Parece que alguém teve idéia similar à minha para o uso do papel sintético.
Desejo sinceramente que prospere a iniciativa da Fundação Paula Souza. Tanto para poder dizer mais um eu já sabia quanto para ver meus impostos sendo bem empregados.
Apenas alguns pensamentos sobre as coisas que acho que sei ou sobre as quais não tenho a mínima idéia
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domingo, 25 de abril de 2010
quarta-feira, 12 de agosto de 2009
quinta-feira, 23 de abril de 2009
Fazendo o errado da melhor maneira possível
Já que há o limão e a sede, que façamos o suco com carinho.
Os estadunidenses têm uma visão errada de sua própria economia. Acreditam que o Estado participa pouco, que estão em uma ilha de liberalismo em um mar de socialistas. Esquecem-se que seu maior complexo industrial é o militar, bancado basicamente com recursos públicos, e que de lá saem a maioria das inovações tecnológicas. O custo, porém, é gigantesco. Eles gastam com o aparato bélico mais do que todas as outras nações em conjunto, e não estão garantindo seus objetivos.
Como vivem iludidos, o keynesianismo surge, ao que parece, como a solução para crise. As tentativas para salvar a economia de lá descambarão para intervencionismo estatal generalizado. E nada leva a crer em melhores resultados serão alcançados. Os Estados são intrinsicamente ineficientes. Toneladas de dólares foram despejados nos bancos, e ... nada. Bilhões para as montadoras, e ... adiadas as concordatas, que, certamente, virão.
Neste quadro de intervenção, o melhor a fazer é carrear os recursos para as novas tecnologias. A idéia de Obama de usar os fatores de produção excedentes neste momento de recessão para ter energia elétrica sobrando na retomada é o melhor que se pode fazer.
Serão quilowatts a custo de ouro, mas é melhor isso a abrir buracos para tapá-los mais tarde. Nossos luláticos querem apenas aumentar os gastos correntes. Quem parece ter mais razão?
Os estadunidenses têm uma visão errada de sua própria economia. Acreditam que o Estado participa pouco, que estão em uma ilha de liberalismo em um mar de socialistas. Esquecem-se que seu maior complexo industrial é o militar, bancado basicamente com recursos públicos, e que de lá saem a maioria das inovações tecnológicas. O custo, porém, é gigantesco. Eles gastam com o aparato bélico mais do que todas as outras nações em conjunto, e não estão garantindo seus objetivos.
Como vivem iludidos, o keynesianismo surge, ao que parece, como a solução para crise. As tentativas para salvar a economia de lá descambarão para intervencionismo estatal generalizado. E nada leva a crer em melhores resultados serão alcançados. Os Estados são intrinsicamente ineficientes. Toneladas de dólares foram despejados nos bancos, e ... nada. Bilhões para as montadoras, e ... adiadas as concordatas, que, certamente, virão.
Neste quadro de intervenção, o melhor a fazer é carrear os recursos para as novas tecnologias. A idéia de Obama de usar os fatores de produção excedentes neste momento de recessão para ter energia elétrica sobrando na retomada é o melhor que se pode fazer.
Serão quilowatts a custo de ouro, mas é melhor isso a abrir buracos para tapá-los mais tarde. Nossos luláticos querem apenas aumentar os gastos correntes. Quem parece ter mais razão?
sexta-feira, 6 de março de 2009
Sustentabilidade é isso aí
Vejam este vídeo:
E depois esse:
Meu velho Anuário Agrícola indica que, em 1988, os técnicos da Epagri, em Maria da Fé, já pesquisavam, há anos, seu cultivo. Temos, então, mais de duas décadas de pesquisa apenas dedicada à oliveira mineira.
De que adianta, porém, conseguir melhorar as tecnologias de produção se os terrenos que poderia ser utilizados para plantar estão agora fora da lei?
Vai restar a este povo todo a opção do vídeo abaixo, ficar remoendo os velhos tempos da roça. Em um grande centro urbano.
Isso tudo para preservar algo que não existe mais a séculos.
O resultado será o que todos conhecemos, em toda a terra devoluta ou pública brasileira, deixada à margem da integração econômica, há ou conflitos fundiários ou desmatamento criminoso.
Impedimos os atuais agricultores de trabalhar para dar serviço aos policiais e cangaceiros do futuro. Bela troca , verdadeira prova de desenvolvimento sustentável.
E depois esse:
Meu velho Anuário Agrícola indica que, em 1988, os técnicos da Epagri, em Maria da Fé, já pesquisavam, há anos, seu cultivo. Temos, então, mais de duas décadas de pesquisa apenas dedicada à oliveira mineira.
De que adianta, porém, conseguir melhorar as tecnologias de produção se os terrenos que poderia ser utilizados para plantar estão agora fora da lei?
Vai restar a este povo todo a opção do vídeo abaixo, ficar remoendo os velhos tempos da roça. Em um grande centro urbano.
Isso tudo para preservar algo que não existe mais a séculos.
O resultado será o que todos conhecemos, em toda a terra devoluta ou pública brasileira, deixada à margem da integração econômica, há ou conflitos fundiários ou desmatamento criminoso.
Impedimos os atuais agricultores de trabalhar para dar serviço aos policiais e cangaceiros do futuro. Bela troca , verdadeira prova de desenvolvimento sustentável.
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009
Cemitério do bom senso
Já foi tema de livro, mas não custa lembrar. Lixo é um patrimônio valiosos que não estamos sabendo aproveitar. O arquipélago de detritos mostrado no vídeo abaixo, do Fantástico, com a linda apresentadora a ocultar um pouco da horripilância das cenas, demonstra que estamos jogando fora o nosso bom senso.
O uso de embalagens descartáveis tem, também, razões sanitárias e de identificação do produto, mas a principal razão para a sua adoção foi a de redução de custos. Com o aumento dos salários nos países mais ricos, tornou-se anti-econômico a venda avulsa, a granel, feita durante milênios pelos comerciantes. As máquinas embaladoras conseguiam diminuir o número efetivo de funcionários da cadeia, fosse ela na indústria ou no comércio, beneficiando compradores e vendedores.
Toda a ação econômica tem, porém, externalidades. A desse processo foi o aumento exponencial de resíduos sólidos produzidos pela nossa civilização, e ele está se acelerando devido à entrada no consumo de massa de milhões de pessoas anualmente.
Teremos que repensar o meio de comercialização de nossas necessidades, melhorar o reuso dos recursos ou, e provavelmente a melhor solução, fazer os dois. Para isso, a externalidade negativa deve ser taxada de alguma maneira, de modo que fique mais barato utilizar os resíduos do que depositá-los na natureza indistintamente.
E a grande vantagem vira do número de empregos gerados no processo. Durante esses tempos de marola, é algo que não pode ser deixado de lado, ou mesmo jogado ao mar.
O uso de embalagens descartáveis tem, também, razões sanitárias e de identificação do produto, mas a principal razão para a sua adoção foi a de redução de custos. Com o aumento dos salários nos países mais ricos, tornou-se anti-econômico a venda avulsa, a granel, feita durante milênios pelos comerciantes. As máquinas embaladoras conseguiam diminuir o número efetivo de funcionários da cadeia, fosse ela na indústria ou no comércio, beneficiando compradores e vendedores.
Toda a ação econômica tem, porém, externalidades. A desse processo foi o aumento exponencial de resíduos sólidos produzidos pela nossa civilização, e ele está se acelerando devido à entrada no consumo de massa de milhões de pessoas anualmente.
Teremos que repensar o meio de comercialização de nossas necessidades, melhorar o reuso dos recursos ou, e provavelmente a melhor solução, fazer os dois. Para isso, a externalidade negativa deve ser taxada de alguma maneira, de modo que fique mais barato utilizar os resíduos do que depositá-los na natureza indistintamente.
E a grande vantagem vira do número de empregos gerados no processo. Durante esses tempos de marola, é algo que não pode ser deixado de lado, ou mesmo jogado ao mar.
terça-feira, 24 de fevereiro de 2009
Emprego, uma questão chave
As preocupações com relação ao futuro dos empregos é, nestes tempos de marola supernutrida, uma coisa natural, mas, ao que parece, as soluções para empregar mais pessoas não podem ser obrigar empresas a manter funcionários a ferro e fogo.
A repercussão das demissões da Embraer mostram a utilização política de assuntos totalmente econômicos, e isso não leva a nada bom, ou melhor, a nada bom para o conjunto da sociedade, pois uma casta de beneficiados sempre há.
Há, no Brasil, a fantasia de que o emprego é do funcionário e a empresa empregadora, personificado pelo empresário ou executivo, deseja sempre subtrai-lo por pura maldade. Essa visão não é apenas infantil, é também deletéria para o funcionamento do capitalismo.
A partir do momento em que não se pode demitir, evita-se contratar também. É um padrão observado mundialmente; países com relações trabalhistas rígidos têm altas taxas de informalidade e desemprego.
Não que eu esteja defendendo o vale tudo, com exploração ou trabalho escravo, porém nossa legislação trabalhista só serve para inchar a conta bancária de sindicalistas e carrear recursos para o governo fazer mal uso, como as contas previdenciárias que rendem menos do que a poupança e não se revertem em infraestrutura de qualidade.
Não fazer o que não sabe é sempre uma boa dica; evitar dar palpite onde não tem competência é melhor ainda. O governo e os sindicalistas não conseguem gerenciar nada, além da luta política, de modo minimamente eficiente, por que deveriam ser ouvidos nos momentos de demissão?
observação 1: Façam o que eu digo, mas não o que faço. É o meu comentário a respeito do primeiro período do último parágrafo.
observação 2: Segue abaixo o programa "Sem Fronteiras", da Globo News, tratando da crise mundial do emprego.
A repercussão das demissões da Embraer mostram a utilização política de assuntos totalmente econômicos, e isso não leva a nada bom, ou melhor, a nada bom para o conjunto da sociedade, pois uma casta de beneficiados sempre há.
Há, no Brasil, a fantasia de que o emprego é do funcionário e a empresa empregadora, personificado pelo empresário ou executivo, deseja sempre subtrai-lo por pura maldade. Essa visão não é apenas infantil, é também deletéria para o funcionamento do capitalismo.
A partir do momento em que não se pode demitir, evita-se contratar também. É um padrão observado mundialmente; países com relações trabalhistas rígidos têm altas taxas de informalidade e desemprego.
Não que eu esteja defendendo o vale tudo, com exploração ou trabalho escravo, porém nossa legislação trabalhista só serve para inchar a conta bancária de sindicalistas e carrear recursos para o governo fazer mal uso, como as contas previdenciárias que rendem menos do que a poupança e não se revertem em infraestrutura de qualidade.
Não fazer o que não sabe é sempre uma boa dica; evitar dar palpite onde não tem competência é melhor ainda. O governo e os sindicalistas não conseguem gerenciar nada, além da luta política, de modo minimamente eficiente, por que deveriam ser ouvidos nos momentos de demissão?
observação 1: Façam o que eu digo, mas não o que faço. É o meu comentário a respeito do primeiro período do último parágrafo.
observação 2: Segue abaixo o programa "Sem Fronteiras", da Globo News, tratando da crise mundial do emprego.
domingo, 8 de fevereiro de 2009
Caminho certo
A reportagem acima trata do papel sintético. Normalmente, eu não defenderia aqui um material que utiliza derivados de petróleo em detrimento de um da agricultura, mas abrirei uma exceção. Isso se dá, principalmente, porque o produto tem todas as característica da minha defesa da valorização do patrimônio e do nível de emprego. É proveniente da reciclagem, poupa insumos importantes, no caso água e energia, e pode gerar produtos mais duradouros.
Apesar de ser usado a séculos como repositório do conhecimento humano, o papel celulósico é uma mídia muito frágil. Não sobrevive à umidade, aos fungos,aos insetos e ao fogo, fazendo com que as bibliotecas, ao menos as bem estruturadas, sejam de manutenção bastante custosa. A popularização da tecnologia pode fazer com esse custo caia muito. Ambiente mais úmido protegeria de incêndios, a tolerância natural do plástico às demais ameaças aos livros faria o resto do trabalho. Muitas cidades carentes poderiam ter seus acervos Brasil afora. A durabilidade também faria o custo dos programas de fomento à leitura reduzirem-se a longo prazo.
Além dos ganhos adicionais da melhor utilização das resinas plásticas que seriam de outra maneira descartada, a externalidade do emprego de grande massa de recicladores seria muito útil no momento em que há pouco incentivo ao reuso de embalagens, e, portanto, do serviço que gera renda a uma população pouco instruída e de difícil empregabilidade, que de outra forma teria sua renda restrita aos diversos programas públicos de transferência de renda. A opção atual, o papel proveniente de celulose de eucalipto ou pinus, garante renda para a agricultura, mas pouco emprego.
Como vê-se, esta tecnologia nacional de utilização de rejeitos pode e deve ser empregada para a melhoria da vida da população. O tempo dirá se será.
segunda-feira, 26 de janeiro de 2009
Energia solar no Brasil
O Estadão de ontem trouxe uma reportagem sobre o potencial energético solar do Brasil. Comenta que o que impede a ampla utilização dela é o alto custo de captação da mesma. Que há um custo maior de captação é inegável, mas que isso seja um empecilho para a utilização desta forma de energia, abundante no Brasil, é discutível.
Quando entramos na seara de matriz energética, devemos analisar vários aspectos, não apenas a geração. E o custo não é apenas financeiro, mas de várias matizes. Se o custo de captação solar é alto, outros são minimizados, como a distribuição e transmissão.
Os gigawatts provenientes do rio Madeira precisarão atravessar milhares de quilômetros enquanto células fotovoltáicas podem ser instaladas nos telhados das residências que utilizarão a carga. Essa lógica já é utilizada no programa "Luz para todos" do governo federal, que é refratário a utilização dessa forma de energia em larga escala, como pode ser observado no vídeo abaixo.
Essa peculiaridade torna o argumento de falta de economicidade do processo fotovoltáico bastante fraco. Computados os preços realmente pagos pelo consumidor final residencial, a solar já é mais barata do que a fornecida pelas distribuidoras de energia elétrica da grande maioria das regiões metropolitanas. O custo de implantação, porém, é um fator importante, pois, devido aos altos juros praticados no país, a amortização do investimento inicial é bastante demorada. O mesmo vale para a substituição de aquecedores elétricos por solares. A falta de poupança das famílias brasileiras responde, então, pela pouca aderência às tecnologias.
Políticas públicas podem ser eficientes em reverter a tendência de preferência por grandes obras que, a primeira vista, parecem melhores para a economia do país. Descentralização da geração elétrica é uma forma eficaz e inteligente de proteger estrategicamente o país. Um simples míssil pode destruir 20% da capacidade hidrelétrica brasileira, personificada em Itaipú, mas seriam necessárias milhares, na forma de ataques a toda uma população civil, se cada telhado brasileiro tivesse sua célula fotovoltáica instalada.
Além da evidente melhoria da segurança, a qualidade ecológica da geração também seria melhorada. Os gases estufa das termoelétricas seriam evitadas, restando essas usinas como última instância, ao contrário do que ocorre hoje. Os períodos de estiagem não comprometeriam tanto os reservatórios do sistema, por aumento da insolação e, conseqüente, geração solar.
Custos financeiros, como vemos, não é a única forma de avaliar-se um empreendimento. Muitas vezes não é nem mesmo o melhor. Parece-me que este é o caso aqui. O Brasil têm uma obrigação quase religiosa de aproveitar a potencialidade que a natureza nos oferece. Se dizem que Deus é brasileiro, o Sol deve nos aparecer todos os dias por uma razão maior do que bronzear as garotas de Ipanema.
Quando entramos na seara de matriz energética, devemos analisar vários aspectos, não apenas a geração. E o custo não é apenas financeiro, mas de várias matizes. Se o custo de captação solar é alto, outros são minimizados, como a distribuição e transmissão.
Os gigawatts provenientes do rio Madeira precisarão atravessar milhares de quilômetros enquanto células fotovoltáicas podem ser instaladas nos telhados das residências que utilizarão a carga. Essa lógica já é utilizada no programa "Luz para todos" do governo federal, que é refratário a utilização dessa forma de energia em larga escala, como pode ser observado no vídeo abaixo.
Essa peculiaridade torna o argumento de falta de economicidade do processo fotovoltáico bastante fraco. Computados os preços realmente pagos pelo consumidor final residencial, a solar já é mais barata do que a fornecida pelas distribuidoras de energia elétrica da grande maioria das regiões metropolitanas. O custo de implantação, porém, é um fator importante, pois, devido aos altos juros praticados no país, a amortização do investimento inicial é bastante demorada. O mesmo vale para a substituição de aquecedores elétricos por solares. A falta de poupança das famílias brasileiras responde, então, pela pouca aderência às tecnologias.
Políticas públicas podem ser eficientes em reverter a tendência de preferência por grandes obras que, a primeira vista, parecem melhores para a economia do país. Descentralização da geração elétrica é uma forma eficaz e inteligente de proteger estrategicamente o país. Um simples míssil pode destruir 20% da capacidade hidrelétrica brasileira, personificada em Itaipú, mas seriam necessárias milhares, na forma de ataques a toda uma população civil, se cada telhado brasileiro tivesse sua célula fotovoltáica instalada.
Além da evidente melhoria da segurança, a qualidade ecológica da geração também seria melhorada. Os gases estufa das termoelétricas seriam evitadas, restando essas usinas como última instância, ao contrário do que ocorre hoje. Os períodos de estiagem não comprometeriam tanto os reservatórios do sistema, por aumento da insolação e, conseqüente, geração solar.
Custos financeiros, como vemos, não é a única forma de avaliar-se um empreendimento. Muitas vezes não é nem mesmo o melhor. Parece-me que este é o caso aqui. O Brasil têm uma obrigação quase religiosa de aproveitar a potencialidade que a natureza nos oferece. Se dizem que Deus é brasileiro, o Sol deve nos aparecer todos os dias por uma razão maior do que bronzear as garotas de Ipanema.
segunda-feira, 19 de janeiro de 2009
Pacaembú é de todos, mas quem pode usar?
O editorial do Estadão de alguns dias atrás defendeu que a prefeitura de São Paulo não deve entregar o Pacaembú para o uso exclusivo do Sport Club Corinthians Paulista. Com isso, posso afirmar peremptoriamente, eu discordo mesmo.
Estádios de futebol servem, creio, para abrigar partidas de futebol. Qualquer outra atividade é acessória. O museu instalado dentro das dependências do Paulo Machado de Carvalho não deve ser um impeditivo para que o estádio exerça a sua função primeira ou, o que poderia ser uma benfeitoria, transforma-se em um ônus. Não podemos permitir que todo o estádio vire um museu.
Tratar a concessão onerosa como um erro por caracterizar perda ao patrimônio simbólico do município é, este sim, um erro. Primeiramente, porque a cessão já ocorre na prática. O Pacaembú é a casa extra-oficial do, assim chamado por sua torcida, Timão. Sendo a única equipe que manda suas partidas ali, há na prática uma situação de perde-perde entre a prefeitura e o clube. Este não consegue produzir toda a receita com marketing que o controle do estádio permitiria e aquela não repassa os reais custos de manutenção da estrutura nos aluguéis eventuais.
Outro fator é a utilização do equipamento. Conforme tratado anteriormente, consiste enorme desperdício a não utilização de um fundo de serviços, e qualquer administrador deve procurar fazer o uso mais intensivo possível dele. Estádios esportivos são, em todo mundo, dos equipamentos urbanos mais ociosos. Não é por outro motivo que, mesmo nos países desenvolvidos, há compartilhamento entre equipes e modalidades para garantir uso mais constante dos mesmos. Caso célebre é o Giuseppe Meazza, ou San Ciro, em Milão.
São Paulo possui estádios em excesso, todos subutilizados. Que diretorias anteriores do Corinthians não tenham conseguido construir um estádio próprio, como fizeram seus rivais, é realmente um sinal de incompetência, mas daí a este fato ser um impeditivo para a parceria e um fator para a construção de mais arenas é uma distância enorme. Para evitar que haja mais um elefante branco, cabe ao poder público suprir a massa corintiana com um estádio para chamar de seu que já está prontinho e com história. Como bônus, a prefeitura poderia utilizar seus parcos recursos no fomento de atividades físicas, muito mais carente que o futebol profissional, totalmente capaz de gerar receita por si mesmo.
Em muitas cidades dos Estados Unidos da América são construídos estádios pelas administrações locais com o intuito de atrais as franquias dos esportes profissionais, e o faturamento que as acompanha. Oficiar a relação Pacaembú-Corinthians e gerar receitas para serem aplicadas em outras áreas seria um sinal de amadurecimento da administração pública, não algo a lastimar
Estádios de futebol servem, creio, para abrigar partidas de futebol. Qualquer outra atividade é acessória. O museu instalado dentro das dependências do Paulo Machado de Carvalho não deve ser um impeditivo para que o estádio exerça a sua função primeira ou, o que poderia ser uma benfeitoria, transforma-se em um ônus. Não podemos permitir que todo o estádio vire um museu.
Tratar a concessão onerosa como um erro por caracterizar perda ao patrimônio simbólico do município é, este sim, um erro. Primeiramente, porque a cessão já ocorre na prática. O Pacaembú é a casa extra-oficial do, assim chamado por sua torcida, Timão. Sendo a única equipe que manda suas partidas ali, há na prática uma situação de perde-perde entre a prefeitura e o clube. Este não consegue produzir toda a receita com marketing que o controle do estádio permitiria e aquela não repassa os reais custos de manutenção da estrutura nos aluguéis eventuais.
Outro fator é a utilização do equipamento. Conforme tratado anteriormente, consiste enorme desperdício a não utilização de um fundo de serviços, e qualquer administrador deve procurar fazer o uso mais intensivo possível dele. Estádios esportivos são, em todo mundo, dos equipamentos urbanos mais ociosos. Não é por outro motivo que, mesmo nos países desenvolvidos, há compartilhamento entre equipes e modalidades para garantir uso mais constante dos mesmos. Caso célebre é o Giuseppe Meazza, ou San Ciro, em Milão.
São Paulo possui estádios em excesso, todos subutilizados. Que diretorias anteriores do Corinthians não tenham conseguido construir um estádio próprio, como fizeram seus rivais, é realmente um sinal de incompetência, mas daí a este fato ser um impeditivo para a parceria e um fator para a construção de mais arenas é uma distância enorme. Para evitar que haja mais um elefante branco, cabe ao poder público suprir a massa corintiana com um estádio para chamar de seu que já está prontinho e com história. Como bônus, a prefeitura poderia utilizar seus parcos recursos no fomento de atividades físicas, muito mais carente que o futebol profissional, totalmente capaz de gerar receita por si mesmo.
Em muitas cidades dos Estados Unidos da América são construídos estádios pelas administrações locais com o intuito de atrais as franquias dos esportes profissionais, e o faturamento que as acompanha. Oficiar a relação Pacaembú-Corinthians e gerar receitas para serem aplicadas em outras áreas seria um sinal de amadurecimento da administração pública, não algo a lastimar
quinta-feira, 15 de março de 2007
Novo Ministério
Nosso presidente dizendo aos quatro cantos que não incluiria os ministérios da saúde e da educação na reforma ministerial, já que eles são um caso sério e não permitem brincadeira.
Disse algo assim: se você brincar com a saúde é morte, se brincar com a educação é analfabeto.
Tá aí uma coisa em que eu concordo com ele, não dá para brincar com coisa séria, mas e quanto aos demais trinta e tantos ministérios (são tantos que nem sei o número exato, e desconfio que ele também não)? Permitem brincadeiras? Não são sérios?
Talvez fosse o caso de reformular o ministério e encaixar os seguintes nomes :
Minas e Energia - Chaves;
Cultura - Tiririca (florentina, florentina ...);
Trabalho - Seu Madruga.
Se é para fazer graça, que coloquem os profissionais no comando, eles já foram provados e aprovados. E se quiser preencher todos os cargos com profissionais, garanto que o governo não terá dificuldade para encontrar palhaços aptos.
Afinal, depois de quatro anos e pouco de governo, não é mesmo tempo de ficar fazendo experiências.
Disse algo assim: se você brincar com a saúde é morte, se brincar com a educação é analfabeto.
Tá aí uma coisa em que eu concordo com ele, não dá para brincar com coisa séria, mas e quanto aos demais trinta e tantos ministérios (são tantos que nem sei o número exato, e desconfio que ele também não)? Permitem brincadeiras? Não são sérios?
Talvez fosse o caso de reformular o ministério e encaixar os seguintes nomes :
Minas e Energia - Chaves;
Cultura - Tiririca (florentina, florentina ...);
Trabalho - Seu Madruga.
Se é para fazer graça, que coloquem os profissionais no comando, eles já foram provados e aprovados. E se quiser preencher todos os cargos com profissionais, garanto que o governo não terá dificuldade para encontrar palhaços aptos.
Afinal, depois de quatro anos e pouco de governo, não é mesmo tempo de ficar fazendo experiências.
sexta-feira, 2 de março de 2007
Juros
Quando comentam a ligação dos juros altos com a falta de investimentos não-financeiros, os analistas geralmente ligam esta a falta de linhas de crédito barato.
Não acho que resida aí o problema, mesmo porque elas existem.
O fator principal para a falta de investimento não-financeiro ao meu ver é que os investimentos financeiros, puxados pelo piso da taxa Selic, rendem mais e de maneira mais segura do que os demais.
Tomemos como exemplo um sujeito com 100 mil para aplicar e que pode optar entre emprestar para o governo a juros e comprar um apartamento. Supondo que o indivíduo esteja precisando de uma residência.
Supondo que escolha a compra, deverá separar no mínimo 10% para os custos de corretagem e transferência da escritura; ou seja, só poderá comprar um apartamento com valor máximo de 90 mil.
Depois de ficar dono, ganharia uma desvalorização de, digamos, 5% ao ano pela depreciação do capital. E se fosse previdente, faria um seguro contra sinistros pagando algo como 0,5% do valor do seu lar.
Ao final de um ano teria um apartamento no valor de 85,500 reais e teria gastado 450 em seguro.
Se optasse pelo empréstimo ao governo teria ao final de um ano 113250 reais, que descontada a depreciação da inflação, valeriam algo como 109 mil.
Contando-se que o sujeito tivesse alugado um imóvel semelhante ao que compraria, pagando a média de 0,5% de aluguel (450 reais), arcaria com um total de 9,9 mil, ficando no final com pouca coisa menos do que o poder de compra inicial.
Eu sei que um economista ou contador pode afirmar que estas contas que fiz são toscas, imprecisas e cobrem uma situação muito específica. É verdade, mas o quadro geral não é muito diferente.
Qualquer um que invista em algo não-financeiro no Brasil ou é dotado de uma fé imensa no negócio que está fazendo, ou está tentando se manter no negócio para evitar perdas maiores ou é insano.
Como insanos são poucos e está difícil ter fé em algo no Brasil, o investimento produtivo é praticamente todo em reposição.
Não é assim que caminha a humanidade, mas aqui – onde se plantando tudo dá – é assim que fazemos.
E viva o povo brasileiro.
Não acho que resida aí o problema, mesmo porque elas existem.
O fator principal para a falta de investimento não-financeiro ao meu ver é que os investimentos financeiros, puxados pelo piso da taxa Selic, rendem mais e de maneira mais segura do que os demais.
Tomemos como exemplo um sujeito com 100 mil para aplicar e que pode optar entre emprestar para o governo a juros e comprar um apartamento. Supondo que o indivíduo esteja precisando de uma residência.
Supondo que escolha a compra, deverá separar no mínimo 10% para os custos de corretagem e transferência da escritura; ou seja, só poderá comprar um apartamento com valor máximo de 90 mil.
Depois de ficar dono, ganharia uma desvalorização de, digamos, 5% ao ano pela depreciação do capital. E se fosse previdente, faria um seguro contra sinistros pagando algo como 0,5% do valor do seu lar.
Ao final de um ano teria um apartamento no valor de 85,500 reais e teria gastado 450 em seguro.
Se optasse pelo empréstimo ao governo teria ao final de um ano 113250 reais, que descontada a depreciação da inflação, valeriam algo como 109 mil.
Contando-se que o sujeito tivesse alugado um imóvel semelhante ao que compraria, pagando a média de 0,5% de aluguel (450 reais), arcaria com um total de 9,9 mil, ficando no final com pouca coisa menos do que o poder de compra inicial.
Eu sei que um economista ou contador pode afirmar que estas contas que fiz são toscas, imprecisas e cobrem uma situação muito específica. É verdade, mas o quadro geral não é muito diferente.
Qualquer um que invista em algo não-financeiro no Brasil ou é dotado de uma fé imensa no negócio que está fazendo, ou está tentando se manter no negócio para evitar perdas maiores ou é insano.
Como insanos são poucos e está difícil ter fé em algo no Brasil, o investimento produtivo é praticamente todo em reposição.
Não é assim que caminha a humanidade, mas aqui – onde se plantando tudo dá – é assim que fazemos.
E viva o povo brasileiro.
Fábio Feldmann
“Subestimei a indignação do cidadão com o Estado que, ao mesmo tempo que restringe sua ação, se mostra incapaz de oferecer alternativas, como um transporte público barato e eficiente. Aprendi com o rodízio que falar em ética e em direito das futuras gerações não é uma forma de assegurar sustentabilidade política em curto prazo”.
Este trecho foi retirado da entrevista de Fábio Feldmann à revisa veja desta semana. Ela mostra a perfeição algo que falei ontem, sobre o desenraizamento das leis.
O rodízio foi imposta à população paulistana como uma solução para o problema da poluição do ar, com base principalmente da experiência da Cidade do México. O problema é que mesmo lá já se mostrava equivocada, pois muitos proprietários de carros modernos e pouco poluentes passaram a utilizar um segundo carro muito menos eficiente para os dias de rodízio.
Apesar disso, implantou-se o rodízio como ato de vontade e poder e a base de pesadas multas.
Nada da política inicial se mantém, mas o rodízio segue firme e forte, baseado nas multas até hoje. Ele existe para tentar diluir um pouco da ineficácia do Estado em suprir o transporte público barato e eficiente a que se refere Feldmann, e sua justificativa hoje é de que ele diminui os engarrafamentos.
Só que em democracias é assim que funciona; projetos desenraizados (e, portanto, injustos aos olhos dos eleitores) têm custo alto para os políticos que os implantam.
O rodízio segue, Feldmann nunca mais se elegeu.
Este trecho foi retirado da entrevista de Fábio Feldmann à revisa veja desta semana. Ela mostra a perfeição algo que falei ontem, sobre o desenraizamento das leis.
O rodízio foi imposta à população paulistana como uma solução para o problema da poluição do ar, com base principalmente da experiência da Cidade do México. O problema é que mesmo lá já se mostrava equivocada, pois muitos proprietários de carros modernos e pouco poluentes passaram a utilizar um segundo carro muito menos eficiente para os dias de rodízio.
Apesar disso, implantou-se o rodízio como ato de vontade e poder e a base de pesadas multas.
Nada da política inicial se mantém, mas o rodízio segue firme e forte, baseado nas multas até hoje. Ele existe para tentar diluir um pouco da ineficácia do Estado em suprir o transporte público barato e eficiente a que se refere Feldmann, e sua justificativa hoje é de que ele diminui os engarrafamentos.
Só que em democracias é assim que funciona; projetos desenraizados (e, portanto, injustos aos olhos dos eleitores) têm custo alto para os políticos que os implantam.
O rodízio segue, Feldmann nunca mais se elegeu.
domingo, 3 de abril de 2005
Autonomia do BC: por quê não?
Faz algum tempo que se discute sobre se o Banco Central deve ter ou não autonomia. Isso leva na verdade a seguinte pergunta: são as instituições brasileiras confiáveis?
O que demonstra este imbróglio é que não. Cada nova legislação brasileira sobre regulamentação das instituições passa levemente sobre melhorar o funcionamento das instituições, seus mecanismos internos, e fortemente por aumentar as amarras e “controles” externos.
Fala-se nisso para o Judiciário, para as universidades, para o Ministério Público e qualquer outra instituição que se possa pensar.
Perante este quadro me pergunto: será que sociedade (este ente anencéfalo e sobre o qual não cabe nenhuma responsabilidade objetiva) deve manter controle direto sobre todas as instituições do país?
Por quê temos que desconfiar da integridade e da competência de todos os servidores públicos em nosso país e por isso colocar fiscais disfarçados de controladores nas instituições?
Se for para chutar eu diria que isso reflete a crise de confiança do país em suas instituições, que em um ciclo vicioso faz com que aumentemos a fiscalização prévia para que se diminua a possibilidade de erros, acidentais ou premeditados, pois se estes ocorrerem não haverá punição, aí criam-se os fiscais, depois os fiscais dos fiscais e assim vai.
Mas se queremos algum dia ser um país sério devemos fortalecer as instituições e não tutelá-las como se fossem crianças travessas, que a qualquer momento farão uma traquinagem se não houver um adulto por perto.
Mas o fato aqui é que as instituições sobre as quais estamos falando podem até ser recentes porém as pessoas que as comandam são, em sua totalidade, adultos capazes de responder por seus atos e com competência para tal (se não o tiverem, a falha foi de quem os colocou lá).
No caso específico do Banco Central, mostra-se o quanto as instituições estão desgastadas. O banco é um órgão estritamente técnico que utiliza as habilidades dos que o encabeçam para cumprir metas fornecidas por uma outra instituição e cujos cargos principais são preenchidos por indicação do Poder Executivo nacional e referendado pelo Poder Legislativo, mas nem assim confiasse que poderá exercer seu ofício se separado das pressões políticas.
Se não podemos confiar em um órgão com estas características em qual outro poderemos?
No caso específico do Banco Central devemos dar-lhe logo a autonomia e fiscalizá-lo com os rigores que a lei já imputa as instituições financeiras e seus controladores (sem esquecermos que ele já é um órgão fiscalizador por si mesmo).
Como às pessoas, chega uma hora em que as instituições devem deixar a proteção dos pais e ter sua autonomia, por quê não agora?
O que demonstra este imbróglio é que não. Cada nova legislação brasileira sobre regulamentação das instituições passa levemente sobre melhorar o funcionamento das instituições, seus mecanismos internos, e fortemente por aumentar as amarras e “controles” externos.
Fala-se nisso para o Judiciário, para as universidades, para o Ministério Público e qualquer outra instituição que se possa pensar.
Perante este quadro me pergunto: será que sociedade (este ente anencéfalo e sobre o qual não cabe nenhuma responsabilidade objetiva) deve manter controle direto sobre todas as instituições do país?
Por quê temos que desconfiar da integridade e da competência de todos os servidores públicos em nosso país e por isso colocar fiscais disfarçados de controladores nas instituições?
Se for para chutar eu diria que isso reflete a crise de confiança do país em suas instituições, que em um ciclo vicioso faz com que aumentemos a fiscalização prévia para que se diminua a possibilidade de erros, acidentais ou premeditados, pois se estes ocorrerem não haverá punição, aí criam-se os fiscais, depois os fiscais dos fiscais e assim vai.
Mas se queremos algum dia ser um país sério devemos fortalecer as instituições e não tutelá-las como se fossem crianças travessas, que a qualquer momento farão uma traquinagem se não houver um adulto por perto.
Mas o fato aqui é que as instituições sobre as quais estamos falando podem até ser recentes porém as pessoas que as comandam são, em sua totalidade, adultos capazes de responder por seus atos e com competência para tal (se não o tiverem, a falha foi de quem os colocou lá).
No caso específico do Banco Central, mostra-se o quanto as instituições estão desgastadas. O banco é um órgão estritamente técnico que utiliza as habilidades dos que o encabeçam para cumprir metas fornecidas por uma outra instituição e cujos cargos principais são preenchidos por indicação do Poder Executivo nacional e referendado pelo Poder Legislativo, mas nem assim confiasse que poderá exercer seu ofício se separado das pressões políticas.
Se não podemos confiar em um órgão com estas características em qual outro poderemos?
No caso específico do Banco Central devemos dar-lhe logo a autonomia e fiscalizá-lo com os rigores que a lei já imputa as instituições financeiras e seus controladores (sem esquecermos que ele já é um órgão fiscalizador por si mesmo).
Como às pessoas, chega uma hora em que as instituições devem deixar a proteção dos pais e ter sua autonomia, por quê não agora?
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