sábado, 13 de maio de 2006

É impressão minha...

ou os integrantes da "esquerda" sulamericana estão sofrendo de distúrbios de personalidade?
Num dia dizem uma coisa, no outro dizem o contrário, alguns não sabem se o que dizem é fantasia ou ficção; vejam só, a realidade é que nunca é.
E o coitado do Acre, o estadinho desvalorizado. Foi segundo o líder sindical que virou presidente deles comprado pelo Brasil por um cavalo. E aquele troquinho de 2 milhões de libras esterlinas, eram o quê?
Mas como diria a música do Casseta: se o líder sindical que virou presidente daqui é assim, imagine o da Jamaica? O da Bolívia não precisa imaginar, é só ligar o noticiário.
Mas para esperar esta onda "esquerdista" passar podemos encher os copos de uísque escocês do Paraguai daqui, ou mesmo da Jamica, já que a dor de cabeça é certa mesmo, que tenhamos ao menos a euforia pré-porre.

quarta-feira, 10 de maio de 2006

Herança maldita

Não importa quem seja o próximo presidente da república – que pode até ser o mesmo (Deus no livre) -, ele terá a verdadeira herança maldita para combater.
E ao contrário daquela que os antigos petistas diziam receber, esta não poderá ser usada com outro nome e a mesma fórmula.
A trama que liga as instituições deste país está tão esgarçada que será necessário uma refundação da nossa democracia.
Ou será que aceitaremos outra rainha da Inglaterra em nossa presidência (aquele senhor que nada faz, nada sabe e nada manda) discursando que “nunca na história deste país”?
Creio que não, se estamos em um presidencialismo é para que tenhamos um presidente, de fato e de direito. Que este aja como um e seja responsável por seu governo.
E quanto ao Legislativo?
Criado basicamente para fiscalizar e balizar o poder executivo, não está fazendo nada disso. E nem a sua outra função – ser a casa onde a voz das ruas encontra eco e se transforma em leis e atos – está sendo exercida. Fica a pergunta; pra que serve então?
E quanto ao Judiciário?
Um dos mais politizados e ineficientes do mundo.
Não pense aqui que estou colocando o peso de cinco séculos de construção de “tudo isto que está aí” nas costas do sr. Inácio, mas ele conseguiu tudo que estava errado e piorar; com o mensalão e a desmoralização do escândalo, sabendo ele ou não das coisas.

terça-feira, 9 de maio de 2006

Como é possível?

Não se passa um dia sem que um deputado inexpressivo (que eu traduzo como um do qual eu nunca ouvi falar) seja pilhado em uma atitude indecorosa.
E ainda sou parlamentarista.

Vale tudo

Em ano eleitoral a regra para os governos é não entrar em confronto.
Os agricultores estão fazendo a festa com isso. Existem estradas que estão paradas há semanas e nada de se tomar alguma atitude.
E o pior de tudo é que os nossos nobres representantes dos agronegócios não terão seus pleitos atendidos simplesmente por impossível que é fazê-lo.
O que eles querem é socializar seus prejuízos, pois se acham uma categoria mais importante para o progresso do país do que as demais. Sei que isto já foi pisado e repisado, mas quando o dólar estava valendo quatro reais ninguém veio me oferecer socialização dos lucros da venda de soja.
Todos os agricultores que estão hoje endividados são maiores de idade e sabiam que corriam riscos quando assinaram seus contratos. A vida é assim; quem quer ganhar muito tem que arriscar muito. Quem arrisca mais do que pode, perde mais do que quer.
O pior é que eles foram ao longo de décadas acostumados a só ganhar e deixar as perdas no colo do Tesouro, já passou da hora de serem responsáveis por seus atos e contratos.
O Brasil é pobre para ficar subsidiando exportadores de grãos ou o que quer que seja; se é para subsidiar alguém, que seja a agricultura familiar – e não com dinheiro, mas com conhecimento para que tenham discernimento para que não sejam os próximos a pedir prorrogação de dívidas.

domingo, 7 de maio de 2006

Land Rover

Poderia tecer muitos comentários sobre a entrevista do Silvinho Land Rover, mas isso não vale a pena.
É tudo coisa velha, da qual todos já sabiam ou desconfiavam.
A novidade é que o PT deu ao seu antigo secretário-geral o status de louco.
Este é o partido que está no poder (diga-se de passagem nós o merecemos, pois não há nenhum movimento para tirá-lo de lá). O secretário-geral era louco, o tesoureiro desligado, o presidente inocente e o presidente de honra néscio e apedeuta - forma que os críticos usam para evitar tolo e ignorante, devem ser uns velhinhos.

sábado, 6 de maio de 2006

Que justiça?

“Não acredito mais nessa Justiça do nosso país. Estou com vergonha de morar no Brasil. Essa Justiça é uma porcaria, é por isso que o país está desse jeito”.
Estas foram as palavras que proferiu João Florentino Gomide, o pai de Sandra Gomide – cujo assassino confesso Pimenta Neves depois de julgado e condenado recorrerá em liberdade.
Mas poderiam ter sido proferidas por qualquer um que esteja acompanhando o noticiário nacional.
Como não ficar indignado ao ouvir de membros do Supremo que os acusados do mensalão só serão julgados em dois anos, se tudo correr bem, após a infinidade de provas recolhidas neste período por Ministério Público e CPMIs?
E que a agora notória Suzane e os irmão Cravinhos, grupo de assassinos confessos também, foram libertados e depois encarcerados novamente pela singela razão de que nossa justiça não conseguiu cumprir o prazo de julgá-los; o que devido ao fato de serem réus confessos é quase uma formalidade.
E a necessidade de se julgar o Juiz Lalau às pressas para evitar que seu crime prescrevesse; julgamento que só aconteceu devido à pressão da Imprensa.
E as ações de politicagem que alguns membros dos tribunais mais altos se utilizaram no decorrer da crise sem fim que o mandato Lula se transformou.
E...
Tudo mostra que preocupado com o seu próprio umbigo o poder judiciário se recusou a cumprir com suas obrigações. Dar igualdade de direitos e de deveres aos cidadãos brasileiros. E se ele não faz isso, não serve para nada.
Desde que comecei a escrever este blog fico batendo na tecla de que precisamos fortalecer as instituições; vez ou outra me pergunto se as instituições que nós temos merecem ser fortalecidas.

sexta-feira, 5 de maio de 2006

E por falar em Deus e...

em provérbios, um que cabe perfeitamente à situação na Bolívia:
Quem empresta aos pobres dá adeus.
Ou será quem dá aos pobres empresta a Deus?
Sei lá.
Só sei que fica sem, ainda mais se o pobre for hermanito.

Ao Deus dará

Das duas, uma.
Ou está faltando oração ou houve um divórcio entre o divino e os poíticos evangélicos do Rio.
Enquanto Garotinho está morre não morre, diz o médico que o está atendendo, Bispo Rodrigues está vendo o sol mais reto do que o normal.
Isto só prova uma coisa: quanto mais se reza, mais assombração aparece.

quinta-feira, 4 de maio de 2006

Chantagem

É, no ponto de vista de quem utilizou o Exército na expropriação de bens alheios, o anúncio de que a Petrobrás não investirá nenhum tostão na Bolívia.
No lado de cá a maioria pode classificar isto como bom-senso.

Parece que...

O Pai dos pobres e de todas as metáforas já sabe como lidar com a crise de gases.
Mandou os auxiliares falar grosso, enquanto não fazem nada.
Já sabemos que não investiremos mais nem um centavo lá nos Andes e que não aceitaremos aumento nos preços ou interrupção do fornecimento.
O que faremos caso, por um infortúnio, aconteça algo assim? Só Deus sabe.
Enquanto isso a Veja informa que José "sai já daí" Dirceu anda oferecendo negócios milionários com o companheiro bolivariano Chávez ao empresariado brasileiro.
Que posso dizer?
Vão fundo, é negócio garantido. Lulinha (não o Paz e Amor) deve estar preparando as malas para fechar negócio, já que tem um faro para ganhar dinheiro incrível.

terça-feira, 2 de maio de 2006

Negócios em família

Em vista dos acontecimentos de ontem meus textos sobre energia perdem muito de sua validade, pois alguns consumidores podem sim sofrer crise de oferta.
Mas de qualquer modo fica a lição. Negócios em família sempre criam atritos, entre hermanos é desastre certo.

sábado, 29 de abril de 2006

A respeito do comentário do leitor Mendonça

Já respondi ao comentário do leitor, mas como minha opinião parece não ter ficado clara no texto, tentarei aqui elucidar alguns pontos.
Em nenhum momento tentei afirmar que há algo errado em se exportar. Muito pelo contrário, acho que todo comércio consensual é glorioso; quase tanto quanto enriquecer – não é mestre Deng?
Disse sim que acredito que a importação tende a favorecer mais à população enquanto as exportações às classes dirigentes.
Como ponto de defesa da minha tese, peço que se comparem os índices de exportação e os índices de Gini dos diversos países do mundo. Desconfio que haverá uma importante correlação positiva entre os dois; mas é apenas uma desconfiança, nunca fiz a comparação.
Também peço que se examine a história das relações comerciais e verifique se as regiões que mais se desenvolveram foram as tomadoras líquidas de recursos ou as que cederam estes recursos. Também desconfio que haverá forte correlação entre os níveis altos de superávit comerciais e subdesenvolvimento econômico.
Portanto quero que se extraia do texto a idéia de que não há porque se endeusar a balança comercial positiva e se satanizar a negativa. Quero crer que um fluxo comercial tem duas vias e que este deve ser equilibrado ou, no mínimo, que não forcem desequilíbrios por práticas de comércio desleal (dumping, manipulação cambial, venda casada, etc).
Não quero que imaginem com isso que sou contrário à empresa nacional ou aos produtos destas – já fui inclusive acusado de nacionalista bocó pelas minhas posições em defesa destas -, só não quero que uma parcela grande da população, eu inclusive, arque com os incentivos para a incorporação de vantagens aos exportadores alem das que as demais empresas e indivíduos da população em geral têm; não é mais patriótico vender para um estrangeiro do que o é vender para um local.
Os incentivos à produção não podem ser destinados a uma determinada parcela de empresas escolhidas a dedo. É legitimo incentivar setores estratégicos da economia, mas a escolhe destes deve levar em conta mais do que se eles trazem ou não divisas para o país. Mesmo porque neste exato momento o Brasil está com excesso de moeda forte.
Se um determinado incentivo não-específico fortalecer as empresas locais e possibilitar que estas se tornem exportadoras, tanto melhor. Todos saem ganhando; a empresa pelo aumento de mercados e os consumidores locais e estrangeiros por ter acesso a um produto de qualidade internacional.

O caso do Brasil

No artigo anterior escrevi que o Brasil está longe de uma crise de custos de energia. Neste tentarei esclarecer os motivos que me fazem pensar desta forma.
O primeiro é relativo aos custos provenientes do transporte. Há muito somos auto-suficientes em gasolina (exportadores na realidade) e nossos preços só seguem os internacionais por motivações políticas. O governo anterior atrelou os preços da Petrobrás àqueles para que houvesse incentivo a que empresas estrangeiras entrassem no mercado de refino e prospecção sem medo do competidor nacional, monopolista de direito à época e de fato hoje.
No diesel somos ainda dependentes das importações, mas projetos de utilização de biomassa e aumento da capacidade de refino do petróleo pesado nacional. O projeto do biodiesel está envolto nas amarras populistas dos moldes em que foi planejado, porém continua muito promissor se for encarado como um mecanismo de controle de preços das oleaginosas nacionais, uma forma de diminuir e aumentar o valor da produção sem espetar a conta no contribuinte.
Na parte de geração elétrica o processo de encarecimento parece ser um pouco mais inexorável, mas não o é. A geração ainda é majoritariamente estatal e hídrica e os custos são muito menores do que os das usinas térmicas.
O preço de venda da energia gerada pelas estatais é mantido artificialmente elevado para aumentar a competitividade de usinas privadas, havendo subsídio destas últimas.
Apreende-se disto que da mesma maneira que há uma determinação política para se manter os preços abertos a competição pode ocorrer um controle maior da variação de preços do mercado - em um ato que não defendo, porém que não duvido que a maioria dos governos se prontificaria a apoiar (e como a Petrobrás está efetivamente fazendo agora com relação aos preços da gasolina).
Há também a ação individual dos consumidores. A experiência da crise energética (de oferta) do início da década mostrou o quanto se desperdício existe no consumo de energia no país.
Aumentos acentuados de tarifa seriam um grande incentivo à economia energética e a adoção de novas tecnologias que mudem a matriz energética.
Os grandes consumidores já estão por lei livres para negociar caso a caso, e conseguem descontos expressivos, enquanto os médios e pequenos ainda estão atrelados às tarifas impostas via Anel (Agência Nacional de Energia Elétrica).
Porém no consumo residencial ainda a muito a ser feito para conter os custos de energia. Cerca de 50% do uso de eletricidade é para controle térmico, com maior uso da refrigeração ou do aquecimento dependendo da região do país em que se encontra. Para ambas as alternativas existem possibilidades de se usar a tecnologia solar para diminuir ou zerar a utilização de energia elétrica.
Para o aquecimento já há tecnologia consagrada e barata, e outras ainda mais eficientes estão sendo testadas.
No caso do resfriamento existem tecnologias muito promissoras, apesar de ainda não estarem em comercialização.
Nos dois casos a utilização em larga escala é barrada pela necessidade de se investir uma soma inicial relativamente alta em comparação com as feitas para a tecnologia elétrica, mas que é diluída pelo baixo custo operacional e pela longevidade das soluções "alternativas".
Vale ressaltar também, como já fiz no artigo anterior, a possibilidade de se utilizar as energias eólicas e solar para a conversão em elétrica como uma forma de se ter margem de segurança nos mesmos moldes do que já é feito com as usinas térmicas.
Para um país como para um indivíduo, quanto mais variadas as formas de "nutrição" maior a segurança à qual ele está sujeito. É isto que devemos buscar no campo energético.

quinta-feira, 27 de abril de 2006

Energia cara?

A revista Exame que está agora nas bancas iniciou uma série de reportagens que pretende demonstrar que estamos fadados ao convívio com a energia cara, tudo isso aproveitando a ufanística campanha da auto-suficiência petrolífera.
Diz ela que com o fim da abundância do petróleo em nível mundial acaba-se por encarecer todas as outras formas de energia, pela diminuição da concorrência e pela incapacidade de geração.
Isto é apenas uma meia-verdade, e no caso específico do Brasil uma completa mentira.
Não entramos definitivamente na era do petróleo caro; o preço atual é altamente especulativo e tende a derrubar rapidamente o consumo pela adoção de tecnologias já completamente desenvolvidas. No caso específico da gasolina há tanto a possibilidade de adição de biocombustíveis quanto, e principalmente, o uso de carros híbridos – mais caros porém com o dobro de eficiência energética.
Sendo assim, não há verdadeiramente diminuição da concorrência pelo preço da energia e sim manipulação dos mesmos pelo cartel mais forte. Qualquer perigo ao domínio exercido por este cartel trará os preços para patamares mais “civilizados”.
Ainda em relação aos preços, existem externalidades ocultas nos custos baixos do petróleo. Uma vez que estas passarem a ser “precificadas” verificar-se-á que a energia proveniente do petróleo e de outros combustíveis fósseis não é tão barata quanto se imagina.
Tomemos por base a economia que é mais petróleo-intensivista no mundo, os Estados Unidos da América. Ela tem custos militares exorbitantes para assegurar seus suprimentos do “ouro negro” e ainda está às voltas com desastres naturais que provocam prejuízos equivalentes às suas importações de petróleo, desastres que são possivelmente intensificados pelo uso de combustíveis fósseis.
Quanto à incapacidade de geração, outra incorreção. Há sim capacidade de gerar energia “alternativa”, o que não existe é a segurança por parte dos consumidores e dos produtores em utilizá-la.
As mais estudadas no momento são a eólica e a solar, porém ambas são por natureza instáveis e incompatíveis com os usos que requerem uma constância de fornecimento. Por isso para seu uso são necessários redundância de geração ou caros processos de armazenagem de energia. Ou seja, um consumidor necessitaria de outro gerador para supri-lo nos momentos de calmaria dos ventos ou em que o céu estivesse nublado ou de baterias para as mesmas situações.
Só que estes custos podem ser minimizados por redes em forma de grade, que liguem muitos consumidores e geradores, principalmente se estas cobrirem grandes áreas, que minimizam os efeitos locais. O Brasil seria um local ideal para se colocar algo assim em prática devido a sua vasta rede hidrelétrica, que permite acumular o potencial energético nas represas, e sua extensão.
Portanto o uso de “alternativas” é condicionado a uma forte regulação que assegure margem de lucro ao produtor frente à especulação do cartel do petróleo e a antiga “vontade política” para enfrentar o mesmo cartel, sem se esquecer que a regulação deve resguardar totalmente os consumidores.
Em conclusão, não acredito que estamos próximos de uma crise energética, de oferta ou de custos. Porém ainda estamos vulneráveis a crises como estas e devemos aproveitar as chances que a tecnologia já nos trouxe para nos imunizarmos e garantir a sustentabilidade de nossa economia mundial.

quarta-feira, 26 de abril de 2006

Exportações: pra quê?

O Brasil exporta cada vez mais e tem alcançado nichos que antes não se imaginava, mas cabe pensar: e nós, o povo, com isso?
Pelo que se apreende do discurso econômico dominante, o povo só tem a ganhar com o incremento das exportações. Só que isso é uma fantasia, tanto pode ganhar como pode perder; tanto é assim que com as restrições que alguns itens de nossa lista de exportações sofreram houve um recuo da inflação no início do ano.
Generalizando, em oposição importação e exportação o povo ganha mais com a primeira e o grande capital com a segunda pois, enquanto os ganhos da importação se espraiam por todo o contingente de consumidores, os ganhos das exportações se concentram nas camadas produtoras; sendo tanto menos generalizado quanto mais primário for o item exportado.
A exportação só é boa para o povo quando ela indica a combinação de duas variáveis; excedente interno e vantagem competitiva.
A primeira ocorre quando a capacidade de consumo é suplantada pela de produção em uma certa região. Se não passar a exportar, o produtor terá que cortar a produção e, provavelmente, empregos.
Na segunda variável há uma combinação de fatores que faz com que o produto local seja mais atraente que o seu concorrente de fora. Deste modo o produtor tem o seu mercado cativo devido as qualidades superiores e ainda pode concorrer no resto do mundo procurando novos.
Em qualquer outra situação há um deslocamento dos clientes locais pelos dos clientes de fora, gerando aumentos dos produtos exportados e perda relativa de renda da maior parcela da população.
Mas se não apresenta necessariamente uma vantagem para a coletividade, por que as exportações são saudadas enquanto as importações execradas?
Isto ocorre por uma visão que aponta o outro como um competidor sempre, não como um parceiro. E este outro pode ser entendido em todos os níveis. Seja ele individual ou das coletividades (a outra empresa, cidade, nação, etc...).
Por esta visão a exportação é uma vitória na “guerra” comercial, a importação uma derrota e o déficit uma capitulação.
E, apesar do que os governantes e os líderes empresariais e sindicais mundo afora dizem, isto é muito distante da verdade.
A função do comércio – seja entre indivíduos, seja entre países- é permitir que os mais aptos para uma função exerçam suas potencialidades sem ter que gastar energia e demais recursos em algo para os quais não têm capacitação. Ganham eles por fazerem o que conseguem bem e ganha a sociedade por ter seus recursos preservados. O comércio é, portanto, uma ferramenta para o bem-estar da sociedade em geral.
A importação seria a captação externa de recursos para a melhoria deste bem-estar sendo mais essencial que a exportação destes recursos, que deveria ser minimizada até o ponto de garantir-se a compra dos itens necessários. Isto é tudo no mundo idealizado.
Porém, não é por não viver em uma utopia que se deve buscar a exportação a todo custo. O Brasil já superou escassez de dólares e não precisa mais tentar conter as importações. Estas trazem novas tecnologias e contêm os preços internos, beneficiando a população.
Superávit comercial fica bonito no gráfico, mas só quando as necessidades do povo que sustenta já estão atendidas; senão o modelo China, um bando de escravos trabalhando pelo bem-estar da elite do partido e felizes por acharem que estão bem, e livres.

terça-feira, 25 de abril de 2006

Ou sou burro ou estou errado

Dizia o famoso dramaturgo que toda a unanimidade é burra. Digo eu mesmo que a administração petista é burra.
Estou em uma encruzilhada, talvez até um entroncamento, no qual só perco. Não sei se sou burro, estou errado ou os dois.
O tema é o câmbio, sempre ele.
Mais e mais, os analistas econômicos estão nos alertando que a taxa está distorcida, são unânimes nisto.
Eu e administração petista achamos que não; se é de livre flutuação, que flutue livremente.
Se mudar de lado, passarei ao da unanimidade, burrice. Se continuar do lado, permanecerei do lado da incompetência, erro, e, persistindo, burrice.
Eu tenho dificuldade de assumir-me burro, como todo o restante da humanidade, e passarei a ficar em cima do muro, do jeito que cabe a um bom tucano que me acusam de ser.
Só pedirei que alguém me explique ou, melhor, me convença da sobrevalorização do Real.
É claro que não aceitarei que uma câmara setorial qualquer, amparada na, digamos, cadeia de produção da bolinha de gude, diga que deveríamos ter um câmbio por volta dos sete reais por dólar para que possamos ter uma indústria competitiva. Para cada caso específico altista haverá outro que suporta mais desvalorização.
O câmbio é sistêmico e deve-se levar em conta a balança de pagamentos quando se está as voltas com o livre mercado.
Note-se que há tempos a balança de pagamentos está azulada, apesar de intervenções maciças do governo tentando mandar dólares para o exterior através da antecipação da quitação de dúvidas, mas isso é só um detalhe para sábios de plantão.
Apontar a perda de competitividade de setores inteiros neófitos em exportação como uma prova inquestionável é o que se pode chamar de auto-engano. Este setores não estão deixando de ser competitivos, apenas estão voltando ao normal depois do “doping” causado pelo repique cambial da crise de (des)confiança no petismo-lulismo.
Competitividade sustentável ganha-se resolvendo os problemas internos como infra-estrutura deficiente, leis anacrônicas e mão-de-obra desqualificada; a muleta do câmbio é apenas exploração disfarçada do trabalhador.
Bem; quem viver verá se sou burro, estou errado ou os dois. Como tive a chance a chance de viver no Brasil desde o advento do plano Real, vi os que advogavam o câmbio livre se converterem nos pregadores da intervenção.
Já que acham que o câmbio está distorcido que alguém intervenha nele, e rápido. Esta é a visão dos livre-mercadistas à brasileira.

segunda-feira, 24 de abril de 2006

Privada e relativa

Privacidade é um direito dos mais caros aos homens modernos, pois é ele que garante muito dos demais impedindo o patrulhamento dos outros componentes da sociedade.
Sem ele certamente não teríamos a diversidade de comportamentos e visões de mundo que hoje vicejam, uma vez que estes necessitam de um certo tempo no forno da privacidade para prosperar e ganhar adeptos.
Mas também muitas da guerras, negociatas (e mensalões) e demais mal-feitos nunca teriam existido. E isto mostra que um direito individual muitas vezes trás também problemas coletivos.
Bem; deixando de lado as digressões, vamos aos fatos. O advogado, e ex-ministro, José Dirceu alegou aos jornais que teve seu direito à privacidade violado quando seu encontro com o ex-presidente, e agora pré-candidato, Itamar Franco noticiado. Mais ainda quando a forma de deslocamento do advogado, um jatinho fretado que poderia ser incompatível com seus rendimentos, também foi informada pela imprensa e levou a especulação sobre bem estaria financiando a visita.
É aí que se embaralham as coisas. A privacidade é um direito relativo. Ninguém pode alegá-lo, por exemplo, para impedir que se desbarate mal-feitos ou ilícitos; o que permite as quebras judiciais de sigilo. Também não há mal nenhum em se noticiar encontros de figuras públicas (Itamar Franco certamente é uma), já que os atos destas trazem conseqüências à sociedade, não ao seu restrito círculo privado.
À imprensa cabe a publicação de tudo que ache relevante. Aos citados cabe mostrar as incorreções da imprensa e requerer as reparações devidas, inclusive judiciais.
Até onde consta, José Dirceu foi visitar um amigo – como teve seus direitos políticos cassados, não pode tê-lo feito em nome do PT ou do governo. Sentindo-se ofendido pela publicação do fato, caberá ao advogado uma ação por danos morais, se provar que houve algum.
Ao mostrar que a José Dirceu e Associados pagou pela viagem, ele assegura que nada de errado houve na transação. Passa a ser da esfera privada, ao próprio e aos associados, a conveniência da viagem dentro dos planos estratégicos da empresa.
No plano público caberá às Receitas examinar a prestação de contas da transação quando do recebimento das declarações. Havendo algo errado que se cumpra a lei. Afinal; “caixa 2 é coisa de bandido”, diz Thomaz Bastos, e para coisa típica de bandido não cabe privacidade.

quarta-feira, 12 de abril de 2006

E por falar no presidente

Reafirmo que não acredito que Lula vença as próximas eleições; porém, se isso acontecer, e certo que uma batalha jurídica paralisará o segundo turno de seu governo.
Não pensem vocês que uma vitória nas urnas apagará os maus feitos na gestão atual.
A imprensa tem escrito que os líderes dos partidos de oposição estão tentando esfriar as tentativas de abrir processos de impedimento, devido aos riscos que isto trás. Penso que o maior risco é que estes processos venham a ser utilizados depois da eleição.
Aí sim estaremos falando de oportunismo e a radicalização será inevitável.

E você o entende?

Há muito venho afirmando que Lula não é um grande comunicador como a grande imprensa tenta fazer crer.
Simplesmente pelo fato de que o presidente sofre de três pecados capitais nos seus discursos de improviso:
Fala coisas incompreensíveis, e sem sentido na maioria das vezes;
Fala um monte de besteiras sem nexo com a realidade (exemplo, o Brasil não é rota de aves migratórias, apenas algumas mais peraltas chegam até aqui);
Diz uma coisa querendo dizer outra (exemplo, “o Brasil deve deixar este negócio de ganhar título mundial na casa dos outros” quando queria dizer que o Brasil deve realizar uma Copa aqui para poder ganhar em casa também).
Ele é sim um grande encantador de massas, só que mesmo isto está se esvaindo com a crise político-moral-ética permanente de seu governo.
Lula está a cada dia se afastando mais dos encontros diretos com as massas. Seus discursos de campanha pré-período eleitoral estão começando a ser feitos longe do povo, para platéias escolhidas a dedo, afim de evitar as ruidosas vaias que se tornam cada vez mais constantes em todas as cerimônias que o presidente aparece.
Portanto contamos aqui com um fenômeno impar, o do comunicador que não consegue se comunicar. Ou o ícone que precisa ser explicado. Ou ainda o um de nós que há muito não o é.
E de quem é a culpa disto tudo? De todos nós, que sabendo disto tudo ainda suportamos o mito e permitimos que ele siga sendo o favorito a um novo mandato em sua invejável cadeira (sigo afirmando que duvido que isto se concretize).
Durante muito tempo foi politicamente incorreto apontar as deficiências cognitivas de Lula, isto era visto como pedantismo e elitismo. Porém, tenha dó, ser entendido é o mínimo que um presidente de uma república precisa para exercer o poder.
Ou paramos de nos deixar levar pela patrulha ideológica e colocamos os pingos nos is ou teremos que contar com tradução simultânea por mais algum tempo a cada pronunciamento de nosso guru.

domingo, 9 de abril de 2006

Corrigindo a pergunta de 06/04

Segundo o ilustre bacharel doutor Eduardo, o crime citado seria peculato e não prevaricação.

sábado, 8 de abril de 2006

Desculpa esfarrapada

A desculpa de que o sigilo do caseiro foi quebrado por que ele tem movimentação financeira atípica para o seu salário é uma das mais esfarrapadas de que já se ouviu falar na história deste país.
Implicaria, para que fosse verdade, que os funcionários da Caixa que quebraram o sigilo soubessem quanto o caseiro ganha. Coisa que eles certamente não sabiam.
Isto, por si só, já demonstra que houve vazamentos concatenados de informação por diversos órgãos do governo até que o espantosamente ágil pedido de investigação feito pelo COAF se originasse.

sexta-feira, 7 de abril de 2006

Republicação: É time no nacional

Por um misto de preguiça e relevância do momento vou republicar este texto a seguir:

Existia uma velha máxima da política, nos tempos da ditadura, que dizia “onde a Arena vai mal, é time no nacional, e onde vai bem, bota um time também”. Hoje as coisas são diferentes, ninguém faz demagogia com times de futebol – se bem que se fomos matutar ainda existe a bancada da bola e vem aí a timemania - só que, pode ser apenas coincidência, sempre que estoura um escândalo no governo, a Polícia Federal estoura um esquema de corrupção. Se o governo vai mal, chama a Federal; se vai bem, chama ela também.
O bom de tudo isso é que, como escândalo é o que não falta aqui, a Polícia Federal está aparecendo mais do que nunca. Nem dá tempo de repercutir uma ação, ou operação (nome mais ao gosto do comando da instituição). Em um dia é a maior quadrilha de contrabandistas do Brasil, no outro um bando de fraudadores da previdência social que movimenta bilhões, e no seguinte um esquema milionário de desvio de verbas do programa de merenda escolar.
Apesar de, paradoxalmente, cada prisão dar àqueles que dizem ser a impunidade imensa no país mais munição, isto mostra que a chance dela estar diminuindo é muito grande.
Só resta pedir aos nossos políticos e gestores públicos que cessem um pouco a maré no chamado “mar de lama”. Os policiais federais também são gente e precisam de um tempinho para descansar. E as nossas cadeias, carceragens e prisões já estão superlotadas.
E talvez seja tempo dos jornalistas darem um tempo no uso de adjetivos quando o assunto for crimes, a quantidade de vezes que se ouve, ou lê, milionário, maior e outros nomes para dizer intensidade do delito, não para de aumentar. Podemos acabar cansando o público ou fazendo-os crer que quando o crime envolve menos que seis zeros, não vale a pena comentar.

quinta-feira, 6 de abril de 2006

Uma pergunta mais

Se Paulo Okamotto é funcionário público, subordinado ao Presidente Lula, e pagou contas do mesmo não estamos diante de um caso de prevaricação?
Como podemos observar ambos têm óbvias vantagens e, sem ser leviano, posso afirmar que o Ministério Público está marcando touca no caso.

terça-feira, 4 de abril de 2006

Mais jabuticabas

Sempre que o governo aparece com uma idéia nova nossos economistas dizem que ele está tentando inventar uma jabuticaba.
O termo é pejorativo; procura mostrar que é algo que só se encontra no Brasil e, portanto, não pode ser coisa boa.
Pois ao meu ver, o que precisamos é de mais jabuticabas. Eu quero um verdadeiro jabuticabal.
Não que eu seja defensor de qualquer idéia estapafúrdia que surgir das nossas mentes férteis; porém, se observarmos as iniciativas que dão certo, veremos que são frutos de ações exclusivas e originais do Brasil. E apenas se investirmos em idéias como estas é que conseguiremos diminuir nossa dependência tecnológica, fortalecer nossa economia e melhorar nossa sociedade.
Isto não é nacionalismo, é realismo.
Cada país tem características únicas e são elas que devem ser exploradas, principalmente quando se trata de um grande em área e população como o Brasil, que tem escala para desenvolver novidades.
Exemplos temos muitos.
A Petrobrás comemorará neste mês a auto-suficiência petrolífera amparada em duas imensas jabuticabas: a exploração de jazidas em águas profundas e a utilização de álcool combustível proveniente de cana-de-açúcar em automóveis.
E a integração do biodiesel na matriz energética nacional, que nos moldes como é planejado pelo governo é outra jabuticaba, pode consolidar o Brasil como um exportador líquido de petróleo e derivado.
A cultura de soja em cerrado é outra idéia nacional que impulsiona nossas exportações.
Só que por mais exemplos que se mostrem, serão poucos.
Nossas indústrias e nossos consumidores têm a tendência de acreditarem mais na tecnologia estrangeira ou, o que é ainda pior, só darem credibilidade à nacional após seu sucesso exterior.
Está mais do que na hora dos nossos dirigentes empresariais e governamentais tomarem consciência de que é nas jabuticabas que não temos concorrência. Nelas estão nossas maiores forças motoras para o engrandecimento da nação e a justiça social.

segunda-feira, 3 de abril de 2006

Sem fundo no poço

Está certo, talvez o governo Lula não seja o mais corrupto da história deste país desde que Cabral aqui aportou, mas que ele parece, parece.
Até o Ministro da Justiça está ameaçado agora.
Onde é que vamos parar?

quarta-feira, 29 de março de 2006

A crise das águas, será que ela existe?

Água é a crise anunciada do momento. Diz-se que as próximas guerras deixarão o petróleo de lado e serão realizadas pela hegemonia sobre ela.
Só que as coisas não são bem por aí, apesar de eu ficar muito mais tranqüilo com o fato de os Estados Unidos e nossos vizinhos mais próximos serem ricos em água.
Ao menos que você more em um deserto, basta olhar para os lados e verá que a escassez não é de água; é de energia e de bom senso.
De energia porque há água mais do que suficiente no mundo para todos os tipos de uso humano, só que ela não se concentra da mesma maneira que a nossa população.
Isto faz com que quantidades cada vez maiores do líquido sejam captadas a distâncias crescentes de sua destinação; ou, no caso dos lençóis freáticos, a profundidades maiores.
A captação feita desta maneira necessita de muita energia. É a escassez desta, e portanto seu alto custo, o maior fator limitante. O custo das obras de infra-estrutura tem impacto apenas marginal em longo prazo. O mesmo valendo para o processo de dessalinização.
A falta de bom senso se mostra de duas maneiras.
A primeira ao instalar grandes centros consumidores de água, grandes centros populacionais e plantas industriais, em regiões carentes da mesma. O Brasil é exemplo disto; campeão mundial em recursos hídricos, concentra boa parte de sua população na pequena região semi-árida e convive com enormes vazios populacionais em regiões riquíssimas em água.
A segunda pelo mau uso da mesma. Por degradação de mananciais, desperdício ou poluição de reservas.
Podemos citar São Paulo, capital, como o exemplo à não ser seguido.
Nela os antigos mananciais das zonas mais centrais foram impermeabilizados e os rios que deles derivavam transformados em galerias pluviais. Os mananciais mais distantes foram preservados até poucas décadas, mas hoje sofrem ocupação desordenada do solo e, mais uma vez, impermeabilização. Resultando em alagamentos sempre que chove um pouco mais do que o normal. Os paulistanos puderam constatar em loco os resultados hoje.
Além dos mananciais degradados, as represas que estes alimentam estão poluídas. O que faz com que seja necessário utilizar processos de despoluição cada vez mais custosos e a captar em reservatórios distantes da cidade.
Um problema oculto é o uso e a situação do Aqüífero Guarany, maior do mundo e sobre o qual a região metropolitana se encontra. Sabe-se que há utilização das águas deste em são Paulo, porém não em qual intensidade e nem como a poluição metropolitana esta comprometendo o reservatório.
Para completar, muito da água que se capta e trata é perdida na distribuição. As estimativas variam, só que em nenhuma delas o índice de desperdício é menor do que 20 por cento.
E nem falamos do uso intensivo e desnecessário pelos consumidores finais.
Podemos dizer então que uma crise hídrica em níveis mundiais seria não uma crise da água, mas uma crise econômica de possíveis consumidores devido a uma série de motivos que impossibilitaria a obtenção ou exploração do recurso.

terça-feira, 28 de março de 2006

Mudou tudo

E agora, alguém tem confiança na equipe econômica?
E alguém sabe que é ela?
Quase recomendo que a galera compre dólares.

segunda-feira, 27 de março de 2006

Poema muito ouvido em um certo Ribeirão

Vou me embora pra Brasília,
Lá sou amigo do Rei,
Terei a recepcionista que eu quero,
Na casa que escolherei.


Obs: e que Manuel me perdoe.

Lustrando as algemas

Tem delegado preparando-se para os quinze (sempre ele) minutos de fama.
Pedido de indiciamento é o mínimo que se espera para o futuro.

quinze dias

Então é isso.
O presidente da Caixa não precisava nem de 15 segundos para apurar o responsável pela quebra ilegal de sigilo do caseiro.
Um simples fui eu resolveria o caso.

outro sem título

As pessoas parecem estar esquecendo que não é apenas no campo político que os resultados das CPIs vão desembocar.
Por mais complacente com os poderosos que nossa lei e ordem seja, os fatos apurados obrigarão a ação desta.
Possíveis vencedores das eleições poderão ter seus mandatos cortados pela justiça. Falo poderão porque o verbo certo (deverão) é de uso muito incerto no nosso vernáculo político.
Só que como o caminho natural é um Brasil cada vez mais moralizado, apesar das aparências. E estes bandidos, segundo o Ministro da Justiça, são um símbolo que deve ser apagado e esquecido de um modo de se fazer política muito ahhh... particular.
Eles deveriam estar na cadeia e não no Congresso.

Primeiro ato

Não importa qual seja o resultado que as urnas nos tragam para a próxima legislatura, o primeiro ato desta deveria ser a anulação de todos os atos da anterior.
Desde as reformas disto ou daquilo até as cassações de deputados.
Tudo que a legislatura da vez vem fazendo fazem com que tudo o que ela assinou não tenha nenhuma credibilidade.
Ou você acredita que um Congresso sabidamente mensaleiro pode dizer à Nação que aquela lei foi pensada nos interesses da nação enquanto aquela outra sim, foi contaminada pelos mensalistas?

sexta-feira, 24 de março de 2006

Radicalismo

Imposto é a fatura exigida pelos Estados para cumprir o papel que lhes cabe.
Mas, perguntamos então, qual é o papel dos impostos no Brasil? Como aceitar que estes sejam tão altos e que tão pouco seja dado em troca?
A resposta da primeira é óbvia, porém lamentável; é apenas sustentar a máquina pública e os credores do Estado.
A segunda é também óbvia, isto é inaceitável.
A medida que o Estado passa a ser apenas um veículo do funcionalismo público para o bem-estar destes, deixando de cumprir a sua função social, coloca em risco sua própria sobrevivência.
Em menor escala é o que aconteceu com a Varig. Sua controladora (Fundação Rubem Berta) esqueceu-se de que a função de uma empresa é dar lucros e vergou-se aos interesses imediatos dos funcionários, que têm voto e poder na Fundação. Na ausência continuada lucro e engessada pela ação corporativa dos funcionários, a empresa agoniza e a Fundação e os funcionários podem perder sua galinha poedeira.
O problema é que não se concebe mais sociedades sem Estado na contemporaneidade; portanto, ao contrário da Varig, o Brasil não pode simplesmente deixar de existir.
É vital que o Estado seja reformado e que sua inoperância na devolução dos impostos cobrados seja sanada.
Para radicalizar, eu imporia simplesmente a extinção de todos os impostos. O Estado deveria então se sustentar unicamente com a cobrança de tarifas.
Ou seja, só seria remunerado pelo serviço efetivamente prestado e comprovado.
Funções de difícil comprovação material, como a Legislativa, teriam que cumprir metas pré-determinadas e o reserviço não seria remunerado.
As áreas deixadas de lado pelo Estado poderiam sustar seus pagamentos até que tivessem suas demandas assistidas e a iniciativa privada poderia supri-las sem que os impostos encarecessem os serviços, o cidadão não seria punido duplamente.
Os críticos dirão que isso alijaria os mais pobres. A pergunta: como eles estão agora? Estão bem integrados à sociedade?
Um fato é que a única maneira de se incluir os mais necessitados é com um Estado que funcione.
Quanto ao funcionalismo, teria um incentivo muito grande para prestar serviços de qualidade; seria isto ou não receber. A ameaça do Brasil se tornar uma imensa Varig seria descartado.
Eu sei que esta parece ser uma proposta radical; é radical e muitos têm urticária frente a tanto neoliberalismo. Só que do jeito que está não pode ficar.
É uma primeira proposta, vocês podem apresentar outras mais exeqüíveis. Mas o mais importante é que se abra um debate amplo sobre o papel do Estado e a forma como vamos financiá-lo.

E não é que o Coaf serve para alguma coisa?

Para quem achava que o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) não servia para nada, verificou-se o contrário.
Ele serve para constrangimento “legal” de testemunhas-que-não-podem-ter-nenhuma-credibilidade-e-portanto-é-necessário-que-algo-aparece-contra-ela.
E isso já não é pouca coisa. Muita gente que viu aquelas merrecas do Marcos Valério circulando já estava pensando que era um órgão fantasma.

quinta-feira, 23 de março de 2006

E vejam só

Além do constrangimento do caseiro, agora estão constrangendo o suposto pai do mesmo.
Segundo a nota publicada pela Folha Online , o empresário foi chamado pela CEF para dar explicações a respeito dos depósitos feitos na conta do caseiro.
É que haveria uma discrepância entre o que saiu da conta do empresário e o que entrou na conta de seu suposto filho.
Então ficamos assim, não foi apenas o sigilo de um que foi quebrado, mas pelo menos de dois dos correntistas do banco.
E é assim que querem fazer com que a credibilidade da instituição não sofra abalos.

quarta-feira, 22 de março de 2006

Muito engraçado

Na revista Istoé desta semana, tem-se a explicação do porque Hugo Chávez resolveu trocar o brasão de seu país, a Venezuela (e ao que parece o seu aí em todos os sentidos).
Segundo a revista, a filhinha de oito anos do bolivariano presidente teria dito que não gostava do cavalo no símbolo, pois este olhava para trás enquanto se dirigia para a direita.
Aproveitando a deixa ele teria dito que o “símbolo reacionário... é um cavalo que alguém freou e olha para o passado”.
Solução: mudou-se o símbolo, que agora é um cavalo que olha para a frente e corre para a esquerda.
Ou seja, se formos seguir a explicação creditada a Chávez, está correndo celeremente para o passado e sem remorso ou dúvidas.
E, para que não pairem dúvidas, outros símbolos modernos foram implantados no brasão: arco, flecha e machadinhas.

terça-feira, 21 de março de 2006

A Amex é nossa

Para os que pregam a sobrevalorização cambial está aqui, o Bradesco mostrou o caminho.
Se nossa moeda está muito valorizada, compremos ativos estrangeiros. Quando e se esta voltar ao normal (raquítica e anêmica, coitada), o patrimônio nacional estará ampliado.
E também é uma excelente maneira de fazer com que o fluxo de moedas passe a ter a mesma intensidade nos dois sentidos.
Nacionalista então, delirariam. Se bem que poderiam começar a chamar as nossas empresas de imperialistas, como já fazem os bolivianos “moralesistas”.
Porém tudo bem; nossos nacionalistas adoram importar idéias, principalmente os de esquerda.

Fatura

O TCU apresentou relatório dizendo quanto custa um Land Rover para os cofres públicos:
módicos R$36 milhões.

segunda-feira, 20 de março de 2006

E um tiro no pé

Após a banda desandar com o cancelamento da “oitiva” do caseiro, a quebra do sigilo bancário do mesmo foi um verdadeiro tiro no pé do PT e do governo Lula.
Agora além de darem credibilidade ao rapaz, ainda o transformaram em um mártir para a oposição.
Vai ser criado um verdadeiro carnaval e fosse mentira ou não o que foi dito na “oitiva”, não importa mais. O que importa é que foi usado o aparelho estatal para constrangê-lo.
Serão abertas novas investigações, quem sabe até uma CPI, e muitas feridas paralelas para sangrar a credibilidade do governo de ocasião.
Que mais a oposição poderia pedir?
E, pelo que me consta, nem é aniversário de ninguém para tanto presente.

sábado, 18 de março de 2006

Lembram do acordo?

Aquele que procurava conter as altas do preço de álcool combustível. Aquele que fracassou.
Pois ontem vi o primeiro sinal de inteligência por parte do governo no enfrentamento do caso. Uma propaganda de tv mostrando como se calcular quando é lucrativo para o consumidor utilizar um ou outro combustível nos carros flex.
Este é o único fator limitante para os usineiros, desovar os estoques, e se a guerra da propaganda conseguir com que eles não o façam, os preços cairão rapidamente.
É até de estranhar tamanha lucidez. Mesmo porque, apesar de tudo, nem se deveria cogitar que um governo de economia de mercado deveria tentar controlar os preços de commodities como o álcool combustível.
Mas isso o calendário eleitoral explica.

sexta-feira, 17 de março de 2006

Requentadas

Os líderes petistas afirmam que nada de novo foi apresentado a respeito de nosso ministro da economia; que é tudo requentado.
A verdade é que é mesmo, só que ainda nada foi explicado a respeito deste caso.
Se ele mentiu antes porque está falando a verdade agora?

E vai ficar pior

Para quem acha que o câmbio está ruim agora, pode ter certeza que vai ficar muito pior.
Se há uma verdade na questão do câmbio livre é o de que ele procura se equilibrar entre a demanda e a oferta de dólares e outras moedas.
O porém é que isso não se dá de maneira automática, é um processo que sofre uma certa defasagem, em muito devido ao passado de intervencionismo.
No caso brasileiro há uma série de “esqueletos no armário” do câmbio real. Quem pensa que uma chegada a juros civilizados conterá a taxa nos atuais ou um pouco maiores tem muito que se decepcionar ainda.
Em primeiro lugar o país é um exportador líquido e muito pouco pode ser feito a respeito disto; a não ser que se mude o padrão de consumo do nosso povo, fazendo com que ele passe e comprar produtos e serviços mais refinados que nossas empresas não podem suprir, por falta de escala ou de tecnologia. Como para isso seria necessário mudar radicalmente a estrutura de renda do país em período muito curto, não passa de utopia.
Inclusive o país deve até aumentar seus superávits comerciais com as exportações de biocombustíveis e com os excedentes de petróleo.
Outro e mais importante ponto é que os ativos são muito baratos no Brasil. Imóveis, ações, empresas, licenças e concessões têm preços irrisórios se comparados a seus equivalentes mundo afora. Estes não eram sequer imaginados como fonte de lucro quando nossa economia era fechada, mas agora que estamos nos integrando ao mundo passam a ser uma possibilidade.
Taxas de juros civilizadas poderiam fazer com que os aplicadores deixassem nossos títulos públicos, mas fariam com que estes ativos brilhassem muito mais. Os que atualmente reclamam da onda de investimentos estrangeiros vão sentir saudades quando o tsunami de procura por ativos chegar.
Portanto, se não houver um forte intervencionismo no câmbio, ele tende a ter uma perspectiva descendente por um período muito longo.
A hipótese de intervenção pode ser a opção mais atraente para a parcela ligada à indústria exportadora, só que é a opção errada.
O melhor e mais difícil é enfrentar os gargalos estruturais que retiram a competitividade de nossa economia. Uma gambiarra cambial apenas fará com que nosso desenvolvimento seja postergado.
De novo.

quinta-feira, 16 de março de 2006

Muito pior do que o soneto

Se antes seria a palavra de um caseiro contra a de um ministro, agora é evidente que o caseiro poderia acarretar muitos problemas ao governo.
Repercussão certa. Pior ainda por ser no meio da sessão parlamentar.
Qual seria pior?
Até estou imaginando as manchetes de amanhã e escaladas de matérias dos jornais televisivos da noite.

quarta-feira, 15 de março de 2006

Pícolé de milho

Na campanha para a prefeitura paulistana em 2000, encontrei com o candidato Geraldo Alckmin em um dos locais mais improváveis, a festa de lançamento de um campeonato de surf.
A impressão que tive dele foi das piores, para mim ele pareceu ser apenas um pamonha, palavra que usei a torto e a direito depois daquele momento.
Posteriormente este recebeu da mídia a alcunha de picolé de chuchu por parte da mídia paulista.
Depois de sua administração do estado de São Paulo e da forma como dobrou José Serra vão ter que mudar a alcunha.
Sugiro que vire picolé de milho, que nem todos gostam mais tem um sabor marcante.
E mais do que tudo, isso mostra que a força de um personagem político não está apenas no carisma, pois se dependesse disto o Alckmim nunca teria chegado onde chegou.
Ficamos assim então, a disputa eleitoral agora parece estar centrada na razão contra a emoção.
Quem será o vencedor?

Questão de inteligência

As tais armas apareceram. E ficou bem claro que era necessário mais cérebro do que músculos.
Durante onze dias os militares foram peões dos traficantes da Rocinha, local onde foram encontradas.
Para estes a ocupação militar serviu para enfraquecer a concorrência de outros grupos criminosos, que viram seus pontos de venda embargados pó um bom tempo, além de um provável incremento de seu faturamento devido aos consumidores que ficaram impossibilitados de chegar aos seus fornecedores habituais.
Foi só acontecer o cerco à favela certa que as armas apareceram.
Se houvesse anteriormente um bom trabalho de inteligência policial muito dinheiro teria sido poupado desta ridícula operação “Macho-man” do exército. Onde é que já se viu um dos braços das forças Armadas precisar de auto-afirmação?
Então ficamos assim; o Estado gastou uma fábula, os traficantes de alguns pontos perderam uma boa grana, os de outros ganharam outra, alguns cidadãos e militares ficaram feridos e um morreu.
O Estado mostrou sua incompetência e como troféu apresentou as armas. Podia ser pior. Vai que ele mostra e não apresenta nada.
De concreto muda a o significado da antiga expressão:
Tropa: APRESENTAR ARMAS.

terça-feira, 14 de março de 2006

100 mil dólares

Foi com essa quantia que a empresa com um dos maiores valores de mercado atualmente começou.
A Google precisou desta módica quantia e o camarada que o cedeu deve estar rindo atoa. Se ele ainda está no negócio suas ações valem bilhões, se não teve um retorno de capital astronômico.
Antes do lançamento da Google havia a Yahoo, que também vale bilhões hoje, e algumas outras espalhadas mundo afora no mesmo segmento de mercado, busca de conteúdo. Uma era a empresa que criou o Miner, utilizado ainda hoje sistema do Grupo Abril, e que teve como desdobramento a tecnologia da empresa Akwan, comprada pela Google recentemente.
Aí está toda a diferença, enquanto nos EUA as empresas estão se desenvolvendo a ponto de comprar outras aqui no Brasil, o que impede que as nossas façam o mesmo?
A Google é apenas uma criança no ponto de vista empresarial, começou em 1998, e já goza de créditos que permitem fazer aquisições. Uma empresa na mesma idade no Brasil está normalmente lutando para se formalizar ainda.
Tem ainda que arcar com uma burocracia absurda para abrir a empresa, e rezar para não ter que fechá-la (pois aí a burocracia será mais que absurda), para registrar as patentes de seus produtos e para contratar e demitir funcionários.
Ou seja, o empreendedor tem que ter um produto inovador, mas o mais importante mesmo é ter dinheiro guardado para manter a empresa funcionando nos tempos de vacas magras e ser muito bom empresário, já que não tem espaço para erros.
E se este super-homem tiver todas estas qualidades, ainda encontra barreiras para se internacionalizar. Com base nisto alguém se espanta de não termos nenhuma Google aparecendo por aqui?
È óbvio que os 100 mil dólares não é a barreira inicial, nem o conhecimento técnico. Só que enquanto o custo de oportunidade estiver tão alto aqui e os lucros financeiros e sem risco estiverem neste patamar, qualquer pessoa com este dinheiro para empreender preferirá deixar os bancos lhe pagarem mil dólares de aluguel pelo seu dinheiro.
A não ser que seja muito sonhador, e ainda bem que os temos aos montes ainda.

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  • quinta-feira, 9 de março de 2006

    Só filmando

    Não sei quanto a vocês, mas estou com muita vergonha da nossa Câmara hoje.
    Nossos deputados - ilustres ou não - acabam de dizer o seguinte, lei serve para ser descumprida e ética é para os fracos.
    E nós ficamos aqui vendo embasbacados. Só espero que prestemos atenção na hora de renovação dos mandatos.
    Eles tão cantando "é nóis na fita" e "tá tudo dominado", nos lembremos disto daqui até outubro. Não é muito tempo, certo?

    quarta-feira, 8 de março de 2006

    Minhas convicções estão por um fio

    Sempre fui e acho que sempre serei favorável ao parlamentarismo, porém estas convicções estão se esvaindo a cada nova trapalhada do congresso, e elas não foram poucas.
    Nem perderei tempo dizendo quais são estas trapalhadas, mas observem que dois parlamentares podem, na verdade deveriam, ser cassados hoje.
    A última pontinha de certeza de que o parlamentarismo seria melhor é conseguida quando vejo os atos eleitoreiros dos nossos governantes, principalmente o mandatário, e penso: realmente, presidencialismo não dá.

    sábado, 4 de março de 2006

    Quem, eu?

    Uma perguntinha: se queriam chutar Bill Clinton por “imprecisão semântica” quanto ao que é ou não sexo; o que vão fazer com o atual presidente americano que após mentir quanto às armas de destruição em massa iraquianas teve um vídeo divulgado no qual ele diz saber de coisas sobre as quais viria no futuro a nunca “ter sabido”?
    Será que é caso de impichamento?

    quinta-feira, 2 de março de 2006

    Comentário

    Está na moda se falar em minorias e afro-descendentes quando se trata de racismo e ações afirmativas.
    Então de uma olhada nesta página aqui: http://www.jurgita.com/models/south-african-models .
    São todos africanos, não apenas afro-descendentes e a grande parte é de minorias. Mereceriam fazer parte de nossas ações de combate ao racismo?

    Certa vez...

    , não sei como, me vi surpreendido em um debate sobre a “branquitude” ou “negritude” do povo brasileiro. Nesta bradei minha identidade parda – tinha menos de 15 anos e isso não tinha a menor importância para mim, na verdade. Nunca havia sido alvo de racismo, pelo menos não me percebi como um, e só estava na discussão porque me senti na obrigação de mostrar que aquele debate não tinha sentido.
    Pois bem, após o término da discussão fui para casa e conferi minha “identidade cultural” na certidão de nascimento: quase cai de costas, eu era branco perante o Estado brasileiro. Logo eu, cujo o avô paterno não era negro, mas azul; como vivia ouvindo em casa.
    Fiquei um pouco indignado, naquele momento, me considerei um sem-raízes (nem sabia bem o que era isso). O fato é que, como a maioria das famílias brasileiras, minha árvore genealógica é muito obscura, com a continuidade se perdendo não muito mais longe do que nos meus bisavôs – só que considerarem a mim um branco me pareceu meio absurdo.
    Dito isso, quero iniciar o verdadeiro assunto deste artigo: a necessidade de cotas em concursos públicos para as chamadas minorias étnicas.
    Somente a idéia de cotas já me parece absurda. Se o cerne principal da medida é o combate à discriminação racial porque fazê-lo através de uma medida discriminatória. Isso não faria com que a roda do ódio girasse mais rápido?
    Se a razão é a inclusão social, algo de podre parece surgir. A razão? Está medida será inócua. Não incluirá os negros porque:
    Primeiramente, segundo estatísticas expostas pelos debatedores a favor das cotas a população negra é de 35% a 45% do total do país e a indígena é de menos de 1%. Levando-se em conta que o número de cargos públicos é de 10% a 20% da população economicamente ativa nos países desenvolvidos, chegaríamos a um quadro de reservas de vaga para as minorias (dependendo da cota a ser empregada) de 1% a 5% do mercado total, só que em prazo muito largo de tempo, já que a maioria destas vagas já está coberta atualmente.
    Este número não é maior do que a quantidade de membros das “minorias” que se situam nos extratos médios da sociedade atualmente. Portanto não causará mudança social.
    O sistema de mérito, que é o empregado hoje para a contratação, prevê um grau de preparo mínimo para o exercício do cargo. O sistema de cotas prevê que certas características – cor de pele, orientação sexual, gênero –são mais importantes do que o preparo. Cria-se um evidente conflito de interesse, e os mais prejudicados são os que mais dependem de serviços públicos, como a maioria dos integrantes das “minorias”.
    Há atualmente os que já possuem condição e vontade de ocupar a vaga para a qual é necessário um concurso público e não precisam da cota, ou seja, para eles a lei é tabula rasa.
    Formam-se daí dois outros grupos: os que têm condição e não vontade e os que têm vontade e não condição. Ambos os grupos são prejudiciais aos cofres públicos e às pessoas que utilizam serviços públicos, ou seja, toda a sociedade.
    Os primeiros usarão o emprego fácil como um trampolim para o mercado privado, gerando um aumento das despesas de treinamento e realização de concursos cada vez que trocar de emprego e os demais por prestarem um serviço de má qualidade, por simples falta de qualificação.
    Observando-se estes dois motivos vê-se que as vagas abertas seriam cobertas por representantes das “minorias” já “incluídos”, que podem se preparar e já compete no mercado de trabalho, não forçando nenhuma mudança social. E o que é pior, nas poucas vezes em que a cota cumprisse seu trabalho (incluir na lista de aprovados) a má-qualidade da mão-de-obra por ela gerada faria as armas dos racistas ficar mais carregada, pois os números se encarregariam de provar o erra da contratação.
    Por fim, e não mais importante, como seria a seleção dos candidatos pertencentes às minorias? Quais seriam os critérios? Quem seria o juiz? Eu teria vez, ou minha certidão de nascimento me derrubaria?

    quarta-feira, 1 de março de 2006

    Mais uma chance

    O reinado de Momo acabou, o ano começa amanhã e voltamos ao domínio da música internacional no cenário.
    Este ano foi completamente atípico em matéria de período pré-carnavalesco; foi regado a pop-rock, no que ele tem de mais representativo.
    U2 e Roling Stones vieram, viram e causaram furor. Criaram celebridades instantâneas e movimentaram muito, muito mesmo, dinheiro.
    Teve também uma intrusão no tradicioal reduto do axé, o carnaval baiano, com o trio puxado pelo DJ Fat Boy Slim. Se este não chegou a ser a sensação dos circuitos soteropolitanos, também não passou despercebido.
    E o que eles têm de especial, que nossos artistas não possuem? Considerações artísticas à parte, eles tem muita mídia espontânea, que faz com que estar em seus shows seja mais do que assistir a arte. É uma manifestação política e cultural.
    São ídolos fabricados por muita exposição e certamente devem muito do seu sucesso aos planejadores de mídia; ou se vocês preferirem assim, marqueteiros.
    E o que isso tem a ver conosco? Os novos espaços de mídia que a Internet criou, está criando e criará são a primeira grande oportunidade de transformar o Brasil em plataforma de exportação cultural desde a Bossa Nova de 40 anos atrás.
    É claro que a oportunidade não é só nossa e tão pouco somos nós que a estamos aproveitando no momento. Talvez o ícone para o poder da Internet na criação de ídolos seja Paris Hilton, que através de um vídeo muito comentado de seus atributos bucais (digamos assim) deixou de ser uma herdeira milionária gastadora para ser uma celebridade milionária muito bem paga, mas ainda gastadora. Ou a banda britânica Artic Monkeys, que de bandinha de garagem de adolescentes se tornou a de maior vendagem em um álbum de estréia na Inglaterra através de um surpreendente, e provavelmente não-planejado, sistema de divulgação pela rede.
    A divulgação na Internet é potencialmente barata e permite que se fuja dos processos de massificação que as gravadoras “majors”, imensas multinacionais, tentam forçar ao mercado para diminuir seus custos e maximizar seus lucros.
    Permite também que grupos consagrados localmente ampliem sua notoriedade. É o sistema de divulgação boca-à-boca ampliado, em uma escala planetário.
    O caminho apontado pelo Artic Monkeys pode e deve ser trilhado por grupos brasileiros. A possibilidade de vendar músicas on-demand é uma das possibilidades, fazer shows devido à notoriedade outra e novas formas de se conseguir renda através da arte devem surgir com o passar dos tempos.
    O Brasil pode dar uma grande contribuição para a música internacional muito grande com seus estilos e ritmos variados e os artistas brasileiros podem se beneficiar de um mercado consumidor ampliado. A hora de agir é agora, ou veremos mais uma vez os artistas dos mais variados países fazer festa aqui e continuaremos barrados nas festas deles.

    quinta-feira, 23 de fevereiro de 2006

    A guerra do Arbusto

    De onde menos se espera é que não vem nada mesmo, este poderia ser o lema da forma como está sendo conduzido o processo de paz no Oriente Médio.
    Em menos de três anos, a intromissão norte-americana chefiada pelo Comander-in-chief George W. “O Doutrinador” Bush, nos levou de uma situação repreensível no tocante dos direitos humanos e políticos para uma situação de conflagração.
    Com isso o mundo ganhou petróleo caro, algumas mortes, alguns campos de concentração e treinamento de terroristas e ânimos exaltados. E também o aumento dos déficits norte-americanos que podem acelerar a chegada de uma grande recessão mundial, que virá mais cedo ou mais tarde caso não sejam equacionados.
    O Iraque a beira de uma guerra civil, dizem alguns (particularmente creio que o país já passou desta linha há muito tempo), na melhor das hipóteses formará mais três países inimigos, mas com secessão pacífica. Na pior, uma sangrenta e religiosamente motivada guerra; com os fanatismos, barbáries e ‘limpezas’ étnicas sobre os quais já estamos ficando acostumados a ler nos jornais.
    Os intransigentes líderes palestino e israelense foram trocados pelas garras da fisiologia humana, vulga velhice(se bem que ainda existe muita dúvida sobre a causa mortis de Arafat), mas a oportunidade de ouro de se chegar a negociações menos rancorosas já foi perdida. E o tal “mapa da estrada” foi também perdido em alguma curva do caminho.
    O Irã parecia estar apaziguado, mas ameaças explicitas da super-potência de plantão fizeram soar o alarme e por em prática a corrida pelo domínio de tecnologia nuclear, possivelmente de armamento atômico.
    As trombetas também soaram na Síria e Coréia do Norte –país que não vem ao caso aqui-, com implicações desconhecidas.
    Resumo da ópera, o que se parecia difícil de se resolver agora parece impossível. Se esta é uma demonstração do que a Pax Americana e a Doutrina Bush podem nos dar, parem o mundo que eu quero descer.
    Inclusive, a doutrina já está tão desmoralizada que não se fala mais nela, o que é ótimo. Uma obra de Deus (seja lá em que forma ou nome) pode ter sido responsável pelo seu esquecimento e não teremos que conviver no futuro com ataques preventivos a lugar nenhum.
    Só me pergunto se o tal comandante deve seu sobrenome ao seu Q.I., equivalente ao de um vegetal.

    quarta-feira, 22 de fevereiro de 2006

    Pensem no Haiti

    Já estamos enrolados na intervenção política-militar, e tardaremos muito em se livrar deste enrosco, mas devemos olhar o lado bom das coisas.
    Eu sei, é difícil ver um lado bom em estar metido em lutas de gang em país estrangeiro, ainda mais se não fomos nós a começar o imbróglio. Se o há, é que o Haiti é uma terra de oportunidades, das mais variadas.
    Nossos carros blindados, que tanto sucesso já fazem em Bagdá e imediações, parecem ser moldados para Porto Príncipe.
    Toda a infra-estrutura do país precisa ser refeita, é nossas técnicas de construção para despossuídos podem ser de grande valia.
    Mas o mais importante, nossa agricultura tropical pode ser muito útil, ainda mais quando sabemos que os haitianos não têm muito capital para investir e tampouco nós.
    Uma cultura em especial pode ser bem aproveitada lá, a de cana-de-açúcar.
    O Haiti tem um histórico de produção açucareira, florestas naturais já devastadas (terra barata e ecologicamente correta) e mão-de-obra ociosa, o que mais poderíamos querer para implantar uma indústria sucro-alcooleira no local.
    Poderíamos, o que é melhor ainda, pedir que estes investimentos fossem bancados pelos norte-americanos. Eles são os maiores interessados em que a região seja estabilizada e precisam desesperadamente de combustíveis alternativos para manter seus carros beberrões rodando. Querem também evitar pressões imigratórias da região. Fome, vontade de comer e comida apetitosa.
    Então usineiros, e demais empreendedores, mãos-a-obra.

    terça-feira, 21 de fevereiro de 2006

    Gastar é preciso, gerenciar não é preciso

    Em entrevista dada ao UolNews ontem, o Ministro da Educação –Fernando Haddad- fez um balanço do governo Lula no ensino.
    Foram citadas uma série projetos, algumas realizações e melhorias, inclusive em ciências e tecnologia.
    Porém nela se vê um problema que vem acometendo governo após governo, em todas as áreas.
    As discussões são muito menos de propostas, e de implementação destas, do que de finanças.
    Se lembrarmos a atuação do presidenciável José Serra no Ministério da Saúde, pontuaremos dois marcos: o programam de combate a A.I.D.S. e a C.P.M.F. (Contribuição Provisória por Movimentação Financeira).
    Haddad atribuiu ao possível aumento de 0,5% do P.I.B. no montante total do destinado a pasta, caso uma série de projetos passe pelo crivo do legislativo, como o grande feito do atual governo no campo da educação pública.
    Este ‘financismo’ faz com que toda a discussão administrativa gire apenas em torno de conseguir mais fundos, ou em contingenciá-los, e nunca na gestão eficiente dos mesmos.
    Em que pese o fato de que o investimento per capita nas áreas de saúde e educação é pequeno se comparado a países desenvolvidos, o maior problema não é a falta de recursos, mas como estes são empregados.
    A qualidade do serviço público é notoriamente ruim no Brasil. Além disso, eles são muito segmentados; sendo que não se procura utilizar a complementaridade de áreas afins.
    Por exemplo, nosso país tem gastos astronômicos com tratamento de doenças veiculadas por vetores ligados a falta de saneamento básico; caso os pacientes que chegam para o tratamento nos centros de saúde tivessem seus hábitos mapeados e seu entorno melhorado os gastos poderiam ser muito minorados (alguns estudos apontam que para cada real investido em saneamento básico economiza quatro em tratamento médico). Porém, o tratamento é do Ministério da Saúde, a pesquisa do IBGE – ligado ao Ministério do Planejamento – e as obras de saneamento básico ao Ministério das Cidades, e estes conversam muito pouco, resultando no tratamento do problema e não na eliminação da causa.
    Em menor ou maior grau é o que acontece nos três níveis do executivo; imagine a quantidade de melhorias que o uso de recursos com base em um planejamento melhor empregado poderia gerar. E a economia que isto representaria para o país.
    Há no Brasil o pensamento de que gestor público bom é aquele que consegue gastar mais, é por isso que os cifrões são tão valorizados pelo nosso executivo.
    É chegado o momento de vermos os administradores públicos com outros olhos. É a produtividade do gasto que deve ser observado, e não o absoluto; quando os políticos tiverem que chegar em frente aos eleitores e mostrar que seu gasto foi, é e será melhor do que o do adversário, estaremos no caminho certo.

    Obs: para ler o resumo da entrevista do ministro Haddad
  • clique aqui
  • segunda-feira, 20 de fevereiro de 2006

    O segredo de nossa carga tributária

    Acompanhando o noticiário, percebemos que, de repente, a carga tributária brasileira se tornou a grande vilã. Inclusive hoje saiu anúncio de que a arrecadação de janeiro foi recorde em comparação com o mesmo mês de anos anteriores.
    Mas será que isso aconteceu de uma hora para a outra?
    É claro que não. O aumento da nossa carga é um processo histórico que foi armando a bomba que temos em mãos agora.
    Hora mascarada como inflação, hora como abandono dos deveres do Estado, sempre houve esta carga no lombo da sociedade, porém com uma diferença pouco discutida e muito significante.
    Os que mais pagavam tinham um retorno desproporcional maior do dinheiro investido no Estado.
    A escola pública era responsável pela melhor formação, mas só atingia um pequeno número de afortunados urbanos.
    Os hospitais públicos eram de qualidade, poderia-se dizer centros de excelência, só que mais elitizado ainda do que o sistema educacional, que pelos menos possuía uma capilaridade maior.
    O mesmo a ser dito de qualquer serviço público, que atendia apenas a uma elite social; urbana e com poder de memória, por mais letrada.
    O grosso da população tinha que se contentar com migalhas. Era a parte de fora da economia formal, não por acaso.
    Com o processo de democratização política do país, ocorreu um processo equivalente no tocante ao acesso aos bens e serviços públicos. A massa que financiava a qualidade para os afortunados passou a querer também o seu quinhão. Foi pouco bolo para muitas bocas.
    Resultado, paralelamente, o maior imposto indireto aos não-formalizados (ela mesma, a inflação) foi controlado e a classe média tentou abandonar os serviços públicos superlotados. Passou ela a ser o arrimo do sistema público, tendo agora um retorno desproporcionalmente menor do dinheiro investido no Estado.
    Começou então a grita, e nossa carga tributária deixou de ser “suportável”.
    E esse é o segredo de nossa carga tributária, sempre esteve aí e vai continuar por muito tempo. Daí para mais, na verdade.
    E não adianta tentar esconder os fatos. O que podemos fazer é pressionarmos por benefícios proporcionais aos que aplicamos, que fariam na prática o mesmo que uma diminuição da carga, ou seja, dinamizar a economia e espraiar os benefícios sociais.

    Um tal de Zakaria

    Nas páginas da Época desta semana estreou com pompa o editor da revista norte-americana Neewsweek Fareed Zakaria.
    Em seu primeiro artigo tenta demonstrar que a Europa está fadada ao desastre; entre outros motivos por não conseguir aumentar seu P.I.B. per capita ou atrair tantos imigrantes quanto os Estados Unidos da América.
    Não concordo com os argumentos do articulista, mas isso não vem ao caso. O ponto aqui é que ele representa uma visão que está majoritária no mundo e que liga automaticamente tamanho do P.I.B., qualidade de vida e desenvolvimento social.
    Nas páginas da mesma revista há uma matéria, sobre a Índia, e uma entrevista, com o economista suíço Stéphane Garelli, que enveredam pelo mesmo pensamento.
    É essa corrente de pensamento que aponta os países do Bric (conjunto de países formado Brasil, Índia, Rússia e China) como os que devem ser acompanhados por terem potencial para virem a ser os grandes P.I.B.s do futuro próximo. É ela também que diz que o Brasil está jogando o seu futuro fora por não conseguir um crescimento comparável com o dos demais da sigla.
    Esta visão norte-americana de mundo, apesar de generalizada entre nós, não deveria ser a seguida por nossa população ou incentivada por nossos meios de comunicação.
    Ela assume que o resultado final é o enriquecimento em termos absolutos, mais dinheiro no banco – preferencialmente dólares -, e exclui da equação o processo pelo qual é conseguido.
    Portanto o dólar da venda de barris de petróleo que enriquece xeiques árabes teria o mesmo impacto social daquele que paga ingresso no Scala de Milão, o dinheiro pago a uma família pela exploração do trabalho de suas crianças seria tão bom ao país quanto o pago para manter as mesmas crianças na escola. Sabemos que não o primeiro não tem e o segundo não é.
    Ter acessos às benesses do consumo é bom. Enriquecer é melhor ainda. Mas centrar nossos esforços em buscar unicamente o crescimento do nosso P.I.B. não nos transformará em um país melhor.
    Será o contrário, na verdade. Ao nos tornarmos uma sociedade melhor e mais justa nosso P.I.B. crescerá, por inclusão automática de consumidores.
    Agora, se o fim é um Produto Interno Bruto maior, sugiro a Zakaria e outros admiradores de números que se mudem para a China, e se extasiem com a visão de seus sonhos em progresso.

    Bola de cristal

    A minha é embaçada e de um modelo ultrapassado, mas creio que as pitonisas que colocavam Lula como carta fora do baralho estão mais próximas da verdade do que as que o colocam como candidato forte hoje.
    Apesar do repique das pesquisas, duvido e odó que Lula seja reeleito.

    domingo, 19 de fevereiro de 2006

    Tecnologia: só ela salva; do câmbio e outras mazelas

    Dia após dia, comentaristas econômicos, certamente apoiados pelas empresas exportadoras, dizem que o dólar capenga permite apenas aos produtos de baixo conteúdo tecnológico a competição internacional.
    E são dois os exemplos que dão para isso:
    1)a derrocada das indústrias têxteis e calçadistas, que estão perdendo mercados aqui e no exterior, demitindo e fechando fábricas e,
    2)o grande percentual de commodities de nossa pauta de exportações.
    Seria ridículo, se não fora trágico. Dar a as indústrias acima citadas como exemplo de empresas de alto conteúdo tecnológico é o mesmo que dizer o mais moderno em matéria de geração de energia é a lenha. E retirar o conteúdo tecnológico de nossas commodities é querer tapar o sol com peneiras.
    A verdade é que quanto mais alto é o conteúdo tecnológico, menor é o impacto que um produto sofre da taxa de câmbio.
    Alta-tecnologia implica em produtos livres de, ou menos afetados pela, concorrência - por qualidade superior, falta de similares ou menor custo produtivo – e por si só faz com que o valor local de uma moeda passe a ser um fator menos relevante.
    O que anda salvando nossas exportações é o efeito da tecnologia, e não a falta dela. É o emprego da tecnologia em caminhões mais potentes e resistentes, que podem trafegar no mar de buracos. O é na reconstrução e reestruturação da malha ferroviária. Também no desenvolvimento de sementes mais produtivas e mais resistentes. Nas novas formas de cultivar o antes desprezado cerrado.
    É claro que se quiser manter a competitividade a nação brasileira terá que se tornar ainda mais tecnológica e, principalmente, jogar no campo dos adversários do dito primeiro mundo. Teremos que começar a vender cultura, design, estilo de vida, etc... tudo que é extremamente caro mas não têm nada palpável para que o governante esfregue na cara dos adversários.
    Este será o jogo mais difícil, mas o que se há de fazer, teremos de jogá-lo.

    sábado, 18 de fevereiro de 2006

    É um começo

    As poucas, e boas, medidas que entraram em vigor neste princípio de ano - a saber, fim do nepotismo no judiciário e fim de algumas das benesses do Legislativo – mostram que nossos dirigentes estão começando a ouvir a voz das ruas.
    Não que a nossa opinião pública esteja com esta bola toda, mas já é alguma coisa.
    Quem sabe, neste ritmo, meus netos não vivam em um país melhor? E sem que eu emigre.

    sexta-feira, 17 de fevereiro de 2006

    Não podia mesmo dar certo

    Nós não aprendemos mesmo. Passa governo, entra governo e tentamos controlar os preços.
    A última tentativa foi no álcool combustível, e como não podia deixar de ser seus resultados práticos não chegaram a durar uma semana.
    Desde o momento que foi implantado, o Pró-álcool visava “domar” o mercado. Era uma forma de tirar o Brasil das garras dos vilões do momento e dar aos militares controle sobre a carestia da gasolina.
    Porém, desde que o país tornou livre da ditadura militar sempre que o mercado se desequilibra - seja por força da demanda por álcool, seja pelo aumento do preço do açúcar – aventa-se o controle de preços por parte do governo, um congelamento “branco”.
    E sempre que se congela, há desabastecimento; e aumento de preços posterior.
    Diminui-se a credibilidade do álcool como alternativa viável aos derivados de petróleo e perdem todos os envolvidos na cadeia produtiva.
    Como o governo controla o preço dos combustíveis fósseis, por via indireta (através do monopólio de fato da Petrobrás) ou por via direta (através da carga tributária, principalmente a CIDE), fica difícil se esquivar das pressões pelo controle estatal.
    Esta era uma armadilha que o atual governo poderia ter desarmado, simplesmente se recusando a intervir. Apesar de ainda haver uma considerável frota de veículos movidos exclusivamente a álcool, o grosso dos nossos usuários é formado por proprietários dos chamados bi-combustíveis.
    Por ser um mercado livre de monopólio, se bem que alguns acreditam que o altamente concentrado mundo das usinas é um oligopólio, caberia ao governo apenas se eximir da intervenção.
    Teria todas as desculpas para isso: o álcool é uma commodity agrícola e como tal espera-se que seu preço flutue; os maiores interessados em manter o mercado são os próprios usineiros e, os consumidores têm opção de usar gasolina.
    Como é ano eleitoral resolveram mostrar serviço e perderam uma excelente oportunidade para ficarem quietos.
    Fizeram um acordo que foi descumprido imediatamente, os preços não recuaram e o governo mostrou inoperante, de novo.
    Muito bom que isso tenha ocorrido, da próxima vez talvez o governo de plantão deixem as leis de mercado agirem livremente, não passem vergonha e não ameacem mais uma vez transferir renda para agentes econômicos escolhidos a dedo.

    quinta-feira, 16 de fevereiro de 2006

    Sobre o patrimônio líquido nacional

    Este artigo tem a intenção de chamar a atenção para o excelente ponto apresentado por Stephen Kanitz no texto “O Patrimônio Líquido Nacional”, que pode ser lido no link : http://www.kanitz.com.br/veja/patrimonio.asp .
    Da mesma forma que não devemos nos ater apenas a idéias importadas e descontextualizadas nos demais campos das ciências, marcadamente nas humanas, não devemos olhar apenas para um conceito, criado no primeiro mundo e que levas as particularidades de lá em consideração, para tentar desenvolver o país.
    Investimentos em programas para melhor aproveitar a base instalada ou conseguir com que investimentos surtam efeitos mais duradouros na nossa economia são o que uma economia como a nossa deve fazer para alcançar um desenvolvimento sustentável e riqueza a longo prazo.
    Aumento do PIB é apenas um dado ilusório, um aumento de fluxo, que pode corresponder ou não a mais riqueza na sociedade.

    quarta-feira, 15 de fevereiro de 2006

    Será coincidência?

    No tão comentado renascimento do Real Madrid, que foi o confronto deste com o Zaragoza, mostrou-se o quanto falta aos europeus de poder para enfrentar a copa do mundo que se avizinha.
    O agregado do confronto mostrou um número impressionante de gols, onze; sem contar o mal anulado de Ewerthon.
    Só que estes onze gols foram todos marcados por sul-americanos. Sete por brasileiros e quatro por argentino.
    Não que seja um indicativo irrefutável de poder dos times do Novo Mundo, mas se eu fosse um dos técnicos europeus estaria com as barbas de molho.
    Ainda mais quando se vê que as opções aos goleadores sul-americanos geralmente são encontradas na África ou em paragens mais inesperadas, como a Oceania.
    As partidas entre Real-Zaragoza podem indicar apenas uma coincidência, mas será?

    terça-feira, 14 de fevereiro de 2006

    Financiamento público de campanha: última saída?

    Devemos desconfiar quando todas as correntes políticas começam a querer a mesma coisa.
    A coisa no momento é o financiamento público de campanhas políticas.
    Vejamos. Aquele político que se elegerá na próxima campanha será um servidor público, trabalhará com o intuito de fazê-lo bem e de apenas melhorar a vida do povo. Certo?
    Seria em uma utopia, mas isto é o mais longe da verdade que poderíamos estar. O político não é um servidor do público de modo geral, é de certos públicos (aqueles que o levaram ao cargo) quando não apenas de si mesmo.
    Mesmo os que são eleitos para cargos majoritários não representam todos os eleitores do governo executivo que comandará, embora seja responsável por instituições que influirão na vida de todos que residem na área que gerirá, e as vezes de áreas circundantes.
    Somente isso já serviria para colocar em dúvida o tal financiamento público de campanha, que de fato já existe, e é vultoso, na forma da propaganda eleitoral gratuita de rádio e teve.
    Porém a verdade é que caso seja implantado o novo sistema de financiamento acabaria por agravar a bi-tributação a que somos vítimas reincidentes.
    Pagaríamos para a eleição de “representantes” que não nos representam e que teriam um reforço de caixa com os fundos públicos, além dos recursos dos grupos que eles realmente representam; sejam eles contabilizados ou não, caixa 1, ou 2, ou 3 ou mesmo 4.
    Perpetuaria também, ainda mais do que são hoje, os grupos no poder. Ainda mais se florescer o balão de ensaio do financiamento exclusivamente público.
    A solução passa mais pelo fortalecimento da educação da população e do incentivo à maior participação política da sociedade.
    Os avanços das formas de comunicação geraram modos mais diretos e baratos de contato com as massas de eleitores. Restará aos partidos mudar a acepção que a palavra tem aqui; de agremiação quebrada e cheia de caciques para a de uma instituição que representa consistentemente uma parcela da sociedade.

    segunda-feira, 13 de fevereiro de 2006

    E que aumente a valorização

    Está mais do que cristalizado, para os comentaristas econômicos, o fato de que o real está sobre-valorizado.
    Não é apenas por enxergar um contra-senso entre isto e os superávits seguidos da balança comercial e os aumentos muito maiores das taxas de crescimento das exportações do que as das importações ou do PIB que discordo disto, apesar de que estes números têm grande peso nas minhas impressões.
    Mas o que tem mais peso nelas é o fato de que as coisas aqui são muito mais baratas do que lá (tomando-se lá como os países ditos desenvolvidos). Com a honrosa exceção dos produtos cujos preços são influenciados pelo governo; transporte público, telecomunicações, ensino de qualidade, produtos eletrônicos (que têm alto índice de componentes importados) etc, etc ...
    Como explicar que, com os mesmos euros ou dólares, eles comprem mais aqui do que em seus países de origem? Ao meu ver só pode significar que os preços aqui estão distorcidos por moeda corrente sub-valorizada.
    Já sei o que estes críticos irão dizer, que os salários aviltantes que nós recebemos é a real causa da distorção. Pode até ser que eles influam fortemente, só que ainda creio que o real não está sobre-valorizado. E não vai ser a opinião dos exportadores de soja ou dos industriais da Fiesp que me fará mudar de idéia.
    Se estes fossem para se levar a sério, a intervenção cambial por parte do governo deveria ter se iniciado quando este estava nas módicas taxas de 3,6 reais, que poderiam levar a superávits sustentados. Lembram? E alguns deles, mais pessimistas, diziam que 3,1 era o piso suportável que impediria a quebradeira.
    Hoje estamos a 2 e pouco, muito pouco, e permanecemos exportadores.
    Houve muita choradeira com relação ao câmbio e muito pouco com relação a melhora normativa da economia brasileira, que aumentaria a produtividade, e a competitividade entre as empresas.Posso até ser uma reedição dos entreguistas do passado, um démodé, mas prefiro o câmbio assim. Se entre o “super-valorizado” como está e o “equilibrado” 3,6 que concentra mais renda do que a política de juros do BC consegue ao menos imaginar, prefiro o trilho que estamos seguindo agora.

    sexta-feira, 6 de janeiro de 2006

    Nada a ver com isso

    A quem interessar possa e para que não paire dúvidas informo que; nas duas vezes que passei pela imigração inglesa meu visto foi concedido por funcionárias femininas e não houve teste do sofá.

    sábado, 10 de dezembro de 2005

    Informalidade

    Em duas semanas seguidas a revista Veja recheou suas página internas com matérias que dizem, em suma, uma coisa: a informalidade é o motor (freio-motor, é claro) da falta de crescimento da economia brasileira.
    É claro que cada momento é um momento, mas, eu me pergunto, como era a formalização da economia há 30 anos?
    Será realmente que nossa economia está se tornando mais e mais informal ou ela se mantêm da maneira que sempre foi?
    Sinceramente não tenho a resposta. Mas desconfio que as coisas são mais ou menos da maneira que sempre foram. Só estamos recebendo mais notícias a respeito da informalidade.
    Vejam meu ponto de vista.
    Quando se deu o milagre brasileiro a grande maioria da população vivia no campo, e grande parte das relações de troca eram exatamente isso, troca (ou escambo, a forma mais precisa e incomum de se dizer); mais informal impossível.
    Um diferencial importante hoje em dia é que se faz muito mais espuma sobre o assunto com a universalização da previdência social, com as pressões externas pelos direitos a propriedade intelectual, etc...
    Não estou querendo dizer com isso que sou a favor da informalidade, que em alguns casos não passa de crime mesmo, só estou tentando dizer que o buraco é muito mais embaixo.
    Creio até que o maior problema não é a informalidade de uma parte da nação e sim o excesso de formalismo da outra parte.
    É a inexplicável via-sacra que temos que percorrer quando tentamos abrir uma empresa; é o caminho para o purgatório quando devido a uma obscura mudança de norma nos joga na irregularidade; é a dificuldade de acesso à justiça e todos os outros suplícios que um empreendedor sofre no exercício da função.
    Em resumo, o que nos atrasa é o setor público e a sua falta de competência.
    Tentar jogar a culpa em outra instância é muito cômodo, porém não é verdadeiro. A informalidade da nossa economia é um processo histórico que começou em um ponto indeterminado e talvez nunca terminará. A patinada econômica se iniciou há 25 anos.
    Algo mais tem que explicá-la.

    quinta-feira, 8 de dezembro de 2005

    Pergunta:

    Não é espantoso como tantos declaram que a nossa moeda deve ser desvalorizada e outros tantos, por vezes até os mesmos tantos, declaram que se deve combater a inflação, pois ela deteriora o poder de compra desta mesma moeda?

    sexta-feira, 25 de novembro de 2005

    A cara da crise (você, eu e todos que nada fazemos para que os "responsáveis" o sejam)

    Só o que se ouve atualmente é que a crise disto, crise daquilo e, talvez, até uma crise institucional entre os poderes da República.
    Porém, se há uma crise de fato, é a crise de responsabilidade das autoridades constituídas.
    A estas não se cobra a responsabilidade pelos seus atos; como se imagina que eles próprios se sentirão responsáveis por estes? Só a fé na raça humana mesmo poderia nos fazer crer nisto, e ela está desacreditada não apenas nestas paragens.
    Tomemos como parâmetro o notório caso do juiz de Contagem que anda soltando condenados. Se aos possíveis, na verdade prováveis, delitos destes ex-detentos fosse imputada co-autoria ao excelentíssimo juiz, nenhum deles estaria nas ruas. Estariam todos muito mal-confinados em Contagem, de modo que os crimes seriam de outros.
    E quem seriam estes outros. Em última instância de nosso presidente, Lula, e do governador do estado de Minas Gerais, Aécio Neves – mas podemos dizer o mesmo de todos os governadores do Brasil, uma vez que não existe nenhum estado no qual este problema está equacionado. Se as cadeias e prisões estão neste estado lastimável, é por que os administradores públicos não dão a mínima para o problema da população encarcerada deste país.
    Todos os administradores deveriam, já há muito, ter resolvido estes problemas. Mas quem liga para os presos? Boas condições destes dão votos para quem? Aqueles que morrem ou ficam doentes quando internos destas instituições podem cobrar de quem?
    No máximo pinta um processo contra o Estado, este eterno provedor.
    O diretor da prisão pode eventualmente ser trocado, o juiz corregedor pode eventualmente ter uma noite mal dormida para se defender das acusações. O Secretário de Segurança Pública nem ao menos fica sabendo, imaginem o Governador ou o Presidente.
    Só que esta situação não ocorre apenas neste quesito da administração pública. Está em todos os aspectos de nossa administração.
    Está na lei mal escrita, na decisão mal tomada, na estrada mal construída e na investigação mal conduzida. Em tudo então.
    No dia em que as ações ou omissões irresponsáveis começarem a trazer conseqüências aos hímens públicos desta nação este país estará automaticamente consertado. Tudo funcionará como em uma orquestra de virtuoses e todos poderemos dormir tranqüilos.
    Até lá, estaremos no Brasil.

    Obs: aparentemente o juiz de Contagem (o nome é muito complicado para que eu atreva a tentar escrevê-lo) está coberto de razão, perante a lei. Se a sociedade não tem condições de manter os detentos em situação ao menos decente, como podemos querer que ela os mantenha detidos?

    quinta-feira, 24 de novembro de 2005

    E o cínico sou eu?

    Nada mais desagradável do que assistir aos depoimentos destes deputados acusados de receber verbas “não-contabilizadas” das contas de Marcos Valério ou, como preferem alguns, do Valerioduto.
    Hoje, João Paulo Cunha teve a cara de pau de dizer que não havia nada de errado em com o que havia feito. Recebeu sim, os recursos, e daí?; disse.
    A culpa tinha toda sido do tesoureiro, aquele demoníaco ser que faz brotar dinheiro, não se sabe de onde, para toda e qualquer necessidade.
    O deputado do partido amigo está sendo ameaçado de perder o cargo; chama o tesoureiro.
    Precisamos de uma pesquisa eleitoral, chama o tesoureiro.
    Queremos um álibi, tesoureiro.
    Assinei sem ler, o culpado é o mordomo, quer dizer, o tesoureiro.
    O partido está metido em um atoleiro financeiro, é claro que o culpado é o tesoureiro.
    Culpado, não, desculpe, me expressei mal. O responsável é o tesoureiro.
    Nesta crise toda não há culpados, além de Roberto Jefferson.
    Os outros são apenas vítimas da situação. Todos têm bom coração, querem o melhor para o povo.
    Se andam recebendo caixas de conteúdo suspeito, é para melhorar as relações com os países amigos.
    Obras suspeitas financiadas pelo BNDS mundo afora? Oras, são países amigos.
    Carros de presentes? Mas quanta desconfiança, são primeiros-secretários amigos.
    Centrais de negócios em Brasília? São apenas ex-amigos.
    E os indícios de irregularidade? Todos baseados em denuncismo irresponsável, todas as denúncias são vazias, nada ficou provado, mesmo quando as provas estão aí aos olhos de todos.
    Quem não acredita nas desculpas; esfarrapadas, diga-se de passagem? Um bando de militantes da elite, desgostosa com os lucros crescentes de suas aplicações financeiras. Ou não era este o raciocínio de Joãozinho Trinta, que quem gosta de luxo é o pobre. Nossas elites devem estar fartas de verem o seu aumentando.
    Já fui acusado muitas vezes de ser cínico, mas se quero mesmo aprender a sê-lo, terei que fazer um estágio em Brasília. É lá que estão os mestres.

    quarta-feira, 23 de novembro de 2005

    Volta das férias

    Após dois meses de ócio e preguiça, estou de volta.
    Como não tenho que me preocupar com os leitores, que ainda não tenho, começo amanhã, ou depois, ou depois ainda....

    quarta-feira, 7 de setembro de 2005

    Voltando aos juros

    É mais do que certo que o país não pode manter estas taxas de juros indeterminadamente. Se pagamos pelos empréstimos juros mais altos do que o crescimento do PIB, é óbvio que em algum momento nossa capacidade de saldar estes empréstimos será ultrapassada. E quanto mais alta for esta diferença, mais rápida será alcançado este limite de solvência. Portanto, estamos jogando fora a capacidade de endividamento e estamos conseguindo com isto apenas mais dívidas.
    Há apenas duas possibilidades em que torna moral e economicamente possível aceitar o endividamento de um poder público. Quando estes empréstimos possibilitam que um serviço essencial seja exercido ou quando eles fazem com que a infra-estrutura fornecida pelo estado possibilite um crescimento econômico maior do que as taxas de juros, tornando a sociedade como um todo mais rica, e - por tabela - aumentando a capacidade de estes empréstimos serem saldados.
    Estas duas possibilidades lógicas não estão sendo cumpridas, então as taxas de juros que nosso estado está pagando, voluntariamente, estão empobrecendo toda a sociedade, em benefício de uns poucos que possuem capacidade para aplicar em títulos públicos, tanto aplicadores estrangeiros quanto brasileiros.
    Esta política de juros altos é até o momento subsidiada pelo aumento de tributação da sociedade, e será assim até que a sociedade impeça que esta expropriação continue.
    Uma expropriação que começa hoje através de impostos e continuará no futuro pela divida crescente ou pela moratória que certamente virá pela incapacidade de pagamento caso este processo persista.
    Isto não é uma questão de pensamento de esquerda, que certamente não tenho, mas de pura lógica.
    Tentar assassinar a lógica com base em falsas premissas de combate a inflação é um crime de responsabilidade, que o atual governo está cometendo com todo o “fervor revolucionário”.

    Gigante desnaturado

    Os dias vão passando e continuamos a ter a maior taxa de juros reais do mundo.
    Por quê?
    Todos os defensores afirmam que é devido ao combate a inflação, mas será verdade?
    Juros altos combatem a inflação com características brasileiras? Tenho minhas dúvidas.
    Juros são eficazes em situações em que há uma grande demanda reprimida e facilidades de crédito para que as pessoas possam atender esta demanda, o que poderia fazer com que a oferta ficasse desequilibrada.
    No Brasil certamente existe uma grande demanda reprimida, sem dúvida, mas o crédito é tão restrito que chega a ser ridículo que tenhamos que tentar dificultá-lo ainda mais.
    Outro detalhe é que o crédito é dificultado indistintamente. Mesmo o aumento de produção, que certamente faria a oferta maior, combatendo possíveis surtos inflacionários, tem taxas altamente desencorajadoras.
    Ainda mais se calculamos as taxas de retorno das empresas, na média menor do que 10% ao ano, com as taxas de retorno dos investimentos em títulos públicos, atualmente maiores do que 14% no mesmo período. Que capitalista quereria arriscar seu capital e ainda trabalhar se pode emprestar seu dinheiro para o governo, viver de juros e com riscos muito menores; concordo com vocês, só um capitalista louco.
    Desta maneira, ao invés de diminuirmos as condições para que tenhamos inflação baixa, estamos criando uma bomba que poderá ter um efeito inflacionário no futuro, quando esta demanda for liberada.
    O pior de tudo é que estamos utilizando este instrumento contraditório como se nossa economia fosse totalmente submetida às compras no crédito, quando estas estão presentes apenas em uma pequena parcela da economia formal.
    Como esta economia formal é responsável por perto da metade da economia real, estamos utilizando o remédio com doses exageradas em uma parcela para tentar conter os preços de todo o sistema.
    E todas as medidas que poderiam fazer com que a realidade se aproxime da oficialidade são deixadas para lá, pois é mais fácil descontentar a uma grande e amorfa parcela de brasileiros que tentar mudar as regras atuais do jogo, que têm vencedores ativos e que se aproveitam do gigantismo do Estado em relação à nossa economia.
    Não precisamos de choques de gestão, de capitalismo, de eletricidade; precisamos apenas acordar para o óbvio, que os agentes públicos devem pensar no público e restringir-se isso.
    Esta já seria a grande revolução, e problemas como este do gigantismo do Estado e de sua dívida seriam coisas do passado.

    segunda-feira, 5 de setembro de 2005

    Golaço?

    Admito que o gol do Robinho cause admiração pois passou por todos os "mágicos" do quarteto, só que não vamos fingir que aquilo foi combinado.
    Depois do lançamento açucarado de Robinho para o Adriano, e do eficiente drible que o centravante deu para se desmarcar, este deu uma engrossada fenomenal.
    O cruzamento que o Adriano deu foi digna de zagueiro de roça. Temos que exaltar a recuperação do Kaká, que conseguiu do jeito que deu, que deixou a bola em condições boas para que Ronaldinho pudesse presentear Robinho com o gol.
    Se tudo somado foi plasticamente bonito, foi um acidente.

    sábado, 3 de setembro de 2005

    A maior nação da terra

    Esta é a expressão mais ouvida em qualquer reunião de norte-americanos falando de seu próprio umbigo.
    Como qualquer um que fala, pensa e vive olhando para seu próprio umbigo, não conseguem ver um palmo adiante dos narizes, talvez devido à protuberância adiposa em meio ao qual este umbigo está.
    Se conseguissem olhar um pouco ao redor de si próprios, os norte-americanos teriam percebido que há muito não há nada que os possa por em posição que justifique esta expressão.
    Primeiro por que não existe esta grande nação americana. Como podemos ver claramente nos vídeos sobre a catástrofe, há pelos menos duas nações bem distintas e não comunicantes. A afro-americana e a dos outros; particularmente acredito que há muitas outras naquele país.
    Estas duas não se comunicam, não se misturam e não se gostam. Vivem se afrontando mutuamente e consideram a outra culpada pelas mazelas de sua sociedade.
    O segundo ponto que não tem nenhuma conexão com a expressão é o de ser a mais avançada tecnologicamente. De fato houve uma época em que eles primavam pela mais avançada tecnologia na face da Terra, só que isto foi a muito, muito tempo atrás; talvez nos primórdios da revolução digital.
    Hoje, a tecnologia está bastante disseminada, e todas as novas “maravilhas” apresentadas dia após dia parecem ter em seu coração dna europeu ou asiático. Para não dizer que os norte-americanos não contribuem com nada, está aí o marketing dos quais eles ainda são os reis.
    Só que como são os reis do assunto, eles devem saber que marketeirismo necessita de um substrato, por menor que seja, para prosperar.
    Esta aí a razão da forma pela qual a popularidade de George W. Bush está fazendo água tão rápido quanto a cidade de Nova Orleans. Em tudo, tudo - repito, tudo - que se propôs, o governo Bush fracassou.
    Como querer que os outros creiam que um fracasso atrás do outro demonstre que uma nação é a maior.
    A população dos Estados Unidos deveria pegar o exemplo de seu presidente e derrubar o líder de uma nação que atrapalha seus planos e bem-estar.
    O derrubado seria certamente um tal de W. Bush.

    quinta-feira, 1 de setembro de 2005

    A força do terrorismo

    Enquanto os ocidentais ficam se lamentando de sua sorte por ter que lidar como terrorismo islâmico, os iraquianos são forçados a carregar um fardo muito mais pesado.
    Este é uma combinação de guerra civil pelo poder, revanchismo étnico, ocupação estrangeira, luta contra esta ocupação e terrorismo puro e simples.
    Este caldo trágico mostrou sua força assassina ontem, com a tragédia que vitimou mais de mil pessoas, durante procissão xiita.
    O pânico foi tão grande que provocou estas mortes e ferimentos baseados unicamente nos gritos de que haveria um homem-bomba no meio do cortejo, de existência não comprovada.
    Esta é a verdadeira vitória do terrorismo. Desde a mais famosa ação deste conflito, aquela de 11 de setembro, ocorreram mudanças de regimes, de governos e de políticas; tudo motivado por atos e contra-atos terroristas.
    Embora algumas destas ações tenham sido menos motivadas pelo terrorismo, e sim utilizado esta bandeira anti-terrorismo como diversionismo, tudo agora passa a formar uma enorme corrente de transmissão que passa a levar frustrações e problemas locais para um nível local.
    Tomemos um caso isolado, o assassinato do brasileiro Jean Charles de Menezes. Aquele foi claramente um caso terrorista, no sentido de dizer para os possíveis “atentadores”: olhem o que faremos com vocês; nós não importamos com os da sua laia; vocês não são nada.
    O maior problema para os policiais que o executaram foi que estes foram de uma incompetência a toda prova. Além de matarem um inocente, perderam todas as chances de neutralizar aquele que poderia ser um terrorista – lembrando que ele esteve em um ônibus e em um vagão de metrô, no qual foi executado, e, caso fosse esta sua intenção, poderia ter explodido um dos dois. Sem contar com a tentativa má-sucedida da Scotland Yard de fraudar as investigações independentes sobre o caso.
    O próprio Iraque se converteu de um Estado autoritário, mas estável, em um território em balbúrdia. Sem segurança, sem governo e em colapso econômico. E com milhares de terroristas circulando livremente.
    Em resumo; os estados democráticos pioraram, os autoritários pioraram, as perspectivas de vida pioraram. Portanto os objetivos dos terroristas islâmicos estão mais próximos, eles estão vencendo.