sábado, 6 de dezembro de 2008

A respeito do sifu

Será que fui apenas eu que se indignou com o fato de que Lula recomendou que os médicos mentissem para os pacientes?
Ao meu ver, insinuar que a verdade deve ser omitida é muito pior do que usar palavras de baixo calão. Realmente, a democracia não foi bem entendida pelo governante que nunca antes na história deste país falou tanta besteira.

Sobre fundos e soberanos

Felizmente o delírio de potência petrolífera passou, mas a mudança de legislação que criou o fundo soberano continua aí, rondando. Está certo que, neste país, esses atos burocráticos, como aplicar leis, podem levar séculos; conseguimos, no entanto, plantar jabuticabais imensos do dia para noite também.
Não que eu tenha algo contra jabuticabas, que já defendi neste blog , mas algumas invencionices deste governo são realmente bizarras.
Para começo de conversa, vamos tentar definir o que é fundo soberano. O meu já surrado dicionário de economia diz que fundo é o "conjunto de recursos monetários empregados para reserva ou para cobrir despesas extraordinárias. No setor de finanças públicas, o termo refere-se às verbas destinadas ao desenvolvimento de determinados setores". O soberano viria do fato de ser propriedade de um país ou, ampliando-se ao máximo o conceito, de uma nacionalidade, como vocês podem observar nesta lista fornecida pela Wikipedia.
Olhando na lista, você encontra as características básicas destes fundos: seus proprietários são países com excesso de reservas internacionais, a maioria advindo de exportações petrolíferas, e relativamente poucas possibilidades de aplicação interna destes recursos. São, em suma, países opostos ao nosso, importador de energia e cheio de obras a serem feitas, ou, por que não dizer, emPACadas. E, o mais importante, ainda temos dívidas.
Como Deus é brasileiro, a idéia de fundo submergiu devido a preocupações mais prementes, abusar da sorte, porém, nunca é bom. Algum dia a crise passará, espero que o fundo, como diria Drummond , passarinho, voe para outras paragens, como, talvez, a Terra do Nunca.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Sátira perfeita

O vídeo original tem um que de maldade, já que o repórter não conseguiu segurar o riso ao deparar-se com a manifestação de um erro médico, a voz prejudicada do entrevistado, mas a sátira ficou perfeita.

Meu, sifu

Frases de grandes estadistas em tempo de crise:

"...Não tenho nada a oferecer-vos senão sangue, trabalho, suor e lágrimas..."
Winston Leonard Spencer Churchill, durante a II Guerra Mundial.

"Na democracia que eu vislumbro, a democracia estabelecida pela não-violência, haverá liberdade igualitária para todos".
Mahatma Ghandi, durante a luta pela independência da Índia da Coroa Inglesa.

"Não pergunte o que o seu país pode fazer por você, mas o que você pode fazer pelo seu país".
John Fitzgeral kennedy, durante a Guerra Fria.

"Eu tive um sonho"

Martin Luther King Jr., durante a luta pelos direitos civis estadunidense.

E de um que acha que é:


"Quando o mercado teve uma diarréia, quem é que eles chamaram? O Estado, que eles negaram durante vinte anos".

Luís Inácio Lula da Silva, durante a crise econômica global do início do século XXI.

Então me pergunto, citando o rei Juan Carlos, da Espanha, por que não te calas?

Há louco para tudo, ou o ponto de vista é seu e ninguém tasca.

Roger Howard, em um um artigo do wsj.com/brasil, afirmou que, caso consiga livrar-se da dependência externa do petróleo, os EUA perderam o poder de barganha acumula por ser o maior consumidor mundial do produto, e isso não seria bom para o mundo.
Escrevendo para uma empresa norte-americana, é concebível que o autor acredite piamente que a influência de Washington seja sempre benéfica para a humanidade, menos clara fica, para mim ao menos, a vantagem de manter o "status quo" no consumo de um produto que, nas palavras dele, "é, sobretudo, a fonte primária do aquecimento global provocado pelo homem, ao passo que vazamentos e perfurações de poços têm causado prejuízo mortal ao meio ambiente" e ainda colabora para perpetuar ditaduras e insuflar recessões.
Mas têm muita coisa que eu não entendo mesmo, esta é só mais uma.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Tenologia natimorta: uma atualização

Em 7 de julho de 2006, escrevi que a distribuição de vídeos em discos ópticos estava com os dias contados. A julgar por este artigo (em inglês) o médio prazo que eu imaginava chegou mais cedo.
Notem que lá esta demonstrado que mesmo um aparelho pensado para ser um tocador de blu-ray já traz em si o reconhecimento da capitulação da tecnologia, pois ela é, na verdade, apenas um outro modo de obter-se o principal, o filme (chamá-lo assim não passa de um anacronismo, pois o filme em si, ou película, também foi afastado do processo) especificamente.
Espero que não tenhamos que esperar, novamente, uns 10 anos para que as inovações cheguem a nós.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Seguro contra lucros cessantes

Como havia escrito em um texto do princípio do ano, o melhor seguro externo que o Brasil poderia querer é a peculiaridade de a China ser uma ditadura necessitada de ilusão de bem-estar. essa minha convicção só fez aumentar ao ler notícias no Valor Econômico de hoje mostrando uma desaceleração econômica muito maior do que estavam esperando os analistas naquele país. Já há temores de agitação social e instabilidade política, e o governo vai fazer tudo que está ao seu alcance para impedir que eles ocorram. O que exclui, naturalmente, diminuir a oferta de alimentos em qualidade ou quantidade.
Mais de três anos atrás, escrevi, também, que nós somos uma espécie de Efeito Orloff da China no que se refere ao crescimento econômico. Tenho certeza, virá de lá uma nova marcha forçada, com os mesmos resultados: adiar a recessão e a troca de comando político (nada muito diferente do que a Guerra do Iraque foi para os EUA, onde a marcha forçadíssima fundiu o motor).
O mesmo raciocínio pode ser usado para pensar a venda de carne à Rússia e de alimentos em geral à Venezuela, duas outras nações que como diz Lula da Silva "têm democracia até demais". Apesar dos russos terem reclamado dos preços e da falta de financiamento, as compras não serão suspensas, apenas proteladas para pressionar as empresas vendedoras utilizando as nuvens da recessão como desculpa estilo cortina de fumaça.
A ameaça mais séria que temos que enfrentar quanto à balança comercial não tem nada a ver com a falta de compradores externos, mas com a possibilidade de realmente fornecer as mercadorias, já que uma infra-estrutura já sobrecarregada foi danificada pelas águas de novembro. Nada diferente do que vinha acontecendo, portanto.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Pensamento estratégico

Como tudo na vida, a tragédia de Santa Catarina traz lições. Tirando aquele papo todo de omissão do Estado, desrespeito as regras pela população e todas as demais mazelas que vêm sendo tratadas a exaustão pelo noticiário, devemos pensar também no que ficou patente a respeito da inadequação da infra-estrutura para suprir as contingências da paralisação de um serviço.
Ficou demonstrado que além de não evitar a tragédia, nossa infra-estrutura potencializa o dano, ao impedir uma rápida recomposição do tecido econômico, tirando assim os recursos públicos e privados que poderiam fazer o pós-tempestade menos deletério para as vítimas.
Esse mês de chuvas paralisou um porto essencial, cortou o fornecimento de um insumo-chave (gás natural) e de outros serviços públicos (água tratada e eletricidade), destruiu estradas de rodagem, etc; e, deixando inundadas de água e lama cidades inteiras, aumentou muito a necessidade de tudo aquilo que deixou de existir.
Será que este descompasso entre necessidade e disponibilidade não é fruto de uma estratégia de concentração da atividade produtiva e grandes obras que marca o Brasil desde o fim do liberalismo representado pela chegada ao poder de Getúlio Vargas? Desconfio que sim. Ainda hoje vemos esbirros da visão dirigista central na teimosia de enfiar goela abaixo da sociedade mega-obras como a transposição do São Francisco e as usinas do rio Madeira.
Creio que a população seria muito melhor servida caso a ênfase mudasse para pequenas obras, descentralizando desde a geração de energia até a distribuição de mercadorias, com redes em que os pontos focais fossem mais dispersos do que o que ocorre hoje. Talvez o custo inicial fosse mais alto, mas a segurança proporcionada pelo sistema compensaria.
Muitas das grandes obras do passado brasileiro tiveram como motivador mais um pensamento estratégico de consolidar o país como uma potência regional do que levar bem-estar à população. O contrário deve ser buscado agora, pois não seria o " melhor do Brasil, o brasileiro."

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Admissão

E finalmente saiu a admissão de que há uma recessão ocorrendo há ano nos Estados Unidos. A tal comissão que decide, dizem, é independente. Então estaria descartada, em tese, a manipulação política, no caso esconder o jogo, mas não há dúvida que inexiste hora melhor para o anúncio. A eleição já passou e o novo presidente não precisará assumir o ônus da notícia.
A única coisa incompreensível foi a reação histérica das bolsas. Foi como se uma mudança do estado geral das coisas tivesse ocorrido. Uma das maiores quedas do Dow Jones na história, o que também, convenhamos, virou rotina nos últimos tempos.
Qualquer dia destes o sol nascerá e a surpresa será tremenda. Quem sabe até passem na tv.

domingo, 23 de novembro de 2008

Impostura da sustentabilidade

Desde o princípio do movimento político formado ao redor da idéia ecológica, a idéia de sustentabilidade tem se firmado como o carro-chefe do discurso pelo que seria uma nova inserção do homem no mundo, mais justa e blá, blá, blá. Tudo muito bonito e muito errado.
Só são sustentáveis ecologicamente os sistemas fechados, ou quase, em que há reclicagem de nutrientes. Os atuais sistemas econômicos humanos são, por natureza, abertas, com o transporte de elementos em escala mundial. Não é por outra razão que as florestas resistiram milênios antes que a exploração intensiva fizesse sua área entrar em uma espiral descendente quando nossa espécie conseguiu adquirir um mínimo de tecnologia.
A urbanização acelerada só contribui para aumentar ainda mais a insustentabilidade. O processo existente hoje é o de concentração de nutrientes onde não podem ser utilizados, como os lixões e aterros sanitários, depois de serem retirados de fazendas ou coletados por pesca ou caça, onde seriam necessários. Dizer que reservas extrativistas podem manter a produção indefinidamente é desconhecer a biologia e a história. É negar a chamada Revolução Verde do século passado.
Conter a deterioração do meio ambiente é imperioso. Mas a pior base para isso é a mentira, a mistificação ou uma mistura das duas. Tentemos preservar, mas sabendo que todo o consumo traz conseqüências.

sexta-feira, 2 de maio de 2008

É, somos bom destino aos investimentos.

Finalmente chegou o grau que tantos queríamos, regado a espumante na cúpula governistas, mas alguns exportadores estão mais é querendo tomar uma caninha para esquecer os maus momentos que, eles esperam, virão.
Dá minha parte, só vejo vantagens. Se você lê estas discordâncias com freqüência, sabe que sou favorável à moeda forte e às importações, em suma, ao consumidor. É balela esta história de que o país precisa ser uma plataforma exportadora para ser desenvolvido. Normalmente os mais desenvolvidos são o oposto, grandes importadores de produtos, deixando sua bem remunerada força de trabalho dedicada aos serviços que facilitam a vida, tornando-a melhor. E isso os torna desenvolvidos, oferecer uma vida melhor à maior parcela da população, não ao grupelho de empresários exportadores.
Não que eu queira impedir a exportação, mas se ela se baseia apenas no dólar fraco, não a merecemos. Que aumentemos a tecnologia embutida, reduzamos os impostos às exportações, retiremos os entraves que encarecem a mão-de-obra, façamos o que os desenvolvidos fazem. Se queremos ser como eles é daí que teremos que tirar os exemplos, não da China ou da Índia.
Favoreçamos o consumidor daqui.

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Oito anos é pouco?

Taí, concordo com Lula em gênero, número e grau. Oito anos é pouco para um governante manter-se no poder. Um governante poderia ficar no poder eternamente, trazendo o bem à população. Conosco também estão, Mugabe, Il-sung, Chávez, Castro, aquele do Quênia, etc, etc ,etc.
O problema é que governantes não são encontrados facilmente por aí, tanto é assim que, em todos os lugares para onde olho, não os vejo. Nós mesmo não temos um, como o desgoverno na saúde, nas obras públicas, no ensino universitário, etc, etc, etc, demonstram.
Casuísmo por casuísmo, vamos debater a possibilidade de mandatos maiores, mas só quando um verdadeiro governante estiver no cargo, combinados?

obs: se a proposta não parece muito democrática, é porque ela não é mesmo. Enquanto a falta de democracia estiver apenas nas propostas, muito bom. O problema é que pessoas que realmente podem mudar as instituições estão aparecendo com umas idéias esquisitas em toda a América Latina (sim, toda), e estas sim, são muito ruins.

sábado, 26 de abril de 2008

Caso de polícia

Não comentei até agora, mas devo confessar que este caso Isabela muito me intriga.
Nele ocorreu algo raro e potencialmente perigoso: o acompanhamento da mídia desde os primeiros instantes. Aliada à comoção que a morte de uma criança costuma causar, ainda mais a de uma menina de classe média com muitas fotos prévias a provar que era uma gracinha e quetais, a cobertura da imprensa gerou um sentimento público de urgência pela apuração dos fatos que a polícia, infelizmente, não está preparada para suportar.
É lógico que, como a grande massa, só sou informado do caso pelo que os repórteres recebem das partes envolvidas no inquérito, porém mesmo este pouco é suficiente para demonstrar o quão ineficaz é o nosso sistema de investigação. É muito claro que os cenários apresentados pelos investigadores até o momento carecem de um mínimo de plausibilidade, pois mostram um crime sendo cometido por etapas, primeiro com a agressão ainda no carro, seguida de esganamento no apartamento e, por fim, do lançamento do corpo pela janela. Ou seja, não estamos falando da tentativa desesperada de encobrir as pistas de um assassinato cometido no calor do momento, mas de reiteradas tentativas frustradas que se mostraram bem-sucedidas apenas no final da série.
Caso os peritos tivessem feito um trabalho irretocável, até poderia aceitar este cenário que me parece absurdo, mas há um grande se aí. Como os peritos podem afirmar de forma irrefutável que não havia existido um terceiro adulto no apartamento se há duas outras pessoas que confessam ter estado no apartamento entre a dia da morte da menina e a primeira das muitas perícias feitas pelo Instituto de Criminalística? Com tal contaminação, qual é o grau de certeza que pode ser apresentado?
Enquanto ao menos estas duas questões não forem completamente respondidas qualquer laudo apresentado parece-me refutável, tendo a polícia outros suspeitos ou não, mesmo porque a motivação dos crimes até agora não foi demonstrada.

terça-feira, 25 de março de 2008

Muito barata

Pois é, a Cesp estava tão barata que ninguém quis comprar.
Estes capitalistas, hein, não querem tirar doce da boca de crianças, que bobinhos.

terça-feira, 18 de março de 2008

Por quê?

Duas postagens abaixo disse que o Brasil está pouco exposto à contaminação do pesadelo econômico que a queda dos títulos "sub-prime" desencadeou.
Vou aqui disser porque acho que estamos seguros, caso nenhuma besteira seja feita.
O Brasil é pouco aberto ao comércio externo, a corrente de comércio exterior é de pouco mais de 15% do PIB, resultando que nosso crescimento econômico é decidido pelo que acontece aqui dentro. Fatores que no passado resultaram no chamado estrangulamento externo (crises da dívida, cambial, etc) não terão como atuar devido a uma montanha de divisas que permitir-nos-ia pagar dois anos de importações mesmo que não vendêssemos um único centavo, e isso em um momento em que temos algumas das empresas mais competitivas do mundo em setores-chave e câmbio flutuante.
Dependemos, portanto, de fatores intrínsecos para regular o quanto avançaremos. Dado o subconsumo histórico do povo brasileiro, nenhum motivo que não envolva restrições compulsórias fará com que as famílias pare de comprar. Daí as vendas no varejo estarem se acelerando; o número de empregos e os salários, expandindo-se, tudo ao contrário do que está ocorrendo nos Estados Unidos. Deste modo, no que depender do mercado interno, estamos bem.
Mas os alarmistas podem sempre dizer que, apesar de relativamente pequeno, há sempre o comércio exterior para ser contagiado. Há aí, porém, um atenuante muito importante. O país é um grande exportador de alimentos e, por mais que a situação fique ruim nos nossos parceiros comerciais, deixar de comer eles não vão. Principalmente a China, que, como toda a ditadura, precisa da ilusão de bem-estar para manter uma certa paz social, não deixará de comprar os alimentos que podemos oferecer, além de outras commodities.
Basta que nenhuma daquelas inovações que nossos governos são pródigos em apresentar ocorra, e atravessaremos bem por essa turbulência que se avizinha. Só fico com uma pulga atrás da orelha devido ao nosso governo, que, como sabem, não me passa nenhuma confiança.

quinta-feira, 13 de março de 2008

Ainda devagar, mas vou pegar no tranco

Cabe fazer um comentário a respeito do "pacote cambial" de ontem.
Não servirá para nada além da reunião social que é para a mídia que normalmente cobre este tipo de evento.
Quem exportava antes o continuará fazendo. Quem aplicava no Brasil, também. E qualquer um que faça contas não deixará suas reservas em uma moeda que está derretendo (nas palavras do nosso lácteo ministro) ao invés de uma que se valoriza a cada dia.
Mas as medidas têm ao menos uma boa intenção, indicam que estamos mais liberais, e que o núcleo duro do miolo mole, nas palavras de Reinaldo Azevedo, está tendo que engulir, nas palavras de Zagalo, a normalidade de nossa economia; avança apesar do Estado, quando não contra ele

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Economics

Não deixa de ser ridículo o debate sobre os Estados Unidos estarem em recessão ou não. Meu velho dicionário de economia diz que recessão é: "declínio da atividade econômica, caracterizada por queda da produção, aumento do desemprego, diminuição da taxa de lucros e crescimento do índice de falências e concordatas". Pois bem, o que falta então?
O índice da construção civil de lá despencou 14% em dezembro, a venda do comércio varejista, 6, na comparação com o ano passado (e, se levarmos em conta a inflação do período, a queda é de quase 10%), a geração de empregos está praticamente nula - o que nos mostra que os milhares que querem entrar no mercado de trabalho ficarão chupando dedo - e a confiança na moeda fez a celebre Gisele exigir pagamento em euros. E vêm uns fanfarrões (incrível como esta palavra foi reincorporada ao vernáculo) e dizem que tudo vai bem na economia "real", que apenas o sistema financeiro está sofrendo.
Os 100 bilhões de dólares que Ben Bernanke presume serem os prejuízos do sistema bancário certamente não custarão apenas as cabeças dos muito bem pagos "chairmen" das instituições de crédito. Resultarão em enxugamento da liquidez, encolhimento do consumo e falta de incentivos ao investimento produtivo. Em resumo, o pesadelo de governantes em ano eleitoral. E nós já vimos o que o governante GWB é capaz de fazer quando tem um desafio pela frente: besteira, muita besteira.
Porém há algo de novo no ar, o Brasil está realmente pouco exposto à crise que pode vir por contaminação. Atuar pouco no comércio mundial por vezes nos traz vantagens.

sábado, 12 de janeiro de 2008

Pelo menos a fartura não temos mais

Alguns meses atrás escrevi um artigo no qual culpava a fartura brasileira pelo nosso atraso, basta procurarem nos números atrasados aí ao lado se quiserem relembrar. Também escrevi algo duvidando que a escassez de energia pudesse retornar ao Brasil, devido à infinidade de fontes baratas de energia das quais dispomos.
Parece que os fatos desmentem-me, dia após outro. Um novo apagão desenha-se no horizonte e, graças a competência - ou falta de - dos que gerem o sistema, podemos em breve tomar banho frio e jantar à luz de velas todas as noites. Será ou não romântico?
Mas para tudo há compensações, passar um apertinho pode fazer os dirigentes entenderem que pesquisa em tecnologias poupadoras de recursos finitos compensa.
Vai que daí sai algo que pode nos trazer prosperidade, tipo um acidente como o que levou-nos ao álcool combustível, digo, etanol.

E as coisas explicam-se automaticamente

Vocês viram o show do Chaves de ontem? Ou seria o do Chávez? Aquele que usa camiseta vermelha com inscrições e se crê muito astuto - se bem que esta não é uma boa descrição porque pode ser que pensem que estou falando do Chapolim -, melhor, o presidente de um país amigo e cheio de petróleo e de si. De qualquer forma, protagonizou um espetáculo e tanto.
Helicópteros chegando e uma voz de fundo contando-nos o que se passava. Empolgadíssima, a narração dizia que as reféns haviam sido recuperadas após a libertação das forças combatentes colombianas. Mais algumas horas e o dono da voz estava perante as câmaras de tv e o arremedo de Câmara de representantes de seu país para pedir que algumas nações mais sérias do que a sua retirassem da lista organizações terroristas os "revolucionários" que algumas horas antes deixaram que duas mulheres seguissem os rumos de suas vidas depois de anos presas sem nenhum julgamento. Por quê? Porque as organizações para-militares colombianas têm um projeto bolivariano que na Venezuela é permitido.
Será que é por essa permissão que os índices de criminalidade nos dois países seguem em trajetória oposta: os da Colômbia caem e os do país do fanfarrão sobem? Espero que os líderes dos outros países saibam reconhecer a fanfarronice quando a vêem, pois estão faltando espelhos em Caracas para mostrar o ridículo que os venezuelanos estão passando.