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sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Agora também pós-colombiana

Já falei aqui sobre a tecnologia que ajudava aos índios e ameaçava ajudar aos contemporâneos, encontrada na Amazônia brasileira. Agora vocês podem ver um update by The Economist.
E nós continuamos marcando toca, fazendo carvão vegetal com técnicas predatórias e sem nenhuma geração de valor.
Brasil, o país do futuro, sombrio.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

It´s not Tv, nor HBO

Há quem reclame, mas a Netflix é um sucesso. E o motivo é um só, custos. Quanto menos dinheiro têm os consumidores americanos, mais eles migram para produtos de qualidade de baixo custo. É o caso da locações por via postal, os clientes podem ter cinco produções rotativas pelo preço de compra de uma mensalmente, sem preocupar-se com multas e os transtornos do trânsito, não há como dar errado.
Mesmo assim, o executivo-chefe da empresa, Reed Hasting, prevê que, em quatro anos, a operação de aluguel postal começará a decair. E a razão é a de sempre, a concorrência da internet. Atualmente para fazer uma locação, de ida e volta pelo correio, são gastos 80 centavos de dólar por DVD, enquanto a transmissão de um filme via web, serviço disponibilizado pela empresa para uma gama limitada de títulos, custa 5 centavos.
Com a ampliação da banda larga, ficará cada vez mais barato, para o consumidor, receber pacotes de dados. Algumas cidades do mundo, como Estocolmo, na Suécia, estão ligando todas as suas residências a redes de fibra ótica. Empresas terão, então, um custo de entrada no mercado muito menor. Todas as possuidoras de conteúdo a ser distribuído poderão fazê-lo a baixíssimo custo, maximizando o seu lucro. É o que pretende fazer a Netflix no futuro próximo. Ela terá, entretanto, como prováveis concorrentes os grandes estúdios que hoje lucram ao vender-lhe DVDs e Blu-rays.
Cá as coisas serão um tanto quanto mais lentas, visto que estamos muito atrasadod em matéria deinternet rápida, mas há um conjunto de empresas que podem se beneficiar da transmissão de filmes via internet, caso consigam se entender sobre como dividir os ganhos. As operadoras de celular e a Tec Toy.
Por já ser um equipamento naturalmente ligado ao televisor, não há plataforma melhor para descarregar vídeos do que o vídeo-game. O Zeebo, da Tec Toy, tem a vantagem de ter sido projetado para o carregamento online remoto de todo o seu software, contando com um disco rígido e um chip 3G embutido. As operadoras podem utilizar estas caractrísticas para fazer dele uma central de entretenimento com com comercialização de filmes com custo bastante baixo.
Provavelmente outros meios chegarão no futuro próximo, mas ignorar essa opção de ganhar dinheiro e agradar ao cliente parece-me boa demais para ignorar. O problema é que vivemos de ignorar as boas oportunidades.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

O fim do computador pessoal

Pode até parecer mentira, mas houve um tempo em que não existiam computadores pessoais. E, por incrível que pareça, as tendências mostram que dentro em pouco eles voltarão a desaparecer.
Computadores são ferramentas, mas, por um período de tempo, foram tratados como outra coisa. Como um definidor de estilo de vida, o que diferenciava os integrados e os pré-históricos.
Os pingos, entretanto, estão voltando para os is. As tarefas antes desempenhadas apenas pelos computadores pessoais estão sendo distribuídas para outros aparelhos e, paradoxalmente, o processamento está cada vez mais centralizado em empresas dedicadas a isso, longe dos olhos do usuário final.
Esse processo aconteceu em todas as grandes indústrias. Antes todos tinham um martelo em casa, pois era necessário para tarefas do dia-a-dia; hoje poucos têm, muito do que se fazia com ele foi terceirizado. O transporte é um bom exemplo. Passou-se de um sistema do cada um por si, antes do advento dos coletivos (bonde e trem) para o individual (carros, principalmente) e há agora um renascimento do apelo da coletivização do transporte, que faz muito mais sentido econômico e socialmente.
É a internet a responsável pela morte anunciada do PC. Muitos, incluindo eu, os possui sem entender nada de programação. A máquina serve apenas para acessar à WEB e, raramente, jogar algum vídeo-game. Ou seja, espingarda para matar baratas, pode até funcionar, mas não é o mais indicado.
A rede está cada vez mais sendo acessada por dispositivos móveis. No último trimestre, a despeito da crise econômica, houve um crescimento mundial de 30% nesta forma de interação. Tudo porque aparelhos portáteis, não importando a nomenclatura, estão ficando melhores e mais confiáveis. E a onipresença faz com que seja até mais útil a informação contida nos sites. Para os games é sempre melhor um aparelho dedicado, sem as terríveis instalações e configurações, propensas a deixar qualquer leigo maluco.
Resumindo, acredito que, dentro em breve, não teremos um aparelho chamado computador. Tudo que ele faz continuará existindo em outros dispositivos, mas provavelmente nem perceberemos que há ali processamento de dados, só funcionalidade.

terça-feira, 26 de maio de 2009

Novo vídeo-game na praça


Mas desta vez pensado para os mercados emergentes.
Tudo que é pensado para mercados muito restritos, hoje em dia, tendem a não dar certo.
Espero que a empresa tenha sucesso, mais por saudosismo, afinal o único vídeo-game que tive na vida era da Tec Toy, do que por qualquer outro motivo.
Utilizar a rede 3G parece-me uma boa sacada. Ao mesmo tempo que diminui a pirataria, reduz o custo de distribuição.
A esperar os resultados.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Economia do Kindle DX


Pensemos um pouco; como é possível, em uma sociedade cada vez mais letrada e na qual a informação é essencial, os jornais estarem passando por uma crise financeira nunca vista?
A resposta está na inadequação da mídia à proposta do veículo, ser um meio de informação.
Há muito, os jornais deixaram de ser fonte primária de informação. Eles são utilizados, atualmente, como passatempo dos anciãos e como suporte de colunistas opinativos. Ao grande público, todas as notícias "frescas" chegam por meios eletrônicos.
Neste cenário, não é de admirar-se que as receitas estejam declinando e o número de assinantes, cadentes. A maioria dos jovens não conseguem encontrar valor nos jornais.
É aí que entra o Kindle DX, anunciado para o terceiro trimestre, que une as vantagens da velocidade de transmissão de informações da mídia eletrônica com a comodidade de leitura do papel eletrônico (explicação de como funciona, em inglês), em uma tela de 9,7 polegadas. Podendo agradar aos jovens e aos anciãos, no lado do consumidor.
Para os produtores de conteúdo, abrem-se uma enorme oportunidade. Jornais têm um monopólio natural, daí a pouco quantidade de empresas que cada localidade pode conter, devido ao gigantesco custo de entrada. O maquinário é investimentos pesadíssimo, e os lucros, quando vêm, demoram anos para chegar. E os custos de manutenção do parque fabril e da distribuição do produto final também são muito altos.
É visando se livrar desse último que três dos principais jornais dos Estados Unidos oferecerão, segundo Kenneth Li, do Financial Times (em reportagem reproduzida pelo Valor Econômico), com desconto, os leitores eletrônicos como parte da estratégia para ampliar as receitas digitais.
The New York Times, Boston Globe e The Washington Post utilizarão, em escala experimental, o Kindle DX em regiões onde a entrega em domicílio está indisponível. Podendo ampliar a base de clientes, sem ampliar os custos de distribuição na mesma proporção, pois ela é feita através das redes operadas pelas empresas de telecomunicações que já suprem de serviços a Amazon, distribuidora do aparelho.
Este pode ser o último sopro de esperança para os grandes grupos de mídia, hoje, baseados na impressão de tinta em papel. Se funcionar, beneficiará a muitos, se não, muitos outros blogs estarão concorrendo com o meu em um futuro não tão distante.
Veremos o que ocorrerá.

terça-feira, 28 de abril de 2009

Tenologia natimorta III

Pobrezinha,mais uma para a lista.
Para que armazenar tanta informação em casa se podemos dispor dela pela internet.
Repito o que disse a respeito do Blu-Ray e do HD-DVD. Pode até servir para alguns usos muito restritos, mas não mudará um pingo na forma como assistiremos vídeo no futuro próximo.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Um dilema na energia




Um dos maiores desafios para combater o aquecimento global é mudar a matriz energética sem diminuir o bem-estar da civilização, ou, de preferência, aumentando-o. Isso requererá manter o atual padrão de uso de energia, entendido não só como a quantidade quilowatts por habitantes, mas também agregando os quesitos de constância e qualidade de fornecimento.
Quase toda a tecnologia de utilização de energia, principalmente a elétrica, é pautada por uma certo grau de previsibilidade que as chamadas fontes alternativas, de modo geral, não alcançaram. De que adianta o potencial de geração eólica do nordeste brasileiro ultrapassar o consumo de todo o país se pode ficar um dia inteiro sem ventar e o leite estragar na geladeira. O mesmo vale para os Estados Unidos, onde, segundo o World Watch Institute(original aqui), apenas os ventos de três estados poderiam suprir toda a nação.
O fato de serem facilmente estocáveis, aliado à facilidade do transporte, fez a diferença para que nossa era virasse a dos combustíveis fósseis. O mundo é, hoje, petrodependente, mas, ao contrário do que aparenta a ubiquidade das fontes de fumaça, este vício não ocorre graças à falta de poder das demais fontes.
As pirâmides egípcias foram construídas milênios antes da invenção do motor a combustão; a Holanda conquistada ao mar séculos, assim como as grandes travessias marítimas que gestaram a sociedade atual. Deste modo, há provas de que os combustíveis fósseis nem são essenciais para grandes feitos. O dispêndio de grande quantidade de energia, entretanto, é.
O Brasil é um exemplo de boa utilização de fontes renováveis, transformando a instabilidade do sol e da chuva na presibilidade dos reservatórios das hidrelétricas e tanques de álcool e biodiesel, mas a capacidade de fazê-lo está prestes a esgotar-se.
Para ampliar o uso de renováveis no matriz energética, existem dois caminhos a seguir:
  1. Construir capacidade maior do que a necessária, ampliando a redundância a um ponto em que é estatisticamente improvável que todas as fontes parem de gerar ao mesmo tempo, desabastecendo o sistema.
  2. Aproveita-se as fontes não-renováveis tradicionais para os momentos de pico de consumo.
O primeiro é apontado como o correto pelos ecologistas, temerosos do aquecimento climático antropófito ter-se tornado já irreversível. A segunda opção é a usada pelo atual modelo energético brasileiro, com as térmicas sendo ligadas em em determinadas circunstâncias.
Uma via híbrida, entretanto, pode estar surgindo com o avanço tecnológico. Aliando os picos de energia características das tecnologias renováveis com a capacidade ociosa das geradoras térmicas de suporte.
O caminho é apontado pela The Economist (artigo original aqui). Poderíamos deslocar o excesso de energia das renováveis (eles citam especificamente "fazendas de vento", mas o raciocínio é válido para as demais) para sistemas de captura de carbono do ar. O dióxido de carbono poderia ser transformado em combustíveis líquidos, como o metanol (exemplo aqui), e utilizado nas termoelétricas tradicionais. Melhoraríamos nossa segurança energética a custo climático próximo de zero.
O custo econômico ainda precisa ser calculado, acredito, contudo, que sociedades que constroem usinas para serem usadas eventualmente podem arcar com ele.

terça-feira, 7 de abril de 2009

Custos, é necessário que os calculemos corretamente


Fareed Zakaria, em seu último artigo na Newsweek, Free At Last - How to achieve genuine energy independence, faz o seguinte julgamento:

"Previous technological revolutions have been liberating. Think of the IT revolution. It created the freedom to use massive amounts of computing power in every aspect of life—from a microwave oven to an iPod. The problem with the energy revolution as it stands now is that we are essentially offering the same product—electricity, a hybrid car, a fancy new light bulb—at a higher cost. Sure, you can feel good about it. But technology revolutions are about raising efficiency, not expanding virtue. An energy revolution would produce a world in which we can all use lots of energy without worrying about its costs or consequences."

Eu discordo da essência do que ele diz. Não há um problema na revolução energética na forma como ela apresenta-se hoje. Há uma falha na perspectiva histórica do observador.
Não faz muito tempo, dizia-se dos computadores que serviam apenas para ganhar o tempo gasto para fazê-lo funcionar, ou seja, não apresentava ganho de eficiência. Agora ele está presente em quase todas as atividades, como o autor norte-americano coloca. Não criou nenhum novo artigo, porém, como dá a entender Zakaria.
O que as "revoluções" tecnológicas costumam fazer é substituir com vantagens formas de fazer. A revolução da tecnologia da informação não criou liberdade para o uso de poder computacional, nem a industrial inovou com produtos de consumo. Elas simplesmente liberaram mão-de-obra, as secretárias e demais manipuladores de formulários na primeira e os artesãos na segunda, que pode ser aproveitada em outras áreas da economia.
O fato é que as chamadas tecnologias verdes são, em sua maioria, economicamente viáveis mesmo na atualidade. É claro que não há como colocar todas em um só barco. Muitas estão em estágio avançado de desenvolvimento e outras em embrionário. Algumas precisam de muita mão-de-obra especializada, outras podem aproveitar a já existente. A especificidade é a palavra chave aqui, e aproveitar as características dos projetos onde possam vir a ser implantados dirá o quão compensadora, ou não, é a sua adoção.
Particularmente, vejo como maior entrave a curva de aprendizagem dos projetistas. Os engenheiros e arquitetos atualmente no mercado foram formados dentro do paradigma em que a energia era barata e assim permaneceria indefinidamente. Contam, além disso, com fontes constantes e confiáveis, sem as alterações que caracterizam algumas das alternativas.
A conjuntura também não é auspiciosa. A mentalidade imediatista, com raríssimas exceções, é a dominante nas finanças mundiais. Os projetos de menor custo inicial de implantação são os preferidos pela maioria dos desenvolvedores; as tecnologias mais consolidadas muitas vezes já tiveram muitos de seus custos de implantação amortizados pela replicação automática do mesmo design em diversos sítios, barateando essa fase.
Os "projetos verdes", entretanto, precisam ser feitos de acordo com as condições exatas do ambiente no qual será aplicado, tornando-os de implantação mais custosa, mas têm, como regra geral, menor custo de manutenção. Não é apenas a "superioridade moral" que impele empresas e consumidores a adotá-los; há lucros também. Maior gasto inicial e menor dispêndio no longo prazo soam bem à caixa-registradora, mas depende de maior disponibilidade de crédito para decolar. Em época de dinheiro barato e farto, há possibilidade de se optar por essa via. Não parece ser o caso.
A eficiência energética acabará por impor-se. Só não sei se mais cedo ou mais tarde.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Chegamos à era do hidrogênio

Jeremy Rifkin é desses administradores de empresas que ganham a vida escrevendo sobre como será o futuro. Publicou Era do Acesso, O fim dos empregos e O sonho europeu, entre outros, todos com um certo pessimismo quanto ao futuro do capitalismo à americana.
O vídeo a seguir poderia ser usado como uma introdução a uma palestra sua.



Se vocês assistiram ao vídeo, devem ter ficado com a mesma sensação que me afligiu quando terminei de ler A economia do hidrogênio - A criação de uma fonte de energia e a redistribuição do poder na Terra. Ficava me perguntando: mas qual é o ponto deste cara?.
O subtítulo do livro é dos mais mentirosos que já vi. A princípio, o hidrogênio não é uma fonte energia, porque não é encontrado em estado puro no universo, com exceção, talvez, nos núcleos das estrelas. Nem distribui, tampouco, o poder mundial - menção à perda de importância dos produtores de petróleo -, pois para ter-se acesso a ele é necessário gasto de energia, que nas atuais condições virá primordialmente dos hidrocarbonetos.
O hidrogênio é, portanto, apenas uma solução para a poluição local, enquanto não se conseguir limpar a matriz energética mundial. E nesse sentido, é muito bem vinda a experiência de utilização de ônibus movidos a célula de hidrogênio pela EMTU.
A região metropolitana de São Paulo é das mais prejudicadas pela poluição localizada produzida por veículos. Entre as mais prejudiciais está a dos motores diesel, que não têm combustão completa e, por isso, lança particulados no ar. Estes são extremamente irritantes às mucosas do aparelho respiratório. toda e qualquer diminuição da emissão desses particulados deve ser comemorada.
Se não muda muito o problema global, a substituição massiva dos poluentes coletivos teria um efeito bastante grande na saúde pública da região metropolitana. Deve ser, então, apoiada.
Chegamos, finalmente, à era do hidrogênio.



No vídeo abaixo um trecho do programa do canal Discovery, sobre o futuro do automobilismo, que fala sobre a melhoria na tecnologia de motores a hidrogênio.

terça-feira, 31 de março de 2009

Considerações sobre o Chevrolet Volt


Se fosse para ser revolucionário de verdade, o Volt deveria trazer inovações, o que não faz, como vimos no texto de ontem, mas o conceito do veículo tem grande chance vencer a batalha pelos bolsos dos consumidores da próxima década.
Toda a decisão de compra é baseada em motivos racionais e em sensações atribuídas ao produto, a de um carro não é diferente. Vamos aqui nos ater aos motivos racionais.
Três pontos costumam ser levados em conta:
1-Custo de aquisição
Os carros verdadeiramente elétricos têm seu preço elevado pelo conjunto de baterias que precisa possuir para ter autonomia aceitável.Os carros verdadeiramente elétricos têm seu preço elevado pelo conjunto de baterias que precisa possuir para ter autonomia aceitável. Baterias de grande capacidade têm dois dois problemas , ou são muito pesadas, se construídas pela tecnologia mais antiga (chumbo-ácido), ou são muito caras, quando utilizam tecnologia mais moderna, com metais nobres em sua composição.
Nas duas versões , o custo de produção do veículo é muito aumentada. Para transportar as pesadas baterias de chumbo-ácido seria necessário um carro com mais potência, que requereria mais carga e assim sucessivamente, levando a caminhões transportando baterias em sua traseira. Há pesquisas (leia aqui, em inglês) tentando superar os problemas desta tecnologia, mas ainda não comprovadas em escala comercial.
Já as novas baterias elevam demais o preço final. O Tesla Roadster sai, nos Estados Unidos, por cerca de 110 mil dólares, impossibilitando que seja adquirido pelo cidadão comum. A empresa promete o lançamento de um novo modelo para 2011, pela quantia, ainda longe de ser módica, de 49990 dólares.
Carros híbridos, como o Volt, contornam as limitações alimentando as baterias com um motor a combustão, que neste caso pode ser menor e mais simples por não precisar trabalhar nos regimes de cargas extremas, com acelerações e frenagens bruscas, aos quais os motores de carros convencionais são submetidos. O barateamento das baterias para híbridos, pela maior escala de produção, e motores mais baratos podem fazer o conjunto compatível com os orçamentos da famílias médias, responsáveis pela maioria das aquisições.

2-Custo de manutenção
Depende de muitos fatores, incluindo a complexidade de construção e a disponibilidade de peças, mas, nos veículos comuns, o combustível costuma ser o item que pesa mais.
Eletricidade costuma ter um preço irrisório quando comparado os combustíveis amplamente utilizados, sejam eles fósseis, como a gasolina, ou provenientes da agricultura, como o, hoje, etanol. Conta, também, com uma rede largamente difundida, que não carece de somas vultosas para construção de novas redes de distribuição, o que tem servido como uma barreira de entrada para novas tecnologias em muitas partes do mundo.
Os carros convencionais são, geralmente, de manutenção mais cara também no quesito peças de reposição. Pelo maior número de itens móveis, há mais substituições de partes durante a vida útil do veículo e maior complexidade dos reparos executados.
Os híbridos localizam-se intermédio no custo de manutenção, nem tão barato quanto os elétricos, nem tão caro quanto os convencionais.

3-Confiabilidade
A tecnologia convencional tem um século de história para mostrar. A híbrida, uma década. A elétrica, apesar de ter sido utilizada nos primórdios da indústria e ter contado com visitações aqui e ali, ainda não foi provada com fabricação massiva.

A combinação dos três quesitos, nos quais não é nunca campeã, mas ocupa um honroso segundo lugar, torna a tecnologia híbrida competitiva e provável vencedora da disputa.
Essa é uma marca das tecnologias normalmente adotadas em larga escala. Na maioria das vezes o bom é melhor do que o ótimo, e o menos inovador impõe-se sobre o que parecia muito promissor. Tudo é uma questão de momento da adoção. E parece que o momento da próxima década será favorável aos híbridos.
O Volt tem o mérito de ser a tecnologia certa no lugar exato. Contará, porém, com concorrentes mais experientes, já existem versões "plg-in" de híbridos japoneses, e desconfianças quanto à viabilidade da produtora e a capacidade dela garanti-lo.
Vê-lo com salvador da pátria é, ao meu ver, um despropósito por parte da General Motors. Alguma outra novidade precisa ser agregada. Que tal motores stirling para alimentar as baterias?

sexta-feira, 27 de março de 2009

Retorno às fibras naturais

Houve um tempo em que o beneficiamento das fibras naturais representavam a quase totalidade das manufaturas do mundo. A sofisticação da indústria mudou esse quadro, na atualidade há um sem número de artigos sendo fabricados no mundo, com a manipulação de matérias primas de várias fontes, como a mineração e a química fina. O quadro, entretanto, foi um tanto distorcido pela pela fé da Humanidade, ou boa parte dela, na superioridade dos materiais produzidos pelo Homem sobre os fornecidos pela natureza.
Como costuma acontecer com as tendências, estamos vendo agora a reversão. O natural está sendo cada vez mais valorizado e as qualidades provenientes das plantas estão sendo redescobertas. Certas empresas, como a Pematec, já estão surfando está nova onda, e mais virão. Como país, o Brasil só tem a ganhar com isso.
Com seu imenso potencial agrícola, cada inovação no campo do uso de material proveniente das plantas gera um potencial aumento significativo da renda nacional. Já tratei deste tema, citando soluções que estavam sendo adotadas à época. Muitos mais exemplos podem ser mostrados.
Popularizada no setor automotivo, como substituto à fibra de vidro, o curauá, hoje, é uma alternativa consolidada como insumo industrial, tornando a fibra excassa.
Mesmo trajeto tomou a utilização da fibra de coco. Há pesquisas (para conhecer algumas, clique aqui e aqui) para várias aplicações do material, hoje um transtorno para os sistemas de saneamento das grandes cidades, embora seu primeiro sucesso de uso industrial em larga escala tenha sido como integrante de bancos automotivos.
Outros países também estão investindo neste filão, contando até com expertise nacional. O pesquisador brasileiro Leonardo Simon é um dos que vem atuando no exterior. Ele, segundo André Borges, no Valor Econômico de 24/03/2009, coordena, desde o ano passado, uma equipe de 19 pesquisadores dentro do projeto BioCar, do centro de pesquisas canadense CTT.
A linha de pesquisa promissora utiliza a palha do trigo para substituir partes de plástico usadas nos carros, de maneira semelhante ao feito no Brasil com o curauá e o coco. Borges escreve que a " proposta é usar uma parte da planta que, durante a colheita do trigo, é desprezada pelos agricultores. "Essa palha normalmente fica na própria lavoura, é um resíduo da agricultura", diz Simon. "Na China, o hábito das pessoas é queimar a palha do trigo."
A ideia é que, após ser moída e transformada em uma espécie de farinha, a palha do trigo seja misturada ao polipropileno. Com a fibra da planta, é possível reduzir o uso de outras substâncias usadas na composição do plástico, como o talco e o carbonato de cálcio, que são mais pesados. Além de resultar em peças mais leves, diz Simon, a palha de trigo pode reduzir o preço dos componentes e oferecer peças mais resistentes que as tradicionais.
"
A palha poderia significar até 40% do peso das peças plásticas do veículo, que é de 200 quilos, normalmente. Muitas empresas, entre elas a Ford, financiam o projeto, junto com a província de Ontário. Acredita-se que em 3 anos a inovação chegará ao mercado.
Como vemos, é possível extrair mais valor da atividade agrícola através de sua sinergia com os demais setores econômicos. O que não podemos é ficarmos deitados em berço esplêndido, esperando que as commodities valorizem em Chicago. Valorizemo-as nós, em Paranavaí, em Apucarana, em Belém e em Bonito, para usufruirmos de um bom padrão de vida.

quinta-feira, 26 de março de 2009

Lagos assassinos ou mortais

Vista aérea do Nyos, palco do maior desastre provocado por liberação de gases de um lago do qual se tem notícia

Informação é tudo, como diriam os assessores. Nunca me importei muito com a quantidade de leitores deste blog, já que sempre o encarei como um exercício de opinião e não como um site de referência. Instalei, porém, o Google Analytics há dois dias e descobri que 60% do meu tráfego provém de apenas uma postagem, esta. O problema é que este público anormal está sendo vítima de um engano, causado pela posição inesperadamente alta da página na pesquisa do Google. Ele está procurando informação científica onde há apenas análise política amadora. Para sanar este desserviço aos que não são meus leitores, abrirei uma exceção e tentarei fazer nesta postagem uma página de referência, com toda a informação que eu puder encontrar a respeito destes lagos africanos.

Vamos lá, então: os lagos Nyos, Monoun e Kivu são caracterizados por uma alta concentração de gases dissolvidos.
Os três lagos são vulcânicos, ou seja, são espelhos d'água sobre chaminés de algum vulcão ativo. Para que haja a formação do lago, é necessário um balanço correto entre fluxo de calor proveniente do vulcão e o resfriamento pela atmosfera, mantendo o gradiente de evaporação equilibrado com o suprimento de água proveniente das chuvas ou rios, e , portanto, o lago.
Emanações vulcânicas concentram-se nos segmentos profundos destes lagos, com variadas composições, dependendo dos componentes das rochas e magma abaixo deles. A solubilidade do dióxido de carbono, principal gás causador dos desastres, permite que um lago possa dissolver um volume deste mais de 5 vezes superior ao seu volume de água (para quem entender química, aqui há os cálculos, para mim é grego).
Os gases são mantidos submersos devido à pressão exercida pela coluna d'água das camadas superiores sobre as inferiores, onde os gases acumulam-se, em um processo similar ao que mantém a concentração de carbonato nos refrigerantes. A solubilidade do gás carbônico e dependente da temperatura, levando a diferenças desta entre as profundidades do lago. Quanto mais saturada estiver a água, mas densa ela fica, levando à extratificação da coluna d'água. O fato das camadas inferiores e superiores dos lagos não se misturarem permite que ocorra um tamponamento.
O processo, entretanto, é dinâmico. Se há um distúrbio nas camadas de água do lago, pode ocorrer uma reação em cadeia na qual o dióxido de carbono dissocia-se da solução e forma bolhas de gás. Estas se aglutinam e sobem à superfície, levando junto a si mais gás enquanto emergem. Este processo é chamado de erupção limnética, ou límnica (o nome vem limnologia, estudo científico das extensões de água doce), devida às similaridades entre as erupções causadas pelos gases ascendentes e as vulcânicas.
As causa da erupção, que é chamada, também, pelo termo inglês "lake overturn", podem ser mudança do gradiente de temperatura das camadas (aquecimento da camada profunda ou resfriamento das camadas superiores) do lago, injeção de fluídos mais aquecidos (como lava ou torrentes quentes), chuva (tornando as camadas superiores mais densas), ventos violentos, deslizamentos de terra e terremotos. Elas, como vemos, são bastante comuns em regiões vulcânicas, daí a preocupação quando a possibilidade de ocorrerem desastres repetidos. Iniciativas de desgaseificação estão ocorrendo, como a do Nyos, mostrado no esquema da figura ao lado.
Apesar de não ter apresentado uma liberação gasosa comprovada cientificamente e ser, aparentemente, bastante estável, o Lago Kivu tem o maior potencial catastrófico, pois, ao contrário dos outros dois, suas margens são densamente povoada (mais de 2 milhões de habitantes vivem nelas) e seu volume é muito grande, podendo diluir, calcula-se, até 200 quilômetros cúbicos de gás carbônico. Como há metano associado, experimentos estão sendo feitos para utilizar o lago como provedor da energia necessária para o desenvolvimento das áreas circulantes, formadas por dois países com sérios problemas econômicos e conflitos sociais, Congo e Ruanda. Juntaria-se, assim, a prevenção de acidentes à geração de renda.

quinta-feira, 12 de março de 2009

Sonho de consumo



Se eu tenho um sonho de consumo no momento, este é o Kindle. Uma biblioteca às mãos em todo o lugar e livre do peso, sem precisar enfrentar o trânsito paulistano - ou qualquer outra cidade grande do Brasil, as únicas que nos brindam com acesso às livrarias-, ou a espera da entrega. O que mais poderia querer?
Bem, posso querer que exista a disponibilidade do produto por aqui, ou à biblioteca ampla de possibilidades.
Talvez, lá para o ano 2015, tenhamos algo assim por aqui. Temos que ter esperança, afinal dizem que o "gap" digital está diminuindo. Quem sabe?
Aos usuários do Iphone há uma luz no fim do túnel, como diz a reportagem da Reuters veiculada pelo Valor Econômico : "A Amazon.com está distribuindo um software que permite aos usuários do iPhone e do iPod Touch, produzidos pela Apple, acessarem em seus aparelhos livros eletrônicos disponíveis para o Kindle, o leitor de livros lançado pela companhia de varejo on-line. O software gratuito, disponível na loja on-line da Apple, permite que os usuários sincronizem o leitor de livros da Amazon com iPhones e iPods Touch, dando a eles acesso a mais de 240 mil obras disponíveis para o Kindle. Com o programa "Kindle for iPhone and iPod Touch", um usuário pode ler algumas páginas de um livro no Kindle ou Kindle 2 e continuar lendo de onde parou no iPhone ou no iPod Touch". Aos simples mortais, contentem-se em esperar.

domingo, 8 de março de 2009

Tecnologia pré-colombiana

Edward McBride, correspondente para Energia e Ambiente da revista The Economist, fez uma extensa reportagem sobre a destinação e manejo do lixo. Ela foi lançada na penúltima edição, e pode ser lida na íntegra aqui. Se preferir, ouça um resumo.
Nela, descobriu que muitos estão conseguindo transformar lixo em um recurso. Em uma tradução livre, diz algo mais ou menos assim, que colocarei pretensiosamente entre aspas. "Muito dele [lixo] já é queimado para gerar energia. Tecnologias mais inteligentes que transformam-no em fertilizantes ou químicos ou combustível estão sendo desenvolvidos o tempo todo. Visionários vêem um futuro no qual coisas como rejeitos domésticos e fezes de porcos irão prover o combustível para carros e casas, afastando a necessidade dos sujos combustíveis fósseis. Outros imaginam um mundo sem lixo, com rejeitos sendo rotineiramente reciclados".
A resposta, talvez, não esteja no futuro, mas no passado amazônico. Atende pelo nome de Terra Preta de Índio, uma tecnologia pré-colombiana que ninguém sabe exatamente como reproduzir, mas cujos efeitos estão à vista dos caboclos amazônicos há séculos.
Fiona Harvey, do Financial Times, reproduzido pelo Valor Econômico de quinta-feira, (assinante, leia aqui), relatou mais sobre esta esperança dos ecologistas. Ela seria:" Densa, rica e argilosa, representa um contraste gritante com os solos pobres da região[amazônica]. Parece paradoxal, mas os solos da floresta tropical têm baixa fertilidade."
Ela continua, dizendo que a terra preta "agora é objeto de intensas investigações de cientistas que estudam as mudanças climáticas. A tenacidade do carvão da terra preta, retendo suas propriedades fertilizantes ao longo dos séculos" fez os cientistas buscar reproduzi-la utilizando os modernos avanços científicos.,
O biocarvão, componente já identificado do composto tem características que encaixam-se perfeitamente com as necessidades apontadas por McBride na The Economist para o uso correto dos rejeitos. Fiona aponta que, o mateiral:"Quando é produzido, cerca de 30% de sua biomassa é transformada em carvão, outro terço em gás de síntese que pode ser queimado para gerar eletricidade; e o restante em um substituto do petróleo bruto, que pode ser muito útil na produção de plásticos, embora de difícil uso como combustível para transporte. Tim Flannery, um eminente naturalista e explorador australiano, argumenta que essas propriedades do biocarvão permitem "resolver três ou quatro crises cruciais de uma só vez: a crise da mudança climática, a crise energética e as crises dos alimentos e da água", porque colocar o biocarvão no solo não apenas o fertiliza, mas também ajuda a reter água"
"A quantidade de biocarvão a ser produzida depende da aceleração ou desaceleração no processo de pirólise: métodos rápidos produzem 20% de biocarvão, 20% de gás de síntese e 60% de bio-óleo, ao passo que métodos lentos produzem cerca de 50% de biogás e quantidades bem menores de óleo. "É também muito mais fácil tornar mais lenta a pirólise", diz Adrian Higson, do Conselho Nacional Britânico de Colheitas Não-alimentícias. "E mais barato". Como as modernas usinas, a pirólise pode ser alimentada exclusivamente com gás de síntese, a produção fica entre três e nove vezes o insumo energético necessário, segundo o Instituto de Governança e Desenvolvimento Sustentável"
Temos, então, um produto que os índios já sabiam ser o ideal para nós. Basta utilizá-lo. Honraremos os ancestrais, beneficiaremos o meio-ambiente e, vejam só, ganharemos dinheiro,

sexta-feira, 6 de março de 2009

Sustentabilidade é isso aí

Vejam este vídeo:


E depois esse:


Meu velho Anuário Agrícola indica que, em 1988, os técnicos da Epagri, em Maria da Fé, já pesquisavam, há anos, seu cultivo. Temos, então, mais de duas décadas de pesquisa apenas dedicada à oliveira mineira.
De que adianta, porém, conseguir melhorar as tecnologias de produção se os terrenos que poderia ser utilizados para plantar estão agora fora da lei?
Vai restar a este povo todo a opção do vídeo abaixo, ficar remoendo os velhos tempos da roça. Em um grande centro urbano.
Isso tudo para preservar algo que não existe mais a séculos.
O resultado será o que todos conhecemos, em toda a terra devoluta ou pública brasileira, deixada à margem da integração econômica, há ou conflitos fundiários ou desmatamento criminoso.
Impedimos os atuais agricultores de trabalhar para dar serviço aos policiais e cangaceiros do futuro. Bela troca , verdadeira prova de desenvolvimento sustentável.

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Aguapé: a mão na roda

Voltando ao velho Anuário Agrícola. Quando do lançamento da publicação, o que mais me impressionou ao ler sobre as diversas culturas brasileiras foram as diversas qualidades do aguapé. Segundo ela, essa planta era a de maior capacidade de fotossíntese entre as conhecidas. Tem, ou tinha - não sei se encontraram outra ainda mais eficiente -, portanto, a maior capacidade de usar energia solar para produzir matéria orgânica, através da fixação do gás carbônico.
Nem imaginava-se a possibilidade do etanol celulósico, porém a cultura já era vista como promissora em agroenergia. Cálculos da companhia energética Cesp, à época, diziam que 10% das represas de Americana, Billings, Barra Bonita e Bariri, caso utilizadas para cultivo de aguapés, forneceriam colheitas diárias de 14211 toneladas da planta, que poderiam produzir energia equivalente a 293000 litros de petróleo (aproximadamente 1800 barris), em uma proporção de 32 metros cúbicos por tonelada, com 65% de metano em sua composição. Pouquíssimo para uma área tão grande, poderia qualquer um dizer, mas vindo de uma área impossibilitada de uso por contaminação por material orgânico, onde os aguapés florescem, parece um presente dos deuses.
Notem que aqueles eram tempos pré-ecochatimos e Rio-92, nos quais as intenções das pesquisas eram apenas prover o Brasil com recursos naturais então escassos, água limpa e combustíveis, mas hoje já se imaginam muitos outros usos para a planta, como este e este, com ênfase nas reduções de custo do tratamento de efluentes, um dos programas sanitários em que o Brasil está mais atrasado.
Resta, contudo, ainda a alternativa da exploração energética. Demanda pelo gás há. O Brasil importa da Bolívia 24 milhões de metros cúbicos diários, ou, caso mantidos os mesmos parâmetros de eficiência de 20 anos atrás, mais de 16 milhões de toneladas de aguapé. Número aparentemente impossível de ser alcançado, pois representa o uso de algo como 28 milhões de hectares para a cultura, considerada a produtividade de 200 toneladas por hectare por ano, algo como 4 vezes a área utilizada pela cana. O que equivale a dizer que, caso fosse incentivada, a produção teria mercado cativo.
Os serviços ambientais potenciais são, porém, a melhor atração atual da planta. Retirando o carbono atmosférico eficientemente, filtrando a matéria orgânica dos cursos d´água e sendo utilizada como adubo orgânico e cobertura vegetal de solos utilizados para outras culturas, ela pode servir para diminuir a insustentabilidade da relação rural-urbana, que apenas retira nutrientes do primeiro e não os devolve, fazendo da suplementação de adubação química imprescindível. Consorciado com a piscicultura, suprir parte da proteína consumida pela humanidade. A energia é, neste contexto, um bônus.
Nossas fauna e flora nativas oferecem-nos potencial imenso para que lidemos com os problemas, atuais e futuros. Cabe-nos saber aproveitar as oportunidades e criar as tecnologias necessárias. Esperar que outros façam isso por nós apenas fará a dependência externa agudizar-se. É o que queremos?

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Energia solar no Brasil

O Estadão de ontem trouxe uma reportagem sobre o potencial energético solar do Brasil. Comenta que o que impede a ampla utilização dela é o alto custo de captação da mesma. Que há um custo maior de captação é inegável, mas que isso seja um empecilho para a utilização desta forma de energia, abundante no Brasil, é discutível.
Quando entramos na seara de matriz energética, devemos analisar vários aspectos, não apenas a geração. E o custo não é apenas financeiro, mas de várias matizes. Se o custo de captação solar é alto, outros são minimizados, como a distribuição e transmissão.
Os gigawatts provenientes do rio Madeira precisarão atravessar milhares de quilômetros enquanto células fotovoltáicas podem ser instaladas nos telhados das residências que utilizarão a carga. Essa lógica já é utilizada no programa "Luz para todos" do governo federal, que é refratário a utilização dessa forma de energia em larga escala, como pode ser observado no vídeo abaixo.



Essa peculiaridade torna o argumento de falta de economicidade do processo fotovoltáico bastante fraco. Computados os preços realmente pagos pelo consumidor final residencial, a solar já é mais barata do que a fornecida pelas distribuidoras de energia elétrica da grande maioria das regiões metropolitanas. O custo de implantação, porém, é um fator importante, pois, devido aos altos juros praticados no país, a amortização do investimento inicial é bastante demorada. O mesmo vale para a substituição de aquecedores elétricos por solares. A falta de poupança das famílias brasileiras responde, então, pela pouca aderência às tecnologias.
Políticas públicas podem ser eficientes em reverter a tendência de preferência por grandes obras que, a primeira vista, parecem melhores para a economia do país. Descentralização da geração elétrica é uma forma eficaz e inteligente de proteger estrategicamente o país. Um simples míssil pode destruir 20% da capacidade hidrelétrica brasileira, personificada em Itaipú, mas seriam necessárias milhares, na forma de ataques a toda uma população civil, se cada telhado brasileiro tivesse sua célula fotovoltáica instalada.
Além da evidente melhoria da segurança, a qualidade ecológica da geração também seria melhorada. Os gases estufa das termoelétricas seriam evitadas, restando essas usinas como última instância, ao contrário do que ocorre hoje. Os períodos de estiagem não comprometeriam tanto os reservatórios do sistema, por aumento da insolação e, conseqüente, geração solar.
Custos financeiros, como vemos, não é a única forma de avaliar-se um empreendimento. Muitas vezes não é nem mesmo o melhor. Parece-me que este é o caso aqui. O Brasil têm uma obrigação quase religiosa de aproveitar a potencialidade que a natureza nos oferece. Se dizem que Deus é brasileiro, o Sol deve nos aparecer todos os dias por uma razão maior do que bronzear as garotas de Ipanema.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Desperdiçando desenvolvimento II

Já defendi nesta página que o Brasil pode não ter alcançado um grau maior de desenvolvimento social devido à abundância relativa de mão-de-obra, que teria causado uma cultura de desvaloração do trabalho, agravada, mesmo após o seu fim, pela escravatura. O, atualmente, deputado Paulo Renato de Souza defendeu, em sua tese de doutorado, que a grande massa de migrantes do meio rural para os centros urbanos em processo de industrialização foi o fator que permitiu a compressão salarial, na terminologia cara aos sindicalistas.
É claro, entretanto, que a escassez não é um garantia de desenvolvimento. Caso isso fosse verdadeiro, os países localizados no Saara seriam os mais desenvolvidos do mundo. O encarecimento relativo aos outros preços da economia, no entanto, leva a um melhor aproveitamento de qualquer recurso e, freqüentemente, a avanços tecnológicos poupadores do mesmo. De certa forma, estamos, no Brasil, sendo vítimas dessa poupança.
Tecnologias vindas dos países desenvolvidos, nos quais há escassez estrutural de mão-de-obra, são adotadas aqui onde há falta de empregos para a população jovem que entra na população economicamente ativa a cada ano. O pior é que contribuímos para isso com uma lei trabalhista que torna um empregado um investimento maior do que um equipamento. Enquanto uma máquina custa o valor que se paga por ela e mais manutenção, um humano custa para ser encontrado, mantido e dispensado, com um adicional de risco judicial enorme.
Deve-se, portanto, neste momento de reflexão sobre o futuro, que caracteriza os primeiros dias do ano, pensar uma maneira de impedir que nosso capital humano fique ocioso. A reforma trabalhista é, mais do que qualquer outra, a essencial agora. Como ela não é de interesse dos sindicatos organizados que mandam no governo, continuaremos desperdiçando nosso fundo de serviços.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Tenologia natimorta: uma atualização

Em 7 de julho de 2006, escrevi que a distribuição de vídeos em discos ópticos estava com os dias contados. A julgar por este artigo (em inglês) o médio prazo que eu imaginava chegou mais cedo.
Notem que lá esta demonstrado que mesmo um aparelho pensado para ser um tocador de blu-ray já traz em si o reconhecimento da capitulação da tecnologia, pois ela é, na verdade, apenas um outro modo de obter-se o principal, o filme (chamá-lo assim não passa de um anacronismo, pois o filme em si, ou película, também foi afastado do processo) especificamente.
Espero que não tenhamos que esperar, novamente, uns 10 anos para que as inovações cheguem a nós.

sexta-feira, 7 de julho de 2006

Tecnologia natimorta

Com a chegada às lojas dos primeiros títulos gravados em discos Blu-ray, começa uma sangrenta batalha para a definição do padrão que dominará a gravação comercial de audiovisual pelos próximos anos. O concorrente é o Hd-dvd.
Mas não importa quem saia vencedor, será uma vitória de Pirro. A tecnologia já nasce natimorta para o uso em grande escala, sobrará o seu uso para a gravação de documentos que precisam de grande confiabilidade e que devam ser menos sujeitos à fraude.
Com as melhorias em confiabilidade, custo e velocidade dos meios de transmissão de dados digitais e também dos de gravações domésticas (principalmente discos-rígidos de alto-desempenho) o resultado já está decidido a médio-prazo.
O consumidor comprará uma licença de uso e baixará do material quando quiser assisti-lo ou simplesmente o guardará em disco-rígido, como os usuários de tocadores de mp3 já fazem.
Serão pouquíssimos os que manterão espaço físico reservado para os numerosos discos, até mesmo pela falta de praticidade, e este deverão formar um nicho de mercado caro e exclusivo – como é o de colecionadores de LPs, por exemplo.
Até os maiores incentivadores do uso destas novas mídias de gravação acabarão por preferir a transmissão de dados digitais. Se no momento o Blu-ray e o Hd-dvd são as esperanças por parte dos estúdios de Hollywood e dos grandes distribuidores (Majors) de conter a pirataria, em pouco tempo serão também alvos desta.
A única forma que as Majors terão para diminuir a incidência de produtos piratas será através da fórmula que salvou a indústria de softwares: estreitamento do relacionamento com o cliente final, melhoria contínua do produto e campanhas de conscientização.
A estratégia da industria de informática teve resultados diferentes em contextos culturais variados, mas de um modo geral incentivou a venda das tais licenças mundo afora.
Caso sejam bem-sucedidas as grandes distribuidoras da indústria cinematográfica terão fortalecido seu negócio, com distribuição mais ampla e barata. Se não, serão mais outra lembrança saudosa nos museus do futuro.