Diz Michael Porter, o guru de economia que ficou famoso pela sua idéia de arranjo produtivo local (cluster) que foi muito – e mal – aplicado por aqui no começo do milênio, que entre os elementos que favorecem o desenvolvimento de um ramo industrial forte em determinada localidade ou país está a escassez de um fator de produção, em geral uma matéria-prima.
Provavelmente este foi o fator que fez com que o Brasil não desse certo até hoje: a fartura.
Nunca houve em momento algum de nossa história um fator limitante que forçasse nossa indústria a ser mais eficiente ou buscasse a inovação. Em um item particular havia este "perigo", a mão-de-obra, mas uma bem sucedida política de obtenção da mesma – apresamento de índios, seguida do trabalho escravo e, por último, a importação de europeus e asiáticos – fez com que sempre tenha existido trabalhadores suficientes para que as atividades produtivas fossem executadas à maneira tradicional e o custo do trabalho se mantivesse baixo; poderíamos dizer aviltado.
Isso criou também a segunda perna do nosso atraso industrial. O trabalho aviltado impede a formação de um mercado consumidor local forte e, como conseqüência, limita a existência de uma indústria local também forte.
Felizmente a dinâmica demográfica mudará isso brevemente. Mesmo com a massa desempregada e despreparada que temos, a tendência é de queda acentuada da taxa de desemprego à medida que menos brasileiros estão nascendo e o aumento da idade média de nossa população, assim como a renda, força uma demanda por bens e serviços cada vez mais diferenciados.
Basta que não atrapalhemos a natureza da economia brasileira.
Nota- conforme uma leitura rápida (como a que fiz) da teoria de Porter, não há o menor fundamento para a prevista derrocada das economias da “Velha Europa” e do Japão motivada pelo envelhecimento acentuado de sua população e diminuição da chamada “população economicamente ativa”, que viria a ser a que tem idade para efetivamente trabalhar.
Uma queda econômica destes países só ocorreria caso houvesse um declínio da capacidade de consumo da população em geral; trabalho é um bem importável, e a custo baixo, e será requisitado – como já é feito hoje – à medida que surjam as necessidades.
Garantida a capacidade do consumo pela poupança feita durante período “ativo” da vida econômica, é garantida também a prosperidade da economia dos países onde a quantidade de idosos é muito alta. Esta só é ameaçada pelas posições políticas que tentam restringir a imigração e as importações a níveis insuficientes.
Apenas alguns pensamentos sobre as coisas que acho que sei ou sobre as quais não tenho a mínima idéia
quarta-feira, 14 de fevereiro de 2007
terça-feira, 13 de fevereiro de 2007
Ela adorou
Não é o fundo do poço
A comoção que está causando o assassinato do menino João Hélio fez muitos colunistas se perguntarem se este seria o ápice da barbárie. Respondo-lhes: é óbvio que não, mesmo porque já houve assassinatos mais bárbaros tanto no Rio quanto em outras partes do Brasil.
Aparentemente o ato desumano no assassinato de José Hélio foi o modo como foi tratado o cadáver e não a morte em si, que a que tudo leva crer foi acidental. Já em outros - como nas queimas do ônibus com passageiros dentro, no Rio, ou do carro com as testemunhas de um assalto, em Bragança Paulista - houve clara intenção de matar, com requintes de crueldade.
Não estou querendo defender nenhum dos acusados, pois a conseqüência dos atos foi tão hedionda quanto em todos os outros casos, porém não se pode querer aqui fazer de conta que o grupo responsável pela morte da criança é um tipo de monstro raro em nosso país, o que está longe da verdade.
Estamos fabricando este tipo de psicopata – ou, como alguns dizem que eles não podem ser produzidos em série, ao menos deixando mais fácil que atuem do que seria o razoável – em nossa sociedade e já estamos muito atrasados em tentar descobrir os por quês e como reverter este quadro.
Criamos no nosso país uma legítima sociedade do mal-estar social, em que mesmo os mais afortunados são obrigados a conviver com a miséria e suas conseqüências, e nada eficaz foi feito contra isso até o momento. Se, com fatores completamente mensuráveis e contra os quais há um receituário completo e comprovado, somos completamente ineficazes em lidar, imaginem com questões psiquiátricas como esta.
Já havia perdido a fé na viabilidade política de nossa nação. Agora sou obrigado a dizer que não tenho muita esperança quanto a nossa coesão social.
Aparentemente o ato desumano no assassinato de José Hélio foi o modo como foi tratado o cadáver e não a morte em si, que a que tudo leva crer foi acidental. Já em outros - como nas queimas do ônibus com passageiros dentro, no Rio, ou do carro com as testemunhas de um assalto, em Bragança Paulista - houve clara intenção de matar, com requintes de crueldade.
Não estou querendo defender nenhum dos acusados, pois a conseqüência dos atos foi tão hedionda quanto em todos os outros casos, porém não se pode querer aqui fazer de conta que o grupo responsável pela morte da criança é um tipo de monstro raro em nosso país, o que está longe da verdade.
Estamos fabricando este tipo de psicopata – ou, como alguns dizem que eles não podem ser produzidos em série, ao menos deixando mais fácil que atuem do que seria o razoável – em nossa sociedade e já estamos muito atrasados em tentar descobrir os por quês e como reverter este quadro.
Criamos no nosso país uma legítima sociedade do mal-estar social, em que mesmo os mais afortunados são obrigados a conviver com a miséria e suas conseqüências, e nada eficaz foi feito contra isso até o momento. Se, com fatores completamente mensuráveis e contra os quais há um receituário completo e comprovado, somos completamente ineficazes em lidar, imaginem com questões psiquiátricas como esta.
Já havia perdido a fé na viabilidade política de nossa nação. Agora sou obrigado a dizer que não tenho muita esperança quanto a nossa coesão social.
segunda-feira, 12 de fevereiro de 2007
Correndo atrás de sarna
Ontem, na Carta Aberta aos órfãos da razão e do juízo do caderno Aliás do Estadão, Antônio Cunha, presidente do movimento de moradores do Campo Belo, lançou uma série de impropérios sobre o Aeroporto de Congonhas, que ao que parece ele gostaria que não existisse.
Diz ele que o mesmo é: “pequeno, sitiado, desconjuntado, construído em lugar errado e com falhas de projeto”.
Mais que raios, digo eu. Bastando olhar no histórico do aeroporto , veremos que o que este vizinho insatisfeito diz não tem o menor cabimento. Se Congonhas tem hoje problemas com seu entorno, a culpa não é em nada culpa do Aeroporto e sim do entorno.
Em 1936 não havia nada lá para ser incomodado pela existência dele. Se hoje os vizinhos reclamam do barulho, do trânsito dos gases liberados pelos aviões e exigem uma licença ambiental para que o aeroporto funcione e não os incomode, a culpa é dos que foram para as imediações do aeroporto.
Muitas vezes a população está certa ao reclamar do poder público omisso, mas muitas vezes elas criam um problema e querem que o poder público resolva o problema que criaram.
Quem foi atrás da sarna não pode reclamar quando ela coça. Pode?
Diz ele que o mesmo é: “pequeno, sitiado, desconjuntado, construído em lugar errado e com falhas de projeto”.
Mais que raios, digo eu. Bastando olhar no histórico do aeroporto , veremos que o que este vizinho insatisfeito diz não tem o menor cabimento. Se Congonhas tem hoje problemas com seu entorno, a culpa não é em nada culpa do Aeroporto e sim do entorno.
Em 1936 não havia nada lá para ser incomodado pela existência dele. Se hoje os vizinhos reclamam do barulho, do trânsito dos gases liberados pelos aviões e exigem uma licença ambiental para que o aeroporto funcione e não os incomode, a culpa é dos que foram para as imediações do aeroporto.
Muitas vezes a população está certa ao reclamar do poder público omisso, mas muitas vezes elas criam um problema e querem que o poder público resolva o problema que criaram.
Quem foi atrás da sarna não pode reclamar quando ela coça. Pode?
sábado, 10 de fevereiro de 2007
Acabemos com o medo de fantasmas
Não tem o menor cabimento este medo generalizado dos produtos importados, já que o Brasil tem condições absolutamente tranqüilas para enfrentá-los.
Em primeiro lugar há dificuldades logísticas para a importação. Os grandes exportadores de produtos manufaturados só têm acesso aos nossos mercados através de portos e aeroportos, dois gargalos mais do que consagrados.
Depois porque nossas indústrias são bem equipadas, dispõe de fartura das principais matérias-primas e estão pouco endividadas pelos padrões internacionais; ou seja, estão aptas a competir com as indústrias do leste europeu e do sudoeste asiático, sendo inclusive uma nação com características intermediárias às que compõem as duas grandes regiões que ameaçariam nosso país no que compete às manufaturas.
No quesito energia, apesar da crise que se está desenhando no país pela absoluta falta de investimentos (causada pela visão intervencionista do governo), o Brasil ainda se encontra em melhor posição do que qualquer um de seus oponentes. As condições geográficas permitem geração por diversas fontes e uma matriz limpa, o que poderá ser brevemente um fator de aumento de competitividade industrial.
Por último, e não menos importante, temos uma população jovem e com escolarização crescente e na qual estão ausentes grandes conflitos étnicos, como os que travam ou dividem países das regiões supracitadas.
O calcanhar de Aquiles de nosso país é o ambiente legal e governamental desfavorável aos negócios. Isso resulta em uma política de juros (que eu espero esteja com os dias contados) que torna o investimento produtivo médio menos lucrativo do que as aplicações financeiras e, o que é o absurdo maior, mais inseguro.
Como se vê, no que tange às condições estruturais, estamos bem preparados para concorrer com qualquer um que seja. Basta que nossos dirigentes acordem para ajustes que precisam ser feitos e passaremos de caça à caçador nos mercados globais.
Em primeiro lugar há dificuldades logísticas para a importação. Os grandes exportadores de produtos manufaturados só têm acesso aos nossos mercados através de portos e aeroportos, dois gargalos mais do que consagrados.
Depois porque nossas indústrias são bem equipadas, dispõe de fartura das principais matérias-primas e estão pouco endividadas pelos padrões internacionais; ou seja, estão aptas a competir com as indústrias do leste europeu e do sudoeste asiático, sendo inclusive uma nação com características intermediárias às que compõem as duas grandes regiões que ameaçariam nosso país no que compete às manufaturas.
No quesito energia, apesar da crise que se está desenhando no país pela absoluta falta de investimentos (causada pela visão intervencionista do governo), o Brasil ainda se encontra em melhor posição do que qualquer um de seus oponentes. As condições geográficas permitem geração por diversas fontes e uma matriz limpa, o que poderá ser brevemente um fator de aumento de competitividade industrial.
Por último, e não menos importante, temos uma população jovem e com escolarização crescente e na qual estão ausentes grandes conflitos étnicos, como os que travam ou dividem países das regiões supracitadas.
O calcanhar de Aquiles de nosso país é o ambiente legal e governamental desfavorável aos negócios. Isso resulta em uma política de juros (que eu espero esteja com os dias contados) que torna o investimento produtivo médio menos lucrativo do que as aplicações financeiras e, o que é o absurdo maior, mais inseguro.
Como se vê, no que tange às condições estruturais, estamos bem preparados para concorrer com qualquer um que seja. Basta que nossos dirigentes acordem para ajustes que precisam ser feitos e passaremos de caça à caçador nos mercados globais.
sexta-feira, 9 de fevereiro de 2007
Como previsto
O câmbio virou para a imprensa o Judas da vez, eliminando o Cristo que é a indústria nacional e condenando-nos ao inferno do desemprego e da baixa renda.
Não acredito em nada disso.
Façamos um exercício de imaginação: digamos que acordemos amanhã com o real valendo uma libra esterlina e que a massa salarial - contada em real - esteja imutável.
Isso equivaleria a um incremento de renda de mais de 4 vezes e faria com que alguns setores intensivos em mão-de-obra sofressem muito devido à concorrência dos produtos importados, mas será que haveria uma influência negativa no emprego? Obviamente não.
A tendência é que o setor de serviços abriria vagas suficientes para fazer com que a balança fosse altamente favorável.
Peguemos o setor automobilístico, que é apontado como daqueles onde o câmbio valorizado trás o apocalipse. Se assumirmos que para cada emprego associado à produção (montagem, produção de peças, limpeza e administração das fábricas, etc) houver um associado aos serviços (venda de automóveis, corretagem de seguros, mecânica, funilaria, etc), o que não é verdade já que o setor de serviços envolve mais pessoal, e verificarmos o resultado no emprego geral de câmbio e renda iguais ao da hipótese, veremos que o resultado é amplamente positivo.
A renda aumentada por quatro abriria a um enorme contingente a possibilidade de ter veículo próprio (automóveis são totalmente intercambiáveis e, portanto, o preço do mesmo não subiria conforme a renda e sim conforme os preços internacionais mais impostos) assim como diminuiria o ônus de mantê-lo (o custo das peças de reposição e dos combustíveis seguem a mesma lógica e o dos seguros é feito em relação ao preço de venda do veículo). Com tudo isso, o aumento de vendas destes não se daria pela simples multiplicação por quatro e sim por uma função maior, tendo em vista as necessidades represadas de nossa população.
Mesmo que toda a indústria automobilística brasileira fosse varrida do mapa – e razões logística impediriam isso -, o número de empregos gerados pelo setor de serviços ao automóvel seria muito grande e haveria um aumento da massa salarial, com reflexos positivos para a nação.
O mesmo aconteceria com uma enorme gama de setores onde possíveis perdas no número de empregos industriais seriam sobrepujadas pelo incremento no número de empregos advindos dos novos serviços consumidos pelo aumento de renda relativo do brasileiro em comparação às nações circundantes.
Seriam particularmente visíveis o aumento do consumo nas rubricas turismo e lazer, dois setores quase indigentes no Brasil do momento, mas que estão experimentando forte aumento com a recuperação do valor da nossa moeda.
É claro que o real em paridade com a libra esterlina seria um caso extremo e teríamos que ter muitas mudanças estruturais e econômicas para mantê-lo assim, mas este exemplo é só para mostrar que uma moeda forte não é um empecilho para o desenvolvimento econômico de uma economia moderna de serviços e geradora de empregos, é antes de tudo um pré-requisito. A Inglaterra é uma prova viva disso.
Querer o Brasil um eterno exportador que é um atraso desmedido. A única função econômica de se exportar é poder importar o que outros têm de bom, assim como a única função econômica de trabalhar é consumir o que se quer.
O resto é fetiche moralista.
Não acredito em nada disso.
Façamos um exercício de imaginação: digamos que acordemos amanhã com o real valendo uma libra esterlina e que a massa salarial - contada em real - esteja imutável.
Isso equivaleria a um incremento de renda de mais de 4 vezes e faria com que alguns setores intensivos em mão-de-obra sofressem muito devido à concorrência dos produtos importados, mas será que haveria uma influência negativa no emprego? Obviamente não.
A tendência é que o setor de serviços abriria vagas suficientes para fazer com que a balança fosse altamente favorável.
Peguemos o setor automobilístico, que é apontado como daqueles onde o câmbio valorizado trás o apocalipse. Se assumirmos que para cada emprego associado à produção (montagem, produção de peças, limpeza e administração das fábricas, etc) houver um associado aos serviços (venda de automóveis, corretagem de seguros, mecânica, funilaria, etc), o que não é verdade já que o setor de serviços envolve mais pessoal, e verificarmos o resultado no emprego geral de câmbio e renda iguais ao da hipótese, veremos que o resultado é amplamente positivo.
A renda aumentada por quatro abriria a um enorme contingente a possibilidade de ter veículo próprio (automóveis são totalmente intercambiáveis e, portanto, o preço do mesmo não subiria conforme a renda e sim conforme os preços internacionais mais impostos) assim como diminuiria o ônus de mantê-lo (o custo das peças de reposição e dos combustíveis seguem a mesma lógica e o dos seguros é feito em relação ao preço de venda do veículo). Com tudo isso, o aumento de vendas destes não se daria pela simples multiplicação por quatro e sim por uma função maior, tendo em vista as necessidades represadas de nossa população.
Mesmo que toda a indústria automobilística brasileira fosse varrida do mapa – e razões logística impediriam isso -, o número de empregos gerados pelo setor de serviços ao automóvel seria muito grande e haveria um aumento da massa salarial, com reflexos positivos para a nação.
O mesmo aconteceria com uma enorme gama de setores onde possíveis perdas no número de empregos industriais seriam sobrepujadas pelo incremento no número de empregos advindos dos novos serviços consumidos pelo aumento de renda relativo do brasileiro em comparação às nações circundantes.
Seriam particularmente visíveis o aumento do consumo nas rubricas turismo e lazer, dois setores quase indigentes no Brasil do momento, mas que estão experimentando forte aumento com a recuperação do valor da nossa moeda.
É claro que o real em paridade com a libra esterlina seria um caso extremo e teríamos que ter muitas mudanças estruturais e econômicas para mantê-lo assim, mas este exemplo é só para mostrar que uma moeda forte não é um empecilho para o desenvolvimento econômico de uma economia moderna de serviços e geradora de empregos, é antes de tudo um pré-requisito. A Inglaterra é uma prova viva disso.
Querer o Brasil um eterno exportador que é um atraso desmedido. A única função econômica de se exportar é poder importar o que outros têm de bom, assim como a única função econômica de trabalhar é consumir o que se quer.
O resto é fetiche moralista.
quinta-feira, 8 de fevereiro de 2007
Minha versão dos fatos
Ao que parece as avaliações estão mostrando um quadro de deterioração do ensino público no país, tomando por base os últimos dez anos e que há uma luz no fim do túnel já que os alunos da quarta série que foram avaliados no ano passado obtiveram uma nota ligeiramente superior do que os de avaliações anteriores.
Com isso os próceres luláticos já se colocaram a dizer: está vendo, aqueles que tiveram a sorte de começar a estudar na nossa administração são os únicos que melhoraram.
E dizem isso mesmo em um governo no qual o primeiro ministro da área foi demitido por telefone, o seu sucessor abandonou o emprego para tentar salvar um partido da ruína (e aí já vemos com quem a fidelidade está, educar a nação é muito menos importante do que salvar um partido) e um outro disse que a maior contribuição do governo na área teria sido a criação do Fundeb, que ao momento da declaração não havia ainda sido aprovado.
Portanto um governo que não vez absolutamente nada pela área ainda tenta dizer que tudo que deu errado é culpa do anterior e tudo que deu certo é culpa dele.
A verdade é que tudo, tanto o que deu certo quanto o que deu errado, é fruto da reestruturação do ensino promovida pelo governo FHC e seu ministro Paulo Renato.
Os alunos que estão puxando os índices das provas para baixo hoje são aqueles que foram incorporados ao sistema pela massificação do ensino fundamental dos anos 90 e conseqüente baixa de qualidade média que isso provocou; sendo que isso ocorreu tanto pela falta de infra-estrutura familiar dos alunos que estavam entrando quantos da falta de capacitação e infra-estrutura das escolas que os estavam recebendo.
Dentro deste quadro, é natural que os pertencentes à primeira leva de alunos sejam os que tenham recebido a pior educação e que as gerações de alunos que venham a ser avaliadas a partir deste momento já tenham recebido uma educação ligeiramente melhorada do que aqueles, tanto pela adaptação do sistema para um contingente que já não é mais explosivo, e que tende agora a ser decrescente uma vez que os índices de natalidade estão cada vez menores no conjunto da população e a massificação da educação leva geralmente a diminuir este índice ainda mais.
As notas deverão sofrer uma inflexão na curva logo e se tornará cada vez mais sensível a mudança, espero que nenhuma ação lulática estrague isso.
Com isso os próceres luláticos já se colocaram a dizer: está vendo, aqueles que tiveram a sorte de começar a estudar na nossa administração são os únicos que melhoraram.
E dizem isso mesmo em um governo no qual o primeiro ministro da área foi demitido por telefone, o seu sucessor abandonou o emprego para tentar salvar um partido da ruína (e aí já vemos com quem a fidelidade está, educar a nação é muito menos importante do que salvar um partido) e um outro disse que a maior contribuição do governo na área teria sido a criação do Fundeb, que ao momento da declaração não havia ainda sido aprovado.
Portanto um governo que não vez absolutamente nada pela área ainda tenta dizer que tudo que deu errado é culpa do anterior e tudo que deu certo é culpa dele.
A verdade é que tudo, tanto o que deu certo quanto o que deu errado, é fruto da reestruturação do ensino promovida pelo governo FHC e seu ministro Paulo Renato.
Os alunos que estão puxando os índices das provas para baixo hoje são aqueles que foram incorporados ao sistema pela massificação do ensino fundamental dos anos 90 e conseqüente baixa de qualidade média que isso provocou; sendo que isso ocorreu tanto pela falta de infra-estrutura familiar dos alunos que estavam entrando quantos da falta de capacitação e infra-estrutura das escolas que os estavam recebendo.
Dentro deste quadro, é natural que os pertencentes à primeira leva de alunos sejam os que tenham recebido a pior educação e que as gerações de alunos que venham a ser avaliadas a partir deste momento já tenham recebido uma educação ligeiramente melhorada do que aqueles, tanto pela adaptação do sistema para um contingente que já não é mais explosivo, e que tende agora a ser decrescente uma vez que os índices de natalidade estão cada vez menores no conjunto da população e a massificação da educação leva geralmente a diminuir este índice ainda mais.
As notas deverão sofrer uma inflexão na curva logo e se tornará cada vez mais sensível a mudança, espero que nenhuma ação lulática estrague isso.
quarta-feira, 7 de fevereiro de 2007
Polêmica
Se podemos medir a importância de algo pela polêmica que gera, o assunto desta semana é a entrevista do ex-embaixador brasileiro nos Estados Unidos às páginas amarelas da Veja.
Será que dizer que há uma patrulha ideológica em um governo de um partido que se dizia ser o "único" ideológico" existente no país faz pouco mais de 2 anos é realmente de se espantar?
Deixo a pergunta com vocês.
Será que dizer que há uma patrulha ideológica em um governo de um partido que se dizia ser o "único" ideológico" existente no país faz pouco mais de 2 anos é realmente de se espantar?
Deixo a pergunta com vocês.
terça-feira, 6 de fevereiro de 2007
Algo precisa ser feito
Passou do ridículo as ações dos juízes no Brasil frente às instâncias teoricamente competentes.
Qual é a autoridade de um juiz de primeira instância para se sobrepor à ANAC quanto à uma pista de aeroporto estar tecnicamente boa ou ruim?
E para dizer à Infraero de deve ou não por a disposição de outros interessados seus espaços ociosos ocupados por uma empresa concordatária?
Talvez fosse caso de se fazer com que os juízes que fazem coisas como essa se tornassem responsáveis solidários pelos prejuízos advindos de suas ações.
Garanto que eles passariam e refletir muito melhor sobre o papel de um juiz na sociedade.
Qual é a autoridade de um juiz de primeira instância para se sobrepor à ANAC quanto à uma pista de aeroporto estar tecnicamente boa ou ruim?
E para dizer à Infraero de deve ou não por a disposição de outros interessados seus espaços ociosos ocupados por uma empresa concordatária?
Talvez fosse caso de se fazer com que os juízes que fazem coisas como essa se tornassem responsáveis solidários pelos prejuízos advindos de suas ações.
Garanto que eles passariam e refletir muito melhor sobre o papel de um juiz na sociedade.
Sede de verdade
Está se falando tanto do aquecimento global que também vou explorar este filão à exaustão.
Então deixem-me aqui esclarecer algo sobre o que penso que seria a falta d’água que alguns povos podem vir a sentir. Isto é simplesmente ridículo, não há a menor possibilidade de alguém ficar sem água devido ao aquecimento global; porém, há total possibilidade de grupos inteiros morrerem secos por falta de dinheiro e o seu equivalente físico energia.
A verdade inconteste é que não existe recurso mais abundante na Terra do que a água. Como já disse em algum texto (ou alguns) neste mesmo blog, o nosso problema é com energia, seja para levar a água potável para regiões ermas, seja para tornar potável água próxima. Ou dinheiro para armazenar água de chuva.
Fora distância o problema para algo, os tenistas do Australian Open não beberiam Evian, ninguém no ocidente utilizaria o petróleo árabe ou as quinquilharias chinesas. Fora tecnologia, não existiriam usinas de dessalinização ou estações de tratamento.
O problema é que energia e dinheiro são problemas que o mundo acha intransponível, por serem escassos e os mais fortes quererem se apropriar deles. Sua posse significa poder.
O fato é que, se realmente acontecerem as grandes secas no mundo pobre, os habitantes de países ricos chorarão de compaixão frente às imagens de criancinhas sedentas e famintas, mandarão mantimentos e nada de verdadeiramente estrutural farão.
Nós conhecemos bem esta história, convivemos com ela faz séculos e nada foi feito para resolver o problema.
Então deixem-me aqui esclarecer algo sobre o que penso que seria a falta d’água que alguns povos podem vir a sentir. Isto é simplesmente ridículo, não há a menor possibilidade de alguém ficar sem água devido ao aquecimento global; porém, há total possibilidade de grupos inteiros morrerem secos por falta de dinheiro e o seu equivalente físico energia.
A verdade inconteste é que não existe recurso mais abundante na Terra do que a água. Como já disse em algum texto (ou alguns) neste mesmo blog, o nosso problema é com energia, seja para levar a água potável para regiões ermas, seja para tornar potável água próxima. Ou dinheiro para armazenar água de chuva.
Fora distância o problema para algo, os tenistas do Australian Open não beberiam Evian, ninguém no ocidente utilizaria o petróleo árabe ou as quinquilharias chinesas. Fora tecnologia, não existiriam usinas de dessalinização ou estações de tratamento.
O problema é que energia e dinheiro são problemas que o mundo acha intransponível, por serem escassos e os mais fortes quererem se apropriar deles. Sua posse significa poder.
O fato é que, se realmente acontecerem as grandes secas no mundo pobre, os habitantes de países ricos chorarão de compaixão frente às imagens de criancinhas sedentas e famintas, mandarão mantimentos e nada de verdadeiramente estrutural farão.
Nós conhecemos bem esta história, convivemos com ela faz séculos e nada foi feito para resolver o problema.
segunda-feira, 5 de fevereiro de 2007
Falemos um pouco da Guerra do Iraque
Está mais do que certo que os Estados Unidos perderam esta guerra, tanto é assim que não há meios de haver uma saída honrosa do país, que está hoje muito mais hostil aos ideais que supostamente levaram as tropas à invasão do que eles jamais imaginaram que seria.
E no front da propaganda interna, as coisas estão indo de mal a pior. Ressuscitaram até a Jane Fonda - que se não me engano havia pedido desculpas ao povo americano por não apoiar a guerra do Vietnã em respeito aos soldados que estavam lá perdendo vidas – como ativista política antiguerra, e eu desconfio que isso tudo sem que os estadunidenses tenham idéia do lodaçal em que meteram.
Ficou claro que as tropas do tio Sam – como de resto acho que as de todos os países - não têm capacidade de ocupar uma nação hostil aos seus ideais; ou como se costuma falar, ganhar corações e mentes. Com elas é oito ou oitenta, ou a submissão ou abandona-se o intento por que os outros não têm “corações ou mentes”. Ou a terceira via, eliminação total, mas em um mundo tão interdependente quem irá apoiar algo assim?
O fato é que hoje Bush pediu mais alguns bilhõezinhos para continuar com a pantomima de que a situação do Iraque tem jeito, pelo menos um jeito que agrade aos habitantes acima do Rio Grande a abaixo do Niagara (Van Damme diria: retroceder nunca, render-se jamais). Sabe que não tem e vai tentar levar as coisas com a barriga pelos próximos dois anos e quem sabe fazer um sucessor.
Em um mundo que reelegeu Chávez, Lula e o próprio Bush, não seria de se espantar.
E no front da propaganda interna, as coisas estão indo de mal a pior. Ressuscitaram até a Jane Fonda - que se não me engano havia pedido desculpas ao povo americano por não apoiar a guerra do Vietnã em respeito aos soldados que estavam lá perdendo vidas – como ativista política antiguerra, e eu desconfio que isso tudo sem que os estadunidenses tenham idéia do lodaçal em que meteram.
Ficou claro que as tropas do tio Sam – como de resto acho que as de todos os países - não têm capacidade de ocupar uma nação hostil aos seus ideais; ou como se costuma falar, ganhar corações e mentes. Com elas é oito ou oitenta, ou a submissão ou abandona-se o intento por que os outros não têm “corações ou mentes”. Ou a terceira via, eliminação total, mas em um mundo tão interdependente quem irá apoiar algo assim?
O fato é que hoje Bush pediu mais alguns bilhõezinhos para continuar com a pantomima de que a situação do Iraque tem jeito, pelo menos um jeito que agrade aos habitantes acima do Rio Grande a abaixo do Niagara (Van Damme diria: retroceder nunca, render-se jamais). Sabe que não tem e vai tentar levar as coisas com a barriga pelos próximos dois anos e quem sabe fazer um sucessor.
Em um mundo que reelegeu Chávez, Lula e o próprio Bush, não seria de se espantar.
domingo, 4 de fevereiro de 2007
Um novo Judas
A imprensa brasileira costuma fazer um rodízio de culpados pela raquítica força do crescimento de nosso PIB: primeiro sempre aparecem os juros, depois a gestão pública – personificada ultimamente pelo déficit previdenciário - e por fim o inimigo externo na figura dos produtos importados. E chegou a vez deste último, a se acreditar que a matéria da Folha (assinantes Folha ou UOL cliquem aqui) é uma tendência que será seguida.
Está certo que é normal haver uma onda ufanista sempre que as importações ameaçam crescer muito, e mais ainda quando elas realmente crescem, mas a reportagem da Folha de hoje já é um exagero de retórica gasto na defesa da indústria nacional.
Assinada por Fernando Canzian, ela diz que o crescimento do PIB está sendo contido pelo aumento das importações, o que é um completo absurdo.
Disse mais isso: “Em 2006, bastante estimulado por programas sociais, o consumo das famílias cresceu 3,6%, e o PIB, 2,3% (até setembro). A diferença entre os dois percentuais foi, basicamente, atendida pelos importados”. O que nos leva a crer que o autor considera que o PIB é exatamente igual ao consumo das famílias, o que todos sabemos não ser verdade.
O fato de haver um aumento do consumo das famílias pode, inclusive, ser fruto do aumento dos importados, uma vez que exista uma maior oferta de itens ou uma melhor relação custo-benefício que o estimule.
Em resumo, uma coisa não tem nada a ver com a outra. Se está ocorrendo uma diminuição do investimento industrial no Brasil, pode se culpar a quase tudo, menos ao dólar barato e ao aumento de importação.
Está certo que é normal haver uma onda ufanista sempre que as importações ameaçam crescer muito, e mais ainda quando elas realmente crescem, mas a reportagem da Folha de hoje já é um exagero de retórica gasto na defesa da indústria nacional.
Assinada por Fernando Canzian, ela diz que o crescimento do PIB está sendo contido pelo aumento das importações, o que é um completo absurdo.
Disse mais isso: “Em 2006, bastante estimulado por programas sociais, o consumo das famílias cresceu 3,6%, e o PIB, 2,3% (até setembro). A diferença entre os dois percentuais foi, basicamente, atendida pelos importados”. O que nos leva a crer que o autor considera que o PIB é exatamente igual ao consumo das famílias, o que todos sabemos não ser verdade.
O fato de haver um aumento do consumo das famílias pode, inclusive, ser fruto do aumento dos importados, uma vez que exista uma maior oferta de itens ou uma melhor relação custo-benefício que o estimule.
Em resumo, uma coisa não tem nada a ver com a outra. Se está ocorrendo uma diminuição do investimento industrial no Brasil, pode se culpar a quase tudo, menos ao dólar barato e ao aumento de importação.
sexta-feira, 2 de fevereiro de 2007
Sem título
Para quem leu meu artigo de dois dias atrás seria bom dar uma ouvida neste comentário que reforça tudo que lá foi escrito.
O fato é que já superamos a fase – em tudo mais difícil - de não saber o que fazer, só falta superar a fase de não agir. Quanto a esta não há dificuldade nenhuma, sabemos que agiremos. Só resta saber se será por bem ou por mal.
Outro detalhe será se dará tempo de resguardar nossa qualidade de vida ou não, mas quem liga para qualidade de vida se a própria existência está ameaçada?
A verdade é que a Onu soltou um relatório que afirma que com 90% de probabilidade o tempo louco que estamos observando agora seja resultado da influência humana. Sendo ou não nossa culpa, temos que tentar conter a loucura já ou, melhor, pra ontem. Então mãos à massa.
Obs: Continuo não acreditando que a existência do ser humano esteja ameaçada.
O que estamos ameaçando é a boa vida do ser humano. Porém, como muitos acreditam que estamos trabalhando contra a sobrevivência da espécie, deixo esta possibilidade em aberto, já que não podemos desacreditar a capacidade de fazer estupidez de quem já se envolveu em tantas e tão sangrentas guerras.
O fato é que já superamos a fase – em tudo mais difícil - de não saber o que fazer, só falta superar a fase de não agir. Quanto a esta não há dificuldade nenhuma, sabemos que agiremos. Só resta saber se será por bem ou por mal.
Outro detalhe será se dará tempo de resguardar nossa qualidade de vida ou não, mas quem liga para qualidade de vida se a própria existência está ameaçada?
A verdade é que a Onu soltou um relatório que afirma que com 90% de probabilidade o tempo louco que estamos observando agora seja resultado da influência humana. Sendo ou não nossa culpa, temos que tentar conter a loucura já ou, melhor, pra ontem. Então mãos à massa.
Obs: Continuo não acreditando que a existência do ser humano esteja ameaçada.
O que estamos ameaçando é a boa vida do ser humano. Porém, como muitos acreditam que estamos trabalhando contra a sobrevivência da espécie, deixo esta possibilidade em aberto, já que não podemos desacreditar a capacidade de fazer estupidez de quem já se envolveu em tantas e tão sangrentas guerras.
quinta-feira, 1 de fevereiro de 2007
Atemporal
Faz setenta anos o ilustre Sergio Buarque de Hollanda escreveu Raízes do Brasil, no qual demonstrou o paternalismo que se encontra por estas paragens.
Em determinado momento, criticando-o como algo velho e fora de lugar chama um dos defensores deste paternalismo político, Silva Lisboa (Visconde do Cairu), de um homem do passado já em 1819 por ter escrito isso:
“O primeiro princípio da economia política é que o soberano de cada nação deve considerar-se como chefe ou cabeça de uma vasta família, e conseqüentemente amparar a todos que nela estão, como seus filhos e cooperadores da geral felicidade...” e também “Quanto mais o governo civil se aproxima a este caráter paternal e forceja por realizar esta ficção essa ficção generosa e filantrópica, tanto ele é mais justo e poderoso, sendo então a obediência a mais voluntária e cordial, e a satisfação dos povos a mais sincera e indefinida”.
Como vemos, o que Hollanda considerava fora de lugar no começo do século XIX, está se exacerbando no começo do século XXI, e não só aqui.
Que venham os Chávez, Morales, Correas e Lulas. Vai ver Hollanda estivesse errado e Cairu fosse um visionário, dois séculos à frente do seu tempo. Ou talvez o autor de Raízes estivesse certo e a América Latina esteja fora de seu tempo, anacronicamente se dirigindo dois séculos para o passado.
Em qual possibilidade vocês apostam?
Em determinado momento, criticando-o como algo velho e fora de lugar chama um dos defensores deste paternalismo político, Silva Lisboa (Visconde do Cairu), de um homem do passado já em 1819 por ter escrito isso:
“O primeiro princípio da economia política é que o soberano de cada nação deve considerar-se como chefe ou cabeça de uma vasta família, e conseqüentemente amparar a todos que nela estão, como seus filhos e cooperadores da geral felicidade...” e também “Quanto mais o governo civil se aproxima a este caráter paternal e forceja por realizar esta ficção essa ficção generosa e filantrópica, tanto ele é mais justo e poderoso, sendo então a obediência a mais voluntária e cordial, e a satisfação dos povos a mais sincera e indefinida”.
Como vemos, o que Hollanda considerava fora de lugar no começo do século XIX, está se exacerbando no começo do século XXI, e não só aqui.
Que venham os Chávez, Morales, Correas e Lulas. Vai ver Hollanda estivesse errado e Cairu fosse um visionário, dois séculos à frente do seu tempo. Ou talvez o autor de Raízes estivesse certo e a América Latina esteja fora de seu tempo, anacronicamente se dirigindo dois séculos para o passado.
Em qual possibilidade vocês apostam?
quarta-feira, 31 de janeiro de 2007
terça-feira, 30 de janeiro de 2007
É só enfrentar as petroleiras
A conversa fiada de que se precisa pesquisar mais para que o petróleo deixe de ter a predominância que hoje ocupa na economia mundial nada passa disso, conversa fiada.
A se fiar em um termo caro às ex-esquerdas bravateiras deste país ao é necessário nada mais do que vontade “política”.
Vamos tomar, por exemplo, o consumo de derivados de petróleo para transporte, que este gráfico diz ser a parte do leão do consumo nos Estados Unidos.
As tecnologias já utilizadas com carros híbridos (combustíveis líquidos e eletricidade) acarretam um ganho de eficiência energética médio superior a 100%. Caso toda a frota estadunidense fosse substituída por um ato de mágica em veículos com esta tecnologia, o consumo de petróleo por esta nação seria 31,5% menor e a sua dependência externa se reduziria a menos da metade da atual.
Haveria um custo da mudança de tecnologia? Claro que sim, mas é certo também que outros custos escondidos no uso de petróleo, e cada vez mais explicitados pela mídia internacional, seriam abandonados.
E como se poderia fazer com que os custos fossem rateados? De maneira politicamente correta e com menor desgaste eleitoral - através de benefícios fiscais para os compradores de carros híbridos - ou de maneira truculenta - com a adoção de impostos aos combustíveis fósseis que façam com que a utilização dos carros de combustão interna comum seja mais cara do que a dos híbridos -, não importaria, desde que o resultado final fosse o abandono da tecnologia mais antiga.
Esse é apenas um exemplo de como podemos diminuir em muito o uso do petróleo sem a necessidade de nenhuma inovação tecnológica ao que já está totalmente em uso comercial. Muitos outros podem ser verificados em todos os usos do petróleo, só carecem de ação. E deixar as grandes petroleiras na saudade
Que falta faz uma boa vontade política, de verdade.
A se fiar em um termo caro às ex-esquerdas bravateiras deste país ao é necessário nada mais do que vontade “política”.
Vamos tomar, por exemplo, o consumo de derivados de petróleo para transporte, que este gráfico diz ser a parte do leão do consumo nos Estados Unidos.
As tecnologias já utilizadas com carros híbridos (combustíveis líquidos e eletricidade) acarretam um ganho de eficiência energética médio superior a 100%. Caso toda a frota estadunidense fosse substituída por um ato de mágica em veículos com esta tecnologia, o consumo de petróleo por esta nação seria 31,5% menor e a sua dependência externa se reduziria a menos da metade da atual.
Haveria um custo da mudança de tecnologia? Claro que sim, mas é certo também que outros custos escondidos no uso de petróleo, e cada vez mais explicitados pela mídia internacional, seriam abandonados.
E como se poderia fazer com que os custos fossem rateados? De maneira politicamente correta e com menor desgaste eleitoral - através de benefícios fiscais para os compradores de carros híbridos - ou de maneira truculenta - com a adoção de impostos aos combustíveis fósseis que façam com que a utilização dos carros de combustão interna comum seja mais cara do que a dos híbridos -, não importaria, desde que o resultado final fosse o abandono da tecnologia mais antiga.
Esse é apenas um exemplo de como podemos diminuir em muito o uso do petróleo sem a necessidade de nenhuma inovação tecnológica ao que já está totalmente em uso comercial. Muitos outros podem ser verificados em todos os usos do petróleo, só carecem de ação. E deixar as grandes petroleiras na saudade
Que falta faz uma boa vontade política, de verdade.
segunda-feira, 29 de janeiro de 2007
Pleitiando a vaga com uma republicação
Se o senhor W. Bush quiser um assessor especial para assuntos aleatórios, já sabe onde procurar; segue aí um texto de 2005 com a política que este pretende começar a aplicar agora.
Como vocês vêem, não é preciso ser nenhum gênio para colocar em prática boas políticas. É só pegar as coisas que estão à mão.
O texto é o seguinte:
Vamos variar, Mister Bush
Não é só o administrador brasileiro que tem dificuldade de dar uma leitura holística dos problemas que lhe são apresentados.
Se concatenassem as coisas, muitos problemas considerados insolúveis seriam equacionados. Vamos pegar dois problemas norte-americanos, que se subdividem em uma porção, e apontar uma solução conjunta para eles.
São eles a imigração demasiada dos pobres da América Latina e África para lá e a outra é a extrema dependência do petróleo produzida por um punhado de países.
Todos nós sabemos que América Latina e África são regiões potencialmente imbatíveis na produção agrícola, mas dependentes de capital externo e de tecnologia para implementar suas potencialidades. São também grandes produtores de gente, e de imigrantes.
Sabemos também que imigração é normalmente a última opção para as pessoas, feita só quando as esperanças de uma vida digna se esvaem. Mais uma coisa, que a agricultura é uma das atividades humanas mais intensivas em uso de mão-de-obra. Juntando uma coisa a outra, porquê não financiar a agricultura nestes países em vez de gastar uma fortuna tentando evitar a chegada de uma leva de imigrantes; cercando fronteiras, utilizando aviões, etc.
E quanto a dependência do petróleo? Com base na potencialidade da biomassa como integrante da matriz energética do mundo, utilizar os países já citados como base produtora de biodiesel, álcool ou seja lá qual tecnologia de biomassa, poderia suprir as necessidades deste países produtores, diminuindo a demanda pelo petróleo, e até gerar excedentes exportáveis. Seria um ferimento de morte na OPEP (Organização dos Países Produtores de Petróleo) e ajudaria a diminuir os custos de adoção destas novas tecnologias (algumas nem tão novas assim).
Juntando os dois teríamos imigrantes potenciais vivendo em suas próprias terras, diminuiríamos a pressão sobre o petróleo como base da matriz energética e incluiríamos consumidores para os capitalistas se fartarem.
É certo que não seriam programas baratos. Mas os recursos estão disponíveis, é só examinar o orçamento direito. Tem as verbas do subsídio agrícola (dizem que é mais de um bilhão por dia), das guerras por petróleo, da promoção comercial, da ajuda aos países subdesenvolvidos, da promoção de energias alternativas, etc.
E todas teriam externalidade positivas. Desviando os subsídios dos fazendeiros norte-americanos para os de países realmente necessitados implantarem as lavouras energéticas, as distorções nos mercados mais sensíveis (algodão, soja, milho, etc) seriam suprimidas. A renda gerada criaria mercados para os produtos e serviços “yankees”, muitas lutas tribais poderiam deixar de ocorrer junto com o fim da miséria Enfim um negócio lucrativo para todos exceto os barões do petróleo, das armas, da ajuda externa, da política corrupta.
Exatamente o tipo de coisa que não é colocado em prática, sempre que um barão é prejudicado as coisas andam devagar, imagine com tantos.
Como vocês vêem, não é preciso ser nenhum gênio para colocar em prática boas políticas. É só pegar as coisas que estão à mão.
O texto é o seguinte:
Vamos variar, Mister Bush
Não é só o administrador brasileiro que tem dificuldade de dar uma leitura holística dos problemas que lhe são apresentados.
Se concatenassem as coisas, muitos problemas considerados insolúveis seriam equacionados. Vamos pegar dois problemas norte-americanos, que se subdividem em uma porção, e apontar uma solução conjunta para eles.
São eles a imigração demasiada dos pobres da América Latina e África para lá e a outra é a extrema dependência do petróleo produzida por um punhado de países.
Todos nós sabemos que América Latina e África são regiões potencialmente imbatíveis na produção agrícola, mas dependentes de capital externo e de tecnologia para implementar suas potencialidades. São também grandes produtores de gente, e de imigrantes.
Sabemos também que imigração é normalmente a última opção para as pessoas, feita só quando as esperanças de uma vida digna se esvaem. Mais uma coisa, que a agricultura é uma das atividades humanas mais intensivas em uso de mão-de-obra. Juntando uma coisa a outra, porquê não financiar a agricultura nestes países em vez de gastar uma fortuna tentando evitar a chegada de uma leva de imigrantes; cercando fronteiras, utilizando aviões, etc.
E quanto a dependência do petróleo? Com base na potencialidade da biomassa como integrante da matriz energética do mundo, utilizar os países já citados como base produtora de biodiesel, álcool ou seja lá qual tecnologia de biomassa, poderia suprir as necessidades deste países produtores, diminuindo a demanda pelo petróleo, e até gerar excedentes exportáveis. Seria um ferimento de morte na OPEP (Organização dos Países Produtores de Petróleo) e ajudaria a diminuir os custos de adoção destas novas tecnologias (algumas nem tão novas assim).
Juntando os dois teríamos imigrantes potenciais vivendo em suas próprias terras, diminuiríamos a pressão sobre o petróleo como base da matriz energética e incluiríamos consumidores para os capitalistas se fartarem.
É certo que não seriam programas baratos. Mas os recursos estão disponíveis, é só examinar o orçamento direito. Tem as verbas do subsídio agrícola (dizem que é mais de um bilhão por dia), das guerras por petróleo, da promoção comercial, da ajuda aos países subdesenvolvidos, da promoção de energias alternativas, etc.
E todas teriam externalidade positivas. Desviando os subsídios dos fazendeiros norte-americanos para os de países realmente necessitados implantarem as lavouras energéticas, as distorções nos mercados mais sensíveis (algodão, soja, milho, etc) seriam suprimidas. A renda gerada criaria mercados para os produtos e serviços “yankees”, muitas lutas tribais poderiam deixar de ocorrer junto com o fim da miséria Enfim um negócio lucrativo para todos exceto os barões do petróleo, das armas, da ajuda externa, da política corrupta.
Exatamente o tipo de coisa que não é colocado em prática, sempre que um barão é prejudicado as coisas andam devagar, imagine com tantos.
sábado, 27 de janeiro de 2007
Não se mirem no exemplo europeu
Em um dos raros momentos em que resolvi ler o que diz a chamada esquerda brasileira me deparei com um texto de um dos que se esmeram em ser porta-voz desta visão de mundo que ele pensa ser de vanguarda, Emir Sader.
Procurando ser um intérprete da América Latina para os que não a entendem, conclui sua explanação com o seguinte:
“É um continente que não se deixa aprisionar pelos esquemas liberais e eurocentristas, que se rebela, que constrói e reconstrói suas alterantivas de novas maneiras, aprendendo das experiências passadas e refazendo sua história presente. Promovendo as surpresas que fazem da América Latina a nova toupeira do século XXI.”
A verdade é que agora preciso de um intérprete para interpretar o intérprete da América Latina. Não sei o que significa alterantivas, mas deve ser muito bom esse negócio, já que faz do sub-continente uma toupeira(?) do séc. XXI.
E já que não nos deixamos aprisionar pelos esquemas liberais e eurocentristas devemos louvar a Deus, qualquer um deles, pela nossa prosperidade e paz social. Já pensou o caos que estaria aqui caso nos espelhássemos na Europa e sua miséria generalizada e ditaduras libertárias à moda bolivariana?
Procurando ser um intérprete da América Latina para os que não a entendem, conclui sua explanação com o seguinte:
“É um continente que não se deixa aprisionar pelos esquemas liberais e eurocentristas, que se rebela, que constrói e reconstrói suas alterantivas de novas maneiras, aprendendo das experiências passadas e refazendo sua história presente. Promovendo as surpresas que fazem da América Latina a nova toupeira do século XXI.”
A verdade é que agora preciso de um intérprete para interpretar o intérprete da América Latina. Não sei o que significa alterantivas, mas deve ser muito bom esse negócio, já que faz do sub-continente uma toupeira(?) do séc. XXI.
E já que não nos deixamos aprisionar pelos esquemas liberais e eurocentristas devemos louvar a Deus, qualquer um deles, pela nossa prosperidade e paz social. Já pensou o caos que estaria aqui caso nos espelhássemos na Europa e sua miséria generalizada e ditaduras libertárias à moda bolivariana?
sexta-feira, 26 de janeiro de 2007
Voltando ao Furtado
Depreende-se da leitura que não houve uma diversificação maior da economia durante a história econômica brasileira porque havia sempre uma atividade tão mais lucrativa que as demais que não existia nenhum sentido em aplicar qualquer fator de produção em algo não diretamente ligado na atividade da vez.
Desta forma só havia comércio pela razão que alguns itens eram essenciais ao funcionamento dos engenhos, no ciclo do açúcar, e não podiam ser produzidos dentro da fazenda e havia os entrepostos comerciais que formaram uma infinidade de vilas e cidades no sul fluminense e sudeste mineiro, no ciclo do ouro, pela razão de que não se podia fazer a viagem que trazia os equipamentos de lavra do litoral e os minérios do interior sem o suporte destes.
O fato é que agora este mecanismo se repete, só que a atividade que suga todos os recursos potencialmente alocáveis estão indo para algo totalmente estéril, o financiamento da dívida pública.
Estéril em dois sentidos, não gera produção e empregos e não gera serviços públicos de qualidade.
A manutenção de juros nesta faixa em que o BC insiste em dizer ser o mínimo que nossa economia suporta sem surtos inflacionários é uma aplicação muito descarada do favorecimento das elites que sempre fez o Brasil concentrar renda.
Mais uma fez o pai do fenômeno pode dizer que nunca na história deste país se fez algo tão inovador para favorecer aos ricos, que como ele mesmo disse, nunca ganharam tanto dinheiro quanto no seu primeiro mandato.
Desta forma só havia comércio pela razão que alguns itens eram essenciais ao funcionamento dos engenhos, no ciclo do açúcar, e não podiam ser produzidos dentro da fazenda e havia os entrepostos comerciais que formaram uma infinidade de vilas e cidades no sul fluminense e sudeste mineiro, no ciclo do ouro, pela razão de que não se podia fazer a viagem que trazia os equipamentos de lavra do litoral e os minérios do interior sem o suporte destes.
O fato é que agora este mecanismo se repete, só que a atividade que suga todos os recursos potencialmente alocáveis estão indo para algo totalmente estéril, o financiamento da dívida pública.
Estéril em dois sentidos, não gera produção e empregos e não gera serviços públicos de qualidade.
A manutenção de juros nesta faixa em que o BC insiste em dizer ser o mínimo que nossa economia suporta sem surtos inflacionários é uma aplicação muito descarada do favorecimento das elites que sempre fez o Brasil concentrar renda.
Mais uma fez o pai do fenômeno pode dizer que nunca na história deste país se fez algo tão inovador para favorecer aos ricos, que como ele mesmo disse, nunca ganharam tanto dinheiro quanto no seu primeiro mandato.
quinta-feira, 25 de janeiro de 2007
Furtado
Vejam só vocês, depois de ouvir por anos afins que Furtado disse isso, Furtado disse aquilo, resolvi conferir o que o pensador tinha a falar no seu livro mais famoso, “A formação econômica do Brasil”.
Antes mesmo de falecer em 2004, o economista já era considerado um santo pelos esquerdistas e pelos “desenvolvimentistas” de todas as matizes.
E dá para entender perfeitamente, já que seus escritos, provavelmente com uma concepção nova para a época, mostra uma visão completamente condizente com o pensamento que, utilizando uma expressão popularizada pela Veja, é a vanguarda do atraso.
Furtado diz que durante toda a história econômica retratada por ele, e o detalhe é que o livro é de 1959, o setor exportador foi amplamente favorecido por políticas deliberadas em detrimento dos demais setores da economia – o que, diga-se de passagem, não é nenhuma novidade para mim e nem para ninguém – e em alguns períodos houve o congelamento cambial, em condições extremamente desfavoráveis para o consumidor, para que a nascente indústria ganhasse competitividade.
É claro que Furtado defendeu estas políticas deliberadas, uma vez que o pobre capital produtivo tinha que ser fomentado, gestado, cuidado, alimentado, etc... e que se dana-se o resto da população, simples fator de produção a ser manejado pelos produtores.
Não é de causar espanto que uma visão seja endeusada por um amplo espectro da política. Afinal o povo mais a esquerda pensa no ser humano como uma engrenagem do sistema e o mais a direita como um insumo, mas me admira muito a admiração que suas idéias do que é certo e errado para a economia nacional seja apoiada por alguém de perfil, digamos, centrista.
E me admira mais ainda que pessoas ligadas ao governo atual queiram a todo custo aplicar o receituário desenvolvimentista explicada na obra, é simplesmente mais do mesmo que foi aplicada no país durante toda a nossa história, excetuando-se o denegrido período “neoliberal” que estamos vivendo agora. Ou seja, mais do mesmo que nos levou à situação que chegamos hoje.
Não me parece sensato, mais, oras, a sensatez é uma qualidade supervalorizada no mundo, não?
De concreto, pode se ficar com um comentário da contracapa da edição que eu li, retirada de Celso Furtado (Francisco de Oliveira, 1983): “ninguém, nestes anos, pensou o Brasil a não ser em termos furtadianos”. Creio que isso se aproxima muito da verdade, o que só vem a confirmar o rodriguianismo que diz que toda a unanimidade é burra.
Antes mesmo de falecer em 2004, o economista já era considerado um santo pelos esquerdistas e pelos “desenvolvimentistas” de todas as matizes.
E dá para entender perfeitamente, já que seus escritos, provavelmente com uma concepção nova para a época, mostra uma visão completamente condizente com o pensamento que, utilizando uma expressão popularizada pela Veja, é a vanguarda do atraso.
Furtado diz que durante toda a história econômica retratada por ele, e o detalhe é que o livro é de 1959, o setor exportador foi amplamente favorecido por políticas deliberadas em detrimento dos demais setores da economia – o que, diga-se de passagem, não é nenhuma novidade para mim e nem para ninguém – e em alguns períodos houve o congelamento cambial, em condições extremamente desfavoráveis para o consumidor, para que a nascente indústria ganhasse competitividade.
É claro que Furtado defendeu estas políticas deliberadas, uma vez que o pobre capital produtivo tinha que ser fomentado, gestado, cuidado, alimentado, etc... e que se dana-se o resto da população, simples fator de produção a ser manejado pelos produtores.
Não é de causar espanto que uma visão seja endeusada por um amplo espectro da política. Afinal o povo mais a esquerda pensa no ser humano como uma engrenagem do sistema e o mais a direita como um insumo, mas me admira muito a admiração que suas idéias do que é certo e errado para a economia nacional seja apoiada por alguém de perfil, digamos, centrista.
E me admira mais ainda que pessoas ligadas ao governo atual queiram a todo custo aplicar o receituário desenvolvimentista explicada na obra, é simplesmente mais do mesmo que foi aplicada no país durante toda a nossa história, excetuando-se o denegrido período “neoliberal” que estamos vivendo agora. Ou seja, mais do mesmo que nos levou à situação que chegamos hoje.
Não me parece sensato, mais, oras, a sensatez é uma qualidade supervalorizada no mundo, não?
De concreto, pode se ficar com um comentário da contracapa da edição que eu li, retirada de Celso Furtado (Francisco de Oliveira, 1983): “ninguém, nestes anos, pensou o Brasil a não ser em termos furtadianos”. Creio que isso se aproxima muito da verdade, o que só vem a confirmar o rodriguianismo que diz que toda a unanimidade é burra.
terça-feira, 23 de janeiro de 2007
Inflação sobre controle, apesar de tudo
Observando o noticiário econômico dos últimos tempos vê-se que há uma preocupação dos analistas, entrevistados e videntes cada vez maior com a indexação da economia pretendida pelo governo Lula.
Não estou preocupado com isso, não por achar que a indexação é boa ou mesmo que não existirá. Ela nunca desapareceu da face do nosso país, pelo simples fato de que já está presente em grande parte do nosso território atrelada ao salário mínimo – sobre o que, aliás, já escrevi um artigo aqui neste blog -, e a baixa inflação que estamos vivendo (para os nossos padrões, é claro) não é devida à desindexação.
A baixa inflação é obra da abertura econômica e do câmbio livre, que fazem com que os preços internacionais das mercadorias pressionados para baixo pelas manufaturas asiáticas sejam incorporados à nossa cesta de detecção da inflação. E assim continuará enquanto nossa economia tiver estes dois esteios, permanecerá funcionando pelos padrões internacionais.
Uma possível aceleração da inflação será sentida totalmente no setor de serviços, que não sofre concorrência internacional tão grande (e em alguns casos nenhuma concorrência internacional).
Como nosso consumo de serviços é extremamente baixo, Lula poderá dizer por muito tempo que nunca na história deste país houve um período de estabilidade de preços tão grande e que o salário do trabalhador nunca comprou tantos alimentos e que...É uma porção de mentiras, eu sei, mas mesmo esta mentira acontece apesar dele e não devido a ele.
Não estou preocupado com isso, não por achar que a indexação é boa ou mesmo que não existirá. Ela nunca desapareceu da face do nosso país, pelo simples fato de que já está presente em grande parte do nosso território atrelada ao salário mínimo – sobre o que, aliás, já escrevi um artigo aqui neste blog -, e a baixa inflação que estamos vivendo (para os nossos padrões, é claro) não é devida à desindexação.
A baixa inflação é obra da abertura econômica e do câmbio livre, que fazem com que os preços internacionais das mercadorias pressionados para baixo pelas manufaturas asiáticas sejam incorporados à nossa cesta de detecção da inflação. E assim continuará enquanto nossa economia tiver estes dois esteios, permanecerá funcionando pelos padrões internacionais.
Uma possível aceleração da inflação será sentida totalmente no setor de serviços, que não sofre concorrência internacional tão grande (e em alguns casos nenhuma concorrência internacional).
Como nosso consumo de serviços é extremamente baixo, Lula poderá dizer por muito tempo que nunca na história deste país houve um período de estabilidade de preços tão grande e que o salário do trabalhador nunca comprou tantos alimentos e que...É uma porção de mentiras, eu sei, mas mesmo esta mentira acontece apesar dele e não devido a ele.
segunda-feira, 22 de janeiro de 2007
Outros buracos
Hoje teve Pac e, convenhamos, não consegui ver nada demais no tal programa; um monte de promessas e ataques aos últimos quinze anos de administração pública no Brasil (nota: é engraçado que não se fala mais em herança maldita e se esqueceu de dizer os dez anos antes de nós).
Mas há algo muito importante, caminhões de dinheiro serão despejados em uma Kombi de projetos, vamos ver o que vai sair disso.
Eu tenho uma obra prioritária, espero que seja contemplada. Não sei onde fica e só vi de relance em uma reportagem de tv entre o buraco do metrô e o rompimento do dique, sei que é lá pros lados do centro-oeste, um dos Mato Grossos.
Se trata de um trecho de estrada que foi destruído pelo rio que passa abaixo dele 4 vezes nos últimos 6 anos. Isso mesmo, 4 em 6, e parece que eles seguem reconstruindo a estrada no mesmo lugar e com as mesmas técnicas. Acho até que andam tapando os buracos nela, já que o asfalto nas bordas do trecho que ruiu parecia novo em folha, ou será que isso é porque vivem reconstruindo o trecho?
Será que isso é considerado um erro de engenharia também? Desconfio que sim, mas vai saber, não sei mais o que é certo ou errado na América do Sul.
Mas ando mesmo assim minha sugestão aos aceleradores de crescimento, dêem uma olhada nesta estrada, talvez se ela for feita direito passe há ruir apenas de 3 em 3 anos ou de 4 em 4.
Garanto que haverá um pouquinho mais de dinheiro para investir em outras coisas se isso acontecer.
Obs: uma menção honrosa para a cobertura da imprensa à fissura que se formou em um trecho do acostamento da rodovia Dutra. Nunca uma estrada mereceu link ao vivo por algo tão pequeno.
A rodovia – caso tivesse sentimentos – estaria se achando agora.
Mas há algo muito importante, caminhões de dinheiro serão despejados em uma Kombi de projetos, vamos ver o que vai sair disso.
Eu tenho uma obra prioritária, espero que seja contemplada. Não sei onde fica e só vi de relance em uma reportagem de tv entre o buraco do metrô e o rompimento do dique, sei que é lá pros lados do centro-oeste, um dos Mato Grossos.
Se trata de um trecho de estrada que foi destruído pelo rio que passa abaixo dele 4 vezes nos últimos 6 anos. Isso mesmo, 4 em 6, e parece que eles seguem reconstruindo a estrada no mesmo lugar e com as mesmas técnicas. Acho até que andam tapando os buracos nela, já que o asfalto nas bordas do trecho que ruiu parecia novo em folha, ou será que isso é porque vivem reconstruindo o trecho?
Será que isso é considerado um erro de engenharia também? Desconfio que sim, mas vai saber, não sei mais o que é certo ou errado na América do Sul.
Mas ando mesmo assim minha sugestão aos aceleradores de crescimento, dêem uma olhada nesta estrada, talvez se ela for feita direito passe há ruir apenas de 3 em 3 anos ou de 4 em 4.
Garanto que haverá um pouquinho mais de dinheiro para investir em outras coisas se isso acontecer.
Obs: uma menção honrosa para a cobertura da imprensa à fissura que se formou em um trecho do acostamento da rodovia Dutra. Nunca uma estrada mereceu link ao vivo por algo tão pequeno.
A rodovia – caso tivesse sentimentos – estaria se achando agora.
domingo, 21 de janeiro de 2007
As voltas que o mundo dá
Muitas vezes não nos damos conta da velocidade das mudanças que estão ocorrendo no mundo, mas um pequeno “causo” que relatarei agora colocará um pouco de perspectiva sobre como isso ocorre em ritmo acelerado.
Em meu último ano na faculdade de jornalismo (1998) meu grupo foi responsável por escrever uma edição especial sobre trânsito da publicação interna da faculdade.
Eu propus que uma das reportagens trata-se do não-trânsito, que nada mais era do que uma opção de vida mais centrada no bairro e no teletrabalho para evitar deslocamentos que demandassem transporte público ou individual. Portanto não estava propondo nenhuma matéria sobre mudança radical de tecnologias e sim uma sobre racionalização da vida urbana.
Resulta que fui tratado como loucos pelos demais integrantes do meu grupo por esta sugestão que não me pareceu nada excêntrica (em verdade vos digo que talvez não tenha sido só isso, mas todo o conjunto da obra).
Passados menos de nove anos, esse delírio que eu gostaria de ter investigado melhor à época parece estar se tornando a tendência. Os grandes deslocamentos de funcionários estão sendo evitados pelas empresas, que estão tentando contratar nas imediações de seus postos físicos, e o teletrabalho está cada vez mais em alta ( segundo Joel Hotkin – em um recente artigo para a revista Newsweek special edition – há 4 milhões de teletrabalhadores em período integral e 20 milhões em tempo parcial apenas nos Estados Unidos), sem contar que existe um movimento para a valorização da vida em comunidade e dos bairros nas grandes metrópoles.
Como vocês vêem, aquela sugestão de pauta passou de coisa de maluco a totalmente normal em menos de uma década, e o maluco nem era visionário.
Em meu último ano na faculdade de jornalismo (1998) meu grupo foi responsável por escrever uma edição especial sobre trânsito da publicação interna da faculdade.
Eu propus que uma das reportagens trata-se do não-trânsito, que nada mais era do que uma opção de vida mais centrada no bairro e no teletrabalho para evitar deslocamentos que demandassem transporte público ou individual. Portanto não estava propondo nenhuma matéria sobre mudança radical de tecnologias e sim uma sobre racionalização da vida urbana.
Resulta que fui tratado como loucos pelos demais integrantes do meu grupo por esta sugestão que não me pareceu nada excêntrica (em verdade vos digo que talvez não tenha sido só isso, mas todo o conjunto da obra).
Passados menos de nove anos, esse delírio que eu gostaria de ter investigado melhor à época parece estar se tornando a tendência. Os grandes deslocamentos de funcionários estão sendo evitados pelas empresas, que estão tentando contratar nas imediações de seus postos físicos, e o teletrabalho está cada vez mais em alta ( segundo Joel Hotkin – em um recente artigo para a revista Newsweek special edition – há 4 milhões de teletrabalhadores em período integral e 20 milhões em tempo parcial apenas nos Estados Unidos), sem contar que existe um movimento para a valorização da vida em comunidade e dos bairros nas grandes metrópoles.
Como vocês vêem, aquela sugestão de pauta passou de coisa de maluco a totalmente normal em menos de uma década, e o maluco nem era visionário.
E as voltas que São Paulo não dá
Na mesma publicação saiu uma matéria sobre o então Fura-fila, que devido ao ceticismo que causava em nós quanto à conclusão da obra, só foi publicada devido a inserções comerciais que o governo municipal de São Paulo estava veiculando sobre a inauguração da obra em emissoras de tv abertas.
As inserções comerciais sumiram, alguns prefeitos sentaram na cadeira (que, aliás, até mudou de local, junto com a sede da prefeitura) e nada da inauguração da obra.
Diz o Kassab que agora vai, veremos.
As inserções comerciais sumiram, alguns prefeitos sentaram na cadeira (que, aliás, até mudou de local, junto com a sede da prefeitura) e nada da inauguração da obra.
Diz o Kassab que agora vai, veremos.
sábado, 20 de janeiro de 2007
A educação dos potentados
Por mais que se queira personalizar, país não é gente e não pode se dar ao luxo de ser mal-educado. Já os líderes dos países vivem fazendo isso, e sujam a imagem de suas nações e do povo que representam.
Um que acha o máximo ser mal-educado é o Chávez. Sempre nos foi ensinado que não devemos criticar os demais com a intenção de constrangê-los; e é só o que este suposto estadista faz. Muitas vezes na casa do alvo, como ele fez em Nova Iorque ao chamar George W. Bush de diabo. Será que este xingamento trouxe algum ganho diplomático ao seu país ou só o fez porque achou que era uma boa hora para uma ofensa gratuita?
Como maus hábitos se disseminam rapidamente, Evo “ pupilo” Morales também está colocando suas asinhas para fora; vocês devem ter visto a forma como a dupla agiu contra o presidente colombiano Álvaro Uribe na reunião de cúpula do Mercosul (pois é, parece que isso ainda existe, ao menos para gastar nosso dinheiro com a segurança dos supostos líderes).
Resta saber como serão as próximas reuniões de cúpula; será que irão cuspir na mão antes de se cumprimentar? Ou dar uma rápida passada de mãos na bunda?
Quem sabe; nas novelas tão populares na América Latina nunca se sabe o próximo passo ou cena. A nossa política é muito mais imprevisível ainda.
Um que acha o máximo ser mal-educado é o Chávez. Sempre nos foi ensinado que não devemos criticar os demais com a intenção de constrangê-los; e é só o que este suposto estadista faz. Muitas vezes na casa do alvo, como ele fez em Nova Iorque ao chamar George W. Bush de diabo. Será que este xingamento trouxe algum ganho diplomático ao seu país ou só o fez porque achou que era uma boa hora para uma ofensa gratuita?
Como maus hábitos se disseminam rapidamente, Evo “ pupilo” Morales também está colocando suas asinhas para fora; vocês devem ter visto a forma como a dupla agiu contra o presidente colombiano Álvaro Uribe na reunião de cúpula do Mercosul (pois é, parece que isso ainda existe, ao menos para gastar nosso dinheiro com a segurança dos supostos líderes).
Resta saber como serão as próximas reuniões de cúpula; será que irão cuspir na mão antes de se cumprimentar? Ou dar uma rápida passada de mãos na bunda?
Quem sabe; nas novelas tão populares na América Latina nunca se sabe o próximo passo ou cena. A nossa política é muito mais imprevisível ainda.
sexta-feira, 19 de janeiro de 2007
Acabou o circo ...
... da busca de vítimas dentro do buraco e espero que a mídia recobre a consciência de que há uma escala de importância nas coisas.
Não é possível que se trate como desastre de mesma gravidade o que ocorreu na obra do Metrô paulistano é o acidente ambiental no rio Muriaé e aqueles que recebem seus tributos.
Enquanto o primeiro deixou centenas de desabrigados instalados em hotéis de, sei lá, quatro estrelas, o segundo deixou milhares de desabrigados (do tipo que tem como auxílio público no máximo um canto em uma escola para tentar se recuperar do trauma). Podem até me chamar de insensível, mas os desabrigados de São Paulo nem podem ser chamados por esse nome.
É óbvio que a morte de seis pessoas (talvez sete) é uma tragédia, deve ser investigada e os responsáveis devem ser punidos de forma dura; só que a cobertura que esta recebeu é totalmente desproporcional ao número de pessoas afetadas.
Pelo jeito não é apenas atrás de responsáveis que a imprensa deve cavar fundo neste episódio. O bom senso também foi perdido em algum lugar daquele buraco e, talvez, o melhor a ser feito é pedir a ajuda dos bombeiros para auxiliar no resgate.
Não é possível que se trate como desastre de mesma gravidade o que ocorreu na obra do Metrô paulistano é o acidente ambiental no rio Muriaé e aqueles que recebem seus tributos.
Enquanto o primeiro deixou centenas de desabrigados instalados em hotéis de, sei lá, quatro estrelas, o segundo deixou milhares de desabrigados (do tipo que tem como auxílio público no máximo um canto em uma escola para tentar se recuperar do trauma). Podem até me chamar de insensível, mas os desabrigados de São Paulo nem podem ser chamados por esse nome.
É óbvio que a morte de seis pessoas (talvez sete) é uma tragédia, deve ser investigada e os responsáveis devem ser punidos de forma dura; só que a cobertura que esta recebeu é totalmente desproporcional ao número de pessoas afetadas.
Pelo jeito não é apenas atrás de responsáveis que a imprensa deve cavar fundo neste episódio. O bom senso também foi perdido em algum lugar daquele buraco e, talvez, o melhor a ser feito é pedir a ajuda dos bombeiros para auxiliar no resgate.
quinta-feira, 18 de janeiro de 2007
Moral firme, como gelatina
Vejam como os valores morais andam elásticos no Brasil:
José Janene (vocês já devem ter ouvido falar da figura durante a apuração de algum dos escândalos envolvendo a Câmara Federal) teve uma de suas fazendas invadidas por sem-terras.
Esses sem-terras foram expulsos da fazenda e andam reclamando por aí que sofreram intimidação e, vejam só, não haveria documento de reintegração posse com os jagunços que executaram o serviço.
Então o que acontece é que um grupo de pessoas afronta a lei ocupando terras alheias e intimidando os que lá estão e se sentem tolhidos de seus direitos quando os mesmos métodos são utilizados contra eles; é a justiça de uma única via e a lei do eu posso tudo e vocês nada.
Ao que me parece ninguém tem razão aí, mas é Brasil. Aqui todos estão sempre certos, o único errado é o bom senso.
Quem prega a lei do mais forte acaba sendo ferido por ela, pois sempre há alguém mais forte do que você. Isso é uma certeza.
José Janene (vocês já devem ter ouvido falar da figura durante a apuração de algum dos escândalos envolvendo a Câmara Federal) teve uma de suas fazendas invadidas por sem-terras.
Esses sem-terras foram expulsos da fazenda e andam reclamando por aí que sofreram intimidação e, vejam só, não haveria documento de reintegração posse com os jagunços que executaram o serviço.
Então o que acontece é que um grupo de pessoas afronta a lei ocupando terras alheias e intimidando os que lá estão e se sentem tolhidos de seus direitos quando os mesmos métodos são utilizados contra eles; é a justiça de uma única via e a lei do eu posso tudo e vocês nada.
Ao que me parece ninguém tem razão aí, mas é Brasil. Aqui todos estão sempre certos, o único errado é o bom senso.
Quem prega a lei do mais forte acaba sendo ferido por ela, pois sempre há alguém mais forte do que você. Isso é uma certeza.
quarta-feira, 17 de janeiro de 2007
Socialismo bolivariano? Me avisem a hora de começar a rir.
Estava esperando o verão chegar em São Paulo para voltar a escrever, mas como parece que isso não vai acontecer mesmo, aqui está.
Estas últimas semanas parecem ser de reafirmação do socialismo na América Latina pelo que a mídia tem mostrado (como diz o bolivariano: “Pátria, socialismo ou morte”), que piada.
Estes ditos revolucionários de esquerda que andam ganhando o poder por este confim esquecido do mundo não passam de egocêntricos estridentes, como de fato foram todos os outros mentirosos que se disseram socialistas no século passado, de Stálin a Castro.
Se há uma coisa que é a exata antítese de um movimento socialista (que portanto deveria colocar a sociedade como o ente mais importante e a ser favorecido) é uma ditadura, que impõe a visão de uma parcela desta sociedade ao conjunto, e ainda mais se for personalista e impuser um culto a uma personalidade qualquer.
Figuras que aceitam ser chamadas de “grande timoneiro”, “grande líder”, “farol do povo” ou coisas assim deveriam ser internadas e não ficar no comando de máquinas governamentais, seja lá de onde for.
O fato é que isso não deu certo em lugar nenhum do mundo e nunca dará. As milhares de vítimas que pagam com as vidas e bens e sofrimento psicológico da imposição receberão algum dia uma estátua como as “do soldado desconhecido” espalhadas mundo afora, quanto a mim só espero que a conta aqui no nosso continente seja menos salgada do que ela parece que será.
Nossos povos revolucionários (parece ser um problema insolúvel por aqui) já sofreram demais com as aventuras passadas, espero que não o façam com as presentes.
Estas últimas semanas parecem ser de reafirmação do socialismo na América Latina pelo que a mídia tem mostrado (como diz o bolivariano: “Pátria, socialismo ou morte”), que piada.
Estes ditos revolucionários de esquerda que andam ganhando o poder por este confim esquecido do mundo não passam de egocêntricos estridentes, como de fato foram todos os outros mentirosos que se disseram socialistas no século passado, de Stálin a Castro.
Se há uma coisa que é a exata antítese de um movimento socialista (que portanto deveria colocar a sociedade como o ente mais importante e a ser favorecido) é uma ditadura, que impõe a visão de uma parcela desta sociedade ao conjunto, e ainda mais se for personalista e impuser um culto a uma personalidade qualquer.
Figuras que aceitam ser chamadas de “grande timoneiro”, “grande líder”, “farol do povo” ou coisas assim deveriam ser internadas e não ficar no comando de máquinas governamentais, seja lá de onde for.
O fato é que isso não deu certo em lugar nenhum do mundo e nunca dará. As milhares de vítimas que pagam com as vidas e bens e sofrimento psicológico da imposição receberão algum dia uma estátua como as “do soldado desconhecido” espalhadas mundo afora, quanto a mim só espero que a conta aqui no nosso continente seja menos salgada do que ela parece que será.
Nossos povos revolucionários (parece ser um problema insolúvel por aqui) já sofreram demais com as aventuras passadas, espero que não o façam com as presentes.
sexta-feira, 22 de dezembro de 2006
segunda-feira, 18 de dezembro de 2006
Os 300 de Severino (republicação)
Como meu estômago anda sensível e não aguenta chegar perto de nada que lembra a política, vai aí um artigo que escrevi algum tempo atrás e do qual me lembro vagamente; acho que ainda reflete o cenário por aqui.
Enquanto não se botarem os pingos nos is e se explicitar os papéis de cada um na vida pública brasileira não se acabará com esta palhaçada que cá está.
É por isso que cada vez gosto mais de Severino Cavalcanti. Ele parece ser o único no momento que faz valer os atributos de uma figura pública que: sabe qual é o seu papel; o cumpre e; melhor, o faz abertamente.
Vamos parar de hipocrisia. Esta história de que os políticos que estão exercendo mandato são representantes do povo, uma generalização que significa todos e ninguém, é uma balela.
Os políticos eleitos para cargos executivos não são, ou não deveriam ser, representantes de ninguém e sim gestores do patrimônio e programas públicos. Portanto, não são mais nem menos do que qualquer administrador, como aquele de empresas perante da fábrica ou loja que dirige. Seu compromisso deve, ou deveria, ser apenas com a realização de metas, aquelas que ele apresentou ao se candidatar, e apenas por elas deveria ser cobrado e julgado como bom ou mal.
No dos eleitos para cargos do legislativo, cada um representa um grupo, ou grupos, que o elegeu; seja este grupo formado por empresários, fiéis de uma igreja ou representantes de um sindicato qualquer. Desde que cumpra seu mandato dentro das regras e leis que o rege, somente a eles deve alguma satisfação. Figuras retóricas, como a pátria e o povo brasileiro, ou convenções sociais, vulgos moral e bons costumes, podem até ser usadas para tentar pressioná-los mas isto é apenas jogar para a torcida, o que vale mesmo é o pensamento dos grupos aos quais cada um representa não importando se isso é bom ou ruim para o país como um todo.
A idéia é que a soma dos interesses dos grupos que estão representados nos legislativos fará com que os interesses da maioria seja a contemplada. O problema aí reside no fato que isto nem sempre é verdade e, às vezes, dependendo do grau de distorção da democracia em que estamos inseridos, nem é o mais comum.
Os deputados, em particular, tem estas atribuições mais claras. Pois são representantes, até em nível estatutário (no caso a constituição), das populações de seus estados no contexto geral do país, ao contrário dos senadores que devem representar os interesses dos Estados como ente federativo.
Enquanto não entendermos isto e fizermos por onde, colocando pessoas nos legislativos que representem nossos interesses e bons gestores nos executivos, ficaremos chorando na cama, que é lugar quente, ou clamando pelo espírito público dos políticos, não necessariamente nesta ordem, mas com o mesmo resultado.
E o Severino continuará sendo uma figura pública exemplar, defendendo os interesses daqueles que o apóiam: ele mesmo; sua (dele) família; os 300 deputados que o colocaram na Presidência da Câmara e; quem sabe, até a população de João Alfredo.
Enquanto não se botarem os pingos nos is e se explicitar os papéis de cada um na vida pública brasileira não se acabará com esta palhaçada que cá está.
É por isso que cada vez gosto mais de Severino Cavalcanti. Ele parece ser o único no momento que faz valer os atributos de uma figura pública que: sabe qual é o seu papel; o cumpre e; melhor, o faz abertamente.
Vamos parar de hipocrisia. Esta história de que os políticos que estão exercendo mandato são representantes do povo, uma generalização que significa todos e ninguém, é uma balela.
Os políticos eleitos para cargos executivos não são, ou não deveriam ser, representantes de ninguém e sim gestores do patrimônio e programas públicos. Portanto, não são mais nem menos do que qualquer administrador, como aquele de empresas perante da fábrica ou loja que dirige. Seu compromisso deve, ou deveria, ser apenas com a realização de metas, aquelas que ele apresentou ao se candidatar, e apenas por elas deveria ser cobrado e julgado como bom ou mal.
No dos eleitos para cargos do legislativo, cada um representa um grupo, ou grupos, que o elegeu; seja este grupo formado por empresários, fiéis de uma igreja ou representantes de um sindicato qualquer. Desde que cumpra seu mandato dentro das regras e leis que o rege, somente a eles deve alguma satisfação. Figuras retóricas, como a pátria e o povo brasileiro, ou convenções sociais, vulgos moral e bons costumes, podem até ser usadas para tentar pressioná-los mas isto é apenas jogar para a torcida, o que vale mesmo é o pensamento dos grupos aos quais cada um representa não importando se isso é bom ou ruim para o país como um todo.
A idéia é que a soma dos interesses dos grupos que estão representados nos legislativos fará com que os interesses da maioria seja a contemplada. O problema aí reside no fato que isto nem sempre é verdade e, às vezes, dependendo do grau de distorção da democracia em que estamos inseridos, nem é o mais comum.
Os deputados, em particular, tem estas atribuições mais claras. Pois são representantes, até em nível estatutário (no caso a constituição), das populações de seus estados no contexto geral do país, ao contrário dos senadores que devem representar os interesses dos Estados como ente federativo.
Enquanto não entendermos isto e fizermos por onde, colocando pessoas nos legislativos que representem nossos interesses e bons gestores nos executivos, ficaremos chorando na cama, que é lugar quente, ou clamando pelo espírito público dos políticos, não necessariamente nesta ordem, mas com o mesmo resultado.
E o Severino continuará sendo uma figura pública exemplar, defendendo os interesses daqueles que o apóiam: ele mesmo; sua (dele) família; os 300 deputados que o colocaram na Presidência da Câmara e; quem sabe, até a população de João Alfredo.
sexta-feira, 15 de dezembro de 2006
Tá faltando serviço?
Ontem a Polícia Federal mobilizou cerca de 100 agentes para desbaratar uma quadrilha de “exploradores sexuais” que tinha clientes, na maioria estrangeira, que chegavam a pagar 15 mil reais por encontro. Grande parte destes se realizaram no exterior, para onde as profissionais eram remetidas em aviões comerciais de carreira.
As prostitutas eram recrutadas com base na aparência física e notoriedade, muitas sendo famosas modelos.
Dito tudo isso, a pergunta: a Polícia Federal não tem mais o que fazer?
Vai lá, a “exploração” de prostitutas é um crime e em muitos casos envolve violência e, neste caso em particular, certamente lavagem de dinheiro e todas questões morais, mas 100 agentes?
Isso indica das duas, uma: ou o crime está quase acabado no Brasil e por isso está sobrando agente ou a instituição anda procurando holofotes e para isso organiza grandes operações sem necessidade.
Sou mais propenso a acreditar na segunda hipótese. E vocês?
Agora só um comentário sobre a natureza da quadrilha desbaratada.
Ao que parece não havia nenhuma coerção por parte dos agenciadores para que as prostitutas realizassem o serviço.
Até onde eu sei, prostituição não é crime pelas leis nacionais. Se não há crime no ato, não deveria haver também na intermediação não-coercitiva deste. Como diz um famoso deputado federal reconduzido ao cargo pelo povo de São Paulo: “...estando bom para ambas as partes...”.
As prostitutas eram recrutadas com base na aparência física e notoriedade, muitas sendo famosas modelos.
Dito tudo isso, a pergunta: a Polícia Federal não tem mais o que fazer?
Vai lá, a “exploração” de prostitutas é um crime e em muitos casos envolve violência e, neste caso em particular, certamente lavagem de dinheiro e todas questões morais, mas 100 agentes?
Isso indica das duas, uma: ou o crime está quase acabado no Brasil e por isso está sobrando agente ou a instituição anda procurando holofotes e para isso organiza grandes operações sem necessidade.
Sou mais propenso a acreditar na segunda hipótese. E vocês?
Agora só um comentário sobre a natureza da quadrilha desbaratada.
Ao que parece não havia nenhuma coerção por parte dos agenciadores para que as prostitutas realizassem o serviço.
Até onde eu sei, prostituição não é crime pelas leis nacionais. Se não há crime no ato, não deveria haver também na intermediação não-coercitiva deste. Como diz um famoso deputado federal reconduzido ao cargo pelo povo de São Paulo: “...estando bom para ambas as partes...”.
Feito para dar errado
Na revista Época desta semana há uma reportagem discutindo se a legislação ambiental e seus órgãos são mesmo um entrave ao crescimento e no meio dela a uma citação que resume o que há de mais errado no país.
Diz Vitor Hugo Kamphorst, chefe da consultoria sócio-ambiental no Brasil do banco holandês ABN-Amro: “Nossa legislação é uma das melhores do planeta. Copiamos o que há de bom dos Estados Unidos, da Alemanha e do Canadá”. E a reportagem completa, o problema é que não é cumprida.
É lógico que uma legislação desta não pode ser cumprida. Nossos legisladores, em sua preguiça infinita, criam um monstro de frankstein destes, mesmo que das melhores partes de legislação alheias, e querem que a coisa funcione.
A legislação de uma localidade deve refletir a ética e a moral de onde esta inserida, caso contrário não haveria necessidade de parlamentos, assembléias e câmaras municipais. Bastaria a Onu se reunir, decidir tudo e estaria acabado; resolvidos todos os problemas do mundo.
Mas existe um outro detalhe, além da parte subjetiva. Toda a lei deve considerar a aplicabilidade e fazer um enxerto de lei de país rico em outro (usando as palavras do grupo Casseta e Planeta) “com sérias restrições orçamentárias” e clamar pela inoperância.
Típico do Brasil; onde os inocentes clamam pelo ideal do primeiro mundo e os espertos os apóiam, sabendo-os inaplicáveis e, portanto, burláveis.
Diz Vitor Hugo Kamphorst, chefe da consultoria sócio-ambiental no Brasil do banco holandês ABN-Amro: “Nossa legislação é uma das melhores do planeta. Copiamos o que há de bom dos Estados Unidos, da Alemanha e do Canadá”. E a reportagem completa, o problema é que não é cumprida.
É lógico que uma legislação desta não pode ser cumprida. Nossos legisladores, em sua preguiça infinita, criam um monstro de frankstein destes, mesmo que das melhores partes de legislação alheias, e querem que a coisa funcione.
A legislação de uma localidade deve refletir a ética e a moral de onde esta inserida, caso contrário não haveria necessidade de parlamentos, assembléias e câmaras municipais. Bastaria a Onu se reunir, decidir tudo e estaria acabado; resolvidos todos os problemas do mundo.
Mas existe um outro detalhe, além da parte subjetiva. Toda a lei deve considerar a aplicabilidade e fazer um enxerto de lei de país rico em outro (usando as palavras do grupo Casseta e Planeta) “com sérias restrições orçamentárias” e clamar pela inoperância.
Típico do Brasil; onde os inocentes clamam pelo ideal do primeiro mundo e os espertos os apóiam, sabendo-os inaplicáveis e, portanto, burláveis.
quinta-feira, 14 de dezembro de 2006
Só mais uma coisinha
Se quando eu falo ninguém acredita, leiam este camarada aqui:Fernando Canzian
Talvez assim vocês entendam que o Brasil está pegando a estrada errada empobrecendo a classe média. Ou será que o termo ideal seria enriquecendo a base de apoio ao governo “pobrista” que aí está.
Talvez assim vocês entendam que o Brasil está pegando a estrada errada empobrecendo a classe média. Ou será que o termo ideal seria enriquecendo a base de apoio ao governo “pobrista” que aí está.
É ridículo II
Não é que a aeronáutica anunciou que contratará 80 técnicos estrangeiros para fazer a manutenção dos equipamentos para o controle de vôo?
Começo a pensar que os que não contrataram estes técnicos antes deveriam ser indiciados por omissão, no mínimo.
Ou será que há outra palavra para o fato de que uma semana atrás não havia nenhum funcionário gabaritado para a manutenção dos equipamentos?
E não precisava nem ser contratação emergencial. Os seis anos desde a implantação desta nova tecnologia seriam suficientes para capacitar os técnicos antigos e formar uma legião de novos.
E tem mais; o comando da aeronáutica também informou que trocará os equipamentos a cada três anos. Se este é o tempo para que seja feita a substituição, e nada foi trocado até agora, outro motivo para indiciamento. Mesmo porque pelo que é arrecadado com taxas dos viajantes e das empresas aéreas eles deveriam ser trocados a cada trimestre.
O fato das taxas não se transformarem em conforto e segurança para os passageiros já é um caso de polícia; estelionato, ou quase.
Começo a pensar que os que não contrataram estes técnicos antes deveriam ser indiciados por omissão, no mínimo.
Ou será que há outra palavra para o fato de que uma semana atrás não havia nenhum funcionário gabaritado para a manutenção dos equipamentos?
E não precisava nem ser contratação emergencial. Os seis anos desde a implantação desta nova tecnologia seriam suficientes para capacitar os técnicos antigos e formar uma legião de novos.
E tem mais; o comando da aeronáutica também informou que trocará os equipamentos a cada três anos. Se este é o tempo para que seja feita a substituição, e nada foi trocado até agora, outro motivo para indiciamento. Mesmo porque pelo que é arrecadado com taxas dos viajantes e das empresas aéreas eles deveriam ser trocados a cada trimestre.
O fato das taxas não se transformarem em conforto e segurança para os passageiros já é um caso de polícia; estelionato, ou quase.
Faço por menos
Três ou quatro semanas atrás a revista Época publicou uma entrevista do economista norte-americano Jeffrey Sachs. Na apresentação que fez do economista, a revista cometeu uma injustiça imperdoável; afirmou que ele é a única voz importante a discordar da receita neo-liberal de diminuição dos gastos públicos.
Como assim? Os responsáveis pela Época não estão lendo este blog? Eles precisam melhorar o nível de leitura.
Se lessem este importante órgão de comunicação, veriam que muito mais efetiva do que a diminuição dos gastos públicos é a qualificação dos mesmos.
Mas você não é defensor da ideologia liberal?, alguns podem perguntar. Sim, sou; só que não dá par mudar toda uma estrutura de uma hora par outra.
Defendo principalmente se fazer o melhor com o que se tem a disposição. Se o que se tem é essa sufocante política arrecadatória, o melhor possível é fazer com que o dinheiro retorne ao contribuinte na forma de serviços de qualidade. O ideal seria a diminuição da carga tributária, mas infelizmente isso é utopia.
Bem, independentemente do que eu penso ou deixo de pensar, Sachs ministrou uma palestra aos líderes das multinacionais estadunidenses no Brasil ontem em São Paulo. A se acreditar nas notícias veiculadas pela mídia, não disse nada de novo. Aquela mesma ladainha (correta) de se priorizar a educação e defender o meio-ambiente, além de que a pobreza é perfeitamente combatível caso se tenha “vontade política”. Deve ter ganho uma nota por isso.
Só um recado aos líderes da indústria: eu falo o mesmo por um terço do preço.
Como assim? Os responsáveis pela Época não estão lendo este blog? Eles precisam melhorar o nível de leitura.
Se lessem este importante órgão de comunicação, veriam que muito mais efetiva do que a diminuição dos gastos públicos é a qualificação dos mesmos.
Mas você não é defensor da ideologia liberal?, alguns podem perguntar. Sim, sou; só que não dá par mudar toda uma estrutura de uma hora par outra.
Defendo principalmente se fazer o melhor com o que se tem a disposição. Se o que se tem é essa sufocante política arrecadatória, o melhor possível é fazer com que o dinheiro retorne ao contribuinte na forma de serviços de qualidade. O ideal seria a diminuição da carga tributária, mas infelizmente isso é utopia.
Bem, independentemente do que eu penso ou deixo de pensar, Sachs ministrou uma palestra aos líderes das multinacionais estadunidenses no Brasil ontem em São Paulo. A se acreditar nas notícias veiculadas pela mídia, não disse nada de novo. Aquela mesma ladainha (correta) de se priorizar a educação e defender o meio-ambiente, além de que a pobreza é perfeitamente combatível caso se tenha “vontade política”. Deve ter ganho uma nota por isso.
Só um recado aos líderes da indústria: eu falo o mesmo por um terço do preço.
terça-feira, 12 de dezembro de 2006
É inacreditável
Mas parece que a mídia está acordando para a verdade dos fatos.
No artigo de domingo do Estadão; Celso Ming finalmente explicitou o que é óbvio, porém negado; o caso não é de fortaleza do real e sim de fraqueza do dólar.
Portanto não adianta o choro dos exportadores pela equiparação da taxa de câmbio a valores de 3 ou 4 anos atrás. Caso isso fosse tentado, o governo apenas jogaria muito, muito mesmo, dinheiro fora para valorizar o dólar e veria as exportações explodirem e a inflação também, resultando em recessão interna.
Isso é totalmente ilógico e, digo mais, é mesmo impossível em uma democracia de fato em que não se está vivendo uma crise.
Já disse isso em artigos anteriores, mas na custa repetir: a única maneira de se conseguir uma reversão cambial em favor dos exportadores seria pela mudança dos padrões de consumo da população que a levasse a comprar produtos cada vez mais sofisticados que a indústria interna não tivesse capacidade de suprir. E isso só teria uma chance mínima de ocorrer caso, à população, a renda aumentasse absurdamente. Em outras palavras, pode esquecer.
A tendência é justamente contrária. Com o país sendo um exportador de combustíveis cada vez mais atuante e com o alinhamento dos preços de imóveis aos padrões internacionais, mais e mais dólares entrarão para impulsionar a nossa balança de pagamentos para as alturas e o valor da moeda norte-americana em trocas dos nossos caraminguás para o rodapé.
No artigo de domingo do Estadão; Celso Ming finalmente explicitou o que é óbvio, porém negado; o caso não é de fortaleza do real e sim de fraqueza do dólar.
Portanto não adianta o choro dos exportadores pela equiparação da taxa de câmbio a valores de 3 ou 4 anos atrás. Caso isso fosse tentado, o governo apenas jogaria muito, muito mesmo, dinheiro fora para valorizar o dólar e veria as exportações explodirem e a inflação também, resultando em recessão interna.
Isso é totalmente ilógico e, digo mais, é mesmo impossível em uma democracia de fato em que não se está vivendo uma crise.
Já disse isso em artigos anteriores, mas na custa repetir: a única maneira de se conseguir uma reversão cambial em favor dos exportadores seria pela mudança dos padrões de consumo da população que a levasse a comprar produtos cada vez mais sofisticados que a indústria interna não tivesse capacidade de suprir. E isso só teria uma chance mínima de ocorrer caso, à população, a renda aumentasse absurdamente. Em outras palavras, pode esquecer.
A tendência é justamente contrária. Com o país sendo um exportador de combustíveis cada vez mais atuante e com o alinhamento dos preços de imóveis aos padrões internacionais, mais e mais dólares entrarão para impulsionar a nossa balança de pagamentos para as alturas e o valor da moeda norte-americana em trocas dos nossos caraminguás para o rodapé.
segunda-feira, 11 de dezembro de 2006
E novamente a esquerda tenta reescrever a história
Pinochet morreu e suscitou a maior sorte de sentimentos no Chile, que se arvora ser o país mais civilizado do sub-continente; digamos assim, uma Argentina pré-cataclismo econômico.
E não que no fim a releitura da história aparece com força total.
Decidiram que o ex-ditador não tem o direito de ser velado como Chefe de Estado, por ter sido um sanguinário talvez, mas terá o direito de ser como Chefe do Estado Maior das Forças Armadas. Porém não foi com este posto que ele cometeu os atos sanguinários que fazem com que alguns o impeçam de receber honras de estadista? Foi, mas fazer o quê, a história tem que ser reescrita aos poucos.
Pode se fazer o juízo de valor que se quiser de Pinochet, mas ele foi efetivamente o presidente do Chile por 17 anos e não nada que se possa fazer a respeito disso. Se ele foi um mau ou bom presidente pode sempre haver controvérsias e que durante o seu regime autoritário a oposição foi perseguida e muitos opositores assassinados não há nenhuma, mas se o critério para se receber ou não as honras de Chefe de Estado for a qualidade do governo não haverá uma só cerimônia destas na América Latina; e talvez em todas as Américas.
E o mais engraçado é que a esmagadora maioria dos que acham justíssimo que Pinochet seja visto apenas como um general na hora de sua morte fazem loas ao também ditador e também sanguinário Fidel Castro. Dois pesos e duas medidas, já que se for ver mesmo a verdade o regime Pinochet foi muito mais democrático do que o de Castro, já que sobre o primeiro Chile conseguiu reunir as condições para se tornar uma democracia representativa e cuba não pode dizer o mesmo.
Eu quero ver como estes democratas de ocasião irão se portar perante a morte de Castro, que ao que parece está bastante próxima. Com ela o capítulo das ditaduras militares estará encerrado nas Américas – espero – e precisaremos lutar apenas por melhorias materiais e não por liberdade política; não é anda, não é nada, é um avanço.
Quanto ao velório de Pinochet, deveria ser ou tudo ou nada, ou Chefe de Estado ou de assassino; quiçá o de assassino Chefe de Estado, mas negar-lhe algumas honras e permitir-lhe outras é hipocrisia.
E não que no fim a releitura da história aparece com força total.
Decidiram que o ex-ditador não tem o direito de ser velado como Chefe de Estado, por ter sido um sanguinário talvez, mas terá o direito de ser como Chefe do Estado Maior das Forças Armadas. Porém não foi com este posto que ele cometeu os atos sanguinários que fazem com que alguns o impeçam de receber honras de estadista? Foi, mas fazer o quê, a história tem que ser reescrita aos poucos.
Pode se fazer o juízo de valor que se quiser de Pinochet, mas ele foi efetivamente o presidente do Chile por 17 anos e não nada que se possa fazer a respeito disso. Se ele foi um mau ou bom presidente pode sempre haver controvérsias e que durante o seu regime autoritário a oposição foi perseguida e muitos opositores assassinados não há nenhuma, mas se o critério para se receber ou não as honras de Chefe de Estado for a qualidade do governo não haverá uma só cerimônia destas na América Latina; e talvez em todas as Américas.
E o mais engraçado é que a esmagadora maioria dos que acham justíssimo que Pinochet seja visto apenas como um general na hora de sua morte fazem loas ao também ditador e também sanguinário Fidel Castro. Dois pesos e duas medidas, já que se for ver mesmo a verdade o regime Pinochet foi muito mais democrático do que o de Castro, já que sobre o primeiro Chile conseguiu reunir as condições para se tornar uma democracia representativa e cuba não pode dizer o mesmo.
Eu quero ver como estes democratas de ocasião irão se portar perante a morte de Castro, que ao que parece está bastante próxima. Com ela o capítulo das ditaduras militares estará encerrado nas Américas – espero – e precisaremos lutar apenas por melhorias materiais e não por liberdade política; não é anda, não é nada, é um avanço.
Quanto ao velório de Pinochet, deveria ser ou tudo ou nada, ou Chefe de Estado ou de assassino; quiçá o de assassino Chefe de Estado, mas negar-lhe algumas honras e permitir-lhe outras é hipocrisia.
sexta-feira, 8 de dezembro de 2006
Ridículo
Até para o Brasil.
O equipamento que sofreu pane e provocou uma piora do apagão aéreo foi instalado em 2001.
Ontem, 2006, o comandante da aeronáutica informou que não há no Brasil ninguém que saiba fazer a manutenção do dito cujo.
Isso em um país que exporta aviões.
É preciso dizer mais.
O equipamento que sofreu pane e provocou uma piora do apagão aéreo foi instalado em 2001.
Ontem, 2006, o comandante da aeronáutica informou que não há no Brasil ninguém que saiba fazer a manutenção do dito cujo.
Isso em um país que exporta aviões.
É preciso dizer mais.
Seria ridículo se...
...não fosse Brasil.
A Câmara tem uma comissão dita de Constituição e Justiça que serve apenas, imagino eu, para analisar se as leis propostas na casa não são inconstitucionais. O Senado tem outra para os mesmos fins. Em ambas a lei proposta só passa para o crivo do plenário após passar por elas e receber o a contento.
Pois bem, ontem o Supremo Tribunal Federal decidiu que uma lei promulgada em 1995 – a da cláusula de barreira - não é constitucional, por unanimidade. Será que a constituição mudou nos últimos 11 anos?
Até deve ter mudado, já que a constituição brasileira é vista por muitos como a semente de todos os males e recebe um remendo por dia, porém o principal suspeito para ser o culpado da pataquada é mesmo o trabalho destas comissões parlamentares.
Em um país em que os políticos não respeitam a lei (não preciso lembrar a vocês “o que sempre foi feito neste país”) probleminhas como a inconstitucionalidade de um projeto de lei são meros detalhes. Pode até ser de conhecimento parlamentar que uma lei é inconstitucional, mas a comissão a aprova mesmo assim e se não aprovar, o plenário o faz, desde que seja de interesse dos parlamentares.
Depois que a justiça resolva; o velho truque de criar dificuldades para vender facilidades elevado a extremo.
Como vêem, esta foi mais uma lei que não pegou no Brasil. E aparentemente por um bom motivo.
A Câmara tem uma comissão dita de Constituição e Justiça que serve apenas, imagino eu, para analisar se as leis propostas na casa não são inconstitucionais. O Senado tem outra para os mesmos fins. Em ambas a lei proposta só passa para o crivo do plenário após passar por elas e receber o a contento.
Pois bem, ontem o Supremo Tribunal Federal decidiu que uma lei promulgada em 1995 – a da cláusula de barreira - não é constitucional, por unanimidade. Será que a constituição mudou nos últimos 11 anos?
Até deve ter mudado, já que a constituição brasileira é vista por muitos como a semente de todos os males e recebe um remendo por dia, porém o principal suspeito para ser o culpado da pataquada é mesmo o trabalho destas comissões parlamentares.
Em um país em que os políticos não respeitam a lei (não preciso lembrar a vocês “o que sempre foi feito neste país”) probleminhas como a inconstitucionalidade de um projeto de lei são meros detalhes. Pode até ser de conhecimento parlamentar que uma lei é inconstitucional, mas a comissão a aprova mesmo assim e se não aprovar, o plenário o faz, desde que seja de interesse dos parlamentares.
Depois que a justiça resolva; o velho truque de criar dificuldades para vender facilidades elevado a extremo.
Como vêem, esta foi mais uma lei que não pegou no Brasil. E aparentemente por um bom motivo.
quinta-feira, 7 de dezembro de 2006
Nem por decreto
Vejam só; a situação que estava controlada (aquela dos controladores) só piora e para pisar na cabeça do morto agora um filme que desanca o Brasil foi um dos mais assistidos no final de semana passado lá nos Estados Unidos.
Somos realmente o país do futuro em se tratando de turismo, pois no presente somos uma verdadeira vergonha na autopromoção ou apenas na autodefesa.
O fato é que a despeito de todas as qualidades inerentes ao país, todo o turista que aqui chega vindo de um país em que as pessoas são respeitadas deveriam receber medalhas assim que colocassem os pés no Brasil; são verdadeiros heróis.
Os serviços aqui têm que melhorar muito para serem considerados sofríveis. E não há amabilidade de um povo nenhuma que compensa esperar horas por uma refeição estando sentados na mesa de um restaurante vazio, como já aconteceu com minha irmã em algum lugar do litoral da Bahia. Nem esperar horas uma mesa em uma pizzaria cheia de Florianópolis, fazer o pedido, esperar mais um muito e ao perguntar ao garçom se este vai demorar descobrir que este se esqueceu do pedido que você havia feito, como aconteceu comigo.
É o tipo de coisa que só acontece uma vez com você, já que nunca mais irá naquele lugar, nem que te paguem para isso.
Enquanto o bom serviço não estiver incorporado ao nosso modo de ver a indústria de turismo, este não irá se desenvolver.
Nem a base de anabolizantes ou bundas anabolizadas.
Somos realmente o país do futuro em se tratando de turismo, pois no presente somos uma verdadeira vergonha na autopromoção ou apenas na autodefesa.
O fato é que a despeito de todas as qualidades inerentes ao país, todo o turista que aqui chega vindo de um país em que as pessoas são respeitadas deveriam receber medalhas assim que colocassem os pés no Brasil; são verdadeiros heróis.
Os serviços aqui têm que melhorar muito para serem considerados sofríveis. E não há amabilidade de um povo nenhuma que compensa esperar horas por uma refeição estando sentados na mesa de um restaurante vazio, como já aconteceu com minha irmã em algum lugar do litoral da Bahia. Nem esperar horas uma mesa em uma pizzaria cheia de Florianópolis, fazer o pedido, esperar mais um muito e ao perguntar ao garçom se este vai demorar descobrir que este se esqueceu do pedido que você havia feito, como aconteceu comigo.
É o tipo de coisa que só acontece uma vez com você, já que nunca mais irá naquele lugar, nem que te paguem para isso.
Enquanto o bom serviço não estiver incorporado ao nosso modo de ver a indústria de turismo, este não irá se desenvolver.
Nem a base de anabolizantes ou bundas anabolizadas.
terça-feira, 5 de dezembro de 2006
Eu já sabia
Houve a revelação do mensalação e aparentemente o presidente não sabia.
Houve o aprofundamento do caso e ele parece que soube e até disse que o que era feito é o que sempre se fez neste país, mas agora parece que ele não sabia de novo.
Houve muito barulho com as CPIs e sabe como é: eu não sabia, mas fui traído.
Houve o caso da quebra de sigilo e ouvimos novamente o eu não sabia.
Houve a tentativa de compra do dossiê e ninguém envolvido sabia de nada e apareceu dinheiro não se sabe de onde, por que raios logo o presidente iria saber de algo?
Houve a crise agricola e o governo foi pego de calças curtas, que é apenas mais um modo de dizer eu não sabia.
Há o apagão aéreo e nós não sabiamos.
Apareceram doações suspeitas e a resposta foi...
Adivinhem.
Houve o aprofundamento do caso e ele parece que soube e até disse que o que era feito é o que sempre se fez neste país, mas agora parece que ele não sabia de novo.
Houve muito barulho com as CPIs e sabe como é: eu não sabia, mas fui traído.
Houve o caso da quebra de sigilo e ouvimos novamente o eu não sabia.
Houve a tentativa de compra do dossiê e ninguém envolvido sabia de nada e apareceu dinheiro não se sabe de onde, por que raios logo o presidente iria saber de algo?
Houve a crise agricola e o governo foi pego de calças curtas, que é apenas mais um modo de dizer eu não sabia.
Há o apagão aéreo e nós não sabiamos.
Apareceram doações suspeitas e a resposta foi...
Adivinhem.
segunda-feira, 4 de dezembro de 2006
E quanto ao ex-espião russo?
Pelo que eu pude depreender da leitura da Folha de ontem o Polônio (que foi usado como veneno para matar o ex-espião de nome impronunciável) só pode ser fabricado em duas usinas no mundo e são necessárias toneladas de urânio para se extrair umas poucas gramas dele.
Imagino que este veneninho deva valer uma fortuna e não é qualquer marido traído que pode comprá-lo, o que faz com que os suspeitos pela morte sejam milionários, empresas ou nações com acesso à tecnologia nuclear refinada e rara.
Aparentemente apenas uma entidade preenche os requisitos acima e ainda teria uma motivação; foi duramente criticada pelo hoje falecido. Esta entidade é o governo russo.
Uma das usinas que processam o Polônio está na Rússia.
Será coincidência?
Imagino que este veneninho deva valer uma fortuna e não é qualquer marido traído que pode comprá-lo, o que faz com que os suspeitos pela morte sejam milionários, empresas ou nações com acesso à tecnologia nuclear refinada e rara.
Aparentemente apenas uma entidade preenche os requisitos acima e ainda teria uma motivação; foi duramente criticada pelo hoje falecido. Esta entidade é o governo russo.
Uma das usinas que processam o Polônio está na Rússia.
Será coincidência?
Novamente pela descriminalização
Não é novidade para vocês que sou favorável a descriminalização total e irrestrita de todas as drogas.
Primeiro porque penso que o fato de algumas drogas serem legais e outras não é uma tremenda hipocrisia. Como não há motivação que não moral para isso – as médicas seriam contrárias a todas – fica explicito que estamos jogando o jogo de outros e pagando caro por isso.
As drogas são proibidas ao redor do mundo principalmente por imposição dos Estados Unidos da América e causa problemas sociais em todos os lugares, já que a humanidade e as drogas são indissociáveis desde que estes se encontraram.
Portanto se percebe que é uma guerra perdida como qualquer outra que trate de mudar comportamentos inerentes à condição humana. Como a homossexualidade que já foi combatida, aplaudida e novamente combatida, o uso de drogas sempre existirá e negar isso é uma perda de tempo.
Fora apenas uma perda de tempo e seria muito bom, mas ao lermos o artigo do economista José Scheinkman na Folha de ontem percebemos o quanto ela é custosa também em outros parâmetros. Ele cita um estudo do professor Gary Becker que contabiliza um gasto de 100 bilhões de dólares ao ano com a guerra às drogas que os norte-americanos empreendem desde a década de 60.
É claro que aqui também temos nossos gastos, nem de longe tão astronômicos, mas o que me preocupa mais não é o valor monetário da guerra e sim o custo em vidas. Acredito que temos mais mortes por combate às drogas do que por abuso delas, a despeito do que os pais de classe média que vêem seus filhos em situação de baixa dignidade por excesso de drogas possam pensar.
Além de atirar milhões de consumidores nos braços do ilícito para a obtenção da droga, o combate policialesco cria o submundo onde prospera a lei do mais forte e é fomentada a corrupção do sistema jurídico-repressor.
E tudo isso sem ao menos reprimir o uso, como qualquer adolescente que já tentou entrar em contato com uma droga ilícita sabe.
É muito dinheiro, barulho e – principalmente – mortes por nada. E tudo isso entrando de gaiatos na história.
Vale a pena tudo isso para ser simpático ao ideal norte-americano de afastar a tentação dos olhos e narizes deles?
Primeiro porque penso que o fato de algumas drogas serem legais e outras não é uma tremenda hipocrisia. Como não há motivação que não moral para isso – as médicas seriam contrárias a todas – fica explicito que estamos jogando o jogo de outros e pagando caro por isso.
As drogas são proibidas ao redor do mundo principalmente por imposição dos Estados Unidos da América e causa problemas sociais em todos os lugares, já que a humanidade e as drogas são indissociáveis desde que estes se encontraram.
Portanto se percebe que é uma guerra perdida como qualquer outra que trate de mudar comportamentos inerentes à condição humana. Como a homossexualidade que já foi combatida, aplaudida e novamente combatida, o uso de drogas sempre existirá e negar isso é uma perda de tempo.
Fora apenas uma perda de tempo e seria muito bom, mas ao lermos o artigo do economista José Scheinkman na Folha de ontem percebemos o quanto ela é custosa também em outros parâmetros. Ele cita um estudo do professor Gary Becker que contabiliza um gasto de 100 bilhões de dólares ao ano com a guerra às drogas que os norte-americanos empreendem desde a década de 60.
É claro que aqui também temos nossos gastos, nem de longe tão astronômicos, mas o que me preocupa mais não é o valor monetário da guerra e sim o custo em vidas. Acredito que temos mais mortes por combate às drogas do que por abuso delas, a despeito do que os pais de classe média que vêem seus filhos em situação de baixa dignidade por excesso de drogas possam pensar.
Além de atirar milhões de consumidores nos braços do ilícito para a obtenção da droga, o combate policialesco cria o submundo onde prospera a lei do mais forte e é fomentada a corrupção do sistema jurídico-repressor.
E tudo isso sem ao menos reprimir o uso, como qualquer adolescente que já tentou entrar em contato com uma droga ilícita sabe.
É muito dinheiro, barulho e – principalmente – mortes por nada. E tudo isso entrando de gaiatos na história.
Vale a pena tudo isso para ser simpático ao ideal norte-americano de afastar a tentação dos olhos e narizes deles?
quinta-feira, 30 de novembro de 2006
Faltando
Por falta de tempo e de vontade não houve atualização ontem, por falta de assunto e de vontade não haverá hoje.
Grato pela atenção.
Grato pela atenção.
terça-feira, 28 de novembro de 2006
As conseqüências
Quando o Brasil decidiu-se pelo automóvel no desenvolvimento do país, apenas para alegrar as empresas automobilísticas e criar alguns empregos industriais, não se sabia o que isso acarretaria de males aos brasileiros de hoje.
Achava-se que o casamento seria só flores, mas hoje se observa que nada mais falso.
Antes do desenvolvimento das empresas automobilísticas já havia uma rede ferroviária relativamente desenvolvida, que no caso de São Paulo é responsável pela criação da maioria das cidades e da pujança do interior, e enormes potencialidades hidro e aeroviárias. Tudo foi relegado a segundo plano para o desenvolvimento rodoviário. Nem o exemplo das cidades onde havia mais carros foi seguido. As potências da época (Londres, Nova Iorque, Paris, etc...) contavam já com uma vasta rede de linhas de metrô, com extensão que ainda hoje São Paulo e Rio de Janeiro não conseguem nem sonhar alcançar.
As conseqüências no bolso são claras, um carro popular novo têm custo - entre o aparente e o oculto – de cerca de dois mil reais, retirando renda da já castigada classe média e impedindo que se crie um mercado consumidor de serviços mais forte e, conseqüentemente, impedindo o crescimento do número de empregos. Tudo isso porque é temerário confiar no sistema público de transportes, precaríssimo.
Além do mal no bolso, há a perda da qualidade de vida e até de vidas mesmo. Uma pesquisa divulgada parcialmente na Revista Pesquisa Fapesp deste mês afirma que as cidades de Santiago, São Paulo e México terão custos ligados a poluição de cerca de 165 bilhões de dólares nos próximos vinte anos. Observe que este valor é maior que os programas de transferência de renda que os paises onde estas cidades estão situadas tanto alardeiam aos quatro ventos.
E o grosso desta poluição é mesmo fornecida pelos motores de combustão interna dos veículos, que no caso dos combustíveis fósseis é agravado pelas impurezas que eles carregam, principalmente enxofre.
Portanto está mais do que na hora de tentar reverter este grave caso de miopia em que estamos metidos a cerca de meio século. Temos que deixar de ser “automotivos” e começar a investir seriamente em outras formas de locomoção nas cidades brasileiras.
Caminhar ou andar de bicicleta, ônibus ou metrô pode aparentar uma perda de qualidade de vida imediata, mas é o futuro da boa qualidade de vida nas cidades brasileiras. Os trajetos curtos em especial devem ser cobertos a pé. Você ganhará alguns gramas de músculo a mais e as cidades algumas toneladas de poluentes a menos.
O mais importante talvez seja pensar melhor na hora de votar nos nossos prefeitos e governadores e favorecer aqueles que têm bons programas para o transporte público.
Todos saem ganhando; até o seu bolso, se o benefício na saúde não for o suficiente para você.
Achava-se que o casamento seria só flores, mas hoje se observa que nada mais falso.
Antes do desenvolvimento das empresas automobilísticas já havia uma rede ferroviária relativamente desenvolvida, que no caso de São Paulo é responsável pela criação da maioria das cidades e da pujança do interior, e enormes potencialidades hidro e aeroviárias. Tudo foi relegado a segundo plano para o desenvolvimento rodoviário. Nem o exemplo das cidades onde havia mais carros foi seguido. As potências da época (Londres, Nova Iorque, Paris, etc...) contavam já com uma vasta rede de linhas de metrô, com extensão que ainda hoje São Paulo e Rio de Janeiro não conseguem nem sonhar alcançar.
As conseqüências no bolso são claras, um carro popular novo têm custo - entre o aparente e o oculto – de cerca de dois mil reais, retirando renda da já castigada classe média e impedindo que se crie um mercado consumidor de serviços mais forte e, conseqüentemente, impedindo o crescimento do número de empregos. Tudo isso porque é temerário confiar no sistema público de transportes, precaríssimo.
Além do mal no bolso, há a perda da qualidade de vida e até de vidas mesmo. Uma pesquisa divulgada parcialmente na Revista Pesquisa Fapesp deste mês afirma que as cidades de Santiago, São Paulo e México terão custos ligados a poluição de cerca de 165 bilhões de dólares nos próximos vinte anos. Observe que este valor é maior que os programas de transferência de renda que os paises onde estas cidades estão situadas tanto alardeiam aos quatro ventos.
E o grosso desta poluição é mesmo fornecida pelos motores de combustão interna dos veículos, que no caso dos combustíveis fósseis é agravado pelas impurezas que eles carregam, principalmente enxofre.
Portanto está mais do que na hora de tentar reverter este grave caso de miopia em que estamos metidos a cerca de meio século. Temos que deixar de ser “automotivos” e começar a investir seriamente em outras formas de locomoção nas cidades brasileiras.
Caminhar ou andar de bicicleta, ônibus ou metrô pode aparentar uma perda de qualidade de vida imediata, mas é o futuro da boa qualidade de vida nas cidades brasileiras. Os trajetos curtos em especial devem ser cobertos a pé. Você ganhará alguns gramas de músculo a mais e as cidades algumas toneladas de poluentes a menos.
O mais importante talvez seja pensar melhor na hora de votar nos nossos prefeitos e governadores e favorecer aqueles que têm bons programas para o transporte público.
Todos saem ganhando; até o seu bolso, se o benefício na saúde não for o suficiente para você.
segunda-feira, 27 de novembro de 2006
Sucinto
O governo anunciou que vai liberar alguns bilhõezinhos do FGTS para financiar a casa própria da população de baixa renda a fundo perdido.
As perguntas são: o FGTS é do governo ou dos trabalhadores que o depositam? É legal, no sentido jurídico, jogar o dinheiro dos outros no lixo?
E ainda diziam que o Milton Friedman não sabia do que estava falando.
As perguntas são: o FGTS é do governo ou dos trabalhadores que o depositam? É legal, no sentido jurídico, jogar o dinheiro dos outros no lixo?
E ainda diziam que o Milton Friedman não sabia do que estava falando.
sexta-feira, 24 de novembro de 2006
Big Brother Detran
A notícia de que os carros brasileiros serão monitorados por telemetria compulsória mostra que a privacidade não é um valor caro aos nossos legisladores, principalmente a alheia.
As razões para a aplicação da nova norma são as “boas” intenções de sempre: coibir furtos e roubos, assim como infrações de trânsito. Os efeitos colaterais serão os de sempre: aumento de arrecadação com multas e com a cobrança de IPVA e irritação dos condutores com a coerção.
Particularmente acredito que nada mudará em relação aos furtos e roubos. Já há hoje tecnologias para acompanhamento em tempo real da localização de veículos com precisão e estas não impedem a ação de meliantes. Esta só será coibida quando o mercado paralelo que absorve os frutos de crime for extinto, ou ao menos bastante diminuído.
Mas o ponto central aqui é a invasão de privacidade dos motoristas.
Ao contrário da fiscalização fotográfica que flagra infrações de trânsito, a telemetria registrará além disso a passagem de todos os carros por determinada antena, podendo acompanhar os hábitos de deslocamento de determinados motorista pela cidade e os seus horários. Imaginem o poder que os Detrans passarão a te com estas informações em mãos.
Muitas empresas fariam questão de monitorar os veículos que lhe prestam serviços, assim também poderiam proceder cônjuges desconfiados e pais preocupados.
Ótimo, diriam os vigilantes; péssimo, os vigiados.
Não vejo que vantagem pode ter a população com este poder em mãos de governos competentes. Só vejo desvantagens com este nas mãos do governo brasileiro.
É mais um tiro nas liberdades individuais do brasileiro, com se não tivéssemos problemas suficientes sem isso.
As razões para a aplicação da nova norma são as “boas” intenções de sempre: coibir furtos e roubos, assim como infrações de trânsito. Os efeitos colaterais serão os de sempre: aumento de arrecadação com multas e com a cobrança de IPVA e irritação dos condutores com a coerção.
Particularmente acredito que nada mudará em relação aos furtos e roubos. Já há hoje tecnologias para acompanhamento em tempo real da localização de veículos com precisão e estas não impedem a ação de meliantes. Esta só será coibida quando o mercado paralelo que absorve os frutos de crime for extinto, ou ao menos bastante diminuído.
Mas o ponto central aqui é a invasão de privacidade dos motoristas.
Ao contrário da fiscalização fotográfica que flagra infrações de trânsito, a telemetria registrará além disso a passagem de todos os carros por determinada antena, podendo acompanhar os hábitos de deslocamento de determinados motorista pela cidade e os seus horários. Imaginem o poder que os Detrans passarão a te com estas informações em mãos.
Muitas empresas fariam questão de monitorar os veículos que lhe prestam serviços, assim também poderiam proceder cônjuges desconfiados e pais preocupados.
Ótimo, diriam os vigilantes; péssimo, os vigiados.
Não vejo que vantagem pode ter a população com este poder em mãos de governos competentes. Só vejo desvantagens com este nas mãos do governo brasileiro.
É mais um tiro nas liberdades individuais do brasileiro, com se não tivéssemos problemas suficientes sem isso.
quinta-feira, 23 de novembro de 2006
Quem não sabe, não sabe.
Como vimos os juros caíram mais um pouquinho; mas nem sei a razão.
Se nesta mesma semana o presidente do banco central afirmou na Austrália que a política de juros do país estava correta e que o aumento do consumo mostrava isso.
Então há algo de esquizofrênico na nossa direção econômica; está correta, porém mudamos.
A verdade é que não está correta, e por isso mudamos, mas em uma velocidade tão baixa, que nem percebemos.
Os juros não estão altos porque impedem o consumo, o consumo aqui é tão baixo e tão represado que a população aproveita todas as formas de satisfazer suas necessidades, seja através dos trocados recebidos pela assistência oficial seja pagando juros abusivos dos crediários pessoais que tantos estão prosperando nestes dias.
Eles estão altos porque impedem o investimento produtivo.
Qualquer pessoa que entenda um pouco de matemática não pedirá dinheiro aos juros brasileiros para investir em qualquer coisa produtiva que não renda mais do que os 10% livre de risco que o governo paga anualmente. Como são poucas as atividades que oferecem esta remuneração, o investimento produtivo fica travado.
E o pior de tudo é que isso provocará inflação futura certamente, se não pela escassez de produtos nacionais, pelo excesso de produtos importados, que influenciarão negativamente no câmbio.
Enquanto isso o governo faz pose de competente, enquanto o mundo desaba em volta dele.
Depois vai dizer que não sabia.
Se nesta mesma semana o presidente do banco central afirmou na Austrália que a política de juros do país estava correta e que o aumento do consumo mostrava isso.
Então há algo de esquizofrênico na nossa direção econômica; está correta, porém mudamos.
A verdade é que não está correta, e por isso mudamos, mas em uma velocidade tão baixa, que nem percebemos.
Os juros não estão altos porque impedem o consumo, o consumo aqui é tão baixo e tão represado que a população aproveita todas as formas de satisfazer suas necessidades, seja através dos trocados recebidos pela assistência oficial seja pagando juros abusivos dos crediários pessoais que tantos estão prosperando nestes dias.
Eles estão altos porque impedem o investimento produtivo.
Qualquer pessoa que entenda um pouco de matemática não pedirá dinheiro aos juros brasileiros para investir em qualquer coisa produtiva que não renda mais do que os 10% livre de risco que o governo paga anualmente. Como são poucas as atividades que oferecem esta remuneração, o investimento produtivo fica travado.
E o pior de tudo é que isso provocará inflação futura certamente, se não pela escassez de produtos nacionais, pelo excesso de produtos importados, que influenciarão negativamente no câmbio.
Enquanto isso o governo faz pose de competente, enquanto o mundo desaba em volta dele.
Depois vai dizer que não sabia.
quarta-feira, 22 de novembro de 2006
Apagão nascente
Se vocês tiverem a chance de ler a Exame que está nas bancas esta quinzena, verão que o apagão - nos moldes do que se convencionou chamar a escassez de energia elétrica - já está acontecendo.
Os grandes consumidores industriais já não estão conseguindo fechar contratos de longa duração e tudo leva a crer que as tarifas terão aumentos explosivos nos próximos anos.
E o governo se finge de morto, e quando toca no assunto é para dizer que todos os problemas legados pela gestão FHC (que eles chamam de herança maldita) foram equacionados e não há risco de apagão.
Só falta combinar com o inimigo, que no caso é o setor industrial. Se ele resolvesse crescer o tanto que Lula quer que o Brasil cresça, os problemas de escassez já estariam presentes, e estaríamos vivenciando dois apagões simultâneos. É claro que o governo não teria nada a ver com isso, seria tudo culpa da herança maldita de 500 anos de administração das “odiosas elites que sentem asco do povo e que por isso não desejam que o país se desenvolva”.
E vai contrariar.
Os grandes consumidores industriais já não estão conseguindo fechar contratos de longa duração e tudo leva a crer que as tarifas terão aumentos explosivos nos próximos anos.
E o governo se finge de morto, e quando toca no assunto é para dizer que todos os problemas legados pela gestão FHC (que eles chamam de herança maldita) foram equacionados e não há risco de apagão.
Só falta combinar com o inimigo, que no caso é o setor industrial. Se ele resolvesse crescer o tanto que Lula quer que o Brasil cresça, os problemas de escassez já estariam presentes, e estaríamos vivenciando dois apagões simultâneos. É claro que o governo não teria nada a ver com isso, seria tudo culpa da herança maldita de 500 anos de administração das “odiosas elites que sentem asco do povo e que por isso não desejam que o país se desenvolva”.
E vai contrariar.
E administração minguante
Se há algo realmente odioso no Estado brasileiro é a mania de cobrar e não entregar o serviço.
Os problemas que os supostos passageiros – já que muitos nem embarcam para fazer jus ao nome – é um exemplo claro disso.
Sendo o burro de carga que carrega uma das mais altas taxas aeroportuárias do planeta, o passageiro brasileiro deveria ser tratado como um rei e ter instalações e serviços de primeiríssimo mundo nos aeroportos do país. Mas é claro que ele não encontra isso, seria pedir muito.
Ele encontra apenas aeroportos mal-aparelhados, controladores de vôo trabalhando além do que deveriam e agência reguladora despreparada e politizada. Tudo isso apesar de que o serviço é usado majoritariamente pelas “elites”, de modo que a esquerda que está no poder no momento nem pode dizer que isso é mais uma mostra do descaso das classes dominantes com o povo brasileiro.
O mais engraçado da situação é que a culpa está sendo jogada na classe trabalhadora pelos chefes da “sindicracia” que nos tomou de assalto.
Os problemas que os supostos passageiros – já que muitos nem embarcam para fazer jus ao nome – é um exemplo claro disso.
Sendo o burro de carga que carrega uma das mais altas taxas aeroportuárias do planeta, o passageiro brasileiro deveria ser tratado como um rei e ter instalações e serviços de primeiríssimo mundo nos aeroportos do país. Mas é claro que ele não encontra isso, seria pedir muito.
Ele encontra apenas aeroportos mal-aparelhados, controladores de vôo trabalhando além do que deveriam e agência reguladora despreparada e politizada. Tudo isso apesar de que o serviço é usado majoritariamente pelas “elites”, de modo que a esquerda que está no poder no momento nem pode dizer que isso é mais uma mostra do descaso das classes dominantes com o povo brasileiro.
O mais engraçado da situação é que a culpa está sendo jogada na classe trabalhadora pelos chefes da “sindicracia” que nos tomou de assalto.
terça-feira, 21 de novembro de 2006
Alternativas
No domingo os cadernos de economia dos grandes jornais paulistanos foram marcados por análises a respeito do biodiesel devido à inauguração por parte do presidente da República de uma nova planta industrial de produção do combustível.
Quem acompanha meus textos a mais tempo sabe que sou um entusiasta da biomassa e dos demais meios “alternativos”, e que toda a publicidade para estes meios me satisfaz, mas há um pequeno detalhe.
O problema é que se está formando um falso dilema entre a utilização ou não de soja como fonte de óleo.
Já se falou de tudo a respeito disso: que o rendimento energético da soja é muito baixo, que ela amplia a concentração agrária, que o programa de biodiesel perde sua função social.
Tudo isso é besteira na medida que não leva em conta que estamos em um país com livre mercado e que não é função de um programa de segurança energética fazer inclusão. Caso o faça, será um ganho colateral e bem vindo.
O grande ponto central do sistema energético nacional deve ser a interligação física das redes de distribuição de energia e a diversificação de fontes energéticas; de modo que as regiões consumidoras e produtoras, assim como as maneiras de se obter a energia a ser distribuída sejam complementares e dessazonalizadas.
Por exemplo, poderemos ter um sistema que se construa para que nos meses de estiagem se tenha mais participação da coleta de energia solar enquanto nos meses de cheia dos rios se utilize mais a hidroeletricidade.
Quanto a utilização de soja ou de outra matriz para a obtenção de óleo, o que precisa ser analisado primeiramente é a disponibilidade imediata do produto. Mesmo que tenha um rendimento energético maior, não faz sentido que se transporte óleo de uma região para a outra, se o intuito for basicamente o de transformá-lo depois em biodiesel. No caso específico da soja, produto basicamente para a exportação, é importante salientar que o óleo é um subproduto e que muitas vezes o peso deste é um empecilho para o transporte.
Neste contexto utilizar o óleo de soja como combustível é muito mais econômica do que qualquer alternativa que se possa apresentar, pois evita o transporte do diesel fóssil até as regiões produtoras, diminui a massa e o volume do produto efetivamente exportável e movimenta a economia local na prensagem e manipulação química do biodiesel.
Caso este princípio seja utilizado em todas as regiões, se economizará um grande volume de combustível que é gasto apenas para deslocar combustível das zonas produtoras para as zonas consumidoras, algo que ecologicamente é totalmente ilógica e insustentável.
O país não deve ter uma matriz rígida e nacional para a energia, deve aproveitar as potencialidades regionais e ser uma colcha de retalhos de matrizes e matizes energéticas diferentes.
Quem acompanha meus textos a mais tempo sabe que sou um entusiasta da biomassa e dos demais meios “alternativos”, e que toda a publicidade para estes meios me satisfaz, mas há um pequeno detalhe.
O problema é que se está formando um falso dilema entre a utilização ou não de soja como fonte de óleo.
Já se falou de tudo a respeito disso: que o rendimento energético da soja é muito baixo, que ela amplia a concentração agrária, que o programa de biodiesel perde sua função social.
Tudo isso é besteira na medida que não leva em conta que estamos em um país com livre mercado e que não é função de um programa de segurança energética fazer inclusão. Caso o faça, será um ganho colateral e bem vindo.
O grande ponto central do sistema energético nacional deve ser a interligação física das redes de distribuição de energia e a diversificação de fontes energéticas; de modo que as regiões consumidoras e produtoras, assim como as maneiras de se obter a energia a ser distribuída sejam complementares e dessazonalizadas.
Por exemplo, poderemos ter um sistema que se construa para que nos meses de estiagem se tenha mais participação da coleta de energia solar enquanto nos meses de cheia dos rios se utilize mais a hidroeletricidade.
Quanto a utilização de soja ou de outra matriz para a obtenção de óleo, o que precisa ser analisado primeiramente é a disponibilidade imediata do produto. Mesmo que tenha um rendimento energético maior, não faz sentido que se transporte óleo de uma região para a outra, se o intuito for basicamente o de transformá-lo depois em biodiesel. No caso específico da soja, produto basicamente para a exportação, é importante salientar que o óleo é um subproduto e que muitas vezes o peso deste é um empecilho para o transporte.
Neste contexto utilizar o óleo de soja como combustível é muito mais econômica do que qualquer alternativa que se possa apresentar, pois evita o transporte do diesel fóssil até as regiões produtoras, diminui a massa e o volume do produto efetivamente exportável e movimenta a economia local na prensagem e manipulação química do biodiesel.
Caso este princípio seja utilizado em todas as regiões, se economizará um grande volume de combustível que é gasto apenas para deslocar combustível das zonas produtoras para as zonas consumidoras, algo que ecologicamente é totalmente ilógica e insustentável.
O país não deve ter uma matriz rígida e nacional para a energia, deve aproveitar as potencialidades regionais e ser uma colcha de retalhos de matrizes e matizes energéticas diferentes.
segunda-feira, 20 de novembro de 2006
Povo x Estado
Clóvis Rossi, na Folha de ontem, fez um pequeno artigo sobre o modo como o brasileiro encara a faixa de pedestres e como o europeu faz a mesma coisa.
Ele diz que o brasileiro age como se o carro tivesse a primazia para o uso da rua e a faixa fosse um simples enfeite - ao contrário do que diz a lei, que afirma que na faixa de pedestre o mesmo tem total preferência sobre os automóveis, que devem ceder a passagem SEMPRE – enquanto na Europa o povo age em conformidade com a lei brasileira.
Não sei se é verdade que o europeu age assim, mas fica a pergunta: se as leis são a parte escrita dos códigos morais que rezam uma sociedade, elas não deveriam estar condizentes com o que pensa esta sociedade?
Creio que deveriam, e o fato de haver tantas leis como esta no Brasil (da categoria das que não pegam) faz com que nosso país seja esta bagunça que aqui está.
È muito provável que a lei de como se proceder na faixa de pedestres tenha sido totalmente importada de algum país europeu com um povo que pensa o contrário do brasileiro.
Se uma lei é o exato oposto da a ação natural de uma sociedade na qual ela se encontra, tratá-se de um convite a transgressão. E toda a pequena transgressão é a porta de entrada de uma outra maior.
O acúmulo destas pequenas transgressões faz com que todo o brasileiro seja um verdadeiro fora-da-lei na prática e cria uma guerra entre o cidadão e o Estado, cada um querendo impor a sua visão de mundo ao outro.
Nenhum Estado em guerra com o seu povo pode se declarar democrático ou prosperar. Como é isso que estamos vendo no Brasil, a prosperidade nunca nos alcançará, a menos que esta guerra cesse.
Como nem ao menos um armistício parece se avizinhar, continuaremos patinando como estamos agora. E sobre a ditadura de muitos Estados estrangeiros.
Ele diz que o brasileiro age como se o carro tivesse a primazia para o uso da rua e a faixa fosse um simples enfeite - ao contrário do que diz a lei, que afirma que na faixa de pedestre o mesmo tem total preferência sobre os automóveis, que devem ceder a passagem SEMPRE – enquanto na Europa o povo age em conformidade com a lei brasileira.
Não sei se é verdade que o europeu age assim, mas fica a pergunta: se as leis são a parte escrita dos códigos morais que rezam uma sociedade, elas não deveriam estar condizentes com o que pensa esta sociedade?
Creio que deveriam, e o fato de haver tantas leis como esta no Brasil (da categoria das que não pegam) faz com que nosso país seja esta bagunça que aqui está.
È muito provável que a lei de como se proceder na faixa de pedestres tenha sido totalmente importada de algum país europeu com um povo que pensa o contrário do brasileiro.
Se uma lei é o exato oposto da a ação natural de uma sociedade na qual ela se encontra, tratá-se de um convite a transgressão. E toda a pequena transgressão é a porta de entrada de uma outra maior.
O acúmulo destas pequenas transgressões faz com que todo o brasileiro seja um verdadeiro fora-da-lei na prática e cria uma guerra entre o cidadão e o Estado, cada um querendo impor a sua visão de mundo ao outro.
Nenhum Estado em guerra com o seu povo pode se declarar democrático ou prosperar. Como é isso que estamos vendo no Brasil, a prosperidade nunca nos alcançará, a menos que esta guerra cesse.
Como nem ao menos um armistício parece se avizinhar, continuaremos patinando como estamos agora. E sobre a ditadura de muitos Estados estrangeiros.
segunda-feira, 13 de novembro de 2006
Pseudo-enriquecimento
Em seu caderno de economia de ontem, se você quiser ainda pode encontrá-lo nas bancas enquanto eu escrevo estas linhas, há uma reportagem que afirma que a “classe E” está em processo de extinção no país.
É claro que isso não é verdade, uma vez que em um processo de estratificação por renda sempre haverá esta classe (e a própria matéria diz isso, apontando que há um erro de metodologia), mas há um dado assustador. O brasileiro está empobrecendo a olhos vistos, a se acreditar na pesquisa feita pelo PNAD.
Ela mostra que a soma das faixas E, D e C passou de 67,64% para 70,8%, o que por si só já mostra um empobrecimento da população como um todo. O fato de que agora 39,4% das famílias se concentram na faixa C até seria um fator positivo (está faixa quase dobrou, era de 20,54% em 2002), só que isso é totalmente enganoso; enquanto a classe C com 20,54% das famílias consumiam 25,77% do total em 2002, hoje consome apenas 27,3%. Ou seja, as famílias estão mais pobres, comparativamente.
A mágica disto é que a estratificação é feita por posse de bens ditos “de conforto”, e não por renda propriamente dita.
Então se a família tem 3 televisores velhos, receberá mais pontos do que se tiver um ultra-moderno televisor de plasma de 100 polegadas e o mesmo valendo para carros, banheiros e etc. Valem pontos também nível de escolaridade e outras coisas, que com a massificação do ensino básico empurram as famílias para os estratos superiores na classificação sem mudar a qualidade de vida das mesmas.
O porém é que a queda proporcional do consumo da “classe C” demonstra de modo cabal que o que está acontecendo é uma melhoria enganosa devido ao fortalecimento do real, que barateia os itens de consumo intercambiáveis entre países para a população brasileira, mas -tirante este consumismo fugaz- não melhora as condições de vida do povo em longo prazo.
Lula foi reeleito em grande parte devido ao consumismo provocado pelo câmbio favorável, porém com o empobrecimento constante da população não há como fazer um país melhor.
Que Lula tem simpatia por Fidel Casto, todos nós sabíamos. Que ele quer transformar o Brasil em uma imensa Cuba, eu acho que a maioria desconhece. Se ele não quer, está fazendo um péssimo trabalho, pois está indo naquela direção, e muito rápido.
É claro que isso não é verdade, uma vez que em um processo de estratificação por renda sempre haverá esta classe (e a própria matéria diz isso, apontando que há um erro de metodologia), mas há um dado assustador. O brasileiro está empobrecendo a olhos vistos, a se acreditar na pesquisa feita pelo PNAD.
Ela mostra que a soma das faixas E, D e C passou de 67,64% para 70,8%, o que por si só já mostra um empobrecimento da população como um todo. O fato de que agora 39,4% das famílias se concentram na faixa C até seria um fator positivo (está faixa quase dobrou, era de 20,54% em 2002), só que isso é totalmente enganoso; enquanto a classe C com 20,54% das famílias consumiam 25,77% do total em 2002, hoje consome apenas 27,3%. Ou seja, as famílias estão mais pobres, comparativamente.
A mágica disto é que a estratificação é feita por posse de bens ditos “de conforto”, e não por renda propriamente dita.
Então se a família tem 3 televisores velhos, receberá mais pontos do que se tiver um ultra-moderno televisor de plasma de 100 polegadas e o mesmo valendo para carros, banheiros e etc. Valem pontos também nível de escolaridade e outras coisas, que com a massificação do ensino básico empurram as famílias para os estratos superiores na classificação sem mudar a qualidade de vida das mesmas.
O porém é que a queda proporcional do consumo da “classe C” demonstra de modo cabal que o que está acontecendo é uma melhoria enganosa devido ao fortalecimento do real, que barateia os itens de consumo intercambiáveis entre países para a população brasileira, mas -tirante este consumismo fugaz- não melhora as condições de vida do povo em longo prazo.
Lula foi reeleito em grande parte devido ao consumismo provocado pelo câmbio favorável, porém com o empobrecimento constante da população não há como fazer um país melhor.
Que Lula tem simpatia por Fidel Casto, todos nós sabíamos. Que ele quer transformar o Brasil em uma imensa Cuba, eu acho que a maioria desconhece. Se ele não quer, está fazendo um péssimo trabalho, pois está indo naquela direção, e muito rápido.
sexta-feira, 10 de novembro de 2006
Sobre a pena de morte
Sempre que ocorre um crime hediondo (e a definição do que é um muda muito, e em questão de dias) aventa-se a pena de morte como solução para o caso. Mas pergunto, sinceramente, ao leitor destas linhas: ela é a solução?
Atrás de cada crime há um criminoso, e atrás deste há uma motivação muito específica, porém acredito que podemos dividi-los em dois grandes grupos: os que cometem o crime por razões racionais e os que o fazem por impulso.
O primeiro grupo tende a pesar os prós e contras de cada ação e sempre levará em conta a possibilidade de ser apanhado e cumprir a uma pena. E será coagido a seguir a lei se a possibilidade de que seja apanhado for muito maior do que a de que desfrutará dos frutos do crime.
Contra estes criminosos o que vale portanto é a ação investigatória da polícia e não a pena máxima a que está sujeito.
O segundo grupo cometerá o crime de qualquer forma e a coação policial afetará, no máximo, a freqüência com que age e o “modus operandi”. A possibilidade de ser pego não o demove de sua compulsão. Os integrantes desse devem receber tratamento médico e, em alguns casos, ser retirados do convívio social, por serem perigosos demais aos demais.
Como vemos, nos dois casos a utilização da pena capital não interfere na ação criminosa, sendo que serve apenas como uma forma de “compensação” da vítima ou de seus familiares por parte da sociedade. “Compensação” esta até mesmo perigosa, no meu ponto de vista, por transformar aos bebeficiários em cúmplices de um assassinato socialmente aceito, que pode gerar mais traumas psicológicos do que curar.
Do ponto da execução em si da pena de morte surge a questão do erro de julgamento no Estado de direito. Neste o conceito de justiça prevê que se tente compensar os erros praticados pelo sistema judiciário.
A pena de morte inviabiliza qualquer compensação após o erro ser cometido, o que faz com que todo o julgamento que possa levar a ela tenha custos astronômicos e leve no mínimo décadas para ter um final. Os custos legais medidos em julgamentos deste tipo nos Estados Unidos, que salvo engano meu, são o único estado de direito onde ocorre a pena capital nunca são inferiores a casa dos milhões de dólares.
Tudo isso deve ser pesado na hora de se tentar que a possibilidade da aplicação da pena de morte seja agregada ao nosso código penal.
Eu sou contrário a possibilidade por considerar que os riscos e problemas que ela gera para a sociedade não compensam os possíveis benefícios que somente alguns poucos indivíduos teriam ao se sentir vingados, já que não previne e não simplifica nada.
Atrás de cada crime há um criminoso, e atrás deste há uma motivação muito específica, porém acredito que podemos dividi-los em dois grandes grupos: os que cometem o crime por razões racionais e os que o fazem por impulso.
O primeiro grupo tende a pesar os prós e contras de cada ação e sempre levará em conta a possibilidade de ser apanhado e cumprir a uma pena. E será coagido a seguir a lei se a possibilidade de que seja apanhado for muito maior do que a de que desfrutará dos frutos do crime.
Contra estes criminosos o que vale portanto é a ação investigatória da polícia e não a pena máxima a que está sujeito.
O segundo grupo cometerá o crime de qualquer forma e a coação policial afetará, no máximo, a freqüência com que age e o “modus operandi”. A possibilidade de ser pego não o demove de sua compulsão. Os integrantes desse devem receber tratamento médico e, em alguns casos, ser retirados do convívio social, por serem perigosos demais aos demais.
Como vemos, nos dois casos a utilização da pena capital não interfere na ação criminosa, sendo que serve apenas como uma forma de “compensação” da vítima ou de seus familiares por parte da sociedade. “Compensação” esta até mesmo perigosa, no meu ponto de vista, por transformar aos bebeficiários em cúmplices de um assassinato socialmente aceito, que pode gerar mais traumas psicológicos do que curar.
Do ponto da execução em si da pena de morte surge a questão do erro de julgamento no Estado de direito. Neste o conceito de justiça prevê que se tente compensar os erros praticados pelo sistema judiciário.
A pena de morte inviabiliza qualquer compensação após o erro ser cometido, o que faz com que todo o julgamento que possa levar a ela tenha custos astronômicos e leve no mínimo décadas para ter um final. Os custos legais medidos em julgamentos deste tipo nos Estados Unidos, que salvo engano meu, são o único estado de direito onde ocorre a pena capital nunca são inferiores a casa dos milhões de dólares.
Tudo isso deve ser pesado na hora de se tentar que a possibilidade da aplicação da pena de morte seja agregada ao nosso código penal.
Eu sou contrário a possibilidade por considerar que os riscos e problemas que ela gera para a sociedade não compensam os possíveis benefícios que somente alguns poucos indivíduos teriam ao se sentir vingados, já que não previne e não simplifica nada.
quinta-feira, 9 de novembro de 2006
Ecoegoístas
Há muito defendo que a concepção de ecologista é mais do que querer salvar a espécie A ou B. No meu ponto de vista a ecologia é o próximo passo da economia, já que a primeira visa entender equilíbrio dos recursos em um ambiente e a segunda o uso mais eficiente de recursos escassos (é uma das definições de um velho dicionário de economia que tenho aqui em casa). Entender e poupar são complementares e ser sustentável no mundo é o desejo de qualquer ser vivente.
E finalmente o povão está começando a entender isso; e quando o povão entende, os que deveriam liderá-los vão atrás com uma celeridade impressionante.
Ao que parece sofreremos efeitos cada vez mais violentos das barbaridades que já cometemos e que ainda estamos cometendo contra a biosfera, mas a boa notícia é que com a tomada de consciência poderemos deixar de agravar a situação muito em breve, em questão de poucos anos (no cenário mais otimista). E em poucas décadas poderemos estar em uma nova era na qual o ser humano tenha alcançado o equilíbrio ecológico.
Na verdade isso é muito menos difícil do que parece do ponto de vista tecnológico, porém acarretará em mudanças muito profundas nos modos de vida da maioria da população mundial e troca da relação de poder entre as nações e as corporações. E é nisso que ocorrerá o grande desafio, vencer as posições contrárias às mudanças tecnológicas poupadoras de energia.
Existem exemplos simples de tecnologias que já estão completamente maduras e que poupam energia e que estão sendo combatidas pelas indústrias estabelecidas.
A transferência de arquivos por Internet é uma delas. Cada arquivo transferido é um pouco de petróleo poupado, tanto na mídia em que ele seria impresso de alguma maneira (um cd, por exemplo) e no deslocamento físico, que hoje é feito prioritariamente por veículos automotores.
O teletrabalho age da mesma forma, impedindo os deslocamentos e utilização de carros.
Da mesma forma agirá a utilização de formas de energia que hoje são chamadas de alternativas, poupando petróleo e distribuindo poder para todas as nações onde haja a possibilidade de utilizá-las (praticamente todas, na verdade) e retirando-o das nações exportadoras de petróleos e das empresas gigantes que controlam o comércio mundial.
Portando esta crise anunciada é uma oportunidade e tanto para que o mundo seja mais justo e rico, cortando os desperdícios que tem aos montes, só que para que isso ocorra é necessário que sejamos mais do que ecochatos, precisamos ser ecoegoístas.
Temos que pensar em nós mesmos e deixar de apoiar as iniciativas que são contrárias à implementação de medidas energeticamente corretas.
O resto é perfumaria.
E finalmente o povão está começando a entender isso; e quando o povão entende, os que deveriam liderá-los vão atrás com uma celeridade impressionante.
Ao que parece sofreremos efeitos cada vez mais violentos das barbaridades que já cometemos e que ainda estamos cometendo contra a biosfera, mas a boa notícia é que com a tomada de consciência poderemos deixar de agravar a situação muito em breve, em questão de poucos anos (no cenário mais otimista). E em poucas décadas poderemos estar em uma nova era na qual o ser humano tenha alcançado o equilíbrio ecológico.
Na verdade isso é muito menos difícil do que parece do ponto de vista tecnológico, porém acarretará em mudanças muito profundas nos modos de vida da maioria da população mundial e troca da relação de poder entre as nações e as corporações. E é nisso que ocorrerá o grande desafio, vencer as posições contrárias às mudanças tecnológicas poupadoras de energia.
Existem exemplos simples de tecnologias que já estão completamente maduras e que poupam energia e que estão sendo combatidas pelas indústrias estabelecidas.
A transferência de arquivos por Internet é uma delas. Cada arquivo transferido é um pouco de petróleo poupado, tanto na mídia em que ele seria impresso de alguma maneira (um cd, por exemplo) e no deslocamento físico, que hoje é feito prioritariamente por veículos automotores.
O teletrabalho age da mesma forma, impedindo os deslocamentos e utilização de carros.
Da mesma forma agirá a utilização de formas de energia que hoje são chamadas de alternativas, poupando petróleo e distribuindo poder para todas as nações onde haja a possibilidade de utilizá-las (praticamente todas, na verdade) e retirando-o das nações exportadoras de petróleos e das empresas gigantes que controlam o comércio mundial.
Portando esta crise anunciada é uma oportunidade e tanto para que o mundo seja mais justo e rico, cortando os desperdícios que tem aos montes, só que para que isso ocorra é necessário que sejamos mais do que ecochatos, precisamos ser ecoegoístas.
Temos que pensar em nós mesmos e deixar de apoiar as iniciativas que são contrárias à implementação de medidas energeticamente corretas.
O resto é perfumaria.
quarta-feira, 8 de novembro de 2006
Se querem que eu tire da Globo, que apresentem as alternativas
É isso aí, voltei. Só que vou ir devagar, para não ter uma overdose.
Há de haver uma periodização, diz a máxima do treinamento.
Portanto hoje só um breve comentário sobre a nossa imprensa; é uma vergonha.
Bando de marias-vai-com-as-outras, que não pode ver um relatoriozinho entregue por alguém ou uma coletivazinha e já se dá por satisfeita em repercutir isso pelo resto da semana.
E depois um e outro ficam reclamando da concentração de poder nas mãos da rede Globo, como se houvesse alguma diferença entre o noticiário desta e o os demais fornecidos por outras empresas jornalísticas.
Se é tudo a mesma coisa mesmo, fiquemos com a que apresenta melhores novelas, que ao menos são nacionais e com a temática mais próxima à nossa.
Ou não concordam comigo?
Há de haver uma periodização, diz a máxima do treinamento.
Portanto hoje só um breve comentário sobre a nossa imprensa; é uma vergonha.
Bando de marias-vai-com-as-outras, que não pode ver um relatoriozinho entregue por alguém ou uma coletivazinha e já se dá por satisfeita em repercutir isso pelo resto da semana.
E depois um e outro ficam reclamando da concentração de poder nas mãos da rede Globo, como se houvesse alguma diferença entre o noticiário desta e o os demais fornecidos por outras empresas jornalísticas.
Se é tudo a mesma coisa mesmo, fiquemos com a que apresenta melhores novelas, que ao menos são nacionais e com a temática mais próxima à nossa.
Ou não concordam comigo?
segunda-feira, 30 de outubro de 2006
O resultado da eleição
Olhando o resultado das eleições chega-se a conclusão que faltou ao presidenciável Alckmin algo que sobrou em FHC e esteve presente com menos força na candidatura Serra, um PFL forte para auxiliá-lo.
O PFL foi simplesmente varrido nesta eleição, enquanto os outros três grandes partidos aumentaram sua participação no cenário nacional.
Apesar do abandono que alguns líderes tucanos ao candidato de seu partido, foi a derrota do PFL no seu antigos redutos eleitorais que sacramentou o domínio petista do cenário nacional mais um quadriênio.
Como todo o bom paulista, olho com um pouco de desdém para o partido que nunca conseguiu se firmar como uma alternativa séria aqui na paulicéia, e para os seus líderes que sempre chegaram até nós através da lente crítica da mídia, que nós sabemos ser esquerdista. Como brasileiro fico muito chateado que este ocaso tenha significado a reeleição lulista.
Os eleitores históricos do PFL devem estar sabendo o fazem, só espero que eles não se arrependam da troca que fizeram e eu a emenda se torne muito pior que o soneto.
O PFL foi simplesmente varrido nesta eleição, enquanto os outros três grandes partidos aumentaram sua participação no cenário nacional.
Apesar do abandono que alguns líderes tucanos ao candidato de seu partido, foi a derrota do PFL no seu antigos redutos eleitorais que sacramentou o domínio petista do cenário nacional mais um quadriênio.
Como todo o bom paulista, olho com um pouco de desdém para o partido que nunca conseguiu se firmar como uma alternativa séria aqui na paulicéia, e para os seus líderes que sempre chegaram até nós através da lente crítica da mídia, que nós sabemos ser esquerdista. Como brasileiro fico muito chateado que este ocaso tenha significado a reeleição lulista.
Os eleitores históricos do PFL devem estar sabendo o fazem, só espero que eles não se arrependam da troca que fizeram e eu a emenda se torne muito pior que o soneto.
Educação e formação profissional
Já foi dito neste blog que a educação no Brasil é extremamente burocrática, no sentido de visar apenas a obtenção de diplomas.
Ter um diploma neste país é um desejo almejado pelas razões completamente erradas, já que ele não significa excelência em nada e sim que o portador é habilitado a exercer uma função profissional, é a burocracia presente novamente.
Então temos o seguinte quadro, uma educação burocrática para se obter um certificado que será utilizado pelas burocracias trabalhistas e empresariais. Tudo errado, o cartorialismo ibérico levado ao extremo.
E não vai mudar, pois o presidente reeleito pensa que o que de melhor há para se mostrar em uma administração é o aumento de pessoas com o diploma no ensino médio e de agraciados com bolsas do Pro-uni.
Está certo que está provado que quem tem diploma de ensino superior ganha mais do quem não tem e que cada ano a mais no ensino formal incrementa alguns reais na renda do indivíduo; na média é assim, mas desconfio que além do “burocratismo” de nossa economia há um fator que não tem nada a ver com os diplomas fornecidos pelas escolas formais.
E este fator é a capacidade de abstração.
Se durante os séculos XIX e XX a quase totalidade de empregos exigia a simples aplicação de regras ou tarefas repetitivas, ou ambas, hoje a quase totalidade de oportunidade de renda exigem raciocínio abstrato e manipulação de informação, transformando-a em conhecimento.
Deve haver inúmeras formas de se desenvolver esta capacidade, mas a que se tem mostrado mais efetiva é a leitura e o estudo, atributos que são mais exigidos quanto mais se avança na educação formal.
É essa coincidência que, na maioria das vezes, resulta nos melhores salários e não os diplomas burocráticos.
Para melhorar a empregabilidade das futuras gerações, os governos deveriam se preocupar com um ensino de qualidade no que hoje chamamos de ensino fundamental e não em garantir diplomas subsidiados aos que não tiveram tal ensino.
Tendo um bom raciocínio abstrato e um pouco de raciocínio lógico, tudo se resolve. As pessoas têm até uma capacidade maior de suprir as deficiências das instituições de ensino.
O problema é que isso demora a aparecer, e a nossa tacanha lógica política trabalha com um horizonte de quatro anos, e nada como um aumento no número de graduados para lustrar um currículo de governante.
Então ficamos nisso de formar profissionais em vez de educar pessoas.
Ter um diploma neste país é um desejo almejado pelas razões completamente erradas, já que ele não significa excelência em nada e sim que o portador é habilitado a exercer uma função profissional, é a burocracia presente novamente.
Então temos o seguinte quadro, uma educação burocrática para se obter um certificado que será utilizado pelas burocracias trabalhistas e empresariais. Tudo errado, o cartorialismo ibérico levado ao extremo.
E não vai mudar, pois o presidente reeleito pensa que o que de melhor há para se mostrar em uma administração é o aumento de pessoas com o diploma no ensino médio e de agraciados com bolsas do Pro-uni.
Está certo que está provado que quem tem diploma de ensino superior ganha mais do quem não tem e que cada ano a mais no ensino formal incrementa alguns reais na renda do indivíduo; na média é assim, mas desconfio que além do “burocratismo” de nossa economia há um fator que não tem nada a ver com os diplomas fornecidos pelas escolas formais.
E este fator é a capacidade de abstração.
Se durante os séculos XIX e XX a quase totalidade de empregos exigia a simples aplicação de regras ou tarefas repetitivas, ou ambas, hoje a quase totalidade de oportunidade de renda exigem raciocínio abstrato e manipulação de informação, transformando-a em conhecimento.
Deve haver inúmeras formas de se desenvolver esta capacidade, mas a que se tem mostrado mais efetiva é a leitura e o estudo, atributos que são mais exigidos quanto mais se avança na educação formal.
É essa coincidência que, na maioria das vezes, resulta nos melhores salários e não os diplomas burocráticos.
Para melhorar a empregabilidade das futuras gerações, os governos deveriam se preocupar com um ensino de qualidade no que hoje chamamos de ensino fundamental e não em garantir diplomas subsidiados aos que não tiveram tal ensino.
Tendo um bom raciocínio abstrato e um pouco de raciocínio lógico, tudo se resolve. As pessoas têm até uma capacidade maior de suprir as deficiências das instituições de ensino.
O problema é que isso demora a aparecer, e a nossa tacanha lógica política trabalha com um horizonte de quatro anos, e nada como um aumento no número de graduados para lustrar um currículo de governante.
Então ficamos nisso de formar profissionais em vez de educar pessoas.
domingo, 29 de outubro de 2006
Bola prá frente
Bem, não deu, fazer o quê?
O jeito agora é ir chorar no banheiro um pouco e preparar a versão 2007 do Gian, agora sem nenhuma fé no povo brasileiro.
O jeito agora é ir chorar no banheiro um pouco e preparar a versão 2007 do Gian, agora sem nenhuma fé no povo brasileiro.
quinta-feira, 26 de outubro de 2006
Cadê o segredo de justiça?
""...Claro que não foi. É evidente que não foi o PT. Foram pessoas que montaram um grupo de inteligência entre aspas e que fizeram isso (a negociação). É isto que está nos autos (inquérito)", disse o ministro a jornalistas."
O ministro em questão é o Marcio Thomaz Bastos. Me pergunto então:
se o rocesso está correndo sobre sigilo de justiça, como o mininstro sabe o que que está nos autos?
Ele é advogado de alguma das partes envolvidas?
Ou seria apenas mais uma das vezes em que este governo mistura público e privado.
Aliás, de fato não foi o PT quem fez nada. Partido nenhum age, e sim pessoas em nome dele.
No caso pessoas membras dos diretórios e pagas por ele.
Dizem por aí que dá cassação de registro e, dependendo do caso, perda da candidatura. Será que é verdade?
O ministro em questão é o Marcio Thomaz Bastos. Me pergunto então:
se o rocesso está correndo sobre sigilo de justiça, como o mininstro sabe o que que está nos autos?
Ele é advogado de alguma das partes envolvidas?
Ou seria apenas mais uma das vezes em que este governo mistura público e privado.
Aliás, de fato não foi o PT quem fez nada. Partido nenhum age, e sim pessoas em nome dele.
No caso pessoas membras dos diretórios e pagas por ele.
Dizem por aí que dá cassação de registro e, dependendo do caso, perda da candidatura. Será que é verdade?
quarta-feira, 25 de outubro de 2006
Lagos mortais
Observação: esta é uma postagem sobre política, para saber sobre o fenômeno geológico que forma os lagos assassinos da África, clique no marcador ao pé deste texto.
De todos os documentários que já vi na tv, o que me impressionou mais foi um sobre os lagos assassinos que existem na África.
Estes têm características muito peculiares, são profundos e situados sobre falhas geológicas que bombeiam carbono gaseificado no seu interior, e de tempos em tempos matam por asfixia todos os organismos aeróbios de suas margens e arredores.
Felizmente não temos nenhum destes por aqui, pelo menos nenhum conhecido, e podemos nos preocupar com coisas menos interessantes, tais como política e economia.
E nestes quesitos os riscos de asfixia estão muito presentes no ar no momento. A democracia, qualquer que seja o resultado das urnas de domingo sofrerá provações tremendas.
Lula só governa se houver flagrante desrespeito as leis vigentes no país, já que tudo leva a crer que sua campanha usou recursos ilegais para se eleger em 2002 e novamente agora em 2006.
Alckmin se eleito não terá nenhum problema institucional, porém terá que conviver com a insurreição dos chamados “movimentos sociais organizados” que apóiam o PT.
Como para sobreviver a democracia precisa de instituições fortes e ordem social, podemos prever um 2007 muito ruim para ela e, conseqüentemente, para nós.
Já na economia deveremos sofrer a freiada do crescimento mundial e como a nossa economia interna não está tão arrumada como nossos líderes parecem acreditar vamos sofrer muito com isso. O que em última análise deve alimentar a instabilidade política do ano que vem.
A confusão está armada, só espero que o poder mortal desta não se compare ao dos lagos assassinos africanos.
De todos os documentários que já vi na tv, o que me impressionou mais foi um sobre os lagos assassinos que existem na África.
Estes têm características muito peculiares, são profundos e situados sobre falhas geológicas que bombeiam carbono gaseificado no seu interior, e de tempos em tempos matam por asfixia todos os organismos aeróbios de suas margens e arredores.
Felizmente não temos nenhum destes por aqui, pelo menos nenhum conhecido, e podemos nos preocupar com coisas menos interessantes, tais como política e economia.
E nestes quesitos os riscos de asfixia estão muito presentes no ar no momento. A democracia, qualquer que seja o resultado das urnas de domingo sofrerá provações tremendas.
Lula só governa se houver flagrante desrespeito as leis vigentes no país, já que tudo leva a crer que sua campanha usou recursos ilegais para se eleger em 2002 e novamente agora em 2006.
Alckmin se eleito não terá nenhum problema institucional, porém terá que conviver com a insurreição dos chamados “movimentos sociais organizados” que apóiam o PT.
Como para sobreviver a democracia precisa de instituições fortes e ordem social, podemos prever um 2007 muito ruim para ela e, conseqüentemente, para nós.
Já na economia deveremos sofrer a freiada do crescimento mundial e como a nossa economia interna não está tão arrumada como nossos líderes parecem acreditar vamos sofrer muito com isso. O que em última análise deve alimentar a instabilidade política do ano que vem.
A confusão está armada, só espero que o poder mortal desta não se compare ao dos lagos assassinos africanos.
segunda-feira, 23 de outubro de 2006
O fim está próximo
Pelo menos é o que se vê na revista Veja desta semana.
As famosas páginas amarelas são preenchidas com um pessimismo sem tamanho.
O entrevistado James Lovelock (autor da Hipótese Gaia) afirma que nossos dias na Terra como espécie estão contados e que até 2040 a vida se tornará insuportável nas regiões próximas da linha do Equador; ou seja, o inferno será aqui.
Bem, não sei se chegaremos a tanto, com o Brasil deixando de ser habitável, mas certamente não seremos exterminados como espécie tão cedo. Não sei se felizmente ou infelizmente, a espécie humana se tornou quase indiferente as grandes variações climáticas no quesito sobrevivência.
O que podemos encarar no futuro próximo é uma incrível perda de qualidade de vida da humanidade e conseqüente encolhimento populacional. Se sobrevivemos a mudanças quando não tínhamos posse das tecnologias que dispomos hoje, por que seria esta que nos extinguiria?
O certo é que está formado o consenso de que nós conseguimos destruir o equilíbrio ambiental do planeta e sofreremos com isso, mas acho que o cientista é demasiadamente apocalíptico. E mal informado em alguns detalhes.
Na entrevista ele deixa bem claro que considera uma má idéia a adoção dos biocombustíveis, pois estes pressupõem a substituição de florestas ou campos de produção de alimentos. E nós brasileiros sabemos que isto não é necessariamente verdade.
No nosso caso em particular, estão a disposição milhares de hectares de pastagens degradadas que poderiam ser prontamente utilizadas para a produção de combustíveis, gerando empregos, renda e economia em derivados de petróleo e outros fósseis, sem a derrubada de uma árvore ou troca de um pé de alface por cana ou soja ou o que quer que se use para a obtenção de biocombustível.
Situação que se ocorre em maior ou menor grau mundo afora, já que há no momento uma superprodução de alimentos e não escassez. E se há fome no mundo não é certamente por falta de alimentos a serem fornecidos; só a falta de competência da humanidade em geral de distribuir seus recursos corretamente explica este flagelo.
Lovelock aponta a energia nuclear como a única capaz de reduzir a velocidade com que estamos indo para o desaparecimento. Eu discordo; acho que todas as formas de energia não-fósseis têm um papel nisso, e a nuclear não é nem a melhor nem a mais fácil de ser utilizada, é só a polêmica. A energia solar, a eólica, os biocombustíveis, a energia das ondas e outras mais que estão aí apenas esperando para serem utilizadas ainda darão muito que falar.
Com a fé abalada no Brasil (já que Lula teve tantos votos – não me conformo), tenho que manter a fé na humanidade. Fizemos uma grande caca no mundo, temos que consertar agora; afinal a outra opção é perecer como espécie.
Se vamos morrer, que seja tentando então.
As famosas páginas amarelas são preenchidas com um pessimismo sem tamanho.
O entrevistado James Lovelock (autor da Hipótese Gaia) afirma que nossos dias na Terra como espécie estão contados e que até 2040 a vida se tornará insuportável nas regiões próximas da linha do Equador; ou seja, o inferno será aqui.
Bem, não sei se chegaremos a tanto, com o Brasil deixando de ser habitável, mas certamente não seremos exterminados como espécie tão cedo. Não sei se felizmente ou infelizmente, a espécie humana se tornou quase indiferente as grandes variações climáticas no quesito sobrevivência.
O que podemos encarar no futuro próximo é uma incrível perda de qualidade de vida da humanidade e conseqüente encolhimento populacional. Se sobrevivemos a mudanças quando não tínhamos posse das tecnologias que dispomos hoje, por que seria esta que nos extinguiria?
O certo é que está formado o consenso de que nós conseguimos destruir o equilíbrio ambiental do planeta e sofreremos com isso, mas acho que o cientista é demasiadamente apocalíptico. E mal informado em alguns detalhes.
Na entrevista ele deixa bem claro que considera uma má idéia a adoção dos biocombustíveis, pois estes pressupõem a substituição de florestas ou campos de produção de alimentos. E nós brasileiros sabemos que isto não é necessariamente verdade.
No nosso caso em particular, estão a disposição milhares de hectares de pastagens degradadas que poderiam ser prontamente utilizadas para a produção de combustíveis, gerando empregos, renda e economia em derivados de petróleo e outros fósseis, sem a derrubada de uma árvore ou troca de um pé de alface por cana ou soja ou o que quer que se use para a obtenção de biocombustível.
Situação que se ocorre em maior ou menor grau mundo afora, já que há no momento uma superprodução de alimentos e não escassez. E se há fome no mundo não é certamente por falta de alimentos a serem fornecidos; só a falta de competência da humanidade em geral de distribuir seus recursos corretamente explica este flagelo.
Lovelock aponta a energia nuclear como a única capaz de reduzir a velocidade com que estamos indo para o desaparecimento. Eu discordo; acho que todas as formas de energia não-fósseis têm um papel nisso, e a nuclear não é nem a melhor nem a mais fácil de ser utilizada, é só a polêmica. A energia solar, a eólica, os biocombustíveis, a energia das ondas e outras mais que estão aí apenas esperando para serem utilizadas ainda darão muito que falar.
Com a fé abalada no Brasil (já que Lula teve tantos votos – não me conformo), tenho que manter a fé na humanidade. Fizemos uma grande caca no mundo, temos que consertar agora; afinal a outra opção é perecer como espécie.
Se vamos morrer, que seja tentando então.
Mais perguntas
E por falar na questão levantada na sexta-feira, a Veja trás uma reportagem intitulada “Perdulário, gigantesco e ineficiente”, falando dos gastos públicos e de como eles são tratados.
Continuo então a perguntar, cadê o software de gestão que não temos ainda?
Ia esquecendo, cadê a origem do dinheiro do falso dossiê também?
Continuo então a perguntar, cadê o software de gestão que não temos ainda?
Ia esquecendo, cadê a origem do dinheiro do falso dossiê também?
sexta-feira, 20 de outubro de 2006
Mais uma pergunta
Alguém sabe me responder por quê os três níveis de governo não instalam softwares de gestão?
Será falta de dinheiro ou o medo de não poder mais fazer falcatruas?
Será falta de dinheiro ou o medo de não poder mais fazer falcatruas?
quinta-feira, 19 de outubro de 2006
Algo precisa ser feito
Nesta semana assisti a um documentário chamado “As marcas da água” que tratava de um clube para atletas judeus na Áustria pré-nazista.
Os dramas que aparecem no filme não são o assunto do texto, mas sim a manutenção da infra-estrutura mostrada nele na década de 30 do século passada e ainda operando, com aparência de que acabou de ser construída.
Este é um ponto que marca profundamente as diferenças entre um país economicamente desenvolvido e o nosso. Lá as coisas são feitas para durar, enquanto aqui são feitas para aparentar.
Estamos nos especializando em construir equipamentos urbanos com vida útil de poucos anos, e que ao terminar de serem construídos já necessitam de reformas.
Este é uma demonstração acabada com o desleixo com o patrimônio público e da incapacidade de se pensar em termos de Patrimônio Líquido Nacional nos moldes do apresentado por Kanitz em uma de suas colunas (já comentei este artigo uma vez, se quiser relembrar o link é esse http://eudiscordomesmo.blogspot.com/2006/02/sobre-o-patrimnio-lquido-nacional.html ).
Repito que venho dizendo faz anos, não há falta de dinheiro no Brasil para alcançarmos nossos objetivos, existe sim falta de competência para gerir estes recursos, na melhor das hipóteses, ou falta de escrúpulos, ou até mesmo uma soma dos dois fatores.
Fora uma empresa, todos os funcionários estariam no olho da rua devido aos índices de re-trabalho e desvalorização dos ativos, sendo um país e se tratando de patrimônio público, ainda têm uns que se reelegem.
Os dramas que aparecem no filme não são o assunto do texto, mas sim a manutenção da infra-estrutura mostrada nele na década de 30 do século passada e ainda operando, com aparência de que acabou de ser construída.
Este é um ponto que marca profundamente as diferenças entre um país economicamente desenvolvido e o nosso. Lá as coisas são feitas para durar, enquanto aqui são feitas para aparentar.
Estamos nos especializando em construir equipamentos urbanos com vida útil de poucos anos, e que ao terminar de serem construídos já necessitam de reformas.
Este é uma demonstração acabada com o desleixo com o patrimônio público e da incapacidade de se pensar em termos de Patrimônio Líquido Nacional nos moldes do apresentado por Kanitz em uma de suas colunas (já comentei este artigo uma vez, se quiser relembrar o link é esse http://eudiscordomesmo.blogspot.com/2006/02/sobre-o-patrimnio-lquido-nacional.html ).
Repito que venho dizendo faz anos, não há falta de dinheiro no Brasil para alcançarmos nossos objetivos, existe sim falta de competência para gerir estes recursos, na melhor das hipóteses, ou falta de escrúpulos, ou até mesmo uma soma dos dois fatores.
Fora uma empresa, todos os funcionários estariam no olho da rua devido aos índices de re-trabalho e desvalorização dos ativos, sendo um país e se tratando de patrimônio público, ainda têm uns que se reelegem.
terça-feira, 17 de outubro de 2006
Eu também vou bravatear
Como não gosto de decepcionar meus leitores, que dizem que sou preguiçoso, só volto a escrever hoje, depois de um longo feriado.
Confesso que ando um muito chato estes dias; só penso, escrevo e falo de eleições e dinheiro “aparecido e sem-dono”, mas é que esse é um tema central para o país no momento.
Nem posso alegar que anda faltando assunto mundo afora, surgiu mais uma “potência nuclear” num repente, o doido do Bush está próximo de – finalmente - perder o poder e agora parece que dormir bem emagrece (por quê não funciona comigo?).
No feriado em particular mostra o quão estranhos somos nós brasileiros. O mesmo dia que estávamos comemorando o dia de Maria Aparecida o resto da América e algumas partes da Europa estavam celebrando o Dia de Colombo, o dia do descobrimento da América.
Inclusive estava em Madrid na mesma época no ano passado e perguntei a alguém o motiva da celebração. Passei por ignorante, ainda mais eu sendo originário da América. Fui obrigado a me defender dizendo que não comemorávamos esta data, mas sim a chegada dos portugueses ao Brasil e recebi como resposta um: “mas como vocês comemoram o depois como vindo antes”?
Bem, não há como responder isso. O Brasil sendo parte da América deveria comemorar a data, e se eu fosse religioso poderia ter dito que comemorávamos uma data muito mais importante na mesma data ou até que o dia das crianças é o mais importante. Na hora nada disso me passou pela cabeça.
Fiquei com pecha de ignorante (ou melhor, ficamos), mas em uma possível segunda vez isso não acontecerá de novo. Ainda vou falar mal do Colombo dizendo que ele só trouxe sofrimento para estas paragens e que estaríamos melhor sem ele.
Pode até ser uma falácia, uma bravata, só que estamos em período eleitoral, e agora isso é válido, não?
Confesso que ando um muito chato estes dias; só penso, escrevo e falo de eleições e dinheiro “aparecido e sem-dono”, mas é que esse é um tema central para o país no momento.
Nem posso alegar que anda faltando assunto mundo afora, surgiu mais uma “potência nuclear” num repente, o doido do Bush está próximo de – finalmente - perder o poder e agora parece que dormir bem emagrece (por quê não funciona comigo?).
No feriado em particular mostra o quão estranhos somos nós brasileiros. O mesmo dia que estávamos comemorando o dia de Maria Aparecida o resto da América e algumas partes da Europa estavam celebrando o Dia de Colombo, o dia do descobrimento da América.
Inclusive estava em Madrid na mesma época no ano passado e perguntei a alguém o motiva da celebração. Passei por ignorante, ainda mais eu sendo originário da América. Fui obrigado a me defender dizendo que não comemorávamos esta data, mas sim a chegada dos portugueses ao Brasil e recebi como resposta um: “mas como vocês comemoram o depois como vindo antes”?
Bem, não há como responder isso. O Brasil sendo parte da América deveria comemorar a data, e se eu fosse religioso poderia ter dito que comemorávamos uma data muito mais importante na mesma data ou até que o dia das crianças é o mais importante. Na hora nada disso me passou pela cabeça.
Fiquei com pecha de ignorante (ou melhor, ficamos), mas em uma possível segunda vez isso não acontecerá de novo. Ainda vou falar mal do Colombo dizendo que ele só trouxe sofrimento para estas paragens e que estaríamos melhor sem ele.
Pode até ser uma falácia, uma bravata, só que estamos em período eleitoral, e agora isso é válido, não?
quinta-feira, 12 de outubro de 2006
Pergunta
A Receita Federal é muito, mais muito mesmo, eficiente em retirar dinheirodo cidadão comum. E o que aconteceu com os recursos "não-contabilizados"?
Foram pagos os impostos e multas referentes a eles?
E então Receita Federal?
Foram pagos os impostos e multas referentes a eles?
E então Receita Federal?
quarta-feira, 11 de outubro de 2006
Polícia Federal “Republicana”
Se existiu um ponto em que o executivo atual foi muito melhor do que o governo FHC, este foi na prática de relações públicas. Ele conseguiu fazer com que erros bisonhos passassem para a população como o ápice da administração.
A carne brasileira é embargada mundo afora por questões sanitárias; vergonha? Nada, há uma derrama de carnes no mercado interno e o preço cai.
Então temos que ouvir o velho “nunca na história deste país o pobre comeu tanta carne”.
É provado que muitos dos alunos que são beneficiados pelo bolsa-família abandonaram a escola e os benefícios continuam sendo pagos. Falta de fiscalização? Claro que não, sensibilidade social.
A Bolívia “nacionaliza” o patrimônio da Petrobrás, a Venezuela ameaça fazer o mesmo, a Argentina impõe cotas aos nossos produtos, o Paraguai e o Uruguai dizem que irão sair do Mercosul; ou seja, todos quebraram ou querem quebrar contratos? Resposta do Itamaraty, é preciso ser solidário com os povos menos afortunados; afinal, vocês querem o que? Que invadamos os pobrezinhos?
Dentro deste quadro lamentável vinha escapando o trabalho da Polícia Federal, não que ela esteja escapando da politização (já escrevi sobre isso e se quiserem refrescar a memória é só clicar aqui ), mas estava ao menos escapando da incompetência e da humilhação pública.
Estava; no episódio do dossiê fajuto esta enterrando a credibilidade da instituição.
Na segunda-feira ela teve que ver seu nome estampado nas manchetes televisivas quando um grupo de parlamentares ocupantes da CPI dos Sanguessugas foi a Matogrosso do Sul “ensinar” o delegado a fazer investigações.
Ontem os policiais federais denunciaram que a instituição está sendo usado com motivação política pelo governo e que quem não se enquadrar nisso é “enquadrado” a despeito dos ritos normais.
Os delegados são acusados por aloprados (definição presidencial) de torturadores psíquicos; digamos assim, quase-alckmins em porta de cadeia.
Tudo naturalmente ao estilo poder central, maltrata-se as instituições e salvam-se os anéis do povo no poder e o poder para este povo.
"Republicanismo" na veia.
A carne brasileira é embargada mundo afora por questões sanitárias; vergonha? Nada, há uma derrama de carnes no mercado interno e o preço cai.
Então temos que ouvir o velho “nunca na história deste país o pobre comeu tanta carne”.
É provado que muitos dos alunos que são beneficiados pelo bolsa-família abandonaram a escola e os benefícios continuam sendo pagos. Falta de fiscalização? Claro que não, sensibilidade social.
A Bolívia “nacionaliza” o patrimônio da Petrobrás, a Venezuela ameaça fazer o mesmo, a Argentina impõe cotas aos nossos produtos, o Paraguai e o Uruguai dizem que irão sair do Mercosul; ou seja, todos quebraram ou querem quebrar contratos? Resposta do Itamaraty, é preciso ser solidário com os povos menos afortunados; afinal, vocês querem o que? Que invadamos os pobrezinhos?
Dentro deste quadro lamentável vinha escapando o trabalho da Polícia Federal, não que ela esteja escapando da politização (já escrevi sobre isso e se quiserem refrescar a memória é só clicar aqui ), mas estava ao menos escapando da incompetência e da humilhação pública.
Estava; no episódio do dossiê fajuto esta enterrando a credibilidade da instituição.
Na segunda-feira ela teve que ver seu nome estampado nas manchetes televisivas quando um grupo de parlamentares ocupantes da CPI dos Sanguessugas foi a Matogrosso do Sul “ensinar” o delegado a fazer investigações.
Ontem os policiais federais denunciaram que a instituição está sendo usado com motivação política pelo governo e que quem não se enquadrar nisso é “enquadrado” a despeito dos ritos normais.
Os delegados são acusados por aloprados (definição presidencial) de torturadores psíquicos; digamos assim, quase-alckmins em porta de cadeia.
Tudo naturalmente ao estilo poder central, maltrata-se as instituições e salvam-se os anéis do povo no poder e o poder para este povo.
"Republicanismo" na veia.
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