quarta-feira, 8 de julho de 2015

Vitória de Pi...

Os gregos decidiram pelo não, significando que não farão, voluntariamente, novos sacrifícios para saldar a dívida. A pergunta que fica é, isso será menos sacrificado? Poderá a Grécia saldar suas outras obrigações caso deixe de arcar com os encargos referentes ao que deixará de saldar?
A população não quer ver seus rendimentos caírem e seus impostos subirem, e por isso foram majoritariamente de "oxi" (não).
Sendo fiscalmente deficitária independentemente dos encargos pagos, e permanecendo na Zona do Euro, o governo terá que, obrigatoriamente, fazer arrocho fiscal ou tributário, tendo como consequência final para população aquilo para o que ela disse não.
Saindo da Zona do Euro, e podendo emitir moeda, a Grécia sujeitará seus cidadãos ao imposto inflacionário, gerando queda de rendimento para quase todos os gregos (os barões exportadores serão a exceção). E isso sem o colchão europeu para amaciar o baque.
Ou seja, os gregos sofreram um estelionato plebiscitário.
Hoje, há um grande número de sócios na alegria pela decisão grega, quero ver quantos irão associar-se na hora do desastre. Pelo jeito, não muitos.

quinta-feira, 23 de abril de 2015

A Petrobras morreu, e pode ter sido em boa hora

O anúncio do prejuízo da Petrobras trouxe comoção na imprensa e nova fuga de investidores, mas, talvez, a tragédia da empresa, que nunca foi inevitável e é fruto de uma imensa conjunção de incompetência e safadeza, pode ter poupado o bolso dos brasileiros em bilhões de dólares.
A empresa não precisaria estar em situação pré-falimentar, com a maior dívida do mundo entre seus pares, ou ser obrigada a reconhecer mais de 40 bi em maus investimentos no balanço caso tivesse, durante a última década e meia, seguido a trajetória de uma petrolífera comum, preocupada apenas em entregar produção para os clientes e não em "desenvolver" um país - e alguns parasitas.
Não precisaria, mas o fato é que está e reconheceu, e, portanto, terá grandes dificuldades para seguir na aventura faraônica do pré-sal em um momento que, provavelmente, será lembrado como o ponto em que os combustíveis fósseis viraram pré-história (e o cara do vídeo aí embaixo, e autor de um livro que eu recomendo, explica os motivos).



Ele, Tony Seba, estima que, por volta de 2018 e devido a evolução das baterias, os carros elétricos terão preços compatíveis com o do carro médio dos Estados Unidos (30 mil dólares) e desempenho muito melhor, o que trará consequências que tornarão o petróleo e seus primos fósseis extintos como alternativa energética até, o mais tardar, 2030. Acredito no raciocínio por trás das conclusões que ele apresenta.
O cronograma de investimentos anterior da Petrobras pretendia afundar bilhões, e alguns foram mesmo investidos lá, na exploração da camada pré-sal. O retorno em produção aconteceria, necessariamente, nos estertores da era dos combustíveis fósseis, trazendo como dividendos nada mais do que histórias.
Se há males que vem para o bem, como dizem as vovozinhas, isso pode ter ocorrido com a Petrobras. Esse grande prejuízo revelado ontem pode ter prevenido outros enormes mais para frente.
Isso se um pouco de sensatez entrar na cabeça dos tomadores de decisão da área energética brasileira e a megalomania for deixada de lado.

quarta-feira, 1 de abril de 2015

Há dez anos surgia esse blog

Ao escrever essa postagem, em 22 de abril de 2011, estou apenas querendo homenagear esse esforço intelectual de manter um blog por tanto tempo. Pode ser que esse esforço já tenha até fracassado no momento em que ele for para o ar, pode ser que eu tenha morrido ou esteja impossibilitado de escrever por alguma razão, mas saiba que enquanto existir, ou existiu, esse repositório de meus pensamentos buscará, ou buscou, colaborar com os leitores de alguma forma.
Segue o link para a primeira postagem que foi posta no ar, um texto que no momento em que foi publicado já contava com dez anos de idade e que, portanto, já completou duas décadas seguindo, ao que parece e infelizmente, atual: "Líderes Religiosos".

sexta-feira, 27 de março de 2015

Inconsequência ou insanidade?

Como definir um governo que sanciona uma lei em 27 de novembro e diz quatro meses depois que sua aplicação seria uma inconsequência.
Não era favorável à mudança de indexador, mas isso é passado, o governo que lide com as escolhas que fez, porém algo me intriga. Será possível que esse ataque de responsabilidade é fruto de um evento?
Mudança de opinião sem que nada de objetivo tenha mudado não faz desse governo mais confiável aos olhos de ninguém.
Se eu já não esperava nada de bom dele, fico agora na expectativa de que termine rápido, e não acabe com o Brasil no processo.
Não tenho ainda a convicção formada se esse governo é apenas inconsequente ou se é insano mesmo.

terça-feira, 17 de março de 2015

Errei, mas não foi eu

O músico Lobão tornou célebre a frase "peidei, mas não foi eu". Dilma parece preferir o peidei, mas não fedeu.
Na longa entrevista abaixo, vemos que ela, em um ataque de "humildade", diz que pode ter havido erros na condução econômica, porém que as coisas estariam piores se a condução econômica fosse outra.
Ou seja, Dilma, como dizem de Deus, escreve certo por linhas tortas.
Eita presidente , ou a, boa.
 

terça-feira, 3 de março de 2015

Sobre deflação ou inflação baixa

Pergunta de Martin Feldstein
Suspeito que a resposta é que os governos, aos quais os banqueiros centrais representam, são os grandes ganhadores de taxas de inflação moderadas, pois não levam a fama - que recai sobre os empresários- e aproveitam o bônus - aumento de poder de investimento por parte do imposto oculto-, e, portanto, tentam esticar a corda inflacionária até onde dá.