quinta-feira, 30 de abril de 2009

Velhice e riqueza

Já escrevi aqui, não passa de uma falácia a história de que os países avançados terão crises econômicas, com perda de riqueza, devido ao envelhecimento da população.
As pessoas acumulam patrimônio com o decorrer da vida, que pode ser usado na velhice para manter a roda da fortuna girando.
Há um porém. Estados ineficientes impedindo o acúmulo de capital pelos cidadãos podem trazer a ruína. E Estado ineficiente é um pleonasmo vicioso.
Logo, logo, os Estados do Bem-estar Social mostrarão a que vieram. Os do Mal-estar também. E o pior que a geração pagadora será a minha, primeiro, e da dos filhos da minha, depois. Justo aquela que acredita em um outro mundo possível.
Justiça poética, mas eu pagarei de bocó.


Foto: http://blogvivermais.wordpress.com

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Flamengo, nossa GM



Lá, o governo vai assumir grande parte da GM. Aqui, cedo ou tarde, o governo confessará que é o dono do Flamengo.
Como a indústria automobilística norte-americana, o futebol é a nosso representante máximo. E está falido.
Leonardo, dirigente do Milan, já decretou que os clubes devem ser vendidos. Eles já foram. As dívidas trabalhistas são muitas vezes maior do que o patrimônio das equipes. Quem dirá as outras dívidas.
É ruim, politicamente, enfrentar as massas. Por isso os clubes continuam existindo, apesar da falta de viabilidade econômica. Algum dia, entretanto, a corda estoura.
Creio que será mais cedo do pensamos.

terça-feira, 28 de abril de 2009

Tenologia natimorta III

Pobrezinha,mais uma para a lista.
Para que armazenar tanta informação em casa se podemos dispor dela pela internet.
Repito o que disse a respeito do Blu-Ray e do HD-DVD. Pode até servir para alguns usos muito restritos, mas não mudará um pingo na forma como assistiremos vídeo no futuro próximo.

É um sapo...

Todo mundo se engana, é apenas Gian, o bacana*.
Transformaram meu aniversário no dia do "Salvem o Sapo". Antes tinha a honra de ser o nome do aeroporto de Bagdá. Dividia a data de nascimento com Sadam.
Sapo ou Sadam, qual será melhor?

*Referência ao Vira-lata (Underdog)

segunda-feira, 27 de abril de 2009

O princípio do fim de um sonho

Estava marcado para o dia 29 o início das inspeções de campo no Rio de Janeiro, mas como a comissão já chegou, podemos decretar: está valendo. Precederam-no as cidade de Chicago e Tóquio e o seguirá Madri. Qualquer uma que seja bem feita verificará que, infelizmente, o Rio não tem nenhuma condição de receber os Jogos Olímpicos.
Na verdade, nenhuma cidade da América do Sul tem. Mas sonhar não custa nada, para o COB. Para nós a conta é de 100 milhões, só para fazer o caderninho de encargos.
Qualquer um irresponsável ao ponto de, dadas as carências da cidade, jogar tanto dinheiro fora, deveria ser cassado. Não será, entretanto; dinheiro público, aqui, é para ser torrado.
Quando mais glamorosa for a fogueira, melhor.

<a href="http://www.joost.com/135bb9j/t/Eurythmics-Sweet-Dreams-Are-Made-Of-This-Video">Eurythmics - Sweet Dreams (Are Made Of This) (Video)</a>

domingo, 26 de abril de 2009

Cascalho

A partida mais injusta dos últimos tempos.
Teremos que reverter no Pacaembú.

sábado, 25 de abril de 2009

Fato político, sim

Discordo do Reinaldo Azevedo sobre a não-exploração política do linfoma de Dilma Rousseff.
É fato que uma doença não diminui ninguém, moralmente, mas afeta, e muito, sua capacidade de trabalho. Temos como exemplo o vice-presidente, em toda a duração do governo Lula até aqui, só se falou de duas coisas sobre ele, sua propensão a execrar a política de juros do Banco Central e suas idas e vindas aos hospitais, para tratar tumores abdominais.
Linfomas, até onde sei, costumam ser muito agressivos. Afortunadamente, Dilma parece tê-lo descoberto em um fase inicial, mas a batalha deverá fragilizá-la. A saúde de uma pessoa, mesmo pública, é do âmbito privado, mas em um candidato à presidência, isso se torna de foro público.
Já tivemos muitos casos em que o mandato foi exercido em grande parte pelo vice. O mais célebre, o governo Sarney, padeceu de uma falta de representatividade que, na minha opinião, semeou grande parte dos males políticos que enfrentamos hoje.
A saúde das pessoas que se candidatarão ao mandato que inicia em 2011 é sim um dado importante. Ignorá-la pode nos trazer problemas no futuro.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Não quer ver?

Joaquim Barbosa, o homem das ruas, anda, anda e não enxerga o que vê. Tanto é assim que costumava bater uma bolinha na mansão do Agaciel e não estranhava nada o estilo de vida do amigo.
Agora vem tenta passar uma descompostura no Gilmar Mendes, que estaria sonegando informação. Será que as informações também não estavam bem embaixo de seu nariz neste caso também?

Telemarketing eleitoral

Raul Jungmann soltou essa pérola no programa político de seu partido, ontem: "O governo vai mexer na poupança, como fez o governo Collor. E o PPS vai estar lutando para que isso não aconteça".
Então, se vai mudar, e parece ser definitivo pela afirmação do deputado, basta nos informar, não há como o PPS fazer nada.
Das duas uma, ou a língua portuguesa perdeu suas relações de causa efeito na última reforma ou o parlamentar anda estudando pelos manuais de telemarketing.
Vamos estar analisando as possibilidades

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Não custa perguntar

Como a imprensa repercute uma informação passada por um órgão que revê em três meses o aumento do Pib de um país de 1,8% positivo para um 1,3% negativo.
Já mostra que é puro chute. E palpite por palpite sou mais o meu.
Tenha santa paciência.

Fazendo o errado da melhor maneira possível

Já que há o limão e a sede, que façamos o suco com carinho.
Os estadunidenses têm uma visão errada de sua própria economia. Acreditam que o Estado participa pouco, que estão em uma ilha de liberalismo em um mar de socialistas. Esquecem-se que seu maior complexo industrial é o militar, bancado basicamente com recursos públicos, e que de lá saem a maioria das inovações tecnológicas. O custo, porém, é gigantesco. Eles gastam com o aparato bélico mais do que todas as outras nações em conjunto, e não estão garantindo seus objetivos.
Como vivem iludidos, o keynesianismo surge, ao que parece, como a solução para crise. As tentativas para salvar a economia de lá descambarão para intervencionismo estatal generalizado. E nada leva a crer em melhores resultados serão alcançados. Os Estados são intrinsicamente ineficientes. Toneladas de dólares foram despejados nos bancos, e ... nada. Bilhões para as montadoras, e ... adiadas as concordatas, que, certamente, virão.
Neste quadro de intervenção, o melhor a fazer é carrear os recursos para as novas tecnologias. A idéia de Obama de usar os fatores de produção excedentes neste momento de recessão para ter energia elétrica sobrando na retomada é o melhor que se pode fazer.
Serão quilowatts a custo de ouro, mas é melhor isso a abrir buracos para tapá-los mais tarde. Nossos luláticos querem apenas aumentar os gastos correntes. Quem parece ter mais razão?

E não abre

E a Hillary concorda comigo.
Transigir com os intransigentes não levará a nada de bom.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Retroceder, nunca; render-se, jamais

Esta área que você vê em amarelo, no mapa ao lado, foi entregue ao domínio talibã, há pouco, como parte de um acordo para pacificar a "fronteira noroeste" e as zonas tribais do Paquistão.
Desde a morte de Benazir Bhutto, aquele país entrou, definitivamente, na zona de preocupação das nações ocidentais. A revista The Economist decretou, logo após o assassinato da ex-primeira ministra, que se tratava do país mais perigoso do mundo, graças a combinação de pobreza extrema, fundamentalismo religioso, líderes milicianos locais e arsenal nuclear.
Não bastasse os elementos apontados acima, o ditador, ao menos nominalmente, pró-ocidental foi defenestrado do poder, e nenhuma força conseguiu se colocar indiscutivelmente no lugar. Um país criado artificialmente em claro processo de desintegração, esse é o resumo da situação atual.
Como em muitos outros que se fragmentaram com o declínio do poder central (o Império Soviético é nosso exemplo recente mais vistoso), pouco pode ser feito para conter o desastre. O que é mantido pela força, necessitará sempre dela para ficar estável. Localizado no subcontinente indiano, unificado administrativamente pelo Império Britânico, que outrora o dominou, o Paquistão é resultado de secessões sucessivas. Primeiro se separou da Índia, logo após a independência. Na década de 70 do século passado, viu a seguir Bangladesh ganhar soberania. Agora assiste as zonas montanhosas do norte ganharem cada vez mais autonomia.
O erro, neste momento, é negociar com quem não acredita em acordos. Os radicais islâmicos crêem que estão imbuidos de uma missão divina: tornar todos os humanos praticantes de sua forma particular de religiosidade. Para isso, não admitem conceder em nada. Estando do lado de deus, como poderiam se submeter às leis dos homens? Sem nenhum poder militar a coibi-los, tentarão eles ser a potência soberana na região.
Winston Churchill disse, certa vez, que, entre a guerra e a desonra, Grã-Bretanha e França escolheram a desonra, e teriam a guerra. O Paquistão fez escolha semelhante ao abrir mão do monopólio da lei no Vale Swat. A desonra chegou rápido, a guerra quase tanto quanto.
Que falta fazem as aulas de história mundial aos dirigentes desse nosso planeta.

terça-feira, 21 de abril de 2009

Lugo é contra os preservativos


Com um filho atrás do outro aparecendo, está provado que o bispo Lugo era bastante seletivo quanto aos dogmas da igreja católica.
Se ignorava o celibato dos sacerdotes, concordava com o Papa na não utilização dos preservativos. Resta ainda saber qual era seu posicionamento quanto ao sexo com motivos não procriatórios.
Ao primeiro sinal de que sua máscara estava rachando, o Fernandinho de lá fez uma reforma ministerial. À segunda, prometeu endurecer a questão Itaipu. O hipócrita age tergiversando.
Tenho a impressão que os filhos de Lugo sairão caros para ao Brasil. Mas até aí nenhuma novidade, viramos o cordeiro dos idiotas latino-americanos. Ao menor sinal de problemas, espiamos seus pecados.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Manual do perfeito idiota panamericano

Vai ser o caos a Bíblia do idiota é best-seller novamente.
Só que agora tem alcance maior do que os esquerdistas do subcontinente. Será que os esquerdistas ao norte do Rio Grande mexicano irão começar a gritar: Ianques, vão para casa?
Se sim, Nova Iorque não vai suportar...

domingo, 19 de abril de 2009

Leitura sugerida

Sugiro a leitura do seguinte texto.
Mostra de onde surgem as crises inerentes ao capitalismo como conhecemos.

sábado, 18 de abril de 2009

Obama ganhou a Bíblia do idiota


Vindo de Chávez, não poderia ser um presente melhor escolhido.
Para marcar uma reaproximação entre suas nações, o presidente da Venezuela deu um livro a Barack Obama. Nada mais, nada menos do que As veias abertas da América Latina, de Eduardo Galeano.
Espero que o homem tenha o corpo fechado, só nos falta um presidente da nação mais endividada do mundo contaminado com as idéias que mantém nosso subcontinente em permanente estado de subdesenvolvimento e conflagração social.
Se já não tivéssemos problemas demais.

Quanto ao comentário da postagem de ontem

O leitor Danilo Balu fez o seguinte comentário sobre a postagem de ontem:
"Compricado... acho que faz tudo mto sentido. Mas ainda me pergunto se é possível deixar apenas que o livre-mercado regule tudo. Vc não acha que há um consumo absurdamente exagerado de energia que pode ser combatido? Hj com exceção do discurso dos ecochatos, deixamos os recursos naturais irem acabando e os preços vão lentamene subindo freados pelo aumento da eficiência que impedem que explodam por redução de insumos básicos.
Eu sou liberal na veia, mas e se houvesse taxação de formas mais poluentes de energia baseado no custo dela sob o meio-ambiente? É possível? É! É fácil? Ninguém disse que seria!
Eu não consigo entender como haja ainda tamanho uso de certos materiais como plástico ou mesmo petróleo em qitdes mto "evitáveis". Isso resvolveria o problema de energia no futuro? NÃO MESMO! NEM DE LONGE! Mas não acha que ignorá-lo 100% não é burrice?
Abrax
"

É um comentário que levanta muitos questionamentos que não apenas o Danilo (clique aqui para ver seu blog) deveria fazer, mas todos nós. Estamos fazendo as escolhas certas no tocante à nossa preservação?
Escrevi muitas vezes neste blog sobre assuntos que tangenciam esta questão central. E tomarei a liberdade de indicar dois livros: Desenvolvimento Sustentável: O desafio do Século XXI, de José Eli da Veiga, e Os economistas e as relações entre o sistema econômico e o meio ambiente, de Charles C. Mueller. São daqueles que deveriam constar da bibliografia básica de todos os cursos e mostram a visão de dois estudiosos do assunto.
Agora vamos a minha opinião sobre algumas perguntas que o Danilo deixou no ar. Há um consumo exagerado de energia? Não creio. Energia é a chave para o bem-estar da população, e não é um fator limitante quanto percebemos a quantidade que recebemos do sol diariamente. Há, porém, um desequilíbrio na utilização, tanto de concentração, quanto nas formas preferenciais de seu uso. Enquanto um americano, por exemplo, sofre pelo excesso de energia de que dispõe (criando facilidades que confluem para a obesidade), um darfuri morre com a falta dela impedindo que usufrua de saneamento básico e água tratada.
Tendo a acreditar que o livre-mercado faz milagres, mas a sua existência não implica necessariamente, e nem é desejável que assim seja, em ação das empresas sem nenhum controle social. Uma das premissas básicas do mercado perfeito (a de que todos os participantes tem acesso a todas as informações) é falsa, causando a impossibilidade da melhor escolha das partes. Daí a porta para a ação estatal, que também não nos livra de todo, pois o Estado é composto de humanos como nós, tão passíveis de falha quanto. Externalidades negativas devem ser coibidas pela sociedade, devemos, entretanto, ter cuidado para não fazer o mesmo com as positivas.
Os recursos naturais inanimados são finitos, é fato, mas são passíveis de reuso e reciclagem. O perigoso maior é causar um colapso dos recursos vivos, que não podem ser repostos, a não ser que haja um grande avanço na genética, e interagem de modos que não compreendemos completamente. Cabe lembrar que ta,bém somos vivos e podemos ser pegos por essa interação.
Os Estados Unidos da Ámerica deram um importante passo, ontem, para taxar a poluição do ar. Colocando o dióxido de carbono como prejudicial à saúde humana, há a obrigação legal, moral e política de tentar evitar a emissão do gás, vejamos como será feito isso. Tenho certeza que diminuir a queima de derivados de petróleo responderá por grande parte do esquema, se ele for implantado.
Estou bastante otimista com as nossas chances, apesar de estar contrariando Georgescu-Roegen, o Homem não é 100% burro, conseguiremos sair desta.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Um dilema na energia




Um dos maiores desafios para combater o aquecimento global é mudar a matriz energética sem diminuir o bem-estar da civilização, ou, de preferência, aumentando-o. Isso requererá manter o atual padrão de uso de energia, entendido não só como a quantidade quilowatts por habitantes, mas também agregando os quesitos de constância e qualidade de fornecimento.
Quase toda a tecnologia de utilização de energia, principalmente a elétrica, é pautada por uma certo grau de previsibilidade que as chamadas fontes alternativas, de modo geral, não alcançaram. De que adianta o potencial de geração eólica do nordeste brasileiro ultrapassar o consumo de todo o país se pode ficar um dia inteiro sem ventar e o leite estragar na geladeira. O mesmo vale para os Estados Unidos, onde, segundo o World Watch Institute(original aqui), apenas os ventos de três estados poderiam suprir toda a nação.
O fato de serem facilmente estocáveis, aliado à facilidade do transporte, fez a diferença para que nossa era virasse a dos combustíveis fósseis. O mundo é, hoje, petrodependente, mas, ao contrário do que aparenta a ubiquidade das fontes de fumaça, este vício não ocorre graças à falta de poder das demais fontes.
As pirâmides egípcias foram construídas milênios antes da invenção do motor a combustão; a Holanda conquistada ao mar séculos, assim como as grandes travessias marítimas que gestaram a sociedade atual. Deste modo, há provas de que os combustíveis fósseis nem são essenciais para grandes feitos. O dispêndio de grande quantidade de energia, entretanto, é.
O Brasil é um exemplo de boa utilização de fontes renováveis, transformando a instabilidade do sol e da chuva na presibilidade dos reservatórios das hidrelétricas e tanques de álcool e biodiesel, mas a capacidade de fazê-lo está prestes a esgotar-se.
Para ampliar o uso de renováveis no matriz energética, existem dois caminhos a seguir:
  1. Construir capacidade maior do que a necessária, ampliando a redundância a um ponto em que é estatisticamente improvável que todas as fontes parem de gerar ao mesmo tempo, desabastecendo o sistema.
  2. Aproveita-se as fontes não-renováveis tradicionais para os momentos de pico de consumo.
O primeiro é apontado como o correto pelos ecologistas, temerosos do aquecimento climático antropófito ter-se tornado já irreversível. A segunda opção é a usada pelo atual modelo energético brasileiro, com as térmicas sendo ligadas em em determinadas circunstâncias.
Uma via híbrida, entretanto, pode estar surgindo com o avanço tecnológico. Aliando os picos de energia características das tecnologias renováveis com a capacidade ociosa das geradoras térmicas de suporte.
O caminho é apontado pela The Economist (artigo original aqui). Poderíamos deslocar o excesso de energia das renováveis (eles citam especificamente "fazendas de vento", mas o raciocínio é válido para as demais) para sistemas de captura de carbono do ar. O dióxido de carbono poderia ser transformado em combustíveis líquidos, como o metanol (exemplo aqui), e utilizado nas termoelétricas tradicionais. Melhoraríamos nossa segurança energética a custo climático próximo de zero.
O custo econômico ainda precisa ser calculado, acredito, contudo, que sociedades que constroem usinas para serem usadas eventualmente podem arcar com ele.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

O monstro


Quando o contratualista Hobbes resolveu usar uma figura bíblica monstruosa para descrever o Estado, o Leviatã, deveria saber do que estava falando. Para ele o estado de natureza era de eterno conflito, guerra de todos contra todos, que apenas seria apaziguado caso um contrato entre eles fosse celebrado. Só que haveria um detalhe, teriam que ceder parte de sua liberdade para a soberania do monstro, o Estado, que a ninguém era obrigado a ceder nada.
Segundo Renato Janine Ribeiro, as idéias do pensador inglês implicam que: "se ele [o príncipe] sofrer alguma limitação, se o governo tiver que respeitar tal ou qual obrigação (por exemplo, tiver que ser justo) - então quem irá julgar se ele está sendo ou não justo? Quem julgar terá também o poder de julgar se o príncipe continua príncipe ou não - e portanto será, ele que julga, a autoridade suprema. Não há alternativa: ou o poder é absoluto, ou continuamos na condição de guerra, entre poderes que se enfrentam."
Com o passar dos tempos, percebemos que Hobbes estava errado ao pregar o absolutismo. Os regimes em que o poder do Estado é podado são os que, normalmente, melhor atendem ao povo. Neste canto do mundo, entretanto, neo-hobbesianos estão a todo momento querendo aumentar sua fatia de poder. Alguns fazem até chantagem para isso. E o Príncipe vai conseguindo o que quer.
O pacto "republicano" que os quatro representantes dos três poderes (fui só eu que achei isso muito estranho) assinaram pode parecer uma coisa boa à primeira vista, mas interromper as disputas, ao contrário do que escreveu Hobbes, beneficia apenas os que estão aboletados no poder. Nenhum acordo precisaria ser feito, o simples cumprimento da lei existente resolveria qualquer problema.
Do jeito que as coisas andam, precisamos começar a pensar em um jeito de suprimir o poder do Leviatã, que anda querendo colocar suas manguinhas de fora. Nossa sorte é que quem o nomeou, também decretou que o monstro é passível de destruição.
Evelyne Pisier relata que, segundo Hobbes, o Leviatã é mortal. O caso mais comum de seu desaparecimento é sua destruição por um outro poder soberano, mas também morre se, a despeito dos comandos que impõe e da coerção que exerce, for incapaz de cumprir a missão para qual ele foi instituído, que é garantir a segurança de seus dependentes, seu direito à vida, que é inalienável e suas liberdades individuais como foram definidas pelos direitos civis.
A ignorância venceu o medo nas duas últimas eleições à presidência; a esperança, dizem, nunca morre. As coisas ainda podem mudar.