sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Patrimônio da Humanidade

Ouvi dizer que o Fantástico está com uma série na qual mostra os patrimônios da humanidade na opinião da Unesco. A série traz-nos a oportunidade de discutir sobre o estado do mundo em matéria de patrimônio.
Temos que definir o que é esse tal de patrimônio primeiro. Diz o bom,velho e desatualizado, com relações ortografia, dicionário Houaiss que ele é:
1 herança familiar,
2 conjunto dos bens familiares,
3 grande abundância (figurado),
4 bem ou conjunto de bens naturais ou culturais de importância reconhecida (que é como o usa a Unesco) e
5 conjunto de bens, direitos e obrigações economicamente apreciáveis, pertencentes a uma pessoa jurídica, estatal ou privada, ou física (jurídico).

Se formos nos ater a definição utilizada pela Unesco, veremos que a situação não anda muito boa. A perda de diversidade cultural e biológica, e seus respectivos sítios significativos, é pública e notória. Mas se formos adotar o significado jurídico é que a coisa fica preta.
Acreditando-se em medidas como o PIB para avaliar, temos a impressão de que o patrimônio do conjunto das pessoas está crescendo; infelizmente não é verdade. Pode ser que não seja o mais correto eticamente, porém é a realidade apreciável, mas a Humanidade encara que tudo existente sobre a Terra, produzido pelo Homem ou não, faz parte de sua propriedade. Até aquilo que os antigos chamavam de obra de Deus. Os pássaros, os rios, os mares e as vezes até outras pessoas; tudo enfim. Não é atoa que existem tratados internacionais para orientar a exploração dos recursos naturais.
Lavoisier, entretanto, já dizia que, na natureza, nada se perde, nada se cria, tudo se transforma. Enquanto Barbosa acreditava que a máxima valia também para a arte.
A ser verdade a Lei de Conservação da Massa acima em negrito, e nada mostrou que não seja até agora, fica demonstrado que a cada ser humano a mais no mundo, menor o patrimônio per capta resultante. Não adianta o auto-engano das identidades monetárias e do desenvolvimento sustentável eterno, estamos ficando mais pobres.
Então, se você preocupa-se com a riqueza do Homem, esqueçais aquela conversa de crescei-vos e multiplicai-vos.
Reproduza-se com parcimônia.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Perspectiva para a Bolsa

Não gosto, muito, de ficar metendo-me a guru, vidente ou qualquer coisas do gênero, mas vou dar aqui um palpite.
Pegue todo o dinheiro que você tem sobrando e coloque na bolsa, antes que seja tarde.
Já escrevi neste blog que a economia brasileira sairá desta crise relativamente bem, comparando a de outros países por aí. E quando a economia vai bem, a Bolsa segue.
Se você não acredita em mim, acredite nos profissionais. Daniele Camba, articulista do Valor Econômico, apontou, em sua coluna do dia 06 de janeiro, que as consultorias econômicas trabalham com previsões para o fechamento do Ibovespa no final do ano que variam de 49 a 90 mil pontos.
Está certo que eles não são muito confiáveis, mas não têm como estar errados sempre.
É só olhar em quantos pontos está o Ibovespa hoje para ver que a coisa tende só a melhorar.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Que os vizinhos apressem-se

Vai faltar ativo para que os vizinhos tunguem, então é melhor que sejam rápidos. Se até quem não faz fronteira conosco já está colocando suas manguinhas de fora, como o Equador, imaginem os que estão aí do lado.
O Paraguai já escolheu seu quinhão. Quer levar Itaipu de presente. Ou melhor, quer levar o resto de Itaipu de presente.
Itaipu Binacional é, como o próprio nome diz, uma empresa partilhada entre os acionistas, Brasil e Paraguai, em partes iguais. Mais do que para a segurança energética do Brasil, foi concebida, por brasileiros, para cessar com quaisquer problemas de fronteira e selar uma parceria estratégica. O capital para iniciar a empresa foi 100% brasileiro (emprestamos o capital inicial que eles não tinham) e o resto foi financiado, com a parte de maior credibilidade creditícia sendo o Brasil. O Paraguai entrou com sua parte em água e apoio moral.
Por ser estratégica, a empresa não visa o lucro e toda a energia produzida deve ser comprada e dividida em partes iguais entre, e deve ser consumida pelos, países acionistas, mas o excedente não-consumido pode ser comprado pelo outro. As tarifas da energia são para cobrir os custos, de produção e de amortização da dívida.
Devido a falta de demanda paraguaia, o Brasil acaba utilizando 95% da energia produzida pela usina. A parte efetivamente consumida pelo Brasil é responsável por aproximadamente 20% da nossa matriz elétrica, enquanto os 5% que o Paraguai utiliza respondem por 95% da matriz deles. Como a segurança energética é desprezada por essas bandas como tema de debate, a desproporção reflete a importância que é dada à usina na política interna de cada país. Irrisória no Brasil, imensa no Paraguai.
A revisão do acordo de criação de da empresa binacional ou, no mínimo, das tarifas pagas pelo Brasil, e conseqüente ganhos nos royalties recebidos pelo Paraguai, foi uma das mais poderosas plataformas da campanha que levou Fernado Lugo ao poder. A proposta apresentada ao Brasil para uma renegociação oscila entre a sandice e a desrespeito ao direito internacional.
A falta de respeito seria entre o acordo firmado para que toda a energia seja utilizada pelos sócios. Ela é baseada em uma situação conjuntural. A Argentina, que foi historicamente um exportador líquido, tornou-se importador de energia e o Paraguai vê aí uma oportunidade de fazer caixa. A insanidade na proposta de que, baseado em seu histórico de utilização da produção, o Brasil assuma 95% da dívida da empresa. Equivalente a espetar na conta do cliente a dívida da loja.
As lideranças esquerdistas que chegaram ao poder na América Latina têm tentado fazer revisões contratuais alegando que os acordos assinados pelos governos anteriores são incorretos: a)politicamente; b)economicamente; c)juricamente, e d)todos os anteriores. Itaipu Binacional foi uma benção para o Paraguai economicamente falando; juridicamente foi assinado por partes soberanas e aptas a tal, sem o uso de força. Politicamente tudo é contestável, pois mutáveis são, por definição, os governos em que há confrontação política e os "interesses nacionais" que defendem. Mas mesmo aí fica difícil defender a revisão, já que o acordo serviu de veículo para dirimir conflitos históricos entre as partes.
Pelas resoluções anteriores dos contenciosos Brasil-resto da América do Sul, fica difícil acreditar que passaremos ilesos da reivindicação paraguaia. Espero que a ferida não seja muito funda, afinal há Peru, Chile, Guiana, Suriname e França na fila.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Desperdiçando desenvolvimento II

Já defendi nesta página que o Brasil pode não ter alcançado um grau maior de desenvolvimento social devido à abundância relativa de mão-de-obra, que teria causado uma cultura de desvaloração do trabalho, agravada, mesmo após o seu fim, pela escravatura. O, atualmente, deputado Paulo Renato de Souza defendeu, em sua tese de doutorado, que a grande massa de migrantes do meio rural para os centros urbanos em processo de industrialização foi o fator que permitiu a compressão salarial, na terminologia cara aos sindicalistas.
É claro, entretanto, que a escassez não é um garantia de desenvolvimento. Caso isso fosse verdadeiro, os países localizados no Saara seriam os mais desenvolvidos do mundo. O encarecimento relativo aos outros preços da economia, no entanto, leva a um melhor aproveitamento de qualquer recurso e, freqüentemente, a avanços tecnológicos poupadores do mesmo. De certa forma, estamos, no Brasil, sendo vítimas dessa poupança.
Tecnologias vindas dos países desenvolvidos, nos quais há escassez estrutural de mão-de-obra, são adotadas aqui onde há falta de empregos para a população jovem que entra na população economicamente ativa a cada ano. O pior é que contribuímos para isso com uma lei trabalhista que torna um empregado um investimento maior do que um equipamento. Enquanto uma máquina custa o valor que se paga por ela e mais manutenção, um humano custa para ser encontrado, mantido e dispensado, com um adicional de risco judicial enorme.
Deve-se, portanto, neste momento de reflexão sobre o futuro, que caracteriza os primeiros dias do ano, pensar uma maneira de impedir que nosso capital humano fique ocioso. A reforma trabalhista é, mais do que qualquer outra, a essencial agora. Como ela não é de interesse dos sindicatos organizados que mandam no governo, continuaremos desperdiçando nosso fundo de serviços.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Alguma coisa está muito errada

Descobrimos que há algo muito errado com nossas fontes de informação quando se leva mais de uma semana para descobrir que ocorreu a morte de Samuel P. Huntington e apenas poucas horas que partiu dessa para uma melhor o Bandido, que, ao que consta, era mal, pegava um, pegava geral.
Nem é que eu concordasse com as teorias do estudioso, mas acho que ele era mais útil ao mundo do que o touro. Só que do bovino já há 6 clones, do humano teremos só os livros, o que pode não ser pouca coisa, porém não evoluem mais.
É, talvez não sejam apenas minhas fontes que estão erradas, mas o mundo inteiro.

domingo, 4 de janeiro de 2009

Incursão terrestre

Devo admitir que a incursão terrestre das tropas israelenses à Gaza surpreendeu-me. É a típica situação em que se tem pouco a ganhar e muito a perder.
Os foguetes lançados de Gaza são uma ameaça muito maior à moral do que à existência do Estado de Israel. Parece-me que eles mataram 4 pessoas desde que começaram a ser lançados. Os combates no campo inimigo será provavelmente mais mortal para os militares de Israel.
Acontece que cada vítima dessa guerra será um troféu para o Hamas. Uma israelense, exibida como prova do poderio das milícias por ele comandadas.Uma palestina, como um mártir, se combatente, ou um inocente assassinado pelas forças ocupantes, se não. Para as tropas israelenses o efeito será quase diametralmente inverso. Toda e qualquer vítima será um ônus da ação vista como desproporcional. E já vimos este filme. Ocorreu o mesmo com relação ao Hezbollah.
O fato é que o Hamas atraiu os israelenses para Gaza deliberadamente. Fez isso para fortalecer-se no imaginário palestino como sua contraparte libanesa. Mas o que levou o governo israelense a agir? Creio que a fraqueza política provocada pelo escândalo em que o primeiro-ministro Olmert viu-se envolvido a mais de um ano, resultando em antecipação das eleições. O Kadima precisa mostrar que é viável para a votação marcada para fevereiro, e o faz por meio das armas. É uma estratégia arriscada pois pressupõe que não ocorrerão muitas baixas nas tropas e que a missão será curta. Qualquer outro cenário será usado pela oposição como sinal de que o governo atual é incompetente para lidar com as questões de segurança.
Espero que o menor número possível de civis seja afetado, embora saiba que milhares serão.

sábado, 3 de janeiro de 2009

Sensatez, não pessimismo

Os personagens desta reportagem, pelo que parece, são apontados como pessimistas, mas são, no máximo, sensatos ao falar o que qualquer um pode ver e não tem coragem de dizer.
Apostar contra os Estados Unidos, uma potência militar, é considerado loucura desde o colapso da União Soviética. Livros como O fim da História e o último homem, de Fukuyama, propagaram a idéia de que o capitalismo de viés norte-americano havia triunfado e congelaria o poder mundial, mantendo-o com os países ricos ocidentais. Alguns aplicadores começaram a achar que não havia risco na revogação da lógica que passou a imperar na economia estadunidense.
Lendo meu blog, vocês perceberam que apóio a tese de que a nobreza está em consumir, gerando bem-estar à população, e que a produção serve apenas para dar suporte para a sociedade fazê-lo. Há também, porém, uma versão, que considero inversão de valores, que leva economistas a pensar que se deve sempre aumentar a produção, pois ela cria o consumo e o bem-estar. Esta tese é baseada na chamada "Lei de Say".
Nos Estados Unidos a tese invertida parece não ter encontrado solo onde se enraizar. Em compensação, criou-se uma radicalização da sociedade de consumo. Pensou-se que se poderia consumir sem produzir. Que um país com déficits externos imensos, e crescentes, poderia manter-se consumindo eternamente mais do que produz, e que as demais nações permitiriam isso indefinidamente, financiando-o ad eternum. Um arranjo impossível, mas que os analistas consideravam desejável e, portanto, procuravam justificar sua manutenção.
Os três analistas da reportagem saíram da manada. E estão certos em fazê-lo. O que dizem é puro bom senso e fatos históricos. O último país a cair em uma armadilha semelhante àquela em que os Estados Unidos entraram, o Japão, ainda se debate com o baixo crescimento, permeado por períodos de recessão prolongada. Os investidores que fugiram para o dólar não demorarão a perceber que, se no curto foi uma boa escolha, o diferencial o crescimento mundial e o (des)crescimento estadunidense derrubarão o valor da moeda, o que, somado aos baixos juros pagos pelo Tesouro daquele país, redundará em prejuízos. Pelo mesmo motivo as ações das empresas dos países chamados emergentes serão as mais lucrativas do período.
Vemos, então, que esses analistas estão rindo agora e permanecerão com sorrisos por um bom tempo.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Desperdiçando desenvolvimento

Em artigo sobre a busca de novas formas de contabilização da riqueza que não o PIB, Washington Novaes (íntegra aqui) relata que, a respeito do transporte, "o paulistano consome em média duas horas diárias para isso; multiplicadas por 5 milhões de pessoas, serão 10 milhões de horas por dia, que, multiplicadas pelo número de dias no ano e pelo valor médio da hora de trabalho, produzirão um valor fantástico - que, se pudesse ser transposto para investimento em transportes públicos (ampliação da rede do metrô, por exemplo), em poucos anos melhoraria extraordinariamente a qualidade de vida dos cidadãos."
Capital é, classicamente, definido como o fator socialmente produzido utilizado, no sistema capitalista, na produção de bens e serviços destinados à venda (as mercadorias). Georgescu-Roegen o divide em dois: os fundos de serviço e os estoques. Os primeiros são formados por máquinas, prédios e equivalentes, e o segundos por matérios-primas, produtos acabados e peças de reposição. Estes podem ser armazenados enquanto aqueles constituem desperdício quando não utilizados.
Para entender como ocorre o desperdício devemos nos atentar para a natureza destes fundos de serviço. Como o próprio nome indica, eles têm como função prestar algum serviço econômico durante o processo de produção de um bem ou serviço sem incorporar-se ao produto final. É, portanto, um capital do qual se frui o tempo efetivamente usado e apenas ele. Como o tempo não pode ser estocado, por mais que esse seja o sonho de quase todos, deixar de utilizar um fundo de serviço equivale a desperdiçar tempo e, como sabemos a relação entre eles, dinheiro. A idéia proposta por Georgescu-Roegen é, como vimos, facilmente demonstrável. Se não é mais utilizada na análise econômica neoclássica é porque seu cálculo agrega uma complexidade que poucos querem enfrentar.
O conceito de capital humano segue as mesmas linhas gerais, e é todo do tipo fundo de serviços. Apesar das questões éticas envolvidas - alguns recusam-se a considerar pessoas, e não o ente abstrato trabalho, como parte da engrenagem da produção capitalista -, a não utilização plena desse tipo de capital tem implicações para o país além das sociais, que podem ser mitigadas com ações distributivas, como o Bolsa-família. Essa falha econômica resulta no empobrecimento geral da nação, pelo não aproveitamento de potencialidades que não podem ser estocadas.
A plena utilização do nosso capital humano, seja diminuindo a taxa de desemprego, seja melhorando a eficiência do transporte coletivo para que ele não fique represado em congestionamentos constantes, como os paulistanos, deve ser a busca de todos os governantes deste país. Qualquer coisa diferente disso é contraproducente para o desenvolvimento.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

50 anos depois

Hoje completam-se 50 anos de um golpe que transformou um tirano em símbolo do socialismo latino-americano e um louco em ícone da resistência popular ao capitalismo. Respectivamente, Fidel Castro e Esnesto "Che" Guevara.
O editorial do Estadão faz uma retrospectiva sobre o efeito do ato nesse meio século. Eu quero falar sobre algo mais prosaico. A aura que estas figuras ainda têm para a esquerda brasileira.
Há cerca de 5 anos, uma amiga voltou de Cuba, de uma viagem de férias, e falou-me entusiasmada de como eram mentirosas as afirmações de que não existe liberdade de imprensa na ilha, citando as pilhas de livros criticando Castro que havia visto nas livrarias que visitara. Com entusiasmo ainda maior, relatou o quão esperto era o ditador por ter criado duas moedas, uma para turistas e outras para os residentes.
Não tenho como contestar a primeira fala, já que nunca estive em Cuba, o que lamento. Quanto à esperteza das duas moedas, faz-me rir.
Só mesmo a esquerda que vê o povo como uma abstração pode achar que um Estado em que circulam moedas diferentes para as diversas classes de consumidor uma boa idéia (exercerei meu direito legal de usar este acento por algum tempo). Essa e outras medidas econômicas do ditadura cubana só servem para transformar uma outrora próspera, mas desigual, ilha em uma pedinte internacional usada, desde muito, como uma arma moral contra os Estados Unidos da América.
O fato de existir mais de uma moeda corrente é o maior indício da falência de um Estado. O que só é confirmado pelo mercado negro e o abandono de funções do médio escalão da burocracia estatal pela população para assumir postos na indústria do turismo para ter acesso a moeda estrangeira e, assim, melhorar os rendimentos.
O regime cubano está moribundo como seu ex-líder. Se ainda não caiu, deve dar graças aos estadunidenses, que, devido à ações impensadas, deu munição ideológica ao castrismo como pobres revolucionários contra o império. Segue massacrando, porém, a população de uma ilha que é visitada por milhares de turistas anualmente por suas belezas naturais e suas características de museu do esquerdismo de características comunistas.
Que uma geração de pessoas estudadas e bem-intencionadas em países democráticos ainda nutram admiração por pessoas que cometeram uma infinidade de assassinatos deliberados, à bala, ou não - por fome, doença e perseguições - é um mistério para mim. Que os vejam como símbolo e ícone positivos, lastimável.

Feliz Ano Novo

O ano que passou não foi dos melhores, mas trouxe novidades interessantes.
Espero que este que agora começa traga novidades e deixe para trás as coisas deploráveis do passado.
Uma que ficará nos livros de história é a presidência de George Walker Bush, e eu creio que pior do que com ele não ficará.
Então vamos comemorar.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Não apenas eu

O bom será acordar amanhã e saber que não apenas eu, mas todos, não saberão escrever em língua portuguesa.
As justificativas para a unificação ortográfica, chamada reforma, são que as economias das nações que falam português sairão fortalecidas, principalmente, é claro, no quesito editorial, e que nossa língua ganhará peso diplomático maior.
Elas me parecem risíveis. Nosso mercado editorial não é pequeno por diversidade na forma de escrever, mas por falta de leitores. O mercado editorial brasileiro vende apenas um pouco mais do que o de Portugal, com uma população 19 vezes menor. Para que haja uma melhora nas vendas é necessário que se aumente o número de leitores no Brasil. A ortografia não interfere nas vendas, como Paulo Coelho e Saramago provaram ao vender no mundo afora com suas distintas formas de grafar.
Também não influirá na geopolítica a reforma. Nenhum país de língua portuguesa como oficial ganhará um pingo de importância. A despeito do que foi dito, a língua franca atual, o inglês, também tem diferentes grafias. A diferença é que não se tentou fazer uma imposição política de uma correta. Aceitam-se as variantes britânica e norte-americana como oficiais, ficando ao gosto do escritor escolher a que mais lhe agradar. Força internacional os países ganham atuando, não mudança sua escrita.
De todo modo, não adianta reclamar. O mal está feito e nos resta reaprender.
Até o ano que vem.

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Quando começa mal

Só tende a piorar.
Israel era uma reivindicação histórica dos judeus, mas o modo como foi criado foi o mais absurdo e violento possível, e, como diz o livro sagrado que eles professam, quem com ferro fere, com ferro será ferido.
Desde o fim do século XIX, a colonização da chamada Terra Santa por judeus europeus estava em curso. O nacionalismo baseado em critérios étnico-lingüísticos firmava-se então, e todos que tinham projetos de poder queriam um Estado para chamar de seu. Ao sionista havia o adendo de o Torá citar a terra prometida, dando-lhes, em seu ponto de vista, direitos históricos sobre a área na qual não viviam a milênios.
A solução final nazista apenas acelerou um processo que estava em curso. O radicalizou, porém, ao fazer crer que a melhor maneira de convivência entre culturas diversas era aquela em que estão separadas por fronteiras bem definidas. Ou, melhor dizendo, a não-convivência.
O triste da transformação do nacionalismo do reconhecimento dos povos para o de segregação dos povos é que em seu seio floresceu o racismo. Os movimentos posteriores esmeraram-se em tentar parecer defensivos, mas foram extremamente violentos, responsáveis por inúmeras mortes. O que criou Israel não foi diferente. Gerou o deslocamento de milhões de palestinos e milhares de mortes. Isso para aglutinar uma nação que até o momento não existia.
Há, entretanto, o agravante religioso. Vimos durante o século XX que as tensões puramente nacionalistas acabam por acomodar-se. Guerras por comando de territórios fazem pouco sentido quando os mesmos são destruídos e seus recursos depletados. Isso torna mandatório que, cedo ou tarde, acordos duradouros terminem em convivência pacífica e segregação com compartilhamento das riquezas. Quando há o componente religioso, os resultados são diferentes.
Limpezas étnicas são muito mais freqüentes e os conflitos muito mais duradouros por que a briga passa a ser por algo imaterial. Não existe a depleção da fé, que, ao contrário, muitas vezes ganha corpo em ambientes de guerra. Há uma retroalimentação que acirra os ânimos e, muitas vezes, exige um elemento externo para conter a disputa.
No Kosovo, foi a entrada de tropas multinacionais. A questão israelo-palestina precisará de mecanismo semelhante, mas aqui contamos com um Estado que tem apoio incondicional da maior potência militar da atualidade e, dizem, armas nucleares.
A questão atormentar-nos-á, portanto, por um longo período.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Opção por não ensinar

Não sei como são as aulas de geografia hoje, mas quando recebi as primeiras lições de geral o forte era entupir os estudantes com dados que mostravam o quanto o Brasil era grande, bonito, cheiroso e qualquer outro adjetivo positivo que você puder escolher. Daí passávamos para os continentes. A cereja do bolo era informar que existiam apenas dois países transcontinentais: União Soviética e Turquia.
Naquela época eu gostava bastante de geografia. Era um tempo em que nem sonhava que existia marxismo, e que professores dessa matéria o professavam, e acreditava no que falavam.
Foi uma época perdida em matéria de informação e aprendizado. Se eles erravam em questões tão tranqüilas quanto apontar no mapa e dizer qual continente é, que dizer daquelas nas quais há controvérsias.
Hoje não existe mais União Soviética, o número de países transcontinentais cresceu bastante na minha consciência. Há a Rússia, que continua quase a mesma, apesar do desmembramento que sofreu a extinta liderança do mundo socialista, Turquia, França, Inglaterra, Dinamarca, Espanha, Egito, e esses me vêem de cabeça, correndo o risco de haver mais.
Só posso imaginar os motivos que levaram o ensino de geografia a cometer tal deslize. Minha hipótese mais plausível é que houve uma opção política por "esquecer" as antigas possessões coloniais incorporadas aos Estados europeus. Outra é incompetência.
Em qualquer das duas possibilidades os interesses dos alunos, entre os quais eu, foram deixadas de lado. Conhecimento deixou de ser construído por falta de acesso a informações. Como disse no começo do texto, não sei como são as aulas de geografia hoje, mas duvido que os alunos estejam melhor servidos, já que o ensino universitário da matéria segue com as mesmas diretrizes.

sábado, 27 de dezembro de 2008

Programada e irresponsável

A respeito da menção da obsolescência programada que fiz no texto de ontem, cabe uma explicação.
Referi-me a ela como ecológica e eticamente contestável. Quanto à parte ética, pode-se até discutir. O fato de fazer-se um produto com durabilidade menor do que a possível para obrigar compras freqüentes e maior dispêndio do consumidor foi uma forma que as economias ditas avançadas encontraram para manter os fluxos econômicos fluindo, e tem seus defensores.
Já a parte ecológica é totalmente condenável mesmo.
Charles Miller, não o do futebol, mas o do livro Os economistas e as relações entre o sistema econômico e o meio ambiente relata que: "As leis da termodinâmica asseguram que, numa perspectiva temporal suficientemente longa, a quantidade de resíduos e dejetos emanados pelo sistema econômico é igual, em massa, à quantidade de combustíveis e matérias-primas que ingressam no sistema e que são por ele transformados, deduzidos os materiais que se acumulam na economia, e os por esta reciclados".
Como vemos, a poluição é inversamente proporcional ao patrimônio que uma dada sociedade consegue acumular. A obsolescência programada é, nesse sentido, um crime ambiental e um atentado contra a sociedade que a patrocina.
Governos que a permitem são co-autores do crime, e sociedades que fecham os olhos para isso facilitam o trabalho de seus algozes.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Que se meça realmente a riqueza

O modo como medimos algo não é neutro. Ao escolhermos uma forma de medição ou mesmo uma unidade de medida, influenciamos o medido e, no caso das atividades humanas, podemos transformar todo o ambiente estudado. Tanto é assim, que as nações são muito relutantes em abrir mão de suas unidades culturalmente embasadas para assumir o chamado Sistema Internacional de Unidades SI.
A economia é um grande exemplo de como o modo como é feita a medição pode influenciar o objeto medido. A opção pelo PIB como medida de riqueza traz uma série de concepções que mascaram a riqueza de uma sociedade, e a forma como essa está sendo gerida.
A coisa já começa mal. O PIB não mede riqueza, mas fluxo monetário. Toma-se como verdadeiro que onde há grande fluxo, existe grande riqueza; ou seja, é uma convenção apenas. Acaba, como diz o dito popular, misturando pato com ganso, e os igualando.
O pior é que serve como base para outras medidas e ações. O PNUD, por exemplo, o utiliza como esteio no cálculo do desenvolvimento humano, IDH. Países o utilizam para mostrar poder, muitas vezes com índices maquiados. E o crescimento econômico a todo custo vira a meta principal devido à fé de que o Produto Interno Bruto indica o caminha da prosperidade, mesmo quando utilizados expedientes contestáveis ecológica e eticamente, como a obsolescência programada.
A idéia de que o PIB é o bom é tão forte que consegue até milagres. Fez com uma postagem minha fosse lida(raridade das raridades) e contestada por alguém que aparentemente sabia do que estava falando. Observem que, em termos gerai, o leitor Mendonça não estava contestando o que eu havia escrito, mas ressaltando a importância da renda, que é uma função do PIB. O detalhe é que as importações entram no cálculo do PIB diminuindo-o, enquanto as exportações o aumentam. Daí a defesa apaixonada do exportar.
Faz-se necessária mudança da forma de medição de nossa prosperidade. O Patrimônio Líquido Nacional (e aqui) parece-me a melhor maneira de efetuá-la. Cabe-nos não aceitar passivamente a lorota de que estamos mais ricos só porque o PIB cresceu. No mínimo, devemos fazer com que os dirigentes nos expliquem como isso ocorreu.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Recursos naturais

Fomos acostumados, desde os primeiros anos do ensino infantil, a pensar em recursos naturais renováveis e não-renováveis. Essa distinção, porém, não faz mais sentido à luz do conhecimento científico atual.
Sabemos que muito do que é chamado não-renovável o é, embora em uma escala de tempo considerada anti-econômica atualmente. A natureza está, por exemplo, produzindo todos os combustíveis fósseis continuamente, em maior ou menor escala. Os recursos minerais, de maneira geral, são totalmente recicláveis, excetuando-se, talvez, os radioativos.
O grande nó nesta matéria é, então, a matéria viva. Temos de fato recursos extinguíveis e não-extinguíveis. Corremos o risco de eliminar espécies ou de espécimes de grande importância para as cadeias ecológicas ou econômicas. Os campos pesqueiros em perigo, as florestas decadentes e os mangues e corais declinantes; todos são mostras de importante DNA que pode ser perdido.
Evitar que o árduo trabalho de energia genética da natureza em milênios seja desperdiçado é a mais importante batalha deste século. Fazendo nossa escala econômica caber na ecológica, conseguiremos fazer a palavra sustentabilidade ter algum sentido. Se falharmos nesta tarefa, muito do que dizemos que fazem a vida valer a pena deixarão de existir. Conheceremos o verdadeira significado de pobreza.

Um feliz natal a todos.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Devem ficar queitinhos

Nosso aclamado presidente, no alto de seus 70 e tantos pontos percentuais de aprovação, deseja instituir uma categoria de pessoas sem direito à liberdade de expressão, os ex-presidentes. Não apenas isso, a categoria tem o seu direito de disputar cargos políticos revogada.
Sabemos que o que o presidente e seu partido afirmam não se escreve; as circunstâncias políticas mudam e, com elas, as idéias também. Pouco esperança tenho, portanto, de ver um retiro silencioso de Lula para o ostracismo de São Bernardo do Campo, mas gostaria de presenciá-lo.
Se eu fosse o Sarney, contudo, ficaria muito magoado. Fez parte da parcela do PMDB lulista de primeira hora e, ainda hoje, é visto como da base aliada. Tem um defeito, entretanto: já ocupou o Palácio do Planalto.
Só não entendi uma coisa uma coisa. Se o motivo para os ex-presidentes não falar sobre o governo é que esses têm telhado de vidro, estamos diante da velha prática do acoberte-me que eu não lhe denuncio?
Prefiro, então, que comece um falatório geral. É sempre melhor saber os erros passados e presentes. Uma mão lava a outra para esconder os podres é coisa de bandido. Será que vivemos uma política à Cosa Nostra.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Voltando à economia

Muitos dos desenvolvimentistas estão animados nos últimos três meses. Mais felizes do pinto no lixo. O dólar subiu, Keynes está na moda novamente. Em resumo, tudo que eles sempre esperaram parece realidade.
Pena, para eles, que há grande possibilidade deste momento desmanchar no ar, como sói dos sonhos fazerem.
Se não houver uma política deliberada de depreciação cambial, não há como o dólar permanecer neste patamar. Regredimos três anos na valorização da mão-de-obra brasileira, mas esse momento é transitório. O Brasil era uma nação estruturalmente exportadora quando o dólar valia 1,6 reais e continua sendo com esse a 2,5.
As últimas informações sobre o fluxo cambial demonstram que a fase de desconfiança com relação as mercados brasileiros de capitais e de ações está se desvanecendo. Aqueles que ganharam com a boa e velha arbitragem devem estar se perguntando: aquela economia funcionou bem com níveis cambiais mais baixos durante um tempão, por que eu não ganharia apostando na valorização de sua moeda?
E, quanto ao crescimento da economia, não me alinho aos pessimistas que prevêem tempos difíceis. A freada ocorrida no último semestre do ano foi totalmente artificial. As linhas de crédito foram retiradas por razões externas à economia nacional, mas o empoçamento de liquidez não poderá ser mantido por muito tempo, como já dizia Ricardo, e o crédito ao consumidor deverá seguir crescendo.
Já estávamos na contra-mão do mundo em matéria de crescimento econômico antes do acirramento da crise com a quebra do Lehman Brothers. Nada de muito relevante ocorreu aqui para que a tendência reverta-se.
2009 pode não ser tão bom quanto 2008, mas não será o inferno que estão dizendo por aí.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

O cara sabia

Marrx dizia que não era o descobridor da existência de classes e da luta entre elas. Como cita Weffort, em os Clássicos da Política volume 2, ele escreveu: "O que eu troxe de novo foi demonstrar:1)que a existência das classes só vai unida a determinadas fases históricas de desenvolvimento da produção; 2)que a luta de classes conduz, necessariamente, à ditadura do proletariado; 3)que a ditadura, em si mesma, não é mais do que o trânsito para a abolição de todas as classes e para uma sociedade sem classes ...".
Como vemos, o homem sabia das coisas. 100% de aproveitamento, errou em tudo o que original de sua lavra. Nem eu consigo tanto.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Néscio ágil

Como vemos no vídeo, o néscio pode não saber governar, mas manda bem em agilidade.

domingo, 14 de dezembro de 2008

Queda muito boa

A tendência da queda no número de milhas viajadas é um presente para a economia mundial, ao menos em longo prazo.
Todo o desperdício traz lucros para alguém, mas os recursos bem aplicados levam bem estar a um grupo muito maior. Energia é um recurso essencial e, portanto, está entre as prioridades na lista pela eficiência. O modo como a cultura do automóvel entranhou-se nos estadunidenses é a verdadeira vitória da insensatez; da ineficiência em vários níveis.
Esperemos que a tendência confirme-se. O mundo só tem a ganhar. E os "gringos" serão os primeiros beneficiários.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Mistificação

Há uma certa dose de misticismo quando se diz que ocorreram perdas no mercado acionário, como fez o editorial do Estadão de hoje.
Dizer que os fundos perderam não corresponde a verdade, pois lucros e prejuízos no mercado acionário só ocorrem após a venda da ação, daí o termo realização. É certo que, devido à imensa diminuição do valor nominal das empresas no ano, quem precisar desfazer-se de seus investimentos hoje pode amargar uma sensação de perda, mas isso depende também do preço com que ele adquiriu-os.
O fato de os índices das principais bolsas terem subido constantemente durante meia década faz com que os aplicadores tenham, em sua maioria, ganhado no mercado acionário mais do que o fariam em outras aplicações.
As comparações infelizes entre as bolsas e os cassinos nada mais são do que isso. O mercado acionário gera, via de regra, ganhos para todas as partes envolvidas: empresas, intermediários e poupadores. Os cassinos dão lucros apenas aos donos e, eventualmente, aos governos que lhe cobram tributos. Que autoridades façam tal comparação é, realmente, uma vergonha.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Esgoto também é patrimônio

Retomando um velho assunto tratado em 2006, há este vídeo sobre a energia a partir do esgoto.



A reportagem mostra a luta entre os sistemas de aumento do PIB como meta e o de maior apreço pela valorização do Patrimônio Nacional Líquido. No Brasil, dá-se pouca atenção ao quanto determinada obra vai durar ou mesmo à sua utilidade prática. O mais importante é que tenha muitos zeros. Bom administrador é o que constrói mais. Não por acaso, foi um lema, atribuído à Washington Luís, "governar é construir estradas".
Se prestarmos devida atenção à reportagem, veremos que as soluções geradoras dos maiores desembolsos financeiros, e, conseqüentemente, do maior PIB, estão longe de ser as melhores. É clássica a afirmação de que cada real aplicado em saneamento básico equivale a quatro poupados em tratamento de doentes. O vídeo mostra, entretanto, que a conta pode ser ainda mais favorável, pois os resíduos dos esgotos podem gerar renda, conquanto amortizada ao longo de anos.
Os investimentos necessários não são proibitivos, pela simples razão de que a grande parte deles são obrigatórios, sejam utilizados os subprodutos ou não. O tratamento de efluentes é dever dos consumidores, caracterizando crime ambiental a poluição de cursos d'águas. Sendo assim, os custos são apenas incrementais. Em todas as unidades de tratamento de água servida (esgoto doméstico) há tanques de decantação. Pelo que pude entender, também eles são obrigatórios nas granjas de suinocultura. São necessárias, então, só pequenas melhorias para coletar os gases e os sólidos resultantes da biodigestão.
Não sei quanto foi o investimento na granja suína, mas ao se crer nos números, ele foi bastante lucrativo, pois uma lona e um gerador elétrico serem responsáveis por economias da ordem de 2750 reais mensais, apenas em energia elétrica, devem fazer o empreendimento bastante mais lucrativo para o pecuarista. O mesmo não pode ser dito dos diversos níveis de governo, que perdem arrecadação de impostos, pois os chamados serviços básicos (energia, telefonia, água e esgoto) são pesadamente tributados no Brasil.
Todos os casos apresentados na reportagem são poupadores de recursos e, portanto, influem negativamente nos cálculos do PIB. Contribuem, entretanto, muito para a melhoria das condições de vida da população e preservação do ambiente. Qual fator deveria pesar mais?

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Electranet

Acho que a era das grandes obras, como as hidrelétricas do rio Madeira, estão com os dias contados. São o pesadelo dos ecologistas, contam com a desconfiança da população e benefícios sociais discutíveis.
Com o fim dessa era de obras vistosas, teremos que fazer cada quilowatt render mais, e cada fonte de energia disponível deverá ser coletado e distribuído de forma mais eficiente. Neste ponto, a electranet defendida por Al Gore é uma imposição, não apenas um projeto.
Por todas as questões envolvidas, implementar uma política que garanta a um melhor uso da energia é muito superior a construir barragens no meio do nada populacional.
E gerará mais empregos e distribuição de renda.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Artesanato

Vários anos atrás, quando eu e um grupo de amigos estávamos tentando viabilizar uma OSIP, aventei a idéia de que poderíamos pegar desenhos de crianças atendidas pela entidade e vender como ilustrações em livro de estórias único para cada freguês. Ainda bem que essa história não foi para frente, ou seriamos acusados de exploração de trabalho infantil. Mas venho aqui falar do futuro e não do meu passado.
Artesanal tem a acepção de coisa pouco sofisticada ou, o que me parece uma contradição, artística, mas é de artesanato que precisamos para sair da "marolinha" mais forte do que entramos. É claro que não estamos falando de peças de barro, de pequenos caminhões de madeira vendidos em beira de estrada ou mesmo dos desenhos infantis que mencionei no primeiro parágrafo. A pedida do momento é o investimento em tecnologias ditas imaturas, principalmente as que são alcunhadas sustentáveis.
As novas tecnologias têm a característica de não ter soluções padronizadas para os diferentes problemas que podem ser encontrados na vida real. E, justamente por isso, demandam muito mais mão-de-obra para adaptar a idéia geral à situação específica, resolvendo o problema número um do Brasil: a baixa quantidade e qualidade de empregos.
Falarei mais disso nos próximos textos.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Não estamos no Pacífico, mas...

...o sistema de prevenção de tsunamis do governo, parece, começou a apitar.
Mantega, aquele ministro pelo qual, vocês sabem, tenho um apreço sem tamanho, está anunciando que o Brasil tem um arsenal para evitar o acirramento da crise econômica aqui em Jabuticabal, e dá-lhe anúncios keynesianos de gastos com PAC e essas batatadas.
Partes do PT já se defendem das conseqüências da desaceleração culpando as políticas "neoliberais" da dupla PSDB-PFL e Lula vai mais longe, é obra de trinta anos de governantes despreocupados com o povo, reverindo, provavelmente, aos que tinham o cetro desde a sublevação militar até a sua chegada ao Palácio do Planalto. E toda essa retórica por obra da "marolinha".
Vamos, todavia, aos finalmente. O governo tem, de fato, um arsenal para combater os efeitos da crise. Só que não onde ele imagina. Há no país um problema crônico em relação à qualidade das leis trabalhistas. Elas limitam a flexibilidade do mercado e desestimulam a contratação mesmo quando há uma batalha pela mão-de-obra escassa, inviabilizando-a em momentos de incerteza.
Qualquer melhoria na legislação trabalhista é um incremento da competitividade do Brasil e um estímulo ao rebustecimento do mercado de trabalho, com ganhos para os 50% de trabalhadores que hoje não dispõem de nenhuma segurança gerada pela rede de proteção social que os sindicalistas dizem ser o Código atual.
Resolver esse gargalo seria a solução que incluiria o país definitivamente entre os de melhor desenvolvimento humano, não gastar os recursos dos impostos favorecendo empresas, seja de qual porte forem, com créditos facilitados e baratos.
Métodos paliativos nunca passarão disso, não importando qual nome recebam.

sábado, 6 de dezembro de 2008

A respeito do sifu

Será que fui apenas eu que se indignou com o fato de que Lula recomendou que os médicos mentissem para os pacientes?
Ao meu ver, insinuar que a verdade deve ser omitida é muito pior do que usar palavras de baixo calão. Realmente, a democracia não foi bem entendida pelo governante que nunca antes na história deste país falou tanta besteira.

Sobre fundos e soberanos

Felizmente o delírio de potência petrolífera passou, mas a mudança de legislação que criou o fundo soberano continua aí, rondando. Está certo que, neste país, esses atos burocráticos, como aplicar leis, podem levar séculos; conseguimos, no entanto, plantar jabuticabais imensos do dia para noite também.
Não que eu tenha algo contra jabuticabas, que já defendi neste blog , mas algumas invencionices deste governo são realmente bizarras.
Para começo de conversa, vamos tentar definir o que é fundo soberano. O meu já surrado dicionário de economia diz que fundo é o "conjunto de recursos monetários empregados para reserva ou para cobrir despesas extraordinárias. No setor de finanças públicas, o termo refere-se às verbas destinadas ao desenvolvimento de determinados setores". O soberano viria do fato de ser propriedade de um país ou, ampliando-se ao máximo o conceito, de uma nacionalidade, como vocês podem observar nesta lista fornecida pela Wikipedia.
Olhando na lista, você encontra as características básicas destes fundos: seus proprietários são países com excesso de reservas internacionais, a maioria advindo de exportações petrolíferas, e relativamente poucas possibilidades de aplicação interna destes recursos. São, em suma, países opostos ao nosso, importador de energia e cheio de obras a serem feitas, ou, por que não dizer, emPACadas. E, o mais importante, ainda temos dívidas.
Como Deus é brasileiro, a idéia de fundo submergiu devido a preocupações mais prementes, abusar da sorte, porém, nunca é bom. Algum dia a crise passará, espero que o fundo, como diria Drummond , passarinho, voe para outras paragens, como, talvez, a Terra do Nunca.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Sátira perfeita

O vídeo original tem um que de maldade, já que o repórter não conseguiu segurar o riso ao deparar-se com a manifestação de um erro médico, a voz prejudicada do entrevistado, mas a sátira ficou perfeita.

Meu, sifu

Frases de grandes estadistas em tempo de crise:

"...Não tenho nada a oferecer-vos senão sangue, trabalho, suor e lágrimas..."
Winston Leonard Spencer Churchill, durante a II Guerra Mundial.

"Na democracia que eu vislumbro, a democracia estabelecida pela não-violência, haverá liberdade igualitária para todos".
Mahatma Ghandi, durante a luta pela independência da Índia da Coroa Inglesa.

"Não pergunte o que o seu país pode fazer por você, mas o que você pode fazer pelo seu país".
John Fitzgeral kennedy, durante a Guerra Fria.

"Eu tive um sonho"

Martin Luther King Jr., durante a luta pelos direitos civis estadunidense.

E de um que acha que é:


"Quando o mercado teve uma diarréia, quem é que eles chamaram? O Estado, que eles negaram durante vinte anos".

Luís Inácio Lula da Silva, durante a crise econômica global do início do século XXI.

Então me pergunto, citando o rei Juan Carlos, da Espanha, por que não te calas?

Há louco para tudo, ou o ponto de vista é seu e ninguém tasca.

Roger Howard, em um um artigo do wsj.com/brasil, afirmou que, caso consiga livrar-se da dependência externa do petróleo, os EUA perderam o poder de barganha acumula por ser o maior consumidor mundial do produto, e isso não seria bom para o mundo.
Escrevendo para uma empresa norte-americana, é concebível que o autor acredite piamente que a influência de Washington seja sempre benéfica para a humanidade, menos clara fica, para mim ao menos, a vantagem de manter o "status quo" no consumo de um produto que, nas palavras dele, "é, sobretudo, a fonte primária do aquecimento global provocado pelo homem, ao passo que vazamentos e perfurações de poços têm causado prejuízo mortal ao meio ambiente" e ainda colabora para perpetuar ditaduras e insuflar recessões.
Mas têm muita coisa que eu não entendo mesmo, esta é só mais uma.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Tenologia natimorta: uma atualização

Em 7 de julho de 2006, escrevi que a distribuição de vídeos em discos ópticos estava com os dias contados. A julgar por este artigo (em inglês) o médio prazo que eu imaginava chegou mais cedo.
Notem que lá esta demonstrado que mesmo um aparelho pensado para ser um tocador de blu-ray já traz em si o reconhecimento da capitulação da tecnologia, pois ela é, na verdade, apenas um outro modo de obter-se o principal, o filme (chamá-lo assim não passa de um anacronismo, pois o filme em si, ou película, também foi afastado do processo) especificamente.
Espero que não tenhamos que esperar, novamente, uns 10 anos para que as inovações cheguem a nós.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Seguro contra lucros cessantes

Como havia escrito em um texto do princípio do ano, o melhor seguro externo que o Brasil poderia querer é a peculiaridade de a China ser uma ditadura necessitada de ilusão de bem-estar. essa minha convicção só fez aumentar ao ler notícias no Valor Econômico de hoje mostrando uma desaceleração econômica muito maior do que estavam esperando os analistas naquele país. Já há temores de agitação social e instabilidade política, e o governo vai fazer tudo que está ao seu alcance para impedir que eles ocorram. O que exclui, naturalmente, diminuir a oferta de alimentos em qualidade ou quantidade.
Mais de três anos atrás, escrevi, também, que nós somos uma espécie de Efeito Orloff da China no que se refere ao crescimento econômico. Tenho certeza, virá de lá uma nova marcha forçada, com os mesmos resultados: adiar a recessão e a troca de comando político (nada muito diferente do que a Guerra do Iraque foi para os EUA, onde a marcha forçadíssima fundiu o motor).
O mesmo raciocínio pode ser usado para pensar a venda de carne à Rússia e de alimentos em geral à Venezuela, duas outras nações que como diz Lula da Silva "têm democracia até demais". Apesar dos russos terem reclamado dos preços e da falta de financiamento, as compras não serão suspensas, apenas proteladas para pressionar as empresas vendedoras utilizando as nuvens da recessão como desculpa estilo cortina de fumaça.
A ameaça mais séria que temos que enfrentar quanto à balança comercial não tem nada a ver com a falta de compradores externos, mas com a possibilidade de realmente fornecer as mercadorias, já que uma infra-estrutura já sobrecarregada foi danificada pelas águas de novembro. Nada diferente do que vinha acontecendo, portanto.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Pensamento estratégico

Como tudo na vida, a tragédia de Santa Catarina traz lições. Tirando aquele papo todo de omissão do Estado, desrespeito as regras pela população e todas as demais mazelas que vêm sendo tratadas a exaustão pelo noticiário, devemos pensar também no que ficou patente a respeito da inadequação da infra-estrutura para suprir as contingências da paralisação de um serviço.
Ficou demonstrado que além de não evitar a tragédia, nossa infra-estrutura potencializa o dano, ao impedir uma rápida recomposição do tecido econômico, tirando assim os recursos públicos e privados que poderiam fazer o pós-tempestade menos deletério para as vítimas.
Esse mês de chuvas paralisou um porto essencial, cortou o fornecimento de um insumo-chave (gás natural) e de outros serviços públicos (água tratada e eletricidade), destruiu estradas de rodagem, etc; e, deixando inundadas de água e lama cidades inteiras, aumentou muito a necessidade de tudo aquilo que deixou de existir.
Será que este descompasso entre necessidade e disponibilidade não é fruto de uma estratégia de concentração da atividade produtiva e grandes obras que marca o Brasil desde o fim do liberalismo representado pela chegada ao poder de Getúlio Vargas? Desconfio que sim. Ainda hoje vemos esbirros da visão dirigista central na teimosia de enfiar goela abaixo da sociedade mega-obras como a transposição do São Francisco e as usinas do rio Madeira.
Creio que a população seria muito melhor servida caso a ênfase mudasse para pequenas obras, descentralizando desde a geração de energia até a distribuição de mercadorias, com redes em que os pontos focais fossem mais dispersos do que o que ocorre hoje. Talvez o custo inicial fosse mais alto, mas a segurança proporcionada pelo sistema compensaria.
Muitas das grandes obras do passado brasileiro tiveram como motivador mais um pensamento estratégico de consolidar o país como uma potência regional do que levar bem-estar à população. O contrário deve ser buscado agora, pois não seria o " melhor do Brasil, o brasileiro."

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Admissão

E finalmente saiu a admissão de que há uma recessão ocorrendo há ano nos Estados Unidos. A tal comissão que decide, dizem, é independente. Então estaria descartada, em tese, a manipulação política, no caso esconder o jogo, mas não há dúvida que inexiste hora melhor para o anúncio. A eleição já passou e o novo presidente não precisará assumir o ônus da notícia.
A única coisa incompreensível foi a reação histérica das bolsas. Foi como se uma mudança do estado geral das coisas tivesse ocorrido. Uma das maiores quedas do Dow Jones na história, o que também, convenhamos, virou rotina nos últimos tempos.
Qualquer dia destes o sol nascerá e a surpresa será tremenda. Quem sabe até passem na tv.

domingo, 23 de novembro de 2008

Impostura da sustentabilidade

Desde o princípio do movimento político formado ao redor da idéia ecológica, a idéia de sustentabilidade tem se firmado como o carro-chefe do discurso pelo que seria uma nova inserção do homem no mundo, mais justa e blá, blá, blá. Tudo muito bonito e muito errado.
Só são sustentáveis ecologicamente os sistemas fechados, ou quase, em que há reclicagem de nutrientes. Os atuais sistemas econômicos humanos são, por natureza, abertas, com o transporte de elementos em escala mundial. Não é por outra razão que as florestas resistiram milênios antes que a exploração intensiva fizesse sua área entrar em uma espiral descendente quando nossa espécie conseguiu adquirir um mínimo de tecnologia.
A urbanização acelerada só contribui para aumentar ainda mais a insustentabilidade. O processo existente hoje é o de concentração de nutrientes onde não podem ser utilizados, como os lixões e aterros sanitários, depois de serem retirados de fazendas ou coletados por pesca ou caça, onde seriam necessários. Dizer que reservas extrativistas podem manter a produção indefinidamente é desconhecer a biologia e a história. É negar a chamada Revolução Verde do século passado.
Conter a deterioração do meio ambiente é imperioso. Mas a pior base para isso é a mentira, a mistificação ou uma mistura das duas. Tentemos preservar, mas sabendo que todo o consumo traz conseqüências.

sexta-feira, 2 de maio de 2008

É, somos bom destino aos investimentos.

Finalmente chegou o grau que tantos queríamos, regado a espumante na cúpula governistas, mas alguns exportadores estão mais é querendo tomar uma caninha para esquecer os maus momentos que, eles esperam, virão.
Dá minha parte, só vejo vantagens. Se você lê estas discordâncias com freqüência, sabe que sou favorável à moeda forte e às importações, em suma, ao consumidor. É balela esta história de que o país precisa ser uma plataforma exportadora para ser desenvolvido. Normalmente os mais desenvolvidos são o oposto, grandes importadores de produtos, deixando sua bem remunerada força de trabalho dedicada aos serviços que facilitam a vida, tornando-a melhor. E isso os torna desenvolvidos, oferecer uma vida melhor à maior parcela da população, não ao grupelho de empresários exportadores.
Não que eu queira impedir a exportação, mas se ela se baseia apenas no dólar fraco, não a merecemos. Que aumentemos a tecnologia embutida, reduzamos os impostos às exportações, retiremos os entraves que encarecem a mão-de-obra, façamos o que os desenvolvidos fazem. Se queremos ser como eles é daí que teremos que tirar os exemplos, não da China ou da Índia.
Favoreçamos o consumidor daqui.

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Oito anos é pouco?

Taí, concordo com Lula em gênero, número e grau. Oito anos é pouco para um governante manter-se no poder. Um governante poderia ficar no poder eternamente, trazendo o bem à população. Conosco também estão, Mugabe, Il-sung, Chávez, Castro, aquele do Quênia, etc, etc ,etc.
O problema é que governantes não são encontrados facilmente por aí, tanto é assim que, em todos os lugares para onde olho, não os vejo. Nós mesmo não temos um, como o desgoverno na saúde, nas obras públicas, no ensino universitário, etc, etc, etc, demonstram.
Casuísmo por casuísmo, vamos debater a possibilidade de mandatos maiores, mas só quando um verdadeiro governante estiver no cargo, combinados?

obs: se a proposta não parece muito democrática, é porque ela não é mesmo. Enquanto a falta de democracia estiver apenas nas propostas, muito bom. O problema é que pessoas que realmente podem mudar as instituições estão aparecendo com umas idéias esquisitas em toda a América Latina (sim, toda), e estas sim, são muito ruins.

sábado, 26 de abril de 2008

Caso de polícia

Não comentei até agora, mas devo confessar que este caso Isabela muito me intriga.
Nele ocorreu algo raro e potencialmente perigoso: o acompanhamento da mídia desde os primeiros instantes. Aliada à comoção que a morte de uma criança costuma causar, ainda mais a de uma menina de classe média com muitas fotos prévias a provar que era uma gracinha e quetais, a cobertura da imprensa gerou um sentimento público de urgência pela apuração dos fatos que a polícia, infelizmente, não está preparada para suportar.
É lógico que, como a grande massa, só sou informado do caso pelo que os repórteres recebem das partes envolvidas no inquérito, porém mesmo este pouco é suficiente para demonstrar o quão ineficaz é o nosso sistema de investigação. É muito claro que os cenários apresentados pelos investigadores até o momento carecem de um mínimo de plausibilidade, pois mostram um crime sendo cometido por etapas, primeiro com a agressão ainda no carro, seguida de esganamento no apartamento e, por fim, do lançamento do corpo pela janela. Ou seja, não estamos falando da tentativa desesperada de encobrir as pistas de um assassinato cometido no calor do momento, mas de reiteradas tentativas frustradas que se mostraram bem-sucedidas apenas no final da série.
Caso os peritos tivessem feito um trabalho irretocável, até poderia aceitar este cenário que me parece absurdo, mas há um grande se aí. Como os peritos podem afirmar de forma irrefutável que não havia existido um terceiro adulto no apartamento se há duas outras pessoas que confessam ter estado no apartamento entre a dia da morte da menina e a primeira das muitas perícias feitas pelo Instituto de Criminalística? Com tal contaminação, qual é o grau de certeza que pode ser apresentado?
Enquanto ao menos estas duas questões não forem completamente respondidas qualquer laudo apresentado parece-me refutável, tendo a polícia outros suspeitos ou não, mesmo porque a motivação dos crimes até agora não foi demonstrada.

terça-feira, 25 de março de 2008

Muito barata

Pois é, a Cesp estava tão barata que ninguém quis comprar.
Estes capitalistas, hein, não querem tirar doce da boca de crianças, que bobinhos.

terça-feira, 18 de março de 2008

Por quê?

Duas postagens abaixo disse que o Brasil está pouco exposto à contaminação do pesadelo econômico que a queda dos títulos "sub-prime" desencadeou.
Vou aqui disser porque acho que estamos seguros, caso nenhuma besteira seja feita.
O Brasil é pouco aberto ao comércio externo, a corrente de comércio exterior é de pouco mais de 15% do PIB, resultando que nosso crescimento econômico é decidido pelo que acontece aqui dentro. Fatores que no passado resultaram no chamado estrangulamento externo (crises da dívida, cambial, etc) não terão como atuar devido a uma montanha de divisas que permitir-nos-ia pagar dois anos de importações mesmo que não vendêssemos um único centavo, e isso em um momento em que temos algumas das empresas mais competitivas do mundo em setores-chave e câmbio flutuante.
Dependemos, portanto, de fatores intrínsecos para regular o quanto avançaremos. Dado o subconsumo histórico do povo brasileiro, nenhum motivo que não envolva restrições compulsórias fará com que as famílias pare de comprar. Daí as vendas no varejo estarem se acelerando; o número de empregos e os salários, expandindo-se, tudo ao contrário do que está ocorrendo nos Estados Unidos. Deste modo, no que depender do mercado interno, estamos bem.
Mas os alarmistas podem sempre dizer que, apesar de relativamente pequeno, há sempre o comércio exterior para ser contagiado. Há aí, porém, um atenuante muito importante. O país é um grande exportador de alimentos e, por mais que a situação fique ruim nos nossos parceiros comerciais, deixar de comer eles não vão. Principalmente a China, que, como toda a ditadura, precisa da ilusão de bem-estar para manter uma certa paz social, não deixará de comprar os alimentos que podemos oferecer, além de outras commodities.
Basta que nenhuma daquelas inovações que nossos governos são pródigos em apresentar ocorra, e atravessaremos bem por essa turbulência que se avizinha. Só fico com uma pulga atrás da orelha devido ao nosso governo, que, como sabem, não me passa nenhuma confiança.

quinta-feira, 13 de março de 2008

Ainda devagar, mas vou pegar no tranco

Cabe fazer um comentário a respeito do "pacote cambial" de ontem.
Não servirá para nada além da reunião social que é para a mídia que normalmente cobre este tipo de evento.
Quem exportava antes o continuará fazendo. Quem aplicava no Brasil, também. E qualquer um que faça contas não deixará suas reservas em uma moeda que está derretendo (nas palavras do nosso lácteo ministro) ao invés de uma que se valoriza a cada dia.
Mas as medidas têm ao menos uma boa intenção, indicam que estamos mais liberais, e que o núcleo duro do miolo mole, nas palavras de Reinaldo Azevedo, está tendo que engulir, nas palavras de Zagalo, a normalidade de nossa economia; avança apesar do Estado, quando não contra ele

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Economics

Não deixa de ser ridículo o debate sobre os Estados Unidos estarem em recessão ou não. Meu velho dicionário de economia diz que recessão é: "declínio da atividade econômica, caracterizada por queda da produção, aumento do desemprego, diminuição da taxa de lucros e crescimento do índice de falências e concordatas". Pois bem, o que falta então?
O índice da construção civil de lá despencou 14% em dezembro, a venda do comércio varejista, 6, na comparação com o ano passado (e, se levarmos em conta a inflação do período, a queda é de quase 10%), a geração de empregos está praticamente nula - o que nos mostra que os milhares que querem entrar no mercado de trabalho ficarão chupando dedo - e a confiança na moeda fez a celebre Gisele exigir pagamento em euros. E vêm uns fanfarrões (incrível como esta palavra foi reincorporada ao vernáculo) e dizem que tudo vai bem na economia "real", que apenas o sistema financeiro está sofrendo.
Os 100 bilhões de dólares que Ben Bernanke presume serem os prejuízos do sistema bancário certamente não custarão apenas as cabeças dos muito bem pagos "chairmen" das instituições de crédito. Resultarão em enxugamento da liquidez, encolhimento do consumo e falta de incentivos ao investimento produtivo. Em resumo, o pesadelo de governantes em ano eleitoral. E nós já vimos o que o governante GWB é capaz de fazer quando tem um desafio pela frente: besteira, muita besteira.
Porém há algo de novo no ar, o Brasil está realmente pouco exposto à crise que pode vir por contaminação. Atuar pouco no comércio mundial por vezes nos traz vantagens.

sábado, 12 de janeiro de 2008

Pelo menos a fartura não temos mais

Alguns meses atrás escrevi um artigo no qual culpava a fartura brasileira pelo nosso atraso, basta procurarem nos números atrasados aí ao lado se quiserem relembrar. Também escrevi algo duvidando que a escassez de energia pudesse retornar ao Brasil, devido à infinidade de fontes baratas de energia das quais dispomos.
Parece que os fatos desmentem-me, dia após outro. Um novo apagão desenha-se no horizonte e, graças a competência - ou falta de - dos que gerem o sistema, podemos em breve tomar banho frio e jantar à luz de velas todas as noites. Será ou não romântico?
Mas para tudo há compensações, passar um apertinho pode fazer os dirigentes entenderem que pesquisa em tecnologias poupadoras de recursos finitos compensa.
Vai que daí sai algo que pode nos trazer prosperidade, tipo um acidente como o que levou-nos ao álcool combustível, digo, etanol.

E as coisas explicam-se automaticamente

Vocês viram o show do Chaves de ontem? Ou seria o do Chávez? Aquele que usa camiseta vermelha com inscrições e se crê muito astuto - se bem que esta não é uma boa descrição porque pode ser que pensem que estou falando do Chapolim -, melhor, o presidente de um país amigo e cheio de petróleo e de si. De qualquer forma, protagonizou um espetáculo e tanto.
Helicópteros chegando e uma voz de fundo contando-nos o que se passava. Empolgadíssima, a narração dizia que as reféns haviam sido recuperadas após a libertação das forças combatentes colombianas. Mais algumas horas e o dono da voz estava perante as câmaras de tv e o arremedo de Câmara de representantes de seu país para pedir que algumas nações mais sérias do que a sua retirassem da lista organizações terroristas os "revolucionários" que algumas horas antes deixaram que duas mulheres seguissem os rumos de suas vidas depois de anos presas sem nenhum julgamento. Por quê? Porque as organizações para-militares colombianas têm um projeto bolivariano que na Venezuela é permitido.
Será que é por essa permissão que os índices de criminalidade nos dois países seguem em trajetória oposta: os da Colômbia caem e os do país do fanfarrão sobem? Espero que os líderes dos outros países saibam reconhecer a fanfarronice quando a vêem, pois estão faltando espelhos em Caracas para mostrar o ridículo que os venezuelanos estão passando.

terça-feira, 31 de julho de 2007

Deixa ver se entendi

Quer dizer que a pista de Cumbica está fora do prazo de validade há dois anos e a Infraero fazendo investimento em shopping centers?
Só pode ser culpa da herança maldita mesmo.

sexta-feira, 20 de julho de 2007

Quando?

Durante o episódio do mensalão, perguntei se os partidos de oposição não entrariam seriamente em um movimento de impeachment contra este (des)governo corrupto. Me indagava: Se não agora, quando?
Repito a pergunta. Se não deram motivos suficientes, o que precisam fazer para que alguém aja?

quarta-feira, 18 de julho de 2007

Sem palavras

Se ainda resta alguém lendo este blog, deve estar se perguntando o porquê do silêncio sepulcral.
Não se trata de um luto oficial ou minuto de silêncio em respeito as vítimas, que bem mereceriam, mas simples falta de palavras para descrever o que me vem a mente.
Esperarei até amanhã, para ver se esta raiva passa.
Faço votos que estes quase duzentos martirizados pela incompetência ao menos abram os olhos da nossa população para o que está ocorrendo por aqui.

sábado, 14 de julho de 2007

Tá com tudo

O presidente está com tudo junto aos admiradores do esporte. E aparentemente havia mais de uma orquestra na abertura, dizem os profissionais.
Sei lá, as 90 mil pessoas que estavam lá devem ter sido obrigadas a tudo, não é?

Outros exemplos de planejamento estatal e, porque não dizer, prosperidade

Dê uma olhadinha nestas reportagens que estão na página de abertura da Uol de hoje. Aqui, aqui (para assinantes UOL ou Folha de S. Paulo) e aqui. Isso em apenas um dia, imagine se estivéssemos procurando pelo em ovo? Teriamos que chamar um barbeiro para trabalhar em tempo integral.
Somos ou não um exemplo de planejamento e prosperidade, rumo ao primeiro mundo?
Algum de vocês lembra-se do que os organizadores deste Pan falavam dos de Santo Domingo quatro anos atrás?

Seguindo o mestre

Dizem por aí que manteiga em italiano é burro. Meus parcos conhecimentos de línguas não permitem confirmar isso, mas vou aceitar por enquanto.
Nosso ministro da economia (propositalmente com letra minúscula) é um italiano chamado Mantega. Tenho a impressão que foi um erro de tradução e de grafia.
O homem só abre a boca para falar besteira. Há pouco tempo disse que o caos aéreo é resultado da prosperidade. No jornal Estado de S. Paulo de ontem há uma reportagem na qual está escrito que o baixo crescimento da economia brasileira no primeiro mandato Lula foi planejado. Para impedir que um apagão aos moldes do que está ocorrendo na Argentina, abalasse nossos “sólidos” fundamentos.
E, creiam vocês, não foi na página de piadas (que o jornalzão, muito mal-humorado, nem tem), e sim na de economia.
O laticínico ministro deve ser um homônimo daquele que foi encarregado da Pasta de Planejamento e do comando do BNDES no primeiro governo lulático. Não é possível que seja aquele que reclamou durante anos das políticas empregadas pela dupla Palocci- Meireles.
Se for, teremos um notável exemplo de siga o mestre. Um senhor bravateiro que só não chegará à Presidência porque a Constituição veda isso aos não-natos. Mas que ele merece, merece.

terça-feira, 10 de julho de 2007

Agora vai

Vocês devem ter percebido que descobriram a roda em matéria de evitar atrasos nos aeroportos e a anunciaram ontem: diminui-se o número de vôos.
Como não pensaram nisso antes? Vôo que não existe, não atrasa. Genial.
Tá atrasado, cancela. O passageiro só serve para pagar a conta mesmo.

quarta-feira, 4 de julho de 2007

Não sei se é pedir demais

Mas será que algum dos nobres senadores não poderia emprestar-me um dos amigos que tanto os ajudam?
Nunca nenhum dos meus cogitou emprestar 300 mil reais para que eu comprasse uma bezerra de grife, e nem sequer me deu um cheque de 2 e poucos milhões na confiança de que eu voltasse com o troco.
Sem falar em fazer pagamentos mal-explicados para ex-qualquer coisas.
Os senhores senadores devem ser muito bacanas mesmo, vou te dizer?

Voltando para fazer propaganda conspiratória

Não sou muito chegado a divulgar teorias conspiratórias, embora tenho cá as minhas, mas como sou leitor do blog do Reinaldo Azevedo , e este pediu a divulgação do texto a todos, estou fazendo minha parte.
O máximo que pode acontecer é que o governo Lula caia. Seria maravilhoso, é verdade, mas não acreditamos seriamente nisso, não é mesmo?
O mínimo é que eu finalmente coloquei algumas linhas novas neste blog, e já não era sem tempo.
Até breve, que espero que desta vez seja breve mesmo.

"O bolivarianismo de Lula: como o PT pretende fazer da Rede Globo a sua RCTV

Considero o texto que vai a seguir um dos mais importantes já publicados neste blog. Nunca fiz isto, mas faço agora: reproduzam-no por aí, passem adiante, façam com que se multiplique. Ele identifica um método de ação do governo Lula, do chavismo à moda da casa. Denuncio aqui os instrumentos a que pretende recorrer o governo para implementar entre nós o bolivarianismo light. Porque o PT sabe que não pode fazer da Rede Globo a sua RCTV, resolveu estrangular a emissora financeiramente. No mundo ideal do petismo, devemos ficar todos subordinados à TV de Franklin Martins, que não precisa do mercado para existir, ou à TV Record — que, se ficar sem anunciantes, jamais ficará sem a Igreja Universal do Reino de Deus, dona do partido do vice-presidente e de Mangabeira Unger, aquele secretário que fala uma língua mais incompreensível do que a do Espírito Santo quando baixa em Edir Macedo — deve baixar, eu suponho. Também vou me penitenciar. Dizem que sou arrogante, que nunca assumo um erro. A segunda parte, ao menos, é mentirosa. Errei, sim. Errei na única vez em que apoiei, ainda que parcialmente, uma proposta do governo Lula. Fui enganado pelo ministro da Saúde, José Gomes Temporão. Uma recomendação: eis um nome do governo Lula que deve ser visto com muito mais cuidado.

Ufa! A introdução já ficou longa demais. Como sabem, o governo quer limitar o horário da propaganda de cerveja na televisão. E também enrosca com o seu conteúdo — Temporão, por exemplo, invoca com a tal “Zeca-Feira”. Mais: diz que a publicidade glamouriza o consumo do produto... No programa Roda Viva eu lhe disse que era favorável à limitação de horário para a propaganda, mas contrário a que o governo se metesse no conteúdo publicitário. Ora, isso seria nada menos do que censura. E o Conselho Nacional de Auto-Regulamentação Publicitária é um órgão que funciona, sim, senhores! Só falta agora a gente ter um Romão Chicabom também na Saúde...

É claro que a limitação da publicidade acarretaria uma diminuição de receita para as emissoras de TV. "Fazer o quê?", pensei. "Aconteceu isso quando se proibiu a propaganda de cigarros; que procurem novos nichos, novos produtos, novas fontes de receita". Eu, o liberal tolo diante de um petista... Nova pretensão anunciada pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) deixa evidente que a limitação da propaganda de cerveja tem mais a ver com a saúde do governo Lula do que com a saúde dos brasileiros. Eu passei a considerá-la parte de uma estratégia para asfixiar as emissoras que dependem do mercado para viver: que não têm estatais ou igrejas de onde tirar a bufunfa. Fui um idiota. Não apóio mais. Penitencio-me.

A Anvisa, órgão subordinado ao Ministério da Saúde, agora quer limitar ao horário das 21h às 6h a propaganda de alimentos considerados poucos saudáveis, "com taxas elevadas de açúcar, gorduras trans e saturada e sódio" e de "bebidas com baixo teor nutricional" (refrigerantes, refrescos, chás). Mesmo no horário permitido, a propaganda não poderia conter personagens infantis e desenhos. Segundo a Abia (Associação Brasileira das Indústrias de Alimentação), isso representaria um corte de 40% na publicidade do setor, estimada em R$ 2 bilhões em 2005. Dos R$ 802 milhões que deixariam de ser investidos, aos menos R$ 240 milhões iriam para a TV — a maior fatia, suponho, para a Rede Globo.

Virei caixa dos Irmãos Marinho agora? Não! Virei guardião da minha liberdade. É evidente que se tenta usar a via da saúde para atingir o nirvana da doença totalitária. É evidente que estão sendo criadas dificuldades para as emissoras — e, a rigor, nos termos dados, para todas as empresas que vivem de anúncios — para vender facilidades. O ministro Temporão, que ainda não conseguiu fazer funcionar os hospitais (sei que a tarefa é difícil; daí que ele deva se ocupar do principal), candidata-se a ser o grande chefe da censura no Brasil. Na aparência, ele quer nos impor a ditadura da saúde; na essência, torna-se esbirro de um projeto para enfraquecer as empresas privadas de comunicação que se financiam no mercado — no caso, não o mercado do divino ou o mercado sem-mercado das estatais.

Imagine você, leitor, que aquele biscoito recheado (em SP, a gente chama “bolacha”) que sempre nos leva a dúvidas as mais intrigantes (Como as duas de uma vez? Separo para comer primeiro o recheio? Como o recheio junto com um dos lados?) seria elevado à categoria de um perigoso veneno para as nossas crianças — mais um querendo defender as crianças! —, que serão, então, protegidas por Temporão desse perigoso elemento patogênico. Mais: mesmo no horário permitido, a propaganda teria de ser uma coisa séria, né? De bom gosto. Sem apelo infantil. O Ministério da Saúde é uma piada: quando faz propaganda de camisinha, sempre recorre a situações que simulam sexo irresponsável. Mas não quer saber de desenho animado em propaganda de guaraná. A criatividade dos publicitários, coitados, teria de se voltar para comida de cachorro. Imagine o seu filho, ensandecido, querendo comer a sua porção diária de Frolic, estimulado pela imaginação de publicitários desalmados.

Assim como o governo pretendia impor a censura prévia na presunção de que os pais são irresponsáveis, agora quer limitar a propaganda de biscoito e refrigerante porque as nossas crianças estariam se tornando obesas e consumistas.

Estupidez
A proposta não resiste a 30 segundos de lógica. É evidente que biscoito não faz mal. Biscoito não é ecstasy. Em quantidades moderadas, de fato, não havendo incompatibilidade do organismo com os ingredientes, até onde sei, faz bem. Se o moleque ou a menina comerem um pacote por dia, acho que tenderão a engordar. Acredito que há um limite saudável até para o consumo de chuchu... Ora, carro também mata. Aliás, acidentes de automóveis são uma das principais causas de morte no Brasil. A culpa, quase sempre, é da imprudência do motorista ou das péssimas condições das estradas. Nos dois casos, é preciso usar/consumir adequadamente a mercadoria. A Petrobras é uma grande anunciante — e certamente estará no apoio à TV de Franklin Martins. Os produtos que ela vende poluem o ar e aquecem o planeta (sou de outra religião, mas dizem que sim...). A publicidade, então, deverá estar sujeita a severas limitações?

Uma pergunta: água entra ou não na categoria das “bebidas com baixo teor nutricional”? O ridículo desses caras é tamanho a ponto de propor limites à propaganda de água? Ela alimenta mais ou menos do que um copo de coca-cola ou de mate? E de lingüiça, pode? A gordura animal em excesso também faz mal à saúde. Quem garante que o sujeito não vai consumir o produto todos os dias, até que as suas artérias se entupam? Não ande de moto. Há o risco de cair. Numa bicicleta, você pode ser atropelado. E desodorizador de ambiente do moleque que quer fazer “cocô na ca-sa do Pe-dri-nho”? Pode ou não? Não fere a camada de ozônio?

Nazistas
Observem: se isso tudo fosse a sério, fosse mesmo com o propósito de cuidar da saúde dos brasileiros, já seria um troço detestável. Sabiam que os nazistas foram os primeiros, como direi?, ecologistas do mundo? É verdade: não a ecologia como uma preocupação vaga com a natureza, mas como uma política pública mesmo. Hitler gostava mais de paisagem do que de gente, como sabemos. Eles também tinham uma preocupação obsessiva com a saúde, com os corpos olímpicos. O tirano odiava que se fumasse perto dele, privilégio concedido a poucos. Mas o mal em curso não é esse, não.

A preocupação excessiva do governo nessa área, entendo, é também patológica, mas a patologia é outra. Por meio da censura prévia — de que foi obrigado a recuar — e da limitação à publicidade de vários produtos, pretende é atingir gravemente o caixa das empresas de comunicação, que fazem do que conseguem no mercado a fonte de sua independência editorial. Ora, é claro que, sem a publicidade da cerveja, dos alimentos e do que mais vier por aí, elas ficam, especialmente as TVs, mais dependentes da verba estatal e do governo.

O raciocínio é simples: vocês acham que a porcentagem da grana de estatais no faturamento global é maior numa Band ou numa Globo? Numa Carta Capital ou numa VEJA? No Hora do Povo ou no Estadão (a propósito, veja post abaixo)? Os petistas não se conformam que o capitalismo possa financiar a liberdade e a independência editoriais. Quer tornar essas grandes empresas estado-dependentes. Quanto mais se reduz o mercado anunciante — diminuindo, pois, a diversidade de fontes de financiamento —, mais se estreita a liberdade.

Golpe
Trata-se, evidentemente, de um golpe, mais um, contra a imprensa livre. E por que digo que o alvo é a Globo? Porque, afinal, ela concentra boa parte do mercado publicitário de TV — é assim porque é melhor e mais competente, não porque roube as suas “co-irmãs” — e porque, no fim das contas, o que importa mesmo a Lula é aparecer bem no Jornal Nacional. E ele deve considerar que isso é tão mais fácil de acontecer quanto mais ele disponha de instrumentos para tornar difícil a vida da principal emissora do país. Acho que vai quebrar a cara.

E Temporão, tenha sido ou não chamado à questão com esse propósito, tornou-se o braço operativo dessa pressão. Curioso esse ministro tão cheio de querer impor restrições do estado à vida e às opções das pessoas. É aquele mesmo que já deixou claro ser favorável à descriminação do aborto até a 14ª semana porque, parece, até esse limite, o feto não sente dor, já que as terminações nervosas ainda nem começaram a se formar. É um ministro, digamos, laxista em matéria de vida humana, mas muito severo com biscoitos. O que faço? Recomendo a ele que tenha com as crianças que estão no ventre o mesmo cuidado que pretende ter com as que querem comer Doritos?

Eis aí o caminho do nosso bolivarianismo. A terra está amassada pelo discurso hipócrita da saúde. Farei agora uma antítese um tanto dramática, cafona até, mas verdadeira: essa gente finge cuidar do nosso corpo porque quer a nossa alma.
*
PS: Reitero: divulguem este texto, espalhem-no na Internet, montem grupos de discussão no Orkut, passem a mensagem adiante, mobilizem-se."

sexta-feira, 16 de março de 2007

Mais uma chance

Como já disse há pouco, não considero os biocombustíveis uma solução para a dependência de petróleo caso se mantenha o uso indiscriminado dos motores de combustão interna, mas eles podem ser uma excelente solução para outros problemas que assolam o mundo.
A começar pelos males provocados pelos subsídios que alguns países (ricos) dão aos seus produtores rurais. Ao valorizar os produtos da terra, os biocombustíveis aumentam o lucro dos produtores rurais e permitem que fazendeiros do terceiro mundo deslocados pelos do primeiro possam comercializar suas culturas sem a concorrência estrangeira.
Também podem interromper algumas correntes migratórias provocadas pela fome. Sabemos que há alimento suficiente para todos os habitantes do planeta, mas existe uma grande deficiência na distribuição de renda que possibilitaria que todos se alimentassem. Pois as localidades onde a fome mais ataca são as marcadamente agrícolas que não podem competir com preços de alimentos subsidiados pelos países ricos e não têm condições de gerar renda com outras atividades.
Pode diminuir também a necessidade por divisas que leva alguns países a dar prioridade por produtos de exportação em sua agricultura em detrimentos àqueles de uso tradicional local.
Em suma, pode criar um mundo menos injusto.
O porém é que isto é um mar de potencialidades, e de boas intenções o inferno e o purgatório estão cheios. Tudo dependerá de como a coisa será implantada, e temos todos os motivos para acreditar que a coisa não será bem feita, já que nada neste campo de relações internacionais e geopolítica está sendo bem feito neste século.

quinta-feira, 15 de março de 2007

Novo Ministério

Nosso presidente dizendo aos quatro cantos que não incluiria os ministérios da saúde e da educação na reforma ministerial, já que eles são um caso sério e não permitem brincadeira.
Disse algo assim: se você brincar com a saúde é morte, se brincar com a educação é analfabeto.
Tá aí uma coisa em que eu concordo com ele, não dá para brincar com coisa séria, mas e quanto aos demais trinta e tantos ministérios (são tantos que nem sei o número exato, e desconfio que ele também não)? Permitem brincadeiras? Não são sérios?
Talvez fosse o caso de reformular o ministério e encaixar os seguintes nomes :
Minas e Energia - Chaves;
Cultura - Tiririca (florentina, florentina ...);
Trabalho - Seu Madruga.
Se é para fazer graça, que coloquem os profissionais no comando, eles já foram provados e aprovados. E se quiser preencher todos os cargos com profissionais, garanto que o governo não terá dificuldade para encontrar palhaços aptos.
Afinal, depois de quatro anos e pouco de governo, não é mesmo tempo de ficar fazendo experiências.

quarta-feira, 14 de março de 2007

Produtividade em alta

Realmente não dá para entender porque toda a mídia apóia aqueles que são favoráveis à desvalorização cambial.
Dizer que isso favoreceria o emprego no setor industrial não é uma boa justificativa, uma vez que isso coloca sobre o setor secundário um peso que ele não tem.
Ele representa, se muito, 25% do PIB e muito menos do que esta porcentagem no número de empregos. Por qual razão deve a sociedade subsidiar esta parcela da economia?
Ser uma economia de transformação não é mais nobre do que ser uma de extrativismo ou de serviços pois a nobreza de uma economia consiste em gerar condições de que a grande maioria da população do país tenha boas condições de vida.
Pela minha visão, o Brasil só alcançará esta nobreza através de uma matriz econômica fortemente baseada no setor de serviços, que é aquele capaz de incorporar grandes massas de trabalhadores não-especializados.
Só que para que o setor de serviços se desenvolva é necessário que ocorra um aumento da renda per capita da população, o que equivale a liberar renda antes gasto em itens essenciais. A valorização do real faz justamente isso e, portanto, é extremamente benéfica para o país.
O problema é que a Fiesp e sobre-representada na mídia nacional e não importa para ela o que é bom ou ruim para o país e sim o que é bom para os industriais, e a parcela exportadora quer dólar nas alturas.
Nesta toada, o real segue tomando lambadas, mas vai resistindo. Ainda bem.
Com isso nossa produtividade segue em alta e nosso país tem chances reais de desenvolvimento.

segunda-feira, 12 de março de 2007

Desculpem o transtorno

Mudança na grade dos meus horários, até a normalização não haverá periodicidade nos textos.

sábado, 10 de março de 2007

Baixo teor de enxofre no ar

A se acreditas em Hugo Chávez, deve estar o maior cheiro de enxofre no percurso feito por George W. Bush. Só que a idéia, entre outras, é justamente o contrário: baixar o teor de enxofre liberado no ar pelos combustíveis.
Como? Trocando os fósseis por biocombustíveis, que são geralmente livres deste elemento.
Só que não venhamos a cair na conversa lulática de que o álcool e o biodiesel são as únicas soluções. Provavelmente não são nem as melhores, mas apenas as mais baratas no momento.
Não podem ser as melhores soluções porque ainda são pensadas como uma continuação de uma tecnologia muito pouco eficiente, diria quase pré-histórica, que é a do carro com motor de combustão interna.
Os carros a gasolina conseguem aproveitar cerca de 20% (lembrando que os motores a diesel têm um aproveitamento energético melhor, mas ainda baixo) da energia contida no combustível que o faz andar, desperdício puro. Só prosperaram porque substituíram tecnologias muito pouco práticas e usam um subproduto do petróleo que não tinha nenhum valor comercial.
A verdade é que qualquer solução que mantiver o uso destes motores indefinidamente não pode ser chamada por este nome, será apenas uma protelação. Então o que precisamos realmente é de uma mudança tecnológica profunda que acabe com o uso destes motores pouco eficientes e adote outros que utilizem melhor a energia disponível, que não é o que a mudança para os motores a álcool faz.
Ademais, o que está sendo comemorado como a grande chance para a nossa agricultura, a decisão política dos Estados Unidos de diminuir o consumo gasolina em 20% até 2017 tendo como base o gasto corrente hoje, não é automática como alguns tentam demonstrar. Eles podem conseguir isto com sobras apenas melhorando a eficiência dos veículos e aumentando o transporte coletivo.
Um exemplo de como aditivar a eficiência é a tecnologia do carro híbrido, que a dobra. O porém é que ela ainda é muito cara se comparada com o carro comum e poucos consumidores estão dispostos a pagar a diferença. Se fosse aplicada em todos os veículos disponíveis, o consumo de gasolina seria cortado pela metade hoje.
Então não nos jactemos como salvadores das pátrias. Os biocombustíveis são uma alternativa, mas não a única.
É uma alternativa que pode ajudar até a diminuir atritos entre países e criar uma onda de prosperidade aos produtores agrícolas mundo afora, só que não são panacéia para nada e o Brasil não é o rei da cocada preta por dominar a tecnologia mais avançada no momento a respeito deles.

sexta-feira, 9 de março de 2007

Apenas para reflexão

Da mesma maneira que o mundo subdimensionou o potencial do alcóol combustível como parte da matriz energética, não está superdimensionando agora?
Pensem, voltamos ao assunto mais tarde, quando São Paulo estiver menos engarrafada.

quinta-feira, 8 de março de 2007

De igual para igual

Sem querer nos diminuir, sempre achei que um país que deve para o Brasil não pode ser levado a sério. Desta maneira nada de novo acontecerá hoje.
Será apenas mais uma visita de um Chefe de Estado de uma república bananeira, daquelas que não são sérias. Digamos, uma visita de irmão.
É ou não é coisa de país bananeiro altos funcionários do governo revelar a identidade de um agente secreto para se vingar do cônjuge contrário às maluquices do presidente?
E por falar nisso, é compatível com um país sério o presidente ser propenso a maluquices? Ainda mais no campo da guerra?
Como vocês podem ver, trata-se de uma visita na qual não há superioridade “moral” de nenhum país envolvido.
Espero que os mandatários se contentem apenas com os apertos de mão e os sorrisinhos regulamentares.
Nem quero imaginar o que pode acontecer se Lula e Bush resolverem trocar algumas idéias.

A propósito das palavras

O que aconteceu com o velho álcool combustível? Deve estar de férias, só se fala de um tal de etanol.
Está certo que se trata do mesmo sujeito, mas para que a mudança de nome de repente? Ele está foragido?
Pode ser preguiça nas traduções do que se fala lá fora do nosso combustível “verde”. Ou pode ser pedantismo mesmo, para parecer mais culto.
De qualquer forma não há uma boa explicação.

terça-feira, 6 de março de 2007

Lembram dos textos que recomendei ontem?

Vou comentar rapidamente um hoje.
Claudio de Moura Castro comenta que as corporações estão querendo fazer uso de reserva de mercado ao tentar impedir a abertura de cursos superiores (no caso direito e medicina).
Concordo plenamente, mas vou um pouco além. Acho que há uma redundância extrema aí.
Ou não deveria haver os cursos profissionalizantes controlados pelo MEC ou não deveriam existir as corporações respaldadas pela lei. Se um órgão público declara que uma pessoa é conhecedora das técnicas necessárias à profissão, por que uma corporação tem o direito de dizer o contrário?
No caso há duas reservas de mercado e a sociedade paga uma conta dupla, diminuição de profissionais no mercado de trabalho e custos de manutenção das máquinas existentes para manter as corporações e os órgãos fiscalizadores.
Coisas do Brasil.

segunda-feira, 5 de março de 2007

Confissão

Depois do Carnaval, no qual vi muitos de meus amigos comentando sobre o Big Brother, resolvi dar uma olhada na coisa com mais atenção.
Na minha estréia em ver um capítulo inteiro, desta edição, gostei do que vi. Um puta quebra-pau, nada de cínicos sorrisinhos para a tela.
O fato é que vez ou outra estou assistindo flashes do que está ocorrendo por lá e ontem eu vi a votação para saber os oponentes na próxima eliminação.
O programa é sem-importância, puro passa-tempo para as massas, só que vez ou outra mostra o estágio em que estamos neste país.
O que me marcou do programa de ontem foi o seguinte: a justificativa de um dos participantes – o queridinho da audiência, diga-se de passagem – para ter votado em outro deles foi que o seu escolhido “pensava muito antes de falar”.
Então veja a que ponto chegamos, pensar antes de falar virou defeito passível de eliminação na nossa sociedade. E o pior é que as nossas escolhas políticas demonstram que isso é a concepção que prevalece no Brasil.
Portanto premiaremos com um milhão o camarada que não pensa antes de falar, que não gosta que não gostem dele por ele ser de difícil convivência e autoritário (é o que pensa a maioria dos que estão confinados) e que acha que as regras não escritas só valem para os demais (reclama de que há combinação de voto no lado adversário, apesar de ter combinado nas duas semanas em que eu maiôs ou menos assisti ao programa).
Então eu confesso duas coisas: assisto ao BBB e temo que este Alemão vire um político de muito, muito sucesso.

Muito útil

A leitura dos textos relativos à educação na revista Veja desta semana.
Alguns mitos alimentados pela politicagem e o corporativismo que viceja por aqui são demonstrados.
Recomendo.

sexta-feira, 2 de março de 2007

Juros

Quando comentam a ligação dos juros altos com a falta de investimentos não-financeiros, os analistas geralmente ligam esta a falta de linhas de crédito barato.
Não acho que resida aí o problema, mesmo porque elas existem.
O fator principal para a falta de investimento não-financeiro ao meu ver é que os investimentos financeiros, puxados pelo piso da taxa Selic, rendem mais e de maneira mais segura do que os demais.
Tomemos como exemplo um sujeito com 100 mil para aplicar e que pode optar entre emprestar para o governo a juros e comprar um apartamento. Supondo que o indivíduo esteja precisando de uma residência.
Supondo que escolha a compra, deverá separar no mínimo 10% para os custos de corretagem e transferência da escritura; ou seja, só poderá comprar um apartamento com valor máximo de 90 mil.
Depois de ficar dono, ganharia uma desvalorização de, digamos, 5% ao ano pela depreciação do capital. E se fosse previdente, faria um seguro contra sinistros pagando algo como 0,5% do valor do seu lar.
Ao final de um ano teria um apartamento no valor de 85,500 reais e teria gastado 450 em seguro.
Se optasse pelo empréstimo ao governo teria ao final de um ano 113250 reais, que descontada a depreciação da inflação, valeriam algo como 109 mil.
Contando-se que o sujeito tivesse alugado um imóvel semelhante ao que compraria, pagando a média de 0,5% de aluguel (450 reais), arcaria com um total de 9,9 mil, ficando no final com pouca coisa menos do que o poder de compra inicial.
Eu sei que um economista ou contador pode afirmar que estas contas que fiz são toscas, imprecisas e cobrem uma situação muito específica. É verdade, mas o quadro geral não é muito diferente.
Qualquer um que invista em algo não-financeiro no Brasil ou é dotado de uma fé imensa no negócio que está fazendo, ou está tentando se manter no negócio para evitar perdas maiores ou é insano.
Como insanos são poucos e está difícil ter fé em algo no Brasil, o investimento produtivo é praticamente todo em reposição.
Não é assim que caminha a humanidade, mas aqui – onde se plantando tudo dá – é assim que fazemos.
E viva o povo brasileiro.

Não canso de repetir.

Já que ninguém ouve mesmo, palavras soltas ao vento.
A parte nobre da economia não está em produzir e sim consumir.
Neste ponto a alta que observou no PIB, puxada pelo consumo das famílias e pelo aumento bruto de capital das empresas é um grande alento.
Aproveito os espirros da Bolsa de Xangai para lembrá-los que não há crescimento continuado em longo prazo (para não usar sustentável, que adquire cada vez mais um sentido ecológico) quando este se baseia apenas no mercado externo, como querer os que pretendem bombardear o dólar.
O Brasil já viu este filme e a China e a Índia verão cedo ou tarde.
Com base nesta idéia, continuarei louvando o aumento de valor do Real como um sinal de vitalidade da nossa economia e não como um sinal de fraqueza.
E não adianta vir com aquele papo de “doença holandesa”. Se a “doença” fizer por nós o mesmo que fez pelos holandeses, que venha rápido.
Mas o fato é que, mesmo com todas as dificuldades cambiais, a produção industrial ainda está crescendo e muitos dos setores que se dizem entre os mais prejudicados estão vendo recorde após recorde de vendas.
E se para os setores intensivos em mão-de-obra há dificuldades, fiquem certos de que a culpa não é do câmbio. Ela é de uma política tributária que taxa enormemente o trabalho, encarecendo-o em relação aos países competidores, para não falar nos investimentos produtivos e no giro de caixa.
Fora o câmbio culpado, os países europeus não exportariam absolutamente nada, muito menos os produtos de alta tecnologia e de design que de lá mandam para o mundo inteiro. E a Inglaterra, coitada, importaria tudo o que consome, até pudim de rim.
Querer persistir em ser uma economia exportadora só pelo status não é uma atitude inteligente. Gozemos o fato de que estamos entrando nos eixos e passemos a consumir o que os outros têm de bom para vender, como eles fazem com os nossos produtos; mas sejamos conscientes, que a ecologia também não pode sofrer.

Fábio Feldmann

“Subestimei a indignação do cidadão com o Estado que, ao mesmo tempo que restringe sua ação, se mostra incapaz de oferecer alternativas, como um transporte público barato e eficiente. Aprendi com o rodízio que falar em ética e em direito das futuras gerações não é uma forma de assegurar sustentabilidade política em curto prazo”.
Este trecho foi retirado da entrevista de Fábio Feldmann à revisa veja desta semana. Ela mostra a perfeição algo que falei ontem, sobre o desenraizamento das leis.
O rodízio foi imposta à população paulistana como uma solução para o problema da poluição do ar, com base principalmente da experiência da Cidade do México. O problema é que mesmo lá já se mostrava equivocada, pois muitos proprietários de carros modernos e pouco poluentes passaram a utilizar um segundo carro muito menos eficiente para os dias de rodízio.
Apesar disso, implantou-se o rodízio como ato de vontade e poder e a base de pesadas multas.
Nada da política inicial se mantém, mas o rodízio segue firme e forte, baseado nas multas até hoje. Ele existe para tentar diluir um pouco da ineficácia do Estado em suprir o transporte público barato e eficiente a que se refere Feldmann, e sua justificativa hoje é de que ele diminui os engarrafamentos.
Só que em democracias é assim que funciona; projetos desenraizados (e, portanto, injustos aos olhos dos eleitores) têm custo alto para os políticos que os implantam.
O rodízio segue, Feldmann nunca mais se elegeu.

quinta-feira, 1 de março de 2007

A raiz dos problemas

Considero como os três grandes problemas brasileiros da atualidade, na ordem direta de urgência e inversa de importância, os juros altos pagos aos poupadores, a ineficácia dos governos e o desenraizamento das leis.
Então falemos do mias importante.
Sabemos que no Brasil existem as leis que pegam e as que não. Por que isso ocorre?
Pelo motivo mais óbvio, elas não pegam quando tentam se impor ao arrepio do que pensa a sociedade e pegam quando são a expressão de seus desejos.
Uma pessoa só obedece a uma lei por duas razões: ou acha que ela é justa ou é obrigada a isso por coerção.
A grande maioria das leis brasileiras são inspiradas em outras sociedade, ou simplesmente transplantadas delas, buscando-se algo que deu certo nos Estados Unidos ou na Alemanha, por exemplo. Isto já faz com que ao ser aplicada à nossa sociedade perca o sentimento de justiça e a primeira razão para ser obedecida.
A segunda razão é sempre menos eficiente, pois necessita um grande aparato de comando e controle por parte dos governos. Aí então o segundo problema mais importante também age; um governo ineficaz não consegue aplicar a coerção necessária para que o controle exista.
Isto cria o ciclo vicioso de descrédito no qual mesmos as leis mais justas e aceitas pela sociedade passam a ser contestadas.
Cria-se um quadro de anarquia ou, pior, anomia.
Muito mais grave quando s grupos dirigentes se comportam como “gangs” e Ministros de Estado “esquecem-se“ de denunciar crimes que presenciaram ou dos quais foram vítimas.
Tanto pior para o país.

A polícia que nós temos

É no mínimo ridícula a cena que está sendo mostrada na Bandnews.
A policial civil Marta Vargas dando voz de prisão ao representante de uma companhia de telefonia celular.
Motivo? O representante não queria a entrada da imprensa nas dependências da empresa, ou seja, estava calcado plenamente em seus direitos. Como tentou barrar os repórteres, recebeu voz de prisão por obstrução das investigações. Resta saber como a entrada de repórteres auxiliaria o trabalho investigativo da Delegada Vargas.
Só neste país mesmo a investigação é auxiliada quando o trabalho de aquisição de provas é fotografado, filmado e narrado maciçamente pela imprensa.
E só aqui abuso de autoridade é mostrado na tv e não gera protestos de ninguém.
Podemos dizer que, com certeza, virou Brasil.