Diz-se da rebeldia que cai bem só aos jovens. O escritor José Ribamar Ferreira de Araújo Costa não concorda. Aos 78 anos, membro mais antigo da Academia Brasileira de Letras, na qual ocupa a cadeira que foi de Tobias Barreto, poderia estar em casa, como aconselhou-o estimado amigo, curtindo uma aposentadoria tranqüila, quem sabe os bisnetos, se é que os tem.
Mas não, rebelou-se, mantem-se na vida pública, enfrentando os desmandos do governo de seu estado natal, o Maranhão. Quer ficar a serviço do povo brasileiro até que não lhe restem mais forças.
Hoje, foi eleito novamente para um dos cargos mais importantes da República. Traz como grande aliado seu xará de Alagoas, José Renan Vasconcelos Calheiros, cabo eleitoral que, aparentemente, mobilizou forças hercúleas. É o "novo" presidente do Senado.
É a renovação da qual o Brasil precisa. É o retrato do país. Se tem tanto Zé na Paraíba, por que não em Brasília?
Apenas alguns pensamentos sobre as coisas que acho que sei ou sobre as quais não tenho a mínima idéia
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009
domingo, 1 de fevereiro de 2009
Aguapé: a mão na roda
Voltando ao velho Anuário Agrícola. Quando do lançamento da publicação, o que mais me impressionou ao ler sobre as diversas culturas brasileiras foram as diversas qualidades do aguapé. Segundo ela, essa planta era a de maior capacidade de fotossíntese entre as conhecidas. Tem, ou tinha - não sei se encontraram outra ainda mais eficiente -, portanto, a maior capacidade de usar energia solar para produzir matéria orgânica, através da fixação do gás carbônico.
Nem imaginava-se a possibilidade do etanol celulósico, porém a cultura já era vista como promissora em agroenergia. Cálculos da companhia energética Cesp, à época, diziam que 10% das represas de Americana, Billings, Barra Bonita e Bariri, caso utilizadas para cultivo de aguapés, forneceriam colheitas diárias de 14211 toneladas da planta, que poderiam produzir energia equivalente a 293000 litros de petróleo (aproximadamente 1800 barris), em uma proporção de 32 metros cúbicos por tonelada, com 65% de metano em sua composição. Pouquíssimo para uma área tão grande, poderia qualquer um dizer, mas vindo de uma área impossibilitada de uso por contaminação por material orgânico, onde os aguapés florescem, parece um presente dos deuses.
Notem que aqueles eram tempos pré-ecochatimos e Rio-92, nos quais as intenções das pesquisas eram apenas prover o Brasil com recursos naturais então escassos, água limpa e combustíveis, mas hoje já se imaginam muitos outros usos para a planta, como este e este, com ênfase nas reduções de custo do tratamento de efluentes, um dos programas sanitários em que o Brasil está mais atrasado.
Resta, contudo, ainda a alternativa da exploração energética. Demanda pelo gás há. O Brasil importa da Bolívia 24 milhões de metros cúbicos diários, ou, caso mantidos os mesmos parâmetros de eficiência de 20 anos atrás, mais de 16 milhões de toneladas de aguapé. Número aparentemente impossível de ser alcançado, pois representa o uso de algo como 28 milhões de hectares para a cultura, considerada a produtividade de 200 toneladas por hectare por ano, algo como 4 vezes a área utilizada pela cana. O que equivale a dizer que, caso fosse incentivada, a produção teria mercado cativo.
Os serviços ambientais potenciais são, porém, a melhor atração atual da planta. Retirando o carbono atmosférico eficientemente, filtrando a matéria orgânica dos cursos d´água e sendo utilizada como adubo orgânico e cobertura vegetal de solos utilizados para outras culturas, ela pode servir para diminuir a insustentabilidade da relação rural-urbana, que apenas retira nutrientes do primeiro e não os devolve, fazendo da suplementação de adubação química imprescindível. Consorciado com a piscicultura, suprir parte da proteína consumida pela humanidade. A energia é, neste contexto, um bônus.
Nossas fauna e flora nativas oferecem-nos potencial imenso para que lidemos com os problemas, atuais e futuros. Cabe-nos saber aproveitar as oportunidades e criar as tecnologias necessárias. Esperar que outros façam isso por nós apenas fará a dependência externa agudizar-se. É o que queremos?
Nem imaginava-se a possibilidade do etanol celulósico, porém a cultura já era vista como promissora em agroenergia. Cálculos da companhia energética Cesp, à época, diziam que 10% das represas de Americana, Billings, Barra Bonita e Bariri, caso utilizadas para cultivo de aguapés, forneceriam colheitas diárias de 14211 toneladas da planta, que poderiam produzir energia equivalente a 293000 litros de petróleo (aproximadamente 1800 barris), em uma proporção de 32 metros cúbicos por tonelada, com 65% de metano em sua composição. Pouquíssimo para uma área tão grande, poderia qualquer um dizer, mas vindo de uma área impossibilitada de uso por contaminação por material orgânico, onde os aguapés florescem, parece um presente dos deuses.
Notem que aqueles eram tempos pré-ecochatimos e Rio-92, nos quais as intenções das pesquisas eram apenas prover o Brasil com recursos naturais então escassos, água limpa e combustíveis, mas hoje já se imaginam muitos outros usos para a planta, como este e este, com ênfase nas reduções de custo do tratamento de efluentes, um dos programas sanitários em que o Brasil está mais atrasado.
Resta, contudo, ainda a alternativa da exploração energética. Demanda pelo gás há. O Brasil importa da Bolívia 24 milhões de metros cúbicos diários, ou, caso mantidos os mesmos parâmetros de eficiência de 20 anos atrás, mais de 16 milhões de toneladas de aguapé. Número aparentemente impossível de ser alcançado, pois representa o uso de algo como 28 milhões de hectares para a cultura, considerada a produtividade de 200 toneladas por hectare por ano, algo como 4 vezes a área utilizada pela cana. O que equivale a dizer que, caso fosse incentivada, a produção teria mercado cativo.
Os serviços ambientais potenciais são, porém, a melhor atração atual da planta. Retirando o carbono atmosférico eficientemente, filtrando a matéria orgânica dos cursos d´água e sendo utilizada como adubo orgânico e cobertura vegetal de solos utilizados para outras culturas, ela pode servir para diminuir a insustentabilidade da relação rural-urbana, que apenas retira nutrientes do primeiro e não os devolve, fazendo da suplementação de adubação química imprescindível. Consorciado com a piscicultura, suprir parte da proteína consumida pela humanidade. A energia é, neste contexto, um bônus.
Nossas fauna e flora nativas oferecem-nos potencial imenso para que lidemos com os problemas, atuais e futuros. Cabe-nos saber aproveitar as oportunidades e criar as tecnologias necessárias. Esperar que outros façam isso por nós apenas fará a dependência externa agudizar-se. É o que queremos?
sábado, 31 de janeiro de 2009
Problema inerente do presidencialismo
Apesar de ter adquirido, ainda não tive tempo de ler a duologia Manual do perfeito idiota latino-americano e O regresso do idiota, apesar de eles estarem no alto da minha lista de prioridades, mas ao ler o texto de Mauro Chaves, no Estadão, percebi que os autores deveriam retirar o latino do título do primeiro, ou substitui-lo pelo prefixo pan, e transformar a série em uma trilogia. Venderia milhões.
Tendo ideologias opostas, embora todos tendem a impô-las ao restante da população, os perfeitos idiotas dos dois dois primeiros e o do, possível, terceiro tomos isolam seus países, empobrecem seus comandados e criam divisões mais ou menos radicais em seus países.
A ignorância citada por Chaves, o Mauro, é no hemisfério norte. A que causa azia hepática (???) após leitura de periódicos, no sul. Ambas fazem mal aos seus países, o só olhar e ver. O grande problema, para nós, é que a de lá já passou para a história, a daqui ainda tem dois anos pela frente, com o fantasma de outros mais.
Clamemos então pela iluminação, pela ilustração, pelo saber. Quem sabem eles nos ouçam, e o Brasil tenha um próximo ciclo presidencial mais afortunado.
Tendo ideologias opostas, embora todos tendem a impô-las ao restante da população, os perfeitos idiotas dos dois dois primeiros e o do, possível, terceiro tomos isolam seus países, empobrecem seus comandados e criam divisões mais ou menos radicais em seus países.
A ignorância citada por Chaves, o Mauro, é no hemisfério norte. A que causa azia hepática (???) após leitura de periódicos, no sul. Ambas fazem mal aos seus países, o só olhar e ver. O grande problema, para nós, é que a de lá já passou para a história, a daqui ainda tem dois anos pela frente, com o fantasma de outros mais.
Clamemos então pela iluminação, pela ilustração, pelo saber. Quem sabem eles nos ouçam, e o Brasil tenha um próximo ciclo presidencial mais afortunado.
sexta-feira, 30 de janeiro de 2009
Internacionalismo Pop revisitado
O, agora, laureado com o Nobel de economia, Paul Krugman, lançou, em 1996, um livro voltado para leigos com a intenção de combater ao Codebufê - Country desolating bullshit festival - (versão americana do Febeapá) que imperava à época. A maior das besteiras era a repulsa ao comércio internacional, acusado de ser a raíz de todos os males.
Desconfio que ele precisará escrever outro, pois a versão 2009 do festival não assolará o país, mas o mundo. Pequena mostra foi o episódio licença prévia "só-para-efeito-de-estatística" que o o Brasil tentou impetrar. Maiores foram as diminuições repentinas nas compras de commodities por parte dos países autocráticos orientais, nos quais estou incluindo a Rússia. Imensos serão os pedidos de fechamento das fronteiras das nações ocidentais ricas.
A crença infundada de que em uma transação apenas o vendedor sai ganhando é generalizada quando se trata de comércio internacional, o que é bastante estranho, pois as mesmas pessoas que assim pensam, fazem comércio diariamente sem sentirem-se exploradas. Para elas, quando são países os contratantes, as vantagens intrínsecas vão apenas para um lado; quando pessoas, não.
A regra geral do comércio é que ele beneficia ambas as pontas. Divide as vantagens comparativas das partes e aumenta as possibilidades de consumo. Claro que pode, certas vezes, gerar ganhos desproporcionais para um dos lados, mas, diria, é maior a possibilidade de o comprador ser o escolhido para gozá-los em um ambiente de ampla concorrência.
Restrições às trocas internacionais foram responsáveis por recessões prolongadas ao longo da história. Deixar que isso ocorra novamente baseado em falsas premissas e preconceitos seria apenas mais uma evidência da inviabilidade da espécie. Estupidez humana em seu estado da arte.
Desconfio que ele precisará escrever outro, pois a versão 2009 do festival não assolará o país, mas o mundo. Pequena mostra foi o episódio licença prévia "só-para-efeito-de-estatística" que o o Brasil tentou impetrar. Maiores foram as diminuições repentinas nas compras de commodities por parte dos países autocráticos orientais, nos quais estou incluindo a Rússia. Imensos serão os pedidos de fechamento das fronteiras das nações ocidentais ricas.
A crença infundada de que em uma transação apenas o vendedor sai ganhando é generalizada quando se trata de comércio internacional, o que é bastante estranho, pois as mesmas pessoas que assim pensam, fazem comércio diariamente sem sentirem-se exploradas. Para elas, quando são países os contratantes, as vantagens intrínsecas vão apenas para um lado; quando pessoas, não.
A regra geral do comércio é que ele beneficia ambas as pontas. Divide as vantagens comparativas das partes e aumenta as possibilidades de consumo. Claro que pode, certas vezes, gerar ganhos desproporcionais para um dos lados, mas, diria, é maior a possibilidade de o comprador ser o escolhido para gozá-los em um ambiente de ampla concorrência.
Restrições às trocas internacionais foram responsáveis por recessões prolongadas ao longo da história. Deixar que isso ocorra novamente baseado em falsas premissas e preconceitos seria apenas mais uma evidência da inviabilidade da espécie. Estupidez humana em seu estado da arte.
quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
Bruxa solta
Achei ontem um anuário agrícola, de 1988, editado pela Abril, que gostava de ler quando criança. Nele havia o seguinte trecho."Mas em princípio, recomenda-se nunca levar para a Bahia os ramos, as folhas, os frutos ou sementes de cacau e cupuaçu (da família do cacau) da Amazônia, pois com o material poderão ir também germes de doenças, como a vassoura-de-bruxa, o que resultaria em graves prejuízos para o país."
Em 1989 foram identificadas os primeiros focos do fungo no sudeste baiano e, em 2006, a revista Veja lançou a denúncia de que a doença foi espalhada voluntariamente, e, o pior, por pessoas pagas para evitar que isso ocorresse, incluindo um testemunho, reproduzido aqui*, de um dos criminosos.
Para todos os critérios, excetuando-se o criminal, não importa muito se verdadeira ou não a denúncia trazida pela Veja. Milhares foram arruinados, e o padrão de vida da região diminuiu bastante, pela ocorrência de uma praga totalmente evitável. Para premiar a incompetência, ou coisa pior, em impedir a disseminação, os funcionários do Ceplac foram alçados a cargos de confiança nas administrações petistas posteriores.
Com critérios assim para promover, não me admira que os erros relatados ontem ocorram. Decisões na calada da noite, descaso pelas conseqüências e ascensão política resultante das duas anteriores parecem um padrão antigo de administrações do partido.
Até quando teremos que conviver com isso?
*Retirado da internet e digno de suspeita da autenticidade
Em 1989 foram identificadas os primeiros focos do fungo no sudeste baiano e, em 2006, a revista Veja lançou a denúncia de que a doença foi espalhada voluntariamente, e, o pior, por pessoas pagas para evitar que isso ocorresse, incluindo um testemunho, reproduzido aqui*, de um dos criminosos.
Para todos os critérios, excetuando-se o criminal, não importa muito se verdadeira ou não a denúncia trazida pela Veja. Milhares foram arruinados, e o padrão de vida da região diminuiu bastante, pela ocorrência de uma praga totalmente evitável. Para premiar a incompetência, ou coisa pior, em impedir a disseminação, os funcionários do Ceplac foram alçados a cargos de confiança nas administrações petistas posteriores.
Com critérios assim para promover, não me admira que os erros relatados ontem ocorram. Decisões na calada da noite, descaso pelas conseqüências e ascensão política resultante das duas anteriores parecem um padrão antigo de administrações do partido.
Até quando teremos que conviver com isso?
*Retirado da internet e digno de suspeita da autenticidade
quarta-feira, 28 de janeiro de 2009
Barbeiragem não, vergonha
É uma vergonha como o governo trata seus erros, ao menos publicamente. Basta ver os resultados das duas últimas besteiras que chegaram ao conhecimento do grande público, o refúgio a Battisti e a recriação de grande parte das licenças de importação.
O italiano foi abraçado pela esquerda brasileira, e pelo ministro da Justiça, apesar das evidências de que a pena fora bem aplicada e seguindo todos os trâmites legais, como um perseguido de um regime autoritário. Órgão especializado na concessão de asilo, o Conare, que é subordinado ao Ministério da Justiça, foi contra, também o Ministério Público, mas o ministro, dono, de certo, de um conhecimento superior, foi a favor. E nisso foi apoiado por intelectuais das mais diversas formações, com amplo destaque no site do ministério em questão, que congratula a decisão do chefe como mostra de democracia. Pergunto-me então, os membros do Conare, estes incompetentes sem conhecimento sobre o assunto em que deliberam foram destituídos?
No mesmo site, é informado que o refúgio segue a seguinte diretriz: "
Em seu art. 1º, a Convenção de 1951 define refugiado como toda pessoa que como resultado de acontecimentos ocorridos antes de 1º de janeiro de 1951 e devido a fundados temores de ser perseguida por motivos de raça, religião, nacionalidade, por pertencer a determinado grupo social e por suas opiniões políticas, se encontre fora do país de sua nacionalidade e não possa ou, por causa dos ditos temores, não queira recorrer a proteção de tal país; ou que, carecendo de nacionalidade e estando, em conseqüência de tais acontecimentos, fora do país onde tivera sua residência habitual, não possa ou, por causa dos ditos temores, não queira regressar a ele." Modificada por protocolo de de 1967, no qual a referência temporal foi subtraída, ela garantiria, então, o caso do italiano. Onde, entretanto, pergunto eu, está a referência a assassinatos? Até onde sei, Battisti, seria extraditado por homicídio, não por sua raça, majoritária na Itália seja qual corte queira se dar, religião, nacionalidade, grupo social ou opiniões políticas. Ele não quer regressar ao seu país simplesmente pelo fato que é um foragido da justiça comum e sairá do avião direto para o cárcere, no qual poderá exercitar sua nova atividade com memórias ao estilo de Ramos ou seu conterrâneo Gramsci. Não se enquadrando em nenhuma das categorias de refugiado, como esse senhor conseguiu o status de?
Só posso fazer conjecturas, mas não as colocarei aqui, pois não importam mais as razões, mesmo porque simplesmente lendo o texto fornecido pelo próprio Ministério fica evidente o absurdo da questão. O substantivo no momento é que agora há uma disputa entre Estados motivado por erro ou capricho de um ministro.
Já o processo de exigência das licenças prévias, ou, dependendo do prócere governista consultado, automáticas, começou na tarde de segunda e trouxe dor de cabeça para importadores, desmentidos e explicações desencontradas de órgãos públicos e tratamento diferenciado para indústrias poderosas, resumindo, problemas para a economia. Caso continue a ser aplicado, só intensificará o impacto da crise na economia brasileira, que estava mostrando sinais de que seria resiliente, após o baque inicial da escassez de crédito interno e externo.
Descabidas e, como é moda no noticiário econômico, intempestivas, essas duas decisões administrativas demonstram o retorno de práticas da ditadura, na qual altos burocratas podiam, sem nenhuma discussão com a sociedade, definir atos que interferiam na vida de grande parcela da mesma.
Lula já havia demonstrado nostalgia dos tempos dos generais diversas vezes, seu governo parece querer matar as saudades do líder, transportando-nos para aquela era, e dizendo que tudo está sobre controle, e que os erros vergonhosos têm, no máximo, embutidos pequenas barbeiragens.
O italiano foi abraçado pela esquerda brasileira, e pelo ministro da Justiça, apesar das evidências de que a pena fora bem aplicada e seguindo todos os trâmites legais, como um perseguido de um regime autoritário. Órgão especializado na concessão de asilo, o Conare, que é subordinado ao Ministério da Justiça, foi contra, também o Ministério Público, mas o ministro, dono, de certo, de um conhecimento superior, foi a favor. E nisso foi apoiado por intelectuais das mais diversas formações, com amplo destaque no site do ministério em questão, que congratula a decisão do chefe como mostra de democracia. Pergunto-me então, os membros do Conare, estes incompetentes sem conhecimento sobre o assunto em que deliberam foram destituídos?
No mesmo site, é informado que o refúgio segue a seguinte diretriz: "
Em seu art. 1º, a Convenção de 1951 define refugiado como toda pessoa que como resultado de acontecimentos ocorridos antes de 1º de janeiro de 1951 e devido a fundados temores de ser perseguida por motivos de raça, religião, nacionalidade, por pertencer a determinado grupo social e por suas opiniões políticas, se encontre fora do país de sua nacionalidade e não possa ou, por causa dos ditos temores, não queira recorrer a proteção de tal país; ou que, carecendo de nacionalidade e estando, em conseqüência de tais acontecimentos, fora do país onde tivera sua residência habitual, não possa ou, por causa dos ditos temores, não queira regressar a ele." Modificada por protocolo de de 1967, no qual a referência temporal foi subtraída, ela garantiria, então, o caso do italiano. Onde, entretanto, pergunto eu, está a referência a assassinatos? Até onde sei, Battisti, seria extraditado por homicídio, não por sua raça, majoritária na Itália seja qual corte queira se dar, religião, nacionalidade, grupo social ou opiniões políticas. Ele não quer regressar ao seu país simplesmente pelo fato que é um foragido da justiça comum e sairá do avião direto para o cárcere, no qual poderá exercitar sua nova atividade com memórias ao estilo de Ramos ou seu conterrâneo Gramsci. Não se enquadrando em nenhuma das categorias de refugiado, como esse senhor conseguiu o status de?
Só posso fazer conjecturas, mas não as colocarei aqui, pois não importam mais as razões, mesmo porque simplesmente lendo o texto fornecido pelo próprio Ministério fica evidente o absurdo da questão. O substantivo no momento é que agora há uma disputa entre Estados motivado por erro ou capricho de um ministro.
Já o processo de exigência das licenças prévias, ou, dependendo do prócere governista consultado, automáticas, começou na tarde de segunda e trouxe dor de cabeça para importadores, desmentidos e explicações desencontradas de órgãos públicos e tratamento diferenciado para indústrias poderosas, resumindo, problemas para a economia. Caso continue a ser aplicado, só intensificará o impacto da crise na economia brasileira, que estava mostrando sinais de que seria resiliente, após o baque inicial da escassez de crédito interno e externo.
Descabidas e, como é moda no noticiário econômico, intempestivas, essas duas decisões administrativas demonstram o retorno de práticas da ditadura, na qual altos burocratas podiam, sem nenhuma discussão com a sociedade, definir atos que interferiam na vida de grande parcela da mesma.
Lula já havia demonstrado nostalgia dos tempos dos generais diversas vezes, seu governo parece querer matar as saudades do líder, transportando-nos para aquela era, e dizendo que tudo está sobre controle, e que os erros vergonhosos têm, no máximo, embutidos pequenas barbeiragens.
terça-feira, 27 de janeiro de 2009
Péssimo sinal
Ia falar bem do déficit na balança comercial, que, apesar de indicar um PIB matematicamente menor, indica que as empresas brasileiras continuam trabalhando em ritmo melhor do que as externas, mas fui surpreendido pela notícia ridícula da volta das licenças de importação.
Nosso governo supostamente democrático irá nos mostrar o que é bom e o que é ruim na nossa cesta de compras agora? Serão escolhidos os itens essenciais que não poderemos ficar sem? E a palavra empenhada no G-20 de que não ampliaríamos barreiras?
É, estamos céleres imitando Marty McFly, cada vez mais a frente, no passado.
segunda-feira, 26 de janeiro de 2009
Energia solar no Brasil
O Estadão de ontem trouxe uma reportagem sobre o potencial energético solar do Brasil. Comenta que o que impede a ampla utilização dela é o alto custo de captação da mesma. Que há um custo maior de captação é inegável, mas que isso seja um empecilho para a utilização desta forma de energia, abundante no Brasil, é discutível.
Quando entramos na seara de matriz energética, devemos analisar vários aspectos, não apenas a geração. E o custo não é apenas financeiro, mas de várias matizes. Se o custo de captação solar é alto, outros são minimizados, como a distribuição e transmissão.
Os gigawatts provenientes do rio Madeira precisarão atravessar milhares de quilômetros enquanto células fotovoltáicas podem ser instaladas nos telhados das residências que utilizarão a carga. Essa lógica já é utilizada no programa "Luz para todos" do governo federal, que é refratário a utilização dessa forma de energia em larga escala, como pode ser observado no vídeo abaixo.
Essa peculiaridade torna o argumento de falta de economicidade do processo fotovoltáico bastante fraco. Computados os preços realmente pagos pelo consumidor final residencial, a solar já é mais barata do que a fornecida pelas distribuidoras de energia elétrica da grande maioria das regiões metropolitanas. O custo de implantação, porém, é um fator importante, pois, devido aos altos juros praticados no país, a amortização do investimento inicial é bastante demorada. O mesmo vale para a substituição de aquecedores elétricos por solares. A falta de poupança das famílias brasileiras responde, então, pela pouca aderência às tecnologias.
Políticas públicas podem ser eficientes em reverter a tendência de preferência por grandes obras que, a primeira vista, parecem melhores para a economia do país. Descentralização da geração elétrica é uma forma eficaz e inteligente de proteger estrategicamente o país. Um simples míssil pode destruir 20% da capacidade hidrelétrica brasileira, personificada em Itaipú, mas seriam necessárias milhares, na forma de ataques a toda uma população civil, se cada telhado brasileiro tivesse sua célula fotovoltáica instalada.
Além da evidente melhoria da segurança, a qualidade ecológica da geração também seria melhorada. Os gases estufa das termoelétricas seriam evitadas, restando essas usinas como última instância, ao contrário do que ocorre hoje. Os períodos de estiagem não comprometeriam tanto os reservatórios do sistema, por aumento da insolação e, conseqüente, geração solar.
Custos financeiros, como vemos, não é a única forma de avaliar-se um empreendimento. Muitas vezes não é nem mesmo o melhor. Parece-me que este é o caso aqui. O Brasil têm uma obrigação quase religiosa de aproveitar a potencialidade que a natureza nos oferece. Se dizem que Deus é brasileiro, o Sol deve nos aparecer todos os dias por uma razão maior do que bronzear as garotas de Ipanema.
Quando entramos na seara de matriz energética, devemos analisar vários aspectos, não apenas a geração. E o custo não é apenas financeiro, mas de várias matizes. Se o custo de captação solar é alto, outros são minimizados, como a distribuição e transmissão.
Os gigawatts provenientes do rio Madeira precisarão atravessar milhares de quilômetros enquanto células fotovoltáicas podem ser instaladas nos telhados das residências que utilizarão a carga. Essa lógica já é utilizada no programa "Luz para todos" do governo federal, que é refratário a utilização dessa forma de energia em larga escala, como pode ser observado no vídeo abaixo.
Essa peculiaridade torna o argumento de falta de economicidade do processo fotovoltáico bastante fraco. Computados os preços realmente pagos pelo consumidor final residencial, a solar já é mais barata do que a fornecida pelas distribuidoras de energia elétrica da grande maioria das regiões metropolitanas. O custo de implantação, porém, é um fator importante, pois, devido aos altos juros praticados no país, a amortização do investimento inicial é bastante demorada. O mesmo vale para a substituição de aquecedores elétricos por solares. A falta de poupança das famílias brasileiras responde, então, pela pouca aderência às tecnologias.
Políticas públicas podem ser eficientes em reverter a tendência de preferência por grandes obras que, a primeira vista, parecem melhores para a economia do país. Descentralização da geração elétrica é uma forma eficaz e inteligente de proteger estrategicamente o país. Um simples míssil pode destruir 20% da capacidade hidrelétrica brasileira, personificada em Itaipú, mas seriam necessárias milhares, na forma de ataques a toda uma população civil, se cada telhado brasileiro tivesse sua célula fotovoltáica instalada.
Além da evidente melhoria da segurança, a qualidade ecológica da geração também seria melhorada. Os gases estufa das termoelétricas seriam evitadas, restando essas usinas como última instância, ao contrário do que ocorre hoje. Os períodos de estiagem não comprometeriam tanto os reservatórios do sistema, por aumento da insolação e, conseqüente, geração solar.
Custos financeiros, como vemos, não é a única forma de avaliar-se um empreendimento. Muitas vezes não é nem mesmo o melhor. Parece-me que este é o caso aqui. O Brasil têm uma obrigação quase religiosa de aproveitar a potencialidade que a natureza nos oferece. Se dizem que Deus é brasileiro, o Sol deve nos aparecer todos os dias por uma razão maior do que bronzear as garotas de Ipanema.
quinta-feira, 22 de janeiro de 2009
A revelia
Dizem que um dos grandes problemas para a extradição de Cesare Battisti é o fato de ele ter sido julgado a revelia. Mas como seria diferente se era um foragido.
Caso não tivesse sido julgado, extraditar-lo-íamos?
Ganharam os italianos, livraram-se de um suposto homicida e do ônus de mantê-lo na cadeia, logo, logo estaremos pagando-lhe pensão ou um salário em um ministério qualquer.
Caso não tivesse sido julgado, extraditar-lo-íamos?
Ganharam os italianos, livraram-se de um suposto homicida e do ônus de mantê-lo na cadeia, logo, logo estaremos pagando-lhe pensão ou um salário em um ministério qualquer.
quarta-feira, 21 de janeiro de 2009
Excepcionalismo?
Fiquei muito feliz com o fim do governo Bush, mas fiquei com uma pulga atrás da orelha com os discursos do Obama.
O triunfalismo e sentimento de que governa um país completamente diferente dos outros continuam o mesmo. Como confiar no julgamento de quem pensa ser especial, um iluminado?
Nem dizer que a sua história pessoal qualifica os Estados Unidos como um outro mundo possível, Obama pode. Sarkozí é filho de imigrantes; Brown é escocês, assim como Blair; Hitler, austríaco; Stálin, georgiano. Tanto em ditaduras, como em democracias, é comum que representantes de minorias cheguem ao poder.
Se é motivo de júbilo que um negro (melhor dizendo, um mulato) chegue à presidência naquele país, isso diz mais contra do que a favor dele.
Melhor faria Obama ao colocar sua nação como mais uma no mundo, com problemas e vantagens como todas as outras, disposta a integrar-se ao concerto das nações. Requereria humildade, mas seria mais producente.
O triunfalismo e sentimento de que governa um país completamente diferente dos outros continuam o mesmo. Como confiar no julgamento de quem pensa ser especial, um iluminado?
Nem dizer que a sua história pessoal qualifica os Estados Unidos como um outro mundo possível, Obama pode. Sarkozí é filho de imigrantes; Brown é escocês, assim como Blair; Hitler, austríaco; Stálin, georgiano. Tanto em ditaduras, como em democracias, é comum que representantes de minorias cheguem ao poder.
Se é motivo de júbilo que um negro (melhor dizendo, um mulato) chegue à presidência naquele país, isso diz mais contra do que a favor dele.
Melhor faria Obama ao colocar sua nação como mais uma no mundo, com problemas e vantagens como todas as outras, disposta a integrar-se ao concerto das nações. Requereria humildade, mas seria mais producente.
terça-feira, 20 de janeiro de 2009
Sim, dinheiro dá em árvore
Quem diz que dinheiro não dá em árvore, não conhece o Brasil. Nunca ouviu falar dos ciclos do pau-brasil, do café e da borracha. Nunca leu sobre como o algodão arbóreo construiu São Luís, no Maranhão, e o cacau, Ilhéus, na Bahia. Nunca passou pelo interior de São Paulo e suas laranjeiras.
São igual desconhecimento da realidade, porém, os planos de se assentar a população excluída urbana que vez ou outra pipocam por aí. Pensar na agricultura como depositária de mão-de-obra desqualificada é acreditar em coelhinho da páscoa.
Apesar de ele estar lá, ganhar dinheiro no campo é para profissionais, principalmente quando estamos falando de pequenas propriedades. Exige trabalho duro, capital e, essencialmente, conhecimento. Levar pessoas sem esse conjunto de fatores para uma propriedade rural é o equivalente a condená-las ao ostracismo.
Foi exatamente o que fez Robert Mugabe quando implementou uma "reforma agrária" com intuito de corrigir as falhas históricas do colonialismo, em 2000. Quase nove anos depois, há no Zimbabwe mais famintos e menos renda agrícola.
Melhor faria o MST se virasse um partido político e vendesse sonhos de comunismo institucionalizado que vendendo ilusões de prosperidade rural aos excluídos urbanos.
São igual desconhecimento da realidade, porém, os planos de se assentar a população excluída urbana que vez ou outra pipocam por aí. Pensar na agricultura como depositária de mão-de-obra desqualificada é acreditar em coelhinho da páscoa.
Apesar de ele estar lá, ganhar dinheiro no campo é para profissionais, principalmente quando estamos falando de pequenas propriedades. Exige trabalho duro, capital e, essencialmente, conhecimento. Levar pessoas sem esse conjunto de fatores para uma propriedade rural é o equivalente a condená-las ao ostracismo.
Foi exatamente o que fez Robert Mugabe quando implementou uma "reforma agrária" com intuito de corrigir as falhas históricas do colonialismo, em 2000. Quase nove anos depois, há no Zimbabwe mais famintos e menos renda agrícola.
Melhor faria o MST se virasse um partido político e vendesse sonhos de comunismo institucionalizado que vendendo ilusões de prosperidade rural aos excluídos urbanos.
segunda-feira, 19 de janeiro de 2009
Pacaembú é de todos, mas quem pode usar?
O editorial do Estadão de alguns dias atrás defendeu que a prefeitura de São Paulo não deve entregar o Pacaembú para o uso exclusivo do Sport Club Corinthians Paulista. Com isso, posso afirmar peremptoriamente, eu discordo mesmo.
Estádios de futebol servem, creio, para abrigar partidas de futebol. Qualquer outra atividade é acessória. O museu instalado dentro das dependências do Paulo Machado de Carvalho não deve ser um impeditivo para que o estádio exerça a sua função primeira ou, o que poderia ser uma benfeitoria, transforma-se em um ônus. Não podemos permitir que todo o estádio vire um museu.
Tratar a concessão onerosa como um erro por caracterizar perda ao patrimônio simbólico do município é, este sim, um erro. Primeiramente, porque a cessão já ocorre na prática. O Pacaembú é a casa extra-oficial do, assim chamado por sua torcida, Timão. Sendo a única equipe que manda suas partidas ali, há na prática uma situação de perde-perde entre a prefeitura e o clube. Este não consegue produzir toda a receita com marketing que o controle do estádio permitiria e aquela não repassa os reais custos de manutenção da estrutura nos aluguéis eventuais.
Outro fator é a utilização do equipamento. Conforme tratado anteriormente, consiste enorme desperdício a não utilização de um fundo de serviços, e qualquer administrador deve procurar fazer o uso mais intensivo possível dele. Estádios esportivos são, em todo mundo, dos equipamentos urbanos mais ociosos. Não é por outro motivo que, mesmo nos países desenvolvidos, há compartilhamento entre equipes e modalidades para garantir uso mais constante dos mesmos. Caso célebre é o Giuseppe Meazza, ou San Ciro, em Milão.
São Paulo possui estádios em excesso, todos subutilizados. Que diretorias anteriores do Corinthians não tenham conseguido construir um estádio próprio, como fizeram seus rivais, é realmente um sinal de incompetência, mas daí a este fato ser um impeditivo para a parceria e um fator para a construção de mais arenas é uma distância enorme. Para evitar que haja mais um elefante branco, cabe ao poder público suprir a massa corintiana com um estádio para chamar de seu que já está prontinho e com história. Como bônus, a prefeitura poderia utilizar seus parcos recursos no fomento de atividades físicas, muito mais carente que o futebol profissional, totalmente capaz de gerar receita por si mesmo.
Em muitas cidades dos Estados Unidos da América são construídos estádios pelas administrações locais com o intuito de atrais as franquias dos esportes profissionais, e o faturamento que as acompanha. Oficiar a relação Pacaembú-Corinthians e gerar receitas para serem aplicadas em outras áreas seria um sinal de amadurecimento da administração pública, não algo a lastimar
Estádios de futebol servem, creio, para abrigar partidas de futebol. Qualquer outra atividade é acessória. O museu instalado dentro das dependências do Paulo Machado de Carvalho não deve ser um impeditivo para que o estádio exerça a sua função primeira ou, o que poderia ser uma benfeitoria, transforma-se em um ônus. Não podemos permitir que todo o estádio vire um museu.
Tratar a concessão onerosa como um erro por caracterizar perda ao patrimônio simbólico do município é, este sim, um erro. Primeiramente, porque a cessão já ocorre na prática. O Pacaembú é a casa extra-oficial do, assim chamado por sua torcida, Timão. Sendo a única equipe que manda suas partidas ali, há na prática uma situação de perde-perde entre a prefeitura e o clube. Este não consegue produzir toda a receita com marketing que o controle do estádio permitiria e aquela não repassa os reais custos de manutenção da estrutura nos aluguéis eventuais.
Outro fator é a utilização do equipamento. Conforme tratado anteriormente, consiste enorme desperdício a não utilização de um fundo de serviços, e qualquer administrador deve procurar fazer o uso mais intensivo possível dele. Estádios esportivos são, em todo mundo, dos equipamentos urbanos mais ociosos. Não é por outro motivo que, mesmo nos países desenvolvidos, há compartilhamento entre equipes e modalidades para garantir uso mais constante dos mesmos. Caso célebre é o Giuseppe Meazza, ou San Ciro, em Milão.
São Paulo possui estádios em excesso, todos subutilizados. Que diretorias anteriores do Corinthians não tenham conseguido construir um estádio próprio, como fizeram seus rivais, é realmente um sinal de incompetência, mas daí a este fato ser um impeditivo para a parceria e um fator para a construção de mais arenas é uma distância enorme. Para evitar que haja mais um elefante branco, cabe ao poder público suprir a massa corintiana com um estádio para chamar de seu que já está prontinho e com história. Como bônus, a prefeitura poderia utilizar seus parcos recursos no fomento de atividades físicas, muito mais carente que o futebol profissional, totalmente capaz de gerar receita por si mesmo.
Em muitas cidades dos Estados Unidos da América são construídos estádios pelas administrações locais com o intuito de atrais as franquias dos esportes profissionais, e o faturamento que as acompanha. Oficiar a relação Pacaembú-Corinthians e gerar receitas para serem aplicadas em outras áreas seria um sinal de amadurecimento da administração pública, não algo a lastimar
sábado, 17 de janeiro de 2009
Será que há marcianos?
A Nasa está em dúvidas devido à descoberta de gás metano.
Talvez esta seja a oportunidade para nosso, ou noço, líder fazer politicagem.
Mas é bom tomar cuidado, apesar de Lula já ter provado que sabe proteger os seus (aqui e aqui), ser o pai dos pobres ao estilo Tom Cruise pode ser mais difícil, alguns sairão machucados.
Talvez esta seja a oportunidade para nosso, ou noço, líder fazer politicagem.
Mas é bom tomar cuidado, apesar de Lula já ter provado que sabe proteger os seus (aqui e aqui), ser o pai dos pobres ao estilo Tom Cruise pode ser mais difícil, alguns sairão machucados.
sexta-feira, 16 de janeiro de 2009
Prova provada
A reportagem aí de cima é a prova das virtudes do câmbio flutuante.
Concedo que é besteira dizer que o consumidor tem ciência de todos os fatos econômicos e pode decidir racionalmente em todas as ocasiões, como dizem os economistas neoclássicos, mas é evidente que ele consegue captar variações grandes de preços relativos.
O fato é, por mais que me doa admitir isso, que estou com o governo quanto o diagnóstico da crise, até o momento. Nossa demanda interna foi afetada não pela súbita mudança de humor dos consumidores, mas pela mudança de comportamento dos fornecedores, principalmente de crédito. E o medo destes está contaminado aqueles, receosos por seus empregos.
O brasileiro continua sendo um indivíduo as voltascom o subconsumo, na média, pronto para sustentar a demanda interna. É só deixar que ele faça a parte dele.
quinta-feira, 15 de janeiro de 2009
Ouça antes de comprar
Essa é semelhante a uma conta que li em alguma revista, três ou quatro anos atrás. Mostra o quão caro é possuir um carro no Brasil. Para comprar, graças aos impostos, e, principalmente, para manter, devido aos inúmeros custos inerentes ao Brasil (seguro alto pela insegurança, estacionamento pago pelo mesmo motivo, taxas sem fim, etc, etc, etc).
Melhorando o sistema de transporte coletivo, incluindo-se aí os taxistas e seus possantes, nossos governantes fariam muito para melhorar nossa vida. Não só por fazer as cidades fluírem melhor em sua circulação de pessoas e bens, mas liberando renda para que aproveitemos melhor o tempo, até, para quem gosta disso, lidando com os carros.
Tenho certeza que, nestes tempos de marola, o país sairia ganhando.
Prestem atenção no detalhe, um trem estava parado desde 2001 por falta de uma peça? Será que eles estavam esperando essa peça nascer, crescer e desenvolver-se?
quarta-feira, 14 de janeiro de 2009
Comentário ligeiro
O ministro do Trabalho está esperneando, mas as empresas que estão dispensando os temporários estão certíssimas.
Mantê-los agora significa não ter respaldo para demití-los depois, quando, talvez, estejam mais necessitadas.
Coisas de nossa legislação, a destruidora de empregos formais.
Mantê-los agora significa não ter respaldo para demití-los depois, quando, talvez, estejam mais necessitadas.
Coisas de nossa legislação, a destruidora de empregos formais.
terça-feira, 13 de janeiro de 2009
Queriam abortá-lo, mas
Apesar de tudo, ele está vivo até hoje: o câmbio flutuante.
Segue comentário da jornalista Leitão sobre o assunto.
Na minha opinião, é sempre o melhor a ser feito, deixar que as coisas sigam seu rumo naturalmente, sem tentar forçar um valor arbitrário.
Segue comentário da jornalista Leitão sobre o assunto.
Na minha opinião, é sempre o melhor a ser feito, deixar que as coisas sigam seu rumo naturalmente, sem tentar forçar um valor arbitrário.
segunda-feira, 12 de janeiro de 2009
Credibilidade, você não encontra aqui
A OCDE concorda comigo que Não teremos uma desaceleração econômica muito forte.
O problema é que ninguem está acreditando muito em mim, talvez pela má companhia. O governo está comigo.
Segundo as pesquisas, a atual administração tem mais de 75% de aprovação, mas as pessoas, principalmente as bem informadas, não querem apostar seu dinheiro em um bom manejo da marola, por que será?
Talvez seja porque credibilidade não se adquire com falatório e promessas vazias, as especialidades dos donos do poder.
O problema é que ninguem está acreditando muito em mim, talvez pela má companhia. O governo está comigo.
Segundo as pesquisas, a atual administração tem mais de 75% de aprovação, mas as pessoas, principalmente as bem informadas, não querem apostar seu dinheiro em um bom manejo da marola, por que será?
Talvez seja porque credibilidade não se adquire com falatório e promessas vazias, as especialidades dos donos do poder.
sexta-feira, 9 de janeiro de 2009
Patrimônio da Humanidade
Ouvi dizer que o Fantástico está com uma série na qual mostra os patrimônios da humanidade na opinião da Unesco. A série traz-nos a oportunidade de discutir sobre o estado do mundo em matéria de patrimônio.
Temos que definir o que é esse tal de patrimônio primeiro. Diz o bom,velho e desatualizado, com relações ortografia, dicionário Houaiss que ele é:
1 herança familiar,
2 conjunto dos bens familiares,
3 grande abundância (figurado),
4 bem ou conjunto de bens naturais ou culturais de importância reconhecida (que é como o usa a Unesco) e
5 conjunto de bens, direitos e obrigações economicamente apreciáveis, pertencentes a uma pessoa jurídica, estatal ou privada, ou física (jurídico).
Se formos nos ater a definição utilizada pela Unesco, veremos que a situação não anda muito boa. A perda de diversidade cultural e biológica, e seus respectivos sítios significativos, é pública e notória. Mas se formos adotar o significado jurídico é que a coisa fica preta.
Acreditando-se em medidas como o PIB para avaliar, temos a impressão de que o patrimônio do conjunto das pessoas está crescendo; infelizmente não é verdade. Pode ser que não seja o mais correto eticamente, porém é a realidade apreciável, mas a Humanidade encara que tudo existente sobre a Terra, produzido pelo Homem ou não, faz parte de sua propriedade. Até aquilo que os antigos chamavam de obra de Deus. Os pássaros, os rios, os mares e as vezes até outras pessoas; tudo enfim. Não é atoa que existem tratados internacionais para orientar a exploração dos recursos naturais.
Lavoisier, entretanto, já dizia que, na natureza, nada se perde, nada se cria, tudo se transforma. Enquanto Barbosa acreditava que a máxima valia também para a arte.
A ser verdade a Lei de Conservação da Massa acima em negrito, e nada mostrou que não seja até agora, fica demonstrado que a cada ser humano a mais no mundo, menor o patrimônio per capta resultante. Não adianta o auto-engano das identidades monetárias e do desenvolvimento sustentável eterno, estamos ficando mais pobres.
Então, se você preocupa-se com a riqueza do Homem, esqueçais aquela conversa de crescei-vos e multiplicai-vos.
Reproduza-se com parcimônia.
Temos que definir o que é esse tal de patrimônio primeiro. Diz o bom,velho e desatualizado, com relações ortografia, dicionário Houaiss que ele é:
1 herança familiar,
2 conjunto dos bens familiares,
3 grande abundância (figurado),
4 bem ou conjunto de bens naturais ou culturais de importância reconhecida (que é como o usa a Unesco) e
5 conjunto de bens, direitos e obrigações economicamente apreciáveis, pertencentes a uma pessoa jurídica, estatal ou privada, ou física (jurídico).
Se formos nos ater a definição utilizada pela Unesco, veremos que a situação não anda muito boa. A perda de diversidade cultural e biológica, e seus respectivos sítios significativos, é pública e notória. Mas se formos adotar o significado jurídico é que a coisa fica preta.
Acreditando-se em medidas como o PIB para avaliar, temos a impressão de que o patrimônio do conjunto das pessoas está crescendo; infelizmente não é verdade. Pode ser que não seja o mais correto eticamente, porém é a realidade apreciável, mas a Humanidade encara que tudo existente sobre a Terra, produzido pelo Homem ou não, faz parte de sua propriedade. Até aquilo que os antigos chamavam de obra de Deus. Os pássaros, os rios, os mares e as vezes até outras pessoas; tudo enfim. Não é atoa que existem tratados internacionais para orientar a exploração dos recursos naturais.
Lavoisier, entretanto, já dizia que, na natureza, nada se perde, nada se cria, tudo se transforma. Enquanto Barbosa acreditava que a máxima valia também para a arte.
A ser verdade a Lei de Conservação da Massa acima em negrito, e nada mostrou que não seja até agora, fica demonstrado que a cada ser humano a mais no mundo, menor o patrimônio per capta resultante. Não adianta o auto-engano das identidades monetárias e do desenvolvimento sustentável eterno, estamos ficando mais pobres.
Então, se você preocupa-se com a riqueza do Homem, esqueçais aquela conversa de crescei-vos e multiplicai-vos.
Reproduza-se com parcimônia.
quinta-feira, 8 de janeiro de 2009
Perspectiva para a Bolsa
Não gosto, muito, de ficar metendo-me a guru, vidente ou qualquer coisas do gênero, mas vou dar aqui um palpite.
Pegue todo o dinheiro que você tem sobrando e coloque na bolsa, antes que seja tarde.
Já escrevi neste blog que a economia brasileira sairá desta crise relativamente bem, comparando a de outros países por aí. E quando a economia vai bem, a Bolsa segue.
Se você não acredita em mim, acredite nos profissionais. Daniele Camba, articulista do Valor Econômico, apontou, em sua coluna do dia 06 de janeiro, que as consultorias econômicas trabalham com previsões para o fechamento do Ibovespa no final do ano que variam de 49 a 90 mil pontos.
Está certo que eles não são muito confiáveis, mas não têm como estar errados sempre.
É só olhar em quantos pontos está o Ibovespa hoje para ver que a coisa tende só a melhorar.
Pegue todo o dinheiro que você tem sobrando e coloque na bolsa, antes que seja tarde.
Já escrevi neste blog que a economia brasileira sairá desta crise relativamente bem, comparando a de outros países por aí. E quando a economia vai bem, a Bolsa segue.
Se você não acredita em mim, acredite nos profissionais. Daniele Camba, articulista do Valor Econômico, apontou, em sua coluna do dia 06 de janeiro, que as consultorias econômicas trabalham com previsões para o fechamento do Ibovespa no final do ano que variam de 49 a 90 mil pontos.
Está certo que eles não são muito confiáveis, mas não têm como estar errados sempre.
É só olhar em quantos pontos está o Ibovespa hoje para ver que a coisa tende só a melhorar.
quarta-feira, 7 de janeiro de 2009
Que os vizinhos apressem-se
Vai faltar ativo para que os vizinhos tunguem, então é melhor que sejam rápidos. Se até quem não faz fronteira conosco já está colocando suas manguinhas de fora, como o Equador, imaginem os que estão aí do lado.
O Paraguai já escolheu seu quinhão. Quer levar Itaipu de presente. Ou melhor, quer levar o resto de Itaipu de presente.
Itaipu Binacional é, como o próprio nome diz, uma empresa partilhada entre os acionistas, Brasil e Paraguai, em partes iguais. Mais do que para a segurança energética do Brasil, foi concebida, por brasileiros, para cessar com quaisquer problemas de fronteira e selar uma parceria estratégica. O capital para iniciar a empresa foi 100% brasileiro (emprestamos o capital inicial que eles não tinham) e o resto foi financiado, com a parte de maior credibilidade creditícia sendo o Brasil. O Paraguai entrou com sua parte em água e apoio moral.
Por ser estratégica, a empresa não visa o lucro e toda a energia produzida deve ser comprada e dividida em partes iguais entre, e deve ser consumida pelos, países acionistas, mas o excedente não-consumido pode ser comprado pelo outro. As tarifas da energia são para cobrir os custos, de produção e de amortização da dívida.
Devido a falta de demanda paraguaia, o Brasil acaba utilizando 95% da energia produzida pela usina. A parte efetivamente consumida pelo Brasil é responsável por aproximadamente 20% da nossa matriz elétrica, enquanto os 5% que o Paraguai utiliza respondem por 95% da matriz deles. Como a segurança energética é desprezada por essas bandas como tema de debate, a desproporção reflete a importância que é dada à usina na política interna de cada país. Irrisória no Brasil, imensa no Paraguai.
A revisão do acordo de criação de da empresa binacional ou, no mínimo, das tarifas pagas pelo Brasil, e conseqüente ganhos nos royalties recebidos pelo Paraguai, foi uma das mais poderosas plataformas da campanha que levou Fernado Lugo ao poder. A proposta apresentada ao Brasil para uma renegociação oscila entre a sandice e a desrespeito ao direito internacional.
A falta de respeito seria entre o acordo firmado para que toda a energia seja utilizada pelos sócios. Ela é baseada em uma situação conjuntural. A Argentina, que foi historicamente um exportador líquido, tornou-se importador de energia e o Paraguai vê aí uma oportunidade de fazer caixa. A insanidade na proposta de que, baseado em seu histórico de utilização da produção, o Brasil assuma 95% da dívida da empresa. Equivalente a espetar na conta do cliente a dívida da loja.
As lideranças esquerdistas que chegaram ao poder na América Latina têm tentado fazer revisões contratuais alegando que os acordos assinados pelos governos anteriores são incorretos: a)politicamente; b)economicamente; c)juricamente, e d)todos os anteriores. Itaipu Binacional foi uma benção para o Paraguai economicamente falando; juridicamente foi assinado por partes soberanas e aptas a tal, sem o uso de força. Politicamente tudo é contestável, pois mutáveis são, por definição, os governos em que há confrontação política e os "interesses nacionais" que defendem. Mas mesmo aí fica difícil defender a revisão, já que o acordo serviu de veículo para dirimir conflitos históricos entre as partes.
Pelas resoluções anteriores dos contenciosos Brasil-resto da América do Sul, fica difícil acreditar que passaremos ilesos da reivindicação paraguaia. Espero que a ferida não seja muito funda, afinal há Peru, Chile, Guiana, Suriname e França na fila.
O Paraguai já escolheu seu quinhão. Quer levar Itaipu de presente. Ou melhor, quer levar o resto de Itaipu de presente.
Itaipu Binacional é, como o próprio nome diz, uma empresa partilhada entre os acionistas, Brasil e Paraguai, em partes iguais. Mais do que para a segurança energética do Brasil, foi concebida, por brasileiros, para cessar com quaisquer problemas de fronteira e selar uma parceria estratégica. O capital para iniciar a empresa foi 100% brasileiro (emprestamos o capital inicial que eles não tinham) e o resto foi financiado, com a parte de maior credibilidade creditícia sendo o Brasil. O Paraguai entrou com sua parte em água e apoio moral.
Por ser estratégica, a empresa não visa o lucro e toda a energia produzida deve ser comprada e dividida em partes iguais entre, e deve ser consumida pelos, países acionistas, mas o excedente não-consumido pode ser comprado pelo outro. As tarifas da energia são para cobrir os custos, de produção e de amortização da dívida.
Devido a falta de demanda paraguaia, o Brasil acaba utilizando 95% da energia produzida pela usina. A parte efetivamente consumida pelo Brasil é responsável por aproximadamente 20% da nossa matriz elétrica, enquanto os 5% que o Paraguai utiliza respondem por 95% da matriz deles. Como a segurança energética é desprezada por essas bandas como tema de debate, a desproporção reflete a importância que é dada à usina na política interna de cada país. Irrisória no Brasil, imensa no Paraguai.
A revisão do acordo de criação de da empresa binacional ou, no mínimo, das tarifas pagas pelo Brasil, e conseqüente ganhos nos royalties recebidos pelo Paraguai, foi uma das mais poderosas plataformas da campanha que levou Fernado Lugo ao poder. A proposta apresentada ao Brasil para uma renegociação oscila entre a sandice e a desrespeito ao direito internacional.
A falta de respeito seria entre o acordo firmado para que toda a energia seja utilizada pelos sócios. Ela é baseada em uma situação conjuntural. A Argentina, que foi historicamente um exportador líquido, tornou-se importador de energia e o Paraguai vê aí uma oportunidade de fazer caixa. A insanidade na proposta de que, baseado em seu histórico de utilização da produção, o Brasil assuma 95% da dívida da empresa. Equivalente a espetar na conta do cliente a dívida da loja.
As lideranças esquerdistas que chegaram ao poder na América Latina têm tentado fazer revisões contratuais alegando que os acordos assinados pelos governos anteriores são incorretos: a)politicamente; b)economicamente; c)juricamente, e d)todos os anteriores. Itaipu Binacional foi uma benção para o Paraguai economicamente falando; juridicamente foi assinado por partes soberanas e aptas a tal, sem o uso de força. Politicamente tudo é contestável, pois mutáveis são, por definição, os governos em que há confrontação política e os "interesses nacionais" que defendem. Mas mesmo aí fica difícil defender a revisão, já que o acordo serviu de veículo para dirimir conflitos históricos entre as partes.
Pelas resoluções anteriores dos contenciosos Brasil-resto da América do Sul, fica difícil acreditar que passaremos ilesos da reivindicação paraguaia. Espero que a ferida não seja muito funda, afinal há Peru, Chile, Guiana, Suriname e França na fila.
terça-feira, 6 de janeiro de 2009
Desperdiçando desenvolvimento II
Já defendi nesta página que o Brasil pode não ter alcançado um grau maior de desenvolvimento social devido à abundância relativa de mão-de-obra, que teria causado uma cultura de desvaloração do trabalho, agravada, mesmo após o seu fim, pela escravatura. O, atualmente, deputado Paulo Renato de Souza defendeu, em sua tese de doutorado, que a grande massa de migrantes do meio rural para os centros urbanos em processo de industrialização foi o fator que permitiu a compressão salarial, na terminologia cara aos sindicalistas.
É claro, entretanto, que a escassez não é um garantia de desenvolvimento. Caso isso fosse verdadeiro, os países localizados no Saara seriam os mais desenvolvidos do mundo. O encarecimento relativo aos outros preços da economia, no entanto, leva a um melhor aproveitamento de qualquer recurso e, freqüentemente, a avanços tecnológicos poupadores do mesmo. De certa forma, estamos, no Brasil, sendo vítimas dessa poupança.
Tecnologias vindas dos países desenvolvidos, nos quais há escassez estrutural de mão-de-obra, são adotadas aqui onde há falta de empregos para a população jovem que entra na população economicamente ativa a cada ano. O pior é que contribuímos para isso com uma lei trabalhista que torna um empregado um investimento maior do que um equipamento. Enquanto uma máquina custa o valor que se paga por ela e mais manutenção, um humano custa para ser encontrado, mantido e dispensado, com um adicional de risco judicial enorme.
Deve-se, portanto, neste momento de reflexão sobre o futuro, que caracteriza os primeiros dias do ano, pensar uma maneira de impedir que nosso capital humano fique ocioso. A reforma trabalhista é, mais do que qualquer outra, a essencial agora. Como ela não é de interesse dos sindicatos organizados que mandam no governo, continuaremos desperdiçando nosso fundo de serviços.
É claro, entretanto, que a escassez não é um garantia de desenvolvimento. Caso isso fosse verdadeiro, os países localizados no Saara seriam os mais desenvolvidos do mundo. O encarecimento relativo aos outros preços da economia, no entanto, leva a um melhor aproveitamento de qualquer recurso e, freqüentemente, a avanços tecnológicos poupadores do mesmo. De certa forma, estamos, no Brasil, sendo vítimas dessa poupança.
Tecnologias vindas dos países desenvolvidos, nos quais há escassez estrutural de mão-de-obra, são adotadas aqui onde há falta de empregos para a população jovem que entra na população economicamente ativa a cada ano. O pior é que contribuímos para isso com uma lei trabalhista que torna um empregado um investimento maior do que um equipamento. Enquanto uma máquina custa o valor que se paga por ela e mais manutenção, um humano custa para ser encontrado, mantido e dispensado, com um adicional de risco judicial enorme.
Deve-se, portanto, neste momento de reflexão sobre o futuro, que caracteriza os primeiros dias do ano, pensar uma maneira de impedir que nosso capital humano fique ocioso. A reforma trabalhista é, mais do que qualquer outra, a essencial agora. Como ela não é de interesse dos sindicatos organizados que mandam no governo, continuaremos desperdiçando nosso fundo de serviços.
segunda-feira, 5 de janeiro de 2009
Alguma coisa está muito errada
Descobrimos que há algo muito errado com nossas fontes de informação quando se leva mais de uma semana para descobrir que ocorreu a morte de Samuel P. Huntington e apenas poucas horas que partiu dessa para uma melhor o Bandido, que, ao que consta, era mal, pegava um, pegava geral.
Nem é que eu concordasse com as teorias do estudioso, mas acho que ele era mais útil ao mundo do que o touro. Só que do bovino já há 6 clones, do humano teremos só os livros, o que pode não ser pouca coisa, porém não evoluem mais.
É, talvez não sejam apenas minhas fontes que estão erradas, mas o mundo inteiro.
Nem é que eu concordasse com as teorias do estudioso, mas acho que ele era mais útil ao mundo do que o touro. Só que do bovino já há 6 clones, do humano teremos só os livros, o que pode não ser pouca coisa, porém não evoluem mais.
É, talvez não sejam apenas minhas fontes que estão erradas, mas o mundo inteiro.
domingo, 4 de janeiro de 2009
Incursão terrestre
Devo admitir que a incursão terrestre das tropas israelenses à Gaza surpreendeu-me. É a típica situação em que se tem pouco a ganhar e muito a perder.
Os foguetes lançados de Gaza são uma ameaça muito maior à moral do que à existência do Estado de Israel. Parece-me que eles mataram 4 pessoas desde que começaram a ser lançados. Os combates no campo inimigo será provavelmente mais mortal para os militares de Israel.
Acontece que cada vítima dessa guerra será um troféu para o Hamas. Uma israelense, exibida como prova do poderio das milícias por ele comandadas.Uma palestina, como um mártir, se combatente, ou um inocente assassinado pelas forças ocupantes, se não. Para as tropas israelenses o efeito será quase diametralmente inverso. Toda e qualquer vítima será um ônus da ação vista como desproporcional. E já vimos este filme. Ocorreu o mesmo com relação ao Hezbollah.
O fato é que o Hamas atraiu os israelenses para Gaza deliberadamente. Fez isso para fortalecer-se no imaginário palestino como sua contraparte libanesa. Mas o que levou o governo israelense a agir? Creio que a fraqueza política provocada pelo escândalo em que o primeiro-ministro Olmert viu-se envolvido a mais de um ano, resultando em antecipação das eleições. O Kadima precisa mostrar que é viável para a votação marcada para fevereiro, e o faz por meio das armas. É uma estratégia arriscada pois pressupõe que não ocorrerão muitas baixas nas tropas e que a missão será curta. Qualquer outro cenário será usado pela oposição como sinal de que o governo atual é incompetente para lidar com as questões de segurança.
Espero que o menor número possível de civis seja afetado, embora saiba que milhares serão.
Os foguetes lançados de Gaza são uma ameaça muito maior à moral do que à existência do Estado de Israel. Parece-me que eles mataram 4 pessoas desde que começaram a ser lançados. Os combates no campo inimigo será provavelmente mais mortal para os militares de Israel.
Acontece que cada vítima dessa guerra será um troféu para o Hamas. Uma israelense, exibida como prova do poderio das milícias por ele comandadas.Uma palestina, como um mártir, se combatente, ou um inocente assassinado pelas forças ocupantes, se não. Para as tropas israelenses o efeito será quase diametralmente inverso. Toda e qualquer vítima será um ônus da ação vista como desproporcional. E já vimos este filme. Ocorreu o mesmo com relação ao Hezbollah.
O fato é que o Hamas atraiu os israelenses para Gaza deliberadamente. Fez isso para fortalecer-se no imaginário palestino como sua contraparte libanesa. Mas o que levou o governo israelense a agir? Creio que a fraqueza política provocada pelo escândalo em que o primeiro-ministro Olmert viu-se envolvido a mais de um ano, resultando em antecipação das eleições. O Kadima precisa mostrar que é viável para a votação marcada para fevereiro, e o faz por meio das armas. É uma estratégia arriscada pois pressupõe que não ocorrerão muitas baixas nas tropas e que a missão será curta. Qualquer outro cenário será usado pela oposição como sinal de que o governo atual é incompetente para lidar com as questões de segurança.
Espero que o menor número possível de civis seja afetado, embora saiba que milhares serão.
sábado, 3 de janeiro de 2009
Sensatez, não pessimismo
Os personagens desta reportagem, pelo que parece, são apontados como pessimistas, mas são, no máximo, sensatos ao falar o que qualquer um pode ver e não tem coragem de dizer.
Apostar contra os Estados Unidos, uma potência militar, é considerado loucura desde o colapso da União Soviética. Livros como O fim da História e o último homem, de Fukuyama, propagaram a idéia de que o capitalismo de viés norte-americano havia triunfado e congelaria o poder mundial, mantendo-o com os países ricos ocidentais. Alguns aplicadores começaram a achar que não havia risco na revogação da lógica que passou a imperar na economia estadunidense.
Lendo meu blog, vocês perceberam que apóio a tese de que a nobreza está em consumir, gerando bem-estar à população, e que a produção serve apenas para dar suporte para a sociedade fazê-lo. Há também, porém, uma versão, que considero inversão de valores, que leva economistas a pensar que se deve sempre aumentar a produção, pois ela cria o consumo e o bem-estar. Esta tese é baseada na chamada "Lei de Say".
Nos Estados Unidos a tese invertida parece não ter encontrado solo onde se enraizar. Em compensação, criou-se uma radicalização da sociedade de consumo. Pensou-se que se poderia consumir sem produzir. Que um país com déficits externos imensos, e crescentes, poderia manter-se consumindo eternamente mais do que produz, e que as demais nações permitiriam isso indefinidamente, financiando-o ad eternum. Um arranjo impossível, mas que os analistas consideravam desejável e, portanto, procuravam justificar sua manutenção.
Os três analistas da reportagem saíram da manada. E estão certos em fazê-lo. O que dizem é puro bom senso e fatos históricos. O último país a cair em uma armadilha semelhante àquela em que os Estados Unidos entraram, o Japão, ainda se debate com o baixo crescimento, permeado por períodos de recessão prolongada. Os investidores que fugiram para o dólar não demorarão a perceber que, se no curto foi uma boa escolha, o diferencial o crescimento mundial e o (des)crescimento estadunidense derrubarão o valor da moeda, o que, somado aos baixos juros pagos pelo Tesouro daquele país, redundará em prejuízos. Pelo mesmo motivo as ações das empresas dos países chamados emergentes serão as mais lucrativas do período.
Vemos, então, que esses analistas estão rindo agora e permanecerão com sorrisos por um bom tempo.
Apostar contra os Estados Unidos, uma potência militar, é considerado loucura desde o colapso da União Soviética. Livros como O fim da História e o último homem, de Fukuyama, propagaram a idéia de que o capitalismo de viés norte-americano havia triunfado e congelaria o poder mundial, mantendo-o com os países ricos ocidentais. Alguns aplicadores começaram a achar que não havia risco na revogação da lógica que passou a imperar na economia estadunidense.
Lendo meu blog, vocês perceberam que apóio a tese de que a nobreza está em consumir, gerando bem-estar à população, e que a produção serve apenas para dar suporte para a sociedade fazê-lo. Há também, porém, uma versão, que considero inversão de valores, que leva economistas a pensar que se deve sempre aumentar a produção, pois ela cria o consumo e o bem-estar. Esta tese é baseada na chamada "Lei de Say".
Nos Estados Unidos a tese invertida parece não ter encontrado solo onde se enraizar. Em compensação, criou-se uma radicalização da sociedade de consumo. Pensou-se que se poderia consumir sem produzir. Que um país com déficits externos imensos, e crescentes, poderia manter-se consumindo eternamente mais do que produz, e que as demais nações permitiriam isso indefinidamente, financiando-o ad eternum. Um arranjo impossível, mas que os analistas consideravam desejável e, portanto, procuravam justificar sua manutenção.
Os três analistas da reportagem saíram da manada. E estão certos em fazê-lo. O que dizem é puro bom senso e fatos históricos. O último país a cair em uma armadilha semelhante àquela em que os Estados Unidos entraram, o Japão, ainda se debate com o baixo crescimento, permeado por períodos de recessão prolongada. Os investidores que fugiram para o dólar não demorarão a perceber que, se no curto foi uma boa escolha, o diferencial o crescimento mundial e o (des)crescimento estadunidense derrubarão o valor da moeda, o que, somado aos baixos juros pagos pelo Tesouro daquele país, redundará em prejuízos. Pelo mesmo motivo as ações das empresas dos países chamados emergentes serão as mais lucrativas do período.
Vemos, então, que esses analistas estão rindo agora e permanecerão com sorrisos por um bom tempo.
sexta-feira, 2 de janeiro de 2009
Desperdiçando desenvolvimento
Em artigo sobre a busca de novas formas de contabilização da riqueza que não o PIB, Washington Novaes (íntegra aqui) relata que, a respeito do transporte, "o paulistano consome em média duas horas diárias para isso; multiplicadas por 5 milhões de pessoas, serão 10 milhões de horas por dia, que, multiplicadas pelo número de dias no ano e pelo valor médio da hora de trabalho, produzirão um valor fantástico - que, se pudesse ser transposto para investimento em transportes públicos (ampliação da rede do metrô, por exemplo), em poucos anos melhoraria extraordinariamente a qualidade de vida dos cidadãos."
Capital é, classicamente, definido como o fator socialmente produzido utilizado, no sistema capitalista, na produção de bens e serviços destinados à venda (as mercadorias). Georgescu-Roegen o divide em dois: os fundos de serviço e os estoques. Os primeiros são formados por máquinas, prédios e equivalentes, e o segundos por matérios-primas, produtos acabados e peças de reposição. Estes podem ser armazenados enquanto aqueles constituem desperdício quando não utilizados.
Para entender como ocorre o desperdício devemos nos atentar para a natureza destes fundos de serviço. Como o próprio nome indica, eles têm como função prestar algum serviço econômico durante o processo de produção de um bem ou serviço sem incorporar-se ao produto final. É, portanto, um capital do qual se frui o tempo efetivamente usado e apenas ele. Como o tempo não pode ser estocado, por mais que esse seja o sonho de quase todos, deixar de utilizar um fundo de serviço equivale a desperdiçar tempo e, como sabemos a relação entre eles, dinheiro. A idéia proposta por Georgescu-Roegen é, como vimos, facilmente demonstrável. Se não é mais utilizada na análise econômica neoclássica é porque seu cálculo agrega uma complexidade que poucos querem enfrentar.
O conceito de capital humano segue as mesmas linhas gerais, e é todo do tipo fundo de serviços. Apesar das questões éticas envolvidas - alguns recusam-se a considerar pessoas, e não o ente abstrato trabalho, como parte da engrenagem da produção capitalista -, a não utilização plena desse tipo de capital tem implicações para o país além das sociais, que podem ser mitigadas com ações distributivas, como o Bolsa-família. Essa falha econômica resulta no empobrecimento geral da nação, pelo não aproveitamento de potencialidades que não podem ser estocadas.
A plena utilização do nosso capital humano, seja diminuindo a taxa de desemprego, seja melhorando a eficiência do transporte coletivo para que ele não fique represado em congestionamentos constantes, como os paulistanos, deve ser a busca de todos os governantes deste país. Qualquer coisa diferente disso é contraproducente para o desenvolvimento.
Capital é, classicamente, definido como o fator socialmente produzido utilizado, no sistema capitalista, na produção de bens e serviços destinados à venda (as mercadorias). Georgescu-Roegen o divide em dois: os fundos de serviço e os estoques. Os primeiros são formados por máquinas, prédios e equivalentes, e o segundos por matérios-primas, produtos acabados e peças de reposição. Estes podem ser armazenados enquanto aqueles constituem desperdício quando não utilizados.
Para entender como ocorre o desperdício devemos nos atentar para a natureza destes fundos de serviço. Como o próprio nome indica, eles têm como função prestar algum serviço econômico durante o processo de produção de um bem ou serviço sem incorporar-se ao produto final. É, portanto, um capital do qual se frui o tempo efetivamente usado e apenas ele. Como o tempo não pode ser estocado, por mais que esse seja o sonho de quase todos, deixar de utilizar um fundo de serviço equivale a desperdiçar tempo e, como sabemos a relação entre eles, dinheiro. A idéia proposta por Georgescu-Roegen é, como vimos, facilmente demonstrável. Se não é mais utilizada na análise econômica neoclássica é porque seu cálculo agrega uma complexidade que poucos querem enfrentar.
O conceito de capital humano segue as mesmas linhas gerais, e é todo do tipo fundo de serviços. Apesar das questões éticas envolvidas - alguns recusam-se a considerar pessoas, e não o ente abstrato trabalho, como parte da engrenagem da produção capitalista -, a não utilização plena desse tipo de capital tem implicações para o país além das sociais, que podem ser mitigadas com ações distributivas, como o Bolsa-família. Essa falha econômica resulta no empobrecimento geral da nação, pelo não aproveitamento de potencialidades que não podem ser estocadas.
A plena utilização do nosso capital humano, seja diminuindo a taxa de desemprego, seja melhorando a eficiência do transporte coletivo para que ele não fique represado em congestionamentos constantes, como os paulistanos, deve ser a busca de todos os governantes deste país. Qualquer coisa diferente disso é contraproducente para o desenvolvimento.
quinta-feira, 1 de janeiro de 2009
50 anos depois
Hoje completam-se 50 anos de um golpe que transformou um tirano em símbolo do socialismo latino-americano e um louco em ícone da resistência popular ao capitalismo. Respectivamente, Fidel Castro e Esnesto "Che" Guevara.
O editorial do Estadão faz uma retrospectiva sobre o efeito do ato nesse meio século. Eu quero falar sobre algo mais prosaico. A aura que estas figuras ainda têm para a esquerda brasileira.
Há cerca de 5 anos, uma amiga voltou de Cuba, de uma viagem de férias, e falou-me entusiasmada de como eram mentirosas as afirmações de que não existe liberdade de imprensa na ilha, citando as pilhas de livros criticando Castro que havia visto nas livrarias que visitara. Com entusiasmo ainda maior, relatou o quão esperto era o ditador por ter criado duas moedas, uma para turistas e outras para os residentes.
Não tenho como contestar a primeira fala, já que nunca estive em Cuba, o que lamento. Quanto à esperteza das duas moedas, faz-me rir.
Só mesmo a esquerda que vê o povo como uma abstração pode achar que um Estado em que circulam moedas diferentes para as diversas classes de consumidor uma boa idéia (exercerei meu direito legal de usar este acento por algum tempo). Essa e outras medidas econômicas do ditadura cubana só servem para transformar uma outrora próspera, mas desigual, ilha em uma pedinte internacional usada, desde muito, como uma arma moral contra os Estados Unidos da América.
O fato de existir mais de uma moeda corrente é o maior indício da falência de um Estado. O que só é confirmado pelo mercado negro e o abandono de funções do médio escalão da burocracia estatal pela população para assumir postos na indústria do turismo para ter acesso a moeda estrangeira e, assim, melhorar os rendimentos.
O regime cubano está moribundo como seu ex-líder. Se ainda não caiu, deve dar graças aos estadunidenses, que, devido à ações impensadas, deu munição ideológica ao castrismo como pobres revolucionários contra o império. Segue massacrando, porém, a população de uma ilha que é visitada por milhares de turistas anualmente por suas belezas naturais e suas características de museu do esquerdismo de características comunistas.
Que uma geração de pessoas estudadas e bem-intencionadas em países democráticos ainda nutram admiração por pessoas que cometeram uma infinidade de assassinatos deliberados, à bala, ou não - por fome, doença e perseguições - é um mistério para mim. Que os vejam como símbolo e ícone positivos, lastimável.
O editorial do Estadão faz uma retrospectiva sobre o efeito do ato nesse meio século. Eu quero falar sobre algo mais prosaico. A aura que estas figuras ainda têm para a esquerda brasileira.
Há cerca de 5 anos, uma amiga voltou de Cuba, de uma viagem de férias, e falou-me entusiasmada de como eram mentirosas as afirmações de que não existe liberdade de imprensa na ilha, citando as pilhas de livros criticando Castro que havia visto nas livrarias que visitara. Com entusiasmo ainda maior, relatou o quão esperto era o ditador por ter criado duas moedas, uma para turistas e outras para os residentes.
Não tenho como contestar a primeira fala, já que nunca estive em Cuba, o que lamento. Quanto à esperteza das duas moedas, faz-me rir.
Só mesmo a esquerda que vê o povo como uma abstração pode achar que um Estado em que circulam moedas diferentes para as diversas classes de consumidor uma boa idéia (exercerei meu direito legal de usar este acento por algum tempo). Essa e outras medidas econômicas do ditadura cubana só servem para transformar uma outrora próspera, mas desigual, ilha em uma pedinte internacional usada, desde muito, como uma arma moral contra os Estados Unidos da América.
O fato de existir mais de uma moeda corrente é o maior indício da falência de um Estado. O que só é confirmado pelo mercado negro e o abandono de funções do médio escalão da burocracia estatal pela população para assumir postos na indústria do turismo para ter acesso a moeda estrangeira e, assim, melhorar os rendimentos.
O regime cubano está moribundo como seu ex-líder. Se ainda não caiu, deve dar graças aos estadunidenses, que, devido à ações impensadas, deu munição ideológica ao castrismo como pobres revolucionários contra o império. Segue massacrando, porém, a população de uma ilha que é visitada por milhares de turistas anualmente por suas belezas naturais e suas características de museu do esquerdismo de características comunistas.
Que uma geração de pessoas estudadas e bem-intencionadas em países democráticos ainda nutram admiração por pessoas que cometeram uma infinidade de assassinatos deliberados, à bala, ou não - por fome, doença e perseguições - é um mistério para mim. Que os vejam como símbolo e ícone positivos, lastimável.
Feliz Ano Novo
O ano que passou não foi dos melhores, mas trouxe novidades interessantes.
Espero que este que agora começa traga novidades e deixe para trás as coisas deploráveis do passado.
Uma que ficará nos livros de história é a presidência de George Walker Bush, e eu creio que pior do que com ele não ficará.
Então vamos comemorar.
Espero que este que agora começa traga novidades e deixe para trás as coisas deploráveis do passado.
Uma que ficará nos livros de história é a presidência de George Walker Bush, e eu creio que pior do que com ele não ficará.
Então vamos comemorar.
quarta-feira, 31 de dezembro de 2008
Não apenas eu
O bom será acordar amanhã e saber que não apenas eu, mas todos, não saberão escrever em língua portuguesa.
As justificativas para a unificação ortográfica, chamada reforma, são que as economias das nações que falam português sairão fortalecidas, principalmente, é claro, no quesito editorial, e que nossa língua ganhará peso diplomático maior.
Elas me parecem risíveis. Nosso mercado editorial não é pequeno por diversidade na forma de escrever, mas por falta de leitores. O mercado editorial brasileiro vende apenas um pouco mais do que o de Portugal, com uma população 19 vezes menor. Para que haja uma melhora nas vendas é necessário que se aumente o número de leitores no Brasil. A ortografia não interfere nas vendas, como Paulo Coelho e Saramago provaram ao vender no mundo afora com suas distintas formas de grafar.
Também não influirá na geopolítica a reforma. Nenhum país de língua portuguesa como oficial ganhará um pingo de importância. A despeito do que foi dito, a língua franca atual, o inglês, também tem diferentes grafias. A diferença é que não se tentou fazer uma imposição política de uma correta. Aceitam-se as variantes britânica e norte-americana como oficiais, ficando ao gosto do escritor escolher a que mais lhe agradar. Força internacional os países ganham atuando, não mudança sua escrita.
De todo modo, não adianta reclamar. O mal está feito e nos resta reaprender.
Até o ano que vem.
As justificativas para a unificação ortográfica, chamada reforma, são que as economias das nações que falam português sairão fortalecidas, principalmente, é claro, no quesito editorial, e que nossa língua ganhará peso diplomático maior.
Elas me parecem risíveis. Nosso mercado editorial não é pequeno por diversidade na forma de escrever, mas por falta de leitores. O mercado editorial brasileiro vende apenas um pouco mais do que o de Portugal, com uma população 19 vezes menor. Para que haja uma melhora nas vendas é necessário que se aumente o número de leitores no Brasil. A ortografia não interfere nas vendas, como Paulo Coelho e Saramago provaram ao vender no mundo afora com suas distintas formas de grafar.
Também não influirá na geopolítica a reforma. Nenhum país de língua portuguesa como oficial ganhará um pingo de importância. A despeito do que foi dito, a língua franca atual, o inglês, também tem diferentes grafias. A diferença é que não se tentou fazer uma imposição política de uma correta. Aceitam-se as variantes britânica e norte-americana como oficiais, ficando ao gosto do escritor escolher a que mais lhe agradar. Força internacional os países ganham atuando, não mudança sua escrita.
De todo modo, não adianta reclamar. O mal está feito e nos resta reaprender.
Até o ano que vem.
terça-feira, 30 de dezembro de 2008
Quando começa mal
Só tende a piorar.
Israel era uma reivindicação histórica dos judeus, mas o modo como foi criado foi o mais absurdo e violento possível, e, como diz o livro sagrado que eles professam, quem com ferro fere, com ferro será ferido.
Desde o fim do século XIX, a colonização da chamada Terra Santa por judeus europeus estava em curso. O nacionalismo baseado em critérios étnico-lingüísticos firmava-se então, e todos que tinham projetos de poder queriam um Estado para chamar de seu. Ao sionista havia o adendo de o Torá citar a terra prometida, dando-lhes, em seu ponto de vista, direitos históricos sobre a área na qual não viviam a milênios.
A solução final nazista apenas acelerou um processo que estava em curso. O radicalizou, porém, ao fazer crer que a melhor maneira de convivência entre culturas diversas era aquela em que estão separadas por fronteiras bem definidas. Ou, melhor dizendo, a não-convivência.
O triste da transformação do nacionalismo do reconhecimento dos povos para o de segregação dos povos é que em seu seio floresceu o racismo. Os movimentos posteriores esmeraram-se em tentar parecer defensivos, mas foram extremamente violentos, responsáveis por inúmeras mortes. O que criou Israel não foi diferente. Gerou o deslocamento de milhões de palestinos e milhares de mortes. Isso para aglutinar uma nação que até o momento não existia.
Há, entretanto, o agravante religioso. Vimos durante o século XX que as tensões puramente nacionalistas acabam por acomodar-se. Guerras por comando de territórios fazem pouco sentido quando os mesmos são destruídos e seus recursos depletados. Isso torna mandatório que, cedo ou tarde, acordos duradouros terminem em convivência pacífica e segregação com compartilhamento das riquezas. Quando há o componente religioso, os resultados são diferentes.
Limpezas étnicas são muito mais freqüentes e os conflitos muito mais duradouros por que a briga passa a ser por algo imaterial. Não existe a depleção da fé, que, ao contrário, muitas vezes ganha corpo em ambientes de guerra. Há uma retroalimentação que acirra os ânimos e, muitas vezes, exige um elemento externo para conter a disputa.
No Kosovo, foi a entrada de tropas multinacionais. A questão israelo-palestina precisará de mecanismo semelhante, mas aqui contamos com um Estado que tem apoio incondicional da maior potência militar da atualidade e, dizem, armas nucleares.
A questão atormentar-nos-á, portanto, por um longo período.
Israel era uma reivindicação histórica dos judeus, mas o modo como foi criado foi o mais absurdo e violento possível, e, como diz o livro sagrado que eles professam, quem com ferro fere, com ferro será ferido.
Desde o fim do século XIX, a colonização da chamada Terra Santa por judeus europeus estava em curso. O nacionalismo baseado em critérios étnico-lingüísticos firmava-se então, e todos que tinham projetos de poder queriam um Estado para chamar de seu. Ao sionista havia o adendo de o Torá citar a terra prometida, dando-lhes, em seu ponto de vista, direitos históricos sobre a área na qual não viviam a milênios.
A solução final nazista apenas acelerou um processo que estava em curso. O radicalizou, porém, ao fazer crer que a melhor maneira de convivência entre culturas diversas era aquela em que estão separadas por fronteiras bem definidas. Ou, melhor dizendo, a não-convivência.
O triste da transformação do nacionalismo do reconhecimento dos povos para o de segregação dos povos é que em seu seio floresceu o racismo. Os movimentos posteriores esmeraram-se em tentar parecer defensivos, mas foram extremamente violentos, responsáveis por inúmeras mortes. O que criou Israel não foi diferente. Gerou o deslocamento de milhões de palestinos e milhares de mortes. Isso para aglutinar uma nação que até o momento não existia.
Há, entretanto, o agravante religioso. Vimos durante o século XX que as tensões puramente nacionalistas acabam por acomodar-se. Guerras por comando de territórios fazem pouco sentido quando os mesmos são destruídos e seus recursos depletados. Isso torna mandatório que, cedo ou tarde, acordos duradouros terminem em convivência pacífica e segregação com compartilhamento das riquezas. Quando há o componente religioso, os resultados são diferentes.
Limpezas étnicas são muito mais freqüentes e os conflitos muito mais duradouros por que a briga passa a ser por algo imaterial. Não existe a depleção da fé, que, ao contrário, muitas vezes ganha corpo em ambientes de guerra. Há uma retroalimentação que acirra os ânimos e, muitas vezes, exige um elemento externo para conter a disputa.
No Kosovo, foi a entrada de tropas multinacionais. A questão israelo-palestina precisará de mecanismo semelhante, mas aqui contamos com um Estado que tem apoio incondicional da maior potência militar da atualidade e, dizem, armas nucleares.
A questão atormentar-nos-á, portanto, por um longo período.
segunda-feira, 29 de dezembro de 2008
Opção por não ensinar
Não sei como são as aulas de geografia hoje, mas quando recebi as primeiras lições de geral o forte era entupir os estudantes com dados que mostravam o quanto o Brasil era grande, bonito, cheiroso e qualquer outro adjetivo positivo que você puder escolher. Daí passávamos para os continentes. A cereja do bolo era informar que existiam apenas dois países transcontinentais: União Soviética e Turquia.
Naquela época eu gostava bastante de geografia. Era um tempo em que nem sonhava que existia marxismo, e que professores dessa matéria o professavam, e acreditava no que falavam.
Foi uma época perdida em matéria de informação e aprendizado. Se eles erravam em questões tão tranqüilas quanto apontar no mapa e dizer qual continente é, que dizer daquelas nas quais há controvérsias.
Hoje não existe mais União Soviética, o número de países transcontinentais cresceu bastante na minha consciência. Há a Rússia, que continua quase a mesma, apesar do desmembramento que sofreu a extinta liderança do mundo socialista, Turquia, França, Inglaterra, Dinamarca, Espanha, Egito, e esses me vêem de cabeça, correndo o risco de haver mais.
Só posso imaginar os motivos que levaram o ensino de geografia a cometer tal deslize. Minha hipótese mais plausível é que houve uma opção política por "esquecer" as antigas possessões coloniais incorporadas aos Estados europeus. Outra é incompetência.
Em qualquer das duas possibilidades os interesses dos alunos, entre os quais eu, foram deixadas de lado. Conhecimento deixou de ser construído por falta de acesso a informações. Como disse no começo do texto, não sei como são as aulas de geografia hoje, mas duvido que os alunos estejam melhor servidos, já que o ensino universitário da matéria segue com as mesmas diretrizes.
Naquela época eu gostava bastante de geografia. Era um tempo em que nem sonhava que existia marxismo, e que professores dessa matéria o professavam, e acreditava no que falavam.
Foi uma época perdida em matéria de informação e aprendizado. Se eles erravam em questões tão tranqüilas quanto apontar no mapa e dizer qual continente é, que dizer daquelas nas quais há controvérsias.
Hoje não existe mais União Soviética, o número de países transcontinentais cresceu bastante na minha consciência. Há a Rússia, que continua quase a mesma, apesar do desmembramento que sofreu a extinta liderança do mundo socialista, Turquia, França, Inglaterra, Dinamarca, Espanha, Egito, e esses me vêem de cabeça, correndo o risco de haver mais.
Só posso imaginar os motivos que levaram o ensino de geografia a cometer tal deslize. Minha hipótese mais plausível é que houve uma opção política por "esquecer" as antigas possessões coloniais incorporadas aos Estados europeus. Outra é incompetência.
Em qualquer das duas possibilidades os interesses dos alunos, entre os quais eu, foram deixadas de lado. Conhecimento deixou de ser construído por falta de acesso a informações. Como disse no começo do texto, não sei como são as aulas de geografia hoje, mas duvido que os alunos estejam melhor servidos, já que o ensino universitário da matéria segue com as mesmas diretrizes.
sábado, 27 de dezembro de 2008
Programada e irresponsável
A respeito da menção da obsolescência programada que fiz no texto de ontem, cabe uma explicação.
Referi-me a ela como ecológica e eticamente contestável. Quanto à parte ética, pode-se até discutir. O fato de fazer-se um produto com durabilidade menor do que a possível para obrigar compras freqüentes e maior dispêndio do consumidor foi uma forma que as economias ditas avançadas encontraram para manter os fluxos econômicos fluindo, e tem seus defensores.
Já a parte ecológica é totalmente condenável mesmo.
Charles Miller, não o do futebol, mas o do livro Os economistas e as relações entre o sistema econômico e o meio ambiente relata que: "As leis da termodinâmica asseguram que, numa perspectiva temporal suficientemente longa, a quantidade de resíduos e dejetos emanados pelo sistema econômico é igual, em massa, à quantidade de combustíveis e matérias-primas que ingressam no sistema e que são por ele transformados, deduzidos os materiais que se acumulam na economia, e os por esta reciclados".
Como vemos, a poluição é inversamente proporcional ao patrimônio que uma dada sociedade consegue acumular. A obsolescência programada é, nesse sentido, um crime ambiental e um atentado contra a sociedade que a patrocina.
Governos que a permitem são co-autores do crime, e sociedades que fecham os olhos para isso facilitam o trabalho de seus algozes.
Referi-me a ela como ecológica e eticamente contestável. Quanto à parte ética, pode-se até discutir. O fato de fazer-se um produto com durabilidade menor do que a possível para obrigar compras freqüentes e maior dispêndio do consumidor foi uma forma que as economias ditas avançadas encontraram para manter os fluxos econômicos fluindo, e tem seus defensores.
Já a parte ecológica é totalmente condenável mesmo.
Charles Miller, não o do futebol, mas o do livro Os economistas e as relações entre o sistema econômico e o meio ambiente relata que: "As leis da termodinâmica asseguram que, numa perspectiva temporal suficientemente longa, a quantidade de resíduos e dejetos emanados pelo sistema econômico é igual, em massa, à quantidade de combustíveis e matérias-primas que ingressam no sistema e que são por ele transformados, deduzidos os materiais que se acumulam na economia, e os por esta reciclados".
Como vemos, a poluição é inversamente proporcional ao patrimônio que uma dada sociedade consegue acumular. A obsolescência programada é, nesse sentido, um crime ambiental e um atentado contra a sociedade que a patrocina.
Governos que a permitem são co-autores do crime, e sociedades que fecham os olhos para isso facilitam o trabalho de seus algozes.
sexta-feira, 26 de dezembro de 2008
Que se meça realmente a riqueza
O modo como medimos algo não é neutro. Ao escolhermos uma forma de medição ou mesmo uma unidade de medida, influenciamos o medido e, no caso das atividades humanas, podemos transformar todo o ambiente estudado. Tanto é assim, que as nações são muito relutantes em abrir mão de suas unidades culturalmente embasadas para assumir o chamado Sistema Internacional de Unidades SI.
A economia é um grande exemplo de como o modo como é feita a medição pode influenciar o objeto medido. A opção pelo PIB como medida de riqueza traz uma série de concepções que mascaram a riqueza de uma sociedade, e a forma como essa está sendo gerida.
A coisa já começa mal. O PIB não mede riqueza, mas fluxo monetário. Toma-se como verdadeiro que onde há grande fluxo, existe grande riqueza; ou seja, é uma convenção apenas. Acaba, como diz o dito popular, misturando pato com ganso, e os igualando.
O pior é que serve como base para outras medidas e ações. O PNUD, por exemplo, o utiliza como esteio no cálculo do desenvolvimento humano, IDH. Países o utilizam para mostrar poder, muitas vezes com índices maquiados. E o crescimento econômico a todo custo vira a meta principal devido à fé de que o Produto Interno Bruto indica o caminha da prosperidade, mesmo quando utilizados expedientes contestáveis ecológica e eticamente, como a obsolescência programada.
A idéia de que o PIB é o bom é tão forte que consegue até milagres. Fez com uma postagem minha fosse lida(raridade das raridades) e contestada por alguém que aparentemente sabia do que estava falando. Observem que, em termos gerai, o leitor Mendonça não estava contestando o que eu havia escrito, mas ressaltando a importância da renda, que é uma função do PIB. O detalhe é que as importações entram no cálculo do PIB diminuindo-o, enquanto as exportações o aumentam. Daí a defesa apaixonada do exportar.
Faz-se necessária mudança da forma de medição de nossa prosperidade. O Patrimônio Líquido Nacional (e aqui) parece-me a melhor maneira de efetuá-la. Cabe-nos não aceitar passivamente a lorota de que estamos mais ricos só porque o PIB cresceu. No mínimo, devemos fazer com que os dirigentes nos expliquem como isso ocorreu.
A economia é um grande exemplo de como o modo como é feita a medição pode influenciar o objeto medido. A opção pelo PIB como medida de riqueza traz uma série de concepções que mascaram a riqueza de uma sociedade, e a forma como essa está sendo gerida.
A coisa já começa mal. O PIB não mede riqueza, mas fluxo monetário. Toma-se como verdadeiro que onde há grande fluxo, existe grande riqueza; ou seja, é uma convenção apenas. Acaba, como diz o dito popular, misturando pato com ganso, e os igualando.
O pior é que serve como base para outras medidas e ações. O PNUD, por exemplo, o utiliza como esteio no cálculo do desenvolvimento humano, IDH. Países o utilizam para mostrar poder, muitas vezes com índices maquiados. E o crescimento econômico a todo custo vira a meta principal devido à fé de que o Produto Interno Bruto indica o caminha da prosperidade, mesmo quando utilizados expedientes contestáveis ecológica e eticamente, como a obsolescência programada.
A idéia de que o PIB é o bom é tão forte que consegue até milagres. Fez com uma postagem minha fosse lida(raridade das raridades) e contestada por alguém que aparentemente sabia do que estava falando. Observem que, em termos gerai, o leitor Mendonça não estava contestando o que eu havia escrito, mas ressaltando a importância da renda, que é uma função do PIB. O detalhe é que as importações entram no cálculo do PIB diminuindo-o, enquanto as exportações o aumentam. Daí a defesa apaixonada do exportar.
Faz-se necessária mudança da forma de medição de nossa prosperidade. O Patrimônio Líquido Nacional (e aqui) parece-me a melhor maneira de efetuá-la. Cabe-nos não aceitar passivamente a lorota de que estamos mais ricos só porque o PIB cresceu. No mínimo, devemos fazer com que os dirigentes nos expliquem como isso ocorreu.
quarta-feira, 24 de dezembro de 2008
Recursos naturais
Fomos acostumados, desde os primeiros anos do ensino infantil, a pensar em recursos naturais renováveis e não-renováveis. Essa distinção, porém, não faz mais sentido à luz do conhecimento científico atual.
Sabemos que muito do que é chamado não-renovável o é, embora em uma escala de tempo considerada anti-econômica atualmente. A natureza está, por exemplo, produzindo todos os combustíveis fósseis continuamente, em maior ou menor escala. Os recursos minerais, de maneira geral, são totalmente recicláveis, excetuando-se, talvez, os radioativos.
O grande nó nesta matéria é, então, a matéria viva. Temos de fato recursos extinguíveis e não-extinguíveis. Corremos o risco de eliminar espécies ou de espécimes de grande importância para as cadeias ecológicas ou econômicas. Os campos pesqueiros em perigo, as florestas decadentes e os mangues e corais declinantes; todos são mostras de importante DNA que pode ser perdido.
Evitar que o árduo trabalho de energia genética da natureza em milênios seja desperdiçado é a mais importante batalha deste século. Fazendo nossa escala econômica caber na ecológica, conseguiremos fazer a palavra sustentabilidade ter algum sentido. Se falharmos nesta tarefa, muito do que dizemos que fazem a vida valer a pena deixarão de existir. Conheceremos o verdadeira significado de pobreza.
Um feliz natal a todos.
Sabemos que muito do que é chamado não-renovável o é, embora em uma escala de tempo considerada anti-econômica atualmente. A natureza está, por exemplo, produzindo todos os combustíveis fósseis continuamente, em maior ou menor escala. Os recursos minerais, de maneira geral, são totalmente recicláveis, excetuando-se, talvez, os radioativos.
O grande nó nesta matéria é, então, a matéria viva. Temos de fato recursos extinguíveis e não-extinguíveis. Corremos o risco de eliminar espécies ou de espécimes de grande importância para as cadeias ecológicas ou econômicas. Os campos pesqueiros em perigo, as florestas decadentes e os mangues e corais declinantes; todos são mostras de importante DNA que pode ser perdido.
Evitar que o árduo trabalho de energia genética da natureza em milênios seja desperdiçado é a mais importante batalha deste século. Fazendo nossa escala econômica caber na ecológica, conseguiremos fazer a palavra sustentabilidade ter algum sentido. Se falharmos nesta tarefa, muito do que dizemos que fazem a vida valer a pena deixarão de existir. Conheceremos o verdadeira significado de pobreza.
Um feliz natal a todos.
segunda-feira, 22 de dezembro de 2008
Devem ficar queitinhos
Nosso aclamado presidente, no alto de seus 70 e tantos pontos percentuais de aprovação, deseja instituir uma categoria de pessoas sem direito à liberdade de expressão, os ex-presidentes. Não apenas isso, a categoria tem o seu direito de disputar cargos políticos revogada.
Sabemos que o que o presidente e seu partido afirmam não se escreve; as circunstâncias políticas mudam e, com elas, as idéias também. Pouco esperança tenho, portanto, de ver um retiro silencioso de Lula para o ostracismo de São Bernardo do Campo, mas gostaria de presenciá-lo.
Se eu fosse o Sarney, contudo, ficaria muito magoado. Fez parte da parcela do PMDB lulista de primeira hora e, ainda hoje, é visto como da base aliada. Tem um defeito, entretanto: já ocupou o Palácio do Planalto.
Só não entendi uma coisa uma coisa. Se o motivo para os ex-presidentes não falar sobre o governo é que esses têm telhado de vidro, estamos diante da velha prática do acoberte-me que eu não lhe denuncio?
Prefiro, então, que comece um falatório geral. É sempre melhor saber os erros passados e presentes. Uma mão lava a outra para esconder os podres é coisa de bandido. Será que vivemos uma política à Cosa Nostra.
Sabemos que o que o presidente e seu partido afirmam não se escreve; as circunstâncias políticas mudam e, com elas, as idéias também. Pouco esperança tenho, portanto, de ver um retiro silencioso de Lula para o ostracismo de São Bernardo do Campo, mas gostaria de presenciá-lo.
Se eu fosse o Sarney, contudo, ficaria muito magoado. Fez parte da parcela do PMDB lulista de primeira hora e, ainda hoje, é visto como da base aliada. Tem um defeito, entretanto: já ocupou o Palácio do Planalto.
Só não entendi uma coisa uma coisa. Se o motivo para os ex-presidentes não falar sobre o governo é que esses têm telhado de vidro, estamos diante da velha prática do acoberte-me que eu não lhe denuncio?
Prefiro, então, que comece um falatório geral. É sempre melhor saber os erros passados e presentes. Uma mão lava a outra para esconder os podres é coisa de bandido. Será que vivemos uma política à Cosa Nostra.
sexta-feira, 19 de dezembro de 2008
Voltando à economia
Muitos dos desenvolvimentistas estão animados nos últimos três meses. Mais felizes do pinto no lixo. O dólar subiu, Keynes está na moda novamente. Em resumo, tudo que eles sempre esperaram parece realidade.
Pena, para eles, que há grande possibilidade deste momento desmanchar no ar, como sói dos sonhos fazerem.
Se não houver uma política deliberada de depreciação cambial, não há como o dólar permanecer neste patamar. Regredimos três anos na valorização da mão-de-obra brasileira, mas esse momento é transitório. O Brasil era uma nação estruturalmente exportadora quando o dólar valia 1,6 reais e continua sendo com esse a 2,5.
As últimas informações sobre o fluxo cambial demonstram que a fase de desconfiança com relação as mercados brasileiros de capitais e de ações está se desvanecendo. Aqueles que ganharam com a boa e velha arbitragem devem estar se perguntando: aquela economia funcionou bem com níveis cambiais mais baixos durante um tempão, por que eu não ganharia apostando na valorização de sua moeda?
E, quanto ao crescimento da economia, não me alinho aos pessimistas que prevêem tempos difíceis. A freada ocorrida no último semestre do ano foi totalmente artificial. As linhas de crédito foram retiradas por razões externas à economia nacional, mas o empoçamento de liquidez não poderá ser mantido por muito tempo, como já dizia Ricardo, e o crédito ao consumidor deverá seguir crescendo.
Já estávamos na contra-mão do mundo em matéria de crescimento econômico antes do acirramento da crise com a quebra do Lehman Brothers. Nada de muito relevante ocorreu aqui para que a tendência reverta-se.
2009 pode não ser tão bom quanto 2008, mas não será o inferno que estão dizendo por aí.
Pena, para eles, que há grande possibilidade deste momento desmanchar no ar, como sói dos sonhos fazerem.
Se não houver uma política deliberada de depreciação cambial, não há como o dólar permanecer neste patamar. Regredimos três anos na valorização da mão-de-obra brasileira, mas esse momento é transitório. O Brasil era uma nação estruturalmente exportadora quando o dólar valia 1,6 reais e continua sendo com esse a 2,5.
As últimas informações sobre o fluxo cambial demonstram que a fase de desconfiança com relação as mercados brasileiros de capitais e de ações está se desvanecendo. Aqueles que ganharam com a boa e velha arbitragem devem estar se perguntando: aquela economia funcionou bem com níveis cambiais mais baixos durante um tempão, por que eu não ganharia apostando na valorização de sua moeda?
E, quanto ao crescimento da economia, não me alinho aos pessimistas que prevêem tempos difíceis. A freada ocorrida no último semestre do ano foi totalmente artificial. As linhas de crédito foram retiradas por razões externas à economia nacional, mas o empoçamento de liquidez não poderá ser mantido por muito tempo, como já dizia Ricardo, e o crédito ao consumidor deverá seguir crescendo.
Já estávamos na contra-mão do mundo em matéria de crescimento econômico antes do acirramento da crise com a quebra do Lehman Brothers. Nada de muito relevante ocorreu aqui para que a tendência reverta-se.
2009 pode não ser tão bom quanto 2008, mas não será o inferno que estão dizendo por aí.
quarta-feira, 17 de dezembro de 2008
O cara sabia
Marrx dizia que não era o descobridor da existência de classes e da luta entre elas. Como cita Weffort, em os Clássicos da Política volume 2, ele escreveu: "O que eu troxe de novo foi demonstrar:1)que a existência das classes só vai unida a determinadas fases históricas de desenvolvimento da produção; 2)que a luta de classes conduz, necessariamente, à ditadura do proletariado; 3)que a ditadura, em si mesma, não é mais do que o trânsito para a abolição de todas as classes e para uma sociedade sem classes ...".
Como vemos, o homem sabia das coisas. 100% de aproveitamento, errou em tudo o que original de sua lavra. Nem eu consigo tanto.
Como vemos, o homem sabia das coisas. 100% de aproveitamento, errou em tudo o que original de sua lavra. Nem eu consigo tanto.
segunda-feira, 15 de dezembro de 2008
domingo, 14 de dezembro de 2008
Queda muito boa
A tendência da queda no número de milhas viajadas é um presente para a economia mundial, ao menos em longo prazo.
Todo o desperdício traz lucros para alguém, mas os recursos bem aplicados levam bem estar a um grupo muito maior. Energia é um recurso essencial e, portanto, está entre as prioridades na lista pela eficiência. O modo como a cultura do automóvel entranhou-se nos estadunidenses é a verdadeira vitória da insensatez; da ineficiência em vários níveis.
Esperemos que a tendência confirme-se. O mundo só tem a ganhar. E os "gringos" serão os primeiros beneficiários.
Todo o desperdício traz lucros para alguém, mas os recursos bem aplicados levam bem estar a um grupo muito maior. Energia é um recurso essencial e, portanto, está entre as prioridades na lista pela eficiência. O modo como a cultura do automóvel entranhou-se nos estadunidenses é a verdadeira vitória da insensatez; da ineficiência em vários níveis.
Esperemos que a tendência confirme-se. O mundo só tem a ganhar. E os "gringos" serão os primeiros beneficiários.
sexta-feira, 12 de dezembro de 2008
Mistificação
Há uma certa dose de misticismo quando se diz que ocorreram perdas no mercado acionário, como fez o editorial do Estadão de hoje.
Dizer que os fundos perderam não corresponde a verdade, pois lucros e prejuízos no mercado acionário só ocorrem após a venda da ação, daí o termo realização. É certo que, devido à imensa diminuição do valor nominal das empresas no ano, quem precisar desfazer-se de seus investimentos hoje pode amargar uma sensação de perda, mas isso depende também do preço com que ele adquiriu-os.
O fato de os índices das principais bolsas terem subido constantemente durante meia década faz com que os aplicadores tenham, em sua maioria, ganhado no mercado acionário mais do que o fariam em outras aplicações.
As comparações infelizes entre as bolsas e os cassinos nada mais são do que isso. O mercado acionário gera, via de regra, ganhos para todas as partes envolvidas: empresas, intermediários e poupadores. Os cassinos dão lucros apenas aos donos e, eventualmente, aos governos que lhe cobram tributos. Que autoridades façam tal comparação é, realmente, uma vergonha.
Dizer que os fundos perderam não corresponde a verdade, pois lucros e prejuízos no mercado acionário só ocorrem após a venda da ação, daí o termo realização. É certo que, devido à imensa diminuição do valor nominal das empresas no ano, quem precisar desfazer-se de seus investimentos hoje pode amargar uma sensação de perda, mas isso depende também do preço com que ele adquiriu-os.
O fato de os índices das principais bolsas terem subido constantemente durante meia década faz com que os aplicadores tenham, em sua maioria, ganhado no mercado acionário mais do que o fariam em outras aplicações.
As comparações infelizes entre as bolsas e os cassinos nada mais são do que isso. O mercado acionário gera, via de regra, ganhos para todas as partes envolvidas: empresas, intermediários e poupadores. Os cassinos dão lucros apenas aos donos e, eventualmente, aos governos que lhe cobram tributos. Que autoridades façam tal comparação é, realmente, uma vergonha.
quinta-feira, 11 de dezembro de 2008
Esgoto também é patrimônio
Retomando um velho assunto tratado em 2006, há este vídeo sobre a energia a partir do esgoto.
A reportagem mostra a luta entre os sistemas de aumento do PIB como meta e o de maior apreço pela valorização do Patrimônio Nacional Líquido. No Brasil, dá-se pouca atenção ao quanto determinada obra vai durar ou mesmo à sua utilidade prática. O mais importante é que tenha muitos zeros. Bom administrador é o que constrói mais. Não por acaso, foi um lema, atribuído à Washington Luís, "governar é construir estradas".
Se prestarmos devida atenção à reportagem, veremos que as soluções geradoras dos maiores desembolsos financeiros, e, conseqüentemente, do maior PIB, estão longe de ser as melhores. É clássica a afirmação de que cada real aplicado em saneamento básico equivale a quatro poupados em tratamento de doentes. O vídeo mostra, entretanto, que a conta pode ser ainda mais favorável, pois os resíduos dos esgotos podem gerar renda, conquanto amortizada ao longo de anos.
Os investimentos necessários não são proibitivos, pela simples razão de que a grande parte deles são obrigatórios, sejam utilizados os subprodutos ou não. O tratamento de efluentes é dever dos consumidores, caracterizando crime ambiental a poluição de cursos d'águas. Sendo assim, os custos são apenas incrementais. Em todas as unidades de tratamento de água servida (esgoto doméstico) há tanques de decantação. Pelo que pude entender, também eles são obrigatórios nas granjas de suinocultura. São necessárias, então, só pequenas melhorias para coletar os gases e os sólidos resultantes da biodigestão.
Não sei quanto foi o investimento na granja suína, mas ao se crer nos números, ele foi bastante lucrativo, pois uma lona e um gerador elétrico serem responsáveis por economias da ordem de 2750 reais mensais, apenas em energia elétrica, devem fazer o empreendimento bastante mais lucrativo para o pecuarista. O mesmo não pode ser dito dos diversos níveis de governo, que perdem arrecadação de impostos, pois os chamados serviços básicos (energia, telefonia, água e esgoto) são pesadamente tributados no Brasil.
Todos os casos apresentados na reportagem são poupadores de recursos e, portanto, influem negativamente nos cálculos do PIB. Contribuem, entretanto, muito para a melhoria das condições de vida da população e preservação do ambiente. Qual fator deveria pesar mais?
A reportagem mostra a luta entre os sistemas de aumento do PIB como meta e o de maior apreço pela valorização do Patrimônio Nacional Líquido. No Brasil, dá-se pouca atenção ao quanto determinada obra vai durar ou mesmo à sua utilidade prática. O mais importante é que tenha muitos zeros. Bom administrador é o que constrói mais. Não por acaso, foi um lema, atribuído à Washington Luís, "governar é construir estradas".
Se prestarmos devida atenção à reportagem, veremos que as soluções geradoras dos maiores desembolsos financeiros, e, conseqüentemente, do maior PIB, estão longe de ser as melhores. É clássica a afirmação de que cada real aplicado em saneamento básico equivale a quatro poupados em tratamento de doentes. O vídeo mostra, entretanto, que a conta pode ser ainda mais favorável, pois os resíduos dos esgotos podem gerar renda, conquanto amortizada ao longo de anos.
Os investimentos necessários não são proibitivos, pela simples razão de que a grande parte deles são obrigatórios, sejam utilizados os subprodutos ou não. O tratamento de efluentes é dever dos consumidores, caracterizando crime ambiental a poluição de cursos d'águas. Sendo assim, os custos são apenas incrementais. Em todas as unidades de tratamento de água servida (esgoto doméstico) há tanques de decantação. Pelo que pude entender, também eles são obrigatórios nas granjas de suinocultura. São necessárias, então, só pequenas melhorias para coletar os gases e os sólidos resultantes da biodigestão.
Não sei quanto foi o investimento na granja suína, mas ao se crer nos números, ele foi bastante lucrativo, pois uma lona e um gerador elétrico serem responsáveis por economias da ordem de 2750 reais mensais, apenas em energia elétrica, devem fazer o empreendimento bastante mais lucrativo para o pecuarista. O mesmo não pode ser dito dos diversos níveis de governo, que perdem arrecadação de impostos, pois os chamados serviços básicos (energia, telefonia, água e esgoto) são pesadamente tributados no Brasil.
Todos os casos apresentados na reportagem são poupadores de recursos e, portanto, influem negativamente nos cálculos do PIB. Contribuem, entretanto, muito para a melhoria das condições de vida da população e preservação do ambiente. Qual fator deveria pesar mais?
quarta-feira, 10 de dezembro de 2008
Electranet
Acho que a era das grandes obras, como as hidrelétricas do rio Madeira, estão com os dias contados. São o pesadelo dos ecologistas, contam com a desconfiança da população e benefícios sociais discutíveis.
Com o fim dessa era de obras vistosas, teremos que fazer cada quilowatt render mais, e cada fonte de energia disponível deverá ser coletado e distribuído de forma mais eficiente. Neste ponto, a electranet defendida por Al Gore é uma imposição, não apenas um projeto.
Por todas as questões envolvidas, implementar uma política que garanta a um melhor uso da energia é muito superior a construir barragens no meio do nada populacional.
E gerará mais empregos e distribuição de renda.
Com o fim dessa era de obras vistosas, teremos que fazer cada quilowatt render mais, e cada fonte de energia disponível deverá ser coletado e distribuído de forma mais eficiente. Neste ponto, a electranet defendida por Al Gore é uma imposição, não apenas um projeto.
Por todas as questões envolvidas, implementar uma política que garanta a um melhor uso da energia é muito superior a construir barragens no meio do nada populacional.
E gerará mais empregos e distribuição de renda.
terça-feira, 9 de dezembro de 2008
Artesanato
Vários anos atrás, quando eu e um grupo de amigos estávamos tentando viabilizar uma OSIP, aventei a idéia de que poderíamos pegar desenhos de crianças atendidas pela entidade e vender como ilustrações em livro de estórias único para cada freguês. Ainda bem que essa história não foi para frente, ou seriamos acusados de exploração de trabalho infantil. Mas venho aqui falar do futuro e não do meu passado.
Artesanal tem a acepção de coisa pouco sofisticada ou, o que me parece uma contradição, artística, mas é de artesanato que precisamos para sair da "marolinha" mais forte do que entramos. É claro que não estamos falando de peças de barro, de pequenos caminhões de madeira vendidos em beira de estrada ou mesmo dos desenhos infantis que mencionei no primeiro parágrafo. A pedida do momento é o investimento em tecnologias ditas imaturas, principalmente as que são alcunhadas sustentáveis.
As novas tecnologias têm a característica de não ter soluções padronizadas para os diferentes problemas que podem ser encontrados na vida real. E, justamente por isso, demandam muito mais mão-de-obra para adaptar a idéia geral à situação específica, resolvendo o problema número um do Brasil: a baixa quantidade e qualidade de empregos.
Falarei mais disso nos próximos textos.
Artesanal tem a acepção de coisa pouco sofisticada ou, o que me parece uma contradição, artística, mas é de artesanato que precisamos para sair da "marolinha" mais forte do que entramos. É claro que não estamos falando de peças de barro, de pequenos caminhões de madeira vendidos em beira de estrada ou mesmo dos desenhos infantis que mencionei no primeiro parágrafo. A pedida do momento é o investimento em tecnologias ditas imaturas, principalmente as que são alcunhadas sustentáveis.
As novas tecnologias têm a característica de não ter soluções padronizadas para os diferentes problemas que podem ser encontrados na vida real. E, justamente por isso, demandam muito mais mão-de-obra para adaptar a idéia geral à situação específica, resolvendo o problema número um do Brasil: a baixa quantidade e qualidade de empregos.
Falarei mais disso nos próximos textos.
segunda-feira, 8 de dezembro de 2008
Não estamos no Pacífico, mas...
...o sistema de prevenção de tsunamis do governo, parece, começou a apitar.
Mantega, aquele ministro pelo qual, vocês sabem, tenho um apreço sem tamanho, está anunciando que o Brasil tem um arsenal para evitar o acirramento da crise econômica aqui em Jabuticabal, e dá-lhe anúncios keynesianos de gastos com PAC e essas batatadas.
Partes do PT já se defendem das conseqüências da desaceleração culpando as políticas "neoliberais" da dupla PSDB-PFL e Lula vai mais longe, é obra de trinta anos de governantes despreocupados com o povo, reverindo, provavelmente, aos que tinham o cetro desde a sublevação militar até a sua chegada ao Palácio do Planalto. E toda essa retórica por obra da "marolinha".
Vamos, todavia, aos finalmente. O governo tem, de fato, um arsenal para combater os efeitos da crise. Só que não onde ele imagina. Há no país um problema crônico em relação à qualidade das leis trabalhistas. Elas limitam a flexibilidade do mercado e desestimulam a contratação mesmo quando há uma batalha pela mão-de-obra escassa, inviabilizando-a em momentos de incerteza.
Qualquer melhoria na legislação trabalhista é um incremento da competitividade do Brasil e um estímulo ao rebustecimento do mercado de trabalho, com ganhos para os 50% de trabalhadores que hoje não dispõem de nenhuma segurança gerada pela rede de proteção social que os sindicalistas dizem ser o Código atual.
Resolver esse gargalo seria a solução que incluiria o país definitivamente entre os de melhor desenvolvimento humano, não gastar os recursos dos impostos favorecendo empresas, seja de qual porte forem, com créditos facilitados e baratos.
Métodos paliativos nunca passarão disso, não importando qual nome recebam.
Mantega, aquele ministro pelo qual, vocês sabem, tenho um apreço sem tamanho, está anunciando que o Brasil tem um arsenal para evitar o acirramento da crise econômica aqui em Jabuticabal, e dá-lhe anúncios keynesianos de gastos com PAC e essas batatadas.
Partes do PT já se defendem das conseqüências da desaceleração culpando as políticas "neoliberais" da dupla PSDB-PFL e Lula vai mais longe, é obra de trinta anos de governantes despreocupados com o povo, reverindo, provavelmente, aos que tinham o cetro desde a sublevação militar até a sua chegada ao Palácio do Planalto. E toda essa retórica por obra da "marolinha".
Vamos, todavia, aos finalmente. O governo tem, de fato, um arsenal para combater os efeitos da crise. Só que não onde ele imagina. Há no país um problema crônico em relação à qualidade das leis trabalhistas. Elas limitam a flexibilidade do mercado e desestimulam a contratação mesmo quando há uma batalha pela mão-de-obra escassa, inviabilizando-a em momentos de incerteza.
Qualquer melhoria na legislação trabalhista é um incremento da competitividade do Brasil e um estímulo ao rebustecimento do mercado de trabalho, com ganhos para os 50% de trabalhadores que hoje não dispõem de nenhuma segurança gerada pela rede de proteção social que os sindicalistas dizem ser o Código atual.
Resolver esse gargalo seria a solução que incluiria o país definitivamente entre os de melhor desenvolvimento humano, não gastar os recursos dos impostos favorecendo empresas, seja de qual porte forem, com créditos facilitados e baratos.
Métodos paliativos nunca passarão disso, não importando qual nome recebam.
sábado, 6 de dezembro de 2008
A respeito do sifu
Será que fui apenas eu que se indignou com o fato de que Lula recomendou que os médicos mentissem para os pacientes?
Ao meu ver, insinuar que a verdade deve ser omitida é muito pior do que usar palavras de baixo calão. Realmente, a democracia não foi bem entendida pelo governante que nunca antes na história deste país falou tanta besteira.
Ao meu ver, insinuar que a verdade deve ser omitida é muito pior do que usar palavras de baixo calão. Realmente, a democracia não foi bem entendida pelo governante que nunca antes na história deste país falou tanta besteira.
Sobre fundos e soberanos
Felizmente o delírio de potência petrolífera passou, mas a mudança de legislação que criou o fundo soberano continua aí, rondando. Está certo que, neste país, esses atos burocráticos, como aplicar leis, podem levar séculos; conseguimos, no entanto, plantar jabuticabais imensos do dia para noite também.
Não que eu tenha algo contra jabuticabas, que já defendi neste blog , mas algumas invencionices deste governo são realmente bizarras.
Para começo de conversa, vamos tentar definir o que é fundo soberano. O meu já surrado dicionário de economia diz que fundo é o "conjunto de recursos monetários empregados para reserva ou para cobrir despesas extraordinárias. No setor de finanças públicas, o termo refere-se às verbas destinadas ao desenvolvimento de determinados setores". O soberano viria do fato de ser propriedade de um país ou, ampliando-se ao máximo o conceito, de uma nacionalidade, como vocês podem observar nesta lista fornecida pela Wikipedia.
Olhando na lista, você encontra as características básicas destes fundos: seus proprietários são países com excesso de reservas internacionais, a maioria advindo de exportações petrolíferas, e relativamente poucas possibilidades de aplicação interna destes recursos. São, em suma, países opostos ao nosso, importador de energia e cheio de obras a serem feitas, ou, por que não dizer, emPACadas. E, o mais importante, ainda temos dívidas.
Como Deus é brasileiro, a idéia de fundo submergiu devido a preocupações mais prementes, abusar da sorte, porém, nunca é bom. Algum dia a crise passará, espero que o fundo, como diria Drummond , passarinho, voe para outras paragens, como, talvez, a Terra do Nunca.
Não que eu tenha algo contra jabuticabas, que já defendi neste blog , mas algumas invencionices deste governo são realmente bizarras.
Para começo de conversa, vamos tentar definir o que é fundo soberano. O meu já surrado dicionário de economia diz que fundo é o "conjunto de recursos monetários empregados para reserva ou para cobrir despesas extraordinárias. No setor de finanças públicas, o termo refere-se às verbas destinadas ao desenvolvimento de determinados setores". O soberano viria do fato de ser propriedade de um país ou, ampliando-se ao máximo o conceito, de uma nacionalidade, como vocês podem observar nesta lista fornecida pela Wikipedia.
Olhando na lista, você encontra as características básicas destes fundos: seus proprietários são países com excesso de reservas internacionais, a maioria advindo de exportações petrolíferas, e relativamente poucas possibilidades de aplicação interna destes recursos. São, em suma, países opostos ao nosso, importador de energia e cheio de obras a serem feitas, ou, por que não dizer, emPACadas. E, o mais importante, ainda temos dívidas.
Como Deus é brasileiro, a idéia de fundo submergiu devido a preocupações mais prementes, abusar da sorte, porém, nunca é bom. Algum dia a crise passará, espero que o fundo, como diria Drummond , passarinho, voe para outras paragens, como, talvez, a Terra do Nunca.
sexta-feira, 5 de dezembro de 2008
Sátira perfeita
O vídeo original tem um que de maldade, já que o repórter não conseguiu segurar o riso ao deparar-se com a manifestação de um erro médico, a voz prejudicada do entrevistado, mas a sátira ficou perfeita.
Meu, sifu
Frases de grandes estadistas em tempo de crise:
"...Não tenho nada a oferecer-vos senão sangue, trabalho, suor e lágrimas..."
Winston Leonard Spencer Churchill, durante a II Guerra Mundial.
"Na democracia que eu vislumbro, a democracia estabelecida pela não-violência, haverá liberdade igualitária para todos".
Mahatma Ghandi, durante a luta pela independência da Índia da Coroa Inglesa.
"Não pergunte o que o seu país pode fazer por você, mas o que você pode fazer pelo seu país".
John Fitzgeral kennedy, durante a Guerra Fria.
"Eu tive um sonho"
Martin Luther King Jr., durante a luta pelos direitos civis estadunidense.
E de um que acha que é:
"Quando o mercado teve uma diarréia, quem é que eles chamaram? O Estado, que eles negaram durante vinte anos".
Luís Inácio Lula da Silva, durante a crise econômica global do início do século XXI.
Então me pergunto, citando o rei Juan Carlos, da Espanha, por que não te calas?
"...Não tenho nada a oferecer-vos senão sangue, trabalho, suor e lágrimas..."
Winston Leonard Spencer Churchill, durante a II Guerra Mundial.
"Na democracia que eu vislumbro, a democracia estabelecida pela não-violência, haverá liberdade igualitária para todos".
Mahatma Ghandi, durante a luta pela independência da Índia da Coroa Inglesa.
"Não pergunte o que o seu país pode fazer por você, mas o que você pode fazer pelo seu país".
John Fitzgeral kennedy, durante a Guerra Fria.
"Eu tive um sonho"
Martin Luther King Jr., durante a luta pelos direitos civis estadunidense.
E de um que acha que é:
"Quando o mercado teve uma diarréia, quem é que eles chamaram? O Estado, que eles negaram durante vinte anos".
Luís Inácio Lula da Silva, durante a crise econômica global do início do século XXI.
Então me pergunto, citando o rei Juan Carlos, da Espanha, por que não te calas?
Há louco para tudo, ou o ponto de vista é seu e ninguém tasca.
Roger Howard, em um um artigo do wsj.com/brasil, afirmou que, caso consiga livrar-se da dependência externa do petróleo, os EUA perderam o poder de barganha acumula por ser o maior consumidor mundial do produto, e isso não seria bom para o mundo.
Escrevendo para uma empresa norte-americana, é concebível que o autor acredite piamente que a influência de Washington seja sempre benéfica para a humanidade, menos clara fica, para mim ao menos, a vantagem de manter o "status quo" no consumo de um produto que, nas palavras dele, "é, sobretudo, a fonte primária do aquecimento global provocado pelo homem, ao passo que vazamentos e perfurações de poços têm causado prejuízo mortal ao meio ambiente" e ainda colabora para perpetuar ditaduras e insuflar recessões.
Mas têm muita coisa que eu não entendo mesmo, esta é só mais uma.
Escrevendo para uma empresa norte-americana, é concebível que o autor acredite piamente que a influência de Washington seja sempre benéfica para a humanidade, menos clara fica, para mim ao menos, a vantagem de manter o "status quo" no consumo de um produto que, nas palavras dele, "é, sobretudo, a fonte primária do aquecimento global provocado pelo homem, ao passo que vazamentos e perfurações de poços têm causado prejuízo mortal ao meio ambiente" e ainda colabora para perpetuar ditaduras e insuflar recessões.
Mas têm muita coisa que eu não entendo mesmo, esta é só mais uma.
quinta-feira, 4 de dezembro de 2008
Tenologia natimorta: uma atualização
Em 7 de julho de 2006, escrevi que a distribuição de vídeos em discos ópticos estava com os dias contados. A julgar por este artigo (em inglês) o médio prazo que eu imaginava chegou mais cedo.
Notem que lá esta demonstrado que mesmo um aparelho pensado para ser um tocador de blu-ray já traz em si o reconhecimento da capitulação da tecnologia, pois ela é, na verdade, apenas um outro modo de obter-se o principal, o filme (chamá-lo assim não passa de um anacronismo, pois o filme em si, ou película, também foi afastado do processo) especificamente.
Espero que não tenhamos que esperar, novamente, uns 10 anos para que as inovações cheguem a nós.
Notem que lá esta demonstrado que mesmo um aparelho pensado para ser um tocador de blu-ray já traz em si o reconhecimento da capitulação da tecnologia, pois ela é, na verdade, apenas um outro modo de obter-se o principal, o filme (chamá-lo assim não passa de um anacronismo, pois o filme em si, ou película, também foi afastado do processo) especificamente.
Espero que não tenhamos que esperar, novamente, uns 10 anos para que as inovações cheguem a nós.
quarta-feira, 3 de dezembro de 2008
Seguro contra lucros cessantes
Como havia escrito em um texto do princípio do ano, o melhor seguro externo que o Brasil poderia querer é a peculiaridade de a China ser uma ditadura necessitada de ilusão de bem-estar. essa minha convicção só fez aumentar ao ler notícias no Valor Econômico de hoje mostrando uma desaceleração econômica muito maior do que estavam esperando os analistas naquele país. Já há temores de agitação social e instabilidade política, e o governo vai fazer tudo que está ao seu alcance para impedir que eles ocorram. O que exclui, naturalmente, diminuir a oferta de alimentos em qualidade ou quantidade.
Mais de três anos atrás, escrevi, também, que nós somos uma espécie de Efeito Orloff da China no que se refere ao crescimento econômico. Tenho certeza, virá de lá uma nova marcha forçada, com os mesmos resultados: adiar a recessão e a troca de comando político (nada muito diferente do que a Guerra do Iraque foi para os EUA, onde a marcha forçadíssima fundiu o motor).
O mesmo raciocínio pode ser usado para pensar a venda de carne à Rússia e de alimentos em geral à Venezuela, duas outras nações que como diz Lula da Silva "têm democracia até demais". Apesar dos russos terem reclamado dos preços e da falta de financiamento, as compras não serão suspensas, apenas proteladas para pressionar as empresas vendedoras utilizando as nuvens da recessão como desculpa estilo cortina de fumaça.
A ameaça mais séria que temos que enfrentar quanto à balança comercial não tem nada a ver com a falta de compradores externos, mas com a possibilidade de realmente fornecer as mercadorias, já que uma infra-estrutura já sobrecarregada foi danificada pelas águas de novembro. Nada diferente do que vinha acontecendo, portanto.
Mais de três anos atrás, escrevi, também, que nós somos uma espécie de Efeito Orloff da China no que se refere ao crescimento econômico. Tenho certeza, virá de lá uma nova marcha forçada, com os mesmos resultados: adiar a recessão e a troca de comando político (nada muito diferente do que a Guerra do Iraque foi para os EUA, onde a marcha forçadíssima fundiu o motor).
O mesmo raciocínio pode ser usado para pensar a venda de carne à Rússia e de alimentos em geral à Venezuela, duas outras nações que como diz Lula da Silva "têm democracia até demais". Apesar dos russos terem reclamado dos preços e da falta de financiamento, as compras não serão suspensas, apenas proteladas para pressionar as empresas vendedoras utilizando as nuvens da recessão como desculpa estilo cortina de fumaça.
A ameaça mais séria que temos que enfrentar quanto à balança comercial não tem nada a ver com a falta de compradores externos, mas com a possibilidade de realmente fornecer as mercadorias, já que uma infra-estrutura já sobrecarregada foi danificada pelas águas de novembro. Nada diferente do que vinha acontecendo, portanto.
terça-feira, 2 de dezembro de 2008
Pensamento estratégico
Como tudo na vida, a tragédia de Santa Catarina traz lições. Tirando aquele papo todo de omissão do Estado, desrespeito as regras pela população e todas as demais mazelas que vêm sendo tratadas a exaustão pelo noticiário, devemos pensar também no que ficou patente a respeito da inadequação da infra-estrutura para suprir as contingências da paralisação de um serviço.
Ficou demonstrado que além de não evitar a tragédia, nossa infra-estrutura potencializa o dano, ao impedir uma rápida recomposição do tecido econômico, tirando assim os recursos públicos e privados que poderiam fazer o pós-tempestade menos deletério para as vítimas.
Esse mês de chuvas paralisou um porto essencial, cortou o fornecimento de um insumo-chave (gás natural) e de outros serviços públicos (água tratada e eletricidade), destruiu estradas de rodagem, etc; e, deixando inundadas de água e lama cidades inteiras, aumentou muito a necessidade de tudo aquilo que deixou de existir.
Será que este descompasso entre necessidade e disponibilidade não é fruto de uma estratégia de concentração da atividade produtiva e grandes obras que marca o Brasil desde o fim do liberalismo representado pela chegada ao poder de Getúlio Vargas? Desconfio que sim. Ainda hoje vemos esbirros da visão dirigista central na teimosia de enfiar goela abaixo da sociedade mega-obras como a transposição do São Francisco e as usinas do rio Madeira.
Creio que a população seria muito melhor servida caso a ênfase mudasse para pequenas obras, descentralizando desde a geração de energia até a distribuição de mercadorias, com redes em que os pontos focais fossem mais dispersos do que o que ocorre hoje. Talvez o custo inicial fosse mais alto, mas a segurança proporcionada pelo sistema compensaria.
Muitas das grandes obras do passado brasileiro tiveram como motivador mais um pensamento estratégico de consolidar o país como uma potência regional do que levar bem-estar à população. O contrário deve ser buscado agora, pois não seria o " melhor do Brasil, o brasileiro."
Ficou demonstrado que além de não evitar a tragédia, nossa infra-estrutura potencializa o dano, ao impedir uma rápida recomposição do tecido econômico, tirando assim os recursos públicos e privados que poderiam fazer o pós-tempestade menos deletério para as vítimas.
Esse mês de chuvas paralisou um porto essencial, cortou o fornecimento de um insumo-chave (gás natural) e de outros serviços públicos (água tratada e eletricidade), destruiu estradas de rodagem, etc; e, deixando inundadas de água e lama cidades inteiras, aumentou muito a necessidade de tudo aquilo que deixou de existir.
Será que este descompasso entre necessidade e disponibilidade não é fruto de uma estratégia de concentração da atividade produtiva e grandes obras que marca o Brasil desde o fim do liberalismo representado pela chegada ao poder de Getúlio Vargas? Desconfio que sim. Ainda hoje vemos esbirros da visão dirigista central na teimosia de enfiar goela abaixo da sociedade mega-obras como a transposição do São Francisco e as usinas do rio Madeira.
Creio que a população seria muito melhor servida caso a ênfase mudasse para pequenas obras, descentralizando desde a geração de energia até a distribuição de mercadorias, com redes em que os pontos focais fossem mais dispersos do que o que ocorre hoje. Talvez o custo inicial fosse mais alto, mas a segurança proporcionada pelo sistema compensaria.
Muitas das grandes obras do passado brasileiro tiveram como motivador mais um pensamento estratégico de consolidar o país como uma potência regional do que levar bem-estar à população. O contrário deve ser buscado agora, pois não seria o " melhor do Brasil, o brasileiro."
segunda-feira, 1 de dezembro de 2008
Admissão
E finalmente saiu a admissão de que há uma recessão ocorrendo há ano nos Estados Unidos. A tal comissão que decide, dizem, é independente. Então estaria descartada, em tese, a manipulação política, no caso esconder o jogo, mas não há dúvida que inexiste hora melhor para o anúncio. A eleição já passou e o novo presidente não precisará assumir o ônus da notícia.
A única coisa incompreensível foi a reação histérica das bolsas. Foi como se uma mudança do estado geral das coisas tivesse ocorrido. Uma das maiores quedas do Dow Jones na história, o que também, convenhamos, virou rotina nos últimos tempos.
Qualquer dia destes o sol nascerá e a surpresa será tremenda. Quem sabe até passem na tv.
A única coisa incompreensível foi a reação histérica das bolsas. Foi como se uma mudança do estado geral das coisas tivesse ocorrido. Uma das maiores quedas do Dow Jones na história, o que também, convenhamos, virou rotina nos últimos tempos.
Qualquer dia destes o sol nascerá e a surpresa será tremenda. Quem sabe até passem na tv.
domingo, 23 de novembro de 2008
Impostura da sustentabilidade
Desde o princípio do movimento político formado ao redor da idéia ecológica, a idéia de sustentabilidade tem se firmado como o carro-chefe do discurso pelo que seria uma nova inserção do homem no mundo, mais justa e blá, blá, blá. Tudo muito bonito e muito errado.
Só são sustentáveis ecologicamente os sistemas fechados, ou quase, em que há reclicagem de nutrientes. Os atuais sistemas econômicos humanos são, por natureza, abertas, com o transporte de elementos em escala mundial. Não é por outra razão que as florestas resistiram milênios antes que a exploração intensiva fizesse sua área entrar em uma espiral descendente quando nossa espécie conseguiu adquirir um mínimo de tecnologia.
A urbanização acelerada só contribui para aumentar ainda mais a insustentabilidade. O processo existente hoje é o de concentração de nutrientes onde não podem ser utilizados, como os lixões e aterros sanitários, depois de serem retirados de fazendas ou coletados por pesca ou caça, onde seriam necessários. Dizer que reservas extrativistas podem manter a produção indefinidamente é desconhecer a biologia e a história. É negar a chamada Revolução Verde do século passado.
Conter a deterioração do meio ambiente é imperioso. Mas a pior base para isso é a mentira, a mistificação ou uma mistura das duas. Tentemos preservar, mas sabendo que todo o consumo traz conseqüências.
Só são sustentáveis ecologicamente os sistemas fechados, ou quase, em que há reclicagem de nutrientes. Os atuais sistemas econômicos humanos são, por natureza, abertas, com o transporte de elementos em escala mundial. Não é por outra razão que as florestas resistiram milênios antes que a exploração intensiva fizesse sua área entrar em uma espiral descendente quando nossa espécie conseguiu adquirir um mínimo de tecnologia.
A urbanização acelerada só contribui para aumentar ainda mais a insustentabilidade. O processo existente hoje é o de concentração de nutrientes onde não podem ser utilizados, como os lixões e aterros sanitários, depois de serem retirados de fazendas ou coletados por pesca ou caça, onde seriam necessários. Dizer que reservas extrativistas podem manter a produção indefinidamente é desconhecer a biologia e a história. É negar a chamada Revolução Verde do século passado.
Conter a deterioração do meio ambiente é imperioso. Mas a pior base para isso é a mentira, a mistificação ou uma mistura das duas. Tentemos preservar, mas sabendo que todo o consumo traz conseqüências.
quarta-feira, 16 de julho de 2008
sexta-feira, 2 de maio de 2008
É, somos bom destino aos investimentos.
Finalmente chegou o grau que tantos queríamos, regado a espumante na cúpula governistas, mas alguns exportadores estão mais é querendo tomar uma caninha para esquecer os maus momentos que, eles esperam, virão.
Dá minha parte, só vejo vantagens. Se você lê estas discordâncias com freqüência, sabe que sou favorável à moeda forte e às importações, em suma, ao consumidor. É balela esta história de que o país precisa ser uma plataforma exportadora para ser desenvolvido. Normalmente os mais desenvolvidos são o oposto, grandes importadores de produtos, deixando sua bem remunerada força de trabalho dedicada aos serviços que facilitam a vida, tornando-a melhor. E isso os torna desenvolvidos, oferecer uma vida melhor à maior parcela da população, não ao grupelho de empresários exportadores.
Não que eu queira impedir a exportação, mas se ela se baseia apenas no dólar fraco, não a merecemos. Que aumentemos a tecnologia embutida, reduzamos os impostos às exportações, retiremos os entraves que encarecem a mão-de-obra, façamos o que os desenvolvidos fazem. Se queremos ser como eles é daí que teremos que tirar os exemplos, não da China ou da Índia.
Favoreçamos o consumidor daqui.
Dá minha parte, só vejo vantagens. Se você lê estas discordâncias com freqüência, sabe que sou favorável à moeda forte e às importações, em suma, ao consumidor. É balela esta história de que o país precisa ser uma plataforma exportadora para ser desenvolvido. Normalmente os mais desenvolvidos são o oposto, grandes importadores de produtos, deixando sua bem remunerada força de trabalho dedicada aos serviços que facilitam a vida, tornando-a melhor. E isso os torna desenvolvidos, oferecer uma vida melhor à maior parcela da população, não ao grupelho de empresários exportadores.
Não que eu queira impedir a exportação, mas se ela se baseia apenas no dólar fraco, não a merecemos. Que aumentemos a tecnologia embutida, reduzamos os impostos às exportações, retiremos os entraves que encarecem a mão-de-obra, façamos o que os desenvolvidos fazem. Se queremos ser como eles é daí que teremos que tirar os exemplos, não da China ou da Índia.
Favoreçamos o consumidor daqui.
segunda-feira, 28 de abril de 2008
Oito anos é pouco?
Taí, concordo com Lula em gênero, número e grau. Oito anos é pouco para um governante manter-se no poder. Um governante poderia ficar no poder eternamente, trazendo o bem à população. Conosco também estão, Mugabe, Il-sung, Chávez, Castro, aquele do Quênia, etc, etc ,etc.
O problema é que governantes não são encontrados facilmente por aí, tanto é assim que, em todos os lugares para onde olho, não os vejo. Nós mesmo não temos um, como o desgoverno na saúde, nas obras públicas, no ensino universitário, etc, etc, etc, demonstram.
Casuísmo por casuísmo, vamos debater a possibilidade de mandatos maiores, mas só quando um verdadeiro governante estiver no cargo, combinados?
obs: se a proposta não parece muito democrática, é porque ela não é mesmo. Enquanto a falta de democracia estiver apenas nas propostas, muito bom. O problema é que pessoas que realmente podem mudar as instituições estão aparecendo com umas idéias esquisitas em toda a América Latina (sim, toda), e estas sim, são muito ruins.
O problema é que governantes não são encontrados facilmente por aí, tanto é assim que, em todos os lugares para onde olho, não os vejo. Nós mesmo não temos um, como o desgoverno na saúde, nas obras públicas, no ensino universitário, etc, etc, etc, demonstram.
Casuísmo por casuísmo, vamos debater a possibilidade de mandatos maiores, mas só quando um verdadeiro governante estiver no cargo, combinados?
obs: se a proposta não parece muito democrática, é porque ela não é mesmo. Enquanto a falta de democracia estiver apenas nas propostas, muito bom. O problema é que pessoas que realmente podem mudar as instituições estão aparecendo com umas idéias esquisitas em toda a América Latina (sim, toda), e estas sim, são muito ruins.
sábado, 26 de abril de 2008
Caso de polícia
Não comentei até agora, mas devo confessar que este caso Isabela muito me intriga.
Nele ocorreu algo raro e potencialmente perigoso: o acompanhamento da mídia desde os primeiros instantes. Aliada à comoção que a morte de uma criança costuma causar, ainda mais a de uma menina de classe média com muitas fotos prévias a provar que era uma gracinha e quetais, a cobertura da imprensa gerou um sentimento público de urgência pela apuração dos fatos que a polícia, infelizmente, não está preparada para suportar.
É lógico que, como a grande massa, só sou informado do caso pelo que os repórteres recebem das partes envolvidas no inquérito, porém mesmo este pouco é suficiente para demonstrar o quão ineficaz é o nosso sistema de investigação. É muito claro que os cenários apresentados pelos investigadores até o momento carecem de um mínimo de plausibilidade, pois mostram um crime sendo cometido por etapas, primeiro com a agressão ainda no carro, seguida de esganamento no apartamento e, por fim, do lançamento do corpo pela janela. Ou seja, não estamos falando da tentativa desesperada de encobrir as pistas de um assassinato cometido no calor do momento, mas de reiteradas tentativas frustradas que se mostraram bem-sucedidas apenas no final da série.
Caso os peritos tivessem feito um trabalho irretocável, até poderia aceitar este cenário que me parece absurdo, mas há um grande se aí. Como os peritos podem afirmar de forma irrefutável que não havia existido um terceiro adulto no apartamento se há duas outras pessoas que confessam ter estado no apartamento entre a dia da morte da menina e a primeira das muitas perícias feitas pelo Instituto de Criminalística? Com tal contaminação, qual é o grau de certeza que pode ser apresentado?
Enquanto ao menos estas duas questões não forem completamente respondidas qualquer laudo apresentado parece-me refutável, tendo a polícia outros suspeitos ou não, mesmo porque a motivação dos crimes até agora não foi demonstrada.
Nele ocorreu algo raro e potencialmente perigoso: o acompanhamento da mídia desde os primeiros instantes. Aliada à comoção que a morte de uma criança costuma causar, ainda mais a de uma menina de classe média com muitas fotos prévias a provar que era uma gracinha e quetais, a cobertura da imprensa gerou um sentimento público de urgência pela apuração dos fatos que a polícia, infelizmente, não está preparada para suportar.
É lógico que, como a grande massa, só sou informado do caso pelo que os repórteres recebem das partes envolvidas no inquérito, porém mesmo este pouco é suficiente para demonstrar o quão ineficaz é o nosso sistema de investigação. É muito claro que os cenários apresentados pelos investigadores até o momento carecem de um mínimo de plausibilidade, pois mostram um crime sendo cometido por etapas, primeiro com a agressão ainda no carro, seguida de esganamento no apartamento e, por fim, do lançamento do corpo pela janela. Ou seja, não estamos falando da tentativa desesperada de encobrir as pistas de um assassinato cometido no calor do momento, mas de reiteradas tentativas frustradas que se mostraram bem-sucedidas apenas no final da série.
Caso os peritos tivessem feito um trabalho irretocável, até poderia aceitar este cenário que me parece absurdo, mas há um grande se aí. Como os peritos podem afirmar de forma irrefutável que não havia existido um terceiro adulto no apartamento se há duas outras pessoas que confessam ter estado no apartamento entre a dia da morte da menina e a primeira das muitas perícias feitas pelo Instituto de Criminalística? Com tal contaminação, qual é o grau de certeza que pode ser apresentado?
Enquanto ao menos estas duas questões não forem completamente respondidas qualquer laudo apresentado parece-me refutável, tendo a polícia outros suspeitos ou não, mesmo porque a motivação dos crimes até agora não foi demonstrada.
terça-feira, 25 de março de 2008
Muito barata
Pois é, a Cesp estava tão barata que ninguém quis comprar.
Estes capitalistas, hein, não querem tirar doce da boca de crianças, que bobinhos.
Estes capitalistas, hein, não querem tirar doce da boca de crianças, que bobinhos.
terça-feira, 18 de março de 2008
Por quê?
Duas postagens abaixo disse que o Brasil está pouco exposto à contaminação do pesadelo econômico que a queda dos títulos "sub-prime" desencadeou.
Vou aqui disser porque acho que estamos seguros, caso nenhuma besteira seja feita.
O Brasil é pouco aberto ao comércio externo, a corrente de comércio exterior é de pouco mais de 15% do PIB, resultando que nosso crescimento econômico é decidido pelo que acontece aqui dentro. Fatores que no passado resultaram no chamado estrangulamento externo (crises da dívida, cambial, etc) não terão como atuar devido a uma montanha de divisas que permitir-nos-ia pagar dois anos de importações mesmo que não vendêssemos um único centavo, e isso em um momento em que temos algumas das empresas mais competitivas do mundo em setores-chave e câmbio flutuante.
Dependemos, portanto, de fatores intrínsecos para regular o quanto avançaremos. Dado o subconsumo histórico do povo brasileiro, nenhum motivo que não envolva restrições compulsórias fará com que as famílias pare de comprar. Daí as vendas no varejo estarem se acelerando; o número de empregos e os salários, expandindo-se, tudo ao contrário do que está ocorrendo nos Estados Unidos. Deste modo, no que depender do mercado interno, estamos bem.
Mas os alarmistas podem sempre dizer que, apesar de relativamente pequeno, há sempre o comércio exterior para ser contagiado. Há aí, porém, um atenuante muito importante. O país é um grande exportador de alimentos e, por mais que a situação fique ruim nos nossos parceiros comerciais, deixar de comer eles não vão. Principalmente a China, que, como toda a ditadura, precisa da ilusão de bem-estar para manter uma certa paz social, não deixará de comprar os alimentos que podemos oferecer, além de outras commodities.
Basta que nenhuma daquelas inovações que nossos governos são pródigos em apresentar ocorra, e atravessaremos bem por essa turbulência que se avizinha. Só fico com uma pulga atrás da orelha devido ao nosso governo, que, como sabem, não me passa nenhuma confiança.
Vou aqui disser porque acho que estamos seguros, caso nenhuma besteira seja feita.
O Brasil é pouco aberto ao comércio externo, a corrente de comércio exterior é de pouco mais de 15% do PIB, resultando que nosso crescimento econômico é decidido pelo que acontece aqui dentro. Fatores que no passado resultaram no chamado estrangulamento externo (crises da dívida, cambial, etc) não terão como atuar devido a uma montanha de divisas que permitir-nos-ia pagar dois anos de importações mesmo que não vendêssemos um único centavo, e isso em um momento em que temos algumas das empresas mais competitivas do mundo em setores-chave e câmbio flutuante.
Dependemos, portanto, de fatores intrínsecos para regular o quanto avançaremos. Dado o subconsumo histórico do povo brasileiro, nenhum motivo que não envolva restrições compulsórias fará com que as famílias pare de comprar. Daí as vendas no varejo estarem se acelerando; o número de empregos e os salários, expandindo-se, tudo ao contrário do que está ocorrendo nos Estados Unidos. Deste modo, no que depender do mercado interno, estamos bem.
Mas os alarmistas podem sempre dizer que, apesar de relativamente pequeno, há sempre o comércio exterior para ser contagiado. Há aí, porém, um atenuante muito importante. O país é um grande exportador de alimentos e, por mais que a situação fique ruim nos nossos parceiros comerciais, deixar de comer eles não vão. Principalmente a China, que, como toda a ditadura, precisa da ilusão de bem-estar para manter uma certa paz social, não deixará de comprar os alimentos que podemos oferecer, além de outras commodities.
Basta que nenhuma daquelas inovações que nossos governos são pródigos em apresentar ocorra, e atravessaremos bem por essa turbulência que se avizinha. Só fico com uma pulga atrás da orelha devido ao nosso governo, que, como sabem, não me passa nenhuma confiança.
quinta-feira, 13 de março de 2008
Ainda devagar, mas vou pegar no tranco
Cabe fazer um comentário a respeito do "pacote cambial" de ontem.
Não servirá para nada além da reunião social que é para a mídia que normalmente cobre este tipo de evento.
Quem exportava antes o continuará fazendo. Quem aplicava no Brasil, também. E qualquer um que faça contas não deixará suas reservas em uma moeda que está derretendo (nas palavras do nosso lácteo ministro) ao invés de uma que se valoriza a cada dia.
Mas as medidas têm ao menos uma boa intenção, indicam que estamos mais liberais, e que o núcleo duro do miolo mole, nas palavras de Reinaldo Azevedo, está tendo que engulir, nas palavras de Zagalo, a normalidade de nossa economia; avança apesar do Estado, quando não contra ele
Não servirá para nada além da reunião social que é para a mídia que normalmente cobre este tipo de evento.
Quem exportava antes o continuará fazendo. Quem aplicava no Brasil, também. E qualquer um que faça contas não deixará suas reservas em uma moeda que está derretendo (nas palavras do nosso lácteo ministro) ao invés de uma que se valoriza a cada dia.
Mas as medidas têm ao menos uma boa intenção, indicam que estamos mais liberais, e que o núcleo duro do miolo mole, nas palavras de Reinaldo Azevedo, está tendo que engulir, nas palavras de Zagalo, a normalidade de nossa economia; avança apesar do Estado, quando não contra ele
sexta-feira, 18 de janeiro de 2008
Economics
Não deixa de ser ridículo o debate sobre os Estados Unidos estarem em recessão ou não. Meu velho dicionário de economia diz que recessão é: "declínio da atividade econômica, caracterizada por queda da produção, aumento do desemprego, diminuição da taxa de lucros e crescimento do índice de falências e concordatas". Pois bem, o que falta então?
O índice da construção civil de lá despencou 14% em dezembro, a venda do comércio varejista, 6, na comparação com o ano passado (e, se levarmos em conta a inflação do período, a queda é de quase 10%), a geração de empregos está praticamente nula - o que nos mostra que os milhares que querem entrar no mercado de trabalho ficarão chupando dedo - e a confiança na moeda fez a celebre Gisele exigir pagamento em euros. E vêm uns fanfarrões (incrível como esta palavra foi reincorporada ao vernáculo) e dizem que tudo vai bem na economia "real", que apenas o sistema financeiro está sofrendo.
Os 100 bilhões de dólares que Ben Bernanke presume serem os prejuízos do sistema bancário certamente não custarão apenas as cabeças dos muito bem pagos "chairmen" das instituições de crédito. Resultarão em enxugamento da liquidez, encolhimento do consumo e falta de incentivos ao investimento produtivo. Em resumo, o pesadelo de governantes em ano eleitoral. E nós já vimos o que o governante GWB é capaz de fazer quando tem um desafio pela frente: besteira, muita besteira.
Porém há algo de novo no ar, o Brasil está realmente pouco exposto à crise que pode vir por contaminação. Atuar pouco no comércio mundial por vezes nos traz vantagens.
O índice da construção civil de lá despencou 14% em dezembro, a venda do comércio varejista, 6, na comparação com o ano passado (e, se levarmos em conta a inflação do período, a queda é de quase 10%), a geração de empregos está praticamente nula - o que nos mostra que os milhares que querem entrar no mercado de trabalho ficarão chupando dedo - e a confiança na moeda fez a celebre Gisele exigir pagamento em euros. E vêm uns fanfarrões (incrível como esta palavra foi reincorporada ao vernáculo) e dizem que tudo vai bem na economia "real", que apenas o sistema financeiro está sofrendo.
Os 100 bilhões de dólares que Ben Bernanke presume serem os prejuízos do sistema bancário certamente não custarão apenas as cabeças dos muito bem pagos "chairmen" das instituições de crédito. Resultarão em enxugamento da liquidez, encolhimento do consumo e falta de incentivos ao investimento produtivo. Em resumo, o pesadelo de governantes em ano eleitoral. E nós já vimos o que o governante GWB é capaz de fazer quando tem um desafio pela frente: besteira, muita besteira.
Porém há algo de novo no ar, o Brasil está realmente pouco exposto à crise que pode vir por contaminação. Atuar pouco no comércio mundial por vezes nos traz vantagens.
sábado, 12 de janeiro de 2008
Pelo menos a fartura não temos mais
Alguns meses atrás escrevi um artigo no qual culpava a fartura brasileira pelo nosso atraso, basta procurarem nos números atrasados aí ao lado se quiserem relembrar. Também escrevi algo duvidando que a escassez de energia pudesse retornar ao Brasil, devido à infinidade de fontes baratas de energia das quais dispomos.
Parece que os fatos desmentem-me, dia após outro. Um novo apagão desenha-se no horizonte e, graças a competência - ou falta de - dos que gerem o sistema, podemos em breve tomar banho frio e jantar à luz de velas todas as noites. Será ou não romântico?
Mas para tudo há compensações, passar um apertinho pode fazer os dirigentes entenderem que pesquisa em tecnologias poupadoras de recursos finitos compensa.
Vai que daí sai algo que pode nos trazer prosperidade, tipo um acidente como o que levou-nos ao álcool combustível, digo, etanol.
Parece que os fatos desmentem-me, dia após outro. Um novo apagão desenha-se no horizonte e, graças a competência - ou falta de - dos que gerem o sistema, podemos em breve tomar banho frio e jantar à luz de velas todas as noites. Será ou não romântico?
Mas para tudo há compensações, passar um apertinho pode fazer os dirigentes entenderem que pesquisa em tecnologias poupadoras de recursos finitos compensa.
Vai que daí sai algo que pode nos trazer prosperidade, tipo um acidente como o que levou-nos ao álcool combustível, digo, etanol.
E as coisas explicam-se automaticamente
Vocês viram o show do Chaves de ontem? Ou seria o do Chávez? Aquele que usa camiseta vermelha com inscrições e se crê muito astuto - se bem que esta não é uma boa descrição porque pode ser que pensem que estou falando do Chapolim -, melhor, o presidente de um país amigo e cheio de petróleo e de si. De qualquer forma, protagonizou um espetáculo e tanto.
Helicópteros chegando e uma voz de fundo contando-nos o que se passava. Empolgadíssima, a narração dizia que as reféns haviam sido recuperadas após a libertação das forças combatentes colombianas. Mais algumas horas e o dono da voz estava perante as câmaras de tv e o arremedo de Câmara de representantes de seu país para pedir que algumas nações mais sérias do que a sua retirassem da lista organizações terroristas os "revolucionários" que algumas horas antes deixaram que duas mulheres seguissem os rumos de suas vidas depois de anos presas sem nenhum julgamento. Por quê? Porque as organizações para-militares colombianas têm um projeto bolivariano que na Venezuela é permitido.
Será que é por essa permissão que os índices de criminalidade nos dois países seguem em trajetória oposta: os da Colômbia caem e os do país do fanfarrão sobem? Espero que os líderes dos outros países saibam reconhecer a fanfarronice quando a vêem, pois estão faltando espelhos em Caracas para mostrar o ridículo que os venezuelanos estão passando.
Helicópteros chegando e uma voz de fundo contando-nos o que se passava. Empolgadíssima, a narração dizia que as reféns haviam sido recuperadas após a libertação das forças combatentes colombianas. Mais algumas horas e o dono da voz estava perante as câmaras de tv e o arremedo de Câmara de representantes de seu país para pedir que algumas nações mais sérias do que a sua retirassem da lista organizações terroristas os "revolucionários" que algumas horas antes deixaram que duas mulheres seguissem os rumos de suas vidas depois de anos presas sem nenhum julgamento. Por quê? Porque as organizações para-militares colombianas têm um projeto bolivariano que na Venezuela é permitido.
Será que é por essa permissão que os índices de criminalidade nos dois países seguem em trajetória oposta: os da Colômbia caem e os do país do fanfarrão sobem? Espero que os líderes dos outros países saibam reconhecer a fanfarronice quando a vêem, pois estão faltando espelhos em Caracas para mostrar o ridículo que os venezuelanos estão passando.
terça-feira, 31 de julho de 2007
Deixa ver se entendi
Quer dizer que a pista de Cumbica está fora do prazo de validade há dois anos e a Infraero fazendo investimento em shopping centers?
Só pode ser culpa da herança maldita mesmo.
Só pode ser culpa da herança maldita mesmo.
sexta-feira, 20 de julho de 2007
Quando?
Durante o episódio do mensalão, perguntei se os partidos de oposição não entrariam seriamente em um movimento de impeachment contra este (des)governo corrupto. Me indagava: Se não agora, quando?
Repito a pergunta. Se não deram motivos suficientes, o que precisam fazer para que alguém aja?
Repito a pergunta. Se não deram motivos suficientes, o que precisam fazer para que alguém aja?
quarta-feira, 18 de julho de 2007
Sem palavras
Se ainda resta alguém lendo este blog, deve estar se perguntando o porquê do silêncio sepulcral.
Não se trata de um luto oficial ou minuto de silêncio em respeito as vítimas, que bem mereceriam, mas simples falta de palavras para descrever o que me vem a mente.
Esperarei até amanhã, para ver se esta raiva passa.
Faço votos que estes quase duzentos martirizados pela incompetência ao menos abram os olhos da nossa população para o que está ocorrendo por aqui.
Não se trata de um luto oficial ou minuto de silêncio em respeito as vítimas, que bem mereceriam, mas simples falta de palavras para descrever o que me vem a mente.
Esperarei até amanhã, para ver se esta raiva passa.
Faço votos que estes quase duzentos martirizados pela incompetência ao menos abram os olhos da nossa população para o que está ocorrendo por aqui.
sábado, 14 de julho de 2007
Tá com tudo
O presidente está com tudo junto aos admiradores do esporte. E aparentemente havia mais de uma orquestra na abertura, dizem os profissionais.
Sei lá, as 90 mil pessoas que estavam lá devem ter sido obrigadas a tudo, não é?
Sei lá, as 90 mil pessoas que estavam lá devem ter sido obrigadas a tudo, não é?
Outros exemplos de planejamento estatal e, porque não dizer, prosperidade
Dê uma olhadinha nestas reportagens que estão na página de abertura da Uol de hoje. Aqui, aqui (para assinantes UOL ou Folha de S. Paulo) e aqui. Isso em apenas um dia, imagine se estivéssemos procurando pelo em ovo? Teriamos que chamar um barbeiro para trabalhar em tempo integral.
Somos ou não um exemplo de planejamento e prosperidade, rumo ao primeiro mundo?
Algum de vocês lembra-se do que os organizadores deste Pan falavam dos de Santo Domingo quatro anos atrás?
Somos ou não um exemplo de planejamento e prosperidade, rumo ao primeiro mundo?
Algum de vocês lembra-se do que os organizadores deste Pan falavam dos de Santo Domingo quatro anos atrás?
Seguindo o mestre
Dizem por aí que manteiga em italiano é burro. Meus parcos conhecimentos de línguas não permitem confirmar isso, mas vou aceitar por enquanto.
Nosso ministro da economia (propositalmente com letra minúscula) é um italiano chamado Mantega. Tenho a impressão que foi um erro de tradução e de grafia.
O homem só abre a boca para falar besteira. Há pouco tempo disse que o caos aéreo é resultado da prosperidade. No jornal Estado de S. Paulo de ontem há uma reportagem na qual está escrito que o baixo crescimento da economia brasileira no primeiro mandato Lula foi planejado. Para impedir que um apagão aos moldes do que está ocorrendo na Argentina, abalasse nossos “sólidos” fundamentos.
E, creiam vocês, não foi na página de piadas (que o jornalzão, muito mal-humorado, nem tem), e sim na de economia.
O laticínico ministro deve ser um homônimo daquele que foi encarregado da Pasta de Planejamento e do comando do BNDES no primeiro governo lulático. Não é possível que seja aquele que reclamou durante anos das políticas empregadas pela dupla Palocci- Meireles.
Se for, teremos um notável exemplo de siga o mestre. Um senhor bravateiro que só não chegará à Presidência porque a Constituição veda isso aos não-natos. Mas que ele merece, merece.
Nosso ministro da economia (propositalmente com letra minúscula) é um italiano chamado Mantega. Tenho a impressão que foi um erro de tradução e de grafia.
O homem só abre a boca para falar besteira. Há pouco tempo disse que o caos aéreo é resultado da prosperidade. No jornal Estado de S. Paulo de ontem há uma reportagem na qual está escrito que o baixo crescimento da economia brasileira no primeiro mandato Lula foi planejado. Para impedir que um apagão aos moldes do que está ocorrendo na Argentina, abalasse nossos “sólidos” fundamentos.
E, creiam vocês, não foi na página de piadas (que o jornalzão, muito mal-humorado, nem tem), e sim na de economia.
O laticínico ministro deve ser um homônimo daquele que foi encarregado da Pasta de Planejamento e do comando do BNDES no primeiro governo lulático. Não é possível que seja aquele que reclamou durante anos das políticas empregadas pela dupla Palocci- Meireles.
Se for, teremos um notável exemplo de siga o mestre. Um senhor bravateiro que só não chegará à Presidência porque a Constituição veda isso aos não-natos. Mas que ele merece, merece.
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