segunda-feira, 3 de julho de 2006

Deformação de opinião

Se há um comentarista econômico que eu não recomendo, este é Alberto Tamer.
Ontem, comentando sobre a filantropia institucionalizada que existe nos Estados Unidos, foi publicado um texto dele no Estadão que continha o seguinte fragmento:
“Com a doação de 85% de sua fortuna – 44 bilhões – para o fundo criado e gerido por Bill e Melinda Gates , Warren Buffett, 75 anos, supersaudável, criador e presidente da Wal-Mart, transformou-se no maior filantropo mundial. Melinda disse que ele nada mais estava fazendo do que devolver para os pobres, os miseráveis, os desnutridos e menos favorecidos, uma parte do que a sociedade lhe havia dado. Eles doaram 31% do P.I.B. brasileiro”.
Como pode alguém escrever tamanho despautério em tão pouco espaço.
Como podemos confiar em um articulista que retira todo o mérito do falecido Sam Walton, este sim fundador da rede Wal-Mart, e ainda reduz drasticamente o P.I.B. brasileiro.
Pois deve ter havido um espetáculo de empobrecimento da nação. Sendo o patrimônio da Fundação Bill e Melinda Gates por volta de 70 bilhões de dólares – cuja soma não foi toda doada pela trinca Bill, Melinda e Warren (que imagino são os “eles” citados no texto) – percebe-se que Tamer estima que a nossa riqueza é de, no máximo, 200 bilhões anuais.
Nunca vi nada menor do que 500 bilhões para o nosso P.I.B., por mais pessimista que seja a forma de arredondamento para baixo das projeções. Inclusive acaba de ser lançado uma projeção para ele que nos coloca entre os 15 maiores do mundo.
É o verdadeiro espetáculo do encolhimento.
Mas é claro que não é apenas por estes pequenos erros de informação que Tamer está na minha lista de não recomendáveis.
Erros acontecem e confundir alhos com bugalhos ou fulanos com cicranos demonstra apenas que o autor não deu a devida importância para ao dado (no mais apenas uma curiosidade em importância para o entendimento do tema), só que no engano a respeito do tamanho da economia brasileira aparece um fator importante.
De tudo que li escrito por Alberto Tamer até hoje, não me recordo de ter concordado com nada. Até aí tudo normal, afinal eu discordo mesmo, porém começo a desconfiar que não é apenas rabugice da minha parte.
Se ele não conhece um dado tão primário de seu objeto de análise, como confiar no que diz este especialista?
Se este é o nível da cobertura econômica a que estamos sujeitos no Brasil não me admira que a população ache normal que nosso governo pague taxas de juros reais de mais de 10% anuais ou até que não saiba disso.

quinta-feira, 29 de junho de 2006

Brasil colônia

Há uma coisa em que o Brasil é primeiro mundo, o futebol.
Esta idéia cansou de ser apresentada aos brasileiros nesta copa do mundo. Nada mais distante da verdade, ao menos no ver do técnico de nossa seleção (ou seria o head coach).
Para nosso comandante o primeiro mundo do futebol está sem dúvida alguma na Europa, e todas as concepções que temos sobre o modo de jogo por estas bandas não valem nada.
E daí se os brasileiros gostam de jogo bonito, se gostam de ver o time procurar o gol, se preferem que nossa seleção fazendo os adversários de bobo invés de ficar correndo atrás deles ou esperando que estes nos ataquem como fizeram os ganeses (tudo bem que a Globo os chamem de ganenses, deve estar certa, mas acho que ganês soa melhor). São todos uns bobos que não entendem nada de futebol mundial.
Como todos sabem, os livros mais avançados sobre futebol editados nos avançadíssimos Estados Unidos demonstram que o mais importante é defender, mesmo que os adversários estejam morrendo de medo do seu ataque estrelado e só queiram sair no contra-ataque. O gol é um mero detalhe, e a melhor vitória é a sofrida, nos pênaltis.
Tudo isso porque somos uma colônia, ou ao menos temos a mentalidade de uma.
Tudo que vem do estrangeiro tem uma qualidade que nunca poderemos alcançar, ou podemos, desde que os estrangeiros endossem.
Não seria por esta razão que Parreira se recusou a colocar Robinho como titular até que se armou uma operação de guerra para retirá-lo do Santos. E não seria por isso também que o Adriano (que foi considerado o novo fenômeno pela imprensa italiana, mas que eu defino como um grosso) é titular absoluto da seleção a mais de um ano, mesmo quando esteve amargando uma fase desgraçada na sua equipe.
Não sem razão o sonho de qualquer boleiro de 10 anos nas escolinhas e clubes país afora é se transferir para o exterior, nem que seja para a Índia, Vietnã ou Bulgária. Lá eles estarão mais próximos do primeiro mundo da bola.
Parreira é quem tem razão; se com cinco títulos de copa do mundo, o campeonato mais competitivo do mundo e uma nação de 180 milhões de pessoas apaixonadas pelo esporte não conseguimos fazer com que nossas crianças sonhem em fazer carreira nos nossos clubes, só podemos estar diante de uma colônia.
O primeiro passo para ser primeiro mundo é acreditar que é, se nem onde somos “benchmark” (eu sempre imaginei que ainda usaria esta palavra e como bom colonizado fiz, se bem que desconfio que escrevi errado) e exportadores de mão-de-obra qualificada e mesmo de marcas nos sentimos por cima da carne-seca.
O problema é que posso estar olhando pelo lado errado. Não estamos exportando mão-de-obra qualificada e sim matéria-prima de primeira qualidade para ser manufaturada e transformada em espetáculo na metrópole, ou metrópoles.
Como sempre, aliás.

quarta-feira, 28 de junho de 2006

Desperdiçando oportunidades

Voltar a escrever depois de meia copa do mundo é sempre difícil, a inércia da inatividade é muito forte, mas vamos lá.
Se vocês têm mais de trinta como eu, devem se lembrar de que o sonho distante de adolescência era ter um carro equipado com as maravilhas das maravilhas tecnológicas, um toca-fitas autoreverse. E o sonho de consumo imediato era o “walk-man”.
Se você tem menos de quinze (deixando bem claro que eu duvido que alguém com menos de quinze lê este blog) nem sabe o que é toca-fitas e associa o termo “walk-man” com o celular com mp3 da Sony.
O que aconteceu neste espaço de anos?
A ascensão dos métodos de gravação óticos (cds, dvds e afins) e, principalmente, a descoberta em 1988, por Mario Norberto Baibich, da magnetoresistênia gigante.
Baibich é um pesquisador da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e magnetoresistência gigante a propriedade física que permite a construção de discos-rígidos ou mesmo dos leitores dos velhos disquetes e fitas dats.
Perceberam onde quero chegar com o título deste artigo?
A descoberta de Baibich possibilitou o aparecimento do computador pessoal de alto-desempenho e por um período o Brasil teve o maior – e único – especialista na propriedade.
E o que fez com isso?
Nada, absolutamente nada. Desperdiçou a oportunidade.
Li uma vez que a primeira transmissão radiofônica conhecida foi feita por um padre na região da avenida Paulista, nova inovação científica e novo desperdício de oportunidade.
Outros ocorreram, e certamente outros ocorrerão, e mostram que apesar de todos os erros cometidos por sucessivos governos “na história deste país”(Lula, em qualquer discurso dos muitos que concedeu como presidente) erraram mais ainda as classes empresariais, que nunca procuraram inovar tecnologicamente, se contentando em copiar ou comprar tecnologia estrangeira.
O fato é que mais do que um povo educado – fator essencial – é necessário que haja uma indústria inovadora para que um país se desenvolva.
Hoje em dia se costuma dizer que aproveitar a criatividade é o que as empresas devem fazer. Não há nada mais criativo do que a inovação tecnológica e, infelizmente, nada é mais raro por estas bandas.

quarta-feira, 14 de junho de 2006

Ilegalidade é crime

Agora que os acontecimentos da segunda-feira negra (aquela em que o PCC mostrou força) são história e a bola está correndo na Alemanha, talvez seja hora de analisar algumas coisinhas que nos levam a situação de medo em que nos encontramos.
Tudo que os políticos souberam dizer é que chegamos nesta situação devido a falhas no sistema educacional provido pelos políticos de décadas atrás, e que portanto nada têm com isso. Estão lavando as mãos já que os culpados são a “elite branca e cruel”.
Nossos “pilatos” sabem que dar boa educação aos brasileiros não resolverá o problema da criminalidade.
A única forma de realmente diminuir os índices de criminalidade é diminuindo a ilegalidade na nossa sociedade, que em alguns casos é travestida de informalidade.
Aliás, quase tudo que é chamado de informalidade no Brasil é na realidade a ponta de um esquema criminoso.
Nós sabemos que moral é um conceito bastante elástico e que uma vez ocorrida a primeira transgressão a ela as seguintes vêm quase que automaticamente, sendo necessário mais “autoridade” para reverter as transgressões a cada ato individual que vai contra ela. E em um país em que os sistemas repressivos da lei não funcionam, a única coisa que faz com que as leis sejam respeitadas é o código moral, que se esfacela a cada instante.
Por isso todos os esquemas “informais” acabam se transformando em “máfias”, mais ou menos violentas dependendo do estágio em que se encontram, mas sempre deletérias aos cofres públicos.
É só olharmos os exemplos de ilegalidades flagrantes e veremos uma grande fonte de dor de cabeça para a polícia.
Um que foi saudado como solução foi o advento dos perueiros clandestinos entre o final da década de 80 e o início da de 90 do século passado.
Devido ao barateamento dos ônibus e vans e uma melhora nas formas de financiamento destes ocorreu uma enxurrada de perueiros independentes e concorrentes com as linhas licitadas pelo poder público, nas mãos de empresas que prestavam um serviço muito ruim. Estes independentes logo se juntaram em cooperativas que acabaram dominadas por organizações criminosas, como a prisão do líder de uma destas cooperativas – alcunhado Pandora – na semana passada evidencia.
Além do financiamento do crime organizado, estas cooperativas agridem as contas públicas pela perda de receita do sistema legalmente consolidado de transporte público. Em muitos casos ocorre também o flagrante desrespeito as normas de trânsito – e uma montanha de multas não pagas acumuladas nos departamentos de trânsito dos estados – e uma sobrecarga das vias públicas.
Da mesma forma o comércio de rua é em grande parte uma forma de desovar os frutos do contrabando, da pirataria e do roubo de cargas. É óbvio que um combate eficiente a este comércio seria um golpe de morte nas quadrilhas especializadas nestes tipos de crime.
Assim como seria muito bom para a diminuição da violência extrema a descriminalização irrestrita de todas as drogas entorpecentes. Um problema policial passaria a ser apenas uma questão de saúde pública.
Portanto uma diminuição do nível de informalidade/ilegalidade traria evidentes ganhos nos índices de segurança pública, porém nenhum político se compromete a isso por duas razões básicas.
A primeira porque as ilegalidades são fonte de renda de milhares, se não milhões, de eleitores. Enquanto o combate a elas resulta em ganhos de toda a sociedade de forma desconcentrada as perdas são concentradas e mensuráveis pelo povo, que reage rapidamente.
A outra é que o combate a este tipo de criminalidade não resulta em propaganda fácil para os governantes (obras), mas sim em um aprimoramento da máquina pública e a exigência de que os funcionários e órgãos públicos atuem conforme suas obrigações. Ou seja, consiste em ferir interesses corporativos.
Enquanto não tivermos governantes que cumpram suas obrigações e deixem de “lavar as mãos” dizendo que tudo é uma questão de educação a criminalidade só crescerá.
Educar o povo é uma necessidade, só que não resolve tudo. Para alguns problemas, como a criminalidade, é preciso apenas que o Estado faça valer suas forças e prerrogativas; nada mais.

segunda-feira, 12 de junho de 2006

Está decidido

Em virtude dos jogos da Copa frequentarei bem menos este espaço no mês de junho.
Afinal todos têm direito a uma folguinha de vez em quando. Ou duas, ou três.

sexta-feira, 9 de junho de 2006

O bêbado e o futebolista, obeso

Apesar de parecer não é nome de música popular brasileira dos anos 70 é simplesmente uma, ahhh, discussão entre celebridades.
Bate-boca não é exatamente o objetivo de discussão deste blog, só que vou entrar um pouco nesta vereda.
Quem acompanha meus textos sabe que não tenho muito apreço pelos discursos de nosso excelentíssimo líder e agora acrescentem que não gosto dele atuando como entrevistador também.
Daí vem a motivação do texto: se você – apoiado por todo um aparato de mídia – coloca em dúvida as capacidades físicas de um indivíduo perante uma nação perguntando ao técnico da seleção brasileira se um atleta está gordo (a propósito, eu acho que está) abre um flanco para que este também coloque em dúvida suas capacidades governamentais.
Ronaldo foi até elegante por demais. Poderia ter feito menção a uma série de defeitos ou até delitos ligados em tese ao presidente Lula, mas só falou da possível propensão ao alcoolismo, e mesmo assim dizendo que era provavelmente mentira como seria mentira o que dizem sobre ele (a obesidade).
E bate-boca da pior espécie, porém podemos até dar risadas com ela. E mais do que o que tem acontecido com a nossa política nos últimos tempos.
Dela só extraímos lágrimas.

quarta-feira, 7 de junho de 2006

Nas contas da impunidade

Muito vai se discutir se os desordeiros que ontem depredaram o Congresso (mais 150 mil reais para os nossos gastos) tinham ou não a intenção de violência, mas uma coisa não se discute; atos como estes só vêm se intensificando devido a impunidades em série.
Se a cada vez que há uma destas investidas antidemocráticas contra o patrimônio público ou privado correspondesse a prisões dos envolvidos, indiciamentos e cobrança judicial dos danos isso já teria se tornado história.
Só que o contrário ocorre e as autoridades resolvem negociar com os criminosos – quer tenham ou não boas causas para lutar, seus atos são contra a lei vigente no país – e atendem as reinvidicações de modo que há um reforço positivo ao vandalismo.
Como culpar estes manifestantes por utilizar estas táticas se o mesmo é feito semanalmente país afora com o apoio tácito da mídia e de camadas do poder político?
É fato que o nosso país é cheio de leis e regras completamente anacrônicas, porém são elas que estão em vigor. Se estas não servem mais aos propósitos de regular a sociedade que as mudemos, mas enquanto estas estão vigentes é imperativo que as apliquemos. Ao nos darmos a liberdade de executar apenas as leis que nos agradam, estamos na verdade criando um ambiente sem leis nenhuma. Algo assim como um Brasil.
Não sei quanto a vocês, eu achei justicemos que os manifestantes de ontem tenham sido detidos, interrogados e fichados. O problema é que duvido que esta será a conduta padrão nos próximos episódios de invasão de prédios públicos. Torço que sim.
Diminuir a desigualdade social por estas paragens é um sonho de todos nós, até dos riquíssimos que vão passar as férias na monocromática Suíça (quando não há seleção brasileira por lá). Alcançar este objetivo passa por aplicação efetiva das leis que temos a disposição.
Sempre que uma lei é flagrantemente desrespeitada a sociedade perde um pouco. A repartição desta perda não é equânime. Se a sociedade perde um pouco é sinal de que os mais frágeis dentro dela – os pobres, sempre eles – estão perdendo muito.

Entristecedor

Já sabíamos que a educação no país estava falida, só que eu não sabia que o buraco era tão profundo.
Em São Paulo até os jornais estão fazendo anúncios que menosprezam a educação, se não a inteligência, do leitor.
Um diz que tem a “informação que você entende” e o outro que é “fácil de entender”. Falo de Agora e Jornal da Tarde.
E não culpo os jornais e nem seus publicitários pela adoção da estratégia, embora ache muito perigoso para a imagem de uma marca ficar associada à falta de discernimento de seus clientes.
A culpa é de nosso sistema educacional que entrega ao fim do processo um sem-número de analfabetos funcionais.
Como esperar que este sistema produza trabalhadores especializados dos quais nossa indústria é carente. Ou técnicos de programação para operar nos ambientes de alta-complexidade que a tecnologia de informação cria. Ou ainda produtores rurais para surfar na onda dos orgânicos, que para serem produzidos necessitam do acompanhamento constante por parte do produtor das pragas que podem atacar a safra e da correção do solo.
Ou seja, estamos formando uma geração de pessoas para as quais o futuro é no mínimo preocupante. E como eles serão os indivíduos que formarão a sociedade, nada nos indica que esta progredirá.
Mudar este quadro é uma urgência nacional. Se não conseguirmos nem ao menos ensinar o povo a ler, como poderemos sonhar com uma liderança regional ou mundial em qualquer sentido.
Querer que um povo seja formado só por sábios talvez seja um exagero, mas não há nada demais em querer que não sejam todos néscios.
Qualificar os brasileiros para que os jornais não precisem anunciar que são feitos para quem não consegue entender é um ponto de honra e uma questão de sobrevivência.
Se conseguirmos que isso aconteça, muitos dos nossos outros problemas acabam automaticamente.

terça-feira, 6 de junho de 2006

E mais circo

O oba-oba sobre a Suzane foi tão grande que ofuscou a cobertura do assassinato de um membro de uma banda campeã de vendagem.
Realmente espantoso.
Se você, como eu, não sabe quem eram ou são os Detonautas clique aqui .

Circo

Começou, e logo foi interrompido, o julgamento do assassinato do casal Von Richtofen. Se bem que poderíamos chamar de circo.
Foi bem assim que foi tratado o caso desde o princípio.
Em uma cidade que registra índices de homicídios de guerra civil, o assassinato de um casal de ricos foi veiculado como algo inconcebível e com um alcance de mídia totalmente desproporcional se comparado à cobertura que os demais assassinatos – inclusive chacinas – recebe.
A comoção aumentou quando se descobriu a identidade dos criminosos. A filha do casal, o namorado desta e o irmão deste. Foi a chave para que a imprensa fizesse a festa.
Principalmente pela personagem principal da trama. Rica, bonita, culta, (aparentemente) perversa –no sentido psicológico da coisa – e burra.
Tanto fez a imprensa que a transformou em uma celebridade. E com uma celebridade envolvida, o caso deixou de ser apenas mais um de violência extrema em família para ser um evento jurídico.
As indas e vindas dos réus por tribunais e presídios foram acompanhadas ao vivo. A ré teve direito de falar em horário nobre da emissora número 1, e para o próprio azar falou demais.
Pois as tevês pretendem encerrar esta cobertura magistralmente. Houve quem pensou em transmitir o julgamento ao vivo, idéia que foi abortada por decisão de tribunal superior, e justificava a pretensão apontando para os Estados Unidos e dizendo que lá há canais dedicados unicamente a isto.
Disseram até que seria muito educativo para a população e poderia coibir a violência, ainda mais por ser um divisor de águas no direito criminal nacional.
Oras, tenham dó. Este não foi o primeiro e não será o último homicídio julgado no Brasil. E certamente está longe de ser o mais complexo.
Se há ineditismo no caso foi a forma como a polícia o solucionou. Rapidamente e com provas claras contra os réus; que terminaram por confessar, e sem tortura, a participação no caso.
E o pior que são louros que nem podem ser exibidos, pois apenas amplifica o descaso com o qual é tratada a investigação criminal no país. Menos de 10% dos delitos registrados são resolvidos.
E quanto a dizer que a transmissão de julgamentos é educativa; só pode ser piada, e de mau-gosto.
Os únicos que podem se beneficiar disto são os advogados, que normalmente já participam da platéia, e outros bandidos, que poderão saber o que não fazer para não terminar atrás das grades de um presídio durante a ação criminal ou o que serve ou não como álibi.
Sabemos que o alimentador maior da criminalidade é a impunidade e nisso nossa é uma das melhores incubadoras que há. As chances de um criminoso ser eliminado por seus comparsas são infinitamente maiores do que de ser neutralizado pela ação conjunta das Polícias e do Judiciário.
Não é transformando julgamentos em entretenimento para as massas que a criminalidade será reduzida. O máximo que ocorrerá é que teremos advogados dando autógrafos e alguns bandidos terão fã-clube.
A criminalidade só baixará quando os órgãos públicos prevenção, combate e repressão estiverem funcionando efetivamente.
Não sou um pessimista convicto, mas fica difícil de acreditar que isso será breve.

segunda-feira, 5 de junho de 2006

Mais uma das bondades inexplicáveis

Ontem foi publicado na Folha o artigo de um certo Pedro Brito que descreve as maravilhas que a Ferrovia Transnordestina fará por nosso país. Segundo ele, o governo - por decisão do presidente Luiz Inácio Lula de Silva - a apoiará com o uso de ferramentas de financiamento para a iniciativa privada, que começa a execução da obra a partir de amanhã, 6 de julho.
Pedro Brito que vem a ser o ministro da Integração Nacional não explicou porque o presidente se envolveu na tomada de decisões sobre a concessão ou não de financiamentos a quem quer que seja, mas diz no artigo que a ferrovia permitirá que a região nordeste se desenvolva muito mais rápido, inclusive aproveitando potencialidades que os altos custos de transporte de hoje tornam inalcançáveis.
Muito bom. Então vem a pergunta: por que não a construiu antes?
Aceitando-se que são válidos os argumentos de Brito, e descontando-se argumentos em contrário como este , esta obra deveria ter sido realizada no início do atual governo.
Mecanismos há. Temos a lei de licitações e até a nova lei de parcerias público-privadas e o investimento estaria plenamente justificado.
Dinheiro era um empecilho ainda menor. Existem mais de 10 bilhões de reais da Cide – recursos carimbados- esperando para ser utilizados na otimização da nossa matriz de transportes; o que, salvo engano da minha parte, inclui a construção de uma maior malha ferroviária.
Qual teria sido o problema então?
Não sei responder, porém posso fazer algumas suposições.
Em primeiro lugar como causa provável colocaria a inapetência do atual governo em delegar funções à iniciativa privada. Sendo estatizante no seu cerne, ele deve ter visto o projeto ir e vir uma centena de vezes de um escaninho para o outro dos diversos órgãos da administração antes que se percebe-se a impossibilidade da criação de uma espécie de nova Rede Ferroviária Federal para a obra – para imaginar o tamanho da burocracia envolvida note que não foi o ministro dos transportes que escreveu o artigo.
Outra hipótese é que ela não seja assim tão prioritária para o governo Lula. Certamente não o era para o ministério hoje comandado por Brito até que a transposição do rio São Francisco desse com os burros n’água. Aquela sim era a bandeira do ministério, meta pessoal de Lula e esperança de muitos votos para o mesmo.
Há ainda a possibilidade de que o governo tenha percebido que a janela de oportunidade para fazer um oba-oba sobre o tema seja muito estreita e que, portanto, mais uma “promessa” deva ser inaugurada esta semana.
A copa está aí e durante a mesma nada que aconteça vai tirar a atenção do brasileiro dela (entendendo a copa como o período entre o primeiro jogo do Brasil e as explicações dos resultados, sejam estes negativos ou positivos) e depois de seu encerramento as regras eleitorais já estarão atuando para diminuir a visibilidade do governo na mídia.
Estas são as minhas hipóteses. Quem tiver uma explicação melhor, ou mais correta, que me passe. Estou louco para saber a resposta.

Para ler o texto do ministro Brito clique aqui se você for assinante Folha ou Uol.

sábado, 3 de junho de 2006

Para não falar mais besteira ainda

O blog não sofreu alteração nos últimos dias em virtude do meu estado febril.
Se são já escrevo um monte de baboseiras, com febre nem quero imaginar o que sairia.
Espero normalizar as postagens na próxima semana.

quarta-feira, 31 de maio de 2006

Globalização

Coitada, é um conceito que anda apanhando muito ultimamente.
A população dos países ricos não gosta muito disso e a dos países pobres detesta, mas ela segue em frente, batalhadora.
Mas que bicho é ela e por que apanha tanto?
Uns dizem ser a padronização do mundo aos moldes americanos, outros que é o fim da utopia de bem estar social no mundo e outros ainda que é o domínio dos países pobres pelas multinacionais dos países ricos.
Eu tendo a acreditar que é simplesmente o nivelamento dos iguais mundo afora.
Segundo este ponto de vista, os pobres dos países ricos têm mesmo que se preocupar. Se eu estiver correto, estes são os que mais têm a perder.
Como contraponto, os dos países pobres só têm a ganhar. Um nivelamento econômico entre os pobres do mundo não faria muito por eles, mas uma migalhinha iria acabar sobrando.
Os ricos de todos os lados continuariam ricos e felizes, como sempre foram enquanto aos Estados caberá uma perda de autonomia, pode-se dizer até soberania, devido a interdependência entre as nações.
Daí se vê que os grupos que mais perderiam seriam os de trabalhadores sindicalizados e de baixa educação dos países ricos – os pobres de lá - e os políticos de toda a parte, que veriam sua margem de manobras populistas estreitar-se.
Se você concorda comigo na análise deve ver que fica evidente o porquê da globalização ter se tornado maldita para os grupos organizados ditos de esquerda mundo afora. É palavrão porque ameaça grupos historicamente privilegiados.
Se estivesse em um deles também estaria esperneando; como não estou, torço para que a globalização ganhe impulso e venha mais rápido.

segunda-feira, 29 de maio de 2006

Preciso ler o Estadão

Entre brigas na seleção, desastres naturais e calmaria na política, nada tenho a escrever.
Definitivamente está faltando assunto.
Acho que terei que fazer uma assinatura do Estadão.

sexta-feira, 26 de maio de 2006

A verdadeira ajuda ao campo

Todo o ano é a mesma coisa. Os fazendeiros choram, o governo cede e “dá” para eles um pacote de ajuda.
Os fazendeiros estão certíssimos em chorar, afinal quem não faz não mama, mas o governo está errado em conceder a ajuda anual.
A verdadeira forma de fortalecer agricultores não é assim. É criando mercados com tecnologias, seja de marketing ou de novas aplicações.
Vejamos; na semana passada a Petrobrás – no já tão usual tom “seus problemas acabaram” – anunciou que iniciará a refinação de derivados de petróleo com uma nova técnica denominada H-bio. Nem adianta perguntar o que é isso porque também não sei, só que o anúncio incluiu que cerca de 1,2 milhão de toneladas de soja seriam necessários para a implantação desta maravilha tecnológica neste estágio ainda embrionário, com produção em apenas duas refinarias.
É uma gota no oceano da produção nacional (cerca de 55 milhões de toneladas), porém quatro vezes a produção da nossa vizinha Bolívia. Imaginem o alívio que isto produzirá para os nossos plantadores, às voltas com os baixos preços internacionais e os produtos subsidiados pelas grandes potências econômicas mundiais.
Este sim é um processo sustentável de ajuda ao produtor rural que, se generalizado para as demais culturas, traz ganhos para toda a sociedade, inclusive para os governantes, que passa a ter na agricultura uma fonte de receitas e não de despesas.
A adoção em larga escala do álcool combustível é a estrela da trupe das inovações tecnológicas que beneficiam o consumo de produtos agropecuários brasileiros, porém não é o único. Nem se concentram no campo energético estas inovações.
O simples envaze de um resíduo pode significar a abertura de um mercado milionário. Foi o que aconteceu com a água-de-coco, que há cerca de uma década era descartado por todas as processadoras – muitas vezes diretamente nos rios – e hoje é um dos produtos mais nobres indústria.
Algo semelhante está em estudo na adoção de soro, proveniente da cadeia produtiva de derivados de leite, como enriquecedor protéico das merendas escolares. O Estado estaria atuando como um indutor da utilização de um resíduo da cadeia, diminuindo a carga poluidora das indústrias e aumentando a saúde da população infantil.
Outras pesquisas estão sendo feitas para a utilização de materiais que hoje são tratados como sem valor pelas indústrias, como os pulmões bovinos – transformados em salgadinhos - e as bananas próximas do amadurecimento – em purê. Cada nova utilização que se encontra é um recurso natural que ganha em valor e uma pequena parcela de nossos impostos que deixa de ser “dada” aos produtores rurais.

quinta-feira, 25 de maio de 2006

Foi mais ou menos assim

O deputado pergunta: Aprendeu bem a linguagem da malandragem, hein?
O depoente responde: É, aqui a gente aprende rápido.
Resultado, deputado provocador está andando pelo Congresso. Depoente está preso.
Moral da história: no Congresso Brasileiro não dá para falar a verdade mesmo.

quarta-feira, 24 de maio de 2006

Eu também não gosto

Em um discurso eleitoreiro que ele diz que não é, Lula afirmou ontem que tem candidato que não gosta de pobre. Afirmo que não é só candidato não, eu também não gosto.
Não que eu tenha algo contra as pessoas desprovidas de dinheiro; mas me diga, senhor presidente, por que eu deveria gostar deles?
Há pobres de todos os tipos; pretos, brancos, magros, gordos, boa gente e mal-caráter. Portanto a única coisa que os distingue de um rico é a capacidade de suprir suas necessidades materiais.
Só há uma categoria que sem dúvida alguma gosta de pobre, a dos políticos populistas e demagogos. Sem os pobres esta categoria teria esgotada toda a sua capacidade de conseguir poder.
Eu tanto não gosto de pobre que quero que eles sejam eliminados da sociedade. Não ao estilo dos esquadrões da morte ou dos Gulags; com o desenvolvimento nacional.
E também não gosto dos políticos que gostam de pobres, pois estes querem a manutenção do status quo.
Por isso, senhor presidente, pode ser que você venha a ganhar a eleição que se aproxima (continuo duvidando), só que o meu voto você não tem.

terça-feira, 23 de maio de 2006

Vai entender

Nos últimos dias – devido ao novo escândalo (Sanguessugas) – ouvimos e lemos muito sobre o modo “errado” de ser de nosso orçamento federal.
A crítica mais dura era devido ao fato de que este é autorizativo e não impositivo; ou seja, nosso orçamento é uma peça de ficção, pois não leva a uma previsão real do que vai se gastar.
Mas aí me aparece o Maílson da Nóbrega, em um artigo no Estadão do dia 25, e afirma que não se deve fazer vinculação orçamentária, pois esta engessa o orçamento. Tudo em um contexto em que se fala de uma parcela do orçamento obrigatoriamente indo para a segurança pública.
Então fica a lição: orçamento é igual quem briga com bêbado, está errado quando bate e está errado quando apanha.
Particularmente sou favorável às vinculações orçamentárias, apesar de estar na contramão do mundo.
Pegarei os pontos contrários apontados por da Nóbrega e mostrarei por que não devem ser um impedimento às vinculações, no meu ponto de vista.
Estes são:
Aumenta a rigidez dos gastos, dificultando a alocação adequada de recursos;
Induz os administradores públicos ao desperdício, pois estes buscam gastar a todo custo;
Inibe os incentivos à busca da eficiência na utilização de recursos, pois eles chegam “de mão beijada” aos destinatários;
Compromete para sempre uma parcela de recursos em favor de atividades que não serão necessariamente as mais prioritárias no futuro;
Põe em dúvida a capacidade dos futuros legisladores de definir prioridades.
O fato é que todos estes pontos estão baseados em premissas falsas.
Primeiro, as vinculações não aumentam a rigidez do orçamento pela simples razão de que nosso orçamento não é rígido. O que elas fazem é definir prioridades de gasto que, diga-se de passagem, estão corretíssimas se forem as de hoje – educação e saúde – acrescidas de segurança pública.
Para haver alocação adequada é necessário que haja administração adequada, não é o orçamento que irá criar este virtuosismo administrativo.
Então chegamos ao segundo ponto, dizer que desperdício ocorrerá pela vinculação é supor que existe sobra de recursos. Pois sabemos que isto não ocorre; o que existe é desperdício de recursos já insuficientes. A busca da melhora administrativa é uma necessidade, independente da forma que o orçamento é apresentado.
O que inibe a busca de eficiência é a falta de cobrança por ela por parte dos superiores e da sociedade, não a existência dos recursos. No que acredito que o terceiro ponto também é falso.
Quanto aos quarto e quinto pontos, baseiam-se na premissa que uma legislação aprovada hoje torna se pétrea. Mas sabemos que nenhuma lei é imutável, mesmo as que estão alojadas dentro da constituição, como a própria sociedade não é.
A medida que mudarem as necessidades mudar-se-ão as vinculações e cada período dará aos legisladores a chance de legislar e aprovar orçamentos adequados ou não – o que é muito mais comum – à sua época.
A capacidade dos atuais congressistas é realmente bastante questionável porém não há como dizer que a dos futuros será maior.

sexta-feira, 19 de maio de 2006

Só abre a boca pra falar m...

Em um de seus mais do que dispensáveis discursos, ainda fora do país e um pouco antes de decidir que não se deveria fazer uso eleitoral da guerra que ocorreu em São Paulo no princípio desta semana, Lula falou que se deve construir mais escola e menos presídio.
Eu poderia dizer que ele está um pouco mal informado, talvez até mal formado, mas acho que não. Fui apenas mais uma merda que ele falou mesmo, mal intencionada ou não.
Para que se deve construir mais escolas se as crianças já estão todas lá, frequentando-as ou pelo menos com as vaga garantidas, e a tendência demográfica é que se necessite cada vez menos vagas por simples falta de crianças?
Será que não seria melhor garantir a estas crianças uma educação de qualidade, coisa que o orçamento que seu governo defende faz crer que só acontecerá no nível terciário (que, prevê-se, receberá 75% das verbas).
Será que o ilustre presidente não percebe que o nível educacional da população nada têm a ver com este incremento da marginalidade e que fossem estes os bandidos mais educados talvez ganhássemos apenas um crime mais organizado e, portanto, ainda mais perigoso - vide a cobertura do noticiário político?
Será que ele não percebe que os índices educacionais hoje são muito melhores do que no passado e que isto não se transformou em melhoria na segurança pública?
Será que ele não tem espelho em casa e não sabe que não possuir educação formal não predispõe ninguém ao crime?
Ou será que ele tem e sabe muito bem o que está dizendo?

quinta-feira, 18 de maio de 2006

Endurecer

Esta é a tática que a opinião pública está pedindo para as Polícias depois dos dias de terror no estado de São Paulo desta semana.
Aparentemente isto significa atira, mata e depois vê se acertou a pessoa certa.
Só que o certo seria justamente endurecer com as Polícias. E não só com elas; com o Congresso, com a justiça, com o Ministério Público, etc...
Esta mais do provado, o homem e as instituições que ele forma só funcionam adequadamente se tiverem fiscalização externa. E são estas fiscalizações múltiplas que ruíram em nosso país, criando condições para toda esta bandalheira.
Devido a falta de cobrança de resultados por parte da sociedade, leis inaplicáveis são promulgadas, policiais passam por crimes flagrantes e não agem, quando um delito é comunicado à Polícia não é investigado.
Ou seja, a sociedade não está pressionando as instituições para que estas cumpram suas funções.
Abrir mão das amarras que os policiais têm para não se transformar em máquinas assassinas é o pior dos caminhos. Aumentar a fiscalização sobre todos os servidores públicos para que estes cumpram seus papéis, honestamente, é a única forma de encontrarmos uma paz social duradoura.

terça-feira, 16 de maio de 2006

Bandido bom é bandido morto

Atentem, não estou dizendo que bandido tem que morrer – se estivesse meu “ibope” subiria muito com certa parcela da população -, estou apenas dizendo que bandido, se esperto for, não gosta de aparecer.

Finge-se de morto, pra pegar o coveiro; em uma expressão que ouvi muito na minha adolescência. E só assim se perpetua no poder ou em suas ações, muito alvoroço e muito tiro é sinal de falta de poder, em outro dito popular: quem grita perde a razão.

Desta forma, digo uma coisa da qual eu provavelmente me arrependerei mais tarde. O PCC está acabado, ao menos sobre o comando da atual “direção”.

Mesmo desorganizado como é, o Estado ainda tem muito mais força de coerção do que qualquer PCC, e quem não a utilizar para afrontar a organização criminosa. Após tamanha humilhação pública dos governantes e das polícias, os líderes da facção criminosa pagarão caro por isso, assim como seus asseclas.

De fato alguns já estão pagando; o número de mortos em confronto com a polícia nesta madrugada foi bastante alto e acredito que não irá retroceder tão cedo.

Provavelmente haverá também um endurecimento do sistema penal; muitos dos chamados líderes do PCC passarão a Copa do Mundo assistindo às paredes no Regime Penal Diferenciado.

Creio até que o tal “Marcola” vai sentir saudades do tempo em que era apenas um ilustre desconhecido, se fingindo de morto como criminoso e tento um comportamento exemplar na cadeia. Só que agora já foi, usou o período eleitoral para manifestar desejos descabidos, que arque com as conseqüências.

Nós já sofremos; e a pressão sobre os maus-tratos sobre presos e contra policiais violentos vai ter um nível apenas basal nos próximos meses.

A população quer e terá sangue, pois é assim que agem governantes; desde a época anterior ao pão e circo romano.

Impondo o terror

Não, não estou pra começar um texto sobre o PCC, e sim um sobre a seleção brasileira.
Na véspera da final da Copa Coréia/Japão tive uma conversa que era mais ou menos assim:
- E aí Gian, tá preocupado com a final?
- Não, acho que vai ser fácil.
- Mas como?
- Explico; qual é considerado o melhor zagueiro do campeonato alemão hoje?
- O Lúcio?
- Não, o Bordon, aquele que é considerado um grosso e nunca sequer foi cogitado para a seleção. E você sabe quem é o artilheiro de lá?
- É o Élber?
- Não, é aquele cara que jogou no Grêmio, Adílson, se não me engano?
- Puta, nem sei quem é?
- Pois, é, nem sei o nome, pra falar a verdade não tenho certeza que ele jogou no Grêmio. Mas é o artilheiro de lá. E o melhor jogador, sabe quem é?
- O Balack?
- Antes fosse, o melhor jogador de lá segundo a imprensa alemã é o Zé Roberto. E este tal de Balack nem vai jogar.
- É, se os melhores jogadores deles não servem pra jogar na nossa seleção, como podemos nos preocupar com este time?
- É o que eu penso.
No final das contas a final foi até mais disputada do que eu pensei que seria, só que a Copa já estava ganha de véspera, era só não perdê-la.
Quatro anos depois a situação sé se agravou para as demais seleções. Isto não quer dizer que iremos ganhar a Copa com um pé atrás, mas significa que já entramos em campo com um décimo-segundo jogador, o Medo do adversário.
Se não colocarmos Presunção - conhecido pela alcunha Salto Alto - em campo, o título é nosso.

domingo, 14 de maio de 2006

Assino embaixo

Como sabem sou preguiçoso; então deixo somente um link para um texto que, tirando as digressões e considerações pessoais sobre a sanidade, assino embaixo.
Pega aí: http://www.primeiraleitura.com.br/auto/entenda.php?id=7525 .
E se discordarem desta vez mandem os impropérios para o Reinaldo Azevedo.

sábado, 13 de maio de 2006

É impressão minha...

ou os integrantes da "esquerda" sulamericana estão sofrendo de distúrbios de personalidade?
Num dia dizem uma coisa, no outro dizem o contrário, alguns não sabem se o que dizem é fantasia ou ficção; vejam só, a realidade é que nunca é.
E o coitado do Acre, o estadinho desvalorizado. Foi segundo o líder sindical que virou presidente deles comprado pelo Brasil por um cavalo. E aquele troquinho de 2 milhões de libras esterlinas, eram o quê?
Mas como diria a música do Casseta: se o líder sindical que virou presidente daqui é assim, imagine o da Jamaica? O da Bolívia não precisa imaginar, é só ligar o noticiário.
Mas para esperar esta onda "esquerdista" passar podemos encher os copos de uísque escocês do Paraguai daqui, ou mesmo da Jamica, já que a dor de cabeça é certa mesmo, que tenhamos ao menos a euforia pré-porre.

quarta-feira, 10 de maio de 2006

Herança maldita

Não importa quem seja o próximo presidente da república – que pode até ser o mesmo (Deus no livre) -, ele terá a verdadeira herança maldita para combater.
E ao contrário daquela que os antigos petistas diziam receber, esta não poderá ser usada com outro nome e a mesma fórmula.
A trama que liga as instituições deste país está tão esgarçada que será necessário uma refundação da nossa democracia.
Ou será que aceitaremos outra rainha da Inglaterra em nossa presidência (aquele senhor que nada faz, nada sabe e nada manda) discursando que “nunca na história deste país”?
Creio que não, se estamos em um presidencialismo é para que tenhamos um presidente, de fato e de direito. Que este aja como um e seja responsável por seu governo.
E quanto ao Legislativo?
Criado basicamente para fiscalizar e balizar o poder executivo, não está fazendo nada disso. E nem a sua outra função – ser a casa onde a voz das ruas encontra eco e se transforma em leis e atos – está sendo exercida. Fica a pergunta; pra que serve então?
E quanto ao Judiciário?
Um dos mais politizados e ineficientes do mundo.
Não pense aqui que estou colocando o peso de cinco séculos de construção de “tudo isto que está aí” nas costas do sr. Inácio, mas ele conseguiu tudo que estava errado e piorar; com o mensalão e a desmoralização do escândalo, sabendo ele ou não das coisas.

terça-feira, 9 de maio de 2006

Como é possível?

Não se passa um dia sem que um deputado inexpressivo (que eu traduzo como um do qual eu nunca ouvi falar) seja pilhado em uma atitude indecorosa.
E ainda sou parlamentarista.

Vale tudo

Em ano eleitoral a regra para os governos é não entrar em confronto.
Os agricultores estão fazendo a festa com isso. Existem estradas que estão paradas há semanas e nada de se tomar alguma atitude.
E o pior de tudo é que os nossos nobres representantes dos agronegócios não terão seus pleitos atendidos simplesmente por impossível que é fazê-lo.
O que eles querem é socializar seus prejuízos, pois se acham uma categoria mais importante para o progresso do país do que as demais. Sei que isto já foi pisado e repisado, mas quando o dólar estava valendo quatro reais ninguém veio me oferecer socialização dos lucros da venda de soja.
Todos os agricultores que estão hoje endividados são maiores de idade e sabiam que corriam riscos quando assinaram seus contratos. A vida é assim; quem quer ganhar muito tem que arriscar muito. Quem arrisca mais do que pode, perde mais do que quer.
O pior é que eles foram ao longo de décadas acostumados a só ganhar e deixar as perdas no colo do Tesouro, já passou da hora de serem responsáveis por seus atos e contratos.
O Brasil é pobre para ficar subsidiando exportadores de grãos ou o que quer que seja; se é para subsidiar alguém, que seja a agricultura familiar – e não com dinheiro, mas com conhecimento para que tenham discernimento para que não sejam os próximos a pedir prorrogação de dívidas.

domingo, 7 de maio de 2006

Land Rover

Poderia tecer muitos comentários sobre a entrevista do Silvinho Land Rover, mas isso não vale a pena.
É tudo coisa velha, da qual todos já sabiam ou desconfiavam.
A novidade é que o PT deu ao seu antigo secretário-geral o status de louco.
Este é o partido que está no poder (diga-se de passagem nós o merecemos, pois não há nenhum movimento para tirá-lo de lá). O secretário-geral era louco, o tesoureiro desligado, o presidente inocente e o presidente de honra néscio e apedeuta - forma que os críticos usam para evitar tolo e ignorante, devem ser uns velhinhos.

sábado, 6 de maio de 2006

Que justiça?

“Não acredito mais nessa Justiça do nosso país. Estou com vergonha de morar no Brasil. Essa Justiça é uma porcaria, é por isso que o país está desse jeito”.
Estas foram as palavras que proferiu João Florentino Gomide, o pai de Sandra Gomide – cujo assassino confesso Pimenta Neves depois de julgado e condenado recorrerá em liberdade.
Mas poderiam ter sido proferidas por qualquer um que esteja acompanhando o noticiário nacional.
Como não ficar indignado ao ouvir de membros do Supremo que os acusados do mensalão só serão julgados em dois anos, se tudo correr bem, após a infinidade de provas recolhidas neste período por Ministério Público e CPMIs?
E que a agora notória Suzane e os irmão Cravinhos, grupo de assassinos confessos também, foram libertados e depois encarcerados novamente pela singela razão de que nossa justiça não conseguiu cumprir o prazo de julgá-los; o que devido ao fato de serem réus confessos é quase uma formalidade.
E a necessidade de se julgar o Juiz Lalau às pressas para evitar que seu crime prescrevesse; julgamento que só aconteceu devido à pressão da Imprensa.
E as ações de politicagem que alguns membros dos tribunais mais altos se utilizaram no decorrer da crise sem fim que o mandato Lula se transformou.
E...
Tudo mostra que preocupado com o seu próprio umbigo o poder judiciário se recusou a cumprir com suas obrigações. Dar igualdade de direitos e de deveres aos cidadãos brasileiros. E se ele não faz isso, não serve para nada.
Desde que comecei a escrever este blog fico batendo na tecla de que precisamos fortalecer as instituições; vez ou outra me pergunto se as instituições que nós temos merecem ser fortalecidas.

sexta-feira, 5 de maio de 2006

E por falar em Deus e...

em provérbios, um que cabe perfeitamente à situação na Bolívia:
Quem empresta aos pobres dá adeus.
Ou será quem dá aos pobres empresta a Deus?
Sei lá.
Só sei que fica sem, ainda mais se o pobre for hermanito.

Ao Deus dará

Das duas, uma.
Ou está faltando oração ou houve um divórcio entre o divino e os poíticos evangélicos do Rio.
Enquanto Garotinho está morre não morre, diz o médico que o está atendendo, Bispo Rodrigues está vendo o sol mais reto do que o normal.
Isto só prova uma coisa: quanto mais se reza, mais assombração aparece.

quinta-feira, 4 de maio de 2006

Chantagem

É, no ponto de vista de quem utilizou o Exército na expropriação de bens alheios, o anúncio de que a Petrobrás não investirá nenhum tostão na Bolívia.
No lado de cá a maioria pode classificar isto como bom-senso.

Parece que...

O Pai dos pobres e de todas as metáforas já sabe como lidar com a crise de gases.
Mandou os auxiliares falar grosso, enquanto não fazem nada.
Já sabemos que não investiremos mais nem um centavo lá nos Andes e que não aceitaremos aumento nos preços ou interrupção do fornecimento.
O que faremos caso, por um infortúnio, aconteça algo assim? Só Deus sabe.
Enquanto isso a Veja informa que José "sai já daí" Dirceu anda oferecendo negócios milionários com o companheiro bolivariano Chávez ao empresariado brasileiro.
Que posso dizer?
Vão fundo, é negócio garantido. Lulinha (não o Paz e Amor) deve estar preparando as malas para fechar negócio, já que tem um faro para ganhar dinheiro incrível.

terça-feira, 2 de maio de 2006

Negócios em família

Em vista dos acontecimentos de ontem meus textos sobre energia perdem muito de sua validade, pois alguns consumidores podem sim sofrer crise de oferta.
Mas de qualquer modo fica a lição. Negócios em família sempre criam atritos, entre hermanos é desastre certo.

sábado, 29 de abril de 2006

A respeito do comentário do leitor Mendonça

Já respondi ao comentário do leitor, mas como minha opinião parece não ter ficado clara no texto, tentarei aqui elucidar alguns pontos.
Em nenhum momento tentei afirmar que há algo errado em se exportar. Muito pelo contrário, acho que todo comércio consensual é glorioso; quase tanto quanto enriquecer – não é mestre Deng?
Disse sim que acredito que a importação tende a favorecer mais à população enquanto as exportações às classes dirigentes.
Como ponto de defesa da minha tese, peço que se comparem os índices de exportação e os índices de Gini dos diversos países do mundo. Desconfio que haverá uma importante correlação positiva entre os dois; mas é apenas uma desconfiança, nunca fiz a comparação.
Também peço que se examine a história das relações comerciais e verifique se as regiões que mais se desenvolveram foram as tomadoras líquidas de recursos ou as que cederam estes recursos. Também desconfio que haverá forte correlação entre os níveis altos de superávit comerciais e subdesenvolvimento econômico.
Portanto quero que se extraia do texto a idéia de que não há porque se endeusar a balança comercial positiva e se satanizar a negativa. Quero crer que um fluxo comercial tem duas vias e que este deve ser equilibrado ou, no mínimo, que não forcem desequilíbrios por práticas de comércio desleal (dumping, manipulação cambial, venda casada, etc).
Não quero que imaginem com isso que sou contrário à empresa nacional ou aos produtos destas – já fui inclusive acusado de nacionalista bocó pelas minhas posições em defesa destas -, só não quero que uma parcela grande da população, eu inclusive, arque com os incentivos para a incorporação de vantagens aos exportadores alem das que as demais empresas e indivíduos da população em geral têm; não é mais patriótico vender para um estrangeiro do que o é vender para um local.
Os incentivos à produção não podem ser destinados a uma determinada parcela de empresas escolhidas a dedo. É legitimo incentivar setores estratégicos da economia, mas a escolhe destes deve levar em conta mais do que se eles trazem ou não divisas para o país. Mesmo porque neste exato momento o Brasil está com excesso de moeda forte.
Se um determinado incentivo não-específico fortalecer as empresas locais e possibilitar que estas se tornem exportadoras, tanto melhor. Todos saem ganhando; a empresa pelo aumento de mercados e os consumidores locais e estrangeiros por ter acesso a um produto de qualidade internacional.

O caso do Brasil

No artigo anterior escrevi que o Brasil está longe de uma crise de custos de energia. Neste tentarei esclarecer os motivos que me fazem pensar desta forma.
O primeiro é relativo aos custos provenientes do transporte. Há muito somos auto-suficientes em gasolina (exportadores na realidade) e nossos preços só seguem os internacionais por motivações políticas. O governo anterior atrelou os preços da Petrobrás àqueles para que houvesse incentivo a que empresas estrangeiras entrassem no mercado de refino e prospecção sem medo do competidor nacional, monopolista de direito à época e de fato hoje.
No diesel somos ainda dependentes das importações, mas projetos de utilização de biomassa e aumento da capacidade de refino do petróleo pesado nacional. O projeto do biodiesel está envolto nas amarras populistas dos moldes em que foi planejado, porém continua muito promissor se for encarado como um mecanismo de controle de preços das oleaginosas nacionais, uma forma de diminuir e aumentar o valor da produção sem espetar a conta no contribuinte.
Na parte de geração elétrica o processo de encarecimento parece ser um pouco mais inexorável, mas não o é. A geração ainda é majoritariamente estatal e hídrica e os custos são muito menores do que os das usinas térmicas.
O preço de venda da energia gerada pelas estatais é mantido artificialmente elevado para aumentar a competitividade de usinas privadas, havendo subsídio destas últimas.
Apreende-se disto que da mesma maneira que há uma determinação política para se manter os preços abertos a competição pode ocorrer um controle maior da variação de preços do mercado - em um ato que não defendo, porém que não duvido que a maioria dos governos se prontificaria a apoiar (e como a Petrobrás está efetivamente fazendo agora com relação aos preços da gasolina).
Há também a ação individual dos consumidores. A experiência da crise energética (de oferta) do início da década mostrou o quanto se desperdício existe no consumo de energia no país.
Aumentos acentuados de tarifa seriam um grande incentivo à economia energética e a adoção de novas tecnologias que mudem a matriz energética.
Os grandes consumidores já estão por lei livres para negociar caso a caso, e conseguem descontos expressivos, enquanto os médios e pequenos ainda estão atrelados às tarifas impostas via Anel (Agência Nacional de Energia Elétrica).
Porém no consumo residencial ainda a muito a ser feito para conter os custos de energia. Cerca de 50% do uso de eletricidade é para controle térmico, com maior uso da refrigeração ou do aquecimento dependendo da região do país em que se encontra. Para ambas as alternativas existem possibilidades de se usar a tecnologia solar para diminuir ou zerar a utilização de energia elétrica.
Para o aquecimento já há tecnologia consagrada e barata, e outras ainda mais eficientes estão sendo testadas.
No caso do resfriamento existem tecnologias muito promissoras, apesar de ainda não estarem em comercialização.
Nos dois casos a utilização em larga escala é barrada pela necessidade de se investir uma soma inicial relativamente alta em comparação com as feitas para a tecnologia elétrica, mas que é diluída pelo baixo custo operacional e pela longevidade das soluções "alternativas".
Vale ressaltar também, como já fiz no artigo anterior, a possibilidade de se utilizar as energias eólicas e solar para a conversão em elétrica como uma forma de se ter margem de segurança nos mesmos moldes do que já é feito com as usinas térmicas.
Para um país como para um indivíduo, quanto mais variadas as formas de "nutrição" maior a segurança à qual ele está sujeito. É isto que devemos buscar no campo energético.

quinta-feira, 27 de abril de 2006

Energia cara?

A revista Exame que está agora nas bancas iniciou uma série de reportagens que pretende demonstrar que estamos fadados ao convívio com a energia cara, tudo isso aproveitando a ufanística campanha da auto-suficiência petrolífera.
Diz ela que com o fim da abundância do petróleo em nível mundial acaba-se por encarecer todas as outras formas de energia, pela diminuição da concorrência e pela incapacidade de geração.
Isto é apenas uma meia-verdade, e no caso específico do Brasil uma completa mentira.
Não entramos definitivamente na era do petróleo caro; o preço atual é altamente especulativo e tende a derrubar rapidamente o consumo pela adoção de tecnologias já completamente desenvolvidas. No caso específico da gasolina há tanto a possibilidade de adição de biocombustíveis quanto, e principalmente, o uso de carros híbridos – mais caros porém com o dobro de eficiência energética.
Sendo assim, não há verdadeiramente diminuição da concorrência pelo preço da energia e sim manipulação dos mesmos pelo cartel mais forte. Qualquer perigo ao domínio exercido por este cartel trará os preços para patamares mais “civilizados”.
Ainda em relação aos preços, existem externalidades ocultas nos custos baixos do petróleo. Uma vez que estas passarem a ser “precificadas” verificar-se-á que a energia proveniente do petróleo e de outros combustíveis fósseis não é tão barata quanto se imagina.
Tomemos por base a economia que é mais petróleo-intensivista no mundo, os Estados Unidos da América. Ela tem custos militares exorbitantes para assegurar seus suprimentos do “ouro negro” e ainda está às voltas com desastres naturais que provocam prejuízos equivalentes às suas importações de petróleo, desastres que são possivelmente intensificados pelo uso de combustíveis fósseis.
Quanto à incapacidade de geração, outra incorreção. Há sim capacidade de gerar energia “alternativa”, o que não existe é a segurança por parte dos consumidores e dos produtores em utilizá-la.
As mais estudadas no momento são a eólica e a solar, porém ambas são por natureza instáveis e incompatíveis com os usos que requerem uma constância de fornecimento. Por isso para seu uso são necessários redundância de geração ou caros processos de armazenagem de energia. Ou seja, um consumidor necessitaria de outro gerador para supri-lo nos momentos de calmaria dos ventos ou em que o céu estivesse nublado ou de baterias para as mesmas situações.
Só que estes custos podem ser minimizados por redes em forma de grade, que liguem muitos consumidores e geradores, principalmente se estas cobrirem grandes áreas, que minimizam os efeitos locais. O Brasil seria um local ideal para se colocar algo assim em prática devido a sua vasta rede hidrelétrica, que permite acumular o potencial energético nas represas, e sua extensão.
Portanto o uso de “alternativas” é condicionado a uma forte regulação que assegure margem de lucro ao produtor frente à especulação do cartel do petróleo e a antiga “vontade política” para enfrentar o mesmo cartel, sem se esquecer que a regulação deve resguardar totalmente os consumidores.
Em conclusão, não acredito que estamos próximos de uma crise energética, de oferta ou de custos. Porém ainda estamos vulneráveis a crises como estas e devemos aproveitar as chances que a tecnologia já nos trouxe para nos imunizarmos e garantir a sustentabilidade de nossa economia mundial.

quarta-feira, 26 de abril de 2006

Exportações: pra quê?

O Brasil exporta cada vez mais e tem alcançado nichos que antes não se imaginava, mas cabe pensar: e nós, o povo, com isso?
Pelo que se apreende do discurso econômico dominante, o povo só tem a ganhar com o incremento das exportações. Só que isso é uma fantasia, tanto pode ganhar como pode perder; tanto é assim que com as restrições que alguns itens de nossa lista de exportações sofreram houve um recuo da inflação no início do ano.
Generalizando, em oposição importação e exportação o povo ganha mais com a primeira e o grande capital com a segunda pois, enquanto os ganhos da importação se espraiam por todo o contingente de consumidores, os ganhos das exportações se concentram nas camadas produtoras; sendo tanto menos generalizado quanto mais primário for o item exportado.
A exportação só é boa para o povo quando ela indica a combinação de duas variáveis; excedente interno e vantagem competitiva.
A primeira ocorre quando a capacidade de consumo é suplantada pela de produção em uma certa região. Se não passar a exportar, o produtor terá que cortar a produção e, provavelmente, empregos.
Na segunda variável há uma combinação de fatores que faz com que o produto local seja mais atraente que o seu concorrente de fora. Deste modo o produtor tem o seu mercado cativo devido as qualidades superiores e ainda pode concorrer no resto do mundo procurando novos.
Em qualquer outra situação há um deslocamento dos clientes locais pelos dos clientes de fora, gerando aumentos dos produtos exportados e perda relativa de renda da maior parcela da população.
Mas se não apresenta necessariamente uma vantagem para a coletividade, por que as exportações são saudadas enquanto as importações execradas?
Isto ocorre por uma visão que aponta o outro como um competidor sempre, não como um parceiro. E este outro pode ser entendido em todos os níveis. Seja ele individual ou das coletividades (a outra empresa, cidade, nação, etc...).
Por esta visão a exportação é uma vitória na “guerra” comercial, a importação uma derrota e o déficit uma capitulação.
E, apesar do que os governantes e os líderes empresariais e sindicais mundo afora dizem, isto é muito distante da verdade.
A função do comércio – seja entre indivíduos, seja entre países- é permitir que os mais aptos para uma função exerçam suas potencialidades sem ter que gastar energia e demais recursos em algo para os quais não têm capacitação. Ganham eles por fazerem o que conseguem bem e ganha a sociedade por ter seus recursos preservados. O comércio é, portanto, uma ferramenta para o bem-estar da sociedade em geral.
A importação seria a captação externa de recursos para a melhoria deste bem-estar sendo mais essencial que a exportação destes recursos, que deveria ser minimizada até o ponto de garantir-se a compra dos itens necessários. Isto é tudo no mundo idealizado.
Porém, não é por não viver em uma utopia que se deve buscar a exportação a todo custo. O Brasil já superou escassez de dólares e não precisa mais tentar conter as importações. Estas trazem novas tecnologias e contêm os preços internos, beneficiando a população.
Superávit comercial fica bonito no gráfico, mas só quando as necessidades do povo que sustenta já estão atendidas; senão o modelo China, um bando de escravos trabalhando pelo bem-estar da elite do partido e felizes por acharem que estão bem, e livres.

terça-feira, 25 de abril de 2006

Ou sou burro ou estou errado

Dizia o famoso dramaturgo que toda a unanimidade é burra. Digo eu mesmo que a administração petista é burra.
Estou em uma encruzilhada, talvez até um entroncamento, no qual só perco. Não sei se sou burro, estou errado ou os dois.
O tema é o câmbio, sempre ele.
Mais e mais, os analistas econômicos estão nos alertando que a taxa está distorcida, são unânimes nisto.
Eu e administração petista achamos que não; se é de livre flutuação, que flutue livremente.
Se mudar de lado, passarei ao da unanimidade, burrice. Se continuar do lado, permanecerei do lado da incompetência, erro, e, persistindo, burrice.
Eu tenho dificuldade de assumir-me burro, como todo o restante da humanidade, e passarei a ficar em cima do muro, do jeito que cabe a um bom tucano que me acusam de ser.
Só pedirei que alguém me explique ou, melhor, me convença da sobrevalorização do Real.
É claro que não aceitarei que uma câmara setorial qualquer, amparada na, digamos, cadeia de produção da bolinha de gude, diga que deveríamos ter um câmbio por volta dos sete reais por dólar para que possamos ter uma indústria competitiva. Para cada caso específico altista haverá outro que suporta mais desvalorização.
O câmbio é sistêmico e deve-se levar em conta a balança de pagamentos quando se está as voltas com o livre mercado.
Note-se que há tempos a balança de pagamentos está azulada, apesar de intervenções maciças do governo tentando mandar dólares para o exterior através da antecipação da quitação de dúvidas, mas isso é só um detalhe para sábios de plantão.
Apontar a perda de competitividade de setores inteiros neófitos em exportação como uma prova inquestionável é o que se pode chamar de auto-engano. Este setores não estão deixando de ser competitivos, apenas estão voltando ao normal depois do “doping” causado pelo repique cambial da crise de (des)confiança no petismo-lulismo.
Competitividade sustentável ganha-se resolvendo os problemas internos como infra-estrutura deficiente, leis anacrônicas e mão-de-obra desqualificada; a muleta do câmbio é apenas exploração disfarçada do trabalhador.
Bem; quem viver verá se sou burro, estou errado ou os dois. Como tive a chance a chance de viver no Brasil desde o advento do plano Real, vi os que advogavam o câmbio livre se converterem nos pregadores da intervenção.
Já que acham que o câmbio está distorcido que alguém intervenha nele, e rápido. Esta é a visão dos livre-mercadistas à brasileira.

segunda-feira, 24 de abril de 2006

Privada e relativa

Privacidade é um direito dos mais caros aos homens modernos, pois é ele que garante muito dos demais impedindo o patrulhamento dos outros componentes da sociedade.
Sem ele certamente não teríamos a diversidade de comportamentos e visões de mundo que hoje vicejam, uma vez que estes necessitam de um certo tempo no forno da privacidade para prosperar e ganhar adeptos.
Mas também muitas da guerras, negociatas (e mensalões) e demais mal-feitos nunca teriam existido. E isto mostra que um direito individual muitas vezes trás também problemas coletivos.
Bem; deixando de lado as digressões, vamos aos fatos. O advogado, e ex-ministro, José Dirceu alegou aos jornais que teve seu direito à privacidade violado quando seu encontro com o ex-presidente, e agora pré-candidato, Itamar Franco noticiado. Mais ainda quando a forma de deslocamento do advogado, um jatinho fretado que poderia ser incompatível com seus rendimentos, também foi informada pela imprensa e levou a especulação sobre bem estaria financiando a visita.
É aí que se embaralham as coisas. A privacidade é um direito relativo. Ninguém pode alegá-lo, por exemplo, para impedir que se desbarate mal-feitos ou ilícitos; o que permite as quebras judiciais de sigilo. Também não há mal nenhum em se noticiar encontros de figuras públicas (Itamar Franco certamente é uma), já que os atos destas trazem conseqüências à sociedade, não ao seu restrito círculo privado.
À imprensa cabe a publicação de tudo que ache relevante. Aos citados cabe mostrar as incorreções da imprensa e requerer as reparações devidas, inclusive judiciais.
Até onde consta, José Dirceu foi visitar um amigo – como teve seus direitos políticos cassados, não pode tê-lo feito em nome do PT ou do governo. Sentindo-se ofendido pela publicação do fato, caberá ao advogado uma ação por danos morais, se provar que houve algum.
Ao mostrar que a José Dirceu e Associados pagou pela viagem, ele assegura que nada de errado houve na transação. Passa a ser da esfera privada, ao próprio e aos associados, a conveniência da viagem dentro dos planos estratégicos da empresa.
No plano público caberá às Receitas examinar a prestação de contas da transação quando do recebimento das declarações. Havendo algo errado que se cumpra a lei. Afinal; “caixa 2 é coisa de bandido”, diz Thomaz Bastos, e para coisa típica de bandido não cabe privacidade.

quarta-feira, 12 de abril de 2006

E por falar no presidente

Reafirmo que não acredito que Lula vença as próximas eleições; porém, se isso acontecer, e certo que uma batalha jurídica paralisará o segundo turno de seu governo.
Não pensem vocês que uma vitória nas urnas apagará os maus feitos na gestão atual.
A imprensa tem escrito que os líderes dos partidos de oposição estão tentando esfriar as tentativas de abrir processos de impedimento, devido aos riscos que isto trás. Penso que o maior risco é que estes processos venham a ser utilizados depois da eleição.
Aí sim estaremos falando de oportunismo e a radicalização será inevitável.

E você o entende?

Há muito venho afirmando que Lula não é um grande comunicador como a grande imprensa tenta fazer crer.
Simplesmente pelo fato de que o presidente sofre de três pecados capitais nos seus discursos de improviso:
Fala coisas incompreensíveis, e sem sentido na maioria das vezes;
Fala um monte de besteiras sem nexo com a realidade (exemplo, o Brasil não é rota de aves migratórias, apenas algumas mais peraltas chegam até aqui);
Diz uma coisa querendo dizer outra (exemplo, “o Brasil deve deixar este negócio de ganhar título mundial na casa dos outros” quando queria dizer que o Brasil deve realizar uma Copa aqui para poder ganhar em casa também).
Ele é sim um grande encantador de massas, só que mesmo isto está se esvaindo com a crise político-moral-ética permanente de seu governo.
Lula está a cada dia se afastando mais dos encontros diretos com as massas. Seus discursos de campanha pré-período eleitoral estão começando a ser feitos longe do povo, para platéias escolhidas a dedo, afim de evitar as ruidosas vaias que se tornam cada vez mais constantes em todas as cerimônias que o presidente aparece.
Portanto contamos aqui com um fenômeno impar, o do comunicador que não consegue se comunicar. Ou o ícone que precisa ser explicado. Ou ainda o um de nós que há muito não o é.
E de quem é a culpa disto tudo? De todos nós, que sabendo disto tudo ainda suportamos o mito e permitimos que ele siga sendo o favorito a um novo mandato em sua invejável cadeira (sigo afirmando que duvido que isto se concretize).
Durante muito tempo foi politicamente incorreto apontar as deficiências cognitivas de Lula, isto era visto como pedantismo e elitismo. Porém, tenha dó, ser entendido é o mínimo que um presidente de uma república precisa para exercer o poder.
Ou paramos de nos deixar levar pela patrulha ideológica e colocamos os pingos nos is ou teremos que contar com tradução simultânea por mais algum tempo a cada pronunciamento de nosso guru.

domingo, 9 de abril de 2006

Corrigindo a pergunta de 06/04

Segundo o ilustre bacharel doutor Eduardo, o crime citado seria peculato e não prevaricação.

sábado, 8 de abril de 2006

Desculpa esfarrapada

A desculpa de que o sigilo do caseiro foi quebrado por que ele tem movimentação financeira atípica para o seu salário é uma das mais esfarrapadas de que já se ouviu falar na história deste país.
Implicaria, para que fosse verdade, que os funcionários da Caixa que quebraram o sigilo soubessem quanto o caseiro ganha. Coisa que eles certamente não sabiam.
Isto, por si só, já demonstra que houve vazamentos concatenados de informação por diversos órgãos do governo até que o espantosamente ágil pedido de investigação feito pelo COAF se originasse.

sexta-feira, 7 de abril de 2006

Republicação: É time no nacional

Por um misto de preguiça e relevância do momento vou republicar este texto a seguir:

Existia uma velha máxima da política, nos tempos da ditadura, que dizia “onde a Arena vai mal, é time no nacional, e onde vai bem, bota um time também”. Hoje as coisas são diferentes, ninguém faz demagogia com times de futebol – se bem que se fomos matutar ainda existe a bancada da bola e vem aí a timemania - só que, pode ser apenas coincidência, sempre que estoura um escândalo no governo, a Polícia Federal estoura um esquema de corrupção. Se o governo vai mal, chama a Federal; se vai bem, chama ela também.
O bom de tudo isso é que, como escândalo é o que não falta aqui, a Polícia Federal está aparecendo mais do que nunca. Nem dá tempo de repercutir uma ação, ou operação (nome mais ao gosto do comando da instituição). Em um dia é a maior quadrilha de contrabandistas do Brasil, no outro um bando de fraudadores da previdência social que movimenta bilhões, e no seguinte um esquema milionário de desvio de verbas do programa de merenda escolar.
Apesar de, paradoxalmente, cada prisão dar àqueles que dizem ser a impunidade imensa no país mais munição, isto mostra que a chance dela estar diminuindo é muito grande.
Só resta pedir aos nossos políticos e gestores públicos que cessem um pouco a maré no chamado “mar de lama”. Os policiais federais também são gente e precisam de um tempinho para descansar. E as nossas cadeias, carceragens e prisões já estão superlotadas.
E talvez seja tempo dos jornalistas darem um tempo no uso de adjetivos quando o assunto for crimes, a quantidade de vezes que se ouve, ou lê, milionário, maior e outros nomes para dizer intensidade do delito, não para de aumentar. Podemos acabar cansando o público ou fazendo-os crer que quando o crime envolve menos que seis zeros, não vale a pena comentar.

quinta-feira, 6 de abril de 2006

Uma pergunta mais

Se Paulo Okamotto é funcionário público, subordinado ao Presidente Lula, e pagou contas do mesmo não estamos diante de um caso de prevaricação?
Como podemos observar ambos têm óbvias vantagens e, sem ser leviano, posso afirmar que o Ministério Público está marcando touca no caso.

terça-feira, 4 de abril de 2006

Mais jabuticabas

Sempre que o governo aparece com uma idéia nova nossos economistas dizem que ele está tentando inventar uma jabuticaba.
O termo é pejorativo; procura mostrar que é algo que só se encontra no Brasil e, portanto, não pode ser coisa boa.
Pois ao meu ver, o que precisamos é de mais jabuticabas. Eu quero um verdadeiro jabuticabal.
Não que eu seja defensor de qualquer idéia estapafúrdia que surgir das nossas mentes férteis; porém, se observarmos as iniciativas que dão certo, veremos que são frutos de ações exclusivas e originais do Brasil. E apenas se investirmos em idéias como estas é que conseguiremos diminuir nossa dependência tecnológica, fortalecer nossa economia e melhorar nossa sociedade.
Isto não é nacionalismo, é realismo.
Cada país tem características únicas e são elas que devem ser exploradas, principalmente quando se trata de um grande em área e população como o Brasil, que tem escala para desenvolver novidades.
Exemplos temos muitos.
A Petrobrás comemorará neste mês a auto-suficiência petrolífera amparada em duas imensas jabuticabas: a exploração de jazidas em águas profundas e a utilização de álcool combustível proveniente de cana-de-açúcar em automóveis.
E a integração do biodiesel na matriz energética nacional, que nos moldes como é planejado pelo governo é outra jabuticaba, pode consolidar o Brasil como um exportador líquido de petróleo e derivado.
A cultura de soja em cerrado é outra idéia nacional que impulsiona nossas exportações.
Só que por mais exemplos que se mostrem, serão poucos.
Nossas indústrias e nossos consumidores têm a tendência de acreditarem mais na tecnologia estrangeira ou, o que é ainda pior, só darem credibilidade à nacional após seu sucesso exterior.
Está mais do que na hora dos nossos dirigentes empresariais e governamentais tomarem consciência de que é nas jabuticabas que não temos concorrência. Nelas estão nossas maiores forças motoras para o engrandecimento da nação e a justiça social.

segunda-feira, 3 de abril de 2006

Sem fundo no poço

Está certo, talvez o governo Lula não seja o mais corrupto da história deste país desde que Cabral aqui aportou, mas que ele parece, parece.
Até o Ministro da Justiça está ameaçado agora.
Onde é que vamos parar?

quarta-feira, 29 de março de 2006

A crise das águas, será que ela existe?

Água é a crise anunciada do momento. Diz-se que as próximas guerras deixarão o petróleo de lado e serão realizadas pela hegemonia sobre ela.
Só que as coisas não são bem por aí, apesar de eu ficar muito mais tranqüilo com o fato de os Estados Unidos e nossos vizinhos mais próximos serem ricos em água.
Ao menos que você more em um deserto, basta olhar para os lados e verá que a escassez não é de água; é de energia e de bom senso.
De energia porque há água mais do que suficiente no mundo para todos os tipos de uso humano, só que ela não se concentra da mesma maneira que a nossa população.
Isto faz com que quantidades cada vez maiores do líquido sejam captadas a distâncias crescentes de sua destinação; ou, no caso dos lençóis freáticos, a profundidades maiores.
A captação feita desta maneira necessita de muita energia. É a escassez desta, e portanto seu alto custo, o maior fator limitante. O custo das obras de infra-estrutura tem impacto apenas marginal em longo prazo. O mesmo valendo para o processo de dessalinização.
A falta de bom senso se mostra de duas maneiras.
A primeira ao instalar grandes centros consumidores de água, grandes centros populacionais e plantas industriais, em regiões carentes da mesma. O Brasil é exemplo disto; campeão mundial em recursos hídricos, concentra boa parte de sua população na pequena região semi-árida e convive com enormes vazios populacionais em regiões riquíssimas em água.
A segunda pelo mau uso da mesma. Por degradação de mananciais, desperdício ou poluição de reservas.
Podemos citar São Paulo, capital, como o exemplo à não ser seguido.
Nela os antigos mananciais das zonas mais centrais foram impermeabilizados e os rios que deles derivavam transformados em galerias pluviais. Os mananciais mais distantes foram preservados até poucas décadas, mas hoje sofrem ocupação desordenada do solo e, mais uma vez, impermeabilização. Resultando em alagamentos sempre que chove um pouco mais do que o normal. Os paulistanos puderam constatar em loco os resultados hoje.
Além dos mananciais degradados, as represas que estes alimentam estão poluídas. O que faz com que seja necessário utilizar processos de despoluição cada vez mais custosos e a captar em reservatórios distantes da cidade.
Um problema oculto é o uso e a situação do Aqüífero Guarany, maior do mundo e sobre o qual a região metropolitana se encontra. Sabe-se que há utilização das águas deste em são Paulo, porém não em qual intensidade e nem como a poluição metropolitana esta comprometendo o reservatório.
Para completar, muito da água que se capta e trata é perdida na distribuição. As estimativas variam, só que em nenhuma delas o índice de desperdício é menor do que 20 por cento.
E nem falamos do uso intensivo e desnecessário pelos consumidores finais.
Podemos dizer então que uma crise hídrica em níveis mundiais seria não uma crise da água, mas uma crise econômica de possíveis consumidores devido a uma série de motivos que impossibilitaria a obtenção ou exploração do recurso.

terça-feira, 28 de março de 2006

Mudou tudo

E agora, alguém tem confiança na equipe econômica?
E alguém sabe que é ela?
Quase recomendo que a galera compre dólares.

segunda-feira, 27 de março de 2006

Poema muito ouvido em um certo Ribeirão

Vou me embora pra Brasília,
Lá sou amigo do Rei,
Terei a recepcionista que eu quero,
Na casa que escolherei.


Obs: e que Manuel me perdoe.

Lustrando as algemas

Tem delegado preparando-se para os quinze (sempre ele) minutos de fama.
Pedido de indiciamento é o mínimo que se espera para o futuro.

quinze dias

Então é isso.
O presidente da Caixa não precisava nem de 15 segundos para apurar o responsável pela quebra ilegal de sigilo do caseiro.
Um simples fui eu resolveria o caso.

outro sem título

As pessoas parecem estar esquecendo que não é apenas no campo político que os resultados das CPIs vão desembocar.
Por mais complacente com os poderosos que nossa lei e ordem seja, os fatos apurados obrigarão a ação desta.
Possíveis vencedores das eleições poderão ter seus mandatos cortados pela justiça. Falo poderão porque o verbo certo (deverão) é de uso muito incerto no nosso vernáculo político.
Só que como o caminho natural é um Brasil cada vez mais moralizado, apesar das aparências. E estes bandidos, segundo o Ministro da Justiça, são um símbolo que deve ser apagado e esquecido de um modo de se fazer política muito ahhh... particular.
Eles deveriam estar na cadeia e não no Congresso.

Primeiro ato

Não importa qual seja o resultado que as urnas nos tragam para a próxima legislatura, o primeiro ato desta deveria ser a anulação de todos os atos da anterior.
Desde as reformas disto ou daquilo até as cassações de deputados.
Tudo que a legislatura da vez vem fazendo fazem com que tudo o que ela assinou não tenha nenhuma credibilidade.
Ou você acredita que um Congresso sabidamente mensaleiro pode dizer à Nação que aquela lei foi pensada nos interesses da nação enquanto aquela outra sim, foi contaminada pelos mensalistas?

sexta-feira, 24 de março de 2006

Radicalismo

Imposto é a fatura exigida pelos Estados para cumprir o papel que lhes cabe.
Mas, perguntamos então, qual é o papel dos impostos no Brasil? Como aceitar que estes sejam tão altos e que tão pouco seja dado em troca?
A resposta da primeira é óbvia, porém lamentável; é apenas sustentar a máquina pública e os credores do Estado.
A segunda é também óbvia, isto é inaceitável.
A medida que o Estado passa a ser apenas um veículo do funcionalismo público para o bem-estar destes, deixando de cumprir a sua função social, coloca em risco sua própria sobrevivência.
Em menor escala é o que aconteceu com a Varig. Sua controladora (Fundação Rubem Berta) esqueceu-se de que a função de uma empresa é dar lucros e vergou-se aos interesses imediatos dos funcionários, que têm voto e poder na Fundação. Na ausência continuada lucro e engessada pela ação corporativa dos funcionários, a empresa agoniza e a Fundação e os funcionários podem perder sua galinha poedeira.
O problema é que não se concebe mais sociedades sem Estado na contemporaneidade; portanto, ao contrário da Varig, o Brasil não pode simplesmente deixar de existir.
É vital que o Estado seja reformado e que sua inoperância na devolução dos impostos cobrados seja sanada.
Para radicalizar, eu imporia simplesmente a extinção de todos os impostos. O Estado deveria então se sustentar unicamente com a cobrança de tarifas.
Ou seja, só seria remunerado pelo serviço efetivamente prestado e comprovado.
Funções de difícil comprovação material, como a Legislativa, teriam que cumprir metas pré-determinadas e o reserviço não seria remunerado.
As áreas deixadas de lado pelo Estado poderiam sustar seus pagamentos até que tivessem suas demandas assistidas e a iniciativa privada poderia supri-las sem que os impostos encarecessem os serviços, o cidadão não seria punido duplamente.
Os críticos dirão que isso alijaria os mais pobres. A pergunta: como eles estão agora? Estão bem integrados à sociedade?
Um fato é que a única maneira de se incluir os mais necessitados é com um Estado que funcione.
Quanto ao funcionalismo, teria um incentivo muito grande para prestar serviços de qualidade; seria isto ou não receber. A ameaça do Brasil se tornar uma imensa Varig seria descartado.
Eu sei que esta parece ser uma proposta radical; é radical e muitos têm urticária frente a tanto neoliberalismo. Só que do jeito que está não pode ficar.
É uma primeira proposta, vocês podem apresentar outras mais exeqüíveis. Mas o mais importante é que se abra um debate amplo sobre o papel do Estado e a forma como vamos financiá-lo.

E não é que o Coaf serve para alguma coisa?

Para quem achava que o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) não servia para nada, verificou-se o contrário.
Ele serve para constrangimento “legal” de testemunhas-que-não-podem-ter-nenhuma-credibilidade-e-portanto-é-necessário-que-algo-aparece-contra-ela.
E isso já não é pouca coisa. Muita gente que viu aquelas merrecas do Marcos Valério circulando já estava pensando que era um órgão fantasma.

quinta-feira, 23 de março de 2006

E vejam só

Além do constrangimento do caseiro, agora estão constrangendo o suposto pai do mesmo.
Segundo a nota publicada pela Folha Online , o empresário foi chamado pela CEF para dar explicações a respeito dos depósitos feitos na conta do caseiro.
É que haveria uma discrepância entre o que saiu da conta do empresário e o que entrou na conta de seu suposto filho.
Então ficamos assim, não foi apenas o sigilo de um que foi quebrado, mas pelo menos de dois dos correntistas do banco.
E é assim que querem fazer com que a credibilidade da instituição não sofra abalos.

quarta-feira, 22 de março de 2006

Muito engraçado

Na revista Istoé desta semana, tem-se a explicação do porque Hugo Chávez resolveu trocar o brasão de seu país, a Venezuela (e ao que parece o seu aí em todos os sentidos).
Segundo a revista, a filhinha de oito anos do bolivariano presidente teria dito que não gostava do cavalo no símbolo, pois este olhava para trás enquanto se dirigia para a direita.
Aproveitando a deixa ele teria dito que o “símbolo reacionário... é um cavalo que alguém freou e olha para o passado”.
Solução: mudou-se o símbolo, que agora é um cavalo que olha para a frente e corre para a esquerda.
Ou seja, se formos seguir a explicação creditada a Chávez, está correndo celeremente para o passado e sem remorso ou dúvidas.
E, para que não pairem dúvidas, outros símbolos modernos foram implantados no brasão: arco, flecha e machadinhas.

terça-feira, 21 de março de 2006

A Amex é nossa

Para os que pregam a sobrevalorização cambial está aqui, o Bradesco mostrou o caminho.
Se nossa moeda está muito valorizada, compremos ativos estrangeiros. Quando e se esta voltar ao normal (raquítica e anêmica, coitada), o patrimônio nacional estará ampliado.
E também é uma excelente maneira de fazer com que o fluxo de moedas passe a ter a mesma intensidade nos dois sentidos.
Nacionalista então, delirariam. Se bem que poderiam começar a chamar as nossas empresas de imperialistas, como já fazem os bolivianos “moralesistas”.
Porém tudo bem; nossos nacionalistas adoram importar idéias, principalmente os de esquerda.

Fatura

O TCU apresentou relatório dizendo quanto custa um Land Rover para os cofres públicos:
módicos R$36 milhões.

segunda-feira, 20 de março de 2006

E um tiro no pé

Após a banda desandar com o cancelamento da “oitiva” do caseiro, a quebra do sigilo bancário do mesmo foi um verdadeiro tiro no pé do PT e do governo Lula.
Agora além de darem credibilidade ao rapaz, ainda o transformaram em um mártir para a oposição.
Vai ser criado um verdadeiro carnaval e fosse mentira ou não o que foi dito na “oitiva”, não importa mais. O que importa é que foi usado o aparelho estatal para constrangê-lo.
Serão abertas novas investigações, quem sabe até uma CPI, e muitas feridas paralelas para sangrar a credibilidade do governo de ocasião.
Que mais a oposição poderia pedir?
E, pelo que me consta, nem é aniversário de ninguém para tanto presente.

sábado, 18 de março de 2006

Lembram do acordo?

Aquele que procurava conter as altas do preço de álcool combustível. Aquele que fracassou.
Pois ontem vi o primeiro sinal de inteligência por parte do governo no enfrentamento do caso. Uma propaganda de tv mostrando como se calcular quando é lucrativo para o consumidor utilizar um ou outro combustível nos carros flex.
Este é o único fator limitante para os usineiros, desovar os estoques, e se a guerra da propaganda conseguir com que eles não o façam, os preços cairão rapidamente.
É até de estranhar tamanha lucidez. Mesmo porque, apesar de tudo, nem se deveria cogitar que um governo de economia de mercado deveria tentar controlar os preços de commodities como o álcool combustível.
Mas isso o calendário eleitoral explica.

sexta-feira, 17 de março de 2006

Requentadas

Os líderes petistas afirmam que nada de novo foi apresentado a respeito de nosso ministro da economia; que é tudo requentado.
A verdade é que é mesmo, só que ainda nada foi explicado a respeito deste caso.
Se ele mentiu antes porque está falando a verdade agora?

E vai ficar pior

Para quem acha que o câmbio está ruim agora, pode ter certeza que vai ficar muito pior.
Se há uma verdade na questão do câmbio livre é o de que ele procura se equilibrar entre a demanda e a oferta de dólares e outras moedas.
O porém é que isso não se dá de maneira automática, é um processo que sofre uma certa defasagem, em muito devido ao passado de intervencionismo.
No caso brasileiro há uma série de “esqueletos no armário” do câmbio real. Quem pensa que uma chegada a juros civilizados conterá a taxa nos atuais ou um pouco maiores tem muito que se decepcionar ainda.
Em primeiro lugar o país é um exportador líquido e muito pouco pode ser feito a respeito disto; a não ser que se mude o padrão de consumo do nosso povo, fazendo com que ele passe e comprar produtos e serviços mais refinados que nossas empresas não podem suprir, por falta de escala ou de tecnologia. Como para isso seria necessário mudar radicalmente a estrutura de renda do país em período muito curto, não passa de utopia.
Inclusive o país deve até aumentar seus superávits comerciais com as exportações de biocombustíveis e com os excedentes de petróleo.
Outro e mais importante ponto é que os ativos são muito baratos no Brasil. Imóveis, ações, empresas, licenças e concessões têm preços irrisórios se comparados a seus equivalentes mundo afora. Estes não eram sequer imaginados como fonte de lucro quando nossa economia era fechada, mas agora que estamos nos integrando ao mundo passam a ser uma possibilidade.
Taxas de juros civilizadas poderiam fazer com que os aplicadores deixassem nossos títulos públicos, mas fariam com que estes ativos brilhassem muito mais. Os que atualmente reclamam da onda de investimentos estrangeiros vão sentir saudades quando o tsunami de procura por ativos chegar.
Portanto, se não houver um forte intervencionismo no câmbio, ele tende a ter uma perspectiva descendente por um período muito longo.
A hipótese de intervenção pode ser a opção mais atraente para a parcela ligada à indústria exportadora, só que é a opção errada.
O melhor e mais difícil é enfrentar os gargalos estruturais que retiram a competitividade de nossa economia. Uma gambiarra cambial apenas fará com que nosso desenvolvimento seja postergado.
De novo.

quinta-feira, 16 de março de 2006

Muito pior do que o soneto

Se antes seria a palavra de um caseiro contra a de um ministro, agora é evidente que o caseiro poderia acarretar muitos problemas ao governo.
Repercussão certa. Pior ainda por ser no meio da sessão parlamentar.
Qual seria pior?
Até estou imaginando as manchetes de amanhã e escaladas de matérias dos jornais televisivos da noite.

quarta-feira, 15 de março de 2006

Pícolé de milho

Na campanha para a prefeitura paulistana em 2000, encontrei com o candidato Geraldo Alckmin em um dos locais mais improváveis, a festa de lançamento de um campeonato de surf.
A impressão que tive dele foi das piores, para mim ele pareceu ser apenas um pamonha, palavra que usei a torto e a direito depois daquele momento.
Posteriormente este recebeu da mídia a alcunha de picolé de chuchu por parte da mídia paulista.
Depois de sua administração do estado de São Paulo e da forma como dobrou José Serra vão ter que mudar a alcunha.
Sugiro que vire picolé de milho, que nem todos gostam mais tem um sabor marcante.
E mais do que tudo, isso mostra que a força de um personagem político não está apenas no carisma, pois se dependesse disto o Alckmim nunca teria chegado onde chegou.
Ficamos assim então, a disputa eleitoral agora parece estar centrada na razão contra a emoção.
Quem será o vencedor?

Questão de inteligência

As tais armas apareceram. E ficou bem claro que era necessário mais cérebro do que músculos.
Durante onze dias os militares foram peões dos traficantes da Rocinha, local onde foram encontradas.
Para estes a ocupação militar serviu para enfraquecer a concorrência de outros grupos criminosos, que viram seus pontos de venda embargados pó um bom tempo, além de um provável incremento de seu faturamento devido aos consumidores que ficaram impossibilitados de chegar aos seus fornecedores habituais.
Foi só acontecer o cerco à favela certa que as armas apareceram.
Se houvesse anteriormente um bom trabalho de inteligência policial muito dinheiro teria sido poupado desta ridícula operação “Macho-man” do exército. Onde é que já se viu um dos braços das forças Armadas precisar de auto-afirmação?
Então ficamos assim; o Estado gastou uma fábula, os traficantes de alguns pontos perderam uma boa grana, os de outros ganharam outra, alguns cidadãos e militares ficaram feridos e um morreu.
O Estado mostrou sua incompetência e como troféu apresentou as armas. Podia ser pior. Vai que ele mostra e não apresenta nada.
De concreto muda a o significado da antiga expressão:
Tropa: APRESENTAR ARMAS.

terça-feira, 14 de março de 2006

100 mil dólares

Foi com essa quantia que a empresa com um dos maiores valores de mercado atualmente começou.
A Google precisou desta módica quantia e o camarada que o cedeu deve estar rindo atoa. Se ele ainda está no negócio suas ações valem bilhões, se não teve um retorno de capital astronômico.
Antes do lançamento da Google havia a Yahoo, que também vale bilhões hoje, e algumas outras espalhadas mundo afora no mesmo segmento de mercado, busca de conteúdo. Uma era a empresa que criou o Miner, utilizado ainda hoje sistema do Grupo Abril, e que teve como desdobramento a tecnologia da empresa Akwan, comprada pela Google recentemente.
Aí está toda a diferença, enquanto nos EUA as empresas estão se desenvolvendo a ponto de comprar outras aqui no Brasil, o que impede que as nossas façam o mesmo?
A Google é apenas uma criança no ponto de vista empresarial, começou em 1998, e já goza de créditos que permitem fazer aquisições. Uma empresa na mesma idade no Brasil está normalmente lutando para se formalizar ainda.
Tem ainda que arcar com uma burocracia absurda para abrir a empresa, e rezar para não ter que fechá-la (pois aí a burocracia será mais que absurda), para registrar as patentes de seus produtos e para contratar e demitir funcionários.
Ou seja, o empreendedor tem que ter um produto inovador, mas o mais importante mesmo é ter dinheiro guardado para manter a empresa funcionando nos tempos de vacas magras e ser muito bom empresário, já que não tem espaço para erros.
E se este super-homem tiver todas estas qualidades, ainda encontra barreiras para se internacionalizar. Com base nisto alguém se espanta de não termos nenhuma Google aparecendo por aqui?
È óbvio que os 100 mil dólares não é a barreira inicial, nem o conhecimento técnico. Só que enquanto o custo de oportunidade estiver tão alto aqui e os lucros financeiros e sem risco estiverem neste patamar, qualquer pessoa com este dinheiro para empreender preferirá deixar os bancos lhe pagarem mil dólares de aluguel pelo seu dinheiro.
A não ser que seja muito sonhador, e ainda bem que os temos aos montes ainda.

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  • quinta-feira, 9 de março de 2006

    Só filmando

    Não sei quanto a vocês, mas estou com muita vergonha da nossa Câmara hoje.
    Nossos deputados - ilustres ou não - acabam de dizer o seguinte, lei serve para ser descumprida e ética é para os fracos.
    E nós ficamos aqui vendo embasbacados. Só espero que prestemos atenção na hora de renovação dos mandatos.
    Eles tão cantando "é nóis na fita" e "tá tudo dominado", nos lembremos disto daqui até outubro. Não é muito tempo, certo?

    quarta-feira, 8 de março de 2006

    Minhas convicções estão por um fio

    Sempre fui e acho que sempre serei favorável ao parlamentarismo, porém estas convicções estão se esvaindo a cada nova trapalhada do congresso, e elas não foram poucas.
    Nem perderei tempo dizendo quais são estas trapalhadas, mas observem que dois parlamentares podem, na verdade deveriam, ser cassados hoje.
    A última pontinha de certeza de que o parlamentarismo seria melhor é conseguida quando vejo os atos eleitoreiros dos nossos governantes, principalmente o mandatário, e penso: realmente, presidencialismo não dá.

    sábado, 4 de março de 2006

    Quem, eu?

    Uma perguntinha: se queriam chutar Bill Clinton por “imprecisão semântica” quanto ao que é ou não sexo; o que vão fazer com o atual presidente americano que após mentir quanto às armas de destruição em massa iraquianas teve um vídeo divulgado no qual ele diz saber de coisas sobre as quais viria no futuro a nunca “ter sabido”?
    Será que é caso de impichamento?

    quinta-feira, 2 de março de 2006

    Comentário

    Está na moda se falar em minorias e afro-descendentes quando se trata de racismo e ações afirmativas.
    Então de uma olhada nesta página aqui: http://www.jurgita.com/models/south-african-models .
    São todos africanos, não apenas afro-descendentes e a grande parte é de minorias. Mereceriam fazer parte de nossas ações de combate ao racismo?

    Certa vez...

    , não sei como, me vi surpreendido em um debate sobre a “branquitude” ou “negritude” do povo brasileiro. Nesta bradei minha identidade parda – tinha menos de 15 anos e isso não tinha a menor importância para mim, na verdade. Nunca havia sido alvo de racismo, pelo menos não me percebi como um, e só estava na discussão porque me senti na obrigação de mostrar que aquele debate não tinha sentido.
    Pois bem, após o término da discussão fui para casa e conferi minha “identidade cultural” na certidão de nascimento: quase cai de costas, eu era branco perante o Estado brasileiro. Logo eu, cujo o avô paterno não era negro, mas azul; como vivia ouvindo em casa.
    Fiquei um pouco indignado, naquele momento, me considerei um sem-raízes (nem sabia bem o que era isso). O fato é que, como a maioria das famílias brasileiras, minha árvore genealógica é muito obscura, com a continuidade se perdendo não muito mais longe do que nos meus bisavôs – só que considerarem a mim um branco me pareceu meio absurdo.
    Dito isso, quero iniciar o verdadeiro assunto deste artigo: a necessidade de cotas em concursos públicos para as chamadas minorias étnicas.
    Somente a idéia de cotas já me parece absurda. Se o cerne principal da medida é o combate à discriminação racial porque fazê-lo através de uma medida discriminatória. Isso não faria com que a roda do ódio girasse mais rápido?
    Se a razão é a inclusão social, algo de podre parece surgir. A razão? Está medida será inócua. Não incluirá os negros porque:
    Primeiramente, segundo estatísticas expostas pelos debatedores a favor das cotas a população negra é de 35% a 45% do total do país e a indígena é de menos de 1%. Levando-se em conta que o número de cargos públicos é de 10% a 20% da população economicamente ativa nos países desenvolvidos, chegaríamos a um quadro de reservas de vaga para as minorias (dependendo da cota a ser empregada) de 1% a 5% do mercado total, só que em prazo muito largo de tempo, já que a maioria destas vagas já está coberta atualmente.
    Este número não é maior do que a quantidade de membros das “minorias” que se situam nos extratos médios da sociedade atualmente. Portanto não causará mudança social.
    O sistema de mérito, que é o empregado hoje para a contratação, prevê um grau de preparo mínimo para o exercício do cargo. O sistema de cotas prevê que certas características – cor de pele, orientação sexual, gênero –são mais importantes do que o preparo. Cria-se um evidente conflito de interesse, e os mais prejudicados são os que mais dependem de serviços públicos, como a maioria dos integrantes das “minorias”.
    Há atualmente os que já possuem condição e vontade de ocupar a vaga para a qual é necessário um concurso público e não precisam da cota, ou seja, para eles a lei é tabula rasa.
    Formam-se daí dois outros grupos: os que têm condição e não vontade e os que têm vontade e não condição. Ambos os grupos são prejudiciais aos cofres públicos e às pessoas que utilizam serviços públicos, ou seja, toda a sociedade.
    Os primeiros usarão o emprego fácil como um trampolim para o mercado privado, gerando um aumento das despesas de treinamento e realização de concursos cada vez que trocar de emprego e os demais por prestarem um serviço de má qualidade, por simples falta de qualificação.
    Observando-se estes dois motivos vê-se que as vagas abertas seriam cobertas por representantes das “minorias” já “incluídos”, que podem se preparar e já compete no mercado de trabalho, não forçando nenhuma mudança social. E o que é pior, nas poucas vezes em que a cota cumprisse seu trabalho (incluir na lista de aprovados) a má-qualidade da mão-de-obra por ela gerada faria as armas dos racistas ficar mais carregada, pois os números se encarregariam de provar o erra da contratação.
    Por fim, e não mais importante, como seria a seleção dos candidatos pertencentes às minorias? Quais seriam os critérios? Quem seria o juiz? Eu teria vez, ou minha certidão de nascimento me derrubaria?

    quarta-feira, 1 de março de 2006

    Mais uma chance

    O reinado de Momo acabou, o ano começa amanhã e voltamos ao domínio da música internacional no cenário.
    Este ano foi completamente atípico em matéria de período pré-carnavalesco; foi regado a pop-rock, no que ele tem de mais representativo.
    U2 e Roling Stones vieram, viram e causaram furor. Criaram celebridades instantâneas e movimentaram muito, muito mesmo, dinheiro.
    Teve também uma intrusão no tradicioal reduto do axé, o carnaval baiano, com o trio puxado pelo DJ Fat Boy Slim. Se este não chegou a ser a sensação dos circuitos soteropolitanos, também não passou despercebido.
    E o que eles têm de especial, que nossos artistas não possuem? Considerações artísticas à parte, eles tem muita mídia espontânea, que faz com que estar em seus shows seja mais do que assistir a arte. É uma manifestação política e cultural.
    São ídolos fabricados por muita exposição e certamente devem muito do seu sucesso aos planejadores de mídia; ou se vocês preferirem assim, marqueteiros.
    E o que isso tem a ver conosco? Os novos espaços de mídia que a Internet criou, está criando e criará são a primeira grande oportunidade de transformar o Brasil em plataforma de exportação cultural desde a Bossa Nova de 40 anos atrás.
    É claro que a oportunidade não é só nossa e tão pouco somos nós que a estamos aproveitando no momento. Talvez o ícone para o poder da Internet na criação de ídolos seja Paris Hilton, que através de um vídeo muito comentado de seus atributos bucais (digamos assim) deixou de ser uma herdeira milionária gastadora para ser uma celebridade milionária muito bem paga, mas ainda gastadora. Ou a banda britânica Artic Monkeys, que de bandinha de garagem de adolescentes se tornou a de maior vendagem em um álbum de estréia na Inglaterra através de um surpreendente, e provavelmente não-planejado, sistema de divulgação pela rede.
    A divulgação na Internet é potencialmente barata e permite que se fuja dos processos de massificação que as gravadoras “majors”, imensas multinacionais, tentam forçar ao mercado para diminuir seus custos e maximizar seus lucros.
    Permite também que grupos consagrados localmente ampliem sua notoriedade. É o sistema de divulgação boca-à-boca ampliado, em uma escala planetário.
    O caminho apontado pelo Artic Monkeys pode e deve ser trilhado por grupos brasileiros. A possibilidade de vendar músicas on-demand é uma das possibilidades, fazer shows devido à notoriedade outra e novas formas de se conseguir renda através da arte devem surgir com o passar dos tempos.
    O Brasil pode dar uma grande contribuição para a música internacional muito grande com seus estilos e ritmos variados e os artistas brasileiros podem se beneficiar de um mercado consumidor ampliado. A hora de agir é agora, ou veremos mais uma vez os artistas dos mais variados países fazer festa aqui e continuaremos barrados nas festas deles.