terça-feira, 21 de novembro de 2006

Alternativas

No domingo os cadernos de economia dos grandes jornais paulistanos foram marcados por análises a respeito do biodiesel devido à inauguração por parte do presidente da República de uma nova planta industrial de produção do combustível.
Quem acompanha meus textos a mais tempo sabe que sou um entusiasta da biomassa e dos demais meios “alternativos”, e que toda a publicidade para estes meios me satisfaz, mas há um pequeno detalhe.
O problema é que se está formando um falso dilema entre a utilização ou não de soja como fonte de óleo.
Já se falou de tudo a respeito disso: que o rendimento energético da soja é muito baixo, que ela amplia a concentração agrária, que o programa de biodiesel perde sua função social.
Tudo isso é besteira na medida que não leva em conta que estamos em um país com livre mercado e que não é função de um programa de segurança energética fazer inclusão. Caso o faça, será um ganho colateral e bem vindo.
O grande ponto central do sistema energético nacional deve ser a interligação física das redes de distribuição de energia e a diversificação de fontes energéticas; de modo que as regiões consumidoras e produtoras, assim como as maneiras de se obter a energia a ser distribuída sejam complementares e dessazonalizadas.
Por exemplo, poderemos ter um sistema que se construa para que nos meses de estiagem se tenha mais participação da coleta de energia solar enquanto nos meses de cheia dos rios se utilize mais a hidroeletricidade.
Quanto a utilização de soja ou de outra matriz para a obtenção de óleo, o que precisa ser analisado primeiramente é a disponibilidade imediata do produto. Mesmo que tenha um rendimento energético maior, não faz sentido que se transporte óleo de uma região para a outra, se o intuito for basicamente o de transformá-lo depois em biodiesel. No caso específico da soja, produto basicamente para a exportação, é importante salientar que o óleo é um subproduto e que muitas vezes o peso deste é um empecilho para o transporte.
Neste contexto utilizar o óleo de soja como combustível é muito mais econômica do que qualquer alternativa que se possa apresentar, pois evita o transporte do diesel fóssil até as regiões produtoras, diminui a massa e o volume do produto efetivamente exportável e movimenta a economia local na prensagem e manipulação química do biodiesel.
Caso este princípio seja utilizado em todas as regiões, se economizará um grande volume de combustível que é gasto apenas para deslocar combustível das zonas produtoras para as zonas consumidoras, algo que ecologicamente é totalmente ilógica e insustentável.
O país não deve ter uma matriz rígida e nacional para a energia, deve aproveitar as potencialidades regionais e ser uma colcha de retalhos de matrizes e matizes energéticas diferentes.

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