sexta-feira, 27 de março de 2015

Inconsequência ou insanidade?

Como definir um governo que sanciona uma lei em 27 de novembro e diz quatro meses depois que sua aplicação seria uma inconsequência.
Não era favorável à mudança de indexador, mas isso é passado, o governo que lide com as escolhas que fez, porém algo me intriga. Será possível que esse ataque de responsabilidade é fruto de um evento?
Mudança de opinião sem que nada de objetivo tenha mudado não faz desse governo mais confiável aos olhos de ninguém.
Se eu já não esperava nada de bom dele, fico agora na expectativa de que termine rápido, e não acabe com o Brasil no processo.
Não tenho ainda a convicção formada se esse governo é apenas inconsequente ou se é insano mesmo.

terça-feira, 17 de março de 2015

Errei, mas não foi eu

O músico Lobão tornou célebre a frase "peidei, mas não foi eu". Dilma parece preferir o peidei, mas não fedeu.
Na longa entrevista abaixo, vemos que ela, em um ataque de "humildade", diz que pode ter havido erros na condução econômica, porém que as coisas estariam piores se a condução econômica fosse outra.
Ou seja, Dilma, como dizem de Deus, escreve certo por linhas tortas.
Eita presidente , ou a, boa.
 

terça-feira, 3 de março de 2015

Sobre deflação ou inflação baixa

Pergunta de Martin Feldstein
Suspeito que a resposta é que os governos, aos quais os banqueiros centrais representam, são os grandes ganhadores de taxas de inflação moderadas, pois não levam a fama - que recai sobre os empresários- e aproveitam o bônus - aumento de poder de investimento por parte do imposto oculto-, e, portanto, tentam esticar a corda inflacionária até onde dá.

segunda-feira, 2 de março de 2015

Desonerações da folha salarial

Levy considerou a experiência trágica, mas eu penso que era uma das poucas políticas estruturantes dos governos petistas, como declarei em setembro de 2012:
 "a reforma da previdência dos servidores públicos e a ampliação do ensino superior (uma terceira seria a desoneração de impostos sobre a folha salarial, mas essa precisa ainda ser consolidada para que possa ser levada a sério)"
 Ela não foi consolida e, portanto, não pode ser levada a sério.
Mas, contudo, não deixam de causar estranheza os argumentos apontados pelo governo, na figura de Levy.
Se o governo tem gasto cerca de 100 mil para manter cada emprego (por volta de 250 mil deles, então) nesses setores , foi realmente um disparate, dado que as contas do próprio governo davam como certo que os os cerca de 2,5 bi empregados em Mariel sozinhos teriam sido responsáveis pela criação de 150 mil empregos no Brasil. Pelo jeito, estamos marcando toca por ainda não estarmos construindo um porto em cada ditadura dita comunista no mundo.
Se os subsídios eram tão pesados, por que 37 mil empresas estariam no sistema apenas por que assim eram obrigadas?
Parece-me que grosseiras mesmas foram as desculpas dadas para descontinuar o programa. Na tentativa de aumentar a arrecadação a todo custo, estão jogando fora a água do banho, o bebê e a banheirinha.

sexta-feira, 7 de março de 2014

Energia Solar Fotovoltaica - Vale ou não a pena

Estava lendo essa reportagem e peguei-me imaginando se ele fazia sentido. Cheguei à conclusão de que não vale, ainda, ser um microgerador de energia fotovoltaica no Brasil.
O problema não é o custo da energia gerada em si, pois ela tende a ser mais barata do que a fornecida pelo sistema de distribuição.
Tomemos, por exemplo, a região da AES Eletropaulo e as condições de compra de painéis solares de um site especializado (no caso, esse). Assumindo algumas premissas, que podem ser falsas, de custo de projeto e instalação e uso contínuo dos painéis por 30 anos e chegamos à seguinte tabela:
Podemos observar que, nos sistemas de maior produção, é mais barato produzir a própria energia, mas, infelizmente, não é apenas o custo de produção que se deve levar em conta para ver a viabilidade econômica de um investimento.
Deve-se levar em conta também o custo de oportunidade, o que se poderia fazer alternativamente com o investimento, e, no caso de países com taxas de juros enormes como as nossas, é normalmente mais vantajoso fazer aplicações financeiras dos recursos iniciais e pagar as contas mensais das companhias de energia.
Fazendo simulações com consumos de 500, 1000 e 2000 KWh/mês, capacidades dos sistemas geradores compatíveis e o retorno da poupança, podemos ver que, em consumos maiores, há a possibilidade teórica de usufruir um lucro marginal da cogeração, porém os riscos provavelmente não seriam compensadores:


Consumo de 500 KWh

Consumo de 1000 KWh
Consumo de 2000 KWh


Deste modo, pode-se concluir que o que impede o uso de painéis fotovoltaicos no país não é o custo do capital, mas o alto retorno financeiro das aplicações bancárias. Quem tem dinheiro para gastar, faz melhor em guardá-lo.
Países onde o crescimento está muito mais acelerado que o nosso valem-se de juros negativos como incentivo,  como a Austrália, ou pagamentos mais altos pela energia produzida, como a Alemanha.
Se, algum dia, o Brasil virar um país "normal", células fotovoltaicas serão extremamente compensadoras. O problema é que fica difícil de apostar nesta normalidade.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Milícias

milícia


substantivo feminino ( sXIV)
1 arte e prática da guerra
    ‹ treinamento da m. ›
2 a guerra propriamente dita
    ‹ unidos na paz e na m. ›
3 conjunto de tropas de um país; exército
    ‹ m. romana ›
4 qualquer organização de cidadãos armados que não integram o exército de um país
    ‹ as m. da Resistência francesa ›
5 grupo de militantes de entidade religiosa, política etc.
    ‹ m. cristã › ‹ m. socialista ›
6 ( c2007 ) RJ grupo armado de pessoas ger. com formação militar, paramilitar ou policial, que atua à margem da lei em algumas comunidades carentes, pretensamente para combater o crime [Mantém-se com recursos provenientes da venda de proteção à população de baixa renda, pirataria de sinais de TV a cabo, venda de gás engarrafado e outros expedientes.]



Nas acepções acima, retiradas do Houaiss, vemos que milícias podem ser muitas coisas, mas sempre estão associadas à violência.
Marcelo Freixo foi acusado agora de ter conexões com os Black Bloc, ou, ao menos, com os implicados com a morte do cinegrafista Santiago.
Espero, sinceramente, que essas acusações mostrem-se infundadas. Seria péssimo que o "herói" das lutas contra um certo tipo de milícia fosse o "campeão" da defesa de outro.



sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

E estão batendo bumbo

Falei umas poucas vezes de estádios, hoje arenas, aqui (acho que a última foi essa), mas preciso retomar o assunto porque um grande prejuízo ao erário está sendo divulgado como se estivéssemos ganhando muito.
Observemos a divulgação, ou propaganda oficial:
"Os R$ 8 bilhões gastos com a construção e a reforma dos estádios que sediarão os jogos da Copa do Mundo apresentaram, em 2013, os primeiros retornos financeiros"
Legal, né? Seria se de fato houvesse algum retorno aí.
Façamos algumas suposições e, depois, umas continhas para concluir se o ufanismo apresentada no portal oficial tem alguma razão de ser:

  • Nos estádios já inaugurados, foram aplicados algo em torno de 5 bilhões de reais;
  • O retorno dos investimentos bancários é em torno de 6% ao ano;
  • A taxa Selic é de 10,5;
  • Algo da arrecadação aconteceria de qualquer maneira.
Então vejamos, começando pelo fim, a matéria informa que a arrecadação subiu 49% em relação ao ano anterior, o que poderia corresponder a um aumento provocado pelos novos estádios - o que é bastante discutível, mas vamos aceitar como verdadeiro, de 90 milhões de reais :

Com base neste número de "retorno financeiro" - outro valor que é discutível, pois esse seria, na verdade, apenas aumento de faturamento e antes de virar lucro seria necessário saber o quanto disso seria comido pelos custos operacionais das novas arenas esportivas - façamos uma comparação com o que poderia se fazer alternativamente com o dinheiro aplicado nos estádios/elefantes brancos, o chamado custo de oportunidade:

Pois é, deixasse o dinheiro parado em um banco, mais de três vezes mais retorno financeiro, sem aspas, ou pagasse um pedaço de sua dívida, mais de cinco vezes de retorno, o governo ganharia muito mais.
Só que aí entram outras satisfações, prazeres e gozos que não os financeiros. Afinal, como diz Ronaldo, não se faz Copa sem estádio.



Mas não me venham falar de retorno financeiro, que de fato não ocorreu.
Se querem bater bumbo, façam na torcida, se é que será permitido isso na Copa, não mentindo na imprensa mais do que oficial.