Apenas alguns pensamentos sobre as coisas que acho que sei ou sobre as quais não tenho a mínima idéia
sexta-feira, 18 de agosto de 2006
Brasileiros que trabalham e pagam impostos
Mais o comentário nada tem a ver com os números e sim com a anteposição que Oltromani faz, de que existem os que recebem a bolsa e os “brasileiros que trabalham e pagam impostos” – expressão que ele utilizou três vezes nas duas páginas de reportagem.
Como não acredito que o autor pense que os que recebem a ajuda assistencial são não-brasileiros; assumo que ele está afirmando que estes não trabalham, não pagam impostos ou os dois.
Isto demonstra que há das duas uma, preconceito ou desconhecimento com relação a realidade brasileira.
O desconhecimento seria o de igualar a incapacidade de gerar renda com a incapacidade de trabalhar.
Não conheço muito a realidade do nordeste em geral e menos ainda daquela cidade em particular, mas tenho total confiança de afirmar que a totalidade dos moradores desta localidade não têm como principal ofício esperar que o dinheiro do Bolsa-família chegue às suas mãos.
Se a cidade existia anteriormente à criação destes programas de auxílio (que não completaram uma década no plano federal) é porque existe uma dinâmica própria da economia do local, com empregadores e empregados como em qualquer outro. O próprio autor cita no texto o caso de uma professora que ganha 350 reais pelo seu ofício e mais 80 de assistencialismo. Será que ela não se enquadra no perfil de brasileira e trabalhadora?
Se estes trabalhadores são pouco produtivos e não conseguem suprir as necessidades básicas ou está havendo mau uso das bolsas é outra conversa que precisaria de um estudo caso-a-caso.
O preconceito seria igualar o recebimento da bolsa à falta de vontade de trabalhar ou a injustiça no recebimento. Seguramente todos os beneficiários prefeririam não depender desta esmola, vamos dar nomes aos bois, e ter capacidade financeira para se sustentar.
Quanto a pagar impostos; todos fazem. Como dizem: tão certo como a morte são os impostos, não importando se o contribuinte é rico ou pobre, feio ou bonito, velho ou novo.
Porém, certo como os pagará, o pobre contribui com uma fatia maior de sua renda do que o rico. E os muito pobres com um percentual maior ainda, sendo os bolsistas os favoritíssimos no esporte de renda tributada.
Me digam então quem são os brasileiros que trabalham e pagam impostos?
Só uma coisa, apontar para os congressistas e para o presidente não vale.
quarta-feira, 16 de agosto de 2006
PQP
Tudo por capricho dos metroviários, que acreditam que a entrega da linha Amarela do Metrô paulistano à iniciativa privada para construção e operação durante 30 anos, por meio de PPP (parceria público-privada), é danosa para a sociedade e deve ser revertida.
Segundo os sindicalistas, trata-se de mais uma “privataria” –eles sustentam que é um capitalismo sem risco, pois há uma boa parcela de dinheiro público envolvido (BNDES) envolvido no financiamento – e que seria mais “saudável” para a economia do país que a obra fosse totalmente bancada pelo dinheiro público.
Pois bem, é uma tentativa evidente de influenciar as eleições.
Primeiro pelo fato de que a reinvindicação é absurda por qualquer lado que se olhe.
A questão não é quem financiará a obra, mas se ela irá ou não ser implementada. Os governos não têm capacidade financeira para arcar com o empreendimento e o BNDES é um banco; portanto empresta dinheiro, não doa.
E segundo porque trata-se de mais uma daquelas situações em que o preço é muito alto caso a obra não seja entregue dentro dos prazos. E quem pagará – aliás, já está pagando - é justamente a sociedade que os sindicalistas julgam proteger.
O custo com que os paulistanos arcam por não ter um sistema de transporte coletivo melhor é astronômico e se divide de várias maneiras. É na quantidade de horas em que eles ficam presos no trânsito. É o aumento da quantidade de combustível queimado. É a perda da qualidade de vida, com stress e aumento de incidência de doenças respiratórias. É a necessidade de se investir mais na malha viária. Etc, etc e etc.
Mesmo a categoria que reclama sairá fortalecida com a PPP, já que haverá um aumento nos postos de trabalho.
Como vêem, não há justificativas válidas para o protesto que paralisou grande parte de São Paulo. Ele se baseou simplesmente na ideologia e no calendário eleitoral.
É um pensamento muito curto para quem está dizendo-se protetor de todos. Se nossos amigos protetores agem assim, nossos inimigos devem estar morrendo; de rir.
terça-feira, 8 de agosto de 2006
Tiroteio de campanha
Mais ataques do PCC, que alguns deram pra chamar de quadrilha, outros de organização criminosa e alguns até de partido político.
Seguramente não é uma quadrilha; eles não se juntam para assaltar bancos ou lavar dinheiro, até onde me consta. Estão muito mais próximos de partido político, acho que são na verdade um grêmio ou uma associação de classe, juntam um dinheirinho aqui, outro ali para suas benfeitorias (ou malfeitorias, dependendo do ângulo que se olha), como pagar advogados e emprestar dinheiro aos associados; é um verdadeiro sistema S da bandidagem.
Tem estatuto, pelo menos é o que diz a imprensa, secretário e tesoureiro e uma opinião formada a respeito de política. Qual seria: derrotar o PSDB.
Já foi escrito e dito em muito locais que o secretário de Segurança Pública de São Paulo foi irresponsável ao dizer que o PCC tem ligações com o PT (a última vez que ele declarou isso foi no programa da rede Bandeirantes, Canal Livre Eleições), o mesmo das insinuações por parte de Serra e Alckmin sobre o mesmo assunto. De fato é uma irresponsabilidade afirmar coisas sobre as quais não se têm provas, mas não há dúvida que os membros destacados do PCC pediram que se assassinassem políticos da coalizão PSDB-PFL e que sobre o comando destes dois partidos a vida ficou mais dura para eles, com um aumento impressionante da população carcerária neste estado (aqui vai um adendo, já que muitos dizem que a vida na prisão não é tão dura assim, já que não os detentos precisam trabalhar para comer e ter assistência médica – pode até ser, mas prefiro estar aqui deste lado das grades).
E se Marcola e companhia estão contra o PSDB eu estou ainda mais com ele. O que é ruim para meus inimigos é muito provavelmente ótimo para mim. Se tivesse alguma dúvida de que a dupla Alckim-Serra é a melhor para os brasileiros em geral e os paulistas em particular está estaria dirimida no exato momento que começaram os ataques.
Portanto estarei votando pela ordem nos próximos turnos e esperarei que o PCC ganhe alguns reforços de peso nos próximos meses; com alguns ex-deputados, ex-ministros e talvez até um ex-presidente.
O lugar de muitos de nossos políticos é na cadeia e o noticiário está aí para não me deixar mentir, a cada enxadada uma minhoca, como bem lembra Reinaldo Azevedo todo o dia no blog dele.
Sei que é difícil, mas talvez a moralização chegue algum dia e estes cidadãos de alto escalão não conheçam de perto a realidade carcerária do país. Seria muito bonito.
domingo, 30 de julho de 2006
Excessos
Devido a isto estou me abstendo de comentar esta semana, pois há muito a ser dito. Os jornais andam até gordinhos.
Mas tenho que fazer dois breves comentários.
Primeiro, Israel está mesmo querendo se suicidar frente a opinião pública internacional. Nem Mr. Bush e os seus cristãos renascidos - aqueles que querem reconstruir o templo de Salomão em cima da Mesquita de Al-Aqsa - gostam de ver criancinhas sendo retiradas dos escombros. Ele deve ter ligado para o primeiro-ministro Olmert e dito: assim não dá, o que vou dizer lá em casa.
Pois foi um excesso de força por parte dos israelenses.
O segudo comentário é a respeito do nosso presidente; ele achou mais uma coisa para não saber agora.
Depois de não saber nada sobre o caixa dois da própria campanha, de ter chorado (ou não, dependendo da versão) quando foi informado do mensalão (também depende da versão se foi ou não, já que depois disso ele voltou a não saber de nada) e de não - precavidamente - saber de nada que acontecerá nos Correios cedidos a título de feudo ou porteira fechada ao PMDB; o que ele imagina o espiará das culpas que tem, mesmo que subjetivamente, agora deu pra não saber quando é presidente e quando é candidato.
Eu não sou muito sabido também, porém posso dar umas dicas para o homem, tirada de um dos muitos discursos de improviso que um certo Luís Inácio dá por aí. Político está em campanha da hora que acorda à hora que dorme, todos os dias da sua vida.
Presidente também deveria ser assim, durante o seu mandato pelo menos, só que não me lembro de ter ouvido o sábio Inácio falar a respeito, então creio que não seja assim.
Portanto, presidente lembre do que o Inácio disse quando estiver em dúvida. Você certamente está em campanha; se governa algum minuto ou ao menos o fez no passado recente, tenho cá minhas dúvidas.
De qualquer forma, há excesso de ignorância no mandatário-mor do país.
Vou-me, mas circunstâncias me lembraram de outro excesso com a qual me dou bem. O de gols quando o Santos faz; como fez com o pobre time reserva do São Paulo agora a pouco.
segunda-feira, 24 de julho de 2006
O que vale é a capa
Nele se mostra que as praticas de consumo das famílias brasileiras - principalmente as de classe média – se modificaram profundamente.
Com base em dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) –mais precisamente da Pesquisa de Orçamento Familiar (PDF) – percebe-se que se gasta cada vez menos com alimentos e mais com itens como serviços de telecomunicações e aparelhos eletrônicos.
Porém o que mais me chamou a atenção foi a desproporção entre o que se gasta com cursos extracurriculares e o que se gasta com higiene e beleza. E o pior, a diferença está aumentando com o tempo.
Os números apresentados demonstram que com cursos as famílias gastam 0,39% da renda (no passado 0,36%) e com higiene e cuidados pessoais 2,17% (anteriormente 1,96%).
Como vemos há um gasto cinco vezes maior com beleza do que com aprimoramento educacional.
É a prova de que esta marola de exaltação do conteúdo ainda não é nada frente o vagalhão de valorização da forma.
Portanto não se deixe enganar, na nossa sociedade mais vale investir no “lay-out”. O curso de aperfeiçoamento pode até ser um diferencial caso ocorra um empate no item mais importante.
E isto não ocorre só com relação às pessoas, ocorre com todos os itens comercializáveis também.
Então deixemos com este papo-furado de que somos preocupados com o interior; o que vale mesmo é a capa, e não se fala mais nisso.
quarta-feira, 19 de julho de 2006
Desindustrialização
Vamos aceitar que ela está ocorrendo, o que de fato não tenho elementos para confirmar ou negar (apesar de eu acredito que não esteja, pelo menos em níveis absolutos); carece de perguntar, e daí? O que perdemos ou ganhamos com isso?
E resposta das pessoas que ficam nos dizendo que isto está ocorrendo é que isso é ruim; escandalosamente ruim, contra os interesses nacionais.
Que transfere empregos de alta qualidade e melhor remunerados para outros países, enquanto temos que nos contentar com os maus empregos fornecidos pelos setores primários e terciários da economia.
Isto envolve uma série de preconceitos por parte de quem diz isso.
O primeiro é que o setor manufatureiro (ou segundo setor, de transformação) é mais nobre do que os demais.
Isto não é verdade, nem absoluta nem relativa. Todos os setores são igualmente necessários e nobres; pois igualmente servem para a mesma função, cobrir as necessidades humanas.
Sendo assim, os empregos de um setor não são necessariamente melhores do que os de outro. Nem na condição de trabalho e nem na remuneração oferecida.
Na verdade, os empregos mais valorizados e bem pagos costumam ser no terceiro setor; e mesmo quando nos demais setores, em atividades que se aproximam das características deste.
Portanto a qualidade dos empregos não é uma boa explicação para se lamentar uma possível desindustrialização.
Tampouco o é a transferência absoluta de empregos. Primeiro porque não está ocorrendo um comércio de uma única via nos itens manufaturados. Tanto as importações quanto as importações estão crescendo e as possíveis demissões provocados por uma podem ser compensadas pela outra.
E o segundo fato é que de modo geral as empresas estão transferindo suas plantas industriais dentro do Brasil e não para outros países.
A verdade é que os defensores de que o Brasil está vivendo uma crise de desindustrialização e de que é preciso fazer algo para impedi-la são lobistas, muitos involuntariamente, das empresas ineficientes que querem alguma compensação financeira para manter-se no mercado; ou seja, eles querem tornar más empresas economicamente viáveis com o dinheiro alheio – no caso dos contribuintes. Socializar o prejuízo, como é o costume por aqui.
Usar recursos públicos para defender empregos industriais em fábricas ineficientes não é mais produtivo para o país do que aplicá-los na defesa de ineficientes estabelecimentos rurais. Por que privilegiar um em detrimento de outros?
Não há dúvidas que precisamos de políticas que auxiliem a criação de empregos e que reforcem os que já existem, mas não é perpetuando estes artificialmente que faremos um Brasil melhor no futuro.
Temos que empregar os recursos do modo mais eficiente possível. E isto inclui debelar as ineficiências.
segunda-feira, 17 de julho de 2006
Lixo da história
Todo país é uma abstração histórica, mas Israel é isso elevado a máxima potência.
Foi criado a pouco menos de 60 anos; fruto do gênio de alguns de seus líderes no movimento sionista, a simpatia mundial provocada pela repulsa ao Holocausto judeu e o desapego de uma Inglaterra destroçada por uma de suas colônias menos lucrativas.
A partir destes fatores foi criado por uma resolução da Onu e prosperou pela solidariedade religiosa dos imigrantes provenientes de comunidades judaicas ao redor do mundo e encontra-se hoje entre as nações mais desenvolvidas do mundo, sendo uma potência militar dominante no Oriente Médio.
Por quê estaria sendo levada para o lixo da história então?
A razão é que Israel está erodindo seu maior patrimônio frente a comunidade das nações: a simpatia que a maior parte da opinião pública internacional nutria pelo país e seu povo “sofrido”.
As aspas estão aí pelo fato que o povo que vive em Israel agora não tem nada de sofrido, pois reside em uma democracia com alto padrão de vida e são muito poucos os
sobreviventes entre os desafortunados que viveram as agruras dos campos de concentração nazistas ou dos gulags soviéticos.
Em oposição à antiga imagem sofredora, começa a surgir cada vez mais a da nação opressora; que desrespeita a décadas uma resolução da Onu (mesmo mecanismo que permitiu sua criação) para devolução de territórios ocupados durante guerra contra seu vizinhos árabes e que permite crises humanitárias nestes mesmos territórios. Tenha ou não razões de segurança nacional para isso, não há como ficar bem na foto assim.
Se já havia ocupado a posição de vilã, e amalgamado na sua existência a razão de ser dos fracassos materiais, em todas as nações islâmicas (cujos dirigentes reforçam esta visão escapista da população para facilitar o domínio político), a perda do patrimônio simbólico frente a população das grandes democracias ocidentais pode ser um tiro mortal para a sustentabilidade do país.
A espiral de violência que está tomando proporções assustadoras e levando as autoridades israelenses a retaliações desproporcionais contra alvos civis (neste caso pessoas sem ligações diretas com os grupos que, dependendo do lado que clama, são chamados de terroristas ou de heróis) pode levar a uma depleção ainda mais rápida deste simbolismo; o que só interessa aos grupos que planejam “varrer” Israel para o mar.
Apesar de ser uma ilha de desenvolvimento econômico e social em uma região com índices lastimáveis nos dois quesitos, Israel já sofre os problemas causados pela Intifada – com a indústria turística em franca recessão.
Converter-se em um paria, uma verdadeira ilha em relação ao mundo como fez a África do Sul sob embargo devido ao Aparthaid, trará apenas sofrimento ao povo israelense. Conscientemente ou não é o que as autoridades estão fazendo, um desserviço àquela nação.
quinta-feira, 13 de julho de 2006
E ninguém está indignado
Se todos sabemos que existe um grupo terrorista que se financia com x,y e z crimes e que este pode ser destruído se tais crimes forem combatidos, por que não os combatemos?
E tem mais, ficamos aí assistindo nosso dinheiro ser desperdiçado e nada fazemos.
Está mais do que claro que colocar este bando de meliantes em cadeias gigantes é jogar dinheiro fora, e deixamos que o governo continue fazendo cadeias gigantes.
Não sei qual é de fato a justificativa para que elas sejam construídas, talvez economia de escala, mas sei que elas trazem uma série de outros custos embutidos.
Só o fato de misturar uma meia dúzia de presos perigosos e com grandes quadrilhas por trás de si com um bando de ladrões de galinhas já é um custo muito grande. Temos que fazer com que a segurança de todo um complexo, que poderia ser muito mais branda, seja feita para conter os quadrilheiros.
E há uma série de outros custos que o gigantismo dos presídios alimenta.
E não é só aí que vemos nosso dinheiro se evaporar na segurança pública.
Compramos carros para as polícias e vemos estes terem manutenção deficiente.
Compramos sistemas de informática que não conversam entre si, obrigando a duplicidade.
Pagamos horas não trabalhadas.
Etc, etc e etc.
E fica tudo por isso mesmo.
O Skank é que está certo “nossa indignação é uma mosca sem asas, não ultrapassa as janelas de nossas casas”.
quarta-feira, 12 de julho de 2006
Assassinatos improdutivos
Falo expressamente do justiçamento dos inimigos do Estado. Especialmente os apresentados como a fonte de todos os males, o inimigo público número um que aparecia nos velhos filmes e desenhos americanos.
Na semana passada o embaixador norte-americano no Iraque, Zalmay Khalilzad, comentando sobre a situação da violência no país após a morte de Abu Zarqawi, que era até então o homem mais procurado pelas forças de segurança iraquianas e de ocupação norte-americana, confirmou que ela não havia cedido e sim se agravado o número de ataques.
Nada mais natural.
Temos exemplos flagrantes aqui mesmo. Por décadas temos visto nossas forças de segurança eliminar traficantes, bandidos da luz vermelha (este não foi eliminado pela polícia, porém fica como imagem), assaltantes de bancos, seqüestradores e qualquer categoria que esteja em alta no momento como preocupação da sociedade, sem que isso tenha diminuído um ponto sequer dos índices de violência à pessoa.
E acredito que a situação da Tchetchênia não ira mudar em nada, se não piorar, ao contrário do que pensam as autoridades (ver link no texto de ontem).
A experiência mundial tem mostrado que o que previne a violência é o desbaratamento das organizações criminosas e para isso é muito mais útil prender os líderes do que matá-los. O simples assassinato destes apenas provoca a subida dos números dois, três, quatro e etc....
E com eles é visto um novo surto de violência, ou por que precisam mostrar serviço logo e justificar sua liderança ou por que necessitam lutar por ela com os demais reivindicantes do cargo.
Pensando no nosso umbigo, com o PCC ameaçando a ordem natural e os policiais fugindo dos bandidos, vemos que precisamos de um choque de Direito. Se cumprirmos as leis que já existem não teremos nenhum problema com celulares entrando no presídio, não teremos que pensar em bloqueadores e etc e tal.
Pois é, o Estado de Direito é muito chato; pena que não inventaram nada mais eficiente ainda, ou mais seguro para aqueles que não estão no comando.
terça-feira, 11 de julho de 2006
Estados sem direito
O ponto mais evidente desta tendência de ignorar o Direito é a comemoração das autoridades estabelecidas cada vez que um dos inimigos públicos da vez é justiçado.
Cada uma das respectivas sociedades soltou gritos de júbilo quando foram mortos Abu Al-Zarqawi, Shamil Basayev, supostos membros do PCC ou líderes do Hamas.
E aí está o erro. A atitude “antes ele do que eu” é perfeitamente justificável em um confronto armado, só que ao se tratar de um Estado estabelecido não se pode aceitar a comemoração de um assassinado – mesmo que a vítima de fato mereça morrer -, que na verdade é o que a eliminação de um inimigo público significa (mesmo nas sociedades nas quais é aceita a pena de morte é necessário um julgamento justo para validá-la).
O vale-tudo na resolução de um problema é o mais rápido e eficiente meio de se criar outros. Quando aplicado por governos isto se potencializa. Ou vira totalitarismo ou anarquia; e nas sociedades nas quais um deles se instala só há lugar para o retrocesso.
Pense nisso na próxima vez que ouvir falar de um ato arbitrário ou de uma solução quase-legal para um imbróglio. Aceitando-os você poderá acordar um dia surpreendido como personagem de “1984” ou de “Mad Max”. Ou pior ainda, pode ir dormir com o noticiário falando de mensalões e de governos bisbilhotando a vida de seus governados.
sexta-feira, 7 de julho de 2006
Tecnologia natimorta
Mas não importa quem saia vencedor, será uma vitória de Pirro. A tecnologia já nasce natimorta para o uso em grande escala, sobrará o seu uso para a gravação de documentos que precisam de grande confiabilidade e que devam ser menos sujeitos à fraude.
Com as melhorias em confiabilidade, custo e velocidade dos meios de transmissão de dados digitais e também dos de gravações domésticas (principalmente discos-rígidos de alto-desempenho) o resultado já está decidido a médio-prazo.
O consumidor comprará uma licença de uso e baixará do material quando quiser assisti-lo ou simplesmente o guardará em disco-rígido, como os usuários de tocadores de mp3 já fazem.
Serão pouquíssimos os que manterão espaço físico reservado para os numerosos discos, até mesmo pela falta de praticidade, e este deverão formar um nicho de mercado caro e exclusivo – como é o de colecionadores de LPs, por exemplo.
Até os maiores incentivadores do uso destas novas mídias de gravação acabarão por preferir a transmissão de dados digitais. Se no momento o Blu-ray e o Hd-dvd são as esperanças por parte dos estúdios de Hollywood e dos grandes distribuidores (Majors) de conter a pirataria, em pouco tempo serão também alvos desta.
A única forma que as Majors terão para diminuir a incidência de produtos piratas será através da fórmula que salvou a indústria de softwares: estreitamento do relacionamento com o cliente final, melhoria contínua do produto e campanhas de conscientização.
A estratégia da industria de informática teve resultados diferentes em contextos culturais variados, mas de um modo geral incentivou a venda das tais licenças mundo afora.
Caso sejam bem-sucedidas as grandes distribuidoras da indústria cinematográfica terão fortalecido seu negócio, com distribuição mais ampla e barata. Se não, serão mais outra lembrança saudosa nos museus do futuro.
Há males que vêm para o bem – parte 2
Pois isto pode estar mudando muito rapidamente devido ao processo de empobrecimento da classe média brasileira.
Ela havia abandonado todos os serviços públicos passíveis de substituição por correspondentes privados (como a educação e a saúde) e está retornando, sufocada pela bitrubutação.
Bitributação é como chamo o fenômeno de o Estado cobrar impostos e não oferecer serviços de qualidade, que são substituídos pela iniciativa privada; tendo o usuário que pagar duas vezes pelo serviço. Deve haver um nome mais preciso, mas como não o conheço vou usando este mesmo.
Voltando ao assunto: a pressão política que antes fazia com que estes serviços equivalentes tenham leis especiais que beneficiam os usuários – como exemplo, neles há a possibilidade de que os inadimplentes obtenham a continuação de prestação de serviços enquanto nos demais se não pagar não leva nada – se deslocará para o ponto certo; o de cobrar serviços públicos de qualidade, compatíveis com a carga de impostos à qual a sociedade é submetida, que sejam distribuídos de maneira universal e uniforme pelo país.
A força desta pressão já começa a ser sentida. Está desaparecendo o velho discurso de construir sempre mais e aparecendo o de manter melhor o que já está construído.
Inclusive a grande novidade é que a educação é a vedete do momento na boca dos presidenciáveis.
Mantido o viés democrático no país, a qualidade dos serviços públicos deve melhorar a partir de agora. Está será uma melhora lenta e desigual – principalmente porque a formação de capital humano é cara e demorada – mas inexorável.
O Brasil já teve inúmeras chances de fazer esta transição de um Estado para poucas para um que contemple as massas, abortou todas. Este é um momento-chave e devemos aproveitá-lo; não nos deixemos cair na tentação de virar as costas à política somente porque nossos representantes atuais não vêm demonstrando estar à altura dos desafios à nossa evolução social.
Isto já aconteceu antes e agora temos muitas pontes, usinas e estradas; e uma sociedade fraturada.
quinta-feira, 6 de julho de 2006
Há males que vem para o bem
E não digo que é o consumo que fortalece o comércio e sim o aumento do número de endividados e o conseqüente acréscimo de votantes nesta situação.
Isto pode fazer com que o maior problema de curto prazo do país atualmente venha a ser combatido com firmeza.
Este problema é a taxa de juros com que convivemos.
Não há nenhuma razão prática para que um país superavitário (primariamente) pague as maiores taxas de juros reais do mundo.
A desculpa esfarrapada que os defensores desta política pública é a de que é necessário conter o ímpeto gastador dos brasileiros - que só existe na cabeça de alguns economistas teóricos. Os investimentos estão muito baixos aqui e o consumo das famílias de um modo geral se resume ao essencial, para o que o preço do dinheiro acaba sendo pouco importante nas decisões de consumo.
Mesmo que houvesse este ímpeto; desconfio que a estratégia não funcionaria, tanto as pessoas físicas quanto as jurídicas são muito pouco endividadas no país.
Mas mesmo não cumprindo a sua função teórica, a taxa de juros ameaça a economia alimentando a inflação futura e deteriorando as contas públicas.
A inflação é alimentada pela falta de investimentos, o que faz com que a oferta futura de bens e serviços não acompanhe a demanda e criando pressão sobre os preços.
As contas públicas são atingidas pela diferença entre o dinheiro economizado primariamente e os juros pagos pela amortização da dívida, invariavelmente negativa.
Só que estas conseqüências não despertam a ira das massas que serão prejudicadas no futuro – que nem se dão conta do problema – e como os beneficiários do presente são muito poderosos (vide o lucro dos bancos e dos investidores financeiros) ninguém ataca o problema de frente.
Cada endividado a mais é um defensor em potencial da queda da taxa Selic, que funciona como uma espécie de piso para os demais, e eles estão entrando na ciranda financeira aos milhares; pelas portas do crédito consignado, dos cartões de crédito e das financeiras.
Se devemos atacar um problema de cada vez, este é um que merece estar entre os primeiros a ser enfrentado. Só espero que poucos percam seus bens no processo.
O país já está perdendo, e não é de hoje.
terça-feira, 4 de julho de 2006
O serviço mais caro é o que não é fornecido
Ela faz com que todos paguem para que um ou outro político ou classe não fique “mau-na-fita” e tem duas vertentes:
a tudo pelo socialismo – que se nega a adotar qualquer interação com a iniciativa privada, a não ser a cobrança de impostos, e é ideologicamente incapaz de aceitar qualquer participação nos serviços que são considerados (aqui) classicamente função do Estado;
a tudo pela demagogia – que quer estar bem com as massas, principalmente controlando os preços e diminuindo ou anulando os lucros das concessionárias.
Os exemplos mais claros são encontrados na área de saneamento básico. Com medo da cobrança das taxas que remunerem o serviço, o que seria contra o interesse das “comunidades”, paralisa-se qualquer tentativa de privatizações no setor. Como os governos não têm capacidade financeira para fazer as obras necessárias, as populações ficam sujeitas ao não-fornecimento do serviço.
Qualquer ganho que os possíveis usuários do serviço teriam com a economia de não pagar as taxas de uso são amplamente suplantados pelo desconforto ambiental que a falta deles produz. Além disto sobrecarrega-se o sistema de saúde (estudos estimam que para cada real gasto em saneamento economiza-se quatro em atendimentos médicos, sem contar com o aumento da produtividade do trabalhador).
O mesmo vale para outros serviços que deixam de ser prestados por omissão do Estado ou por medo dos políticos de apresentar as contas aos eleitores, com ou sem privatizações.
Com isso o custo Brasil não para de crescer, enquanto dinheiro que poderia estar suprindo nossas necessidades na infra-estrutura ficam no banco engordando, nutridos pelas taxas de juros reais mais altas do mundo.
segunda-feira, 3 de julho de 2006
No fim, algo a comemorar
Esta trinca, que não sei se chamo de os três patetas ou de trio parada dura*, era formada pelos técnicos das seleções brasileira, argentina e inglesa.
Eles eram os comandantes dos conjuntos com mais talentos individuais e poder de decisão entre as trinta e duas presentes na Copa – ouso dizer que do mundo mesmo.
Eram também os portadores das maiores esperanças de prover espetáculos às imensas torcidas presentes aos estádios alemães e aos milhões de telespectadores. Frustraram a todos - com exceção da Argentina que apresentou futebol vistoso em uma partida da fase classificatória – e o Brasil, maior esperança e decepção, conseguiu ser vaiado seguidamente.
E as frustraram pela simples falta de coragem de apostar em futebol agressivo e, principalmente, ofensivo. As três seleções seguiram o caminho do pragmatismo do toque e posse de bola; no burocrático futebol de resultados, avesso a goleadas – pois como todo treinador que segue esta escola sabe, gol é só ‘um detalhe’.
Pekerman ganhou seu lugar no trio principalmente por sua atuação no segundo tempo de sua última partida no comando do selecionado argentino. Já vinha flertando com o grupo, pois sua equipe era a que menos finalizava ao gol, mas o que decretou sua vaga foi a substituição de Riquelme por Cambiasso.
Tirar o armador do time tudo bem, ele realmente estava fazendo uma partida risível, mas colocar mais um volante para se juntar aos outros tre que já estavam em campo - quando seu time estava jogando melhor do que o adversário - foi o fim da picada. Chamou a Alemanha para o ataque; procurou e achou o desastre (ainda bem que os hermanos também têm tais técnicos ou poderíamos ter que amargar quatro anos de sarro por parte dos vizinhos).
Eriksson tinha vaga assegurada. Fez lambança desde a convocação; quando escolheu dois jogadores contundidos (Owen e Rooney), Peter Crounch e um garoto que jamais havia vencido nem ao menos defendido seu clube pela equipe adulta para o ataque do tal de ‘English team’. Só poderia ficar trocando bola no meio de campo mesmo.
E quanto ao Parreira, o que dizer. Diz o ditado que lambão, quando não erra (por assim dizer) na entrada, erra na saída. A saída vocês viram, já estávamos com 32 minutos do segundo tempo e Robinho ainda não havia estado em campo.
Como bem disse Parreira após o jogo de Gana: “espetáculo é ganhar”.
Eu posso dizer que jogar feio e perder é ridículo; ter os melhores jogadores e se acovardar é lastimável e dizer que não se arrepende de nada porque fez tudo que quis é egocentrismo, atitude digna de um adolescente.
O que passou, passou. O leite foi derramado e já choramos muito sobre ele. Agora e tocar a vida e esperar algumas semanas para ver o Barcelona jogar, e ganhar, bonito. E torcer que o exemplo prospere e no futuro os técnicos covardes fiquem em casa, assistindo pela tevê sem correr risco nenhum.
*para os que não têm raízes rurais informo que Trio Parada Dura foi um gupo de muito sucesso lá pras bandas de Goiás nos idos dos anos 70 e 80. Para os que têm, como eu, puxo de memória uma das modas de viola na voz de Barreirito: ‘ ...eu já fui um grão de areia, agora sou uma pedra dura. Em pedra transformei também uu meu coração...”
Deformação de opinião
Ontem, comentando sobre a filantropia institucionalizada que existe nos Estados Unidos, foi publicado um texto dele no Estadão que continha o seguinte fragmento:
“Com a doação de 85% de sua fortuna – 44 bilhões – para o fundo criado e gerido por Bill e Melinda Gates , Warren Buffett, 75 anos, supersaudável, criador e presidente da Wal-Mart, transformou-se no maior filantropo mundial. Melinda disse que ele nada mais estava fazendo do que devolver para os pobres, os miseráveis, os desnutridos e menos favorecidos, uma parte do que a sociedade lhe havia dado. Eles doaram 31% do P.I.B. brasileiro”.
Como pode alguém escrever tamanho despautério em tão pouco espaço.
Como podemos confiar em um articulista que retira todo o mérito do falecido Sam Walton, este sim fundador da rede Wal-Mart, e ainda reduz drasticamente o P.I.B. brasileiro.
Pois deve ter havido um espetáculo de empobrecimento da nação. Sendo o patrimônio da Fundação Bill e Melinda Gates por volta de 70 bilhões de dólares – cuja soma não foi toda doada pela trinca Bill, Melinda e Warren (que imagino são os “eles” citados no texto) – percebe-se que Tamer estima que a nossa riqueza é de, no máximo, 200 bilhões anuais.
Nunca vi nada menor do que 500 bilhões para o nosso P.I.B., por mais pessimista que seja a forma de arredondamento para baixo das projeções. Inclusive acaba de ser lançado uma projeção para ele que nos coloca entre os 15 maiores do mundo.
É o verdadeiro espetáculo do encolhimento.
Mas é claro que não é apenas por estes pequenos erros de informação que Tamer está na minha lista de não recomendáveis.
Erros acontecem e confundir alhos com bugalhos ou fulanos com cicranos demonstra apenas que o autor não deu a devida importância para ao dado (no mais apenas uma curiosidade em importância para o entendimento do tema), só que no engano a respeito do tamanho da economia brasileira aparece um fator importante.
De tudo que li escrito por Alberto Tamer até hoje, não me recordo de ter concordado com nada. Até aí tudo normal, afinal eu discordo mesmo, porém começo a desconfiar que não é apenas rabugice da minha parte.
Se ele não conhece um dado tão primário de seu objeto de análise, como confiar no que diz este especialista?
Se este é o nível da cobertura econômica a que estamos sujeitos no Brasil não me admira que a população ache normal que nosso governo pague taxas de juros reais de mais de 10% anuais ou até que não saiba disso.
quinta-feira, 29 de junho de 2006
Brasil colônia
Esta idéia cansou de ser apresentada aos brasileiros nesta copa do mundo. Nada mais distante da verdade, ao menos no ver do técnico de nossa seleção (ou seria o head coach).
Para nosso comandante o primeiro mundo do futebol está sem dúvida alguma na Europa, e todas as concepções que temos sobre o modo de jogo por estas bandas não valem nada.
E daí se os brasileiros gostam de jogo bonito, se gostam de ver o time procurar o gol, se preferem que nossa seleção fazendo os adversários de bobo invés de ficar correndo atrás deles ou esperando que estes nos ataquem como fizeram os ganeses (tudo bem que a Globo os chamem de ganenses, deve estar certa, mas acho que ganês soa melhor). São todos uns bobos que não entendem nada de futebol mundial.
Como todos sabem, os livros mais avançados sobre futebol editados nos avançadíssimos Estados Unidos demonstram que o mais importante é defender, mesmo que os adversários estejam morrendo de medo do seu ataque estrelado e só queiram sair no contra-ataque. O gol é um mero detalhe, e a melhor vitória é a sofrida, nos pênaltis.
Tudo isso porque somos uma colônia, ou ao menos temos a mentalidade de uma.
Tudo que vem do estrangeiro tem uma qualidade que nunca poderemos alcançar, ou podemos, desde que os estrangeiros endossem.
Não seria por esta razão que Parreira se recusou a colocar Robinho como titular até que se armou uma operação de guerra para retirá-lo do Santos. E não seria por isso também que o Adriano (que foi considerado o novo fenômeno pela imprensa italiana, mas que eu defino como um grosso) é titular absoluto da seleção a mais de um ano, mesmo quando esteve amargando uma fase desgraçada na sua equipe.
Não sem razão o sonho de qualquer boleiro de 10 anos nas escolinhas e clubes país afora é se transferir para o exterior, nem que seja para a Índia, Vietnã ou Bulgária. Lá eles estarão mais próximos do primeiro mundo da bola.
Parreira é quem tem razão; se com cinco títulos de copa do mundo, o campeonato mais competitivo do mundo e uma nação de 180 milhões de pessoas apaixonadas pelo esporte não conseguimos fazer com que nossas crianças sonhem em fazer carreira nos nossos clubes, só podemos estar diante de uma colônia.
O primeiro passo para ser primeiro mundo é acreditar que é, se nem onde somos “benchmark” (eu sempre imaginei que ainda usaria esta palavra e como bom colonizado fiz, se bem que desconfio que escrevi errado) e exportadores de mão-de-obra qualificada e mesmo de marcas nos sentimos por cima da carne-seca.
O problema é que posso estar olhando pelo lado errado. Não estamos exportando mão-de-obra qualificada e sim matéria-prima de primeira qualidade para ser manufaturada e transformada em espetáculo na metrópole, ou metrópoles.
Como sempre, aliás.
quarta-feira, 28 de junho de 2006
Desperdiçando oportunidades
Se vocês têm mais de trinta como eu, devem se lembrar de que o sonho distante de adolescência era ter um carro equipado com as maravilhas das maravilhas tecnológicas, um toca-fitas autoreverse. E o sonho de consumo imediato era o “walk-man”.
Se você tem menos de quinze (deixando bem claro que eu duvido que alguém com menos de quinze lê este blog) nem sabe o que é toca-fitas e associa o termo “walk-man” com o celular com mp3 da Sony.
O que aconteceu neste espaço de anos?
A ascensão dos métodos de gravação óticos (cds, dvds e afins) e, principalmente, a descoberta em 1988, por Mario Norberto Baibich, da magnetoresistênia gigante.
Baibich é um pesquisador da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e magnetoresistência gigante a propriedade física que permite a construção de discos-rígidos ou mesmo dos leitores dos velhos disquetes e fitas dats.
Perceberam onde quero chegar com o título deste artigo?
A descoberta de Baibich possibilitou o aparecimento do computador pessoal de alto-desempenho e por um período o Brasil teve o maior – e único – especialista na propriedade.
E o que fez com isso?
Nada, absolutamente nada. Desperdiçou a oportunidade.
Li uma vez que a primeira transmissão radiofônica conhecida foi feita por um padre na região da avenida Paulista, nova inovação científica e novo desperdício de oportunidade.
Outros ocorreram, e certamente outros ocorrerão, e mostram que apesar de todos os erros cometidos por sucessivos governos “na história deste país”(Lula, em qualquer discurso dos muitos que concedeu como presidente) erraram mais ainda as classes empresariais, que nunca procuraram inovar tecnologicamente, se contentando em copiar ou comprar tecnologia estrangeira.
O fato é que mais do que um povo educado – fator essencial – é necessário que haja uma indústria inovadora para que um país se desenvolva.
Hoje em dia se costuma dizer que aproveitar a criatividade é o que as empresas devem fazer. Não há nada mais criativo do que a inovação tecnológica e, infelizmente, nada é mais raro por estas bandas.
quarta-feira, 14 de junho de 2006
Ilegalidade é crime
Tudo que os políticos souberam dizer é que chegamos nesta situação devido a falhas no sistema educacional provido pelos políticos de décadas atrás, e que portanto nada têm com isso. Estão lavando as mãos já que os culpados são a “elite branca e cruel”.
Nossos “pilatos” sabem que dar boa educação aos brasileiros não resolverá o problema da criminalidade.
A única forma de realmente diminuir os índices de criminalidade é diminuindo a ilegalidade na nossa sociedade, que em alguns casos é travestida de informalidade.
Aliás, quase tudo que é chamado de informalidade no Brasil é na realidade a ponta de um esquema criminoso.
Nós sabemos que moral é um conceito bastante elástico e que uma vez ocorrida a primeira transgressão a ela as seguintes vêm quase que automaticamente, sendo necessário mais “autoridade” para reverter as transgressões a cada ato individual que vai contra ela. E em um país em que os sistemas repressivos da lei não funcionam, a única coisa que faz com que as leis sejam respeitadas é o código moral, que se esfacela a cada instante.
Por isso todos os esquemas “informais” acabam se transformando em “máfias”, mais ou menos violentas dependendo do estágio em que se encontram, mas sempre deletérias aos cofres públicos.
É só olharmos os exemplos de ilegalidades flagrantes e veremos uma grande fonte de dor de cabeça para a polícia.
Um que foi saudado como solução foi o advento dos perueiros clandestinos entre o final da década de 80 e o início da de 90 do século passado.
Devido ao barateamento dos ônibus e vans e uma melhora nas formas de financiamento destes ocorreu uma enxurrada de perueiros independentes e concorrentes com as linhas licitadas pelo poder público, nas mãos de empresas que prestavam um serviço muito ruim. Estes independentes logo se juntaram em cooperativas que acabaram dominadas por organizações criminosas, como a prisão do líder de uma destas cooperativas – alcunhado Pandora – na semana passada evidencia.
Além do financiamento do crime organizado, estas cooperativas agridem as contas públicas pela perda de receita do sistema legalmente consolidado de transporte público. Em muitos casos ocorre também o flagrante desrespeito as normas de trânsito – e uma montanha de multas não pagas acumuladas nos departamentos de trânsito dos estados – e uma sobrecarga das vias públicas.
Da mesma forma o comércio de rua é em grande parte uma forma de desovar os frutos do contrabando, da pirataria e do roubo de cargas. É óbvio que um combate eficiente a este comércio seria um golpe de morte nas quadrilhas especializadas nestes tipos de crime.
Assim como seria muito bom para a diminuição da violência extrema a descriminalização irrestrita de todas as drogas entorpecentes. Um problema policial passaria a ser apenas uma questão de saúde pública.
Portanto uma diminuição do nível de informalidade/ilegalidade traria evidentes ganhos nos índices de segurança pública, porém nenhum político se compromete a isso por duas razões básicas.
A primeira porque as ilegalidades são fonte de renda de milhares, se não milhões, de eleitores. Enquanto o combate a elas resulta em ganhos de toda a sociedade de forma desconcentrada as perdas são concentradas e mensuráveis pelo povo, que reage rapidamente.
A outra é que o combate a este tipo de criminalidade não resulta em propaganda fácil para os governantes (obras), mas sim em um aprimoramento da máquina pública e a exigência de que os funcionários e órgãos públicos atuem conforme suas obrigações. Ou seja, consiste em ferir interesses corporativos.
Enquanto não tivermos governantes que cumpram suas obrigações e deixem de “lavar as mãos” dizendo que tudo é uma questão de educação a criminalidade só crescerá.
Educar o povo é uma necessidade, só que não resolve tudo. Para alguns problemas, como a criminalidade, é preciso apenas que o Estado faça valer suas forças e prerrogativas; nada mais.
segunda-feira, 12 de junho de 2006
Está decidido
Afinal todos têm direito a uma folguinha de vez em quando. Ou duas, ou três.
sexta-feira, 9 de junho de 2006
O bêbado e o futebolista, obeso
Bate-boca não é exatamente o objetivo de discussão deste blog, só que vou entrar um pouco nesta vereda.
Quem acompanha meus textos sabe que não tenho muito apreço pelos discursos de nosso excelentíssimo líder e agora acrescentem que não gosto dele atuando como entrevistador também.
Daí vem a motivação do texto: se você – apoiado por todo um aparato de mídia – coloca em dúvida as capacidades físicas de um indivíduo perante uma nação perguntando ao técnico da seleção brasileira se um atleta está gordo (a propósito, eu acho que está) abre um flanco para que este também coloque em dúvida suas capacidades governamentais.
Ronaldo foi até elegante por demais. Poderia ter feito menção a uma série de defeitos ou até delitos ligados em tese ao presidente Lula, mas só falou da possível propensão ao alcoolismo, e mesmo assim dizendo que era provavelmente mentira como seria mentira o que dizem sobre ele (a obesidade).
E bate-boca da pior espécie, porém podemos até dar risadas com ela. E mais do que o que tem acontecido com a nossa política nos últimos tempos.
Dela só extraímos lágrimas.
quarta-feira, 7 de junho de 2006
Nas contas da impunidade
Se a cada vez que há uma destas investidas antidemocráticas contra o patrimônio público ou privado correspondesse a prisões dos envolvidos, indiciamentos e cobrança judicial dos danos isso já teria se tornado história.
Só que o contrário ocorre e as autoridades resolvem negociar com os criminosos – quer tenham ou não boas causas para lutar, seus atos são contra a lei vigente no país – e atendem as reinvidicações de modo que há um reforço positivo ao vandalismo.
Como culpar estes manifestantes por utilizar estas táticas se o mesmo é feito semanalmente país afora com o apoio tácito da mídia e de camadas do poder político?
É fato que o nosso país é cheio de leis e regras completamente anacrônicas, porém são elas que estão em vigor. Se estas não servem mais aos propósitos de regular a sociedade que as mudemos, mas enquanto estas estão vigentes é imperativo que as apliquemos. Ao nos darmos a liberdade de executar apenas as leis que nos agradam, estamos na verdade criando um ambiente sem leis nenhuma. Algo assim como um Brasil.
Não sei quanto a vocês, eu achei justicemos que os manifestantes de ontem tenham sido detidos, interrogados e fichados. O problema é que duvido que esta será a conduta padrão nos próximos episódios de invasão de prédios públicos. Torço que sim.
Diminuir a desigualdade social por estas paragens é um sonho de todos nós, até dos riquíssimos que vão passar as férias na monocromática Suíça (quando não há seleção brasileira por lá). Alcançar este objetivo passa por aplicação efetiva das leis que temos a disposição.
Sempre que uma lei é flagrantemente desrespeitada a sociedade perde um pouco. A repartição desta perda não é equânime. Se a sociedade perde um pouco é sinal de que os mais frágeis dentro dela – os pobres, sempre eles – estão perdendo muito.
Entristecedor
Em São Paulo até os jornais estão fazendo anúncios que menosprezam a educação, se não a inteligência, do leitor.
Um diz que tem a “informação que você entende” e o outro que é “fácil de entender”. Falo de Agora e Jornal da Tarde.
E não culpo os jornais e nem seus publicitários pela adoção da estratégia, embora ache muito perigoso para a imagem de uma marca ficar associada à falta de discernimento de seus clientes.
A culpa é de nosso sistema educacional que entrega ao fim do processo um sem-número de analfabetos funcionais.
Como esperar que este sistema produza trabalhadores especializados dos quais nossa indústria é carente. Ou técnicos de programação para operar nos ambientes de alta-complexidade que a tecnologia de informação cria. Ou ainda produtores rurais para surfar na onda dos orgânicos, que para serem produzidos necessitam do acompanhamento constante por parte do produtor das pragas que podem atacar a safra e da correção do solo.
Ou seja, estamos formando uma geração de pessoas para as quais o futuro é no mínimo preocupante. E como eles serão os indivíduos que formarão a sociedade, nada nos indica que esta progredirá.
Mudar este quadro é uma urgência nacional. Se não conseguirmos nem ao menos ensinar o povo a ler, como poderemos sonhar com uma liderança regional ou mundial em qualquer sentido.
Querer que um povo seja formado só por sábios talvez seja um exagero, mas não há nada demais em querer que não sejam todos néscios.
Qualificar os brasileiros para que os jornais não precisem anunciar que são feitos para quem não consegue entender é um ponto de honra e uma questão de sobrevivência.
Se conseguirmos que isso aconteça, muitos dos nossos outros problemas acabam automaticamente.
terça-feira, 6 de junho de 2006
E mais circo
Realmente espantoso.
Se você, como eu, não sabe quem eram ou são os Detonautas clique aqui .
Circo
Foi bem assim que foi tratado o caso desde o princípio.
Em uma cidade que registra índices de homicídios de guerra civil, o assassinato de um casal de ricos foi veiculado como algo inconcebível e com um alcance de mídia totalmente desproporcional se comparado à cobertura que os demais assassinatos – inclusive chacinas – recebe.
A comoção aumentou quando se descobriu a identidade dos criminosos. A filha do casal, o namorado desta e o irmão deste. Foi a chave para que a imprensa fizesse a festa.
Principalmente pela personagem principal da trama. Rica, bonita, culta, (aparentemente) perversa –no sentido psicológico da coisa – e burra.
Tanto fez a imprensa que a transformou em uma celebridade. E com uma celebridade envolvida, o caso deixou de ser apenas mais um de violência extrema em família para ser um evento jurídico.
As indas e vindas dos réus por tribunais e presídios foram acompanhadas ao vivo. A ré teve direito de falar em horário nobre da emissora número 1, e para o próprio azar falou demais.
Pois as tevês pretendem encerrar esta cobertura magistralmente. Houve quem pensou em transmitir o julgamento ao vivo, idéia que foi abortada por decisão de tribunal superior, e justificava a pretensão apontando para os Estados Unidos e dizendo que lá há canais dedicados unicamente a isto.
Disseram até que seria muito educativo para a população e poderia coibir a violência, ainda mais por ser um divisor de águas no direito criminal nacional.
Oras, tenham dó. Este não foi o primeiro e não será o último homicídio julgado no Brasil. E certamente está longe de ser o mais complexo.
Se há ineditismo no caso foi a forma como a polícia o solucionou. Rapidamente e com provas claras contra os réus; que terminaram por confessar, e sem tortura, a participação no caso.
E o pior que são louros que nem podem ser exibidos, pois apenas amplifica o descaso com o qual é tratada a investigação criminal no país. Menos de 10% dos delitos registrados são resolvidos.
E quanto a dizer que a transmissão de julgamentos é educativa; só pode ser piada, e de mau-gosto.
Os únicos que podem se beneficiar disto são os advogados, que normalmente já participam da platéia, e outros bandidos, que poderão saber o que não fazer para não terminar atrás das grades de um presídio durante a ação criminal ou o que serve ou não como álibi.
Sabemos que o alimentador maior da criminalidade é a impunidade e nisso nossa é uma das melhores incubadoras que há. As chances de um criminoso ser eliminado por seus comparsas são infinitamente maiores do que de ser neutralizado pela ação conjunta das Polícias e do Judiciário.
Não é transformando julgamentos em entretenimento para as massas que a criminalidade será reduzida. O máximo que ocorrerá é que teremos advogados dando autógrafos e alguns bandidos terão fã-clube.
A criminalidade só baixará quando os órgãos públicos prevenção, combate e repressão estiverem funcionando efetivamente.
Não sou um pessimista convicto, mas fica difícil de acreditar que isso será breve.
segunda-feira, 5 de junho de 2006
Mais uma das bondades inexplicáveis
Pedro Brito que vem a ser o ministro da Integração Nacional não explicou porque o presidente se envolveu na tomada de decisões sobre a concessão ou não de financiamentos a quem quer que seja, mas diz no artigo que a ferrovia permitirá que a região nordeste se desenvolva muito mais rápido, inclusive aproveitando potencialidades que os altos custos de transporte de hoje tornam inalcançáveis.
Muito bom. Então vem a pergunta: por que não a construiu antes?
Aceitando-se que são válidos os argumentos de Brito, e descontando-se argumentos em contrário como este , esta obra deveria ter sido realizada no início do atual governo.
Mecanismos há. Temos a lei de licitações e até a nova lei de parcerias público-privadas e o investimento estaria plenamente justificado.
Dinheiro era um empecilho ainda menor. Existem mais de 10 bilhões de reais da Cide – recursos carimbados- esperando para ser utilizados na otimização da nossa matriz de transportes; o que, salvo engano da minha parte, inclui a construção de uma maior malha ferroviária.
Qual teria sido o problema então?
Não sei responder, porém posso fazer algumas suposições.
Em primeiro lugar como causa provável colocaria a inapetência do atual governo em delegar funções à iniciativa privada. Sendo estatizante no seu cerne, ele deve ter visto o projeto ir e vir uma centena de vezes de um escaninho para o outro dos diversos órgãos da administração antes que se percebe-se a impossibilidade da criação de uma espécie de nova Rede Ferroviária Federal para a obra – para imaginar o tamanho da burocracia envolvida note que não foi o ministro dos transportes que escreveu o artigo.
Outra hipótese é que ela não seja assim tão prioritária para o governo Lula. Certamente não o era para o ministério hoje comandado por Brito até que a transposição do rio São Francisco desse com os burros n’água. Aquela sim era a bandeira do ministério, meta pessoal de Lula e esperança de muitos votos para o mesmo.
Há ainda a possibilidade de que o governo tenha percebido que a janela de oportunidade para fazer um oba-oba sobre o tema seja muito estreita e que, portanto, mais uma “promessa” deva ser inaugurada esta semana.
A copa está aí e durante a mesma nada que aconteça vai tirar a atenção do brasileiro dela (entendendo a copa como o período entre o primeiro jogo do Brasil e as explicações dos resultados, sejam estes negativos ou positivos) e depois de seu encerramento as regras eleitorais já estarão atuando para diminuir a visibilidade do governo na mídia.
Estas são as minhas hipóteses. Quem tiver uma explicação melhor, ou mais correta, que me passe. Estou louco para saber a resposta.
Para ler o texto do ministro Brito clique aqui se você for assinante Folha ou Uol.
sábado, 3 de junho de 2006
Para não falar mais besteira ainda
Se são já escrevo um monte de baboseiras, com febre nem quero imaginar o que sairia.
Espero normalizar as postagens na próxima semana.
quarta-feira, 31 de maio de 2006
Globalização
A população dos países ricos não gosta muito disso e a dos países pobres detesta, mas ela segue em frente, batalhadora.
Mas que bicho é ela e por que apanha tanto?
Uns dizem ser a padronização do mundo aos moldes americanos, outros que é o fim da utopia de bem estar social no mundo e outros ainda que é o domínio dos países pobres pelas multinacionais dos países ricos.
Eu tendo a acreditar que é simplesmente o nivelamento dos iguais mundo afora.
Segundo este ponto de vista, os pobres dos países ricos têm mesmo que se preocupar. Se eu estiver correto, estes são os que mais têm a perder.
Como contraponto, os dos países pobres só têm a ganhar. Um nivelamento econômico entre os pobres do mundo não faria muito por eles, mas uma migalhinha iria acabar sobrando.
Os ricos de todos os lados continuariam ricos e felizes, como sempre foram enquanto aos Estados caberá uma perda de autonomia, pode-se dizer até soberania, devido a interdependência entre as nações.
Daí se vê que os grupos que mais perderiam seriam os de trabalhadores sindicalizados e de baixa educação dos países ricos – os pobres de lá - e os políticos de toda a parte, que veriam sua margem de manobras populistas estreitar-se.
Se você concorda comigo na análise deve ver que fica evidente o porquê da globalização ter se tornado maldita para os grupos organizados ditos de esquerda mundo afora. É palavrão porque ameaça grupos historicamente privilegiados.
Se estivesse em um deles também estaria esperneando; como não estou, torço para que a globalização ganhe impulso e venha mais rápido.
segunda-feira, 29 de maio de 2006
Preciso ler o Estadão
Definitivamente está faltando assunto.
Acho que terei que fazer uma assinatura do Estadão.
sexta-feira, 26 de maio de 2006
A verdadeira ajuda ao campo
Os fazendeiros estão certíssimos em chorar, afinal quem não faz não mama, mas o governo está errado em conceder a ajuda anual.
A verdadeira forma de fortalecer agricultores não é assim. É criando mercados com tecnologias, seja de marketing ou de novas aplicações.
Vejamos; na semana passada a Petrobrás – no já tão usual tom “seus problemas acabaram” – anunciou que iniciará a refinação de derivados de petróleo com uma nova técnica denominada H-bio. Nem adianta perguntar o que é isso porque também não sei, só que o anúncio incluiu que cerca de 1,2 milhão de toneladas de soja seriam necessários para a implantação desta maravilha tecnológica neste estágio ainda embrionário, com produção em apenas duas refinarias.
É uma gota no oceano da produção nacional (cerca de 55 milhões de toneladas), porém quatro vezes a produção da nossa vizinha Bolívia. Imaginem o alívio que isto produzirá para os nossos plantadores, às voltas com os baixos preços internacionais e os produtos subsidiados pelas grandes potências econômicas mundiais.
Este sim é um processo sustentável de ajuda ao produtor rural que, se generalizado para as demais culturas, traz ganhos para toda a sociedade, inclusive para os governantes, que passa a ter na agricultura uma fonte de receitas e não de despesas.
A adoção em larga escala do álcool combustível é a estrela da trupe das inovações tecnológicas que beneficiam o consumo de produtos agropecuários brasileiros, porém não é o único. Nem se concentram no campo energético estas inovações.
O simples envaze de um resíduo pode significar a abertura de um mercado milionário. Foi o que aconteceu com a água-de-coco, que há cerca de uma década era descartado por todas as processadoras – muitas vezes diretamente nos rios – e hoje é um dos produtos mais nobres indústria.
Algo semelhante está em estudo na adoção de soro, proveniente da cadeia produtiva de derivados de leite, como enriquecedor protéico das merendas escolares. O Estado estaria atuando como um indutor da utilização de um resíduo da cadeia, diminuindo a carga poluidora das indústrias e aumentando a saúde da população infantil.
Outras pesquisas estão sendo feitas para a utilização de materiais que hoje são tratados como sem valor pelas indústrias, como os pulmões bovinos – transformados em salgadinhos - e as bananas próximas do amadurecimento – em purê. Cada nova utilização que se encontra é um recurso natural que ganha em valor e uma pequena parcela de nossos impostos que deixa de ser “dada” aos produtores rurais.
quinta-feira, 25 de maio de 2006
Foi mais ou menos assim
O depoente responde: É, aqui a gente aprende rápido.
Resultado, deputado provocador está andando pelo Congresso. Depoente está preso.
Moral da história: no Congresso Brasileiro não dá para falar a verdade mesmo.
quarta-feira, 24 de maio de 2006
Eu também não gosto
Não que eu tenha algo contra as pessoas desprovidas de dinheiro; mas me diga, senhor presidente, por que eu deveria gostar deles?
Há pobres de todos os tipos; pretos, brancos, magros, gordos, boa gente e mal-caráter. Portanto a única coisa que os distingue de um rico é a capacidade de suprir suas necessidades materiais.
Só há uma categoria que sem dúvida alguma gosta de pobre, a dos políticos populistas e demagogos. Sem os pobres esta categoria teria esgotada toda a sua capacidade de conseguir poder.
Eu tanto não gosto de pobre que quero que eles sejam eliminados da sociedade. Não ao estilo dos esquadrões da morte ou dos Gulags; com o desenvolvimento nacional.
E também não gosto dos políticos que gostam de pobres, pois estes querem a manutenção do status quo.
Por isso, senhor presidente, pode ser que você venha a ganhar a eleição que se aproxima (continuo duvidando), só que o meu voto você não tem.
terça-feira, 23 de maio de 2006
Vai entender
Nos últimos dias – devido ao novo escândalo (Sanguessugas) – ouvimos e lemos muito sobre o modo “errado” de ser de nosso orçamento federal.
A crítica mais dura era devido ao fato de que este é autorizativo e não impositivo; ou seja, nosso orçamento é uma peça de ficção, pois não leva a uma previsão real do que vai se gastar.
Mas aí me aparece o Maílson da Nóbrega, em um artigo no Estadão do dia 25, e afirma que não se deve fazer vinculação orçamentária, pois esta engessa o orçamento. Tudo em um contexto em que se fala de uma parcela do orçamento obrigatoriamente indo para a segurança pública.
Então fica a lição: orçamento é igual quem briga com bêbado, está errado quando bate e está errado quando apanha.
Particularmente sou favorável às vinculações orçamentárias, apesar de estar na contramão do mundo.
Pegarei os pontos contrários apontados por da Nóbrega e mostrarei por que não devem ser um impedimento às vinculações, no meu ponto de vista.
Estes são:
Aumenta a rigidez dos gastos, dificultando a alocação adequada de recursos;
Induz os administradores públicos ao desperdício, pois estes buscam gastar a todo custo;
Inibe os incentivos à busca da eficiência na utilização de recursos, pois eles chegam “de mão beijada” aos destinatários;
Compromete para sempre uma parcela de recursos em favor de atividades que não serão necessariamente as mais prioritárias no futuro;
Põe em dúvida a capacidade dos futuros legisladores de definir prioridades.
O fato é que todos estes pontos estão baseados em premissas falsas.
Primeiro, as vinculações não aumentam a rigidez do orçamento pela simples razão de que nosso orçamento não é rígido. O que elas fazem é definir prioridades de gasto que, diga-se de passagem, estão corretíssimas se forem as de hoje – educação e saúde – acrescidas de segurança pública.
Para haver alocação adequada é necessário que haja administração adequada, não é o orçamento que irá criar este virtuosismo administrativo.
Então chegamos ao segundo ponto, dizer que desperdício ocorrerá pela vinculação é supor que existe sobra de recursos. Pois sabemos que isto não ocorre; o que existe é desperdício de recursos já insuficientes. A busca da melhora administrativa é uma necessidade, independente da forma que o orçamento é apresentado.
O que inibe a busca de eficiência é a falta de cobrança por ela por parte dos superiores e da sociedade, não a existência dos recursos. No que acredito que o terceiro ponto também é falso.
Quanto aos quarto e quinto pontos, baseiam-se na premissa que uma legislação aprovada hoje torna se pétrea. Mas sabemos que nenhuma lei é imutável, mesmo as que estão alojadas dentro da constituição, como a própria sociedade não é.
A medida que mudarem as necessidades mudar-se-ão as vinculações e cada período dará aos legisladores a chance de legislar e aprovar orçamentos adequados ou não – o que é muito mais comum – à sua época.
A capacidade dos atuais congressistas é realmente bastante questionável porém não há como dizer que a dos futuros será maior.
sexta-feira, 19 de maio de 2006
Só abre a boca pra falar m...
Eu poderia dizer que ele está um pouco mal informado, talvez até mal formado, mas acho que não. Fui apenas mais uma merda que ele falou mesmo, mal intencionada ou não.
Para que se deve construir mais escolas se as crianças já estão todas lá, frequentando-as ou pelo menos com as vaga garantidas, e a tendência demográfica é que se necessite cada vez menos vagas por simples falta de crianças?
Será que não seria melhor garantir a estas crianças uma educação de qualidade, coisa que o orçamento que seu governo defende faz crer que só acontecerá no nível terciário (que, prevê-se, receberá 75% das verbas).
Será que o ilustre presidente não percebe que o nível educacional da população nada têm a ver com este incremento da marginalidade e que fossem estes os bandidos mais educados talvez ganhássemos apenas um crime mais organizado e, portanto, ainda mais perigoso - vide a cobertura do noticiário político?
Será que ele não percebe que os índices educacionais hoje são muito melhores do que no passado e que isto não se transformou em melhoria na segurança pública?
Será que ele não tem espelho em casa e não sabe que não possuir educação formal não predispõe ninguém ao crime?
Ou será que ele tem e sabe muito bem o que está dizendo?
quinta-feira, 18 de maio de 2006
Endurecer
Aparentemente isto significa atira, mata e depois vê se acertou a pessoa certa.
Só que o certo seria justamente endurecer com as Polícias. E não só com elas; com o Congresso, com a justiça, com o Ministério Público, etc...
Esta mais do provado, o homem e as instituições que ele forma só funcionam adequadamente se tiverem fiscalização externa. E são estas fiscalizações múltiplas que ruíram em nosso país, criando condições para toda esta bandalheira.
Devido a falta de cobrança de resultados por parte da sociedade, leis inaplicáveis são promulgadas, policiais passam por crimes flagrantes e não agem, quando um delito é comunicado à Polícia não é investigado.
Ou seja, a sociedade não está pressionando as instituições para que estas cumpram suas funções.
Abrir mão das amarras que os policiais têm para não se transformar em máquinas assassinas é o pior dos caminhos. Aumentar a fiscalização sobre todos os servidores públicos para que estes cumpram seus papéis, honestamente, é a única forma de encontrarmos uma paz social duradoura.
terça-feira, 16 de maio de 2006
Bandido bom é bandido morto
Atentem, não estou dizendo que bandido tem que morrer – se estivesse meu “ibope” subiria muito com certa parcela da população -, estou apenas dizendo que bandido, se esperto for, não gosta de aparecer.
Finge-se de morto, pra pegar o coveiro; em uma expressão que ouvi muito na minha adolescência. E só assim se perpetua no poder ou em suas ações, muito alvoroço e muito tiro é sinal de falta de poder, em outro dito popular: quem grita perde a razão.
Desta forma, digo uma coisa da qual eu provavelmente me arrependerei mais tarde. O PCC está acabado, ao menos sobre o comando da atual “direção”.
Mesmo desorganizado como é, o Estado ainda tem muito mais força de coerção do que qualquer PCC, e quem não a utilizar para afrontar a organização criminosa. Após tamanha humilhação pública dos governantes e das polícias, os líderes da facção criminosa pagarão caro por isso, assim como seus asseclas.
De fato alguns já estão pagando; o número de mortos em confronto com a polícia nesta madrugada foi bastante alto e acredito que não irá retroceder tão cedo.
Provavelmente haverá também um endurecimento do sistema penal; muitos dos chamados líderes do PCC passarão a Copa do Mundo assistindo às paredes no Regime Penal Diferenciado.
Creio até que o tal “Marcola” vai sentir saudades do tempo em que era apenas um ilustre desconhecido, se fingindo de morto como criminoso e tento um comportamento exemplar na cadeia. Só que agora já foi, usou o período eleitoral para manifestar desejos descabidos, que arque com as conseqüências.
Nós já sofremos; e a pressão sobre os maus-tratos sobre presos e contra policiais violentos vai ter um nível apenas basal nos próximos meses.
A população quer e terá sangue, pois é assim que agem governantes; desde a época anterior ao pão e circo romano.
Impondo o terror
Na véspera da final da Copa Coréia/Japão tive uma conversa que era mais ou menos assim:
- E aí Gian, tá preocupado com a final?
- Não, acho que vai ser fácil.
- Mas como?
- Explico; qual é considerado o melhor zagueiro do campeonato alemão hoje?
- O Lúcio?
- Não, o Bordon, aquele que é considerado um grosso e nunca sequer foi cogitado para a seleção. E você sabe quem é o artilheiro de lá?
- É o Élber?
- Não, é aquele cara que jogou no Grêmio, Adílson, se não me engano?
- Puta, nem sei quem é?
- Pois, é, nem sei o nome, pra falar a verdade não tenho certeza que ele jogou no Grêmio. Mas é o artilheiro de lá. E o melhor jogador, sabe quem é?
- O Balack?
- Antes fosse, o melhor jogador de lá segundo a imprensa alemã é o Zé Roberto. E este tal de Balack nem vai jogar.
- É, se os melhores jogadores deles não servem pra jogar na nossa seleção, como podemos nos preocupar com este time?
- É o que eu penso.
No final das contas a final foi até mais disputada do que eu pensei que seria, só que a Copa já estava ganha de véspera, era só não perdê-la.
Quatro anos depois a situação sé se agravou para as demais seleções. Isto não quer dizer que iremos ganhar a Copa com um pé atrás, mas significa que já entramos em campo com um décimo-segundo jogador, o Medo do adversário.
Se não colocarmos Presunção - conhecido pela alcunha Salto Alto - em campo, o título é nosso.
domingo, 14 de maio de 2006
Assino embaixo
Pega aí: http://www.primeiraleitura.com.br/auto/entenda.php?id=7525 .
E se discordarem desta vez mandem os impropérios para o Reinaldo Azevedo.
sábado, 13 de maio de 2006
É impressão minha...
Num dia dizem uma coisa, no outro dizem o contrário, alguns não sabem se o que dizem é fantasia ou ficção; vejam só, a realidade é que nunca é.
E o coitado do Acre, o estadinho desvalorizado. Foi segundo o líder sindical que virou presidente deles comprado pelo Brasil por um cavalo. E aquele troquinho de 2 milhões de libras esterlinas, eram o quê?
Mas como diria a música do Casseta: se o líder sindical que virou presidente daqui é assim, imagine o da Jamaica? O da Bolívia não precisa imaginar, é só ligar o noticiário.
Mas para esperar esta onda "esquerdista" passar podemos encher os copos de uísque escocês do Paraguai daqui, ou mesmo da Jamica, já que a dor de cabeça é certa mesmo, que tenhamos ao menos a euforia pré-porre.
quarta-feira, 10 de maio de 2006
Herança maldita
E ao contrário daquela que os antigos petistas diziam receber, esta não poderá ser usada com outro nome e a mesma fórmula.
A trama que liga as instituições deste país está tão esgarçada que será necessário uma refundação da nossa democracia.
Ou será que aceitaremos outra rainha da Inglaterra em nossa presidência (aquele senhor que nada faz, nada sabe e nada manda) discursando que “nunca na história deste país”?
Creio que não, se estamos em um presidencialismo é para que tenhamos um presidente, de fato e de direito. Que este aja como um e seja responsável por seu governo.
E quanto ao Legislativo?
Criado basicamente para fiscalizar e balizar o poder executivo, não está fazendo nada disso. E nem a sua outra função – ser a casa onde a voz das ruas encontra eco e se transforma em leis e atos – está sendo exercida. Fica a pergunta; pra que serve então?
E quanto ao Judiciário?
Um dos mais politizados e ineficientes do mundo.
Não pense aqui que estou colocando o peso de cinco séculos de construção de “tudo isto que está aí” nas costas do sr. Inácio, mas ele conseguiu tudo que estava errado e piorar; com o mensalão e a desmoralização do escândalo, sabendo ele ou não das coisas.
terça-feira, 9 de maio de 2006
Como é possível?
E ainda sou parlamentarista.
Vale tudo
Os agricultores estão fazendo a festa com isso. Existem estradas que estão paradas há semanas e nada de se tomar alguma atitude.
E o pior de tudo é que os nossos nobres representantes dos agronegócios não terão seus pleitos atendidos simplesmente por impossível que é fazê-lo.
O que eles querem é socializar seus prejuízos, pois se acham uma categoria mais importante para o progresso do país do que as demais. Sei que isto já foi pisado e repisado, mas quando o dólar estava valendo quatro reais ninguém veio me oferecer socialização dos lucros da venda de soja.
Todos os agricultores que estão hoje endividados são maiores de idade e sabiam que corriam riscos quando assinaram seus contratos. A vida é assim; quem quer ganhar muito tem que arriscar muito. Quem arrisca mais do que pode, perde mais do que quer.
O pior é que eles foram ao longo de décadas acostumados a só ganhar e deixar as perdas no colo do Tesouro, já passou da hora de serem responsáveis por seus atos e contratos.
O Brasil é pobre para ficar subsidiando exportadores de grãos ou o que quer que seja; se é para subsidiar alguém, que seja a agricultura familiar – e não com dinheiro, mas com conhecimento para que tenham discernimento para que não sejam os próximos a pedir prorrogação de dívidas.
domingo, 7 de maio de 2006
Land Rover
É tudo coisa velha, da qual todos já sabiam ou desconfiavam.
A novidade é que o PT deu ao seu antigo secretário-geral o status de louco.
Este é o partido que está no poder (diga-se de passagem nós o merecemos, pois não há nenhum movimento para tirá-lo de lá). O secretário-geral era louco, o tesoureiro desligado, o presidente inocente e o presidente de honra néscio e apedeuta - forma que os críticos usam para evitar tolo e ignorante, devem ser uns velhinhos.
sábado, 6 de maio de 2006
Que justiça?
Estas foram as palavras que proferiu João Florentino Gomide, o pai de Sandra Gomide – cujo assassino confesso Pimenta Neves depois de julgado e condenado recorrerá em liberdade.
Mas poderiam ter sido proferidas por qualquer um que esteja acompanhando o noticiário nacional.
Como não ficar indignado ao ouvir de membros do Supremo que os acusados do mensalão só serão julgados em dois anos, se tudo correr bem, após a infinidade de provas recolhidas neste período por Ministério Público e CPMIs?
E que a agora notória Suzane e os irmão Cravinhos, grupo de assassinos confessos também, foram libertados e depois encarcerados novamente pela singela razão de que nossa justiça não conseguiu cumprir o prazo de julgá-los; o que devido ao fato de serem réus confessos é quase uma formalidade.
E a necessidade de se julgar o Juiz Lalau às pressas para evitar que seu crime prescrevesse; julgamento que só aconteceu devido à pressão da Imprensa.
E as ações de politicagem que alguns membros dos tribunais mais altos se utilizaram no decorrer da crise sem fim que o mandato Lula se transformou.
E...
Tudo mostra que preocupado com o seu próprio umbigo o poder judiciário se recusou a cumprir com suas obrigações. Dar igualdade de direitos e de deveres aos cidadãos brasileiros. E se ele não faz isso, não serve para nada.
Desde que comecei a escrever este blog fico batendo na tecla de que precisamos fortalecer as instituições; vez ou outra me pergunto se as instituições que nós temos merecem ser fortalecidas.
sexta-feira, 5 de maio de 2006
E por falar em Deus e...
Quem empresta aos pobres dá adeus.
Ou será quem dá aos pobres empresta a Deus?
Sei lá.
Só sei que fica sem, ainda mais se o pobre for hermanito.
Ao Deus dará
Ou está faltando oração ou houve um divórcio entre o divino e os poíticos evangélicos do Rio.
Enquanto Garotinho está morre não morre, diz o médico que o está atendendo, Bispo Rodrigues está vendo o sol mais reto do que o normal.
Isto só prova uma coisa: quanto mais se reza, mais assombração aparece.
quinta-feira, 4 de maio de 2006
Chantagem
No lado de cá a maioria pode classificar isto como bom-senso.
Parece que...
Mandou os auxiliares falar grosso, enquanto não fazem nada.
Já sabemos que não investiremos mais nem um centavo lá nos Andes e que não aceitaremos aumento nos preços ou interrupção do fornecimento.
O que faremos caso, por um infortúnio, aconteça algo assim? Só Deus sabe.
Enquanto isso a Veja informa que José "sai já daí" Dirceu anda oferecendo negócios milionários com o companheiro bolivariano Chávez ao empresariado brasileiro.
Que posso dizer?
Vão fundo, é negócio garantido. Lulinha (não o Paz e Amor) deve estar preparando as malas para fechar negócio, já que tem um faro para ganhar dinheiro incrível.
terça-feira, 2 de maio de 2006
Negócios em família
Mas de qualquer modo fica a lição. Negócios em família sempre criam atritos, entre hermanos é desastre certo.
sábado, 29 de abril de 2006
A respeito do comentário do leitor Mendonça
Em nenhum momento tentei afirmar que há algo errado em se exportar. Muito pelo contrário, acho que todo comércio consensual é glorioso; quase tanto quanto enriquecer – não é mestre Deng?
Disse sim que acredito que a importação tende a favorecer mais à população enquanto as exportações às classes dirigentes.
Como ponto de defesa da minha tese, peço que se comparem os índices de exportação e os índices de Gini dos diversos países do mundo. Desconfio que haverá uma importante correlação positiva entre os dois; mas é apenas uma desconfiança, nunca fiz a comparação.
Também peço que se examine a história das relações comerciais e verifique se as regiões que mais se desenvolveram foram as tomadoras líquidas de recursos ou as que cederam estes recursos. Também desconfio que haverá forte correlação entre os níveis altos de superávit comerciais e subdesenvolvimento econômico.
Portanto quero que se extraia do texto a idéia de que não há porque se endeusar a balança comercial positiva e se satanizar a negativa. Quero crer que um fluxo comercial tem duas vias e que este deve ser equilibrado ou, no mínimo, que não forcem desequilíbrios por práticas de comércio desleal (dumping, manipulação cambial, venda casada, etc).
Não quero que imaginem com isso que sou contrário à empresa nacional ou aos produtos destas – já fui inclusive acusado de nacionalista bocó pelas minhas posições em defesa destas -, só não quero que uma parcela grande da população, eu inclusive, arque com os incentivos para a incorporação de vantagens aos exportadores alem das que as demais empresas e indivíduos da população em geral têm; não é mais patriótico vender para um estrangeiro do que o é vender para um local.
Os incentivos à produção não podem ser destinados a uma determinada parcela de empresas escolhidas a dedo. É legitimo incentivar setores estratégicos da economia, mas a escolhe destes deve levar em conta mais do que se eles trazem ou não divisas para o país. Mesmo porque neste exato momento o Brasil está com excesso de moeda forte.
Se um determinado incentivo não-específico fortalecer as empresas locais e possibilitar que estas se tornem exportadoras, tanto melhor. Todos saem ganhando; a empresa pelo aumento de mercados e os consumidores locais e estrangeiros por ter acesso a um produto de qualidade internacional.
O caso do Brasil
O primeiro é relativo aos custos provenientes do transporte. Há muito somos auto-suficientes em gasolina (exportadores na realidade) e nossos preços só seguem os internacionais por motivações políticas. O governo anterior atrelou os preços da Petrobrás àqueles para que houvesse incentivo a que empresas estrangeiras entrassem no mercado de refino e prospecção sem medo do competidor nacional, monopolista de direito à época e de fato hoje.
No diesel somos ainda dependentes das importações, mas projetos de utilização de biomassa e aumento da capacidade de refino do petróleo pesado nacional. O projeto do biodiesel está envolto nas amarras populistas dos moldes em que foi planejado, porém continua muito promissor se for encarado como um mecanismo de controle de preços das oleaginosas nacionais, uma forma de diminuir e aumentar o valor da produção sem espetar a conta no contribuinte.
Na parte de geração elétrica o processo de encarecimento parece ser um pouco mais inexorável, mas não o é. A geração ainda é majoritariamente estatal e hídrica e os custos são muito menores do que os das usinas térmicas.
O preço de venda da energia gerada pelas estatais é mantido artificialmente elevado para aumentar a competitividade de usinas privadas, havendo subsídio destas últimas.
Apreende-se disto que da mesma maneira que há uma determinação política para se manter os preços abertos a competição pode ocorrer um controle maior da variação de preços do mercado - em um ato que não defendo, porém que não duvido que a maioria dos governos se prontificaria a apoiar (e como a Petrobrás está efetivamente fazendo agora com relação aos preços da gasolina).
Há também a ação individual dos consumidores. A experiência da crise energética (de oferta) do início da década mostrou o quanto se desperdício existe no consumo de energia no país.
Aumentos acentuados de tarifa seriam um grande incentivo à economia energética e a adoção de novas tecnologias que mudem a matriz energética.
Os grandes consumidores já estão por lei livres para negociar caso a caso, e conseguem descontos expressivos, enquanto os médios e pequenos ainda estão atrelados às tarifas impostas via Anel (Agência Nacional de Energia Elétrica).
Porém no consumo residencial ainda a muito a ser feito para conter os custos de energia. Cerca de 50% do uso de eletricidade é para controle térmico, com maior uso da refrigeração ou do aquecimento dependendo da região do país em que se encontra. Para ambas as alternativas existem possibilidades de se usar a tecnologia solar para diminuir ou zerar a utilização de energia elétrica.
Para o aquecimento já há tecnologia consagrada e barata, e outras ainda mais eficientes estão sendo testadas.
No caso do resfriamento existem tecnologias muito promissoras, apesar de ainda não estarem em comercialização.
Nos dois casos a utilização em larga escala é barrada pela necessidade de se investir uma soma inicial relativamente alta em comparação com as feitas para a tecnologia elétrica, mas que é diluída pelo baixo custo operacional e pela longevidade das soluções "alternativas".
Vale ressaltar também, como já fiz no artigo anterior, a possibilidade de se utilizar as energias eólicas e solar para a conversão em elétrica como uma forma de se ter margem de segurança nos mesmos moldes do que já é feito com as usinas térmicas.
Para um país como para um indivíduo, quanto mais variadas as formas de "nutrição" maior a segurança à qual ele está sujeito. É isto que devemos buscar no campo energético.
quinta-feira, 27 de abril de 2006
Energia cara?
Diz ela que com o fim da abundância do petróleo em nível mundial acaba-se por encarecer todas as outras formas de energia, pela diminuição da concorrência e pela incapacidade de geração.
Isto é apenas uma meia-verdade, e no caso específico do Brasil uma completa mentira.
Não entramos definitivamente na era do petróleo caro; o preço atual é altamente especulativo e tende a derrubar rapidamente o consumo pela adoção de tecnologias já completamente desenvolvidas. No caso específico da gasolina há tanto a possibilidade de adição de biocombustíveis quanto, e principalmente, o uso de carros híbridos – mais caros porém com o dobro de eficiência energética.
Sendo assim, não há verdadeiramente diminuição da concorrência pelo preço da energia e sim manipulação dos mesmos pelo cartel mais forte. Qualquer perigo ao domínio exercido por este cartel trará os preços para patamares mais “civilizados”.
Ainda em relação aos preços, existem externalidades ocultas nos custos baixos do petróleo. Uma vez que estas passarem a ser “precificadas” verificar-se-á que a energia proveniente do petróleo e de outros combustíveis fósseis não é tão barata quanto se imagina.
Tomemos por base a economia que é mais petróleo-intensivista no mundo, os Estados Unidos da América. Ela tem custos militares exorbitantes para assegurar seus suprimentos do “ouro negro” e ainda está às voltas com desastres naturais que provocam prejuízos equivalentes às suas importações de petróleo, desastres que são possivelmente intensificados pelo uso de combustíveis fósseis.
Quanto à incapacidade de geração, outra incorreção. Há sim capacidade de gerar energia “alternativa”, o que não existe é a segurança por parte dos consumidores e dos produtores em utilizá-la.
As mais estudadas no momento são a eólica e a solar, porém ambas são por natureza instáveis e incompatíveis com os usos que requerem uma constância de fornecimento. Por isso para seu uso são necessários redundância de geração ou caros processos de armazenagem de energia. Ou seja, um consumidor necessitaria de outro gerador para supri-lo nos momentos de calmaria dos ventos ou em que o céu estivesse nublado ou de baterias para as mesmas situações.
Só que estes custos podem ser minimizados por redes em forma de grade, que liguem muitos consumidores e geradores, principalmente se estas cobrirem grandes áreas, que minimizam os efeitos locais. O Brasil seria um local ideal para se colocar algo assim em prática devido a sua vasta rede hidrelétrica, que permite acumular o potencial energético nas represas, e sua extensão.
Portanto o uso de “alternativas” é condicionado a uma forte regulação que assegure margem de lucro ao produtor frente à especulação do cartel do petróleo e a antiga “vontade política” para enfrentar o mesmo cartel, sem se esquecer que a regulação deve resguardar totalmente os consumidores.
Em conclusão, não acredito que estamos próximos de uma crise energética, de oferta ou de custos. Porém ainda estamos vulneráveis a crises como estas e devemos aproveitar as chances que a tecnologia já nos trouxe para nos imunizarmos e garantir a sustentabilidade de nossa economia mundial.
quarta-feira, 26 de abril de 2006
Exportações: pra quê?
Pelo que se apreende do discurso econômico dominante, o povo só tem a ganhar com o incremento das exportações. Só que isso é uma fantasia, tanto pode ganhar como pode perder; tanto é assim que com as restrições que alguns itens de nossa lista de exportações sofreram houve um recuo da inflação no início do ano.
Generalizando, em oposição importação e exportação o povo ganha mais com a primeira e o grande capital com a segunda pois, enquanto os ganhos da importação se espraiam por todo o contingente de consumidores, os ganhos das exportações se concentram nas camadas produtoras; sendo tanto menos generalizado quanto mais primário for o item exportado.
A exportação só é boa para o povo quando ela indica a combinação de duas variáveis; excedente interno e vantagem competitiva.
A primeira ocorre quando a capacidade de consumo é suplantada pela de produção em uma certa região. Se não passar a exportar, o produtor terá que cortar a produção e, provavelmente, empregos.
Na segunda variável há uma combinação de fatores que faz com que o produto local seja mais atraente que o seu concorrente de fora. Deste modo o produtor tem o seu mercado cativo devido as qualidades superiores e ainda pode concorrer no resto do mundo procurando novos.
Em qualquer outra situação há um deslocamento dos clientes locais pelos dos clientes de fora, gerando aumentos dos produtos exportados e perda relativa de renda da maior parcela da população.
Mas se não apresenta necessariamente uma vantagem para a coletividade, por que as exportações são saudadas enquanto as importações execradas?
Isto ocorre por uma visão que aponta o outro como um competidor sempre, não como um parceiro. E este outro pode ser entendido em todos os níveis. Seja ele individual ou das coletividades (a outra empresa, cidade, nação, etc...).
Por esta visão a exportação é uma vitória na “guerra” comercial, a importação uma derrota e o déficit uma capitulação.
E, apesar do que os governantes e os líderes empresariais e sindicais mundo afora dizem, isto é muito distante da verdade.
A função do comércio – seja entre indivíduos, seja entre países- é permitir que os mais aptos para uma função exerçam suas potencialidades sem ter que gastar energia e demais recursos em algo para os quais não têm capacitação. Ganham eles por fazerem o que conseguem bem e ganha a sociedade por ter seus recursos preservados. O comércio é, portanto, uma ferramenta para o bem-estar da sociedade em geral.
A importação seria a captação externa de recursos para a melhoria deste bem-estar sendo mais essencial que a exportação destes recursos, que deveria ser minimizada até o ponto de garantir-se a compra dos itens necessários. Isto é tudo no mundo idealizado.
Porém, não é por não viver em uma utopia que se deve buscar a exportação a todo custo. O Brasil já superou escassez de dólares e não precisa mais tentar conter as importações. Estas trazem novas tecnologias e contêm os preços internos, beneficiando a população.
Superávit comercial fica bonito no gráfico, mas só quando as necessidades do povo que sustenta já estão atendidas; senão o modelo China, um bando de escravos trabalhando pelo bem-estar da elite do partido e felizes por acharem que estão bem, e livres.
terça-feira, 25 de abril de 2006
Ou sou burro ou estou errado
Estou em uma encruzilhada, talvez até um entroncamento, no qual só perco. Não sei se sou burro, estou errado ou os dois.
O tema é o câmbio, sempre ele.
Mais e mais, os analistas econômicos estão nos alertando que a taxa está distorcida, são unânimes nisto.
Eu e administração petista achamos que não; se é de livre flutuação, que flutue livremente.
Se mudar de lado, passarei ao da unanimidade, burrice. Se continuar do lado, permanecerei do lado da incompetência, erro, e, persistindo, burrice.
Eu tenho dificuldade de assumir-me burro, como todo o restante da humanidade, e passarei a ficar em cima do muro, do jeito que cabe a um bom tucano que me acusam de ser.
Só pedirei que alguém me explique ou, melhor, me convença da sobrevalorização do Real.
É claro que não aceitarei que uma câmara setorial qualquer, amparada na, digamos, cadeia de produção da bolinha de gude, diga que deveríamos ter um câmbio por volta dos sete reais por dólar para que possamos ter uma indústria competitiva. Para cada caso específico altista haverá outro que suporta mais desvalorização.
O câmbio é sistêmico e deve-se levar em conta a balança de pagamentos quando se está as voltas com o livre mercado.
Note-se que há tempos a balança de pagamentos está azulada, apesar de intervenções maciças do governo tentando mandar dólares para o exterior através da antecipação da quitação de dúvidas, mas isso é só um detalhe para sábios de plantão.
Apontar a perda de competitividade de setores inteiros neófitos em exportação como uma prova inquestionável é o que se pode chamar de auto-engano. Este setores não estão deixando de ser competitivos, apenas estão voltando ao normal depois do “doping” causado pelo repique cambial da crise de (des)confiança no petismo-lulismo.
Competitividade sustentável ganha-se resolvendo os problemas internos como infra-estrutura deficiente, leis anacrônicas e mão-de-obra desqualificada; a muleta do câmbio é apenas exploração disfarçada do trabalhador.
Bem; quem viver verá se sou burro, estou errado ou os dois. Como tive a chance a chance de viver no Brasil desde o advento do plano Real, vi os que advogavam o câmbio livre se converterem nos pregadores da intervenção.
Já que acham que o câmbio está distorcido que alguém intervenha nele, e rápido. Esta é a visão dos livre-mercadistas à brasileira.
segunda-feira, 24 de abril de 2006
Privada e relativa
Sem ele certamente não teríamos a diversidade de comportamentos e visões de mundo que hoje vicejam, uma vez que estes necessitam de um certo tempo no forno da privacidade para prosperar e ganhar adeptos.
Mas também muitas da guerras, negociatas (e mensalões) e demais mal-feitos nunca teriam existido. E isto mostra que um direito individual muitas vezes trás também problemas coletivos.
Bem; deixando de lado as digressões, vamos aos fatos. O advogado, e ex-ministro, José Dirceu alegou aos jornais que teve seu direito à privacidade violado quando seu encontro com o ex-presidente, e agora pré-candidato, Itamar Franco noticiado. Mais ainda quando a forma de deslocamento do advogado, um jatinho fretado que poderia ser incompatível com seus rendimentos, também foi informada pela imprensa e levou a especulação sobre bem estaria financiando a visita.
É aí que se embaralham as coisas. A privacidade é um direito relativo. Ninguém pode alegá-lo, por exemplo, para impedir que se desbarate mal-feitos ou ilícitos; o que permite as quebras judiciais de sigilo. Também não há mal nenhum em se noticiar encontros de figuras públicas (Itamar Franco certamente é uma), já que os atos destas trazem conseqüências à sociedade, não ao seu restrito círculo privado.
À imprensa cabe a publicação de tudo que ache relevante. Aos citados cabe mostrar as incorreções da imprensa e requerer as reparações devidas, inclusive judiciais.
Até onde consta, José Dirceu foi visitar um amigo – como teve seus direitos políticos cassados, não pode tê-lo feito em nome do PT ou do governo. Sentindo-se ofendido pela publicação do fato, caberá ao advogado uma ação por danos morais, se provar que houve algum.
Ao mostrar que a José Dirceu e Associados pagou pela viagem, ele assegura que nada de errado houve na transação. Passa a ser da esfera privada, ao próprio e aos associados, a conveniência da viagem dentro dos planos estratégicos da empresa.
No plano público caberá às Receitas examinar a prestação de contas da transação quando do recebimento das declarações. Havendo algo errado que se cumpra a lei. Afinal; “caixa 2 é coisa de bandido”, diz Thomaz Bastos, e para coisa típica de bandido não cabe privacidade.