segunda-feira, 2 de março de 2009

O fim

O Google Adsense diz ter um anúncio personalizado conforme a cara do site.
Não sei se por minhas comunidades ou por minha idade mesmo, abri meu Orkut, dia desses, e o anúncio que me ofereceram foi este: Hiléa.
Como diria Chico Buarque, "já de início minha estrada entortou, mas vou até o fim" que, segundo o Google, está bem próximo.

domingo, 1 de março de 2009

Dúvidas crueis?

"Por fim, uma dúvida: matar alguém, como em Pernambuco, é crime, claro. Mas invadir terras é também crime ou é a única maneira que um movimento social voltado para a reforma agrária tem para chamar a atenção para a sua agenda?".
Esta dúvida acima está na contracapa da Folha de Hoje. Tenho as minhas também.
Será que o senhor Clóvis Rossi (íntegra aqui, para assinates) acredita que cometer ilegalidades trará bons resultados no longo prazo?
Poderíamos fazer como o Paquistão em Swat, deixar a lei do mais forte dominar?
Será?

Justiça caolha.

Editorial do Estadão, de hoje, e argumentação de Dirceu (aqui completa) mostram a que ponto chegamos na imbricação política-justiça.
O ex-ministro disse o seguinte:
"Estamos discutindo um direito, fora o detalhe que, não por minha culpa, a ação já prescreveu, mas o que está em jogo é o caráter e o papel das ações populares. Se os que apelam para esse instituto, sem má fé ou dolo, tem que arcar com as custas dos processos, deixa de ser uma ação popular e um instrumento de fiscalização e cobrança de atos dos governantes, isso sem falar que sendo minha casa, construída depois no terreno, é meu único imóvel, é impenhorável."
Então, segundo ele, por ser popular, uma ação não deve trazer conseqüências pecuniárias? Podemos falar qualquer coisa e não provar, fazendo os cofres públicos arcar com a defesa do denunciado, e depois dizer desculpa, foi engano?
Irresponsabilidade na disputa política é uma arma que não deveria ser usada nunca, as ações e omissões devem ser punidas quando causam dano, e parece ter sido esse o caso. Além disso, se um imóvel é dado como garantia e é impenhorável, não é má fé de quem o colocou nessa situação?
Quanto ao atual ministro, que vergonhoso é tê-lo. Durante sua administração as mortes violentas imbicaram para o sentido ascendente e as instituições do refúgio e do asilo foram desmoralizadas. Como diria o capitão Nascimento: Pede pra sair.
Resta agora saber quem é o dono mencionado na coluna de Élio Gaspari, de hoje, na Folha, no seguinte trecho:
"Com a fuga de Cuba do boxeador Guillermo Rigondeaux, escreveu-se o penúltimo capítulo da uma história iniciada em 2007, quando ele e seu colega Erislandy Lara foram deportados pela polícia do comissário Tarso Genro.
O último será escrito quando se souber com quem Fidel Castro falou no dia em que ele soube do desaparecimento da dupla. Que falou com alguém, falou, pois isso foi contado pelo seu chanceler, Felipe Pérez Roque. Nas suas palavras, o Comandante pediu ao seu interlocutor ajuda para "propiciar e organizar" o repatriamento dos fujões. Pode demorar, mas um dia a identidade do amigo de Fidel será conhecida.
"
Não acredito que teremos grande surpresa, quando ele finalmente mostrar a cara.

Injustiçada ficava a sua avó...

Você fica mesmo é boquiaberto.
A penhora da casa de José Dirceu para o pagamento de dívidas demonstra a celeridade limacídea da nossa Justiça.
A ação que motivou a penhora remete ao governo Quércia, aquele dos bois laçados no pasto nos velhos tempos em que Sarney era presidente - do Brasil. Um Fleury, um e meio Covas, um e meio Alckmin e meio Serra depois, o processo conseguiu chegar à (rufam os tambores) segunda instância, bem distante do fim. Chegou também a um resultado potencialmente nulo, pois, segundo o advogado de Dirceu, a dívida não será paga, porque está prescrita.
Conclusões como essa são a razão da falta de credibilidade do sistema jurídico brasileiro. Se o início do litígio ocorreu devido a compra de 30 caminhões, claramente por motivação política, quando ele encerrar-se definitivamente os veículos já terão virado sucata e os políticos estarão em casa, aposentados (como sou ingênuo).
Diga-me, qual cidadão comum e honesto gostaria de embrenhar-se em uma pendenga que surtirá resultados práticos quando estiver morto. Essa lentidão do judiciário é a matriz dos desrespeitos ao brasileiro, dos direitos humanos mais básicos às relações econômicas. Picaretas fazem os maiores absurdos sabendo que esses terão como consequência apenas algumas horas diante do juiz, se tanto.
Enquanto essa falha não for sanada, Estado de Direito será sempre uma palavra bonita, e democracia apenas uma esperança.

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Judicialização das demissões

Era previsível que a Justiça iria tentar reverter o quadro das demissões da Embraer. A Trabalhista brasileira tem um viés totalmente pró-trabalhador, como de resto toda a nossa sociedade, que é, em muitos aspectos, pré-capitalista (ver texto do dia 24). Está, portanto, fazendo o que dela se espera.
Fica, porém, um conselho ao grupo de funcionários restantes da produtora de veículos aéreos. Os dirigentes das centrais sindicais não ligam a mínima para vocês. Eles só querem ficar com a imagem de que são eficientes em lidar com os empregadores malvados.
Este filme já passou muitas vezes, e sempre acaba mal para os que põem as mãos na massa. Empresas muito maiores, como a General Motors vai acabar demonstrando, encontraram seu fim por não tomar a decisão difícil de diminuir seu quadro inchado de funcionários enquanto ainda havia tempo.
Outras fizeram da satisfação de seus "colaboradores" a sua razão de ser, quem não lembra da Varig, que era dirigida por uma fundação controlada por seus funcionários, e apenas os decepcionaram, com a falência.
Não é função da justiça, ou mesmo dos sindicatos, ir contra a discricionaridade do empregador em manter a quantidade de postos de trabalho que considerar adequados. Cabe a ela observar se as leis foram cumpridas, punindo os que não as observarem. Qualquer outra opção, é populismo da pior espécie.
Espero que não acabem por transformar a manutenção deste um quinto dos funcionários da Embraer na ruína dos os outros quatro restantes.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Algumas vezes não reluz, mas é ouro

Tomando carona na postagem de ontem, farei uma consideração sobre o desperdício de materiais nobres que está ocorrendo globalmente, mas é muito visível no lixão do Pacífico.
Muitas vezes, algo é um transtorno individual e uma fortuna coletiva ao mesmo tempo. Quando estava no segundo grau, ia de metrô para a escola. Passando repetidas vezes por um trajeto, percebemos que as coisas seguem um certo padrão. Havia sempre os mesmo carros estacionados, provavelmente dos comerciantes locais, mas em uma vaga em especial a rotatividade era imensa. Só parava ali quem não conhecia as conseqüências. E no horário de saída do colégio estava lá um carro coberto de guano, e para quem não está ligando o nome à pessoa, era isso mesmo, fezes de pombo.
Imagino que infortúnio para o dono do automóvel era grande. Em imensas quantidades, porém, aquele material fecal fez a fortuna de nações inteiras. Heraclio Bonilla afirma que, do princípio da década de 1840 ao começo da Guerra com o Chile, conhecida como a Guerra do Pacífico, em 1879, a evolução econômica e política do Peru esteve na dependência, de um modo ou de outro, da exploração dos depósitos de guano das ilhas costeiras. O mesmo ocorreu em maior ou menor grau com a Bolívia e o Chile. Em alguns momentos, a renda proveniente da exploração deste recurso foi responsável por mais da metade da receita dos governos desses países, contribuindo para os acontecimentos que levaram à conflagração do conflito.
Garanto que os primeiros a ver aquele, literalmente, monte de bosta não devem ter percebido seu valor comercial. Nem o primeira a dar de cara com alguma efluência petrolífera. Nem o a avistar o lixão do Pacífico. Mas as oportunidades estavam lá para quem quisesse aproveitar; nos dois primeiros casos, algum empreendedor o fez, a próxima onda ainda está esperando o felizardo. Basta vontade e capital, o resto se arranja.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Cemitério do bom senso

Já foi tema de livro, mas não custa lembrar. Lixo é um patrimônio valiosos que não estamos sabendo aproveitar. O arquipélago de detritos mostrado no vídeo abaixo, do Fantástico, com a linda apresentadora a ocultar um pouco da horripilância das cenas, demonstra que estamos jogando fora o nosso bom senso.



O uso de embalagens descartáveis tem, também, razões sanitárias e de identificação do produto, mas a principal razão para a sua adoção foi a de redução de custos. Com o aumento dos salários nos países mais ricos, tornou-se anti-econômico a venda avulsa, a granel, feita durante milênios pelos comerciantes. As máquinas embaladoras conseguiam diminuir o número efetivo de funcionários da cadeia, fosse ela na indústria ou no comércio, beneficiando compradores e vendedores.
Toda a ação econômica tem, porém, externalidades. A desse processo foi o aumento exponencial de resíduos sólidos produzidos pela nossa civilização, e ele está se acelerando devido à entrada no consumo de massa de milhões de pessoas anualmente.
Teremos que repensar o meio de comercialização de nossas necessidades, melhorar o reuso dos recursos ou, e provavelmente a melhor solução, fazer os dois. Para isso, a externalidade negativa deve ser taxada de alguma maneira, de modo que fique mais barato utilizar os resíduos do que depositá-los na natureza indistintamente.
E a grande vantagem vira do número de empregos gerados no processo. Durante esses tempos de marola, é algo que não pode ser deixado de lado, ou mesmo jogado ao mar.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Por um turismo mais constante

Com o fim do carnaval, é hora de fazer o rescaldo. Muitos neurônios, horas e dignidades jamais serão recuperados, mas algumas contas bancárias sairão bem melhores do que entraram.
Esta é uma das épocas em que o turismo mais arrecada no país. Os preços inflacionados não afastam os seguidores de Momo, que ganham em troca um serviço muito aquém do desejável, por simples impossibilidade de oferecê-los com tamanha e concentrada procura.
É de interesse de prestadores e dos receptores de serviços que haja uma desconcentração dos pontos turísticos e da alta temporada. Os primeiros por ter fluxo de caixa mais seguro, os segundos para receber tratamento melhor.
Com mais turistas ao longo do ano, Salvador, por exemplo, suportaria um maior número de acomodações de qualidade. Os foliões não precisariam de tantos alojamentos improvisados, usufruindo de maiores conforto e segurança.
Da forma como estão as coisas hoje, ser uma cidade de carnaval é um risco para o município. Sempre pode aparecer outra mais na moda, e os gastos podem não se pagar.
Tornar-se acolhedora em todas as épocas e ter a folia de fevereiro apenas como mais uma data é tudo que uma cidade pode querer para a geração de renda. Espero que um maior número consiga nos próximos anos.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Emprego, uma questão chave

As preocupações com relação ao futuro dos empregos é, nestes tempos de marola supernutrida, uma coisa natural, mas, ao que parece, as soluções para empregar mais pessoas não podem ser obrigar empresas a manter funcionários a ferro e fogo.
A repercussão das demissões da Embraer mostram a utilização política de assuntos totalmente econômicos, e isso não leva a nada bom, ou melhor, a nada bom para o conjunto da sociedade, pois uma casta de beneficiados sempre há.
Há, no Brasil, a fantasia de que o emprego é do funcionário e a empresa empregadora, personificado pelo empresário ou executivo, deseja sempre subtrai-lo por pura maldade. Essa visão não é apenas infantil, é também deletéria para o funcionamento do capitalismo.
A partir do momento em que não se pode demitir, evita-se contratar também. É um padrão observado mundialmente; países com relações trabalhistas rígidos têm altas taxas de informalidade e desemprego.
Não que eu esteja defendendo o vale tudo, com exploração ou trabalho escravo, porém nossa legislação trabalhista só serve para inchar a conta bancária de sindicalistas e carrear recursos para o governo fazer mal uso, como as contas previdenciárias que rendem menos do que a poupança e não se revertem em infraestrutura de qualidade.
Não fazer o que não sabe é sempre uma boa dica; evitar dar palpite onde não tem competência é melhor ainda. O governo e os sindicalistas não conseguem gerenciar nada, além da luta política, de modo minimamente eficiente, por que deveriam ser ouvidos nos momentos de demissão?

observação 1: Façam o que eu digo, mas não o que faço. É o meu comentário a respeito do primeiro período do último parágrafo.

observação 2: Segue abaixo o programa "Sem Fronteiras", da Globo News, tratando da crise mundial do emprego.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Desgovernado

Copiei do blog doClaudio Humberto a seguinte nota:

"Ministros abandonam Brasília no Carnaval

Dos 37 ministros do presidente Lula, apenas dois deles ficam em Brasília durante o carnaval deste ano. A maioria deles volta aos Estados para passar o feriado em família, sem “folia”. Outros, como o ministro Orlando Silva (Esportes), que vai desfilar em Escolas de Samba de São Paulo e do Rio de Janeiro, vão aproveitar a folga. A ministra pré-candidata Dilma Rousseff curte a festa em Pernambuco, assim como José Múcio.
"

Pergunto-me então, quem está no volante?

domingo, 22 de fevereiro de 2009

Luz, câmera e história, por favor

Como hoje é a celebração do cinema de Hollywood, tentei me lembrar qual foi o primeiro filme oscarizado que assisti. Com base na lista de premiados, tentei me lembrar, mas não consegui. Foi provavelmente "A Noviça Rebelde" que, sendo da turma de 65 e de temática leve, devia fazer muitas aparições na Sessão da Tarde.
Se não lembro, a explicação é que foram muitos os filmes assistidos. Houve uma época, lá pelos meus 15 anos, em que ser ganhador do Oscar era uma boa razão para que eu ver um filme. Não me arrependo dessa fase, vários são excelentes. "Golpe de Mestre" é dos meus preferidos em todos os tempos. A magia, porém, quebrou-se. Nesta década, vi apenas a metade dos agraciados com o distinto prêmio.
A razão, talvez, é que os próprios filmes americanos, e não só os vencedores do Oscar, perderam muito de seu apelo, ao menos para mim, ao priorizar todos os outros aspectos da trama ao enredo. "O Senhor dos Anéis: o retorno do Rei" é dos piores filmes que assisti em toda a minha vida, rivalizando, quem sabe, os outros dois da trilogia e uma ou outra comédia escatológica.
Cinema é uma obra coletiva, mas tirar os roteiristas do centro da produção é uma péssima opção. Concordo com Chris Anderson, e sua teoria da cauda longa, principalmente nos bens etéreos; também nessa indústria, penso que a chave para o sucesso futuro será extrair pouco lucro anual de cada produção. Isso só é possível quando pessoas queiram assistir aos filmes muitas vezes, o que não acontece quando a única emoção que se consegue com ele é vertigem.
Dizem que a leva deste ano é muito boa, com boas história, ou para denunciar a idade, estórias. Não posso me pronunciar porque não assisti a nenhum. Espero que seja verdade, todos aqueles que gostam de bons filmes só têm a ganhar.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Incapacitador de fluxo

Na série "De volta para o futuro", Doc Brown confiava as suas viagens intertemporais à invenção chamada capacitor de fluxo. Capacitor é um dispositivo com a capacidade de armazenar energia quando submetido a um campo elétrico. No filme, ele parecia agir acumulando energia até um limiar em que, descarregando-a rapidamente, permitisse a viagem.
Caso funcionasse ou, dizem as más línguas, existisse, o PAC seria o equivalente político do governo ao invento do Doc Brown. Levando-nos cada vez mais para o passado ou, utilizando o título de José Eli da Veiga ao seu mais recente artigo em Valor Econômico, no qual trata da parte energética do PAC, "acelerando em marcha ré".
Calcado na ideologia estatista, na qual as empresas privadas não têm função maior do que a de empreiteiras, o dito Programa de Aceleração do Crescimento, caso realizasse um terço do prometido pela "mãe" Dilma, seria uma revolução na infraestrutura brasileira. Mesmo assim seria um fracasso social.
Governos devem se ater à função de liderar a sociedade rumo a um futuro melhor, corrigindo as eventuais falhas e coibindo abusos dos entes privados. As ações do programa não apenas deixam a desejar neste critério, como sinalizam para um aumento do peso estatal na economia. Mais Estado significa concorrência desleal para os empreendedores e possibilidades constantes de corrupção e favorecimento.
Gigantismo estatal é sinônimo de subdesenvolvimento, a despeito da renda per capita. Que o Brasil queira ser excepcional, é compreensível. Já que o queira ser trilhando um caminho já conhecido e que nos levou à bancarrota, burrice.


quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Um grande Maranhão

Entre as coisas que Jarbas Vasconcelo9s disse, uma que causou comoção foi a afirmação de que Sarney transformaria o Senado em um grande Maranhão. Não creio que seja possível. O novo presidente da Casa não tem competência para tanto, qualquer que seja a acepção da frase.
Belo e pobre, o Maranhão é o exato oposto do Senado, com seus gastos ostensivos. Estéril em sua produção legislativa, este ano, pelo menos até o momento, apenas se discutiu cargas, a Casa vê seu prestígio junto a população descendo a ladeira; o estado recupera, aos poucos, junto ao povo brasileiro a posição de jóia da coroa, associada aos prazeres, como celebrizado por um dos seus ilustres representantes literários, Gonçalves Dias, em Canção do exílio.
Tivesse o poder transformador que lhe confere seu colega, Sarney teria feito o Brasil mais parecido com o seu estado natal, mas quê. Foram cinco anos sem nenhuma mudança. Social, cultural e economicamente; o país após a presidência do acadêmico era o mesmo legado por Figueiredo. Posso afirmar que mudanças só ocorrem quando os elementos afetados deixam-se levar, vencendo a inércia. Tudo que o ex-mandatário maior da nação fizer no Senado será fruto da aceitação ou complacência de seus colegas, principalmente se ele virar uma casa da sogra.
Fosse um cidadão maranhense, estaria muito ofendido com o senador Vasconcelos. Comparar o seu lar com uma das casas do Congresso parecer-me-ia uma diminuição. Ainda mais se observarmos o que dele tem-se falado ultimamente.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Pura diversão

Para quem acha que o TV Pirata foi inovador em sua nonsense, The Monkees.
Preste atenção no celular do motorista/mordomo, tecnologia em seu estado puro.

<a href="http://www.joost.com/08202u3/t/Monkees-The-Episode-1-Royal-Flush-Digital-Continuous-Edit">Monkees, The - Episode 1 - Royal Flush (Digital Continuous Edit)</a>

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

O mínimo

O mínimo que se espera de uma pessoa honrada é que, ao ser caluniada, entre com uma ação contra o autor da dita cuja.
Até onde sei, ninguém moveu uma pena contra o senador Jarbas Vasconcelos.
Ou não há a ofensa, por ser verdadeira, ou não há a honra. Nos dois casos os nobres parlamentares não fazem jus aos postos.

And the winner is

Crysler e GM devem, pelo acordo imposto pelo primeiro empréstimo extraordinário, apresentar seu plano de reestruturação hoje. Estou curioso para saber o que mostrarão aos congressistas estadunidenses.
Como não há salvação para empresas que apresentam déficits operacionais recorrentes, para não falar dos assustadores resultados financeiros, as peças serão verdadeiras obras de ficção, provavelmente ao estilo do realismo fantástico.
Carentes de boa literatura, e pressionados pelos eleitores, os nobres deputados e senadores darão um prêmio aos escritores de alguns bilhões de dólares.
Morra-se de inveja, Nobel.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Grandes empresas, péssimos negócios

O Hopi Hari é tudo que poderíamos querer de uma empresa. Está localizado em um mercado de mais de vinte milhões de pessoas, gera milhares de empregos, produz pouca poluição ambiental e trouxe novas tecnologias, já consagradas no exterior, para aplacar a carência de brasileiros por parques de diversões modernos.
Em dez anos de atividades, atraiu quinze milhões de visitantes, o que lhe garante uma margem operacional folgada, de cerca de 20%. Esses atributos deveriam fazer feliz qualquer proprietário, entretanto, como informa Vanessa Adachi, no Valor Econômico de hoje, os fundadores de parque - GP Investimentos e os fundos de pensão Previ, Funcef, Petros e Atlântico - estão se desfazendo do negócio, passados às mãos da consultoria Íntegra, sem receber um centavo em troca.
Essa aparente contradição acontece porque o Brasil é campeão mundial indiscutível de juros reais. Sendo operacionalmente compensador, o Hopi Hari foi sempre um sorvedouro de recursos no front financeiro, acumulando, da sua criação até setembro do ano passado, 654 milhões de reais em prejuízos.
Tal desastre empresarial é emblemático das condições nacionais para a manutenção e criação de negócios saudáveis. Qualquer empreendedor que queira aplicar capital próprio deve ter sua sanidade mental investigada, pois há poucos negócios capazes de remunerar melhor do que a Selic, e quem pedir empréstimo para abrir uma empresa deve ser internado na psiquiatria sumariamente.
Mudar esse quadro deveria ser a missão precípua de todos os governantes brasileiros. Os passados e, sobretudo, os atuais, no entanto, preferem se concentrar em aumentar os gastos, solapando a queda da dívida pública e, consequentemente, dos juros. Não há milagre que desenvolva um país assim. Mesmo porque já tivemos o nosso, e os santos e sua obra mostraram-se do pau oco.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Cenas da Grande Depressão

A maior crise que o capitalismo já vivenciou não trouxe apenas miséria, grandes obras de arte também emergiram daqueles tempos revoltos.
Segue aí uma delas, cortesia do Joost e seus patrocinadores, da lavra do senhor Charles Chaplin. Um inglês que fez fortuna nos Estados Unidos e terminou exilado na Suiça, na época em que não havia controvérsia visível a respeito de imigrantes por lá.
Em "O Vagabundo", a vida era dura, mas, como dizia Bezerra, malandro é malandro e mané é mané, em qualquer tempo e local. Podemos, então, ter esperança; não vivemos o fim do mundo ainda.
Divirtam-se.

<a href="http://www.joost.com/05900t4/t/Charlie-Chaplin-The-Vagabond">Charlie Chaplin -The Vagabond</a>

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Mais um plebiscito

O plebiscito de amanhã na Venezuela é apenas mais uma nota da balada do louco.
É uma cartada desesperada. Chávez sabe que não terá sobra de caixa para mais um ano de distribuição de bondades entre as camadas pobres de seu país. A PDVSA já está enfrentando problemas e atrasando metodicamente os pagamentos às prestadoras de serviços que realmente extraem o petróleo.
A comercialização de produtos petrolíferos segue uma agenda de pagamentos na qual há um atraso de cerca de 90 dias entre a entrega do produto e a quitação. A Venezuela, portanto, só agora entrará na fase de receber os preços deprimidos da commodity, e, como o parágrafo anterior demonstra, os problemas já apareceram. Esse foi um dos motivos para a votação ser feita tão pouco tempo após a emenda constitucional passar pelo congresso.
A história é cheia de exemplos de depressão econômica seguida de mudanças de regime. O próprio venezuelano é um deles. Quando assumiu, há dez anos, o preço do óleo bruto estava cotado na casa dos 10 dólares, muito abaixo da média do século, o que impulsionou sua campanha oposicionista.
Em seu tumultuado governo, o tenente-coronel aprofundou a dependência venezuelana de artigos importados e concentrou as exportações no hidrocarboneto. Aplicando o chamado socialismo do século XXI, solapa a formação de mercados livres em seu país e, consequentemente, a criação de empresas. Subsidia pesadamente a gasolina e produtos de primeira necessidade em pontos de venda selecionados, ligados à PDVSA ou ao governo federal, e criou programas sociais assistencialistas. Semeou, enfim, a tempestade que colherá.
Não consigo enxergar um longo futuro para Chávez no poder. Vença ou não o plebiscito, será brevemente confrontado com queda de popularidade mais aguda do que enfrenta agora. O ideal seria que perdesse, a transição poderia ser mais ordeira. Um pato manco, para citar os inventores do presidencialismo, sem direito a reeleição é melhor do que um com. O destino, porém, não parece estar sendo bom com a Venezuela neste século, é provável que o sim vença.
Um Bolívar antes e um depois da emancipação parecem ser a receita ideal para o desastre.



sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Regime personalista

Faz muito, desde 1989, com um breve interregno no imediato pós-Jânio, o Brasil é governado por um regime que é nominalmente presidencialista, mas na verdade é personalista, no sentido de procurar se erigir em torno da figura do presidente e não das instituições, inclusive a Presidência. Um absolutismo eleito, ou nem isso.
É óbvio que tal regime não pode prosperar. O culto a pessoa é um dos mais claros sinais de primitivismo político e tem como conseqüência apenas uma coisa, o autoritarismo. Somente o sentimento de que não se deve nada às instituições pode levar ministro de Estado, bancado pelo presidente, a tomar para si a responsabilidade de reformar a decisão dos tribunais europeus e da comissão puramente brasileira e criar um incidente internacional, como o comentado por João Melão Neto, hoje. Total confusão entre o legal e o legítimo, confundida com soberania. Como se soberania fosse a obrigação de errar sempre que possível.
Esses governos tendem a considerar primeiro os interesses de seu comandante e depois, e longinquamente, o do povo que ele deveria representar. Daí vêm a diplomacia secreta, abordada superficialmente na postagem de ontem, e a personificação da nação na figura eleita, como faz um outro ministro de Estado, responsável pela formulação da política externa do país, na entrevista abaixo:

.

Fortalecer as instituições traria verdadeira democracia para o país. Um Congresso digno desse nome não aceitaria o papel de apêndice do Executivo e seria cobrado pela imprensa e pelos eleitores como um poder independente. Um sistema judiciário que não permitesse as chicanas que compelem os governos de todos os níveis a praticar ilegalidades ganharia muito em prestígio junto ao povo.
Não sou, de fato, presidencialista, mas o que seria um regime ruim em situação normal, na América Latina, em geral, e no Brasil, em particular, cria disparates mil. Como é o único regime que temos no momento, temos que fazê-lo funcionar. Reconhecer que não é normal o absolutismo personalista, a não-separação dos poderes que encontramos aqui, é o primeiro passo para que o conserto seja feito.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Ponto sem nó

Nove décadas atrás, o Nobel da Paz Woodrow Wilson lançou seus 14 pontos. O primeiro era o fim da diplomacia secreta.
Hoje, é destaque no Brasil que nosso país teria pedido ao Paraguai que as negociações sobre as mudanças tarifárias de Itaipú fossem feitas ao largo do escrutínio da imprensa; negado pelos vizinhos.
Já havia me referido ao desejo do governo de correr célere para o passado. E ele está acelerando. Passou do primeiro para o terceiro filme.
Dance, Eastwood, dance.

Azia hepática ou não?



Pergunto-me, Lula lê jornal ou não? Se sim, mentiu ou mentiram; ele, o jornalista de Piauí ou ambos. Se não, mentiu na convenção de prefeitos. De qualquer forma, alguém mentiu.
Se não está havendo antecipação de campanha, posso afirmar que não há demagogia em Brasília, a responsabilidade fiscal não corre perigo e todos os congressistas são anjos.
Sou como o senador Collor, preciso que vocês acreditem em mim. Não me deixem só.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Mesquita negra: o perigo é que se torne um padrão



Reportagem sobre a mesquita frequentada por negros em São Paulo.
O detalhe aqui é que os fiéis que ali encontraram a expressão de sua religiosidade parecem estar formando um gueto. Isso, que não é parte da tradição brasileira de integração de imigrantes, é um perigo muito grande se se configurar como um padrão.
O Brasil nunca foi um grande receptor de muçulmanos. A maior parcela dos chamados "turcos" que aqui aportaram era de católicos libaneses, mas uma menor confessava o islamismo. Tanto uns quanto outros foram assimilados pela sociedade.
Os mostrados na reportagem parecem estar criando o seu próprio mundo e, o que é muito pior, baseando-se em um modelo fracassado como integrador, que é o movimento negro norte-americano.
Espero estar errado, e que minha impressão não se confirme. A tradição de aceitação da diversidade religiosa brasileira não merece isso.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Desafios prementes

O programa Espaço Aberto, da Globo News, que está reproduzido abaixo é realmente imperdível. Trata de dois problemas urgentes: a crise ambiental e a deterioração do sistema econômico vigente internacionalmente.
Sendo parte do mundo, o Brasil não pode furtar-se a tentar resolvê-las, embora esteja, em um primeiro momento, menos exposto a elas. Dizer que estes são problemas do companheiro giorgibuchi nunca foi uma opção séria, e nem é mais possível, então temos que encarar os desafios de frente. Assistir a este vídeo e refletir sobre ele já é um bom começo.
Pelo menos não poderemos falar: Eu não sabia.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

De grão em grão



A reportagem acima fala de um setor que está enfrentando a crise de modo bastante razoável, mas também de algo que deve ser visto como um norte para o nosso país.
Muito se tem falado de um suposto modelo asiático de desenvolvimento, significando chinês. Nos anos 50, falava-se do modelo soviético. Nos 70, no japonês. Nos 90, no dos tigres asiáticos. Ninguém falava, mas houve, nesse meio tempo, o milagre brasileiro. Todos eles baseados em imenso aumento do capital industrial e, conseqüentemente, da produção per capita, a chamada produtividade.
O problema é que, como tudo o que envolve o PIB, a noção de produtividade é muito enganosa. Muitas vezes, para não dizer na totalidade, o emprego mais "produtivo" não é o melhor para o país ou para o trabalhador. Utilizando dados do Statistical Abstract of United States, Paul Krugman, no início da década passada, demonstrou que as atividades que agregam mais valor por trabalhador são, em geral, as extrativistas, seguidas das de indústria de base. São, compreensivelmente, as com pouca mão-de-obra e muito capital físico empregado e, portanto, as de mais fácil controle pelos governos.
Todo o governo autoritário que pretende se impor economicamente, e aqueles que se inspiram neles também, como o nosso, inicia um programa de implantação deste setores econômicos. Recursos que poderia ser melhor utilizados pelo espraiamento dos investimentos são imobilizados por critérios mais políticos do que econômicos, em verdade, pela facilidade de controle.
Melhor faz quem agrega valor por produto, empregando mais mão-de-obra, desde que mantenha a possibilidade de venda -resumindo, que o artigo não seja muito caro-, do que quem faz por trabalhador. A segunda alternativa é a explicação para a concentração de renda que ocorre nas economias de rápido crescimento. No Brasil, pode-se ver esta realidade comparando as economias das regiões mais "produtivas", as regiões metropolitanas, com as mais justas socialmente. Ver-se-á uma correlação inversa quase perfeita.
Países como o Brasil, que já escaparam da "Lei da Gravidade" da pobreza, deveriam fazer o possível para que cada centavo investido gerasse empregos de qualidade e fosse empregado pela iniciativa privada, ficando o governo a cargo daquilo que é sua obrigação e anda fazendo mal e porcamente, como saúde, segurança e educação.
Nenhum país asiático é meta para o Brasil, simplesmente porque são por demais diferentes, culturalmente, de nós. Se for usar algum, contudo, olhe para as democracias, raras por lá, do Japão e Índia. Elas já perceberam que a melhor forma de desenvolver-se é investindo nas pessoas. O primeiro vende para o exterior inovação tecnológica; a segunda, sistemas computacionais e serviços de atendimento. Não é errado vender minério de ferro e soja, mas sustentar centenas de milhões com qualidade de vida desta forma é impossível, então é melhor procurar outras coisas para fazer. A despeito do que os governos possam achar, mais vale encher o papo aos poucos, do que a indigestão do empanturramento rápido.

Deputado do castelo

O nobre deputado errou ao deixar as funções de vice-presidência e corregedoria da Câmara.
Se não tinha nada a temer, por estar certo, deveria se manter firme nas posições que ganhou pelo voto. Caso o contrário, e pretende sair do escrutínio da imprensa submergindo ao anonimato do baixo clero, só o abandono total dos direitos, e deveres, a que um parlamentar está sujeito seriam agravo suficiente.
O meio termo depõe contra o acusado; é praticamente uma confissão de culpa.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Caminho certo



A reportagem acima trata do papel sintético. Normalmente, eu não defenderia aqui um material que utiliza derivados de petróleo em detrimento de um da agricultura, mas abrirei uma exceção. Isso se dá, principalmente, porque o produto tem todas as característica da minha defesa da valorização do patrimônio e do nível de emprego. É proveniente da reciclagem, poupa insumos importantes, no caso água e energia, e pode gerar produtos mais duradouros.
Apesar de ser usado a séculos como repositório do conhecimento humano, o papel celulósico é uma mídia muito frágil. Não sobrevive à umidade, aos fungos,aos insetos e ao fogo, fazendo com que as bibliotecas, ao menos as bem estruturadas, sejam de manutenção bastante custosa. A popularização da tecnologia pode fazer com esse custo caia muito. Ambiente mais úmido protegeria de incêndios, a tolerância natural do plástico às demais ameaças aos livros faria o resto do trabalho. Muitas cidades carentes poderiam ter seus acervos Brasil afora. A durabilidade também faria o custo dos programas de fomento à leitura reduzirem-se a longo prazo.
Além dos ganhos adicionais da melhor utilização das resinas plásticas que seriam de outra maneira descartada, a externalidade do emprego de grande massa de recicladores seria muito útil no momento em que há pouco incentivo ao reuso de embalagens, e, portanto, do serviço que gera renda a uma população pouco instruída e de difícil empregabilidade, que de outra forma teria sua renda restrita aos diversos programas públicos de transferência de renda. A opção atual, o papel proveniente de celulose de eucalipto ou pinus, garante renda para a agricultura, mas pouco emprego.
Como vê-se, esta tecnologia nacional de utilização de rejeitos pode e deve ser empregada para a melhoria da vida da população. O tempo dirá se será.

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Mais Battisti

Debate na Globonews sobre o caso Cesare Battisti.
Notem que há duas razões, no parecer do debatedor pró-réu: o Brasil é um país soberano e os governos da Itália renegava o socialismo na época da morte. Para ele, também, o atual é de direita, o que lhe tira os méritos.
Então está combinado, qualquer um que queira a mudança de regime em seu país, para um de esquerda, pode matar quem bem entender e fugir para o Brasil. Aqui será coroado.
Só para constar, entre as mortes atribuídas ao grupo de Battisti estão a de um açougueiro e a de um joalheiro. Dá para entender os motivos pelo qual perderam a vida; ricos comem carne e compram jóias, quem os serve tem que comer capim pela raíz, não é PAC (Proletários Armados pelo Comunismo)?

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

O perseguido

Pobre homem em seu castelo, quer dizer, no castelo de seus filhos. Que culpa tem o infeliz se os meninos esqueceram-se de declarar o bem? E, agora essa, perseguição em seu próprio partido.
São realmente desventuras em série. Não me admire que tal homem tenha se insubordinado para concorrer ao cargo de corregedor da Câmara, com tantos vendo maldade em tudo, o melhor é se prevenir, remediar pode custar caro; honorários advocatícios estão pela hora da morte.

Para quem quiser ouvir mais sobre o assunto, uma palhinha de Lúcia Hippolito na CBN.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Negação do Holocausto

Pode ser um excesso de liberalismo da minha parte, mas não aceito muito bem as leis contra a negação do Holocausto (em inglês). Parecem-me demagógicas e totalitárias, pois retiram o discernimento daqueles que não acreditam nele e lhes tapam as bocas. O mesmo vale, na minha opinião contra as leis que vetam a propaganda nazista ou racista.
É evidente que acredito que houve o Holocausto, sou contra a apologia da discriminação de qualquer tipo e assemelhados, condescender, contudo, com a censura prévia não posso. Tem tanto direito de existir a visão do perdedor quanto do vencedor, a despeito das suscetibilidades de uns ou outros.
Se um punk, um bispo rebelde ou um chefe de Estado negam o Holocausto, posso discordar deles, posso protestar, posso até gritar "Por qué no te calas?", mas não posso exigir mais. Opiniões são para todos, querer sufocar uma é o primeiro passo para a ditadura ou, nas palavras de Hayek, o caminho da servidão.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Popularidade recorde ou vai entender.

Realmente descolado da realidade o índice de popularidade de Lula.
Se quase todos reconhecem que há uma crise econômica, que os políticos não prestam, que as instituições estão falidas e tudo mais de ruim que é atribuído ao nosso futuro, como é possível que o nosso Presidente seja assim tão bom, e que nosso futuro será melhor?
Já parei há muito de tentar entender à reação do brasileiro médio ao o que os olhos dele vêem. Já até declarei que perdi a confiança no nosso povo, mas sou um pouco otimista com relação ao futuro de nosso país. Totalmente incoerente? Talvez, pois o mesmo é feito pele seu povo. Parafraseando, contudo, Falcão: O povo não é tudo, mas é 100%. É importante, porém não define o resultado final.
Poderemos ter sorte daqui para a frente e as coisas se ajeitarem apesar de nós, foi mais ou menos o que aconteceu até agora. Enquanto não forem necessárias intervenções humanas, a esperança vive.
Incompreensível? Nada a ver com nada? Pois é, também acho.

Segue abaixo manifesto do filósofo:

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Rebeldia

Diz-se da rebeldia que cai bem só aos jovens. O escritor José Ribamar Ferreira de Araújo Costa não concorda. Aos 78 anos, membro mais antigo da Academia Brasileira de Letras, na qual ocupa a cadeira que foi de Tobias Barreto, poderia estar em casa, como aconselhou-o estimado amigo, curtindo uma aposentadoria tranqüila, quem sabe os bisnetos, se é que os tem.
Mas não, rebelou-se, mantem-se na vida pública, enfrentando os desmandos do governo de seu estado natal, o Maranhão. Quer ficar a serviço do povo brasileiro até que não lhe restem mais forças.
Hoje, foi eleito novamente para um dos cargos mais importantes da República. Traz como grande aliado seu xará de Alagoas, José Renan Vasconcelos Calheiros, cabo eleitoral que, aparentemente, mobilizou forças hercúleas. É o "novo" presidente do Senado.
É a renovação da qual o Brasil precisa. É o retrato do país. Se tem tanto Zé na Paraíba, por que não em Brasília?

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Aguapé: a mão na roda

Voltando ao velho Anuário Agrícola. Quando do lançamento da publicação, o que mais me impressionou ao ler sobre as diversas culturas brasileiras foram as diversas qualidades do aguapé. Segundo ela, essa planta era a de maior capacidade de fotossíntese entre as conhecidas. Tem, ou tinha - não sei se encontraram outra ainda mais eficiente -, portanto, a maior capacidade de usar energia solar para produzir matéria orgânica, através da fixação do gás carbônico.
Nem imaginava-se a possibilidade do etanol celulósico, porém a cultura já era vista como promissora em agroenergia. Cálculos da companhia energética Cesp, à época, diziam que 10% das represas de Americana, Billings, Barra Bonita e Bariri, caso utilizadas para cultivo de aguapés, forneceriam colheitas diárias de 14211 toneladas da planta, que poderiam produzir energia equivalente a 293000 litros de petróleo (aproximadamente 1800 barris), em uma proporção de 32 metros cúbicos por tonelada, com 65% de metano em sua composição. Pouquíssimo para uma área tão grande, poderia qualquer um dizer, mas vindo de uma área impossibilitada de uso por contaminação por material orgânico, onde os aguapés florescem, parece um presente dos deuses.
Notem que aqueles eram tempos pré-ecochatimos e Rio-92, nos quais as intenções das pesquisas eram apenas prover o Brasil com recursos naturais então escassos, água limpa e combustíveis, mas hoje já se imaginam muitos outros usos para a planta, como este e este, com ênfase nas reduções de custo do tratamento de efluentes, um dos programas sanitários em que o Brasil está mais atrasado.
Resta, contudo, ainda a alternativa da exploração energética. Demanda pelo gás há. O Brasil importa da Bolívia 24 milhões de metros cúbicos diários, ou, caso mantidos os mesmos parâmetros de eficiência de 20 anos atrás, mais de 16 milhões de toneladas de aguapé. Número aparentemente impossível de ser alcançado, pois representa o uso de algo como 28 milhões de hectares para a cultura, considerada a produtividade de 200 toneladas por hectare por ano, algo como 4 vezes a área utilizada pela cana. O que equivale a dizer que, caso fosse incentivada, a produção teria mercado cativo.
Os serviços ambientais potenciais são, porém, a melhor atração atual da planta. Retirando o carbono atmosférico eficientemente, filtrando a matéria orgânica dos cursos d´água e sendo utilizada como adubo orgânico e cobertura vegetal de solos utilizados para outras culturas, ela pode servir para diminuir a insustentabilidade da relação rural-urbana, que apenas retira nutrientes do primeiro e não os devolve, fazendo da suplementação de adubação química imprescindível. Consorciado com a piscicultura, suprir parte da proteína consumida pela humanidade. A energia é, neste contexto, um bônus.
Nossas fauna e flora nativas oferecem-nos potencial imenso para que lidemos com os problemas, atuais e futuros. Cabe-nos saber aproveitar as oportunidades e criar as tecnologias necessárias. Esperar que outros façam isso por nós apenas fará a dependência externa agudizar-se. É o que queremos?

sábado, 31 de janeiro de 2009

Problema inerente do presidencialismo

Apesar de ter adquirido, ainda não tive tempo de ler a duologia Manual do perfeito idiota latino-americano e O regresso do idiota, apesar de eles estarem no alto da minha lista de prioridades, mas ao ler o texto de Mauro Chaves, no Estadão, percebi que os autores deveriam retirar o latino do título do primeiro, ou substitui-lo pelo prefixo pan, e transformar a série em uma trilogia. Venderia milhões.
Tendo ideologias opostas, embora todos tendem a impô-las ao restante da população, os perfeitos idiotas dos dois dois primeiros e o do, possível, terceiro tomos isolam seus países, empobrecem seus comandados e criam divisões mais ou menos radicais em seus países.
A ignorância citada por Chaves, o Mauro, é no hemisfério norte. A que causa azia hepática (???) após leitura de periódicos, no sul. Ambas fazem mal aos seus países, o só olhar e ver. O grande problema, para nós, é que a de lá já passou para a história, a daqui ainda tem dois anos pela frente, com o fantasma de outros mais.
Clamemos então pela iluminação, pela ilustração, pelo saber. Quem sabem eles nos ouçam, e o Brasil tenha um próximo ciclo presidencial mais afortunado.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Internacionalismo Pop revisitado

O, agora, laureado com o Nobel de economia, Paul Krugman, lançou, em 1996, um livro voltado para leigos com a intenção de combater ao Codebufê - Country desolating bullshit festival - (versão americana do Febeapá) que imperava à época. A maior das besteiras era a repulsa ao comércio internacional, acusado de ser a raíz de todos os males.
Desconfio que ele precisará escrever outro, pois a versão 2009 do festival não assolará o país, mas o mundo. Pequena mostra foi o episódio licença prévia "só-para-efeito-de-estatística" que o o Brasil tentou impetrar. Maiores foram as diminuições repentinas nas compras de commodities por parte dos países autocráticos orientais, nos quais estou incluindo a Rússia. Imensos serão os pedidos de fechamento das fronteiras das nações ocidentais ricas.
A crença infundada de que em uma transação apenas o vendedor sai ganhando é generalizada quando se trata de comércio internacional, o que é bastante estranho, pois as mesmas pessoas que assim pensam, fazem comércio diariamente sem sentirem-se exploradas. Para elas, quando são países os contratantes, as vantagens intrínsecas vão apenas para um lado; quando pessoas, não.
A regra geral do comércio é que ele beneficia ambas as pontas. Divide as vantagens comparativas das partes e aumenta as possibilidades de consumo. Claro que pode, certas vezes, gerar ganhos desproporcionais para um dos lados, mas, diria, é maior a possibilidade de o comprador ser o escolhido para gozá-los em um ambiente de ampla concorrência.
Restrições às trocas internacionais foram responsáveis por recessões prolongadas ao longo da história. Deixar que isso ocorra novamente baseado em falsas premissas e preconceitos seria apenas mais uma evidência da inviabilidade da espécie. Estupidez humana em seu estado da arte.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Bruxa solta

Achei ontem um anuário agrícola, de 1988, editado pela Abril, que gostava de ler quando criança. Nele havia o seguinte trecho."Mas em princípio, recomenda-se nunca levar para a Bahia os ramos, as folhas, os frutos ou sementes de cacau e cupuaçu (da família do cacau) da Amazônia, pois com o material poderão ir também germes de doenças, como a vassoura-de-bruxa, o que resultaria em graves prejuízos para o país."
Em 1989 foram identificadas os primeiros focos do fungo no sudeste baiano e, em 2006, a revista Veja lançou a denúncia de que a doença foi espalhada voluntariamente, e, o pior, por pessoas pagas para evitar que isso ocorresse, incluindo um testemunho, reproduzido aqui*, de um dos criminosos.
Para todos os critérios, excetuando-se o criminal, não importa muito se verdadeira ou não a denúncia trazida pela Veja. Milhares foram arruinados, e o padrão de vida da região diminuiu bastante, pela ocorrência de uma praga totalmente evitável. Para premiar a incompetência, ou coisa pior, em impedir a disseminação, os funcionários do Ceplac foram alçados a cargos de confiança nas administrações petistas posteriores.
Com critérios assim para promover, não me admira que os erros relatados ontem ocorram. Decisões na calada da noite, descaso pelas conseqüências e ascensão política resultante das duas anteriores parecem um padrão antigo de administrações do partido.
Até quando teremos que conviver com isso?


*Retirado da internet e digno de suspeita da autenticidade

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Barbeiragem não, vergonha

É uma vergonha como o governo trata seus erros, ao menos publicamente. Basta ver os resultados das duas últimas besteiras que chegaram ao conhecimento do grande público, o refúgio a Battisti e a recriação de grande parte das licenças de importação.
O italiano foi abraçado pela esquerda brasileira, e pelo ministro da Justiça, apesar das evidências de que a pena fora bem aplicada e seguindo todos os trâmites legais, como um perseguido de um regime autoritário. Órgão especializado na concessão de asilo, o Conare, que é subordinado ao Ministério da Justiça, foi contra, também o Ministério Público, mas o ministro, dono, de certo, de um conhecimento superior, foi a favor. E nisso foi apoiado por intelectuais das mais diversas formações, com amplo destaque no site do ministério em questão, que congratula a decisão do chefe como mostra de democracia. Pergunto-me então, os membros do Conare, estes incompetentes sem conhecimento sobre o assunto em que deliberam foram destituídos?
No mesmo site, é informado que o refúgio segue a seguinte diretriz: "
Em seu art. 1º, a Convenção de 1951 define refugiado como toda pessoa que como resultado de acontecimentos ocorridos antes de 1º de janeiro de 1951 e devido a fundados temores de ser perseguida por motivos de raça, religião, nacionalidade, por pertencer a determinado grupo social e por suas opiniões políticas, se encontre fora do país de sua nacionalidade e não possa ou, por causa dos ditos temores, não queira recorrer a proteção de tal país; ou que, carecendo de nacionalidade e estando, em conseqüência de tais acontecimentos, fora do país onde tivera sua residência habitual, não possa ou, por causa dos ditos temores, não queira regressar a ele.
" Modificada por protocolo de de 1967, no qual a referência temporal foi subtraída, ela garantiria, então, o caso do italiano. Onde, entretanto, pergunto eu, está a referência a assassinatos? Até onde sei, Battisti, seria extraditado por homicídio, não por sua raça, majoritária na Itália seja qual corte queira se dar, religião, nacionalidade, grupo social ou opiniões políticas. Ele não quer regressar ao seu país simplesmente pelo fato que é um foragido da justiça comum e sairá do avião direto para o cárcere, no qual poderá exercitar sua nova atividade com memórias ao estilo de Ramos ou seu conterrâneo Gramsci. Não se enquadrando em nenhuma das categorias de refugiado, como esse senhor conseguiu o status de?
Só posso fazer conjecturas, mas não as colocarei aqui, pois não importam mais as razões, mesmo porque simplesmente lendo o texto fornecido pelo próprio Ministério fica evidente o absurdo da questão. O substantivo no momento é que agora há uma disputa entre Estados motivado por erro ou capricho de um ministro.
Já o processo de exigência das licenças prévias, ou, dependendo do prócere governista consultado, automáticas, começou na tarde de segunda e trouxe dor de cabeça para importadores, desmentidos e explicações desencontradas de órgãos públicos e tratamento diferenciado para indústrias poderosas, resumindo, problemas para a economia. Caso continue a ser aplicado, só intensificará o impacto da crise na economia brasileira, que estava mostrando sinais de que seria resiliente, após o baque inicial da escassez de crédito interno e externo.
Descabidas e, como é moda no noticiário econômico, intempestivas, essas duas decisões administrativas demonstram o retorno de práticas da ditadura, na qual altos burocratas podiam, sem nenhuma discussão com a sociedade, definir atos que interferiam na vida de grande parcela da mesma.
Lula já havia demonstrado nostalgia dos tempos dos generais diversas vezes, seu governo parece querer matar as saudades do líder, transportando-nos para aquela era, e dizendo que tudo está sobre controle, e que os erros vergonhosos têm, no máximo, embutidos pequenas barbeiragens.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Péssimo sinal



Ia falar bem do déficit na balança comercial, que, apesar de indicar um PIB matematicamente menor, indica que as empresas brasileiras continuam trabalhando em ritmo melhor do que as externas, mas fui surpreendido pela notícia ridícula da volta das licenças de importação.
Nosso governo supostamente democrático irá nos mostrar o que é bom e o que é ruim na nossa cesta de compras agora? Serão escolhidos os itens essenciais que não poderemos ficar sem? E a palavra empenhada no G-20 de que não ampliaríamos barreiras?
É, estamos céleres imitando Marty McFly, cada vez mais a frente, no passado.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Energia solar no Brasil

O Estadão de ontem trouxe uma reportagem sobre o potencial energético solar do Brasil. Comenta que o que impede a ampla utilização dela é o alto custo de captação da mesma. Que há um custo maior de captação é inegável, mas que isso seja um empecilho para a utilização desta forma de energia, abundante no Brasil, é discutível.
Quando entramos na seara de matriz energética, devemos analisar vários aspectos, não apenas a geração. E o custo não é apenas financeiro, mas de várias matizes. Se o custo de captação solar é alto, outros são minimizados, como a distribuição e transmissão.
Os gigawatts provenientes do rio Madeira precisarão atravessar milhares de quilômetros enquanto células fotovoltáicas podem ser instaladas nos telhados das residências que utilizarão a carga. Essa lógica já é utilizada no programa "Luz para todos" do governo federal, que é refratário a utilização dessa forma de energia em larga escala, como pode ser observado no vídeo abaixo.



Essa peculiaridade torna o argumento de falta de economicidade do processo fotovoltáico bastante fraco. Computados os preços realmente pagos pelo consumidor final residencial, a solar já é mais barata do que a fornecida pelas distribuidoras de energia elétrica da grande maioria das regiões metropolitanas. O custo de implantação, porém, é um fator importante, pois, devido aos altos juros praticados no país, a amortização do investimento inicial é bastante demorada. O mesmo vale para a substituição de aquecedores elétricos por solares. A falta de poupança das famílias brasileiras responde, então, pela pouca aderência às tecnologias.
Políticas públicas podem ser eficientes em reverter a tendência de preferência por grandes obras que, a primeira vista, parecem melhores para a economia do país. Descentralização da geração elétrica é uma forma eficaz e inteligente de proteger estrategicamente o país. Um simples míssil pode destruir 20% da capacidade hidrelétrica brasileira, personificada em Itaipú, mas seriam necessárias milhares, na forma de ataques a toda uma população civil, se cada telhado brasileiro tivesse sua célula fotovoltáica instalada.
Além da evidente melhoria da segurança, a qualidade ecológica da geração também seria melhorada. Os gases estufa das termoelétricas seriam evitadas, restando essas usinas como última instância, ao contrário do que ocorre hoje. Os períodos de estiagem não comprometeriam tanto os reservatórios do sistema, por aumento da insolação e, conseqüente, geração solar.
Custos financeiros, como vemos, não é a única forma de avaliar-se um empreendimento. Muitas vezes não é nem mesmo o melhor. Parece-me que este é o caso aqui. O Brasil têm uma obrigação quase religiosa de aproveitar a potencialidade que a natureza nos oferece. Se dizem que Deus é brasileiro, o Sol deve nos aparecer todos os dias por uma razão maior do que bronzear as garotas de Ipanema.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

A revelia

Dizem que um dos grandes problemas para a extradição de Cesare Battisti é o fato de ele ter sido julgado a revelia. Mas como seria diferente se era um foragido.
Caso não tivesse sido julgado, extraditar-lo-íamos?
Ganharam os italianos, livraram-se de um suposto homicida e do ônus de mantê-lo na cadeia, logo, logo estaremos pagando-lhe pensão ou um salário em um ministério qualquer.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Excepcionalismo?

Fiquei muito feliz com o fim do governo Bush, mas fiquei com uma pulga atrás da orelha com os discursos do Obama.
O triunfalismo e sentimento de que governa um país completamente diferente dos outros continuam o mesmo. Como confiar no julgamento de quem pensa ser especial, um iluminado?
Nem dizer que a sua história pessoal qualifica os Estados Unidos como um outro mundo possível, Obama pode. Sarkozí é filho de imigrantes; Brown é escocês, assim como Blair; Hitler, austríaco; Stálin, georgiano. Tanto em ditaduras, como em democracias, é comum que representantes de minorias cheguem ao poder.
Se é motivo de júbilo que um negro (melhor dizendo, um mulato) chegue à presidência naquele país, isso diz mais contra do que a favor dele.
Melhor faria Obama ao colocar sua nação como mais uma no mundo, com problemas e vantagens como todas as outras, disposta a integrar-se ao concerto das nações. Requereria humildade, mas seria mais producente.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Sim, dinheiro dá em árvore

Quem diz que dinheiro não dá em árvore, não conhece o Brasil. Nunca ouviu falar dos ciclos do pau-brasil, do café e da borracha. Nunca leu sobre como o algodão arbóreo construiu São Luís, no Maranhão, e o cacau, Ilhéus, na Bahia. Nunca passou pelo interior de São Paulo e suas laranjeiras.
São igual desconhecimento da realidade, porém, os planos de se assentar a população excluída urbana que vez ou outra pipocam por aí. Pensar na agricultura como depositária de mão-de-obra desqualificada é acreditar em coelhinho da páscoa.
Apesar de ele estar lá, ganhar dinheiro no campo é para profissionais, principalmente quando estamos falando de pequenas propriedades. Exige trabalho duro, capital e, essencialmente, conhecimento. Levar pessoas sem esse conjunto de fatores para uma propriedade rural é o equivalente a condená-las ao ostracismo.
Foi exatamente o que fez Robert Mugabe quando implementou uma "reforma agrária" com intuito de corrigir as falhas históricas do colonialismo, em 2000. Quase nove anos depois, há no Zimbabwe mais famintos e menos renda agrícola.
Melhor faria o MST se virasse um partido político e vendesse sonhos de comunismo institucionalizado que vendendo ilusões de prosperidade rural aos excluídos urbanos.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Pacaembú é de todos, mas quem pode usar?

O editorial do Estadão de alguns dias atrás defendeu que a prefeitura de São Paulo não deve entregar o Pacaembú para o uso exclusivo do Sport Club Corinthians Paulista. Com isso, posso afirmar peremptoriamente, eu discordo mesmo.
Estádios de futebol servem, creio, para abrigar partidas de futebol. Qualquer outra atividade é acessória. O museu instalado dentro das dependências do Paulo Machado de Carvalho não deve ser um impeditivo para que o estádio exerça a sua função primeira ou, o que poderia ser uma benfeitoria, transforma-se em um ônus. Não podemos permitir que todo o estádio vire um museu.
Tratar a concessão onerosa como um erro por caracterizar perda ao patrimônio simbólico do município é, este sim, um erro. Primeiramente, porque a cessão já ocorre na prática. O Pacaembú é a casa extra-oficial do, assim chamado por sua torcida, Timão. Sendo a única equipe que manda suas partidas ali, há na prática uma situação de perde-perde entre a prefeitura e o clube. Este não consegue produzir toda a receita com marketing que o controle do estádio permitiria e aquela não repassa os reais custos de manutenção da estrutura nos aluguéis eventuais.
Outro fator é a utilização do equipamento. Conforme tratado anteriormente, consiste enorme desperdício a não utilização de um fundo de serviços, e qualquer administrador deve procurar fazer o uso mais intensivo possível dele. Estádios esportivos são, em todo mundo, dos equipamentos urbanos mais ociosos. Não é por outro motivo que, mesmo nos países desenvolvidos, há compartilhamento entre equipes e modalidades para garantir uso mais constante dos mesmos. Caso célebre é o Giuseppe Meazza, ou San Ciro, em Milão.
São Paulo possui estádios em excesso, todos subutilizados. Que diretorias anteriores do Corinthians não tenham conseguido construir um estádio próprio, como fizeram seus rivais, é realmente um sinal de incompetência, mas daí a este fato ser um impeditivo para a parceria e um fator para a construção de mais arenas é uma distância enorme. Para evitar que haja mais um elefante branco, cabe ao poder público suprir a massa corintiana com um estádio para chamar de seu que já está prontinho e com história. Como bônus, a prefeitura poderia utilizar seus parcos recursos no fomento de atividades físicas, muito mais carente que o futebol profissional, totalmente capaz de gerar receita por si mesmo.
Em muitas cidades dos Estados Unidos da América são construídos estádios pelas administrações locais com o intuito de atrais as franquias dos esportes profissionais, e o faturamento que as acompanha. Oficiar a relação Pacaembú-Corinthians e gerar receitas para serem aplicadas em outras áreas seria um sinal de amadurecimento da administração pública, não algo a lastimar

sábado, 17 de janeiro de 2009

Será que há marcianos?

A Nasa está em dúvidas devido à descoberta de gás metano.
Talvez esta seja a oportunidade para nosso, ou noço, líder fazer politicagem.
Mas é bom tomar cuidado, apesar de Lula já ter provado que sabe proteger os seus (aqui e aqui), ser o pai dos pobres ao estilo Tom Cruise pode ser mais difícil, alguns sairão machucados.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Prova provada



A reportagem aí de cima é a prova das virtudes do câmbio flutuante.
Concedo que é besteira dizer que o consumidor tem ciência de todos os fatos econômicos e pode decidir racionalmente em todas as ocasiões, como dizem os economistas neoclássicos, mas é evidente que ele consegue captar variações grandes de preços relativos.
O fato é, por mais que me doa admitir isso, que estou com o governo quanto o diagnóstico da crise, até o momento. Nossa demanda interna foi afetada não pela súbita mudança de humor dos consumidores, mas pela mudança de comportamento dos fornecedores, principalmente de crédito. E o medo destes está contaminado aqueles, receosos por seus empregos.
O brasileiro continua sendo um indivíduo as voltascom o subconsumo, na média, pronto para sustentar a demanda interna. É só deixar que ele faça a parte dele.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Ouça antes de comprar


Essa é semelhante a uma conta que li em alguma revista, três ou quatro anos atrás. Mostra o quão caro é possuir um carro no Brasil. Para comprar, graças aos impostos, e, principalmente, para manter, devido aos inúmeros custos inerentes ao Brasil (seguro alto pela insegurança, estacionamento pago pelo mesmo motivo, taxas sem fim, etc, etc, etc).
Melhorando o sistema de transporte coletivo, incluindo-se aí os taxistas e seus possantes, nossos governantes fariam muito para melhorar nossa vida. Não só por fazer as cidades fluírem melhor em sua circulação de pessoas e bens, mas liberando renda para que aproveitemos melhor o tempo, até, para quem gosta disso, lidando com os carros.
Tenho certeza que, nestes tempos de marola, o país sairia ganhando.
Prestem atenção no detalhe, um trem estava parado desde 2001 por falta de uma peça? Será que eles estavam esperando essa peça nascer, crescer e desenvolver-se?

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Comentário ligeiro

O ministro do Trabalho está esperneando, mas as empresas que estão dispensando os temporários estão certíssimas.
Mantê-los agora significa não ter respaldo para demití-los depois, quando, talvez, estejam mais necessitadas.
Coisas de nossa legislação, a destruidora de empregos formais.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Queriam abortá-lo, mas

Apesar de tudo, ele está vivo até hoje: o câmbio flutuante.
Segue comentário da jornalista Leitão sobre o assunto.



Na minha opinião, é sempre o melhor a ser feito, deixar que as coisas sigam seu rumo naturalmente, sem tentar forçar um valor arbitrário.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Credibilidade, você não encontra aqui

A OCDE concorda comigo que Não teremos uma desaceleração econômica muito forte.
O problema é que ninguem está acreditando muito em mim, talvez pela má companhia. O governo está comigo.
Segundo as pesquisas, a atual administração tem mais de 75% de aprovação, mas as pessoas, principalmente as bem informadas, não querem apostar seu dinheiro em um bom manejo da marola, por que será?
Talvez seja porque credibilidade não se adquire com falatório e promessas vazias, as especialidades dos donos do poder.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Patrimônio da Humanidade

Ouvi dizer que o Fantástico está com uma série na qual mostra os patrimônios da humanidade na opinião da Unesco. A série traz-nos a oportunidade de discutir sobre o estado do mundo em matéria de patrimônio.
Temos que definir o que é esse tal de patrimônio primeiro. Diz o bom,velho e desatualizado, com relações ortografia, dicionário Houaiss que ele é:
1 herança familiar,
2 conjunto dos bens familiares,
3 grande abundância (figurado),
4 bem ou conjunto de bens naturais ou culturais de importância reconhecida (que é como o usa a Unesco) e
5 conjunto de bens, direitos e obrigações economicamente apreciáveis, pertencentes a uma pessoa jurídica, estatal ou privada, ou física (jurídico).

Se formos nos ater a definição utilizada pela Unesco, veremos que a situação não anda muito boa. A perda de diversidade cultural e biológica, e seus respectivos sítios significativos, é pública e notória. Mas se formos adotar o significado jurídico é que a coisa fica preta.
Acreditando-se em medidas como o PIB para avaliar, temos a impressão de que o patrimônio do conjunto das pessoas está crescendo; infelizmente não é verdade. Pode ser que não seja o mais correto eticamente, porém é a realidade apreciável, mas a Humanidade encara que tudo existente sobre a Terra, produzido pelo Homem ou não, faz parte de sua propriedade. Até aquilo que os antigos chamavam de obra de Deus. Os pássaros, os rios, os mares e as vezes até outras pessoas; tudo enfim. Não é atoa que existem tratados internacionais para orientar a exploração dos recursos naturais.
Lavoisier, entretanto, já dizia que, na natureza, nada se perde, nada se cria, tudo se transforma. Enquanto Barbosa acreditava que a máxima valia também para a arte.
A ser verdade a Lei de Conservação da Massa acima em negrito, e nada mostrou que não seja até agora, fica demonstrado que a cada ser humano a mais no mundo, menor o patrimônio per capta resultante. Não adianta o auto-engano das identidades monetárias e do desenvolvimento sustentável eterno, estamos ficando mais pobres.
Então, se você preocupa-se com a riqueza do Homem, esqueçais aquela conversa de crescei-vos e multiplicai-vos.
Reproduza-se com parcimônia.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Perspectiva para a Bolsa

Não gosto, muito, de ficar metendo-me a guru, vidente ou qualquer coisas do gênero, mas vou dar aqui um palpite.
Pegue todo o dinheiro que você tem sobrando e coloque na bolsa, antes que seja tarde.
Já escrevi neste blog que a economia brasileira sairá desta crise relativamente bem, comparando a de outros países por aí. E quando a economia vai bem, a Bolsa segue.
Se você não acredita em mim, acredite nos profissionais. Daniele Camba, articulista do Valor Econômico, apontou, em sua coluna do dia 06 de janeiro, que as consultorias econômicas trabalham com previsões para o fechamento do Ibovespa no final do ano que variam de 49 a 90 mil pontos.
Está certo que eles não são muito confiáveis, mas não têm como estar errados sempre.
É só olhar em quantos pontos está o Ibovespa hoje para ver que a coisa tende só a melhorar.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Que os vizinhos apressem-se

Vai faltar ativo para que os vizinhos tunguem, então é melhor que sejam rápidos. Se até quem não faz fronteira conosco já está colocando suas manguinhas de fora, como o Equador, imaginem os que estão aí do lado.
O Paraguai já escolheu seu quinhão. Quer levar Itaipu de presente. Ou melhor, quer levar o resto de Itaipu de presente.
Itaipu Binacional é, como o próprio nome diz, uma empresa partilhada entre os acionistas, Brasil e Paraguai, em partes iguais. Mais do que para a segurança energética do Brasil, foi concebida, por brasileiros, para cessar com quaisquer problemas de fronteira e selar uma parceria estratégica. O capital para iniciar a empresa foi 100% brasileiro (emprestamos o capital inicial que eles não tinham) e o resto foi financiado, com a parte de maior credibilidade creditícia sendo o Brasil. O Paraguai entrou com sua parte em água e apoio moral.
Por ser estratégica, a empresa não visa o lucro e toda a energia produzida deve ser comprada e dividida em partes iguais entre, e deve ser consumida pelos, países acionistas, mas o excedente não-consumido pode ser comprado pelo outro. As tarifas da energia são para cobrir os custos, de produção e de amortização da dívida.
Devido a falta de demanda paraguaia, o Brasil acaba utilizando 95% da energia produzida pela usina. A parte efetivamente consumida pelo Brasil é responsável por aproximadamente 20% da nossa matriz elétrica, enquanto os 5% que o Paraguai utiliza respondem por 95% da matriz deles. Como a segurança energética é desprezada por essas bandas como tema de debate, a desproporção reflete a importância que é dada à usina na política interna de cada país. Irrisória no Brasil, imensa no Paraguai.
A revisão do acordo de criação de da empresa binacional ou, no mínimo, das tarifas pagas pelo Brasil, e conseqüente ganhos nos royalties recebidos pelo Paraguai, foi uma das mais poderosas plataformas da campanha que levou Fernado Lugo ao poder. A proposta apresentada ao Brasil para uma renegociação oscila entre a sandice e a desrespeito ao direito internacional.
A falta de respeito seria entre o acordo firmado para que toda a energia seja utilizada pelos sócios. Ela é baseada em uma situação conjuntural. A Argentina, que foi historicamente um exportador líquido, tornou-se importador de energia e o Paraguai vê aí uma oportunidade de fazer caixa. A insanidade na proposta de que, baseado em seu histórico de utilização da produção, o Brasil assuma 95% da dívida da empresa. Equivalente a espetar na conta do cliente a dívida da loja.
As lideranças esquerdistas que chegaram ao poder na América Latina têm tentado fazer revisões contratuais alegando que os acordos assinados pelos governos anteriores são incorretos: a)politicamente; b)economicamente; c)juricamente, e d)todos os anteriores. Itaipu Binacional foi uma benção para o Paraguai economicamente falando; juridicamente foi assinado por partes soberanas e aptas a tal, sem o uso de força. Politicamente tudo é contestável, pois mutáveis são, por definição, os governos em que há confrontação política e os "interesses nacionais" que defendem. Mas mesmo aí fica difícil defender a revisão, já que o acordo serviu de veículo para dirimir conflitos históricos entre as partes.
Pelas resoluções anteriores dos contenciosos Brasil-resto da América do Sul, fica difícil acreditar que passaremos ilesos da reivindicação paraguaia. Espero que a ferida não seja muito funda, afinal há Peru, Chile, Guiana, Suriname e França na fila.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Desperdiçando desenvolvimento II

Já defendi nesta página que o Brasil pode não ter alcançado um grau maior de desenvolvimento social devido à abundância relativa de mão-de-obra, que teria causado uma cultura de desvaloração do trabalho, agravada, mesmo após o seu fim, pela escravatura. O, atualmente, deputado Paulo Renato de Souza defendeu, em sua tese de doutorado, que a grande massa de migrantes do meio rural para os centros urbanos em processo de industrialização foi o fator que permitiu a compressão salarial, na terminologia cara aos sindicalistas.
É claro, entretanto, que a escassez não é um garantia de desenvolvimento. Caso isso fosse verdadeiro, os países localizados no Saara seriam os mais desenvolvidos do mundo. O encarecimento relativo aos outros preços da economia, no entanto, leva a um melhor aproveitamento de qualquer recurso e, freqüentemente, a avanços tecnológicos poupadores do mesmo. De certa forma, estamos, no Brasil, sendo vítimas dessa poupança.
Tecnologias vindas dos países desenvolvidos, nos quais há escassez estrutural de mão-de-obra, são adotadas aqui onde há falta de empregos para a população jovem que entra na população economicamente ativa a cada ano. O pior é que contribuímos para isso com uma lei trabalhista que torna um empregado um investimento maior do que um equipamento. Enquanto uma máquina custa o valor que se paga por ela e mais manutenção, um humano custa para ser encontrado, mantido e dispensado, com um adicional de risco judicial enorme.
Deve-se, portanto, neste momento de reflexão sobre o futuro, que caracteriza os primeiros dias do ano, pensar uma maneira de impedir que nosso capital humano fique ocioso. A reforma trabalhista é, mais do que qualquer outra, a essencial agora. Como ela não é de interesse dos sindicatos organizados que mandam no governo, continuaremos desperdiçando nosso fundo de serviços.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Alguma coisa está muito errada

Descobrimos que há algo muito errado com nossas fontes de informação quando se leva mais de uma semana para descobrir que ocorreu a morte de Samuel P. Huntington e apenas poucas horas que partiu dessa para uma melhor o Bandido, que, ao que consta, era mal, pegava um, pegava geral.
Nem é que eu concordasse com as teorias do estudioso, mas acho que ele era mais útil ao mundo do que o touro. Só que do bovino já há 6 clones, do humano teremos só os livros, o que pode não ser pouca coisa, porém não evoluem mais.
É, talvez não sejam apenas minhas fontes que estão erradas, mas o mundo inteiro.

domingo, 4 de janeiro de 2009

Incursão terrestre

Devo admitir que a incursão terrestre das tropas israelenses à Gaza surpreendeu-me. É a típica situação em que se tem pouco a ganhar e muito a perder.
Os foguetes lançados de Gaza são uma ameaça muito maior à moral do que à existência do Estado de Israel. Parece-me que eles mataram 4 pessoas desde que começaram a ser lançados. Os combates no campo inimigo será provavelmente mais mortal para os militares de Israel.
Acontece que cada vítima dessa guerra será um troféu para o Hamas. Uma israelense, exibida como prova do poderio das milícias por ele comandadas.Uma palestina, como um mártir, se combatente, ou um inocente assassinado pelas forças ocupantes, se não. Para as tropas israelenses o efeito será quase diametralmente inverso. Toda e qualquer vítima será um ônus da ação vista como desproporcional. E já vimos este filme. Ocorreu o mesmo com relação ao Hezbollah.
O fato é que o Hamas atraiu os israelenses para Gaza deliberadamente. Fez isso para fortalecer-se no imaginário palestino como sua contraparte libanesa. Mas o que levou o governo israelense a agir? Creio que a fraqueza política provocada pelo escândalo em que o primeiro-ministro Olmert viu-se envolvido a mais de um ano, resultando em antecipação das eleições. O Kadima precisa mostrar que é viável para a votação marcada para fevereiro, e o faz por meio das armas. É uma estratégia arriscada pois pressupõe que não ocorrerão muitas baixas nas tropas e que a missão será curta. Qualquer outro cenário será usado pela oposição como sinal de que o governo atual é incompetente para lidar com as questões de segurança.
Espero que o menor número possível de civis seja afetado, embora saiba que milhares serão.

sábado, 3 de janeiro de 2009

Sensatez, não pessimismo

Os personagens desta reportagem, pelo que parece, são apontados como pessimistas, mas são, no máximo, sensatos ao falar o que qualquer um pode ver e não tem coragem de dizer.
Apostar contra os Estados Unidos, uma potência militar, é considerado loucura desde o colapso da União Soviética. Livros como O fim da História e o último homem, de Fukuyama, propagaram a idéia de que o capitalismo de viés norte-americano havia triunfado e congelaria o poder mundial, mantendo-o com os países ricos ocidentais. Alguns aplicadores começaram a achar que não havia risco na revogação da lógica que passou a imperar na economia estadunidense.
Lendo meu blog, vocês perceberam que apóio a tese de que a nobreza está em consumir, gerando bem-estar à população, e que a produção serve apenas para dar suporte para a sociedade fazê-lo. Há também, porém, uma versão, que considero inversão de valores, que leva economistas a pensar que se deve sempre aumentar a produção, pois ela cria o consumo e o bem-estar. Esta tese é baseada na chamada "Lei de Say".
Nos Estados Unidos a tese invertida parece não ter encontrado solo onde se enraizar. Em compensação, criou-se uma radicalização da sociedade de consumo. Pensou-se que se poderia consumir sem produzir. Que um país com déficits externos imensos, e crescentes, poderia manter-se consumindo eternamente mais do que produz, e que as demais nações permitiriam isso indefinidamente, financiando-o ad eternum. Um arranjo impossível, mas que os analistas consideravam desejável e, portanto, procuravam justificar sua manutenção.
Os três analistas da reportagem saíram da manada. E estão certos em fazê-lo. O que dizem é puro bom senso e fatos históricos. O último país a cair em uma armadilha semelhante àquela em que os Estados Unidos entraram, o Japão, ainda se debate com o baixo crescimento, permeado por períodos de recessão prolongada. Os investidores que fugiram para o dólar não demorarão a perceber que, se no curto foi uma boa escolha, o diferencial o crescimento mundial e o (des)crescimento estadunidense derrubarão o valor da moeda, o que, somado aos baixos juros pagos pelo Tesouro daquele país, redundará em prejuízos. Pelo mesmo motivo as ações das empresas dos países chamados emergentes serão as mais lucrativas do período.
Vemos, então, que esses analistas estão rindo agora e permanecerão com sorrisos por um bom tempo.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Desperdiçando desenvolvimento

Em artigo sobre a busca de novas formas de contabilização da riqueza que não o PIB, Washington Novaes (íntegra aqui) relata que, a respeito do transporte, "o paulistano consome em média duas horas diárias para isso; multiplicadas por 5 milhões de pessoas, serão 10 milhões de horas por dia, que, multiplicadas pelo número de dias no ano e pelo valor médio da hora de trabalho, produzirão um valor fantástico - que, se pudesse ser transposto para investimento em transportes públicos (ampliação da rede do metrô, por exemplo), em poucos anos melhoraria extraordinariamente a qualidade de vida dos cidadãos."
Capital é, classicamente, definido como o fator socialmente produzido utilizado, no sistema capitalista, na produção de bens e serviços destinados à venda (as mercadorias). Georgescu-Roegen o divide em dois: os fundos de serviço e os estoques. Os primeiros são formados por máquinas, prédios e equivalentes, e o segundos por matérios-primas, produtos acabados e peças de reposição. Estes podem ser armazenados enquanto aqueles constituem desperdício quando não utilizados.
Para entender como ocorre o desperdício devemos nos atentar para a natureza destes fundos de serviço. Como o próprio nome indica, eles têm como função prestar algum serviço econômico durante o processo de produção de um bem ou serviço sem incorporar-se ao produto final. É, portanto, um capital do qual se frui o tempo efetivamente usado e apenas ele. Como o tempo não pode ser estocado, por mais que esse seja o sonho de quase todos, deixar de utilizar um fundo de serviço equivale a desperdiçar tempo e, como sabemos a relação entre eles, dinheiro. A idéia proposta por Georgescu-Roegen é, como vimos, facilmente demonstrável. Se não é mais utilizada na análise econômica neoclássica é porque seu cálculo agrega uma complexidade que poucos querem enfrentar.
O conceito de capital humano segue as mesmas linhas gerais, e é todo do tipo fundo de serviços. Apesar das questões éticas envolvidas - alguns recusam-se a considerar pessoas, e não o ente abstrato trabalho, como parte da engrenagem da produção capitalista -, a não utilização plena desse tipo de capital tem implicações para o país além das sociais, que podem ser mitigadas com ações distributivas, como o Bolsa-família. Essa falha econômica resulta no empobrecimento geral da nação, pelo não aproveitamento de potencialidades que não podem ser estocadas.
A plena utilização do nosso capital humano, seja diminuindo a taxa de desemprego, seja melhorando a eficiência do transporte coletivo para que ele não fique represado em congestionamentos constantes, como os paulistanos, deve ser a busca de todos os governantes deste país. Qualquer coisa diferente disso é contraproducente para o desenvolvimento.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

50 anos depois

Hoje completam-se 50 anos de um golpe que transformou um tirano em símbolo do socialismo latino-americano e um louco em ícone da resistência popular ao capitalismo. Respectivamente, Fidel Castro e Esnesto "Che" Guevara.
O editorial do Estadão faz uma retrospectiva sobre o efeito do ato nesse meio século. Eu quero falar sobre algo mais prosaico. A aura que estas figuras ainda têm para a esquerda brasileira.
Há cerca de 5 anos, uma amiga voltou de Cuba, de uma viagem de férias, e falou-me entusiasmada de como eram mentirosas as afirmações de que não existe liberdade de imprensa na ilha, citando as pilhas de livros criticando Castro que havia visto nas livrarias que visitara. Com entusiasmo ainda maior, relatou o quão esperto era o ditador por ter criado duas moedas, uma para turistas e outras para os residentes.
Não tenho como contestar a primeira fala, já que nunca estive em Cuba, o que lamento. Quanto à esperteza das duas moedas, faz-me rir.
Só mesmo a esquerda que vê o povo como uma abstração pode achar que um Estado em que circulam moedas diferentes para as diversas classes de consumidor uma boa idéia (exercerei meu direito legal de usar este acento por algum tempo). Essa e outras medidas econômicas do ditadura cubana só servem para transformar uma outrora próspera, mas desigual, ilha em uma pedinte internacional usada, desde muito, como uma arma moral contra os Estados Unidos da América.
O fato de existir mais de uma moeda corrente é o maior indício da falência de um Estado. O que só é confirmado pelo mercado negro e o abandono de funções do médio escalão da burocracia estatal pela população para assumir postos na indústria do turismo para ter acesso a moeda estrangeira e, assim, melhorar os rendimentos.
O regime cubano está moribundo como seu ex-líder. Se ainda não caiu, deve dar graças aos estadunidenses, que, devido à ações impensadas, deu munição ideológica ao castrismo como pobres revolucionários contra o império. Segue massacrando, porém, a população de uma ilha que é visitada por milhares de turistas anualmente por suas belezas naturais e suas características de museu do esquerdismo de características comunistas.
Que uma geração de pessoas estudadas e bem-intencionadas em países democráticos ainda nutram admiração por pessoas que cometeram uma infinidade de assassinatos deliberados, à bala, ou não - por fome, doença e perseguições - é um mistério para mim. Que os vejam como símbolo e ícone positivos, lastimável.

Feliz Ano Novo

O ano que passou não foi dos melhores, mas trouxe novidades interessantes.
Espero que este que agora começa traga novidades e deixe para trás as coisas deploráveis do passado.
Uma que ficará nos livros de história é a presidência de George Walker Bush, e eu creio que pior do que com ele não ficará.
Então vamos comemorar.