sexta-feira, 2 de maio de 2008

É, somos bom destino aos investimentos.

Finalmente chegou o grau que tantos queríamos, regado a espumante na cúpula governistas, mas alguns exportadores estão mais é querendo tomar uma caninha para esquecer os maus momentos que, eles esperam, virão.
Dá minha parte, só vejo vantagens. Se você lê estas discordâncias com freqüência, sabe que sou favorável à moeda forte e às importações, em suma, ao consumidor. É balela esta história de que o país precisa ser uma plataforma exportadora para ser desenvolvido. Normalmente os mais desenvolvidos são o oposto, grandes importadores de produtos, deixando sua bem remunerada força de trabalho dedicada aos serviços que facilitam a vida, tornando-a melhor. E isso os torna desenvolvidos, oferecer uma vida melhor à maior parcela da população, não ao grupelho de empresários exportadores.
Não que eu queira impedir a exportação, mas se ela se baseia apenas no dólar fraco, não a merecemos. Que aumentemos a tecnologia embutida, reduzamos os impostos às exportações, retiremos os entraves que encarecem a mão-de-obra, façamos o que os desenvolvidos fazem. Se queremos ser como eles é daí que teremos que tirar os exemplos, não da China ou da Índia.
Favoreçamos o consumidor daqui.

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Oito anos é pouco?

Taí, concordo com Lula em gênero, número e grau. Oito anos é pouco para um governante manter-se no poder. Um governante poderia ficar no poder eternamente, trazendo o bem à população. Conosco também estão, Mugabe, Il-sung, Chávez, Castro, aquele do Quênia, etc, etc ,etc.
O problema é que governantes não são encontrados facilmente por aí, tanto é assim que, em todos os lugares para onde olho, não os vejo. Nós mesmo não temos um, como o desgoverno na saúde, nas obras públicas, no ensino universitário, etc, etc, etc, demonstram.
Casuísmo por casuísmo, vamos debater a possibilidade de mandatos maiores, mas só quando um verdadeiro governante estiver no cargo, combinados?

obs: se a proposta não parece muito democrática, é porque ela não é mesmo. Enquanto a falta de democracia estiver apenas nas propostas, muito bom. O problema é que pessoas que realmente podem mudar as instituições estão aparecendo com umas idéias esquisitas em toda a América Latina (sim, toda), e estas sim, são muito ruins.

sábado, 26 de abril de 2008

Caso de polícia

Não comentei até agora, mas devo confessar que este caso Isabela muito me intriga.
Nele ocorreu algo raro e potencialmente perigoso: o acompanhamento da mídia desde os primeiros instantes. Aliada à comoção que a morte de uma criança costuma causar, ainda mais a de uma menina de classe média com muitas fotos prévias a provar que era uma gracinha e quetais, a cobertura da imprensa gerou um sentimento público de urgência pela apuração dos fatos que a polícia, infelizmente, não está preparada para suportar.
É lógico que, como a grande massa, só sou informado do caso pelo que os repórteres recebem das partes envolvidas no inquérito, porém mesmo este pouco é suficiente para demonstrar o quão ineficaz é o nosso sistema de investigação. É muito claro que os cenários apresentados pelos investigadores até o momento carecem de um mínimo de plausibilidade, pois mostram um crime sendo cometido por etapas, primeiro com a agressão ainda no carro, seguida de esganamento no apartamento e, por fim, do lançamento do corpo pela janela. Ou seja, não estamos falando da tentativa desesperada de encobrir as pistas de um assassinato cometido no calor do momento, mas de reiteradas tentativas frustradas que se mostraram bem-sucedidas apenas no final da série.
Caso os peritos tivessem feito um trabalho irretocável, até poderia aceitar este cenário que me parece absurdo, mas há um grande se aí. Como os peritos podem afirmar de forma irrefutável que não havia existido um terceiro adulto no apartamento se há duas outras pessoas que confessam ter estado no apartamento entre a dia da morte da menina e a primeira das muitas perícias feitas pelo Instituto de Criminalística? Com tal contaminação, qual é o grau de certeza que pode ser apresentado?
Enquanto ao menos estas duas questões não forem completamente respondidas qualquer laudo apresentado parece-me refutável, tendo a polícia outros suspeitos ou não, mesmo porque a motivação dos crimes até agora não foi demonstrada.

terça-feira, 25 de março de 2008

Muito barata

Pois é, a Cesp estava tão barata que ninguém quis comprar.
Estes capitalistas, hein, não querem tirar doce da boca de crianças, que bobinhos.

terça-feira, 18 de março de 2008

Por quê?

Duas postagens abaixo disse que o Brasil está pouco exposto à contaminação do pesadelo econômico que a queda dos títulos "sub-prime" desencadeou.
Vou aqui disser porque acho que estamos seguros, caso nenhuma besteira seja feita.
O Brasil é pouco aberto ao comércio externo, a corrente de comércio exterior é de pouco mais de 15% do PIB, resultando que nosso crescimento econômico é decidido pelo que acontece aqui dentro. Fatores que no passado resultaram no chamado estrangulamento externo (crises da dívida, cambial, etc) não terão como atuar devido a uma montanha de divisas que permitir-nos-ia pagar dois anos de importações mesmo que não vendêssemos um único centavo, e isso em um momento em que temos algumas das empresas mais competitivas do mundo em setores-chave e câmbio flutuante.
Dependemos, portanto, de fatores intrínsecos para regular o quanto avançaremos. Dado o subconsumo histórico do povo brasileiro, nenhum motivo que não envolva restrições compulsórias fará com que as famílias pare de comprar. Daí as vendas no varejo estarem se acelerando; o número de empregos e os salários, expandindo-se, tudo ao contrário do que está ocorrendo nos Estados Unidos. Deste modo, no que depender do mercado interno, estamos bem.
Mas os alarmistas podem sempre dizer que, apesar de relativamente pequeno, há sempre o comércio exterior para ser contagiado. Há aí, porém, um atenuante muito importante. O país é um grande exportador de alimentos e, por mais que a situação fique ruim nos nossos parceiros comerciais, deixar de comer eles não vão. Principalmente a China, que, como toda a ditadura, precisa da ilusão de bem-estar para manter uma certa paz social, não deixará de comprar os alimentos que podemos oferecer, além de outras commodities.
Basta que nenhuma daquelas inovações que nossos governos são pródigos em apresentar ocorra, e atravessaremos bem por essa turbulência que se avizinha. Só fico com uma pulga atrás da orelha devido ao nosso governo, que, como sabem, não me passa nenhuma confiança.

quinta-feira, 13 de março de 2008

Ainda devagar, mas vou pegar no tranco

Cabe fazer um comentário a respeito do "pacote cambial" de ontem.
Não servirá para nada além da reunião social que é para a mídia que normalmente cobre este tipo de evento.
Quem exportava antes o continuará fazendo. Quem aplicava no Brasil, também. E qualquer um que faça contas não deixará suas reservas em uma moeda que está derretendo (nas palavras do nosso lácteo ministro) ao invés de uma que se valoriza a cada dia.
Mas as medidas têm ao menos uma boa intenção, indicam que estamos mais liberais, e que o núcleo duro do miolo mole, nas palavras de Reinaldo Azevedo, está tendo que engulir, nas palavras de Zagalo, a normalidade de nossa economia; avança apesar do Estado, quando não contra ele

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Economics

Não deixa de ser ridículo o debate sobre os Estados Unidos estarem em recessão ou não. Meu velho dicionário de economia diz que recessão é: "declínio da atividade econômica, caracterizada por queda da produção, aumento do desemprego, diminuição da taxa de lucros e crescimento do índice de falências e concordatas". Pois bem, o que falta então?
O índice da construção civil de lá despencou 14% em dezembro, a venda do comércio varejista, 6, na comparação com o ano passado (e, se levarmos em conta a inflação do período, a queda é de quase 10%), a geração de empregos está praticamente nula - o que nos mostra que os milhares que querem entrar no mercado de trabalho ficarão chupando dedo - e a confiança na moeda fez a celebre Gisele exigir pagamento em euros. E vêm uns fanfarrões (incrível como esta palavra foi reincorporada ao vernáculo) e dizem que tudo vai bem na economia "real", que apenas o sistema financeiro está sofrendo.
Os 100 bilhões de dólares que Ben Bernanke presume serem os prejuízos do sistema bancário certamente não custarão apenas as cabeças dos muito bem pagos "chairmen" das instituições de crédito. Resultarão em enxugamento da liquidez, encolhimento do consumo e falta de incentivos ao investimento produtivo. Em resumo, o pesadelo de governantes em ano eleitoral. E nós já vimos o que o governante GWB é capaz de fazer quando tem um desafio pela frente: besteira, muita besteira.
Porém há algo de novo no ar, o Brasil está realmente pouco exposto à crise que pode vir por contaminação. Atuar pouco no comércio mundial por vezes nos traz vantagens.

sábado, 12 de janeiro de 2008

Pelo menos a fartura não temos mais

Alguns meses atrás escrevi um artigo no qual culpava a fartura brasileira pelo nosso atraso, basta procurarem nos números atrasados aí ao lado se quiserem relembrar. Também escrevi algo duvidando que a escassez de energia pudesse retornar ao Brasil, devido à infinidade de fontes baratas de energia das quais dispomos.
Parece que os fatos desmentem-me, dia após outro. Um novo apagão desenha-se no horizonte e, graças a competência - ou falta de - dos que gerem o sistema, podemos em breve tomar banho frio e jantar à luz de velas todas as noites. Será ou não romântico?
Mas para tudo há compensações, passar um apertinho pode fazer os dirigentes entenderem que pesquisa em tecnologias poupadoras de recursos finitos compensa.
Vai que daí sai algo que pode nos trazer prosperidade, tipo um acidente como o que levou-nos ao álcool combustível, digo, etanol.

E as coisas explicam-se automaticamente

Vocês viram o show do Chaves de ontem? Ou seria o do Chávez? Aquele que usa camiseta vermelha com inscrições e se crê muito astuto - se bem que esta não é uma boa descrição porque pode ser que pensem que estou falando do Chapolim -, melhor, o presidente de um país amigo e cheio de petróleo e de si. De qualquer forma, protagonizou um espetáculo e tanto.
Helicópteros chegando e uma voz de fundo contando-nos o que se passava. Empolgadíssima, a narração dizia que as reféns haviam sido recuperadas após a libertação das forças combatentes colombianas. Mais algumas horas e o dono da voz estava perante as câmaras de tv e o arremedo de Câmara de representantes de seu país para pedir que algumas nações mais sérias do que a sua retirassem da lista organizações terroristas os "revolucionários" que algumas horas antes deixaram que duas mulheres seguissem os rumos de suas vidas depois de anos presas sem nenhum julgamento. Por quê? Porque as organizações para-militares colombianas têm um projeto bolivariano que na Venezuela é permitido.
Será que é por essa permissão que os índices de criminalidade nos dois países seguem em trajetória oposta: os da Colômbia caem e os do país do fanfarrão sobem? Espero que os líderes dos outros países saibam reconhecer a fanfarronice quando a vêem, pois estão faltando espelhos em Caracas para mostrar o ridículo que os venezuelanos estão passando.

terça-feira, 31 de julho de 2007

Deixa ver se entendi

Quer dizer que a pista de Cumbica está fora do prazo de validade há dois anos e a Infraero fazendo investimento em shopping centers?
Só pode ser culpa da herança maldita mesmo.

sexta-feira, 20 de julho de 2007

Quando?

Durante o episódio do mensalão, perguntei se os partidos de oposição não entrariam seriamente em um movimento de impeachment contra este (des)governo corrupto. Me indagava: Se não agora, quando?
Repito a pergunta. Se não deram motivos suficientes, o que precisam fazer para que alguém aja?

quarta-feira, 18 de julho de 2007

Sem palavras

Se ainda resta alguém lendo este blog, deve estar se perguntando o porquê do silêncio sepulcral.
Não se trata de um luto oficial ou minuto de silêncio em respeito as vítimas, que bem mereceriam, mas simples falta de palavras para descrever o que me vem a mente.
Esperarei até amanhã, para ver se esta raiva passa.
Faço votos que estes quase duzentos martirizados pela incompetência ao menos abram os olhos da nossa população para o que está ocorrendo por aqui.

sábado, 14 de julho de 2007

Tá com tudo

O presidente está com tudo junto aos admiradores do esporte. E aparentemente havia mais de uma orquestra na abertura, dizem os profissionais.
Sei lá, as 90 mil pessoas que estavam lá devem ter sido obrigadas a tudo, não é?

Outros exemplos de planejamento estatal e, porque não dizer, prosperidade

Dê uma olhadinha nestas reportagens que estão na página de abertura da Uol de hoje. Aqui, aqui (para assinantes UOL ou Folha de S. Paulo) e aqui. Isso em apenas um dia, imagine se estivéssemos procurando pelo em ovo? Teriamos que chamar um barbeiro para trabalhar em tempo integral.
Somos ou não um exemplo de planejamento e prosperidade, rumo ao primeiro mundo?
Algum de vocês lembra-se do que os organizadores deste Pan falavam dos de Santo Domingo quatro anos atrás?

Seguindo o mestre

Dizem por aí que manteiga em italiano é burro. Meus parcos conhecimentos de línguas não permitem confirmar isso, mas vou aceitar por enquanto.
Nosso ministro da economia (propositalmente com letra minúscula) é um italiano chamado Mantega. Tenho a impressão que foi um erro de tradução e de grafia.
O homem só abre a boca para falar besteira. Há pouco tempo disse que o caos aéreo é resultado da prosperidade. No jornal Estado de S. Paulo de ontem há uma reportagem na qual está escrito que o baixo crescimento da economia brasileira no primeiro mandato Lula foi planejado. Para impedir que um apagão aos moldes do que está ocorrendo na Argentina, abalasse nossos “sólidos” fundamentos.
E, creiam vocês, não foi na página de piadas (que o jornalzão, muito mal-humorado, nem tem), e sim na de economia.
O laticínico ministro deve ser um homônimo daquele que foi encarregado da Pasta de Planejamento e do comando do BNDES no primeiro governo lulático. Não é possível que seja aquele que reclamou durante anos das políticas empregadas pela dupla Palocci- Meireles.
Se for, teremos um notável exemplo de siga o mestre. Um senhor bravateiro que só não chegará à Presidência porque a Constituição veda isso aos não-natos. Mas que ele merece, merece.

terça-feira, 10 de julho de 2007

Agora vai

Vocês devem ter percebido que descobriram a roda em matéria de evitar atrasos nos aeroportos e a anunciaram ontem: diminui-se o número de vôos.
Como não pensaram nisso antes? Vôo que não existe, não atrasa. Genial.
Tá atrasado, cancela. O passageiro só serve para pagar a conta mesmo.

quarta-feira, 4 de julho de 2007

Não sei se é pedir demais

Mas será que algum dos nobres senadores não poderia emprestar-me um dos amigos que tanto os ajudam?
Nunca nenhum dos meus cogitou emprestar 300 mil reais para que eu comprasse uma bezerra de grife, e nem sequer me deu um cheque de 2 e poucos milhões na confiança de que eu voltasse com o troco.
Sem falar em fazer pagamentos mal-explicados para ex-qualquer coisas.
Os senhores senadores devem ser muito bacanas mesmo, vou te dizer?

Voltando para fazer propaganda conspiratória

Não sou muito chegado a divulgar teorias conspiratórias, embora tenho cá as minhas, mas como sou leitor do blog do Reinaldo Azevedo , e este pediu a divulgação do texto a todos, estou fazendo minha parte.
O máximo que pode acontecer é que o governo Lula caia. Seria maravilhoso, é verdade, mas não acreditamos seriamente nisso, não é mesmo?
O mínimo é que eu finalmente coloquei algumas linhas novas neste blog, e já não era sem tempo.
Até breve, que espero que desta vez seja breve mesmo.

"O bolivarianismo de Lula: como o PT pretende fazer da Rede Globo a sua RCTV

Considero o texto que vai a seguir um dos mais importantes já publicados neste blog. Nunca fiz isto, mas faço agora: reproduzam-no por aí, passem adiante, façam com que se multiplique. Ele identifica um método de ação do governo Lula, do chavismo à moda da casa. Denuncio aqui os instrumentos a que pretende recorrer o governo para implementar entre nós o bolivarianismo light. Porque o PT sabe que não pode fazer da Rede Globo a sua RCTV, resolveu estrangular a emissora financeiramente. No mundo ideal do petismo, devemos ficar todos subordinados à TV de Franklin Martins, que não precisa do mercado para existir, ou à TV Record — que, se ficar sem anunciantes, jamais ficará sem a Igreja Universal do Reino de Deus, dona do partido do vice-presidente e de Mangabeira Unger, aquele secretário que fala uma língua mais incompreensível do que a do Espírito Santo quando baixa em Edir Macedo — deve baixar, eu suponho. Também vou me penitenciar. Dizem que sou arrogante, que nunca assumo um erro. A segunda parte, ao menos, é mentirosa. Errei, sim. Errei na única vez em que apoiei, ainda que parcialmente, uma proposta do governo Lula. Fui enganado pelo ministro da Saúde, José Gomes Temporão. Uma recomendação: eis um nome do governo Lula que deve ser visto com muito mais cuidado.

Ufa! A introdução já ficou longa demais. Como sabem, o governo quer limitar o horário da propaganda de cerveja na televisão. E também enrosca com o seu conteúdo — Temporão, por exemplo, invoca com a tal “Zeca-Feira”. Mais: diz que a publicidade glamouriza o consumo do produto... No programa Roda Viva eu lhe disse que era favorável à limitação de horário para a propaganda, mas contrário a que o governo se metesse no conteúdo publicitário. Ora, isso seria nada menos do que censura. E o Conselho Nacional de Auto-Regulamentação Publicitária é um órgão que funciona, sim, senhores! Só falta agora a gente ter um Romão Chicabom também na Saúde...

É claro que a limitação da publicidade acarretaria uma diminuição de receita para as emissoras de TV. "Fazer o quê?", pensei. "Aconteceu isso quando se proibiu a propaganda de cigarros; que procurem novos nichos, novos produtos, novas fontes de receita". Eu, o liberal tolo diante de um petista... Nova pretensão anunciada pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) deixa evidente que a limitação da propaganda de cerveja tem mais a ver com a saúde do governo Lula do que com a saúde dos brasileiros. Eu passei a considerá-la parte de uma estratégia para asfixiar as emissoras que dependem do mercado para viver: que não têm estatais ou igrejas de onde tirar a bufunfa. Fui um idiota. Não apóio mais. Penitencio-me.

A Anvisa, órgão subordinado ao Ministério da Saúde, agora quer limitar ao horário das 21h às 6h a propaganda de alimentos considerados poucos saudáveis, "com taxas elevadas de açúcar, gorduras trans e saturada e sódio" e de "bebidas com baixo teor nutricional" (refrigerantes, refrescos, chás). Mesmo no horário permitido, a propaganda não poderia conter personagens infantis e desenhos. Segundo a Abia (Associação Brasileira das Indústrias de Alimentação), isso representaria um corte de 40% na publicidade do setor, estimada em R$ 2 bilhões em 2005. Dos R$ 802 milhões que deixariam de ser investidos, aos menos R$ 240 milhões iriam para a TV — a maior fatia, suponho, para a Rede Globo.

Virei caixa dos Irmãos Marinho agora? Não! Virei guardião da minha liberdade. É evidente que se tenta usar a via da saúde para atingir o nirvana da doença totalitária. É evidente que estão sendo criadas dificuldades para as emissoras — e, a rigor, nos termos dados, para todas as empresas que vivem de anúncios — para vender facilidades. O ministro Temporão, que ainda não conseguiu fazer funcionar os hospitais (sei que a tarefa é difícil; daí que ele deva se ocupar do principal), candidata-se a ser o grande chefe da censura no Brasil. Na aparência, ele quer nos impor a ditadura da saúde; na essência, torna-se esbirro de um projeto para enfraquecer as empresas privadas de comunicação que se financiam no mercado — no caso, não o mercado do divino ou o mercado sem-mercado das estatais.

Imagine você, leitor, que aquele biscoito recheado (em SP, a gente chama “bolacha”) que sempre nos leva a dúvidas as mais intrigantes (Como as duas de uma vez? Separo para comer primeiro o recheio? Como o recheio junto com um dos lados?) seria elevado à categoria de um perigoso veneno para as nossas crianças — mais um querendo defender as crianças! —, que serão, então, protegidas por Temporão desse perigoso elemento patogênico. Mais: mesmo no horário permitido, a propaganda teria de ser uma coisa séria, né? De bom gosto. Sem apelo infantil. O Ministério da Saúde é uma piada: quando faz propaganda de camisinha, sempre recorre a situações que simulam sexo irresponsável. Mas não quer saber de desenho animado em propaganda de guaraná. A criatividade dos publicitários, coitados, teria de se voltar para comida de cachorro. Imagine o seu filho, ensandecido, querendo comer a sua porção diária de Frolic, estimulado pela imaginação de publicitários desalmados.

Assim como o governo pretendia impor a censura prévia na presunção de que os pais são irresponsáveis, agora quer limitar a propaganda de biscoito e refrigerante porque as nossas crianças estariam se tornando obesas e consumistas.

Estupidez
A proposta não resiste a 30 segundos de lógica. É evidente que biscoito não faz mal. Biscoito não é ecstasy. Em quantidades moderadas, de fato, não havendo incompatibilidade do organismo com os ingredientes, até onde sei, faz bem. Se o moleque ou a menina comerem um pacote por dia, acho que tenderão a engordar. Acredito que há um limite saudável até para o consumo de chuchu... Ora, carro também mata. Aliás, acidentes de automóveis são uma das principais causas de morte no Brasil. A culpa, quase sempre, é da imprudência do motorista ou das péssimas condições das estradas. Nos dois casos, é preciso usar/consumir adequadamente a mercadoria. A Petrobras é uma grande anunciante — e certamente estará no apoio à TV de Franklin Martins. Os produtos que ela vende poluem o ar e aquecem o planeta (sou de outra religião, mas dizem que sim...). A publicidade, então, deverá estar sujeita a severas limitações?

Uma pergunta: água entra ou não na categoria das “bebidas com baixo teor nutricional”? O ridículo desses caras é tamanho a ponto de propor limites à propaganda de água? Ela alimenta mais ou menos do que um copo de coca-cola ou de mate? E de lingüiça, pode? A gordura animal em excesso também faz mal à saúde. Quem garante que o sujeito não vai consumir o produto todos os dias, até que as suas artérias se entupam? Não ande de moto. Há o risco de cair. Numa bicicleta, você pode ser atropelado. E desodorizador de ambiente do moleque que quer fazer “cocô na ca-sa do Pe-dri-nho”? Pode ou não? Não fere a camada de ozônio?

Nazistas
Observem: se isso tudo fosse a sério, fosse mesmo com o propósito de cuidar da saúde dos brasileiros, já seria um troço detestável. Sabiam que os nazistas foram os primeiros, como direi?, ecologistas do mundo? É verdade: não a ecologia como uma preocupação vaga com a natureza, mas como uma política pública mesmo. Hitler gostava mais de paisagem do que de gente, como sabemos. Eles também tinham uma preocupação obsessiva com a saúde, com os corpos olímpicos. O tirano odiava que se fumasse perto dele, privilégio concedido a poucos. Mas o mal em curso não é esse, não.

A preocupação excessiva do governo nessa área, entendo, é também patológica, mas a patologia é outra. Por meio da censura prévia — de que foi obrigado a recuar — e da limitação à publicidade de vários produtos, pretende é atingir gravemente o caixa das empresas de comunicação, que fazem do que conseguem no mercado a fonte de sua independência editorial. Ora, é claro que, sem a publicidade da cerveja, dos alimentos e do que mais vier por aí, elas ficam, especialmente as TVs, mais dependentes da verba estatal e do governo.

O raciocínio é simples: vocês acham que a porcentagem da grana de estatais no faturamento global é maior numa Band ou numa Globo? Numa Carta Capital ou numa VEJA? No Hora do Povo ou no Estadão (a propósito, veja post abaixo)? Os petistas não se conformam que o capitalismo possa financiar a liberdade e a independência editoriais. Quer tornar essas grandes empresas estado-dependentes. Quanto mais se reduz o mercado anunciante — diminuindo, pois, a diversidade de fontes de financiamento —, mais se estreita a liberdade.

Golpe
Trata-se, evidentemente, de um golpe, mais um, contra a imprensa livre. E por que digo que o alvo é a Globo? Porque, afinal, ela concentra boa parte do mercado publicitário de TV — é assim porque é melhor e mais competente, não porque roube as suas “co-irmãs” — e porque, no fim das contas, o que importa mesmo a Lula é aparecer bem no Jornal Nacional. E ele deve considerar que isso é tão mais fácil de acontecer quanto mais ele disponha de instrumentos para tornar difícil a vida da principal emissora do país. Acho que vai quebrar a cara.

E Temporão, tenha sido ou não chamado à questão com esse propósito, tornou-se o braço operativo dessa pressão. Curioso esse ministro tão cheio de querer impor restrições do estado à vida e às opções das pessoas. É aquele mesmo que já deixou claro ser favorável à descriminação do aborto até a 14ª semana porque, parece, até esse limite, o feto não sente dor, já que as terminações nervosas ainda nem começaram a se formar. É um ministro, digamos, laxista em matéria de vida humana, mas muito severo com biscoitos. O que faço? Recomendo a ele que tenha com as crianças que estão no ventre o mesmo cuidado que pretende ter com as que querem comer Doritos?

Eis aí o caminho do nosso bolivarianismo. A terra está amassada pelo discurso hipócrita da saúde. Farei agora uma antítese um tanto dramática, cafona até, mas verdadeira: essa gente finge cuidar do nosso corpo porque quer a nossa alma.
*
PS: Reitero: divulguem este texto, espalhem-no na Internet, montem grupos de discussão no Orkut, passem a mensagem adiante, mobilizem-se."

sexta-feira, 16 de março de 2007

Mais uma chance

Como já disse há pouco, não considero os biocombustíveis uma solução para a dependência de petróleo caso se mantenha o uso indiscriminado dos motores de combustão interna, mas eles podem ser uma excelente solução para outros problemas que assolam o mundo.
A começar pelos males provocados pelos subsídios que alguns países (ricos) dão aos seus produtores rurais. Ao valorizar os produtos da terra, os biocombustíveis aumentam o lucro dos produtores rurais e permitem que fazendeiros do terceiro mundo deslocados pelos do primeiro possam comercializar suas culturas sem a concorrência estrangeira.
Também podem interromper algumas correntes migratórias provocadas pela fome. Sabemos que há alimento suficiente para todos os habitantes do planeta, mas existe uma grande deficiência na distribuição de renda que possibilitaria que todos se alimentassem. Pois as localidades onde a fome mais ataca são as marcadamente agrícolas que não podem competir com preços de alimentos subsidiados pelos países ricos e não têm condições de gerar renda com outras atividades.
Pode diminuir também a necessidade por divisas que leva alguns países a dar prioridade por produtos de exportação em sua agricultura em detrimentos àqueles de uso tradicional local.
Em suma, pode criar um mundo menos injusto.
O porém é que isto é um mar de potencialidades, e de boas intenções o inferno e o purgatório estão cheios. Tudo dependerá de como a coisa será implantada, e temos todos os motivos para acreditar que a coisa não será bem feita, já que nada neste campo de relações internacionais e geopolítica está sendo bem feito neste século.