padrão de vida da região diminuiu bastante, pela ocorrência de uma praga totalmente evitável. Para premiar a incompetência, ou coisa pior, em impedir a disseminação, os funcionários do Ceplac foram alçados a cargos de confiança nas administrações petistas posteriores.
Com critérios assim para promover, não me admira que os erros relatados ontem ocorram. Decisões na calada da noite, descaso pelas conseqüências e ascensão política resultante das duas anteriores parecem um padrão antigo de administrações do partido.
Até quando teremos que conviver com isso?
*Retirado da internet e digno de suspeita da autenticidade
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