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segunda-feira, 15 de junho de 2009

Falta de romantismo?

Ou é de dinheiro mesmo?
Não tenho nenhuma simpatia por estas datas comerciais. Dias dos namorados, pais, mães, secretárias e assemelhados são apenas uma forma de fazer o desavisado gastar mais do que deveria, mas não deixa de ser triste quando este pobre desavisado não consegue tornar o seu desejo realidade.
Foi o que ocorreu na última data "festiva".
Daí a pergunta que dá título à postagem, será que o cupido está de férias ou foi demitido devido à marolinha?
Eu tenho minha aposta, e vocês?

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Parasitas

O parasitismo estatal não foi identificado recentemente. Há muito pensadores iluminados apontam-no. Na América Latina, entretanto, os Estados estão chegando às raias do absurdo sendo batidos neste campeonato mórbido de exploração do povo apenas pela psicótica ditadura norte-coreana.
Onde mais supostas economias de mercado pretendem ser monopolistas, ou impostos são tão altos devolvendo tão pouco aos pagadores.
Se forem escrutinar meu blog à procura de um pedido para a redução da carga tributária, nada encontrarão. Não porque não a ache necessária, mas por não acreditar que seja possível. Nenhum governo abre mão de tributos ao menos em situação de emergência, como considerou a administração Lula ser o caso durante as primeiras ondas da "marolinha".
Tampouco bradei contra o engessamento fiscal, com os impostos direcionados, pois não confio que o governo fará opções corretas. O direcionamento ao menos dificulta que áreas essenciais, como saúde e educação, sejam preteridas no confronto com obras públicas de maior visibilidade, ao modo do que seria o PAC, caso existisse.
Já contra as estatais, estrilei diversas vezes. Sobre a mentira de serem patrimônio público, estas instituições não passam de hospedeiros de parasitas nos mais diversos níveis. O quadro é realmente vergonhoso. Precisamos, nas palavras de Reinaldo Azevedo, desprivatizar a empresa, ou melhor, a presa dos diversos grupos de pressão formada pelos que dela se locupletam, a começar por grande parte dos funcionários.
Haveria razão para uma empresa estratora de petróleo ter um dos maiores quadros de profissionais de comunicação do mundo e uma das maiores bancas de advogados do país? E motivos para, mesmo com tantos funcionários específicos fora de seu escopo operacional, ainda recorrer a assessorias externas nas duas áreas? Ou é indicação de incompetência dos que estão lá ou de que há gente recebendo sem trabalhar.
Se ela é parte do meu patrimônio, quero vender já, enquanto ainda sobra alguma coisa, pois desta forma como vem sendo administrada, não sobrará muito . Mas são justamente os funcionários da empresa os mais combativos contra a idéia. Será que é porque não querem perder mamatas?
De certo temos apenas a utilização política da empresa. Hoje, véspera do anúncio oficial da recessão de nossa economia, diminuem o preço do diesel.
Alguns dormirão felizes, independente do que vem acontecendo. Bom para eles.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Fazendo o errado da melhor maneira possível

Já que há o limão e a sede, que façamos o suco com carinho.
Os estadunidenses têm uma visão errada de sua própria economia. Acreditam que o Estado participa pouco, que estão em uma ilha de liberalismo em um mar de socialistas. Esquecem-se que seu maior complexo industrial é o militar, bancado basicamente com recursos públicos, e que de lá saem a maioria das inovações tecnológicas. O custo, porém, é gigantesco. Eles gastam com o aparato bélico mais do que todas as outras nações em conjunto, e não estão garantindo seus objetivos.
Como vivem iludidos, o keynesianismo surge, ao que parece, como a solução para crise. As tentativas para salvar a economia de lá descambarão para intervencionismo estatal generalizado. E nada leva a crer em melhores resultados serão alcançados. Os Estados são intrinsicamente ineficientes. Toneladas de dólares foram despejados nos bancos, e ... nada. Bilhões para as montadoras, e ... adiadas as concordatas, que, certamente, virão.
Neste quadro de intervenção, o melhor a fazer é carrear os recursos para as novas tecnologias. A idéia de Obama de usar os fatores de produção excedentes neste momento de recessão para ter energia elétrica sobrando na retomada é o melhor que se pode fazer.
Serão quilowatts a custo de ouro, mas é melhor isso a abrir buracos para tapá-los mais tarde. Nossos luláticos querem apenas aumentar os gastos correntes. Quem parece ter mais razão?

quinta-feira, 19 de março de 2009

A César o que é de César

É um tanto disparatada a intenção de retirar-se do governo a responsabilidade pelo declínio da atividade econômica percebida nitidamente no terceiro trimestre do ano passado, e que permanece neste.
O que ocorreu foi decorrência de uma crise de confiança, congeladora do sistema de créditos e, conseqüentemente, do comércio movido por ele, e deveria ter sido tratado como tal. Mas observamos como resposta total inatividade estatal, mais preocupado estava o governo em proteger-se por meio da retórica. Tentou esconder a realidade com lentes róseas, na estratégia “marolinha” e, depois, no “toma que o filho é seu, Bush”, e passou a apontar o culpado de sempre, o autônomo-de-fato Banco Central.
Já cansei de defender aqui uma política de juros distinta da adotada pelo Banco Central. Na minha visão, a taxa Selic faz muito pouco pela manutenção das intenções de compras do consumidor. Primeiro, devido ao fato deste não fazer seus cálculos com base nas taxas anuais de remuneração do dinheiro que toma emprestado, mas da mensalidade que terá que arcar, e, depois, porque este não tem acesso a ela como poupador pela simples verdade de o brasileiro médio não poupar, pois sua renda não é compatível com este luxo.
A Selic, neste cenário, torna-se apenas um ônus fiscal do governo, masoquisticamente auto-imposto. Premissa falsa, o controle da inflação de demanda, gerando aumento de preços estrutural pelo mecanismo de retirada de produção potencial, a que poderia ser efetivada pelos investimentos caso o governo não sugasse os recursos via títulos,e de aumento dos impostos, usados no pagamento dos juros improdutivos. Cria-se, assim, um círculo vicioso retro-alimentado. Dito isso, cabe afirmar, O BC nada tem a ver com a retração econômica atual, apenas impediu um aceleração maior no passado.
Se o crédito externo foi a mola pela qual a crise chegou ao país, deveria ter passado por ela, também, qualquer tentativa de evitar o contágio. Se os exportadores estavam expostos a ameaça de secagem de suas linhas, caberia ao provedor de dólares nacional, aquele que sentava em reservas de 200 bilhões, fornecer o material escasso, as verdinhas. A simples atitude de permitir a queda das reservas faria que as apostas contra o Real ficassem mais arriscadas, impedindo que as empresas envolvidas no, assim chamado pelos economistas, overshooting cambial vissem seus lucros de anos evaporarem.
De símbolo de solidez da nação, as reservas internacionais do Tesouro transfiguraram-se de um oásis para uma miragem, algo que o governo mostrava às empresas, mas estas não podiam utilizar. Servindo, portanto, para nada, pois não impediram a queda do dólar quando a onda chegou, nem seu aumento, quando ela refluiu.
Houve, portanto, culpa objetiva do Estado na situação em que estamos. Caberá ao futuro saber o quão caro sairá a barbeiragem, mas não há dúvida que esta ocorreu.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Prova provada



A reportagem aí de cima é a prova das virtudes do câmbio flutuante.
Concedo que é besteira dizer que o consumidor tem ciência de todos os fatos econômicos e pode decidir racionalmente em todas as ocasiões, como dizem os economistas neoclássicos, mas é evidente que ele consegue captar variações grandes de preços relativos.
O fato é, por mais que me doa admitir isso, que estou com o governo quanto o diagnóstico da crise, até o momento. Nossa demanda interna foi afetada não pela súbita mudança de humor dos consumidores, mas pela mudança de comportamento dos fornecedores, principalmente de crédito. E o medo destes está contaminado aqueles, receosos por seus empregos.
O brasileiro continua sendo um indivíduo as voltascom o subconsumo, na média, pronto para sustentar a demanda interna. É só deixar que ele faça a parte dele.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Comentário ligeiro

O ministro do Trabalho está esperneando, mas as empresas que estão dispensando os temporários estão certíssimas.
Mantê-los agora significa não ter respaldo para demití-los depois, quando, talvez, estejam mais necessitadas.
Coisas de nossa legislação, a destruidora de empregos formais.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Credibilidade, você não encontra aqui

A OCDE concorda comigo que Não teremos uma desaceleração econômica muito forte.
O problema é que ninguem está acreditando muito em mim, talvez pela má companhia. O governo está comigo.
Segundo as pesquisas, a atual administração tem mais de 75% de aprovação, mas as pessoas, principalmente as bem informadas, não querem apostar seu dinheiro em um bom manejo da marola, por que será?
Talvez seja porque credibilidade não se adquire com falatório e promessas vazias, as especialidades dos donos do poder.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Perspectiva para a Bolsa

Não gosto, muito, de ficar metendo-me a guru, vidente ou qualquer coisas do gênero, mas vou dar aqui um palpite.
Pegue todo o dinheiro que você tem sobrando e coloque na bolsa, antes que seja tarde.
Já escrevi neste blog que a economia brasileira sairá desta crise relativamente bem, comparando a de outros países por aí. E quando a economia vai bem, a Bolsa segue.
Se você não acredita em mim, acredite nos profissionais. Daniele Camba, articulista do Valor Econômico, apontou, em sua coluna do dia 06 de janeiro, que as consultorias econômicas trabalham com previsões para o fechamento do Ibovespa no final do ano que variam de 49 a 90 mil pontos.
Está certo que eles não são muito confiáveis, mas não têm como estar errados sempre.
É só olhar em quantos pontos está o Ibovespa hoje para ver que a coisa tende só a melhorar.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Não estamos no Pacífico, mas...

...o sistema de prevenção de tsunamis do governo, parece, começou a apitar.
Mantega, aquele ministro pelo qual, vocês sabem, tenho um apreço sem tamanho, está anunciando que o Brasil tem um arsenal para evitar o acirramento da crise econômica aqui em Jabuticabal, e dá-lhe anúncios keynesianos de gastos com PAC e essas batatadas.
Partes do PT já se defendem das conseqüências da desaceleração culpando as políticas "neoliberais" da dupla PSDB-PFL e Lula vai mais longe, é obra de trinta anos de governantes despreocupados com o povo, reverindo, provavelmente, aos que tinham o cetro desde a sublevação militar até a sua chegada ao Palácio do Planalto. E toda essa retórica por obra da "marolinha".
Vamos, todavia, aos finalmente. O governo tem, de fato, um arsenal para combater os efeitos da crise. Só que não onde ele imagina. Há no país um problema crônico em relação à qualidade das leis trabalhistas. Elas limitam a flexibilidade do mercado e desestimulam a contratação mesmo quando há uma batalha pela mão-de-obra escassa, inviabilizando-a em momentos de incerteza.
Qualquer melhoria na legislação trabalhista é um incremento da competitividade do Brasil e um estímulo ao rebustecimento do mercado de trabalho, com ganhos para os 50% de trabalhadores que hoje não dispõem de nenhuma segurança gerada pela rede de proteção social que os sindicalistas dizem ser o Código atual.
Resolver esse gargalo seria a solução que incluiria o país definitivamente entre os de melhor desenvolvimento humano, não gastar os recursos dos impostos favorecendo empresas, seja de qual porte forem, com créditos facilitados e baratos.
Métodos paliativos nunca passarão disso, não importando qual nome recebam.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Seguro contra lucros cessantes

Como havia escrito em um texto do princípio do ano, o melhor seguro externo que o Brasil poderia querer é a peculiaridade de a China ser uma ditadura necessitada de ilusão de bem-estar. essa minha convicção só fez aumentar ao ler notícias no Valor Econômico de hoje mostrando uma desaceleração econômica muito maior do que estavam esperando os analistas naquele país. Já há temores de agitação social e instabilidade política, e o governo vai fazer tudo que está ao seu alcance para impedir que eles ocorram. O que exclui, naturalmente, diminuir a oferta de alimentos em qualidade ou quantidade.
Mais de três anos atrás, escrevi, também, que nós somos uma espécie de Efeito Orloff da China no que se refere ao crescimento econômico. Tenho certeza, virá de lá uma nova marcha forçada, com os mesmos resultados: adiar a recessão e a troca de comando político (nada muito diferente do que a Guerra do Iraque foi para os EUA, onde a marcha forçadíssima fundiu o motor).
O mesmo raciocínio pode ser usado para pensar a venda de carne à Rússia e de alimentos em geral à Venezuela, duas outras nações que como diz Lula da Silva "têm democracia até demais". Apesar dos russos terem reclamado dos preços e da falta de financiamento, as compras não serão suspensas, apenas proteladas para pressionar as empresas vendedoras utilizando as nuvens da recessão como desculpa estilo cortina de fumaça.
A ameaça mais séria que temos que enfrentar quanto à balança comercial não tem nada a ver com a falta de compradores externos, mas com a possibilidade de realmente fornecer as mercadorias, já que uma infra-estrutura já sobrecarregada foi danificada pelas águas de novembro. Nada diferente do que vinha acontecendo, portanto.