Houve um tempo em que o beneficiamento das fibras naturais representavam a quase totalidade das manufaturas do mundo. A sofisticação da indústria mudou esse quadro, na atualidade há um sem número de artigos sendo fabricados no mundo, com a manipulação de matérias primas de várias fontes, como a mineração e a química fina. O quadro, entretanto, foi um tanto distorcido pela pela fé da Humanidade, ou boa parte dela, na superioridade dos materiais produzidos pelo Homem sobre os fornecidos pela natureza.
Como costuma acontecer com as tendências, estamos vendo agora a reversão. O natural está sendo cada vez mais valorizado e as qualidades provenientes das plantas estão sendo redescobertas. Certas empresas, como a Pematec, já estão surfando está nova onda, e mais virão. Como país, o Brasil só tem a ganhar com isso.
Com seu imenso potencial agrícola, cada inovação no campo do uso de material proveniente das plantas gera um potencial aumento significativo da renda nacional. Já tratei deste tema, citando soluções que estavam sendo adotadas à época. Muitos mais exemplos podem ser mostrados.
Popularizada no setor automotivo, como substituto à fibra de vidro, o curauá, hoje, é uma alternativa consolidada como insumo industrial, tornando a fibra excassa.
Mesmo trajeto tomou a utilização da fibra de coco. Há pesquisas (para conhecer algumas, clique aqui e aqui) para várias aplicações do material, hoje um transtorno para os sistemas de saneamento das grandes cidades, embora seu primeiro sucesso de uso industrial em larga escala tenha sido como integrante de bancos automotivos.
Outros países também estão investindo neste filão, contando até com expertise nacional. O pesquisador brasileiro Leonardo Simon é um dos que vem atuando no exterior. Ele, segundo André Borges, no Valor Econômico de 24/03/2009, coordena, desde o ano passado, uma equipe de 19 pesquisadores dentro do projeto BioCar, do centro de pesquisas canadense CTT.
A linha de pesquisa promissora utiliza a palha do trigo para substituir partes de plástico usadas nos carros, de maneira semelhante ao feito no Brasil com o curauá e o coco. Borges escreve que a " proposta é usar uma parte da planta que, durante a colheita do trigo, é desprezada pelos agricultores. "Essa palha normalmente fica na própria lavoura, é um resíduo da agricultura", diz Simon. "Na China, o hábito das pessoas é queimar a palha do trigo."
A ideia é que, após ser moída e transformada em uma espécie de farinha, a palha do trigo seja misturada ao polipropileno. Com a fibra da planta, é possível reduzir o uso de outras substâncias usadas na composição do plástico, como o talco e o carbonato de cálcio, que são mais pesados. Além de resultar em peças mais leves, diz Simon, a palha de trigo pode reduzir o preço dos componentes e oferecer peças mais resistentes que as tradicionais."
A palha poderia significar até 40% do peso das peças plásticas do veículo, que é de 200 quilos, normalmente. Muitas empresas, entre elas a Ford, financiam o projeto, junto com a província de Ontário. Acredita-se que em 3 anos a inovação chegará ao mercado.
Como vemos, é possível extrair mais valor da atividade agrícola através de sua sinergia com os demais setores econômicos. O que não podemos é ficarmos deitados em berço esplêndido, esperando que as commodities valorizem em Chicago. Valorizemo-as nós, em Paranavaí, em Apucarana, em Belém e em Bonito, para usufruirmos de um bom padrão de vida.
Apenas alguns pensamentos sobre as coisas que acho que sei ou sobre as quais não tenho a mínima idéia
sexta-feira, 27 de março de 2009
quinta-feira, 26 de março de 2009
Lagos assassinos ou mortais
Informação é tudo, como diriam os assessores. Nunca me importei muito com a quantidade de leitores deste blog, já que sempre o encarei como um exercício de opinião e não como um site de referência. Instalei, porém, o Google Analytics há dois dias e descobri que 60% do meu tráfego provém de apenas uma postagem, esta. O problema é que este público anormal está sendo vítima de um engano, causado pela posição inesperadamente alta da página na pesquisa do Google. Ele está procurando informação científica onde há apenas análise política amadora. Para sanar este desserviço aos que não são meus leitores, abrirei uma exceção e tentarei fazer nesta postagem uma página de referência, com toda a informação que eu puder encontrar a respeito destes lagos africanos.
Vamos lá, então: os lagos Nyos, Monoun e Kivu são caracterizados por uma alta concentração de gases dissolvidos.
Os três lagos são vulcânicos, ou seja, são espelhos d'água sobre chaminés de algum vulcão ativo. Para que haja a formação do lago, é necessário um balanço correto entre fluxo de calor proveniente do vulcão e o resfriamento pela atmosfera, mantendo o gradiente de evaporação equilibrado com o suprimento de água proveniente das chuvas ou rios, e , portanto, o lago.
Emanações vulcânicas concentram-se nos segmentos profundos destes lagos, com variadas composições, dependendo dos componentes das rochas e magma abaixo deles. A solubilidade do dióxido de carbono, principal gás causador dos desastres, permite que um lago possa dissolver um volume deste mais de 5 vezes superior ao seu volume de água (para quem entender química, aqui há os cálculos, para mim é grego).
Os gases são mantidos submersos devido à pressão exercida pela coluna d'água das camadas superiores sobre as inferiores, onde os gases acumulam-se, em um processo similar ao que mantém a concentração de carbonato nos refrigerantes. A solubilidade do gás carbônico e dependente da temperatura, levando a diferenças desta entre as profundidades do lago. Quanto mais saturada estiver a água, mas densa ela fica, levando à extratificação da coluna d'água. O fato das camadas inferiores e superiores dos lagos não se misturarem permite que ocorra um tamponamento.
As causa da erupção, que é chamada, também, pelo termo inglês "lake overturn", podem ser mudança do gradiente de temperatura das camadas (aquecimento da camada profunda ou resfriamento das camadas superiores) do lago, injeção de fluídos mais aquecidos (como lava ou torrentes quentes), chuva (tornando as camadas superiores mais densas), ventos violentos, deslizamentos de terra e terremotos. Elas, como vemos, são bastante comuns em regiões vulcânicas, daí a preocupação quando a possibilidade de ocorrerem desastres repetidos. Iniciativas de desgaseificação estão ocorrendo, como a do Nyos, mostrado no esquema da figura ao lado.
Apesar de não ter apresentado uma liberação gasosa comprovada cientificamente e ser, aparentemente, bastante estável, o Lago Kivu tem o maior potencial catastrófico, pois, ao contrário dos outros dois, suas margens são densamente povoada (mais de 2 milhões de habitantes vivem nelas) e seu volume é muito grande, podendo diluir, calcula-se, até 200 quilômetros cúbicos de gás carbônico. Como há metano associado, experimentos estão sendo feitos para utilizar o lago como provedor da energia necessária para o desenvolvimento das áreas circulantes, formadas por dois países com sérios problemas econômicos e conflitos sociais, Congo e Ruanda. Juntaria-se, assim, a prevenção de acidentes à geração de renda.
quarta-feira, 25 de março de 2009
Quanto ao comentário da postagem de ontem
"Você discorda da exigência do diploma ou da exigência de uma carteira de um conselho regulador?
Nos casos onde o profissional trabalha como autônomo como médicos em consultórios e dentistas, como seria feito esse controle cruzado?
Concordo que o fato do cidadão não portar a CNH não o desabona como motorista, mas como identificar aqueles que verdadeiramente não estão aptos a dirigir?
abraço,
Xinxa"
Sou, na verdade, contrário a ambos, carteira e diploma, caro Xinxa, porém sou favorável ao cumprimento da lei. Se hoje há a exigência deles, que seja cumprida a vontade escrita da sociedade. Minhas discordâncias são em tese, apenas.
Sou favorável a um sistema judiciário que cumpra seu papel, punindo rapidamente que comete más-práticas, retirando, o que coibiria o charlatanismo.
A reportagem antiga do Jornal Nacional, aí embaixo, mostra que a regulamentação em nada interfere quando não se quer respeitá-la.
Sei que é um pensamento utópico, mas o descaso com a vida humana só diminuirá quando vier acompanhado de ação enérgica e, principalmente, rápida das autoridades. Enquanto não ocorrer esta ação, mais mortes ocorrerão; trata-se, simplesmente, da Teoria da Janela Quebrada sendo demonstrada.
Quanto à aptidão para dirigir, as inúmeras fraudes na obtenção da licença demonstram que ela não pode ser vista, seriamente, como um garantidor de proficiência ao volante. Além disso, o trânsito é uma interação social, não um reino de motoristas. Para evitar completamente os acidentes, seria necessário exigir também licença dos pedestres, ciclistas e animais que circulam pela via. Como não me parece factível que se proíba os pedestres de circular, e não serão criadas licenças para eles, há um tratamento injusto de saída para com os condutores.
Em um mundo ideal, a solução seria o ensino de leis e manobras de trânsito durante os anos do período escolar obrigatório. Se a todos os integrantes da sociedade fossem ensinados a boa convivência no trânsito, as licenças de direção para veículos auto-motores seriam desnecessárias, como foram as para charretes e assemelhados no passado, com os mal-feitos sendo punidos pela mesma justiça dos períodos iniciais do meu comentário. Mas é, também, uma defesa em tese; estamos longe do mundo ideal.
Nos casos onde o profissional trabalha como autônomo como médicos em consultórios e dentistas, como seria feito esse controle cruzado?
Concordo que o fato do cidadão não portar a CNH não o desabona como motorista, mas como identificar aqueles que verdadeiramente não estão aptos a dirigir?
abraço,
Xinxa"
Sou, na verdade, contrário a ambos, carteira e diploma, caro Xinxa, porém sou favorável ao cumprimento da lei. Se hoje há a exigência deles, que seja cumprida a vontade escrita da sociedade. Minhas discordâncias são em tese, apenas.
Sou favorável a um sistema judiciário que cumpra seu papel, punindo rapidamente que comete más-práticas, retirando, o que coibiria o charlatanismo.
A reportagem antiga do Jornal Nacional, aí embaixo, mostra que a regulamentação em nada interfere quando não se quer respeitá-la.
Sei que é um pensamento utópico, mas o descaso com a vida humana só diminuirá quando vier acompanhado de ação enérgica e, principalmente, rápida das autoridades. Enquanto não ocorrer esta ação, mais mortes ocorrerão; trata-se, simplesmente, da Teoria da Janela Quebrada sendo demonstrada.
Quanto à aptidão para dirigir, as inúmeras fraudes na obtenção da licença demonstram que ela não pode ser vista, seriamente, como um garantidor de proficiência ao volante. Além disso, o trânsito é uma interação social, não um reino de motoristas. Para evitar completamente os acidentes, seria necessário exigir também licença dos pedestres, ciclistas e animais que circulam pela via. Como não me parece factível que se proíba os pedestres de circular, e não serão criadas licenças para eles, há um tratamento injusto de saída para com os condutores.
Em um mundo ideal, a solução seria o ensino de leis e manobras de trânsito durante os anos do período escolar obrigatório. Se a todos os integrantes da sociedade fossem ensinados a boa convivência no trânsito, as licenças de direção para veículos auto-motores seriam desnecessárias, como foram as para charretes e assemelhados no passado, com os mal-feitos sendo punidos pela mesma justiça dos períodos iniciais do meu comentário. Mas é, também, uma defesa em tese; estamos longe do mundo ideal.
Estratégia vitoriosa; para os delinquentes
O gráfico ao lado, retirado da The Economist de 7-13 de março (original aqui), mostra o quanto a criminalidade alimenta-se de Estados desgovernados.Nota-se a queda brusca da capacidade de produção de cocaína no Peru, com a derrocada do Sendero Luminoso, seguida pelo aumento da colombiana, no momento em que o governo deste país decidiu negociar com as Farcs, dando-lhes, inclusive, zonas desmilitarizadas para atuar.
O problema é que não há uma relação de simples causa-efeito, mais governo legítimo, menos crime, mas um ciclo de reforço. Quanto menos governo legítimo, mais crime, que produz um governo paralelo que passa a combater o legítimo. Pode-se combater o ciclo fortalecendo o governo legítimo, ou enfraquecendo o crime. A segunda opção parece-me, liberal que sou, a melhor.
Já defendi nesta página a liberação das drogas, basta clicar no marcador drogas, ao pé desta postagem, para ver meus argumentos, de modo que é desnecessário fazê-lo novamente. Devo, porém, deixar claro minha preocupação com o rechaço sumário das idéias da comissão, da qual faz parte Fernando Henrique Cardoso, que pediu a discriminalização da maconha, como um primeiro passo de um esforço maior.
Continuar o War on drugs, um mais do mesmo, só tende a repetir os resultados alcançados até aqui. Se não deu certo em 100 anos, não é agora que dará. Ou será que uma nova Humanidade surgiu repentinamente?
Desde que o mundo é mundo, como dizem meus antepassados, violência gera violência; luta armada beneficia os psicopatas e afasta a livre empresa. Convém a nós refletir se queremos manter esta estratégia vitoriosa, para os Beiras-mar e Marcolas.
Os três vídeos a seguir são uma seqüência do Bom Dia Brasil de hoje, servem perfeitamente para ilustrar a opinião acima.
terça-feira, 24 de março de 2009
Corporações X Companheiros
Lendo o editorial do Estadão de domingo, veio-me a cabeça um texto de 30/08/2005, disponível aí ao lado, no qual falava da minha inconformidade com as regras utilizadas para o exercício de certas atividades, profissionais ou corriqueiras, em nossa sociedade.
Disse, na época, e repito, hoje, que não faz sentido obrigar a procedimentos padronizados de educação ou testes para garantir uma carteirinha dizendo ser o portador merecedor disso ou aquilo. Em todas as profissões o acesso deveria ser livre, mesmo a, na visão de muitos, sagrada medicina.
Sei que serei crucificado por dizer isso, mas o que impede o erro médico não é a posse de CRM, simples pedaço de papel, e sim os controles cruzados dos diversos profissionais que formam qualquer grupo sanitário. Muitos profissionais gabaritados impedem que um faça algo errado, na maioria das vezes.
Com a velha figura do médico de família extinta, todo o atendimento médico atualmente é feito por unidades multidisciplinares, públicas ou privadas. Deveria caber a estas o controle da qualidade de serviços prestados pelo seu corpo técnico, e arcar com as falhas provocadas por ele. Uma justiça rápida faria com elas só contratassem aqueles que lhes garantissem a qualidade.
Terceirizar a responsabilidade para os Conselhos Regionais de Medicina é uma forma esperta, por parte das instituições, e preguiçosa, por parte do governo, de obter um atenuante para suas falhas em formar bons quadros.
Julgar se Cuba tem um sistema de ensino de ciência médica compatível com o brasileiro e melhor do que o, por exemplo, boliviano, é apenas um casuísmo, bem ao gosto da atual administração. Todo o sistema deveria ser avaliado primeiro, mas menos de 250 indivíduos têm os movimentos sociais castrófilos a dar-lhes suporte.
Então, é bem capaz de sermos usados como cobaias da luta ideológicas das corporações e dos companheiros nos dias a seguir.
Disse, na época, e repito, hoje, que não faz sentido obrigar a procedimentos padronizados de educação ou testes para garantir uma carteirinha dizendo ser o portador merecedor disso ou aquilo. Em todas as profissões o acesso deveria ser livre, mesmo a, na visão de muitos, sagrada medicina.
Sei que serei crucificado por dizer isso, mas o que impede o erro médico não é a posse de CRM, simples pedaço de papel, e sim os controles cruzados dos diversos profissionais que formam qualquer grupo sanitário. Muitos profissionais gabaritados impedem que um faça algo errado, na maioria das vezes.
Com a velha figura do médico de família extinta, todo o atendimento médico atualmente é feito por unidades multidisciplinares, públicas ou privadas. Deveria caber a estas o controle da qualidade de serviços prestados pelo seu corpo técnico, e arcar com as falhas provocadas por ele. Uma justiça rápida faria com elas só contratassem aqueles que lhes garantissem a qualidade.
Terceirizar a responsabilidade para os Conselhos Regionais de Medicina é uma forma esperta, por parte das instituições, e preguiçosa, por parte do governo, de obter um atenuante para suas falhas em formar bons quadros.
Julgar se Cuba tem um sistema de ensino de ciência médica compatível com o brasileiro e melhor do que o, por exemplo, boliviano, é apenas um casuísmo, bem ao gosto da atual administração. Todo o sistema deveria ser avaliado primeiro, mas menos de 250 indivíduos têm os movimentos sociais castrófilos a dar-lhes suporte.
Então, é bem capaz de sermos usados como cobaias da luta ideológicas das corporações e dos companheiros nos dias a seguir.
segunda-feira, 23 de março de 2009
Eu sou a lenda
Finalmente consegui assistir à entrevista de Protógenes, a lenda.
Ele não salvará a humanidade, incluindo a bela Alice Braga, como Will Smith do vírus modificado do sarampo que provoca raiva.
Mas se sentiria incomodado de governar uma cidade como São Paulo, onde crianças utilizam crack à luz do dia.
Bem, incomodada ficava a sua vô, não é mesmo? Felizmente Protógenes, a lenda, não precisará passar por isso, nem o povo paulistano.
domingo, 22 de março de 2009
Quem à defender?
Já devo ter falado disto aqui, mas a tão aclamada democracia ateniense não era bem vista por Aristóteles. Em seu "A Política", ele põe como um mal menor, a ser utilizado apenas caso não seja encontrado um monarca virtuoso, preocupado com o bem comum.
Também Platão não apontava a democracia como um sistema ideal de governo. Uma república utópica seria comandada por uma ditadura dos intelectuais, coisa muito parecida ao que queriam os uspianos que ajudaram a fundar o PT.
Rousseau e a sua "vontade geral" era um lobo em pele de cordeiro. Louco de pedra, não apenas por isso, previa um sistema de governo ideal muito parecido com o que viria a ser o comunismo, ganhando assim seu lugar no céu marxista dos professores de ciências sociais de hoje.
Podemos dizer, então, que o advento da democracia como sistema a ser defendido é uma novidade tão recente quanto a consolidação dos Estados Unidos da América como potência mundial.
Tendo nascido do ventre de um Estado tão vilipendiado nestes tempos pós-Bush, fica a questão: devemos lutar pela vida de um rebento de progenitor tão feio? Nossos vizinhos parecem ter decidido que não; estão concentrando os poderes nas mãos de pais do povo, que dizem conhecer a nação melhor do que ninguém.
Tampouco nosso políticos parecem se preocupar muito com a democracia. Após conseguirem as vagas de representantes no voto, esquecem-se de que devem prestar contas de suas atividades. Alguns falam disparates como "Assim é melhor fechar o Senado" (leiam aqui, é uma sucessão de escândalos de dar medo), proferido por Heráclito Fortes, sem ruborizar.
Eu acho que vale a pena lutar por essa novidade política, em escala histórica, afinal, nas palavras de Churchill, "a democracia é o pior sistema político com exceção de todos os outros". Só gostaria de uma mão amiga daqueles que mais estão se beneficiando delas.
O povo pode ser tapado, mas um dia cansa. Não convém esticar a corda por demais.
Também Platão não apontava a democracia como um sistema ideal de governo. Uma república utópica seria comandada por uma ditadura dos intelectuais, coisa muito parecida ao que queriam os uspianos que ajudaram a fundar o PT.
Rousseau e a sua "vontade geral" era um lobo em pele de cordeiro. Louco de pedra, não apenas por isso, previa um sistema de governo ideal muito parecido com o que viria a ser o comunismo, ganhando assim seu lugar no céu marxista dos professores de ciências sociais de hoje.
Podemos dizer, então, que o advento da democracia como sistema a ser defendido é uma novidade tão recente quanto a consolidação dos Estados Unidos da América como potência mundial.
Tendo nascido do ventre de um Estado tão vilipendiado nestes tempos pós-Bush, fica a questão: devemos lutar pela vida de um rebento de progenitor tão feio? Nossos vizinhos parecem ter decidido que não; estão concentrando os poderes nas mãos de pais do povo, que dizem conhecer a nação melhor do que ninguém.
Tampouco nosso políticos parecem se preocupar muito com a democracia. Após conseguirem as vagas de representantes no voto, esquecem-se de que devem prestar contas de suas atividades. Alguns falam disparates como "Assim é melhor fechar o Senado" (leiam aqui, é uma sucessão de escândalos de dar medo), proferido por Heráclito Fortes, sem ruborizar.
Eu acho que vale a pena lutar por essa novidade política, em escala histórica, afinal, nas palavras de Churchill, "a democracia é o pior sistema político com exceção de todos os outros". Só gostaria de uma mão amiga daqueles que mais estão se beneficiando delas.
O povo pode ser tapado, mas um dia cansa. Não convém esticar a corda por demais.
sábado, 21 de março de 2009
Em complemento ao texto de 14/03
Trituradora de sonhos.
Leiam o texto que vem do link acima.
Reporta desde a segunda maior prisão do mundo. Yoani Sánchez deve ter admiradores entre o PCC.
Leiam o texto que vem do link acima.
Reporta desde a segunda maior prisão do mundo. Yoani Sánchez deve ter admiradores entre o PCC.
Mas falem
Marketing fenomenal é assim, leva a imprensa para poder falar mal.
Mas pelo menos falam deles. Só não sei se o "maior patrocínio do Brasil" merecia ser tratado desta forma.
Mas pelo menos falam deles. Só não sei se o "maior patrocínio do Brasil" merecia ser tratado desta forma.
sexta-feira, 20 de março de 2009
Sarney e as diretorias, e outros causos
Realmente a cada enxadada uma minhoca.
O moralizador José Sarney foi o responsável, segundo reportagem do Estadão, pela criação de 70% das diretorias do Senado. Agora diz que irá acabar 50% delas. Sou uma negação em aritmética, mas me parece que ainda ficará devendo ao país, se as diretorias são tão improdutivas como a lógica diz. Em países civilizados e éticos, erros administrativos como estes inviabilizariam a recondução de quem os cometeu ao cargo de presidente da Casa, algum dia ainda chegamos lá.
O moralizador derrotado, Tião Viana, passou um telefone privativo do Senado para sua filhinha não lhe causar preocupação em uma viagem ao México. Não conheço a filhinha, mas a reputação daquele país sim, então é claro que o artifício não deve ter funcionado, ficaram a preocupação e o uso incorreto de bens públicos. Não adianta depois devolver e dizer que errou. Em países civilizados e éticos, falhinhas como esta levam à perda do cargo, algum dia ainda chegamos lá.
Adriano Ceolin, o repórter que ajudou a desencavar estes "causos" do Senado, estudou comigo. Confesso que sinto uma antipatia gratuita contra ele, mas em países civilizados e éticos, parabenizamos mesmo aqueles contra os quais temos antipatia. Neste caso já chegamos lá, parabéns Ceolin e trupe, continuem metendo a enxada na terra vermelha de Brasília, é um jeito de, como diria o, então, candidato a presidência da República Guilherme Afif Domingos, juntos chegarmos lá.
O moralizador José Sarney foi o responsável, segundo reportagem do Estadão, pela criação de 70% das diretorias do Senado. Agora diz que irá acabar 50% delas. Sou uma negação em aritmética, mas me parece que ainda ficará devendo ao país, se as diretorias são tão improdutivas como a lógica diz. Em países civilizados e éticos, erros administrativos como estes inviabilizariam a recondução de quem os cometeu ao cargo de presidente da Casa, algum dia ainda chegamos lá.
O moralizador derrotado, Tião Viana, passou um telefone privativo do Senado para sua filhinha não lhe causar preocupação em uma viagem ao México. Não conheço a filhinha, mas a reputação daquele país sim, então é claro que o artifício não deve ter funcionado, ficaram a preocupação e o uso incorreto de bens públicos. Não adianta depois devolver e dizer que errou. Em países civilizados e éticos, falhinhas como esta levam à perda do cargo, algum dia ainda chegamos lá.
Adriano Ceolin, o repórter que ajudou a desencavar estes "causos" do Senado, estudou comigo. Confesso que sinto uma antipatia gratuita contra ele, mas em países civilizados e éticos, parabenizamos mesmo aqueles contra os quais temos antipatia. Neste caso já chegamos lá, parabéns Ceolin e trupe, continuem metendo a enxada na terra vermelha de Brasília, é um jeito de, como diria o, então, candidato a presidência da República Guilherme Afif Domingos, juntos chegarmos lá.
Quanto aos comentários da postagem passada
Bem, Silencioso Bob, confesso que não entendo muito de mídia social, então deixei este negócio de moderação dos comentário por dois motivos. Primeiro, quase não recebo comentários, o que torna a tarefa de moderá-los muito fácil e, depois, os que recebia anteriormente eram, de modo geral, propaganda feita por robôs. Como não sou pago por eles para isso - só aceito as propagandas que vêm debaixo das postagens, pois nelas há a expectativa de remuneração, que nunca se concretizou, aliás - não lhes facilitarei a vida.
Já com relação à barbeiragem, não estamos falando de algo que era inesperado. Ocorreu o overshooting cambial. A reação é que não ocorreu, ficando o Tesouro sentado nos dólares que poderiam ter sido usados para diminuir a volatilidade da moeda. Como um leitor de longa data, sabe que não defendo uma meta para o valor do dólar, tanto para cima quanto para baixo, mas as reservas foram construídas sob a alegação de que serviriam para a proteção quando os dólares fossem necessários em uma futura crise. A crise veio e nada foi feito em tempo adequado.
O futuro a Deus, ou ao acaso, pertence, mas com o presente nós mesmos temos que lidar.
Já com relação à barbeiragem, não estamos falando de algo que era inesperado. Ocorreu o overshooting cambial. A reação é que não ocorreu, ficando o Tesouro sentado nos dólares que poderiam ter sido usados para diminuir a volatilidade da moeda. Como um leitor de longa data, sabe que não defendo uma meta para o valor do dólar, tanto para cima quanto para baixo, mas as reservas foram construídas sob a alegação de que serviriam para a proteção quando os dólares fossem necessários em uma futura crise. A crise veio e nada foi feito em tempo adequado.
O futuro a Deus, ou ao acaso, pertence, mas com o presente nós mesmos temos que lidar.
quinta-feira, 19 de março de 2009
A César o que é de César
É um tanto disparatada a intenção de retirar-se do governo a responsabilidade pelo declínio da atividade econômica percebida nitidamente no terceiro trimestre do ano passado, e que permanece neste.
O que ocorreu foi decorrência de uma crise de confiança, congeladora do sistema de créditos e, conseqüentemente, do comércio movido por ele, e deveria ter sido tratado como tal. Mas observamos como resposta total inatividade estatal, mais preocupado estava o governo em proteger-se por meio da retórica. Tentou esconder a realidade com lentes róseas, na estratégia “marolinha” e, depois, no “toma que o filho é seu, Bush”, e passou a apontar o culpado de sempre, o autônomo-de-fato Banco Central.
Já cansei de defender aqui uma política de juros distinta da adotada pelo Banco Central. Na minha visão, a taxa Selic faz muito pouco pela manutenção das intenções de compras do consumidor. Primeiro, devido ao fato deste não fazer seus cálculos com base nas taxas anuais de remuneração do dinheiro que toma emprestado, mas da mensalidade que terá que arcar, e, depois, porque este não tem acesso a ela como poupador pela simples verdade de o brasileiro médio não poupar, pois sua renda não é compatível com este luxo.
A Selic, neste cenário, torna-se apenas um ônus fiscal do governo, masoquisticamente auto-imposto. Premissa falsa, o controle da inflação de demanda, gerando aumento de preços estrutural pelo mecanismo de retirada de produção potencial, a que poderia ser efetivada pelos investimentos caso o governo não sugasse os recursos via títulos,e de aumento dos impostos, usados no pagamento dos juros improdutivos. Cria-se, assim, um círculo vicioso retro-alimentado. Dito isso, cabe afirmar, O BC nada tem a ver com a retração econômica atual, apenas impediu um aceleração maior no passado.
Se o crédito externo foi a mola pela qual a crise chegou ao país, deveria ter passado por ela, também, qualquer tentativa de evitar o contágio. Se os exportadores estavam expostos a ameaça de secagem de suas linhas, caberia ao provedor de dólares nacional, aquele que sentava em reservas de 200 bilhões, fornecer o material escasso, as verdinhas. A simples atitude de permitir a queda das reservas faria que as apostas contra o Real ficassem mais arriscadas, impedindo que as empresas envolvidas no, assim chamado pelos economistas, overshooting cambial vissem seus lucros de anos evaporarem.
De símbolo de solidez da nação, as reservas internacionais do Tesouro transfiguraram-se de um oásis para uma miragem, algo que o governo mostrava às empresas, mas estas não podiam utilizar. Servindo, portanto, para nada, pois não impediram a queda do dólar quando a onda chegou, nem seu aumento, quando ela refluiu.
Houve, portanto, culpa objetiva do Estado na situação em que estamos. Caberá ao futuro saber o quão caro sairá a barbeiragem, mas não há dúvida que esta ocorreu.
O que ocorreu foi decorrência de uma crise de confiança, congeladora do sistema de créditos e, conseqüentemente, do comércio movido por ele, e deveria ter sido tratado como tal. Mas observamos como resposta total inatividade estatal, mais preocupado estava o governo em proteger-se por meio da retórica. Tentou esconder a realidade com lentes róseas, na estratégia “marolinha” e, depois, no “toma que o filho é seu, Bush”, e passou a apontar o culpado de sempre, o autônomo-de-fato Banco Central.
Já cansei de defender aqui uma política de juros distinta da adotada pelo Banco Central. Na minha visão, a taxa Selic faz muito pouco pela manutenção das intenções de compras do consumidor. Primeiro, devido ao fato deste não fazer seus cálculos com base nas taxas anuais de remuneração do dinheiro que toma emprestado, mas da mensalidade que terá que arcar, e, depois, porque este não tem acesso a ela como poupador pela simples verdade de o brasileiro médio não poupar, pois sua renda não é compatível com este luxo.
A Selic, neste cenário, torna-se apenas um ônus fiscal do governo, masoquisticamente auto-imposto. Premissa falsa, o controle da inflação de demanda, gerando aumento de preços estrutural pelo mecanismo de retirada de produção potencial, a que poderia ser efetivada pelos investimentos caso o governo não sugasse os recursos via títulos,e de aumento dos impostos, usados no pagamento dos juros improdutivos. Cria-se, assim, um círculo vicioso retro-alimentado. Dito isso, cabe afirmar, O BC nada tem a ver com a retração econômica atual, apenas impediu um aceleração maior no passado.
Se o crédito externo foi a mola pela qual a crise chegou ao país, deveria ter passado por ela, também, qualquer tentativa de evitar o contágio. Se os exportadores estavam expostos a ameaça de secagem de suas linhas, caberia ao provedor de dólares nacional, aquele que sentava em reservas de 200 bilhões, fornecer o material escasso, as verdinhas. A simples atitude de permitir a queda das reservas faria que as apostas contra o Real ficassem mais arriscadas, impedindo que as empresas envolvidas no, assim chamado pelos economistas, overshooting cambial vissem seus lucros de anos evaporarem.
De símbolo de solidez da nação, as reservas internacionais do Tesouro transfiguraram-se de um oásis para uma miragem, algo que o governo mostrava às empresas, mas estas não podiam utilizar. Servindo, portanto, para nada, pois não impediram a queda do dólar quando a onda chegou, nem seu aumento, quando ela refluiu.
Houve, portanto, culpa objetiva do Estado na situação em que estamos. Caberá ao futuro saber o quão caro sairá a barbeiragem, mas não há dúvida que esta ocorreu.
quarta-feira, 18 de março de 2009
Tá ruim, mas pode piorar muito
Não muitos anos atrás, comparei a crise que se avizinhava nos EUA à da Argentina do início da década. Tinham as mesmas características, povos vivendo acima de suas posses com base em uma moeda erroneamente avaliada. Os argentinos ainda não se recuperaram totalmente de sua crise, os norte-americanos também demorarão para sair da sua, não adianta ficar com falsas esperanças. Urge, porém, que tentemos salvar o mundo de uma crise muita mais séria, como alertou José Goldemberg no Estadão de segunda-feira.
Como os portenhos,e um pouco antes os japoneses, provaram, crises econômicas passam, ainda que dolorosamente. As ecológicas, entretanto, matam, como Colapso, livro de Jared Diamond, aqui há uma boa resenha, prova.
Então não devemos nos esquecer do essencial. Menosprezar os efeitos da interação humana com a natureza para permitir maior crescimento econômico, como era a política ambientalista de Geroge W. Bush, que o diabo o carregue, é o caminho mais seguro para não termos nem um e nem outro. A situação atual o prova.
Como os portenhos,e um pouco antes os japoneses, provaram, crises econômicas passam, ainda que dolorosamente. As ecológicas, entretanto, matam, como Colapso, livro de Jared Diamond, aqui há uma boa resenha, prova.
Então não devemos nos esquecer do essencial. Menosprezar os efeitos da interação humana com a natureza para permitir maior crescimento econômico, como era a política ambientalista de Geroge W. Bush, que o diabo o carregue, é o caminho mais seguro para não termos nem um e nem outro. A situação atual o prova.
terça-feira, 17 de março de 2009
Ele leu o manual
"O caudilho é o pai da nação, que quer ensinar o seu filho a ler e escrever, cuidar de sua saúde, protegê-lo contra as inclemências da vida diária e a incerteza da velhice, colocá-lo sobre rodas para poder deslocar-se. O caudilho é um benfeitor que gasta o dinheiro de todos, inclusive aquele que não existe - que um belo dia descobre sob a forma demoníaca de inflação - para proteger a sociedade inválida. Protege-a também, é claro, contra charlatões que querem conduzi-la pelo caminho equivocado, assegurando-se de todos os possíveis detratores dividir uma acolhedora prisão com os roedores mais hospitaleiros, ou então fazer um longo passeio no exílio."
O trecho acima é parte do livro "Manual do perfeito idiota latino americano ", de 1996. O trecho abaixo é sua aplicação prática de 2009.
"O presidente venezuelano, Hugo Chávez, ameaçou prender os governadores da oposição que tentarem impedir a troca de comando dos portos e aeroportos do país, após a determinação para que o Exército ocupe os principais portos e aeroportos do país. Os três principais portos venezuelanos ficam em Estados controlados por governadores oposicionistas - Carabobo, Zulia e Nova Esparta e a medida deve aumentar a centralização e enfraquece os governos locais de oposição."(íntegra aqui)
Como vemos o novo "El Comandante" aplica o que lê nos manuais, com muito afinco.
O trecho acima é parte do livro "Manual do perfeito idiota latino americano ", de 1996. O trecho abaixo é sua aplicação prática de 2009.
"O presidente venezuelano, Hugo Chávez, ameaçou prender os governadores da oposição que tentarem impedir a troca de comando dos portos e aeroportos do país, após a determinação para que o Exército ocupe os principais portos e aeroportos do país. Os três principais portos venezuelanos ficam em Estados controlados por governadores oposicionistas - Carabobo, Zulia e Nova Esparta e a medida deve aumentar a centralização e enfraquece os governos locais de oposição."(íntegra aqui)
Como vemos o novo "El Comandante" aplica o que lê nos manuais, com muito afinco.
segunda-feira, 16 de março de 2009
A titularidade do patrimônio
Dizer que os países comunistas têm um funcionamento da economia estruturalmente diferente dos capitalistas não corresponde à verdade. Ambas funcionam da mesma forma, só quem manda é diferente. E o fato de ser desconcentrado é que garante um sistema de tomada de decisões melhor ao segundo.
A diferença é que a titularidade do Estado entre os comunistas torna mais fácil aos pequenos grupos apropriarem-se das benesses. Os ditos socialistas concentram muito mais a renda do que os países de capitalismo avançado.
O que o Reinaldo Azevedo chama de burguesia do capital alheio é apenas uma das formas de concentração de renda no comunismo. Há também a expropriação tão em voga nos países andinos bolivarianos. Há a nacionalização, que ocorreu nos sistemas bancários chocalhados pela crise/marola.
Aumentar o patrimônio de um país leva, em geral, a melhores padrões de vida. O problema é que só fazer o bolo crescer não. Temos que ir dividindo aos poucos. Os comunistas já provaram que são muito ruins de dividir, quando se trata de dinheiro. Em outros campos, como na política, suas operações matemáticas ocorrem com bem mais naturalidade.
A diferença é que a titularidade do Estado entre os comunistas torna mais fácil aos pequenos grupos apropriarem-se das benesses. Os ditos socialistas concentram muito mais a renda do que os países de capitalismo avançado.
O que o Reinaldo Azevedo chama de burguesia do capital alheio é apenas uma das formas de concentração de renda no comunismo. Há também a expropriação tão em voga nos países andinos bolivarianos. Há a nacionalização, que ocorreu nos sistemas bancários chocalhados pela crise/marola.
Aumentar o patrimônio de um país leva, em geral, a melhores padrões de vida. O problema é que só fazer o bolo crescer não. Temos que ir dividindo aos poucos. Os comunistas já provaram que são muito ruins de dividir, quando se trata de dinheiro. Em outros campos, como na política, suas operações matemáticas ocorrem com bem mais naturalidade.
domingo, 15 de março de 2009
Os armênios de Raphael Lemkin
Este é para quem entende inglês e tem tempo e saco para ver vídeos na internet, mas a vida nem sempre é fácil. E, aleém disso, se você acompanha este blog, já deve ter visto vários vídeos, pois há muitos aqui. Aproveitando que hoje é domingo, só abusarei um pouco mais de sua paciência, com um vídeo de quase uma hora.
No documentário produzido pela CNN, "Scream Bloody Murder" - do qual há vários trechos no site da empresa jornalística, que eu não consegui importar, não sei por quais motivos-, Christiane Amanpour trata dos genocídios ocorridos desde a II Guerra Mundial até o que está acontecendo em Darfur.
Um personagem central é Raphael Lemkin, advogado polonês que cunhou o termo genocídio e teve sua família destruída nos campos de concentração nazistas. Era judeu, mas, segundo consta, o interesse pelo tema surgiu das histórias de como os armênios haviam sido perseguidos pelo Império Otomano durante o início do século XX. É um tema delicado, pois ainda hoje provoca tragédias, como o assassinato de Hrant Dink, em 2007.
Os turcos otomanos foram uns dos maiores sacos de pancada da historiografia ocidental. Dominavam um território imenso às portas das potências européias, desafiando-as, e praticavam o islamismo. Dois crimes gravíssimos na visão de quem acabou dominando a ciência, tanto as humanas quanto as naturais, e ditaram o pensamento como é hoje. Os antigos monarcas passaram aos nossos tempos como bárbaros devassos, destruidores de povos.
Não estou aqui para defender ninguém, nem tenho mandato para tanto. As mortes de armênios ocorreram, não existem dúvidas. Há, entretanto, uma peça que não se encaixa no problema. Impérios não perseguem etnias simplesmente, ou não seriam impérios. Eles são, por definição, supranacionais. Os turcos dominaram a região onde viviam os armênios durante mais de meio milênio, não seria gratuitamente que ocorreriam massacres. E não foi, estava ocorrendo uma guerra civil de natureza nacionalista entre os turcos e os armênios.
Para piorar ainda mais a situação otomana na historiografia ocidental, o êxodo que se seguiu ao enfraquecimento de seu império espalhou armênios, gregos, libaneses e uma centenas de outras etnias pelo mundo, amplificando todo o mal e abafando todo o bem poderia ter ocorrido nele. Basta ver como é tratado o conflito na Wikipédia em português. O próprio Lúcifer não seria mais impiedoso, na visão de quem escreveu este tópico na enciclopédia.
O documentário abaixo, mostra uma história um pouco diferente. Nacionalistas embebidos de comunismo provocando massacres mútuos, o que é bem crível se levarmos em conta a atuação de grupos semelhantes antes e depois daquele tempo. É claro que há visão do vídeo é pró-turca, pois ouve majoritariamente a estudiosos dessa etnia; a verdade, porém, deve estar em algo intermédio entre o documentário e o relato da Wikpédia. Afinal, há poucos monstros e muitos humanos em todos os cantos. e sabemos que o segundo tipo pode ser o pior deles.
Raphael Lemkin cometeu um grande bem à Humanidade ao lutar pelo fim dos genocídios, só não sei se ele foi justo ao apontar para uma via de mão única. A autopista macabra pode ter sido muito maior do que parecia.
No documentário produzido pela CNN, "Scream Bloody Murder" - do qual há vários trechos no site da empresa jornalística, que eu não consegui importar, não sei por quais motivos-, Christiane Amanpour trata dos genocídios ocorridos desde a II Guerra Mundial até o que está acontecendo em Darfur.
Um personagem central é Raphael Lemkin, advogado polonês que cunhou o termo genocídio e teve sua família destruída nos campos de concentração nazistas. Era judeu, mas, segundo consta, o interesse pelo tema surgiu das histórias de como os armênios haviam sido perseguidos pelo Império Otomano durante o início do século XX. É um tema delicado, pois ainda hoje provoca tragédias, como o assassinato de Hrant Dink, em 2007.
Os turcos otomanos foram uns dos maiores sacos de pancada da historiografia ocidental. Dominavam um território imenso às portas das potências européias, desafiando-as, e praticavam o islamismo. Dois crimes gravíssimos na visão de quem acabou dominando a ciência, tanto as humanas quanto as naturais, e ditaram o pensamento como é hoje. Os antigos monarcas passaram aos nossos tempos como bárbaros devassos, destruidores de povos.
Não estou aqui para defender ninguém, nem tenho mandato para tanto. As mortes de armênios ocorreram, não existem dúvidas. Há, entretanto, uma peça que não se encaixa no problema. Impérios não perseguem etnias simplesmente, ou não seriam impérios. Eles são, por definição, supranacionais. Os turcos dominaram a região onde viviam os armênios durante mais de meio milênio, não seria gratuitamente que ocorreriam massacres. E não foi, estava ocorrendo uma guerra civil de natureza nacionalista entre os turcos e os armênios.
Para piorar ainda mais a situação otomana na historiografia ocidental, o êxodo que se seguiu ao enfraquecimento de seu império espalhou armênios, gregos, libaneses e uma centenas de outras etnias pelo mundo, amplificando todo o mal e abafando todo o bem poderia ter ocorrido nele. Basta ver como é tratado o conflito na Wikipédia em português. O próprio Lúcifer não seria mais impiedoso, na visão de quem escreveu este tópico na enciclopédia.
O documentário abaixo, mostra uma história um pouco diferente. Nacionalistas embebidos de comunismo provocando massacres mútuos, o que é bem crível se levarmos em conta a atuação de grupos semelhantes antes e depois daquele tempo. É claro que há visão do vídeo é pró-turca, pois ouve majoritariamente a estudiosos dessa etnia; a verdade, porém, deve estar em algo intermédio entre o documentário e o relato da Wikpédia. Afinal, há poucos monstros e muitos humanos em todos os cantos. e sabemos que o segundo tipo pode ser o pior deles.
Raphael Lemkin cometeu um grande bem à Humanidade ao lutar pelo fim dos genocídios, só não sei se ele foi justo ao apontar para uma via de mão única. A autopista macabra pode ter sido muito maior do que parecia.
sábado, 14 de março de 2009
Cuba: ame-a ou ame-a
Poucos dias atrás, estava teclando com uma colega virtual. Assunto, o caso "Ditabranda".
Papo vem, papo vai, ela me veio com essa: não concordo com o que acontece no Equador e na Venezuela, mas o Fidel é diferente, não é um tirano.
Quase tive um ataque cardíaco, não sei como estou escrevendo hoje. Se o Fidel não é um tirano, quem é?
Não cabe tentar demonstrar o quanto um, suposto, líder é ruim se ele ficou 48 anos e pouco no poder e entregou seu país mais pobre do que encontrou. Nem esgrimir a conta de desaparecidos do regime. Apenas farei uma comparação.
Gabeira pegou em armas contra o regime militar, foragido, passou muito tempo pilotando, doidão, trens de metrô suecos. Hoje é deputado e quase foi prefeito da cidade mais conhecida, internacionalmente, do Brasil. Pérez Roque era considerado uma das estrelas do partido comunista cubano, cometeu um erro indeterminado e está lá, em La Habana, um pária.
Nossos ditadores falaram, Brasil, ame-o ou deixe-o. Para Castro não havia opção, Cuba, ame-a, pois deixá-la você não vai.
Papo vem, papo vai, ela me veio com essa: não concordo com o que acontece no Equador e na Venezuela, mas o Fidel é diferente, não é um tirano.
Quase tive um ataque cardíaco, não sei como estou escrevendo hoje. Se o Fidel não é um tirano, quem é?
Não cabe tentar demonstrar o quanto um, suposto, líder é ruim se ele ficou 48 anos e pouco no poder e entregou seu país mais pobre do que encontrou. Nem esgrimir a conta de desaparecidos do regime. Apenas farei uma comparação.
Gabeira pegou em armas contra o regime militar, foragido, passou muito tempo pilotando, doidão, trens de metrô suecos. Hoje é deputado e quase foi prefeito da cidade mais conhecida, internacionalmente, do Brasil. Pérez Roque era considerado uma das estrelas do partido comunista cubano, cometeu um erro indeterminado e está lá, em La Habana, um pária.
Nossos ditadores falaram, Brasil, ame-o ou deixe-o. Para Castro não havia opção, Cuba, ame-a, pois deixá-la você não vai.
sexta-feira, 13 de março de 2009
Distorções
Pior do que não medir, é medir algo pensando ser outra coisa.
Toda vez que um órgão público divulga os agregados econômicos, tem-se a impressão de que ficamos mais ricos. Ela é, porém, enganosa.
Riqueza é alcançada pelo aumento do patrimônio. Do capital, como dizem os economistas.
Não pela depleção dos recursos físicos, vendendo minério de ferro, para ficar em um caso.
Vamos exemplificar:
Um epidemia de dengue, coisa incomum no nosso rico país, gera aumento do PIB. São gastos recursos para combater os mosquitos e remediar a situação dos doentes. Nos casos extremos, os mortos farão girar a indústria das casas mortuárias. Ela, entretanto, diminui o patrimônio da nação. O capital humano diminui, pelas mortes, e também os recursos utilizados de maneira emergencial.
A forma de aumentar a riqueza, neste caso, é protegendo a saúde da população, preventivamente. Menos recursos seriam gastos e mais vidas salvas. Resultando em mais patrimônio total.
Esqueçam o PIB, ele não nos diz nada.
Toda vez que um órgão público divulga os agregados econômicos, tem-se a impressão de que ficamos mais ricos. Ela é, porém, enganosa.
Riqueza é alcançada pelo aumento do patrimônio. Do capital, como dizem os economistas.
Não pela depleção dos recursos físicos, vendendo minério de ferro, para ficar em um caso.
Vamos exemplificar:
Um epidemia de dengue, coisa incomum no nosso rico país, gera aumento do PIB. São gastos recursos para combater os mosquitos e remediar a situação dos doentes. Nos casos extremos, os mortos farão girar a indústria das casas mortuárias. Ela, entretanto, diminui o patrimônio da nação. O capital humano diminui, pelas mortes, e também os recursos utilizados de maneira emergencial.
A forma de aumentar a riqueza, neste caso, é protegendo a saúde da população, preventivamente. Menos recursos seriam gastos e mais vidas salvas. Resultando em mais patrimônio total.
Esqueçam o PIB, ele não nos diz nada.
quinta-feira, 12 de março de 2009
Sonho de consumo
Se eu tenho um sonho de consumo no momento, este é o Kindle. Uma biblioteca às mãos em todo o lugar e livre do peso, sem precisar enfrentar o trânsito paulistano - ou qualquer outra cidade grande do Brasil, as únicas que nos brindam com acesso às livrarias-, ou a espera da entrega. O que mais poderia querer?
Bem, posso querer que exista a disponibilidade do produto por aqui, ou à biblioteca ampla de possibilidades.
Talvez, lá para o ano 2015, tenhamos algo assim por aqui. Temos que ter esperança, afinal dizem que o "gap" digital está diminuindo. Quem sabe?
Aos usuários do Iphone há uma luz no fim do túnel, como diz a reportagem da Reuters veiculada pelo Valor Econômico : "A Amazon.com está distribuindo um software que permite aos usuários do iPhone e do iPod Touch, produzidos pela Apple, acessarem em seus aparelhos livros eletrônicos disponíveis para o Kindle, o leitor de livros lançado pela companhia de varejo on-line. O software gratuito, disponível na loja on-line da Apple, permite que os usuários sincronizem o leitor de livros da Amazon com iPhones e iPods Touch, dando a eles acesso a mais de 240 mil obras disponíveis para o Kindle. Com o programa "Kindle for iPhone and iPod Touch", um usuário pode ler algumas páginas de um livro no Kindle ou Kindle 2 e continuar lendo de onde parou no iPhone ou no iPod Touch". Aos simples mortais, contentem-se em esperar.
quarta-feira, 11 de março de 2009
Águas de março
Sempre me perguntei o porquê do governo federal não criticar o governo do município de São Paulo pela incapacidade de conter os alagamentos. Acho que esbarrei com a resposta na constituição.
Diz o artigo 21, inciso XVIII: Compete à União planejar e promover a defesa permanente contra as calamidades públicas, especialmente as secas e inundações (grifo meu).
Como inundação e alagamento só diferem em grau, e subjetivamente, fica impossível aos marketeiros do Palácio imputar à incompetência da administração rival a solução de problemas que são de sua alçada.
Isso, inclusive, já ocorreu quando, em uma das muitas crises de segurança pública do estado do Rio de Janeiro, os governos federal e estadual bateram boca publicamente sobre de quem era a culpa de os bandidos portarem armamento pesado.
Os representantes da União diziam que a culpa era da falta de policiamento; os do estado retrucaram dizendo que o Rio de Janeiro não produziam armas e, se estas lá chegavam, era a Polícia federal que falhava no controle das fronteiras. No fim, tudo ficou como dantes no quartel de abrantes, como dizia minha mãe. E todos saíram com a imagem chamuscada.
Na administração pública brasileira, nada é lá muito eficiente, mas tudo que depende de mais de uma pessoa é certeza de fracasso.
Usando outro velho dito popular: cachorro com muitos donos morre de fome.
Diz o artigo 21, inciso XVIII: Compete à União planejar e promover a defesa permanente contra as calamidades públicas, especialmente as secas e inundações (grifo meu).
Como inundação e alagamento só diferem em grau, e subjetivamente, fica impossível aos marketeiros do Palácio imputar à incompetência da administração rival a solução de problemas que são de sua alçada.
Isso, inclusive, já ocorreu quando, em uma das muitas crises de segurança pública do estado do Rio de Janeiro, os governos federal e estadual bateram boca publicamente sobre de quem era a culpa de os bandidos portarem armamento pesado.
Os representantes da União diziam que a culpa era da falta de policiamento; os do estado retrucaram dizendo que o Rio de Janeiro não produziam armas e, se estas lá chegavam, era a Polícia federal que falhava no controle das fronteiras. No fim, tudo ficou como dantes no quartel de abrantes, como dizia minha mãe. E todos saíram com a imagem chamuscada.
Na administração pública brasileira, nada é lá muito eficiente, mas tudo que depende de mais de uma pessoa é certeza de fracasso.
Usando outro velho dito popular: cachorro com muitos donos morre de fome.
terça-feira, 10 de março de 2009
Capoeira Legends
O Brasil é um produtor de conteúdo respeitado internacionalmente. A música, especialmente, é considerada de excepcional qualidade, mas somos exportadores de software, em muitos nichos de mercado, e, vez ou outra, emplacamos um "blockbuster" cinematográfico.
A indústria de jogos eletrônicos, ou, como preferem os aficionados, "games",como o cinema, é uma síntese das demais formas de apresentação de conteúdo. Se a produção de filmes é considerada a sétima arte, talvez os jogos eletrônicos seja a oitava.
Nada mais adequado que nosso país produza os seus entretenimento digital também. É incipiente a produção, mas crescente. Em 2004, foi criada uma associação para congregar as empresas do mercado promissor,a Abragames, mas durante muito tempo buscou-se mais emular os estrangeiros do que fazer algo caracteristicamente nacional.
Creio que, quanto mais abrasileirada for a produção daqui, melhores serão as chances de destacar-se no mercado. Sendo um igual, só se destaca quem pode investir muito em propaganda e marketing. Sendo exótico, e com qualidade, a mídia espontânea encarrega-se de grande parte do serviço.
Neste sentido, acredito que o "Capoeira Legends" seja realmente um avanço na indústria. Os desenvolvedores correm o risco de ganhar dinheiro, como sói acontecer com quem investe na cultura brasileira, ou o que os estrangeiros pensam ser ela. Quem aqui se esqueceu da famigerada lambada, aquele ritmo franco-brasileiro. Não se perde o mercado nacional e disputa-se o externo.
Veremos.
A indústria de jogos eletrônicos, ou, como preferem os aficionados, "games",como o cinema, é uma síntese das demais formas de apresentação de conteúdo. Se a produção de filmes é considerada a sétima arte, talvez os jogos eletrônicos seja a oitava.
Nada mais adequado que nosso país produza os seus entretenimento digital também. É incipiente a produção, mas crescente. Em 2004, foi criada uma associação para congregar as empresas do mercado promissor,a Abragames, mas durante muito tempo buscou-se mais emular os estrangeiros do que fazer algo caracteristicamente nacional.
Creio que, quanto mais abrasileirada for a produção daqui, melhores serão as chances de destacar-se no mercado. Sendo um igual, só se destaca quem pode investir muito em propaganda e marketing. Sendo exótico, e com qualidade, a mídia espontânea encarrega-se de grande parte do serviço.
Neste sentido, acredito que o "Capoeira Legends" seja realmente um avanço na indústria. Os desenvolvedores correm o risco de ganhar dinheiro, como sói acontecer com quem investe na cultura brasileira, ou o que os estrangeiros pensam ser ela. Quem aqui se esqueceu da famigerada lambada, aquele ritmo franco-brasileiro. Não se perde o mercado nacional e disputa-se o externo.
Veremos.
segunda-feira, 9 de março de 2009
Shaquille Nazário de Lima
Quando o Shaquille estreou 16 anos atrás, as tabelas da NBA tiveram que ser redimensionadas.
Ele fazia isso:
E isso:
Agora o Brasil terá que passar pelo mesmo processo. Reformar todos os alambrados. Eles não suportam nosso astro de peso.
Cada país tem o O'Neil que merece.
Ele fazia isso:
E isso:
Agora o Brasil terá que passar pelo mesmo processo. Reformar todos os alambrados. Eles não suportam nosso astro de peso.
Cada país tem o O'Neil que merece.
Música para os olhos, seguida de uma para os ouvidos
Hoje em dia há música para todos os gostos.
Seguem aí dois clipes de cantoras inspiradas pelo R&B norte-americano.
O primeiro, para os olhos.
O segundo, para os ouvidos (convém nem olhar).
Se você olhou, vai aí um comentário: e eu que pensava que dançava mal.
Seguem aí dois clipes de cantoras inspiradas pelo R&B norte-americano.
O primeiro, para os olhos.
O segundo, para os ouvidos (convém nem olhar).
Se você olhou, vai aí um comentário: e eu que pensava que dançava mal.
domingo, 8 de março de 2009
Tecnologia pré-colombiana
Edward McBride, correspondente para Energia e Ambiente da revista The Economist, fez uma extensa reportagem sobre a destinação e manejo do lixo. Ela foi lançada na penúltima edição, e pode ser lida na íntegra aqui. Se preferir, ouça um resumo.
Nela, descobriu que muitos estão conseguindo transformar lixo em um recurso. Em uma tradução livre, diz algo mais ou menos assim, que colocarei pretensiosamente entre aspas. "Muito dele [lixo] já é queimado para gerar energia. Tecnologias mais inteligentes que transformam-no em fertilizantes ou químicos ou combustível estão sendo desenvolvidos o tempo todo. Visionários vêem um futuro no qual coisas como rejeitos domésticos e fezes de porcos irão prover o combustível para carros e casas, afastando a necessidade dos sujos combustíveis fósseis. Outros imaginam um mundo sem lixo, com rejeitos sendo rotineiramente reciclados".
A resposta, talvez, não esteja no futuro, mas no passado amazônico. Atende pelo nome de Terra Preta de Índio, uma tecnologia pré-colombiana que ninguém sabe exatamente como reproduzir, mas cujos efeitos estão à vista dos caboclos amazônicos há séculos.
Fiona Harvey, do Financial Times, reproduzido pelo Valor Econômico de quinta-feira, (assinante, leia aqui), relatou mais sobre esta esperança dos ecologistas. Ela seria:" Densa, rica e argilosa, representa um contraste gritante com os solos pobres da região[amazônica]. Parece paradoxal, mas os solos da floresta tropical têm baixa fertilidade."
Ela continua, dizendo que a terra preta "agora é objeto de intensas investigações de cientistas que estudam as mudanças climáticas. A tenacidade do carvão da terra preta, retendo suas propriedades fertilizantes ao longo dos séculos" fez os cientistas buscar reproduzi-la utilizando os modernos avanços científicos.,
O biocarvão, componente já identificado do composto tem características que encaixam-se perfeitamente com as necessidades apontadas por McBride na The Economist para o uso correto dos rejeitos. Fiona aponta que, o mateiral:"Quando é produzido, cerca de 30% de sua biomassa é transformada em carvão, outro terço em gás de síntese que pode ser queimado para gerar eletricidade; e o restante em um substituto do petróleo bruto, que pode ser muito útil na produção de plásticos, embora de difícil uso como combustível para transporte. Tim Flannery, um eminente naturalista e explorador australiano, argumenta que essas propriedades do biocarvão permitem "resolver três ou quatro crises cruciais de uma só vez: a crise da mudança climática, a crise energética e as crises dos alimentos e da água", porque colocar o biocarvão no solo não apenas o fertiliza, mas também ajuda a reter água"
"A quantidade de biocarvão a ser produzida depende da aceleração ou desaceleração no processo de pirólise: métodos rápidos produzem 20% de biocarvão, 20% de gás de síntese e 60% de bio-óleo, ao passo que métodos lentos produzem cerca de 50% de biogás e quantidades bem menores de óleo. "É também muito mais fácil tornar mais lenta a pirólise", diz Adrian Higson, do Conselho Nacional Britânico de Colheitas Não-alimentícias. "E mais barato". Como as modernas usinas, a pirólise pode ser alimentada exclusivamente com gás de síntese, a produção fica entre três e nove vezes o insumo energético necessário, segundo o Instituto de Governança e Desenvolvimento Sustentável"
Temos, então, um produto que os índios já sabiam ser o ideal para nós. Basta utilizá-lo. Honraremos os ancestrais, beneficiaremos o meio-ambiente e, vejam só, ganharemos dinheiro,
Nela, descobriu que muitos estão conseguindo transformar lixo em um recurso. Em uma tradução livre, diz algo mais ou menos assim, que colocarei pretensiosamente entre aspas. "Muito dele [lixo] já é queimado para gerar energia. Tecnologias mais inteligentes que transformam-no em fertilizantes ou químicos ou combustível estão sendo desenvolvidos o tempo todo. Visionários vêem um futuro no qual coisas como rejeitos domésticos e fezes de porcos irão prover o combustível para carros e casas, afastando a necessidade dos sujos combustíveis fósseis. Outros imaginam um mundo sem lixo, com rejeitos sendo rotineiramente reciclados".
A resposta, talvez, não esteja no futuro, mas no passado amazônico. Atende pelo nome de Terra Preta de Índio, uma tecnologia pré-colombiana que ninguém sabe exatamente como reproduzir, mas cujos efeitos estão à vista dos caboclos amazônicos há séculos.
Fiona Harvey, do Financial Times, reproduzido pelo Valor Econômico de quinta-feira, (assinante, leia aqui), relatou mais sobre esta esperança dos ecologistas. Ela seria:" Densa, rica e argilosa, representa um contraste gritante com os solos pobres da região[amazônica]. Parece paradoxal, mas os solos da floresta tropical têm baixa fertilidade."
Ela continua, dizendo que a terra preta "agora é objeto de intensas investigações de cientistas que estudam as mudanças climáticas. A tenacidade do carvão da terra preta, retendo suas propriedades fertilizantes ao longo dos séculos" fez os cientistas buscar reproduzi-la utilizando os modernos avanços científicos.,
O biocarvão, componente já identificado do composto tem características que encaixam-se perfeitamente com as necessidades apontadas por McBride na The Economist para o uso correto dos rejeitos. Fiona aponta que, o mateiral:"Quando é produzido, cerca de 30% de sua biomassa é transformada em carvão, outro terço em gás de síntese que pode ser queimado para gerar eletricidade; e o restante em um substituto do petróleo bruto, que pode ser muito útil na produção de plásticos, embora de difícil uso como combustível para transporte. Tim Flannery, um eminente naturalista e explorador australiano, argumenta que essas propriedades do biocarvão permitem "resolver três ou quatro crises cruciais de uma só vez: a crise da mudança climática, a crise energética e as crises dos alimentos e da água", porque colocar o biocarvão no solo não apenas o fertiliza, mas também ajuda a reter água"
"A quantidade de biocarvão a ser produzida depende da aceleração ou desaceleração no processo de pirólise: métodos rápidos produzem 20% de biocarvão, 20% de gás de síntese e 60% de bio-óleo, ao passo que métodos lentos produzem cerca de 50% de biogás e quantidades bem menores de óleo. "É também muito mais fácil tornar mais lenta a pirólise", diz Adrian Higson, do Conselho Nacional Britânico de Colheitas Não-alimentícias. "E mais barato". Como as modernas usinas, a pirólise pode ser alimentada exclusivamente com gás de síntese, a produção fica entre três e nove vezes o insumo energético necessário, segundo o Instituto de Governança e Desenvolvimento Sustentável"
Temos, então, um produto que os índios já sabiam ser o ideal para nós. Basta utilizá-lo. Honraremos os ancestrais, beneficiaremos o meio-ambiente e, vejam só, ganharemos dinheiro,
sábado, 7 de março de 2009
Na aba
Lucia Hippolito botou o dedo na ferida ontem, Lula está tentando fazer caridade com a carteira alheia, novamente.
O homem nunca se preocupou em dar factibilidade ao que diz, pois nunca administrou nada. Isso mesmo, nada. O Brasil teve a sorte, até o momento, de não precisar de governo. E a, assim chamada, Administração Federal está operando no automático.
Pois não é que Lula resolveu inovar neste final de temporada no Planalto. Disse que iria trabalhar, anunciou metas e colocou a mão no cofre, alheio.
Os donos dos Orçamentos aliviados reclamaram, é claro. Essas residências anunciadas não sairão. A propaganda, porém, já foi feita.
Em meados de 2010, no palanque, haverá um barbudo vociferando o quanto as elites locais atrapalharam os seus nobres planos. Espero que as elites retruquem, mas está difícil de acreditar, imaginando daqui.
O homem nunca se preocupou em dar factibilidade ao que diz, pois nunca administrou nada. Isso mesmo, nada. O Brasil teve a sorte, até o momento, de não precisar de governo. E a, assim chamada, Administração Federal está operando no automático.
Pois não é que Lula resolveu inovar neste final de temporada no Planalto. Disse que iria trabalhar, anunciou metas e colocou a mão no cofre, alheio.
Os donos dos Orçamentos aliviados reclamaram, é claro. Essas residências anunciadas não sairão. A propaganda, porém, já foi feita.
Em meados de 2010, no palanque, haverá um barbudo vociferando o quanto as elites locais atrapalharam os seus nobres planos. Espero que as elites retruquem, mas está difícil de acreditar, imaginando daqui.
sexta-feira, 6 de março de 2009
Sustentabilidade é isso aí
Vejam este vídeo:
E depois esse:
Meu velho Anuário Agrícola indica que, em 1988, os técnicos da Epagri, em Maria da Fé, já pesquisavam, há anos, seu cultivo. Temos, então, mais de duas décadas de pesquisa apenas dedicada à oliveira mineira.
De que adianta, porém, conseguir melhorar as tecnologias de produção se os terrenos que poderia ser utilizados para plantar estão agora fora da lei?
Vai restar a este povo todo a opção do vídeo abaixo, ficar remoendo os velhos tempos da roça. Em um grande centro urbano.
Isso tudo para preservar algo que não existe mais a séculos.
O resultado será o que todos conhecemos, em toda a terra devoluta ou pública brasileira, deixada à margem da integração econômica, há ou conflitos fundiários ou desmatamento criminoso.
Impedimos os atuais agricultores de trabalhar para dar serviço aos policiais e cangaceiros do futuro. Bela troca , verdadeira prova de desenvolvimento sustentável.
E depois esse:
Meu velho Anuário Agrícola indica que, em 1988, os técnicos da Epagri, em Maria da Fé, já pesquisavam, há anos, seu cultivo. Temos, então, mais de duas décadas de pesquisa apenas dedicada à oliveira mineira.
De que adianta, porém, conseguir melhorar as tecnologias de produção se os terrenos que poderia ser utilizados para plantar estão agora fora da lei?
Vai restar a este povo todo a opção do vídeo abaixo, ficar remoendo os velhos tempos da roça. Em um grande centro urbano.
Isso tudo para preservar algo que não existe mais a séculos.
O resultado será o que todos conhecemos, em toda a terra devoluta ou pública brasileira, deixada à margem da integração econômica, há ou conflitos fundiários ou desmatamento criminoso.
Impedimos os atuais agricultores de trabalhar para dar serviço aos policiais e cangaceiros do futuro. Bela troca , verdadeira prova de desenvolvimento sustentável.
quinta-feira, 5 de março de 2009
Across the Universe
Não sou um cara muito ligado nos cadernos de cultura do jornais, para ser honesto eu nem os abro, então é fácil, para mim, encontrar um filme do qual nunca tenho ouvido falar e gostar dele.
Muitas vezes isso aconteceu com os chamados "blockbuster", como "Do que as mulheres gostam" e "Gladiador", os quais assisti no cinema sem ter a mínima idéia do que se tratavam, além do passado pelos títulos, é claro, e foram gratas surpresas. Também fui vítima de umas bombas que, como uma certa personagem de tv, prefiro não comentar.
Uma produção que agradou recentemente e passará daqui a pouco, onze horas da manhã, na HBO, foi "Across the Universe".
Retratando os anos de agitação social nos Estados Unidos envolvido na Guerra do Vietnã, o folme baseia-se em canções dos Beatles, garantindo um envolvimento emocional com a trilha sonora, em todas as suas faixas, de qualquer um com mais de 20 anos, já que a última onda de saudosismo sobre a banda ocorreu em meados da década passada.
Como todo o musical, que tem cara de ter sido primeiro da Brodway, mas não sei ao certo, não se aprofunda muito no enredo, uma vez que tem de mostrar músicas e mais músicas, mas deixa a mente viajar bastante.
Tendo uma história de amor como pano de fundo, o mais importante da produção é, na minha opinião, provocar reflexão sobre as consequências que guerras trazem, mesmo para quem nem ao menos estava vivo enquanto elas aconteciam.
Se está lendo este texto por volta do horário do filme, é sinal de que não está trabalhando no momento, talvez devido às marolices. Então gaste o seu tempo assistindo ao filme. No mínimo verá a gatinha cantora aí embaixo em uma definição melhor. Vale a pena.
Muitas vezes isso aconteceu com os chamados "blockbuster", como "Do que as mulheres gostam" e "Gladiador", os quais assisti no cinema sem ter a mínima idéia do que se tratavam, além do passado pelos títulos, é claro, e foram gratas surpresas. Também fui vítima de umas bombas que, como uma certa personagem de tv, prefiro não comentar.
Uma produção que agradou recentemente e passará daqui a pouco, onze horas da manhã, na HBO, foi "Across the Universe".
Retratando os anos de agitação social nos Estados Unidos envolvido na Guerra do Vietnã, o folme baseia-se em canções dos Beatles, garantindo um envolvimento emocional com a trilha sonora, em todas as suas faixas, de qualquer um com mais de 20 anos, já que a última onda de saudosismo sobre a banda ocorreu em meados da década passada.
Como todo o musical, que tem cara de ter sido primeiro da Brodway, mas não sei ao certo, não se aprofunda muito no enredo, uma vez que tem de mostrar músicas e mais músicas, mas deixa a mente viajar bastante.
Tendo uma história de amor como pano de fundo, o mais importante da produção é, na minha opinião, provocar reflexão sobre as consequências que guerras trazem, mesmo para quem nem ao menos estava vivo enquanto elas aconteciam.
Se está lendo este texto por volta do horário do filme, é sinal de que não está trabalhando no momento, talvez devido às marolices. Então gaste o seu tempo assistindo ao filme. No mínimo verá a gatinha cantora aí embaixo em uma definição melhor. Vale a pena.
Só para constar
Dois trechos do jornal Valor Econômico de anteontem, só para ilustrar dois postos do mês passado (para ter acesso a eles, basta clicar em regulação do trabalho, nos marcadores abaixo.
"Segundo dados levantados pela Associação Nacional dos Magistrados do Trabalho (Anamatra), nada menos do que 78% dos juízes trabalhistas são contra a possibilidade de demissão imotivada"
"Segundo Montesso, há uma tendência de as empresas acharem que a demissão é uma decisão meramente econômica, mas, principalmente no caso das demissões em massa, trata-se de um problema social. A Constituição Federal garante que a atividade empresarial também tem uma função social, diz o juiz, o que garante que não há necessidade de uma lei específica para dizer que as demissões precisam ser justificadas e negociadas"
"Segundo dados levantados pela Associação Nacional dos Magistrados do Trabalho (Anamatra), nada menos do que 78% dos juízes trabalhistas são contra a possibilidade de demissão imotivada"
"Segundo Montesso, há uma tendência de as empresas acharem que a demissão é uma decisão meramente econômica, mas, principalmente no caso das demissões em massa, trata-se de um problema social. A Constituição Federal garante que a atividade empresarial também tem uma função social, diz o juiz, o que garante que não há necessidade de uma lei específica para dizer que as demissões precisam ser justificadas e negociadas"
quarta-feira, 4 de março de 2009
Mantendo nosso ministro, acabaremos assim
O ministro Tarso Genro acha que o MST está apenas mais arrojado do que o comum. Isso após 4 execuções sumárias. Também acha que um homem condenado por 4 assassinatos, e que teve sua pena confirmada por tribunal supranacional europeu, está sendo perseguido pelo governo italiano a três décadas. E, claro, deu-lhe o refúgio, que é, segundo o site do Ministério da Justiça, aos grupos perseguidos.
Na parte política, estamos emulando as práticas da década de 70, do século passado. Já na jurisprudência, estamos sendo um pouco mais de arrojados, queremos avançar mais rápido, e aposto que chegaremos lá.
Com os tribunais do magistrado Jaime, teremos logo, logo, chegado à moderna lei de talião, cujo exemplo pode ser encontrado no vídeo. Alcançaremos, porém, o Código de Hamurabi, 3700 anos, para trás.
Na parte política, estamos emulando as práticas da década de 70, do século passado. Já na jurisprudência, estamos sendo um pouco mais de arrojados, queremos avançar mais rápido, e aposto que chegaremos lá.
Com os tribunais do magistrado Jaime, teremos logo, logo, chegado à moderna lei de talião, cujo exemplo pode ser encontrado no vídeo. Alcançaremos, porém, o Código de Hamurabi, 3700 anos, para trás.
Questão de princípio
Não sou advogado, mas, nas poucas aulas de direito que tive na vida, fiquei sabendo de uns tais de princípios da administração pública. Entre eles havia o da impessoalidade.
Se vocês, como eu, estão mais para lá do que para cá (ver postagem de ontem), devem se lembrar que, no passado remoto, os governos faziam propaganda pessoal do governante. Era, por exemplo, obra da administração "Paulo Maluco" ou do governo "Orestes Quersim". Foram todos impedidos, porém, de fazê-lo, pelo poder judiciário, e passaram a utilizar governo de "unidade da federação" em suas obras.
Isso foi necessário para adequar a publicidade ao princípio da impessoalidade e para garantir ao cidadão a percepção de que a obra não era um presente de x ou y, mas o Estado cumprindo sua obrigação. Criava-se, assim, condições para haver alternância de poder e democracia.
Independentemente do resultado da consulta que os partidos de oposição fizeram ao TSE sobre a propaganda eleitoral antecipada da dupla Lula-Dilma, esse mar de inaugurações de intenções é um claro exemplo de uso da máquina com intenção de promover a imagem de indivíduos, contra, portanto, os princípios da administação pública.
A Justiça pode até fechar os olhos, fará, porém, como os amigos e parentes da brasileira do célebre caso ataque falso de neonazistas. Embalados pelo sonho de crianças imaginárias, fecharam os olhos ao ilícito.
Será que faremos o mesmo com pais, mães, tios, sobrinhos e outros parentes do PAC.
Se vocês, como eu, estão mais para lá do que para cá (ver postagem de ontem), devem se lembrar que, no passado remoto, os governos faziam propaganda pessoal do governante. Era, por exemplo, obra da administração "Paulo Maluco" ou do governo "Orestes Quersim". Foram todos impedidos, porém, de fazê-lo, pelo poder judiciário, e passaram a utilizar governo de "unidade da federação" em suas obras.
Isso foi necessário para adequar a publicidade ao princípio da impessoalidade e para garantir ao cidadão a percepção de que a obra não era um presente de x ou y, mas o Estado cumprindo sua obrigação. Criava-se, assim, condições para haver alternância de poder e democracia.
Independentemente do resultado da consulta que os partidos de oposição fizeram ao TSE sobre a propaganda eleitoral antecipada da dupla Lula-Dilma, esse mar de inaugurações de intenções é um claro exemplo de uso da máquina com intenção de promover a imagem de indivíduos, contra, portanto, os princípios da administação pública.
A Justiça pode até fechar os olhos, fará, porém, como os amigos e parentes da brasileira do célebre caso ataque falso de neonazistas. Embalados pelo sonho de crianças imaginárias, fecharam os olhos ao ilícito.
Será que faremos o mesmo com pais, mães, tios, sobrinhos e outros parentes do PAC.
terça-feira, 3 de março de 2009
Perdoe-os Pai, ele sabem o que fazem
O novo Pai dos pobres, senhor das bolsas, afirmou que o MST, por já ter completado a maioridade, sabe o que é certo ou errado.
Tomarei o modo como Ele disse de maneira jocosa, uma piada de mal-gosto, mas piada. Dizer que uma entidade tem consciência de "seus atos" não pode ser sério.
Há, porém, questões a serem levantadas sobre o comportamento daquele amontoado de facínoras, ou apoiadores deles, os dirigentes do movimento. Já houve um tempo em que artistas foram presos por apologia às drogas ou a comportamento imoral (aqui, um exemplo). O que deveria ser feito a quem prega, dia sim, outro também, a desobediência civil, muitas vezes armada?
E tem mais, quem se diz dirigente de um movimento com sede e site, mas sem CNPJ, está, no mínimo, cometendo fraude fiscal. São, portanto, perpetradores de ilícitos. Que soluções estão buscando os membros do Judiciário?
Como disse Ele, a entidade, ou movimento, tem mais de duas décadas de existência. Talvez já fosse hora de sabermos as respostas para essas perguntas, ou não?
Sobre um assunto, entretanto, não resta dúvida, se o MST sabe a diferença entre o certo e o errado, escolheu, definitivamente, pela segunda alternativa. Ao menos se levarmos aquele pequeno detalhe, chamado lei, como régua.
Tomarei o modo como Ele disse de maneira jocosa, uma piada de mal-gosto, mas piada. Dizer que uma entidade tem consciência de "seus atos" não pode ser sério.
Há, porém, questões a serem levantadas sobre o comportamento daquele amontoado de facínoras, ou apoiadores deles, os dirigentes do movimento. Já houve um tempo em que artistas foram presos por apologia às drogas ou a comportamento imoral (aqui, um exemplo). O que deveria ser feito a quem prega, dia sim, outro também, a desobediência civil, muitas vezes armada?
E tem mais, quem se diz dirigente de um movimento com sede e site, mas sem CNPJ, está, no mínimo, cometendo fraude fiscal. São, portanto, perpetradores de ilícitos. Que soluções estão buscando os membros do Judiciário?
Como disse Ele, a entidade, ou movimento, tem mais de duas décadas de existência. Talvez já fosse hora de sabermos as respostas para essas perguntas, ou não?
Sobre um assunto, entretanto, não resta dúvida, se o MST sabe a diferença entre o certo e o errado, escolheu, definitivamente, pela segunda alternativa. Ao menos se levarmos aquele pequeno detalhe, chamado lei, como régua.
segunda-feira, 2 de março de 2009
O fim
O Google Adsense diz ter um anúncio personalizado conforme a cara do site.
Não sei se por minhas comunidades ou por minha idade mesmo, abri meu Orkut, dia desses, e o anúncio que me ofereceram foi este: Hiléa.
Como diria Chico Buarque, "já de início minha estrada entortou, mas vou até o fim" que, segundo o Google, está bem próximo.
Não sei se por minhas comunidades ou por minha idade mesmo, abri meu Orkut, dia desses, e o anúncio que me ofereceram foi este: Hiléa.
Como diria Chico Buarque, "já de início minha estrada entortou, mas vou até o fim" que, segundo o Google, está bem próximo.
domingo, 1 de março de 2009
Dúvidas crueis?
"Por fim, uma dúvida: matar alguém, como em Pernambuco, é crime, claro. Mas invadir terras é também crime ou é a única maneira que um movimento social voltado para a reforma agrária tem para chamar a atenção para a sua agenda?".
Esta dúvida acima está na contracapa da Folha de Hoje. Tenho as minhas também.
Será que o senhor Clóvis Rossi (íntegra aqui, para assinates) acredita que cometer ilegalidades trará bons resultados no longo prazo?
Poderíamos fazer como o Paquistão em Swat, deixar a lei do mais forte dominar?
Será?
Esta dúvida acima está na contracapa da Folha de Hoje. Tenho as minhas também.
Será que o senhor Clóvis Rossi (íntegra aqui, para assinates) acredita que cometer ilegalidades trará bons resultados no longo prazo?
Poderíamos fazer como o Paquistão em Swat, deixar a lei do mais forte dominar?
Será?
Justiça caolha.
Editorial do Estadão, de hoje, e argumentação de Dirceu (aqui completa) mostram a que ponto chegamos na imbricação política-justiça.
O ex-ministro disse o seguinte:
"Estamos discutindo um direito, fora o detalhe que, não por minha culpa, a ação já prescreveu, mas o que está em jogo é o caráter e o papel das ações populares. Se os que apelam para esse instituto, sem má fé ou dolo, tem que arcar com as custas dos processos, deixa de ser uma ação popular e um instrumento de fiscalização e cobrança de atos dos governantes, isso sem falar que sendo minha casa, construída depois no terreno, é meu único imóvel, é impenhorável."
Então, segundo ele, por ser popular, uma ação não deve trazer conseqüências pecuniárias? Podemos falar qualquer coisa e não provar, fazendo os cofres públicos arcar com a defesa do denunciado, e depois dizer desculpa, foi engano?
Irresponsabilidade na disputa política é uma arma que não deveria ser usada nunca, as ações e omissões devem ser punidas quando causam dano, e parece ter sido esse o caso. Além disso, se um imóvel é dado como garantia e é impenhorável, não é má fé de quem o colocou nessa situação?
Quanto ao atual ministro, que vergonhoso é tê-lo. Durante sua administração as mortes violentas imbicaram para o sentido ascendente e as instituições do refúgio e do asilo foram desmoralizadas. Como diria o capitão Nascimento: Pede pra sair.
Resta agora saber quem é o dono mencionado na coluna de Élio Gaspari, de hoje, na Folha, no seguinte trecho:
"Com a fuga de Cuba do boxeador Guillermo Rigondeaux, escreveu-se o penúltimo capítulo da uma história iniciada em 2007, quando ele e seu colega Erislandy Lara foram deportados pela polícia do comissário Tarso Genro.
O último será escrito quando se souber com quem Fidel Castro falou no dia em que ele soube do desaparecimento da dupla. Que falou com alguém, falou, pois isso foi contado pelo seu chanceler, Felipe Pérez Roque. Nas suas palavras, o Comandante pediu ao seu interlocutor ajuda para "propiciar e organizar" o repatriamento dos fujões. Pode demorar, mas um dia a identidade do amigo de Fidel será conhecida."
Não acredito que teremos grande surpresa, quando ele finalmente mostrar a cara.
O ex-ministro disse o seguinte:
"Estamos discutindo um direito, fora o detalhe que, não por minha culpa, a ação já prescreveu, mas o que está em jogo é o caráter e o papel das ações populares. Se os que apelam para esse instituto, sem má fé ou dolo, tem que arcar com as custas dos processos, deixa de ser uma ação popular e um instrumento de fiscalização e cobrança de atos dos governantes, isso sem falar que sendo minha casa, construída depois no terreno, é meu único imóvel, é impenhorável."
Então, segundo ele, por ser popular, uma ação não deve trazer conseqüências pecuniárias? Podemos falar qualquer coisa e não provar, fazendo os cofres públicos arcar com a defesa do denunciado, e depois dizer desculpa, foi engano?
Irresponsabilidade na disputa política é uma arma que não deveria ser usada nunca, as ações e omissões devem ser punidas quando causam dano, e parece ter sido esse o caso. Além disso, se um imóvel é dado como garantia e é impenhorável, não é má fé de quem o colocou nessa situação?
Quanto ao atual ministro, que vergonhoso é tê-lo. Durante sua administração as mortes violentas imbicaram para o sentido ascendente e as instituições do refúgio e do asilo foram desmoralizadas. Como diria o capitão Nascimento: Pede pra sair.
Resta agora saber quem é o dono mencionado na coluna de Élio Gaspari, de hoje, na Folha, no seguinte trecho:
"Com a fuga de Cuba do boxeador Guillermo Rigondeaux, escreveu-se o penúltimo capítulo da uma história iniciada em 2007, quando ele e seu colega Erislandy Lara foram deportados pela polícia do comissário Tarso Genro.
O último será escrito quando se souber com quem Fidel Castro falou no dia em que ele soube do desaparecimento da dupla. Que falou com alguém, falou, pois isso foi contado pelo seu chanceler, Felipe Pérez Roque. Nas suas palavras, o Comandante pediu ao seu interlocutor ajuda para "propiciar e organizar" o repatriamento dos fujões. Pode demorar, mas um dia a identidade do amigo de Fidel será conhecida."
Não acredito que teremos grande surpresa, quando ele finalmente mostrar a cara.
Injustiçada ficava a sua avó...
Você fica mesmo é boquiaberto.
A penhora da casa de José Dirceu para o pagamento de dívidas demonstra a celeridade limacídea da nossa Justiça.
A ação que motivou a penhora remete ao governo Quércia, aquele dos bois laçados no pasto nos velhos tempos em que Sarney era presidente - do Brasil. Um Fleury, um e meio Covas, um e meio Alckmin e meio Serra depois, o processo conseguiu chegar à (rufam os tambores) segunda instância, bem distante do fim. Chegou também a um resultado potencialmente nulo, pois, segundo o advogado de Dirceu, a dívida não será paga, porque está prescrita.
Conclusões como essa são a razão da falta de credibilidade do sistema jurídico brasileiro. Se o início do litígio ocorreu devido a compra de 30 caminhões, claramente por motivação política, quando ele encerrar-se definitivamente os veículos já terão virado sucata e os políticos estarão em casa, aposentados (como sou ingênuo).
Diga-me, qual cidadão comum e honesto gostaria de embrenhar-se em uma pendenga que surtirá resultados práticos quando estiver morto. Essa lentidão do judiciário é a matriz dos desrespeitos ao brasileiro, dos direitos humanos mais básicos às relações econômicas. Picaretas fazem os maiores absurdos sabendo que esses terão como consequência apenas algumas horas diante do juiz, se tanto.
Enquanto essa falha não for sanada, Estado de Direito será sempre uma palavra bonita, e democracia apenas uma esperança.
A penhora da casa de José Dirceu para o pagamento de dívidas demonstra a celeridade limacídea da nossa Justiça.
A ação que motivou a penhora remete ao governo Quércia, aquele dos bois laçados no pasto nos velhos tempos em que Sarney era presidente - do Brasil. Um Fleury, um e meio Covas, um e meio Alckmin e meio Serra depois, o processo conseguiu chegar à (rufam os tambores) segunda instância, bem distante do fim. Chegou também a um resultado potencialmente nulo, pois, segundo o advogado de Dirceu, a dívida não será paga, porque está prescrita.
Conclusões como essa são a razão da falta de credibilidade do sistema jurídico brasileiro. Se o início do litígio ocorreu devido a compra de 30 caminhões, claramente por motivação política, quando ele encerrar-se definitivamente os veículos já terão virado sucata e os políticos estarão em casa, aposentados (como sou ingênuo).
Diga-me, qual cidadão comum e honesto gostaria de embrenhar-se em uma pendenga que surtirá resultados práticos quando estiver morto. Essa lentidão do judiciário é a matriz dos desrespeitos ao brasileiro, dos direitos humanos mais básicos às relações econômicas. Picaretas fazem os maiores absurdos sabendo que esses terão como consequência apenas algumas horas diante do juiz, se tanto.
Enquanto essa falha não for sanada, Estado de Direito será sempre uma palavra bonita, e democracia apenas uma esperança.
sábado, 28 de fevereiro de 2009
Judicialização das demissões
Era previsível que a Justiça iria tentar reverter o quadro das demissões da Embraer. A Trabalhista brasileira tem um viés totalmente pró-trabalhador, como de resto toda a nossa sociedade, que é, em muitos aspectos, pré-capitalista (ver texto do dia 24). Está, portanto, fazendo o que dela se espera.
Fica, porém, um conselho ao grupo de funcionários restantes da produtora de veículos aéreos. Os dirigentes das centrais sindicais não ligam a mínima para vocês. Eles só querem ficar com a imagem de que são eficientes em lidar com os empregadores malvados.
Este filme já passou muitas vezes, e sempre acaba mal para os que põem as mãos na massa. Empresas muito maiores, como a General Motors vai acabar demonstrando, encontraram seu fim por não tomar a decisão difícil de diminuir seu quadro inchado de funcionários enquanto ainda havia tempo.
Outras fizeram da satisfação de seus "colaboradores" a sua razão de ser, quem não lembra da Varig, que era dirigida por uma fundação controlada por seus funcionários, e apenas os decepcionaram, com a falência.
Não é função da justiça, ou mesmo dos sindicatos, ir contra a discricionaridade do empregador em manter a quantidade de postos de trabalho que considerar adequados. Cabe a ela observar se as leis foram cumpridas, punindo os que não as observarem. Qualquer outra opção, é populismo da pior espécie.
Espero que não acabem por transformar a manutenção deste um quinto dos funcionários da Embraer na ruína dos os outros quatro restantes.
Fica, porém, um conselho ao grupo de funcionários restantes da produtora de veículos aéreos. Os dirigentes das centrais sindicais não ligam a mínima para vocês. Eles só querem ficar com a imagem de que são eficientes em lidar com os empregadores malvados.
Este filme já passou muitas vezes, e sempre acaba mal para os que põem as mãos na massa. Empresas muito maiores, como a General Motors vai acabar demonstrando, encontraram seu fim por não tomar a decisão difícil de diminuir seu quadro inchado de funcionários enquanto ainda havia tempo.
Outras fizeram da satisfação de seus "colaboradores" a sua razão de ser, quem não lembra da Varig, que era dirigida por uma fundação controlada por seus funcionários, e apenas os decepcionaram, com a falência.
Não é função da justiça, ou mesmo dos sindicatos, ir contra a discricionaridade do empregador em manter a quantidade de postos de trabalho que considerar adequados. Cabe a ela observar se as leis foram cumpridas, punindo os que não as observarem. Qualquer outra opção, é populismo da pior espécie.
Espero que não acabem por transformar a manutenção deste um quinto dos funcionários da Embraer na ruína dos os outros quatro restantes.
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009
Algumas vezes não reluz, mas é ouro
Tomando carona na postagem de ontem, farei uma consideração sobre o desperdício de materiais nobres que está ocorrendo globalmente, mas é muito visível no lixão do Pacífico.
Muitas vezes, algo é um transtorno individual e uma fortuna coletiva ao mesmo tempo. Quando estava no segundo grau, ia de metrô para a escola. Passando repetidas vezes por um trajeto, percebemos que as coisas seguem um certo padrão. Havia sempre os mesmo carros estacionados, provavelmente dos comerciantes locais, mas em uma vaga em especial a rotatividade era imensa. Só parava ali quem não conhecia as conseqüências. E no horário de saída do colégio estava lá um carro coberto de guano, e para quem não está ligando o nome à pessoa, era isso mesmo, fezes de pombo.
Imagino que infortúnio para o dono do automóvel era grande. Em imensas quantidades, porém, aquele material fecal fez a fortuna de nações inteiras. Heraclio Bonilla afirma que, do princípio da década de 1840 ao começo da Guerra com o Chile, conhecida como a Guerra do Pacífico, em 1879, a evolução econômica e política do Peru esteve na dependência, de um modo ou de outro, da exploração dos depósitos de guano das ilhas costeiras. O mesmo ocorreu em maior ou menor grau com a Bolívia e o Chile. Em alguns momentos, a renda proveniente da exploração deste recurso foi responsável por mais da metade da receita dos governos desses países, contribuindo para os acontecimentos que levaram à conflagração do conflito.
Garanto que os primeiros a ver aquele, literalmente, monte de bosta não devem ter percebido seu valor comercial. Nem o primeira a dar de cara com alguma efluência petrolífera. Nem o a avistar o lixão do Pacífico. Mas as oportunidades estavam lá para quem quisesse aproveitar; nos dois primeiros casos, algum empreendedor o fez, a próxima onda ainda está esperando o felizardo. Basta vontade e capital, o resto se arranja.
Muitas vezes, algo é um transtorno individual e uma fortuna coletiva ao mesmo tempo. Quando estava no segundo grau, ia de metrô para a escola. Passando repetidas vezes por um trajeto, percebemos que as coisas seguem um certo padrão. Havia sempre os mesmo carros estacionados, provavelmente dos comerciantes locais, mas em uma vaga em especial a rotatividade era imensa. Só parava ali quem não conhecia as conseqüências. E no horário de saída do colégio estava lá um carro coberto de guano, e para quem não está ligando o nome à pessoa, era isso mesmo, fezes de pombo.
Imagino que infortúnio para o dono do automóvel era grande. Em imensas quantidades, porém, aquele material fecal fez a fortuna de nações inteiras. Heraclio Bonilla afirma que, do princípio da década de 1840 ao começo da Guerra com o Chile, conhecida como a Guerra do Pacífico, em 1879, a evolução econômica e política do Peru esteve na dependência, de um modo ou de outro, da exploração dos depósitos de guano das ilhas costeiras. O mesmo ocorreu em maior ou menor grau com a Bolívia e o Chile. Em alguns momentos, a renda proveniente da exploração deste recurso foi responsável por mais da metade da receita dos governos desses países, contribuindo para os acontecimentos que levaram à conflagração do conflito.
Garanto que os primeiros a ver aquele, literalmente, monte de bosta não devem ter percebido seu valor comercial. Nem o primeira a dar de cara com alguma efluência petrolífera. Nem o a avistar o lixão do Pacífico. Mas as oportunidades estavam lá para quem quisesse aproveitar; nos dois primeiros casos, algum empreendedor o fez, a próxima onda ainda está esperando o felizardo. Basta vontade e capital, o resto se arranja.
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009
Cemitério do bom senso
Já foi tema de livro, mas não custa lembrar. Lixo é um patrimônio valiosos que não estamos sabendo aproveitar. O arquipélago de detritos mostrado no vídeo abaixo, do Fantástico, com a linda apresentadora a ocultar um pouco da horripilância das cenas, demonstra que estamos jogando fora o nosso bom senso.
O uso de embalagens descartáveis tem, também, razões sanitárias e de identificação do produto, mas a principal razão para a sua adoção foi a de redução de custos. Com o aumento dos salários nos países mais ricos, tornou-se anti-econômico a venda avulsa, a granel, feita durante milênios pelos comerciantes. As máquinas embaladoras conseguiam diminuir o número efetivo de funcionários da cadeia, fosse ela na indústria ou no comércio, beneficiando compradores e vendedores.
Toda a ação econômica tem, porém, externalidades. A desse processo foi o aumento exponencial de resíduos sólidos produzidos pela nossa civilização, e ele está se acelerando devido à entrada no consumo de massa de milhões de pessoas anualmente.
Teremos que repensar o meio de comercialização de nossas necessidades, melhorar o reuso dos recursos ou, e provavelmente a melhor solução, fazer os dois. Para isso, a externalidade negativa deve ser taxada de alguma maneira, de modo que fique mais barato utilizar os resíduos do que depositá-los na natureza indistintamente.
E a grande vantagem vira do número de empregos gerados no processo. Durante esses tempos de marola, é algo que não pode ser deixado de lado, ou mesmo jogado ao mar.
O uso de embalagens descartáveis tem, também, razões sanitárias e de identificação do produto, mas a principal razão para a sua adoção foi a de redução de custos. Com o aumento dos salários nos países mais ricos, tornou-se anti-econômico a venda avulsa, a granel, feita durante milênios pelos comerciantes. As máquinas embaladoras conseguiam diminuir o número efetivo de funcionários da cadeia, fosse ela na indústria ou no comércio, beneficiando compradores e vendedores.
Toda a ação econômica tem, porém, externalidades. A desse processo foi o aumento exponencial de resíduos sólidos produzidos pela nossa civilização, e ele está se acelerando devido à entrada no consumo de massa de milhões de pessoas anualmente.
Teremos que repensar o meio de comercialização de nossas necessidades, melhorar o reuso dos recursos ou, e provavelmente a melhor solução, fazer os dois. Para isso, a externalidade negativa deve ser taxada de alguma maneira, de modo que fique mais barato utilizar os resíduos do que depositá-los na natureza indistintamente.
E a grande vantagem vira do número de empregos gerados no processo. Durante esses tempos de marola, é algo que não pode ser deixado de lado, ou mesmo jogado ao mar.
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009
Por um turismo mais constante
Com o fim do carnaval, é hora de fazer o rescaldo. Muitos neurônios, horas e dignidades jamais serão recuperados, mas algumas contas bancárias sairão bem melhores do que entraram.
Esta é uma das épocas em que o turismo mais arrecada no país. Os preços inflacionados não afastam os seguidores de Momo, que ganham em troca um serviço muito aquém do desejável, por simples impossibilidade de oferecê-los com tamanha e concentrada procura.
É de interesse de prestadores e dos receptores de serviços que haja uma desconcentração dos pontos turísticos e da alta temporada. Os primeiros por ter fluxo de caixa mais seguro, os segundos para receber tratamento melhor.
Com mais turistas ao longo do ano, Salvador, por exemplo, suportaria um maior número de acomodações de qualidade. Os foliões não precisariam de tantos alojamentos improvisados, usufruindo de maiores conforto e segurança.
Da forma como estão as coisas hoje, ser uma cidade de carnaval é um risco para o município. Sempre pode aparecer outra mais na moda, e os gastos podem não se pagar.
Tornar-se acolhedora em todas as épocas e ter a folia de fevereiro apenas como mais uma data é tudo que uma cidade pode querer para a geração de renda. Espero que um maior número consiga nos próximos anos.
Esta é uma das épocas em que o turismo mais arrecada no país. Os preços inflacionados não afastam os seguidores de Momo, que ganham em troca um serviço muito aquém do desejável, por simples impossibilidade de oferecê-los com tamanha e concentrada procura.
É de interesse de prestadores e dos receptores de serviços que haja uma desconcentração dos pontos turísticos e da alta temporada. Os primeiros por ter fluxo de caixa mais seguro, os segundos para receber tratamento melhor.
Com mais turistas ao longo do ano, Salvador, por exemplo, suportaria um maior número de acomodações de qualidade. Os foliões não precisariam de tantos alojamentos improvisados, usufruindo de maiores conforto e segurança.
Da forma como estão as coisas hoje, ser uma cidade de carnaval é um risco para o município. Sempre pode aparecer outra mais na moda, e os gastos podem não se pagar.
Tornar-se acolhedora em todas as épocas e ter a folia de fevereiro apenas como mais uma data é tudo que uma cidade pode querer para a geração de renda. Espero que um maior número consiga nos próximos anos.
terça-feira, 24 de fevereiro de 2009
Emprego, uma questão chave
As preocupações com relação ao futuro dos empregos é, nestes tempos de marola supernutrida, uma coisa natural, mas, ao que parece, as soluções para empregar mais pessoas não podem ser obrigar empresas a manter funcionários a ferro e fogo.
A repercussão das demissões da Embraer mostram a utilização política de assuntos totalmente econômicos, e isso não leva a nada bom, ou melhor, a nada bom para o conjunto da sociedade, pois uma casta de beneficiados sempre há.
Há, no Brasil, a fantasia de que o emprego é do funcionário e a empresa empregadora, personificado pelo empresário ou executivo, deseja sempre subtrai-lo por pura maldade. Essa visão não é apenas infantil, é também deletéria para o funcionamento do capitalismo.
A partir do momento em que não se pode demitir, evita-se contratar também. É um padrão observado mundialmente; países com relações trabalhistas rígidos têm altas taxas de informalidade e desemprego.
Não que eu esteja defendendo o vale tudo, com exploração ou trabalho escravo, porém nossa legislação trabalhista só serve para inchar a conta bancária de sindicalistas e carrear recursos para o governo fazer mal uso, como as contas previdenciárias que rendem menos do que a poupança e não se revertem em infraestrutura de qualidade.
Não fazer o que não sabe é sempre uma boa dica; evitar dar palpite onde não tem competência é melhor ainda. O governo e os sindicalistas não conseguem gerenciar nada, além da luta política, de modo minimamente eficiente, por que deveriam ser ouvidos nos momentos de demissão?
observação 1: Façam o que eu digo, mas não o que faço. É o meu comentário a respeito do primeiro período do último parágrafo.
observação 2: Segue abaixo o programa "Sem Fronteiras", da Globo News, tratando da crise mundial do emprego.
A repercussão das demissões da Embraer mostram a utilização política de assuntos totalmente econômicos, e isso não leva a nada bom, ou melhor, a nada bom para o conjunto da sociedade, pois uma casta de beneficiados sempre há.
Há, no Brasil, a fantasia de que o emprego é do funcionário e a empresa empregadora, personificado pelo empresário ou executivo, deseja sempre subtrai-lo por pura maldade. Essa visão não é apenas infantil, é também deletéria para o funcionamento do capitalismo.
A partir do momento em que não se pode demitir, evita-se contratar também. É um padrão observado mundialmente; países com relações trabalhistas rígidos têm altas taxas de informalidade e desemprego.
Não que eu esteja defendendo o vale tudo, com exploração ou trabalho escravo, porém nossa legislação trabalhista só serve para inchar a conta bancária de sindicalistas e carrear recursos para o governo fazer mal uso, como as contas previdenciárias que rendem menos do que a poupança e não se revertem em infraestrutura de qualidade.
Não fazer o que não sabe é sempre uma boa dica; evitar dar palpite onde não tem competência é melhor ainda. O governo e os sindicalistas não conseguem gerenciar nada, além da luta política, de modo minimamente eficiente, por que deveriam ser ouvidos nos momentos de demissão?
observação 1: Façam o que eu digo, mas não o que faço. É o meu comentário a respeito do primeiro período do último parágrafo.
observação 2: Segue abaixo o programa "Sem Fronteiras", da Globo News, tratando da crise mundial do emprego.
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009
Desgovernado
Copiei do blog doClaudio Humberto a seguinte nota:
"Ministros abandonam Brasília no Carnaval
Dos 37 ministros do presidente Lula, apenas dois deles ficam em Brasília durante o carnaval deste ano. A maioria deles volta aos Estados para passar o feriado em família, sem “folia”. Outros, como o ministro Orlando Silva (Esportes), que vai desfilar em Escolas de Samba de São Paulo e do Rio de Janeiro, vão aproveitar a folga. A ministra pré-candidata Dilma Rousseff curte a festa em Pernambuco, assim como José Múcio."
Pergunto-me então, quem está no volante?
"Ministros abandonam Brasília no Carnaval
Dos 37 ministros do presidente Lula, apenas dois deles ficam em Brasília durante o carnaval deste ano. A maioria deles volta aos Estados para passar o feriado em família, sem “folia”. Outros, como o ministro Orlando Silva (Esportes), que vai desfilar em Escolas de Samba de São Paulo e do Rio de Janeiro, vão aproveitar a folga. A ministra pré-candidata Dilma Rousseff curte a festa em Pernambuco, assim como José Múcio."
Pergunto-me então, quem está no volante?
domingo, 22 de fevereiro de 2009
Luz, câmera e história, por favor
Como hoje é a celebração do cinema de Hollywood, tentei me lembrar qual foi o primeiro filme oscarizado que assisti. Com base na lista de premiados, tentei me lembrar, mas não consegui. Foi provavelmente "A Noviça Rebelde" que, sendo da turma de 65 e de temática leve, devia fazer muitas aparições na Sessão da Tarde.
Se não lembro, a explicação é que foram muitos os filmes assistidos. Houve uma época, lá pelos meus 15 anos, em que ser ganhador do Oscar era uma boa razão para que eu ver um filme. Não me arrependo dessa fase, vários são excelentes. "Golpe de Mestre" é dos meus preferidos em todos os tempos. A magia, porém, quebrou-se. Nesta década, vi apenas a metade dos agraciados com o distinto prêmio.
A razão, talvez, é que os próprios filmes americanos, e não só os vencedores do Oscar, perderam muito de seu apelo, ao menos para mim, ao priorizar todos os outros aspectos da trama ao enredo. "O Senhor dos Anéis: o retorno do Rei" é dos piores filmes que assisti em toda a minha vida, rivalizando, quem sabe, os outros dois da trilogia e uma ou outra comédia escatológica.
Cinema é uma obra coletiva, mas tirar os roteiristas do centro da produção é uma péssima opção. Concordo com Chris Anderson, e sua teoria da cauda longa, principalmente nos bens etéreos; também nessa indústria, penso que a chave para o sucesso futuro será extrair pouco lucro anual de cada produção. Isso só é possível quando pessoas queiram assistir aos filmes muitas vezes, o que não acontece quando a única emoção que se consegue com ele é vertigem.
Dizem que a leva deste ano é muito boa, com boas história, ou para denunciar a idade, estórias. Não posso me pronunciar porque não assisti a nenhum. Espero que seja verdade, todos aqueles que gostam de bons filmes só têm a ganhar.
Se não lembro, a explicação é que foram muitos os filmes assistidos. Houve uma época, lá pelos meus 15 anos, em que ser ganhador do Oscar era uma boa razão para que eu ver um filme. Não me arrependo dessa fase, vários são excelentes. "Golpe de Mestre" é dos meus preferidos em todos os tempos. A magia, porém, quebrou-se. Nesta década, vi apenas a metade dos agraciados com o distinto prêmio.
A razão, talvez, é que os próprios filmes americanos, e não só os vencedores do Oscar, perderam muito de seu apelo, ao menos para mim, ao priorizar todos os outros aspectos da trama ao enredo. "O Senhor dos Anéis: o retorno do Rei" é dos piores filmes que assisti em toda a minha vida, rivalizando, quem sabe, os outros dois da trilogia e uma ou outra comédia escatológica.
Cinema é uma obra coletiva, mas tirar os roteiristas do centro da produção é uma péssima opção. Concordo com Chris Anderson, e sua teoria da cauda longa, principalmente nos bens etéreos; também nessa indústria, penso que a chave para o sucesso futuro será extrair pouco lucro anual de cada produção. Isso só é possível quando pessoas queiram assistir aos filmes muitas vezes, o que não acontece quando a única emoção que se consegue com ele é vertigem.
Dizem que a leva deste ano é muito boa, com boas história, ou para denunciar a idade, estórias. Não posso me pronunciar porque não assisti a nenhum. Espero que seja verdade, todos aqueles que gostam de bons filmes só têm a ganhar.
sábado, 21 de fevereiro de 2009
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009
Incapacitador de fluxo
Na série "De volta para o futuro", Doc Brown confiava as suas viagens intertemporais à invenção chamada capacitor de fluxo. Capacitor é um dispositivo com a capacidade de armazenar energia quando submetido a um campo elétrico. No filme, ele parecia agir acumulando energia até um limiar em que, descarregando-a rapidamente, permitisse a viagem.
Caso funcionasse ou, dizem as más línguas, existisse, o PAC seria o equivalente político do governo ao invento do Doc Brown. Levando-nos cada vez mais para o passado ou, utilizando o título de José Eli da Veiga ao seu mais recente artigo em Valor Econômico, no qual trata da parte energética do PAC, "acelerando em marcha ré".
Calcado na ideologia estatista, na qual as empresas privadas não têm função maior do que a de empreiteiras, o dito Programa de Aceleração do Crescimento, caso realizasse um terço do prometido pela "mãe" Dilma, seria uma revolução na infraestrutura brasileira. Mesmo assim seria um fracasso social.
Governos devem se ater à função de liderar a sociedade rumo a um futuro melhor, corrigindo as eventuais falhas e coibindo abusos dos entes privados. As ações do programa não apenas deixam a desejar neste critério, como sinalizam para um aumento do peso estatal na economia. Mais Estado significa concorrência desleal para os empreendedores e possibilidades constantes de corrupção e favorecimento.
Gigantismo estatal é sinônimo de subdesenvolvimento, a despeito da renda per capita. Que o Brasil queira ser excepcional, é compreensível. Já que o queira ser trilhando um caminho já conhecido e que nos levou à bancarrota, burrice.
Caso funcionasse ou, dizem as más línguas, existisse, o PAC seria o equivalente político do governo ao invento do Doc Brown. Levando-nos cada vez mais para o passado ou, utilizando o título de José Eli da Veiga ao seu mais recente artigo em Valor Econômico, no qual trata da parte energética do PAC, "acelerando em marcha ré".
Calcado na ideologia estatista, na qual as empresas privadas não têm função maior do que a de empreiteiras, o dito Programa de Aceleração do Crescimento, caso realizasse um terço do prometido pela "mãe" Dilma, seria uma revolução na infraestrutura brasileira. Mesmo assim seria um fracasso social.
Governos devem se ater à função de liderar a sociedade rumo a um futuro melhor, corrigindo as eventuais falhas e coibindo abusos dos entes privados. As ações do programa não apenas deixam a desejar neste critério, como sinalizam para um aumento do peso estatal na economia. Mais Estado significa concorrência desleal para os empreendedores e possibilidades constantes de corrupção e favorecimento.
Gigantismo estatal é sinônimo de subdesenvolvimento, a despeito da renda per capita. Que o Brasil queira ser excepcional, é compreensível. Já que o queira ser trilhando um caminho já conhecido e que nos levou à bancarrota, burrice.
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009
Um grande Maranhão
Entre as coisas que Jarbas Vasconcelo9s disse, uma que causou comoção foi a afirmação de que Sarney transformaria o Senado em um grande Maranhão. Não creio que seja possível. O novo presidente da Casa não tem competência para tanto, qualquer que seja a acepção da frase.
Belo e pobre, o Maranhão é o exato oposto do Senado, com seus gastos ostensivos. Estéril em sua produção legislativa, este ano, pelo menos até o momento, apenas se discutiu cargas, a Casa vê seu prestígio junto a população descendo a ladeira; o estado recupera, aos poucos, junto ao povo brasileiro a posição de jóia da coroa, associada aos prazeres, como celebrizado por um dos seus ilustres representantes literários, Gonçalves Dias, em Canção do exílio.
Tivesse o poder transformador que lhe confere seu colega, Sarney teria feito o Brasil mais parecido com o seu estado natal, mas quê. Foram cinco anos sem nenhuma mudança. Social, cultural e economicamente; o país após a presidência do acadêmico era o mesmo legado por Figueiredo. Posso afirmar que mudanças só ocorrem quando os elementos afetados deixam-se levar, vencendo a inércia. Tudo que o ex-mandatário maior da nação fizer no Senado será fruto da aceitação ou complacência de seus colegas, principalmente se ele virar uma casa da sogra.
Fosse um cidadão maranhense, estaria muito ofendido com o senador Vasconcelos. Comparar o seu lar com uma das casas do Congresso parecer-me-ia uma diminuição. Ainda mais se observarmos o que dele tem-se falado ultimamente.
Belo e pobre, o Maranhão é o exato oposto do Senado, com seus gastos ostensivos. Estéril em sua produção legislativa, este ano, pelo menos até o momento, apenas se discutiu cargas, a Casa vê seu prestígio junto a população descendo a ladeira; o estado recupera, aos poucos, junto ao povo brasileiro a posição de jóia da coroa, associada aos prazeres, como celebrizado por um dos seus ilustres representantes literários, Gonçalves Dias, em Canção do exílio.
Tivesse o poder transformador que lhe confere seu colega, Sarney teria feito o Brasil mais parecido com o seu estado natal, mas quê. Foram cinco anos sem nenhuma mudança. Social, cultural e economicamente; o país após a presidência do acadêmico era o mesmo legado por Figueiredo. Posso afirmar que mudanças só ocorrem quando os elementos afetados deixam-se levar, vencendo a inércia. Tudo que o ex-mandatário maior da nação fizer no Senado será fruto da aceitação ou complacência de seus colegas, principalmente se ele virar uma casa da sogra.
Fosse um cidadão maranhense, estaria muito ofendido com o senador Vasconcelos. Comparar o seu lar com uma das casas do Congresso parecer-me-ia uma diminuição. Ainda mais se observarmos o que dele tem-se falado ultimamente.
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009
Pura diversão
Para quem acha que o TV Pirata foi inovador em sua nonsense, The Monkees.
Preste atenção no celular do motorista/mordomo, tecnologia em seu estado puro.
Preste atenção no celular do motorista/mordomo, tecnologia em seu estado puro.
terça-feira, 17 de fevereiro de 2009
O mínimo
O mínimo que se espera de uma pessoa honrada é que, ao ser caluniada, entre com uma ação contra o autor da dita cuja.
Até onde sei, ninguém moveu uma pena contra o senador Jarbas Vasconcelos.
Ou não há a ofensa, por ser verdadeira, ou não há a honra. Nos dois casos os nobres parlamentares não fazem jus aos postos.
Até onde sei, ninguém moveu uma pena contra o senador Jarbas Vasconcelos.
Ou não há a ofensa, por ser verdadeira, ou não há a honra. Nos dois casos os nobres parlamentares não fazem jus aos postos.
And the winner is
Crysler e GM devem, pelo acordo imposto pelo primeiro empréstimo extraordinário, apresentar seu plano de reestruturação hoje. Estou curioso para saber o que mostrarão aos congressistas estadunidenses.
Como não há salvação para empresas que apresentam déficits operacionais recorrentes, para não falar dos assustadores resultados financeiros, as peças serão verdadeiras obras de ficção, provavelmente ao estilo do realismo fantástico.
Carentes de boa literatura, e pressionados pelos eleitores, os nobres deputados e senadores darão um prêmio aos escritores de alguns bilhões de dólares.
Morra-se de inveja, Nobel.
Como não há salvação para empresas que apresentam déficits operacionais recorrentes, para não falar dos assustadores resultados financeiros, as peças serão verdadeiras obras de ficção, provavelmente ao estilo do realismo fantástico.
Carentes de boa literatura, e pressionados pelos eleitores, os nobres deputados e senadores darão um prêmio aos escritores de alguns bilhões de dólares.
Morra-se de inveja, Nobel.
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009
Grandes empresas, péssimos negócios
O Hopi Hari é tudo que poderíamos querer de uma empresa. Está localizado em um mercado de mais de vinte milhões de pessoas, gera milhares de empregos, produz pouca poluição ambiental e trouxe novas tecnologias, já consagradas no exterior, para aplacar a carência de brasileiros por parques de diversões modernos.
Em dez anos de atividades, atraiu quinze milhões de visitantes, o que lhe garante uma margem operacional folgada, de cerca de 20%. Esses atributos deveriam fazer feliz qualquer proprietário, entretanto, como informa Vanessa Adachi, no Valor Econômico de hoje, os fundadores de parque - GP Investimentos e os fundos de pensão Previ, Funcef, Petros e Atlântico - estão se desfazendo do negócio, passados às mãos da consultoria Íntegra, sem receber um centavo em troca.
Essa aparente contradição acontece porque o Brasil é campeão mundial indiscutível de juros reais. Sendo operacionalmente compensador, o Hopi Hari foi sempre um sorvedouro de recursos no front financeiro, acumulando, da sua criação até setembro do ano passado, 654 milhões de reais em prejuízos.
Tal desastre empresarial é emblemático das condições nacionais para a manutenção e criação de negócios saudáveis. Qualquer empreendedor que queira aplicar capital próprio deve ter sua sanidade mental investigada, pois há poucos negócios capazes de remunerar melhor do que a Selic, e quem pedir empréstimo para abrir uma empresa deve ser internado na psiquiatria sumariamente.
Mudar esse quadro deveria ser a missão precípua de todos os governantes brasileiros. Os passados e, sobretudo, os atuais, no entanto, preferem se concentrar em aumentar os gastos, solapando a queda da dívida pública e, consequentemente, dos juros. Não há milagre que desenvolva um país assim. Mesmo porque já tivemos o nosso, e os santos e sua obra mostraram-se do pau oco.
Em dez anos de atividades, atraiu quinze milhões de visitantes, o que lhe garante uma margem operacional folgada, de cerca de 20%. Esses atributos deveriam fazer feliz qualquer proprietário, entretanto, como informa Vanessa Adachi, no Valor Econômico de hoje, os fundadores de parque - GP Investimentos e os fundos de pensão Previ, Funcef, Petros e Atlântico - estão se desfazendo do negócio, passados às mãos da consultoria Íntegra, sem receber um centavo em troca.
Essa aparente contradição acontece porque o Brasil é campeão mundial indiscutível de juros reais. Sendo operacionalmente compensador, o Hopi Hari foi sempre um sorvedouro de recursos no front financeiro, acumulando, da sua criação até setembro do ano passado, 654 milhões de reais em prejuízos.
Tal desastre empresarial é emblemático das condições nacionais para a manutenção e criação de negócios saudáveis. Qualquer empreendedor que queira aplicar capital próprio deve ter sua sanidade mental investigada, pois há poucos negócios capazes de remunerar melhor do que a Selic, e quem pedir empréstimo para abrir uma empresa deve ser internado na psiquiatria sumariamente.
Mudar esse quadro deveria ser a missão precípua de todos os governantes brasileiros. Os passados e, sobretudo, os atuais, no entanto, preferem se concentrar em aumentar os gastos, solapando a queda da dívida pública e, consequentemente, dos juros. Não há milagre que desenvolva um país assim. Mesmo porque já tivemos o nosso, e os santos e sua obra mostraram-se do pau oco.
domingo, 15 de fevereiro de 2009
Cenas da Grande Depressão
A maior crise que o capitalismo já vivenciou não trouxe apenas miséria, grandes obras de arte também emergiram daqueles tempos revoltos.
Segue aí uma delas, cortesia do Joost e seus patrocinadores, da lavra do senhor Charles Chaplin. Um inglês que fez fortuna nos Estados Unidos e terminou exilado na Suiça, na época em que não havia controvérsia visível a respeito de imigrantes por lá.
Em "O Vagabundo", a vida era dura, mas, como dizia Bezerra, malandro é malandro e mané é mané, em qualquer tempo e local. Podemos, então, ter esperança; não vivemos o fim do mundo ainda.
Divirtam-se.
Segue aí uma delas, cortesia do Joost e seus patrocinadores, da lavra do senhor Charles Chaplin. Um inglês que fez fortuna nos Estados Unidos e terminou exilado na Suiça, na época em que não havia controvérsia visível a respeito de imigrantes por lá.
Em "O Vagabundo", a vida era dura, mas, como dizia Bezerra, malandro é malandro e mané é mané, em qualquer tempo e local. Podemos, então, ter esperança; não vivemos o fim do mundo ainda.
Divirtam-se.
sábado, 14 de fevereiro de 2009
Mais um plebiscito
O plebiscito de amanhã na Venezuela é apenas mais uma nota da balada do louco.
É uma cartada desesperada. Chávez sabe que não terá sobra de caixa para mais um ano de distribuição de bondades entre as camadas pobres de seu país. A PDVSA já está enfrentando problemas e atrasando metodicamente os pagamentos às prestadoras de serviços que realmente extraem o petróleo.
A comercialização de produtos petrolíferos segue uma agenda de pagamentos na qual há um atraso de cerca de 90 dias entre a entrega do produto e a quitação. A Venezuela, portanto, só agora entrará na fase de receber os preços deprimidos da commodity, e, como o parágrafo anterior demonstra, os problemas já apareceram. Esse foi um dos motivos para a votação ser feita tão pouco tempo após a emenda constitucional passar pelo congresso.
A história é cheia de exemplos de depressão econômica seguida de mudanças de regime. O próprio venezuelano é um deles. Quando assumiu, há dez anos, o preço do óleo bruto estava cotado na casa dos 10 dólares, muito abaixo da média do século, o que impulsionou sua campanha oposicionista.
Em seu tumultuado governo, o tenente-coronel aprofundou a dependência venezuelana de artigos importados e concentrou as exportações no hidrocarboneto. Aplicando o chamado socialismo do século XXI, solapa a formação de mercados livres em seu país e, consequentemente, a criação de empresas. Subsidia pesadamente a gasolina e produtos de primeira necessidade em pontos de venda selecionados, ligados à PDVSA ou ao governo federal, e criou programas sociais assistencialistas. Semeou, enfim, a tempestade que colherá.
Não consigo enxergar um longo futuro para Chávez no poder. Vença ou não o plebiscito, será brevemente confrontado com queda de popularidade mais aguda do que enfrenta agora. O ideal seria que perdesse, a transição poderia ser mais ordeira. Um pato manco, para citar os inventores do presidencialismo, sem direito a reeleição é melhor do que um com. O destino, porém, não parece estar sendo bom com a Venezuela neste século, é provável que o sim vença.
Um Bolívar antes e um depois da emancipação parecem ser a receita ideal para o desastre.
É uma cartada desesperada. Chávez sabe que não terá sobra de caixa para mais um ano de distribuição de bondades entre as camadas pobres de seu país. A PDVSA já está enfrentando problemas e atrasando metodicamente os pagamentos às prestadoras de serviços que realmente extraem o petróleo.
A comercialização de produtos petrolíferos segue uma agenda de pagamentos na qual há um atraso de cerca de 90 dias entre a entrega do produto e a quitação. A Venezuela, portanto, só agora entrará na fase de receber os preços deprimidos da commodity, e, como o parágrafo anterior demonstra, os problemas já apareceram. Esse foi um dos motivos para a votação ser feita tão pouco tempo após a emenda constitucional passar pelo congresso.
A história é cheia de exemplos de depressão econômica seguida de mudanças de regime. O próprio venezuelano é um deles. Quando assumiu, há dez anos, o preço do óleo bruto estava cotado na casa dos 10 dólares, muito abaixo da média do século, o que impulsionou sua campanha oposicionista.
Em seu tumultuado governo, o tenente-coronel aprofundou a dependência venezuelana de artigos importados e concentrou as exportações no hidrocarboneto. Aplicando o chamado socialismo do século XXI, solapa a formação de mercados livres em seu país e, consequentemente, a criação de empresas. Subsidia pesadamente a gasolina e produtos de primeira necessidade em pontos de venda selecionados, ligados à PDVSA ou ao governo federal, e criou programas sociais assistencialistas. Semeou, enfim, a tempestade que colherá.
Não consigo enxergar um longo futuro para Chávez no poder. Vença ou não o plebiscito, será brevemente confrontado com queda de popularidade mais aguda do que enfrenta agora. O ideal seria que perdesse, a transição poderia ser mais ordeira. Um pato manco, para citar os inventores do presidencialismo, sem direito a reeleição é melhor do que um com. O destino, porém, não parece estar sendo bom com a Venezuela neste século, é provável que o sim vença.
Um Bolívar antes e um depois da emancipação parecem ser a receita ideal para o desastre.
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009
Regime personalista
Faz muito, desde 1989, com um breve interregno no imediato pós-Jânio, o Brasil é governado por um regime que é nominalmente presidencialista, mas na verdade é personalista, no sentido de procurar se erigir em torno da figura do presidente e não das instituições, inclusive a Presidência. Um absolutismo eleito, ou nem isso.
É óbvio que tal regime não pode prosperar. O culto a pessoa é um dos mais claros sinais de primitivismo político e tem como conseqüência apenas uma coisa, o autoritarismo. Somente o sentimento de que não se deve nada às instituições pode levar ministro de Estado, bancado pelo presidente, a tomar para si a responsabilidade de reformar a decisão dos tribunais europeus e da comissão puramente brasileira e criar um incidente internacional, como o comentado por João Melão Neto, hoje. Total confusão entre o legal e o legítimo, confundida com soberania. Como se soberania fosse a obrigação de errar sempre que possível.
Esses governos tendem a considerar primeiro os interesses de seu comandante e depois, e longinquamente, o do povo que ele deveria representar. Daí vêm a diplomacia secreta, abordada superficialmente na postagem de ontem, e a personificação da nação na figura eleita, como faz um outro ministro de Estado, responsável pela formulação da política externa do país, na entrevista abaixo:
.
Fortalecer as instituições traria verdadeira democracia para o país. Um Congresso digno desse nome não aceitaria o papel de apêndice do Executivo e seria cobrado pela imprensa e pelos eleitores como um poder independente. Um sistema judiciário que não permitesse as chicanas que compelem os governos de todos os níveis a praticar ilegalidades ganharia muito em prestígio junto ao povo.
Não sou, de fato, presidencialista, mas o que seria um regime ruim em situação normal, na América Latina, em geral, e no Brasil, em particular, cria disparates mil. Como é o único regime que temos no momento, temos que fazê-lo funcionar. Reconhecer que não é normal o absolutismo personalista, a não-separação dos poderes que encontramos aqui, é o primeiro passo para que o conserto seja feito.
É óbvio que tal regime não pode prosperar. O culto a pessoa é um dos mais claros sinais de primitivismo político e tem como conseqüência apenas uma coisa, o autoritarismo. Somente o sentimento de que não se deve nada às instituições pode levar ministro de Estado, bancado pelo presidente, a tomar para si a responsabilidade de reformar a decisão dos tribunais europeus e da comissão puramente brasileira e criar um incidente internacional, como o comentado por João Melão Neto, hoje. Total confusão entre o legal e o legítimo, confundida com soberania. Como se soberania fosse a obrigação de errar sempre que possível.
Esses governos tendem a considerar primeiro os interesses de seu comandante e depois, e longinquamente, o do povo que ele deveria representar. Daí vêm a diplomacia secreta, abordada superficialmente na postagem de ontem, e a personificação da nação na figura eleita, como faz um outro ministro de Estado, responsável pela formulação da política externa do país, na entrevista abaixo:
.
Fortalecer as instituições traria verdadeira democracia para o país. Um Congresso digno desse nome não aceitaria o papel de apêndice do Executivo e seria cobrado pela imprensa e pelos eleitores como um poder independente. Um sistema judiciário que não permitesse as chicanas que compelem os governos de todos os níveis a praticar ilegalidades ganharia muito em prestígio junto ao povo.
Não sou, de fato, presidencialista, mas o que seria um regime ruim em situação normal, na América Latina, em geral, e no Brasil, em particular, cria disparates mil. Como é o único regime que temos no momento, temos que fazê-lo funcionar. Reconhecer que não é normal o absolutismo personalista, a não-separação dos poderes que encontramos aqui, é o primeiro passo para que o conserto seja feito.
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009
Ponto sem nó
Nove décadas atrás, o Nobel da Paz Woodrow Wilson lançou seus 14 pontos. O primeiro era o fim da diplomacia secreta.
Hoje, é destaque no Brasil que nosso país teria pedido ao Paraguai que as negociações sobre as mudanças tarifárias de Itaipú fossem feitas ao largo do escrutínio da imprensa; negado pelos vizinhos.
Já havia me referido ao desejo do governo de correr célere para o passado. E ele está acelerando. Passou do primeiro para o terceiro filme.
Dance, Eastwood, dance.
Hoje, é destaque no Brasil que nosso país teria pedido ao Paraguai que as negociações sobre as mudanças tarifárias de Itaipú fossem feitas ao largo do escrutínio da imprensa; negado pelos vizinhos.
Já havia me referido ao desejo do governo de correr célere para o passado. E ele está acelerando. Passou do primeiro para o terceiro filme.
Dance, Eastwood, dance.
Azia hepática ou não?
Pergunto-me, Lula lê jornal ou não? Se sim, mentiu ou mentiram; ele, o jornalista de Piauí ou ambos. Se não, mentiu na convenção de prefeitos. De qualquer forma, alguém mentiu.
Se não está havendo antecipação de campanha, posso afirmar que não há demagogia em Brasília, a responsabilidade fiscal não corre perigo e todos os congressistas são anjos.
Sou como o senador Collor, preciso que vocês acreditem em mim. Não me deixem só.
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Jesus potrege(retirada do Monkey News)